PREFÁCIO.
O momento histórico em que atravessamos exige uma parada. Uma
parada para a reflexão no passo de encontrar respostas sinceras e autênticas
das causas, dos motivos e das razões para as absurdas contradições que, ainda,
assistimos no nosso dia-a-dia.
Ao lado dos maravilhosos avanços em todas as áreas de atendimento
às necessidades sociais, pela capacidade intelectiva do homem, ainda vemos,
estupefatos, notícias de violências e agressões pelos pais contra filhos
indefesos, de matanças, de revoltas, de hábitos, costumes e crenças
irracionais, de mortes incríveis, raptos de crianças para venda de seus órgãos
para transplante, conflitos entre nações, fome no mundo, tráficos impróprios,
subornos, pedofilia, prostituição infantil, venda da própria filha para essa
finalidade, ou para a escravidão, assassinato de mulher em nome da honra,
mutilação genital feminina, desvio do erário para os cofres particulares,
catástrofes provocadas para fins de enriquecimento ilícito, reprodução
permitida de materiais não saudáveis como cigarros, armas e afins, guerra
civil, o desemprego exacerbadamente manipulado, terrorismos, golpe bilionário
impune dentro da própria comunidade de nações, escândalos
político-econômico-sexuais, abusos perversos e outros absurdos.
E isto sem falar do que não é noticiado tal como é a dominação
despótica inescrupulosamente disfarçada de democracia e mantida por uma
cautelosa deformação perversa sutil.
O
que é que está havendo com a espécie humana?
Se
olhar para o lado individual, tem-se observado que algum crédito ainda é
concedido, mas ao que tem, e ainda, com juros abusivos e garantias de retorno.
Ao que nem fiador possui, nem pensar. Familiarmente, se vê créditos ao que não
tem, mas em valores minúsculos e humilhantes, e a sua concessão é nos moldes
exteriores, esmola, ou é motivo de muita consideração por gostar, por paixão,
amizade e amor ao beneficiado. Entretanto, há o ponto de desgaste e saturação
quando não há a menor retribuição, ou sinais evidentes dessa potencialidade. E
o basta, ou o chega para lá ocorre no limiar da tolerância e na ameaça à
penúria, ou da evidente preterição. Daí, o que era amado é excluído do espaço
íntimo, ou é olhado com indiferença e pena, quando não há pior compreensão.
Será
que a concorrência e a competição no cotidiano, dentro de um sistema de capital
que manipula o medo do desemprego, condiciona o indivíduo rumo ao apogeu da
inescrupulosidade desaprendendo ou desgastando a relação mais saudável para
desalojar o amor?
Está
mesmo a realidade sujeita, inexoravelmente, a um vir-a-ser contínuo, sem
chances para alguma inteligência intervir e dar uma oportunidade aos bilhões de
subnutridos do planeta?
Certamente,
deverá haver aquela explicação verdadeira com concordância unânime para o
revezar-se de vida e morte, pobreza e riqueza, submissão e dominação e demais
contradições absurdas e estúpidas.
E, do outro lado, deverá haver também a
compreensão de como persistir para conduzir à reformulação ou ao renascimento
da paz, do equilíbrio e das relações saudáveis entre todos os vivos dentro de
um contexto de exuberância sem prejuízos para este, para aquele ou para a
coletividade.
Nesse passo, urge dar atenção aos
interesses comuns a todos, por meio de um pacto internacional global, para o
seu imparcial controle ser implementado por um organismo permanente constituído
de representantes aptos, incorruptíveis e probos de todas as nações.
E que se inclua nesse controle uma
rigorosa proteção, incentivo, reforço, motivação e premiação à boa conduta do
cidadão, seja este pessoa pública ou privada, principalmente, à conduta que
resulte no interesse de todos. Nesse mister é bom que se adote o paradigma de
buscar os acertos relevantes para premiar em vez de procurar e provar o erro da
vítima do errado maior, para livrar este punindo e apenando aquela.
Longe de dar soluções, porque estas
são pertinentes ao querer integrado da totalidade em processo de
conscientização, mas, especialmente, para o rumo da tomada das consciências do
potencial do triunfo sensato de cada indivíduo, coletividade ou qualquer grupo,
e convicto da grande possibilidade da realização das soluções de todas as
necessidades sociais, paulatinamente, é que resolvi entrar fundo na teoria dos
seus quatro momentos biográficos e históricos.
Nesse diapasão, é a presente, um dos
seus fundamentos facilitadores que pode iniciar a tomada de consciência
integral universal ― uma superconsciência individual (realidade
subjetiva)[1]
e uma megaconsciência social (realidade objetiva) ― para o leitor que,
aliando-se aos demais, tornarem-se todos, de fato e de direito, catalisadores
positivos do amplo processo de desenvolvimento do ser humano rumo ao desfrute, de
modo contínuo, do bem-viver geral já merecido e de direito natural desde os
seus primórdios.
Saburo Okada.
O que é necessidade?
O que é consciência da necessidade do primeiro momento?
O que é consciência da necessidade do segundo momento?
O que é consciência da necessidade do terceiro momento?
O que é consciência da necessidade do quarto momento?
É
preciso dar-se conta dos desequilíbrios orgânicos, físicos, psíquicos e
ambientais que ameaçam a sobrevivência não só da unidade individual, social e
do ecossistema que definem a necessidade geral. Mas, essencialmente, é preciso
dar-se conta da capacidade intelectiva do ser humano de saber resolver
definitivamente esse impasse ¾ mas não faz ¾, para que todos os vivos possam desfrutar o bem
viver, a partir do aqui e agora para todo o sempre. Sobretudo, o impasse do
absurdo e do ridículo das incoerências e da estupidez das próprias contradições
internas: ¾ Por quê não faz? ¾ Por quê o impedimento?
É
preciso acordar da realidade automática, absorvente e particular que está em
rede no emaranhado inconsciente social universal. Acordar-se para as novas
realidades sucessivas no finito bem-estar que a vida oferece a todos, no
tempestivo bem ser que cumpre a cada um construir, no contínuo acontecer dessa
finitude que não poderá dar espaço ao mal-estar através do bem ter e, na ampla
consciência de integrar a reflexão, o entendimento e a compreensão do que seja
o triunfo sensato da totalidade humana e pô-lo na prática (bem fazer).
A
necessidade é a mola propulsora de todas as transformações boas ou más na face
do planeta e surge para o homem em seus quatro momentos biográficos e
históricos fundamentais. Num primeiro momento, a necessidade é premente e
iminente. Urge saciá-la para sobreviver. Num segundo momento, são as privações
e as premências cujas saciações se prorrogaram, tempestivamente. Urge
satisfazê-las, oportunamente, mas em tempo. Num terceiro momento, são as carências
e aquelas necessidades já saciadas e satisfeitas que voltam a ocorrer de modo
sucessivo e indefinido para serem solucionadas. Num quarto momento, essas três
formas integram-se para equilibrá-las, resolvê-las ou supri-las, de vez, no
passo de bom para as partes e bom para o todo, ocupando-se de viver em nível
ótimo.
(Teoria
das consciências dos quatro momentos da necessidade)
Saburo Okada
OS MOMENTOS NEGATIVOS.
Os momentos negativos e os positivos são
contraditórios e também partes constituintes da unidade da transformação
existencial, tal como ocorre entre o mal e o bem que compõem a unidade ética.
Os momentos positivos ou bons momentos direcionam-se
ou referem-se à vida boa e feliz. Os momentos negativos ou os maus momentos
estão voltados para o sentido da morte.
É natural, então, ter raiva e medo do que causa a
morte e ter calma para viver com alegria e prazer.
Os sentidos da vida e da morte, por sua vez, implicam
a liberdade, a sua plenitude, a sua
restrição, cerceamento ou a sua ausência no passo do suprimento das
necessidades gerais.
A ampla manifestação psíquica com o seu
respectivo movimento, sem restrições ou bloqueios, é o fundamento da liberdade.
Para que a liberdade flua e ocorra não bastam apenas
a vontade, o desejo, a intenção e o sonho ou só a idéia e o querer acontecer.
É preciso que haja a
manifestação em conexão com o movimento respectivo nas reações, ações, atuações
e interações, sem bloqueios. Isto requer energia, força, sabedoria, recursos,
combustível, tempo, disposição e outros fatores de sustentação e
prosseguimento.
É preciso
repô-los, poupá-los, produzi-los e não desperdiçá-los.
Daí, a má administração do manifesto
psíquico e do movimento respectivo é um dos fatores que restringem a liberdade
para o sentido da vida plena, que, na iminência do impasse, pode reverter essa
posição positiva para o sentido contrário. Ou seja, para o sentido da morte
mais próxima. Nesse ponto está a base dos maus momentos, a qual se
vencida ou superada, retoma-se a liberdade no sentido da vida plena e feliz.
Os maus
momentos são, portanto, ocorrências a partir da situação de um certo primeiro
momento invencível. Ocasião ou estado em que se pode dar o início do segundo
momento negativo.
São percebidos no ato do prejuízo, da perda, do
desastre, do acidente infeliz, doença, etc.
Os maus momentos podem ser naturais ou provocados.
Assim, os maus momentos ocorrem do modo incidental,
acidental, determinada ou intencional e, querendo ou não, por ingenuidade,
desconhecimento, distração, má-fé, perversidade, ofensa, provocação, dogma,
negligência, imprudência, imperícia, omissão, ilusão, manipulação, desatenção,
timidez, pavor, falsa convicção, ódio, vingança, mentira, inibição,
irresponsabilidade, loucura, debilidade, falsidade, auto-engano, crença infundada,
ignorância, cegueira, por excessos de medo e raiva, covardia, deliberação,
burrice, excessivo arrojo, demasiada simploriedade, por falta de controle
emocional, por impulso, pseudo-realidade, paixão doentia, estupidez,
arrogância, obsessão, precipitação, erro, violações das atitudes e métodos
científicos, etc.
O exercício da liberdade saudável é
subsidiado pela disciplina que controla o zelo, a prudência e a aptidão ou
habilidade integrados pela prestimosidade.
A boa disciplina, por sua vez, é
subsidiada pela integração da ingenuidade e da espontaneidade com
responsabilidades positivas.
Logo, na
liberdade não saudável está ausente a boa disciplina dando margem à
negligência, imprudência e imperícia, integradas pela omissão ampla, que são
mantidas pela estupidez, vício, irresponsabilidade, inescrupulosidade,
ignorância, perversidade, má vontade, inconseqüência, etc.
A omissão é desvio, intencional ou não, do sentido ou
direção do movimento implicando a ausência de solidariedade em detrimento da
boa relação social reforçando as injustiças sociais e distanciando a paz social
plena. A pior omissão é o descuido da humanidade com mais de um bilhão de
pessoas desassistidas que comem mal ou passam fome. A omissão, portanto, é o
desrespeito à liberdade alheia, além de uma ofensa à integridade do indivíduo.
A situação dos excluídos, por exemplo, é semelhante a de um pássaro com as suas
asas cortadas.
Enquanto as suas asas não crescerem, para
o vôo da liberdade, não poderá subsistir por si só, a contento.
Há também os maus e os
bons momentos históricos.
Eles se referem às unidades
sociais coesas, aos momentos de quaisquer grupos, nações, etc.
O descobrimento da América, por exemplo, foi um bom
primeiro momento histórico para a humanidade. As matanças na segunda guerra mundial
foram os maus primeiros momentos históricos para a humanidade.
Já se pode intuir que os bons ou os maus momentos
estão relacionados, de modo direto, com as causas e os efeitos, os motivos e as
conseqüências bem como as razões e os resultados do homem, seja indivíduo,
grupo ou a totalidade nas suas interações com o meio ambiente, no sentido pleno
de sua sobrevivência.
A sobrevivência com
suplícios e matanças de elementos da própria espécie ou à custa exclusiva de
seus sacrifícios, manipulada ou constrangedoramente, só justifica regressão
para a irracionalidade e deformação psíquica.
Eis porquanto, querendo ou não, forçado
ou não, tal procedimento viola o princípio natural do direito à vida e à
liberdade saudável.
Esse modelo ou
mau procedimento só produz e reproduz monstruosidades para a humanidade, além
de perdas irreparáveis. É ir contra a natureza, contra a razão, juízo e ética,
mutilando a essência do que distingue o homem dos animais, visto que reproduzem
os negativismos para as partes e para o todo.
Se o sentido da vida natural é a busca do equilíbrio
e do prazer fugindo das dores e da morte prematura, o sentido da boa ética é
análogo ao da natureza, que é conservar os positivismos evitando e afastando os
negativismos.
Daí, surgem quatro posições de sobrevivência que
regem os negativismos e os positivismos nas interações sociais, por exemplo,
entre duas partes em relação ao todo social.
|
1 ¾ uma parte ganha, perde a outra em
benefício ou detrimento do todo. 2 ¾ uma parte perde, ganha a outra em benefício
ou detrimento do todo. 3 ¾ uma parte perde, perde a outra em benefício
ou detrimento do todo. 4 ¾ uma parte ganha,
ganha a outra em benefício ou detrimento
do todo. |
O ganha, ou o perde
podem não ser reais, diretamente.
Eis porque, pode-se estar encobrindo
o seu oposto ou pensa-se ou acredita-se que ganhou quando no real, perdeu-se, e
vice-versa.
Ouve-se falar muito de que
quando alguém ganhou é porque um outro perdeu.
“Se alguém
perdeu, alguém ganhou”. Enquanto
estas posições persistirem, predominantemente, as paixões negativas, os maus
momentos e os negativismos, certamente, também persistirão.
A única posição adequada, se
positiva, real e concreta, é a que ganham todos, sem detrimentos a quantos, a
que ou a quem quer que seja, em qualquer época posterior e de qualquer
natureza. E, isto não é quimera sendo fácil concretizá-la.
Ganham as partes e o todo social também se beneficia.
Com exceção desta posição, as
demais geram de algum modo negativismos de imediato ou depois de algum tempo.
NEGATIVIDADE.
A negatividade refere-se à qualidade
e ao valor do que resulta de modo contrário ao esperado pelo sujeito que
pratica a ação, e do que prejudica a si, ao sujeito passivo e à sociedade, em
decorrência desse ato, no paradigma das respectivas posições de sobrevivência
que regem os negativismos e os positivismos das relações sociais.
Muito embora, além da qualidade e do valor dos efeitos,
conseqüências e resultados dos maus momentos, se considerem também a sua
quantidade e freqüência no convívio social.
Exemplos.
A furta um objeto de B.
Ganha A, perde B, perde a sociedade.
A pensa que ganhou, momentaneamente, porque o furto
deu certo. Obteve o esperado. Foi reforçado e por isso furtará de novo. B
perdeu, pois, além de ficar desprovido do objeto, teve um colapso emocional,
injustamente. O fato ocorreu ao contrário do esperado. Esse negativismo
impróprio, provocará mais detrimentos a B. A sociedade perdeu, eis
porquanto foi ferida em seus princípios, normas e valores sociais, e terá
desgastes em razão da conduta delituosa de A.
B recupera o objeto de A com ajuda da polícia.
Ganha B, perde A, ganha a sociedade.
B ganhou o que dava como perdido. Experimenta uma
alegria amarga e pode sair do negativismo impróprio. Contudo, num outro
paradigma, nem ganhou, nem perdeu ou a sua diferença por menor que seja tende
para alguma perda. A perdeu o que pensava ter ganhado, além de ficar
privado da liberdade e piorar o seu negativismo. A sociedade ganhou de algum
modo no saldo entre perdas e ganhos porque se cumprira aparentemente o dever e
os seus desígnios em vigor.
A e B repartem o dinheiro roubado de C.
Ganha A, ganha B,
perde a sociedade e perdeu C.
A e B pensam que ganharam repartindo, entre si,
o dinheiro roubado.
Os negativismos emocionais do viver
perigosamente, fingindo, escondendo, fugindo, gastando desenfreadamente e de se
assustarem à toa, vão fazê-los repetir o delito. A situação de perda injusta de
C é terrível. O seu impasse decorrente ou trauma emocional e psicológico
vai ser causa de detrimentos imprevisíveis. A sociedade sofre perdas com uma
situação dessas. Quando este evento prolifera é sinal de que se agrava a sua
pior doença social. Quando ela atinge o povo só lhe resta a vida para ser
tirada.
A e B são abatidos e não se recupera o roubado
de C.
Perde A, perde B e
perdem C e a sociedade.
É uma situação de perda para todos.
De nada valeram as atividades de A e B. Nem nada poderia valer
para ninguém e menos ainda para eles. Por que A furta de B? Ou
por que ambos furtam de C? Por que existe a criminalidade? Por que a
maioria fracassa enquanto uma minoria é bem sucedida, se todos nascem física,
psíquica e potencialmente aptos para qualquer aprendizado?
São questões cujas
respostas certas devem ser encontradas pelo próprio ser humano.
Se
A trabalha, tem bom salário e compra um objeto de B.
Ganha
A, ganha B e ganha a sociedade.
Esta é uma situação ótima para
todos. Mas por que a maioria não tem bom salário se todos têm potencialidades
para o trabalho e querem comprar o que necessitam para sobreviver, condignamente?
Se o ser humano encontrar a melhor resposta certa para esta questão, então terá
respondido corretamente as demais anteriores.
Um homem chamado David Ricardo sabia
dessa resposta e como fazer para resolver a questão, mas a Humanidade ainda não
lhe deu o valor merecido*.
Quando se trata de qualidade ou de
valores positivos e negativos, ou de positividade e de negatividade, o
resultado negativo para um lado pode ser positivo para o outro lado, e
vice-versa.
A
relação é saudável quando ocorre a positividade para todos os lados, para as
partes e para o todo, simultaneamente.
Isto pode ocorrer nas relações de
adesão ao costume, quando as normas ou as
regras estabelecidas são cumpridas, ou quando não há controvérsias entre as
partes.
As controvérsias resolvidas por
acordo, reconciliação, conciliação, consenso e pacto, contrato ou perdão, são
propícias para o prosseguimento saudável da relação, bem ao contrário das
resolvidas judicialmente ou pelas vias de fato.
Daí, as posições
individuais* de
|
· · Você estar bem
por força do outro estar mal. · Você estar mal
por força do outro estar bem. ·
Você estar mal por força do outro estar mal. ·
Você estar bem por força do outro estar bem. |
devem ser substituídas pela posição
considerada adequada no paradigma que envolve todos,
de tal sorte que o resultado de sua ação seja bom para você, bom
para o outro, na realidade; e, ao mesmo tempo em que seja também bom para o todo
social. **
Assim, você poderá sair de uma
atitude de auto-engano permutando a crença, a certeza infundada e o desejo
cegante pela realidade objetiva, porquanto o excesso de otimismo ou de
pessimismo camufla a realidade terminando em dissabores.
O otimismo de uma pessoa pode estar escondendo o
seu pessimismo e vice-versa, ou ambos encobrindo a sua realidade objetiva
levando-a à crença e à fé sem os alicerces que as sustentem; e, em
conseqüência, o seu auto-engano poderá lhe causar sérios transtornos, ou
decepções e malogros.
Veja no quadro seguinte o resumo dos movimentos na interação
social no passo de sua sobrevivência:
|
|
|
|
|
|||||
|
MOMENTOS ® SITUAÇÕES ¯ |
PRIMEIRO |
SEGUNDO |
TERCEIRO |
QUARTO |
|
||||
|
ESTADO
PSICOLÓGICO SAUDÁVEL |
INCONSCIENTE
REFLEXO
INOCENTE |
SUBCONSCIENTE
CONHECIMENTO
RESPONSÁVEL |
CONSCIENTE
PENSAMENTO
ESPONTÂNEO |
CONSCIÊNCIAS
COMPREENSÃO
DISCIPLINADO |
|
||||
|
EXISTÊNCIA
OBJETIVA |
FENÔMENO
IMINÊNCIA |
F
A T O PRIVAÇÃO |
I
D É I A CARÊNCIA |
REALIDADE
NECESSIDADE |
|
||||
|
TEMPORALIDADE |
IMEDIATISMO |
TEMPESTIVIDADE |
SUCESSIVIDADE |
ACONTECIMENTO |
|
||||
|
VELOCIDADE |
RÁPIDA |
GRADATIVA |
DEVAGAR |
EQUILIBRADA |
|
||||
|
FORÇA |
ESTÁTICA
|
DINÂMICA |
CINEMÁTICA |
HARMÔNICA |
|
||||
|
GERADOR
- 1°
MOMENTO HISTÓRICO |
AGRADÁVEL
REFORÇO HÁBITO |
VALIOSO
MOTIVAÇÃO COSTUME |
Ú T I L
INTERESSE USO |
PRECIOSO
DISPOSIÇÃO CONVIVÊNCIA |
|
||||
|
GERADOR
- 2°
MOMENTO HISTÓRICO |
ATRAÇÃO
FÍSICA PSÍQUICA |
PAIXÃO
CONDICIONAL INCONDICIONAL |
AMIZADE
ÍNTIMA RACIONAL |
A
M O R NÃO-SABIDO SABIDO |
|
||||
|
GERADOR
- 3°
MOMENTO HIST. |
GOSTAR
PREFERÊNCIA |
PERMITIR-SE
PERMISSÃO |
CONVIR
CONVENIÊNCIA |
QUERER
PODER |
|
||||
|
GERADOR
- 4°
MOMENTO HIST. |
VIBRAR
DESCOBERTA |
ADMIRAR
INOVAÇÃO |
APRECIAR
INVENÇÃO |
CONTEMPLAR
CRIATIVIDADE |
|
||||
|
ENERGIA |
EMOÇÃO |
SENTIMENTO |
SENSO |
J
U Í Z O |
|
||||
|
RELAÇÕES |
SUBMISSÃO
REBELDIA ACORDO |
PARTICIPAÇÃO
COMPETIÇÃO CONCILIAÇÃO |
DEPENDÊNCIA
INDEPENDÊNCIA CONSENSO |
AUTONOMIA
INTERDEPENDÊNCIA
P A C T O |
|
||||
|
POSITIVIDADE |
INGENUIDADE
CUMPLICIDADE CONFIANÇA DÚVIDA QUESTIONAMENTO |
RESPONSABILIDADE FIDELIDADE
CREDIBILIDADE CRÍTICA FIRMEZA |
ESPONTANEIDADE LEALDADE BOA-FÉ CONSIDERAÇÃO FACILITAÇÃO |
DISCIPLINA
INTIMIDADE SINCERIDADE ACEITAÇÃO CONJUGAÇÃO |
|
||||
|
NEGATIVIDADE |
ESTUPIDEZ
TRAIÇÃO DESCONFIANÇA SUSPEITA INTERROGATÓRIO |
INCONSEQÜÊNCIA
INFIDELIDADE CETICISMO PERSEGUIÇÃO INSEGURANÇA |
PERVERSIDADE
PRETERIÇÃO MÁ-FÉ
INTRANSIGÊNCIA COMPLICAÇÃO |
MANIPULAÇÃO
DISPERSÃO CONFLITO DESQUALIFICAÇÃO SEPARAÇÃO |
|
||||
|
OBJETIVIDADE |
BEM-ESTAR |
BEM-SER |
BEM-TER |
BEM-FAZER |
|
||||
Óbvio é que a movimentação humana,
só é possível para os contemporâneos vivos em condições naturais básicas
acrescidas de um sem número de outras condições do seu relacionamento com o
meio ambiente físico e social. O quadro apresenta uma síntese desse sistema no
qual se estrutura e se organiza o ser humano a partir do estado psicológico
saudável, na sua existência objetiva.
Fundamenta-se nas suas necessidades
gerais, no tempo, velocidade e realidade espacial, através dos seus geradores
estáticos, dinâmicos, cinéticos e harmônicos de energia nas suas relações
interativas, positivas ou negativas, em busca de uma sobrevivência condigna,
condizente, coerente e justa.
P O S I T I V I D A D E |
N E G A T I V I D A D E |
1. nos primeiros momentos:
|
ingenuidade |
estupidez |
|
cumplicidade |
traição |
|
confiança |
desconfiança |
|
dúvida racional |
suspeita |
|
questionamento |
interrogatório |
2. nos segundos momentos:
|
responsabilidade |
inconseqüência |
|
fidelidade |
infidelidade |
|
credibilidade |
ceticismo |
|
crítica racional |
perseguição |
|
firmeza |
insegurança |
3. nos terceiros momentos:
|
espontaneidade |
perversidade |
|
lealdade |
preterição |
|
boa-fé |
má-fé |
|
consideração |
intransigência |
|
facilitação |
complicação |
4. nos quartos momentos:
|
disciplina |
manipulação |
|
intimidade |
dispersão |
|
sinceridade |
conflito |
|
aceitação |
desqualificação |
|
conjugação |
separação |
Quando se fala em negativismos como a estupidez, a desconfiança, a
traição, o interrogatório, ceticismo, inconseqüência, infidelidade,
perseguição, suspeita, insegurança, perversidade, preterição, intransigência, a
complicação, má-fé, dispersão, conflito, desqualificação e separação, estamos
falando das relações humanas que fogem de um modo ou de outro dos padrões e
paradigmas tidos como corretos ou recomendáveis e que vão em direção de
resultados não desejáveis como o mal-estar, mal-ser, mal-ter e mal-fazer,
retardando o normal prosseguimento do processo de um contínuo acontecer feliz.
O mais poderoso reprodutor dessas relações, em sua maioria patológicas,
denomina-se manipulação de pessoas. Dentre essas patologias merece maior
atenção as denominadas de manipulação perversa, inescrupulosa ou psicótica.
NEGATIVISMOS.
manipulação
de pessoas.
Nas manipulações científicas faz-se os estudos das variáveis com a
finalidade única de obter uma relação de causalidade autêntica.
Experimentam-se, classificam-se, seriam-se, selecionam-se, excluem-se e
controlam-se as variáveis. Usa-se e abusa-se das coisas, objetos e suas
extensões relacionadas com a experiência conforme a vontade, desejo, intenção e
sonho do cientista.
Pode-se, assim, dizer que o cientista é um manipulador das coisas
do seu interesse científico.
Contudo, quando se tratar de
pessoas, em vez de coisas, ou seja, de cobaias humanas, é preciso não só,
destas e seus familiares, ter permissão, mas a aceitação geral para finalidades
saudáveis e beneficentes, além da observação das leis de ética social vigentes,
do respeito, probidade, cuidado, toda a perícia e precisão, sem abusos,
detrimentos e omissões.
Ocorre
que na manipulação de pessoas, propriamente dita, a finalidade única do
manipulador é a de extrair vantagens à custa e à revelia das pessoas por ele
manipuladas. Demais disso, o meio utilizado é camuflado, omitido, disfarçado,
escondido e não transparente.
A pessoa
manipulada é simplesmente enganada ou induzida a iludir-se em seu próprio
detrimento.
Manipulação
de pessoas é uma relação interpessoal patológica ou não ética mesmo que não
resulte em detrimentos.
Caracteriza-se, na maior parte
das vezes, por manobras sutis, burocráticas e tecnocráticas, ideológicas ou
não; e, ainda, pelas operações técnicas ou tecnológicas premeditadas,
mal-intencionadas e audaciosamente utilizadas para influir, ludibriar,
controlar, dominar, deformar, proibir, seduzir, abusar, iludir, forçar, coagir,
submeter, viciar, habituar, sensibilizar, explorar, enganar, escravizar, tomar
posse, invadir, subornar, chantagear, seqüestrar, amedrontar, obscurantizar,
usar, corromper, tocaiar, torturar e matar pessoas visadas ou grupos de
pessoas, populações e nações, com a finalidade exclusiva de obter as vantagens
particulares (egocêntricas), de preferência sem custo e de desfrute imediato,
inconseqüentemente.
O manipulador de pessoas,
então, é aquele que nega, regula, ameaça, dá,
pede, exige ou faz chantagem, promessa, auxílio, agrado,
provocação, intimidação, adulação, pagamento, incentivo, elogio, gentileza,
abundância, prazer, liberdade, flores, presentes, esperança, produção, etc. para despertar,
ou gerar no manipulando, expectativa,
ansiedade, medo, raiva, sonho, culpa, ciúme, inveja, remorso, desejo, vontade,
ódio, crença, estímulo, necessidade, ganância, suborno, obrigação, ambição,
confusão, distração, curiosidade, privação, escassez, interesse, reforço,
motivação, etc. para dele poder ganhar
mais, ou para obter
bens, dinheiro, vantagem, submissão, obediência, favores, informação,
confiança, tempo, serviços, lucro, poder, influência, credibilidade, boa-fé,
crédito, sexo, riqueza, boa vida, prazer, tudo isso, mais ou menos, gratuito ou
a custo bem baixo.
Em outras
palavras, o manipulador influi na vontade das pessoas para uso delas por meio
dos seus favores, seus bens, seu dinheiro, seu tempo e seus serviços em troca
de supostos benefícios, que terminam em proveito próprio, com perdas morais,
sentimentais e materiais para os manipulados.
Para
influir na vontade alheia implica conhecimento, experiência, interesse,
técnica, provocação e convencimento com verdades e boa intenção, além de zelo,
prudência, habilidade, disciplina e sinceridade. Ou, ainda, com disfarces,
embustes, fingimentos com representações teatrais que consigam deformar a
realidade dos fatos.
Entretanto,
ninguém é obrigado a fazer o que não quer, senão por força convencional, de lei
ou sob ameaça de morte.
Fora
isso, fazer o que não quer, ou fez o que não queria, é patologia.
Há
muitas coisas que precisam ser feitas logo ou tempestivamente por forças
circunstanciais, ou dos momentos respectivos.
Fazê-las
por acordo, conciliação, consenso ou por contrato tácito ou legal, visando
benefícios ou compensações recíprocas reais, são as formas inteligentes de
resolver controvérsias.
Todavia, não há nada inteligente no acordo manipulativo.
No
acordo manipulativo, o manipulador leva toda a vantagem em prejuízo do
manipulado enquanto este se mantém na ingenuidade, crença, boa-fé, ou ilusão.
Porém,
as grandes manipulações ocorrem em situações eticamente proibidas.
As manipulações
de pessoas classificam-se em ingênuas, responsáveis, intencionais e
integrais.
Todas
elas são prejudiciais para os manipulados, para a sociedade e para o próprio
manipulador, ainda que este obtenha vantagens decorrentes. Eis porquanto, as
relações ou interações sociais saudáveis são transparentes e regidas pelos
fatores da positividade, beneficiando-se as partes e o todo social, ao mesmo tempo.
Além disso, convidam-se os manipuladores a mudar o sentido de ocupar-se de
morrer para ocupar-se de viver.
Nas
manipulações ingênuas, quando descobertas, afora as situações legais,
geralmente, o manipulador é perdoado, mesmo que o prejuízo causado por ele seja
considerável.
Nas manipulações responsáveis,
quando são flagradas ou descobertas, as controvérsias são levadas para
reconciliações, conciliações e consensos, ou nova manipulação se introduz para
um pacto que se não se cumpre se resolve em sentença judicial com reparações,
ou execuções legais quando possíveis.
Nas
manipulações intencionais dificilmente se recupera o prejuízo porque elas são
ilegais, inconseqüentes, perversas, não éticas, prejudiciais e muitas dessas
são criminosas e geralmente irreparáveis. Estas têm origem na má-fé do
manipulador que aproveita da boa-fé, crença, auto-engano, irresistibilidade ou
da ingenuidade do manipulado.
Nas manipulações integrais
quando premeditadas são de causar grande desgraça e geralmente são efetuadas
por grupos sociais envolvendo vários manipuladores especializados, desde os
manipuladores mais ingênuos, os responsáveis e até aqueles intencionais mais
astutos e profissionais.
Por isso, é importante prevenir-se contra as manipulações.
Para esse mister é preciso
saber como elas são e se processam. Identificar e reconhecer os seus autores
antes de cair em suas ciladas ou armações. Conhecer ou interpretar as suas
características patológicas e as manobras do manipulador, a sua forma habitual
de agir ou o seu modo de operar assim como as sensações, emoções, sentimentos e
sensos causados no manipulando, além da aprendizagem contra-manipulativa.
MANIPULAÇÃO
INGÊNUA.
A ingenuidade é regida pela
vontade impulsiva.
Não usa o conhecimento prévio
especializado, não prevê conseqüências, não usa o pensamento objetivo e por
isso ocorre quase sempre nos primeiros momentos biográficos e históricos.
O ato voluntário impulsivo na
manipulação ingênua é praticado para obter vantagem ou resultado imediato e os
seus recursos apropriados são fatores de primeiros momentos como a resposta
habitual, o vício, o reflexo, o reforço, o medo, a raiva, a alegria, a calma, o
prazer, o enfrentamento, a fuga, a esquiva, a habituação, a sensibilização, o
condicionamento, o impulso e o conhecimento automático, além de inúmeros
outros.
O ato ingênuo é normal e
natural podendo ser praticado por qualquer criança e pessoas de qualquer idade,
em qualquer nível de sabedoria e experiência.
Por exemplo, um cientista ao perceber a invasão súbita de seu
filho pequeno engatinhando bem perto do seu amontoado de ingredientes
selecionados para a sua experiência em curso, num repentino lance de afastá-lo
com o braço, desequilibrou-se esbarrando nos ingredientes. Ao tentar evitar que
o bebê misturasse os ingredientes, ele mesmo o fez, sem querer.
Conta-se que uma dona
de casa examinando a quantidade de piolhos numa pomba, resolveu matá-los com
veneno caseiro. Ao cabo de algum tempo tinham morrido todos os piolhos. Alguns
minutos depois, também a pomba. O veneno infiltrou-se pela pele da pomba
atingindo a sua circulação sanguínea. Tentando salvar a pomba dos seus piolhos,
matou-a, sem querer.
O
ato voluntário mesmo sujeito a incidentes e conseqüências imprevistas, não
intencional ou indesejado, habitualmente, funciona a contento quando é
praticado. Todavia, a irresistibilidade do ato voluntário pode levar a
conseqüências terríveis, eis porquanto, a ingenuidade tem mais energia para a
situação direta do primeiro momento, afastando a percepção das variáveis
aparentemente inócuas, mas de efeitos indiretos ou retardados maléficos.
O
manipulador ingênuo não aprendeu a pedir diretamente. No decorrer de seu
crescimento e aprendizagem, os seus pedidos diretos não funcionavam bem para
atender as suas vontades e necessidades.
As alternativas e os recursos
ao seu alcance pertenciam ao acervo inadequado para o atendimento imediato.
Estes, com algumas variações, sempre funcionaram para o manipulador e
aperfeiçoadas à medida de suas falhas.
Os insucessos e as negações
aos seus pedidos, mesmo os de maneira bem insistente, eram acompanhados de
indícios desaprovadores bem estampados nas expressões faciais dos que podiam
muito bem atendê-los.
Em conseqüência, a raiva, o
desapontamento, o mal-estar e a insatisfação tinham de ser camuflados. Os seus
disfarces, ou fingimentos, então, resolviam o impasse, mas na forma apenas de
alívio efêmero. Isto ocorria,
principalmente, nos seus maus primeiros momentos biográficos.
O
manipulador ingênuo tem medo da desaprovação e da crítica; e, por isso, logo
vai tomando posse do que precisa. Se alguém o vê e reclama, ele encena uma
desculpa e disfarça dizendo que não sabia disso, daquilo e daqueloutro. Quando
sabe que não é esse o caminho, diz que estava distraído ou muito atarefado
esquecendo-se de avisar. Quando perguntado se viu tal objeto, ele se esquiva ou
nega e mente tão bem que dá certeza de que fala a verdade.
A manipulação ingênua tem
predominante presença entre familiares, conhecidos, colegas e amigos.
Não há sinceridade na
manipulação ingênua tendo muito mais indícios de cinismo que acaba prejudicando
o manipulador ingênuo no seu intuito. Pois, de pouco em pouco, por redução ao
absurdo, o manipulado se dá conta do seu manipulador e o coloca no rol do
descrédito.
Sobretudo, a partir daí, o
manipulador ingênuo, mesmo que reconstitua ou fale a verdade, é totalmente
desacreditado, desqualificado, ou suspeito.
O manipulador ingênuo inventa
histórias para desculpar-se ou para conseguir o que quer. É o seu terceiro
momento negativo. Mas, logo volta, outra vez, para o primeiro negativo.
Daí, ele faz mais manhas, ou
choramingando manipula a afetividade influindo de novo na vontade do manipulado
para ser atendido ou obter o que quer, sem ter que lhe pedir diretamente.
Quando chamado a explicar-se, simula, finge ou mente para se ver, depressa,
livre do interrogatório, das severas críticas e admoestações, ou da surra.
Quando a admoestação é bastante forte, ou apanha, ou
cumpre um castigo, considera-se já quitado para mais uma nova manipulação.
Ele tem muito medo ou raiva de expor as
suas reais necessidades. É especialista em chantagem emocional e perito em
jogar indiretas ou verde para colher maduro.
Manipula bem o medo, a curiosidade, a
expectativa, o remorso, a ansiedade e a culpa. Habituado a isso, exige que adivinhem
as suas pretensões com atendimento imediato. O manipulador ingênuo manipula
pessoas como meio de resolver as suas vontades no aqui-e-agora.
É normalmente inocente visto
que sempre deixa um rabicó ou uma pista para ser desmascarado, sem ter
noção disso, porquanto é a sua forma inconsciente de reagir como revide às
desqualificações sofridas, ou pressente sofrer de novo, causadas pela pessoa
que considera.
Entretanto, na situação de
desacreditado, de rejeitado, de repelido, desconsiderado, ou desqualificado,
ele parte para outros ambientes podendo com grande facilidade tornar-se um
iniciante na manipulação responsável, dadas as circunstâncias que o forçaram a
prorrogar a sua especialidade manipulativa, para um segundo momento biográfico.
MANIPULAÇÃO
RESPONSÁVEL.
A responsabilidade é uma
atitude, ação ou conduta social que implica em responder pelas más
conseqüências, ou em obrigar-se de reparar o mal que se causou aos outros. Por
esse motivo, ocorre nos segundos momentos biográficos e históricos.
O manipulador responsável
trabalha e luta de maneira disfarçada para conseguir poder ou algum poder.
Gosta muito de ficar numa boa, mandando e manipulando pessoas para ganhos
imediatos. Especialista na arte de representar, logo alcança uma posição de
poder. E torna-se muito bom no comando autoritário porque teve ótimos modelos
nesse sentido, em sua fase de desenvolvimento primário ¾ infância e adolescência ¾ em cujas interações saiu-se mais ou menos bem.
Geralmente tem alguma relação de poder sobre o manipulado.
O
manipulador responsável usa com mestria a ironia em lugar do fingimento do
ingênuo e do cinismo do intencional, embora seja na verdade um grande
simulador, ator e cínico.
Assim, a autoridade possibilita a manipulação
responsável dos pais sobre os filhos. De igual modo as relações de poder que há
entre provedor e provido, do patrão e empregado, professor e aluno, estado e
povo, financiador e financiado, investidor e investido e diferentes outros
pares semelhantes reproduzem as diversas manipulações responsáveis.
A organização gera variadas
posições de poder que facilitam a manipulação de pessoas e reproduzem a
tendência manipulativa sobre os submissos. Quando o manipulador ocupa uma
posição de poder, a sua responsabilidade, geralmente, não passa do acontecimento,
eis porque, por ser um disfarce, não persiste na fase de reparação.
Daí, ele procura por todos os
meios livrar-se do poder judiciário, porquanto cedo ou tarde acabará envolvido.
Não conseguindo, usa todos os
artifícios e recursos para não ser condenado. Se condenado, manipula seguidas
vezes para protelar o pagamento devido, ou para um acordo vantajoso para gastar
o menos possível na reparação, mas em decorrência do bem já penhorado.
O
manipulador responsável também não sabe pedir.
Quando consegue disfarçar, o
seu pedido sempre é uma ordem camuflada que deve ser cumprida, queira ou não.
Na dura resistência, o manipulador responsável finge proteção e entra de
salvador. Ou, faz ameaças e intimida.
O ameaçado é levado a crer que
é o único culpado pelo que lhe possa acontecer se persistir na
desobediência.
Na habituação dessa submissão,
o manipulado transfere ao seu controlador, todo controle e a responsabilidade
das más conseqüências no cumprimento do mandato. Conformando-se com a sua
triste sina, o manipulado irá carregar desvantagens irrecuperáveis.
O submisso manipulado, assim,
entrega-se à exploração alheia e sem nada ter recebido, previamente,
renuncia-se da própria vontade em favor da vontade do seu manipulador. Atrai
para si, então, sentimento de pesar, dó, pena, comiseração e assemelhados
quando a carga do mandato começa-lhe a ficar pesado demais.
O
manipulador responsável, ainda, está acostumado a obter satisfações com
interminável seqüência de interrogatórios em virtude de não acreditar em sua própria
sombra. Insatisfeito ainda com as respostas corretas obtidas, manda ministrar
um corretivo ou retorna às ameaças. O conformado, por questão de sobrevivência,
cria defensivos por meio de disfarces levando a alhear-se cada vez mais ou
distanciar-se até de si próprio, aderindo à lei do silêncio.
Ou, na ilusão de protegido, em
querer agradar ou adular, costumeiramente, torna-o um desastrado emitindo
mensagem do tipo: “¾ só estava querendo ajudar”
ou “chute-me que eu mereço”. Lamentável é esta relação patológica.
Tempestivamente,
não tardando muito, o manipulador responsável tende a sofrer as conseqüências
de sua própria conduta manipuladora.
Necessitará de guarda-costas
porque a opção para o mal e para o viver perigosamente aliada ao seu medo de
morrer e à sua valentia covarde já é questão de sobrevivência imediata.
Não terá condições de confiar
em sua própria sombra como já dito. Assim estabelecerá o seu reduto no terceiro
momento negativo, escondido, desenvolvendo a manipulação intencional.
MANIPULAÇÃO
INTENCIONAL.
O manipulador intencional é o
que causa maior prejuízo à sociedade, individualmente.
Encontra-se em todas as
camadas sociais. Os precoces iniciam-se em torno dos dez anos de idade.
São amadores e depois
profissionais. Inicialmente, usam as pessoas para desfrutar as vantagens
afetivas, pessoais, pequenos serviços e prazeres gratuitos.
Alcançando a
profissionalização ganham muito dinheiro manipulando milhares de pessoas ao
mesmo tempo.
Os menos ou pouco espertos e
os menos astutos sãos os estelionatários manipulados por outros manipuladores
bem mais espertos e mais astutos.
A característica predominante
do manipulador intencional é a intenção de usar e explorar as pessoas para
proveito próprio. É muito egoísta, fingido, cínico, frio, calculista e sem
escrúpulos. Geralmente, é covarde e os grandes não se expõem.
Quando em estado de má-fé é um
assassino traiçoeiro, em potencial. Encontra-se também como hábil mandante em
crime organizado. Passa a maior parte do seu tempo agindo e “bolando”
esquemas para passar o próximo para trás.
Quando tem o poder e a astúcia, o manipulador intencional consegue o que
quer, mas temporariamente.
Quando a
manipulação intencional é organizada, todos os seus componentes vivem de
maneira perigosa, com leis próprias e ética particular.
Não têm sossego nem paz
intrapsíquica e interpessoal, nem o descanso mais prolongado, porque não podem
descuidar-se e nem confiar.
Na
realidade, todos os três tipos de manipuladores não sabem o que fazem.
Não têm a consciência
integrativa de que são até mais capazes de sobreviver do modo ético e com o
real mérito.
Contudo, infelizmente,
adaptaram-se e consolidaram-se nos seus momentos biográficos e históricos
negativos. São imediatistas por preferência e não resistem à oportunidade de
manipular pessoas.
Premido pela irresistibilidade
e na crença cega do sucesso, o manipulador intencional desliga automaticamente
quaisquer censuras internas, as quais são muito pequenas e frágeis.
Quase todo o seu acervo de
conhecimentos e habilidades relaciona-se com a sua atividade principal
manipulativa.
No entanto, possui uma responsabilidade íntima limitada à
cumplicidade autêntica dos seus comparsas para prosseguimento dos seus negócios
lucrativos.
O
MANIPULADOR INTEGRAL.
O
manipulador integral é todo aquele que associa a manipulação ingênua, a
responsável e a intencional.
Também se sente impotente em pedir de
modo direto.
Costuma usar intermediários apropriados,
ou terceiros manipulados.
É um hábil perseguidor, artista e representa como ator de
primeira linha qualquer caráter da personalidade. Daí, pode ser dócil, bravo,
pacato e compreensivo, simulando a mansidão, a proteção, a prosperidade, a
gentileza, o poder, a seriedade, a responsabilidade, a riqueza, a confiança, a
credibilidade, a influência, e a abastança. E também sabe usar bem os disfarces
de vítima, ignorante, simplório e pobre coitado.
Geralmente um grande manipulador integral se encontra
dirigindo enormes empresas e conglomerados, quer nacionais, quer multinacionais, não dando nenhuma importância
à tradição empresarial.
Por isso, de repente, da aparente solidez em suas mãos
administrativas desaparece do cenário comercial na base duma fraudulenta
falência.
O
resultado da manipulação quando não é trágico ou péssimo para os envolvidos,
causa mal-estar nas pessoas usadas.
Quando se dá conta de que foi usada, a
vítima vivencia ou experimenta a ira, a decepção, a perplexidade, a indignação,
a frustração, a mágoa, a inconformação, a revolta, a traição e alimenta o
sentimento de vingança.
Depois disso, na lembrança, a vítima
pode se encontrar ou se sentir totalmente humilhada, usada, abusada, rejeitada,
confusa, desprezível e enojada de si mesma e o pior de tudo é o sentir-se uma
mercadoria barata, gratuita e prostituída.
A
recuperação do trauma é difícil.
CONTRA-MANIPULAÇÃO.
Como
evitar a manipulação?
Como
detectá-la em tempo?
Como
tomar consciência da própria ação manipuladora e a dos outros?
Quando
se envolve na manipulação como lidar com ela e sair-se bem?
A habilidade e
a capacidade para evitar, detectar e tomar consciência de qualquer manipulação
requer treinamentos e vários cuidados.
Vejamos,
então, as suas características de ação, táticas e estratégias, a seguir,
referentes às respostas das questões acima.
1. Distinção
do pedido.
Há várias formas e tipos de
pedidos.
O
pedido direto, por indiretas, intermediado, de favor, a todos os presentes mas
especificamente a um ou a alguns, condicional, sem causa, sem explicações, sem
motivo, sem razão, besta, de cobrança, de apelo, de ordem, de imploração, de
socorro, por petições, expresso, verbal, não verbal, por carta, por proposta,
por requerimento, de conhecidos antigos ou recentes, de desconhecidos, etc.
Aprecia-se
qualquer forma ou tipo de pedido até entendê-lo em toda a sua extensão e tomar
consciência integrativa do por quê do pedido ¾ justo para você e por quê não a outro?
Verifica-se a
causa de pedir. Para quê o pedido, para quem realmente interessa, de que se
trata, como e por que foi procurado, se para atendimento imediato, tempestivo
ou sucessivo e quem mais vai ajudar. Por quê tem que ser como ele quer e não
como você sabe e pode fazer. Lembrar também se o pedido é reiterado ou
reforçador.
Mas, não
é para adivinhar nada disso.
É preciso
questionar, perguntar, confrontar e sugerir soluções para se saber a verdadeira
intenção do pedido. Sugira instrumentos necessários, ou caminhos a seguir, ou
pessoas mais capazes para a solução do pedido.
Você tem
certeza da sinceridade do pedido?
Você tem certeza da veracidade da causa do pedido?
Você
acompanha alguém sem saber, realmente, para onde está sendo levado?
Então, diga sim se é sim e não se é não.
Se você se
sentir mal em dizer não se é não mesmo, e responder
outra coisa como sim, talvez ou vou pensar, então, quem
está com problemas é você. Mesmo para um grande amigo. Se isso acontecer, não
vai estar havendo sinceridade consigo mesmo e nem com quem lhe estiver pedindo.
Não há transparência, nem autenticidade. A individualidade e
a auto-estima estão reduzidas.
No caso,
denota a ausência do uso correto do pensamento objetivo. Para um grande amigo,
um não autêntico deve significar uma posição de necessidade que
deve ser respeitada. E motivo suficiente para inverter a posição, se a suposta
amizade é realmente autêntica. O amigo, se for amigo autêntico, vai se colocar
à disposição para ajudá-lo. Não poderá tirar o cisco no olho do amigo, quem
está com uma trave no seu.
Mas,
só se atende o pedido sincero direto, feito
pessoalmente, com a causa de pedir, comprovada,
coerente com a finalidade. Ainda assim, atende-se, querendo,
com disposição autêntica e espontânea, sabendo fazer
bem o que se pede.
A maioria dos pedidos é
manipulativa. Principalmente, os de favor apresentam forte potencial nesse
sentido. Seus motivos verdadeiros são camuflados, escondidos ou omitidos. E em
seus lugares são apresentados outros que podem resolver de modo muito melhor.
Uma leve checagem provocará
esclarecimentos valiosos.
Tipo, “¾ você pode repetir?, “¾ além disso, não há outro motivo que você não quer me
contar?”.
Mas, evite desmascarar os seus disfarces com seguidos
interrogatórios.
Apenas, previna-se. Mas, se a resposta à sua pergunta for outra
pergunta, certamente há indício de manipulação. Se for “¾ Não vai fazer não?” diga simplesmente: “¾ Não.”
Normalmente, as pessoas
escolhem os caminhos mais fáceis, disponíveis e de mínimo esforço para
resolverem os seus problemas negligenciados. Acabam usando e abusando do mais
próximo. Somos aquele “qualquer um serve” menos ele que pede e está até
em melhor condição.
Os manipuladores gostam de escolher
pessoas determinadas para o seu uso e abuso. Para eles, na
consciência-do-inconsciente, os manipulados são sempre os seus “trouxas”.
Na classe das propostas estão
os pedidos condicionais.
Para tirar as impurezas das
intenções, as condições da proposta inicial devem ser modificadas. Assim,
evita-se as manipulações de tal modo que a conciliação conduza ao fechamento
que resulte numa situação boa para as partes e boa para o todo.
Em toda negociação é preciso
observar a menor sensação de mal-estar.
Na manipulação em curso,
qualquer incoerência causa um incômodo, ou uma pequena sensação desagradável. É
o sorriso forçado, é o olhar, é um argumento absurdo, um exagero qualquer, é
uma objeção, ou é uma gentileza disfarçada.
O manipulador fala, dá motivos
e propõe.
Você presta atenção na
sensação de mal-estar por menor que seja.
Seja pela expressão facial incoerente com a fala, impotência na voz,
dedo na boca, desvio de olhar para baixo ou para cima, franzir de testa,
gaguejo, hora imprópria, argumentos incoerentes e oferecimento de vantagens
irresistíveis; ou, seja pelas respostas vagas e gerais, resposta sem a sua
correspondente pergunta, informações dadas sem serem pedidas, omissão ou
desqualificação de suas perguntas e os bloqueios de perguntas com outras
perguntas além das freqüentes e exageradas insistências.
Principalmente, se as suas
perguntas forem respondidas por perguntas dos tipos — “Você acha que estou
mentindo?” — “Você não confia em mim?”
Se você sentir um pequeníssimo
mal-estar decorrente do pedido, pode crer que a manipulação está presente. Se
você atender o pedido, assim mesmo, há algo em sua saúde física, psíquica,
familiar ou financeira em desequilíbrio.
Tome
muito cuidado com as informações plantadas assim como gritos, alarmes avisos,
ou alertas gratuitos e as excessivas atenções, principalmente, as que lhe
causam mal-estar de imediato.
Gastrite, úlcera, desarranjos intestinais, dor de cabeça,
cólicas, furúnculos, dor de barriga, inquietações, irritações, ansiedades e
angústias são comuns quando se faz com certa freqüência algo que não quer fazer
ou que não está gostando do que está fazendo.
2. O ponto fraco.
O manipulador procura o ponto fraco ou
vulnerável do manipulando.
O ponto fraco das pessoas está nas suas diversas necessidades.
Quando não são supridas a contento, elas se acumulam em formas de sinais de
prioridades que aumentam as fantasias, os desejos, as intenções, os desígnios e
os sonhos. As origens dessas necessidades variam de pessoa para pessoa.
Veja no quadro a
seguir uma situação desses sinais nos seus momentos respectivos que podem
significar um ponto fraco.
|
PRIMEIRO MOMENTO |
SEGUNDO MOMENTO |
TERCEIRO MOMENTO |
QUARTO MOMENTO |
|
CAUSA-EFEITO |
MOTIVO-CONSEQÜÊNCIA
|
RAZÃO-RESULTADO |
ORIGEM-FINALIDADE |
|
ESTÍMULO-REFORÇO |
PRIVAÇÃO-MOTIVAÇÃO |
CARÊNCIA-INTERESSE |
NECESSIDADE CONSUMAÇÃO
|
|
VIAGEM EXTERIOR |
DÍVIDAS A VENCER |
FALTA DE AFETO |
RIQUEZA |
|
SUCESSO À VISTA |
OBRIGAÇÕES VENCIDAS |
SALÁRIO BAIXO |
ESTABILIDADE |
|
FOME E SEDE |
RESPONSABILIDADE |
TRABALHO RUIM |
LAZER |
|
DINHEIRO FÁCIL |
DESEMPREGO |
INSEGURANÇA |
SEGURANÇA |
|
PROMOÇÃO À VISTA |
ABSTENÇÃO SEXUAL |
FALTA DINHEIRO |
PRAZERES |
|
FANTASIAS |
PROMESSAS |
ESPERANÇAS |
SONHOS |
|
GRATUIDADE |
SEM CONHECIMENTO |
FALTA TUDO |
VIDA BOA |
|
AMEAÇAS |
PASSEIO |
ROTINA |
PODER |
Observa-se
que há necessidades variadas, estímulos diversos e sensações respectivas, além
das premências, privações e carências onde o manipulador pode se apoiar no
propósito de influir na vontade alheia para conseguir as suas vantagens
espúrias. Há, portanto, além dessas, muitas coisas para prometer resolvê-las,
dar sinal de realizar a promessa, dar esperança de resolver a necessidade,
fazer acreditar em obter o que se deseja, dar a expectativa respectiva, sem
contudo, a apresentação do mínimo devido, ou seja, a contraprestação final do manipulador
ao manipulado, pelo cumprido.
Manipula-se, então, o medo, a culpa, o estímulo, a obediência, a
confusão, a curiosidade, o tempo, a ilusão, a ambição, o desejo, o sonho, o
entusiasmo, a privação, a obrigação, a carência, o suborno, a coragem, a vergonha,
a vontade, a intenção, o reforço, o prazer, a motivação, o interesse, a
expectativa, a esperança, a liberdade, a promessa, os valores, a ignorância, a
distração, etc.
3.
Consciência Manipulativa.
Somente as atividades do pensamento, do conhecimento e as consciências
podem neutralizar o processo da manipulação.
É preciso uma
pausa para pensar. Um tempo de reflexão.
O manipulador responde sem ser perguntado, ou provoca uma pergunta para
responder o que planejou. Isto já é um bom indício para identificá-lo. O
manipulador faz sempre perguntas indiretas para que alguma pessoa responda.
Esta poderá ser uma de suas vítimas em potencial que poderá atrair outras, sem
saber.
A manipulação
da curiosidade inicia-se quando se desconhece o por quê da resposta e o por quê
da pergunta.
Ninguém gosta de expor, em público, a sua ignorância em certo assunto.
Mas a curiosidade leva a pessoa fisgada a procurar o manipulador para saber
algo mais. Por “coincidência”, ele sempre está por perto e deixa a vítima
achá-lo. Aí, é que ele entra em ação. É agradável, solícito, afetivo e
protetor. Só que tudo isso não é autêntico. São representações treinadas em
casa diante do espelho e possivelmente freqüentou aulas, vez ou outra, nas
escolas de arte dramática, ou habituou-se pela prática costumeira.
Já se disse
que um simples mal-estar pequeno provocado por resposta, pergunta, pedido,
interferência, intrusão ou assemelhado de alguém é sinal certo de estarmos
diante de um manipulador em potencial. Quer seja ele do tipo autoritário quer
seja dócil ou sutil. Observe-se que referido mal-estar vai do simples pudor,
dum leve incômodo, ou do mais minúsculo desconforto e rubor para uma explosão
de raiva, de irritação, ou de ódio.
Todos eles
são gentis na abordagem e desculpam-se, tão logo, para fazer dissipar qualquer
mal-estar, reforçando a presença do manipulando visado.
De outro
lado, se já está fazendo algo por alguém, ou para alguém, ignorando os reais
porquês, para quê e para onde, com certeza, já se envolveu em alguma operação manipulatória.
O mal-estar maior chegará no dar-se conta da enganação, com
a decepção.
O grito de
chamada, o berro, desvio de atenção, o susto para desconcentrar, a atração e a
distração são os recursos usados com freqüência na manipulação.
Constantemente, as pessoas estão sendo
manipuladas por colegas, amigos, parentes, conhecidos, pessoas íntimas,
cônjuge, familiares, pela mídia, pelos poderes privados e estatais, por
estranhos e nas transações comerciais.
Não é fácil
dar-se conta de tudo isso. Mas, é preciso, repita-se, captar nas consciências,
rapidamente, o mínimo incômodo ou mal-estar diante das pessoas nas relações
interpessoais. Aquele mal-estarzinho que perdoamos e esquecemos logo, dizendo
para si mesmo: ¾ Ah! Não é nada. Você acha? Não, não
pode ser. Estou enganado, não vou me perdoar por isso. Depois do golpe o manipulado diz
para si: ¾ pô, bem que eu tinha desconfiado! Não dá para
acreditar, como fui entrar nessa?
O pior mal-estar é aquele quando a gente descobre que foi passado para
trás. A gente acreditou, fez tudo que ele pediu, esperou, esperou que nem bobo
e cadê o cara. Sumiu com tudo.
Mas, o que
fazer depois de captado aquele mal-estarzinho? ¾ Simples. Diga, apenas: ¾ não
estou bem, preciso pensar. Não insista que me deixa pior.
O grande
inimigo do manipulador é o tempo que se pede para pensar. Pensar requer tempo e
ele precisa agir rápido. É um trabalho a mais ter que ficar no pé, insistindo.
Quando o
manipulando pede um tempo, quem passa a ter aquela dorzinha é o manipulador.
Para se
livrar dessa dorzinha ele se retira para arquitetar novo plano e não deixa o
manipulando em paz. Às vezes, ele acaba vencendo pelo cansaço.
Se você pedir
um tempo e ele negar ou disser: “é pegar ou largar”, largue. Se disser, “então,
não quero mais”, diga está bem.
A
desconcentração é a técnica utilizada pela trombadinha. Uma trombada ou um
empurrão desconcentra a pessoa visada pela trombadinha. Fica-lhe fácil pegar a
bolsa e sair correndo.
Os
ventríloquos, os mágicos e os estelionatários utilizam a distração, a atração e
a ilusão manipulativa.
Nos casos de espetáculos públicos, a habilidade do artista, os
instrumentos, recursos e arranjos de efeitos especiais não constituem
manipulação perversa eis porque há um acordo prévio implícito. Há um acordo
fechado para uma diversão remunerada.
Nos casos de
estelionatos, da trombadinha, de roubos e seqüestros geram emoções de medo e
raiva intensificadas que vão se prolongar por certo tempo, transformando-se,
logo, em sentimentos fortíssimos de pavor, ódio, inconformação, angústia,
fúria, depressão, perplexidade e vingança, com resíduos traumáticos.
Os traumas
psicológicos decorrentes perturbam e trazem as desagradáveis sensações
como inquietude, agitação, insônia, fissura, gastura e sustos súbitos, além de
tremedeiras. Qualquer estímulo associado ao trauma que se apresente, detona
essas sensações, além de emoções ou sentimentos negativos correlatos.
Normalmente, são os princípios morais e valores culturais vitais do indivíduo,
feridos e não cicatrizados, é que subsidiam tais traumas, tornando-as mais
difíceis de se normalizarem.
É preciso
evitar a habituação e a sensibilização resultante.
A estimulação
constante ou repetida desses traumas é desgastante, pois enfraquecem o
mecanismo natural de defesa bem como o funcionamento adequado do organismo
retirando ou desviando as energias biológicas, sem mais motivos.
A força do
hábito e o excesso de confiança e crença em certos princípios morais e valores
culturais obscurecem a boa percepção. Impedem que outros valores e princípios
tão bons e funcionais quanto àqueles venham normalizar os desequilíbrios
provocados em dado momento do percurso de vida.
¾ Se já não bastassem os estragos no
espaço íntimo, ainda, tem-se que sofrer as suas repercussões, até quando?
4.
Confiabilidade e Credibilidade Emotivas.
Confiar, duvidar, criticar e
crer com base nas emoções e sentimentos cria-se situações que tendem a
generalizações ou a preconceitos indevidos.
Logo, a
presunção e o convencimento resultantes disso são imprecisos.
Eis
pois, tanto os preconceitos quanto as generalizações, sem bases objetivas, não
conduzem às verdades finais, ou universais, mas apenas podem prestar como
sinais, indícios, dúvidas e críticas racionais no lado da positividade.
No
lado oposto, coloca em xeque o caráter de isenção e objetividade daquele que
acusa e toma atitudes e decisões persecutórias só com base em suposições.
É
preciso, nessa circunstância, verificar por que se age assim e qual o interesse
escondido, porquanto, pode haver uma manipulação intencional em curso.
Mesmo
a presunção e o convencimento com base nas atitudes e nos métodos científicos
correm os riscos da imprecisão.
Entretanto,
é preciso aprender a conhecer, reconhecer e a identificar as iscas das
manipulações e não se deixar envolver, ou mordê-las. A sabedoria popular já as
previne, com precisão, desde há muito tempo:
“Laranja
madura na beira da estrada, ou está bichada ou tem marimbondo no pé”.
“Quando
a esmola é muita, o santo desconfia”.
A
precisão dá a certeza.
Temos dado a entender que a confiabilidade, diferente
da crença e convicção, é o acolhimento para experimentos, dúvidas,
questionamentos e avaliações no passo de se adotar uma posição. E a
credibilidade é justamente essa posição adotada na direção do ter por certo, da
segurança e de poder contar com isso. Nesse sentido, a confiança e a crença
fortalecem a boa-fé, as quais se sustentam pela sinceridade.
Mas é preciso encará-los, objetivamente, sem
interferência tendenciosa.
Necessita-se
de elementos reais concretos, dados diretos, informações da fonte, fidedignas,
sem intermediários, com condições objetivas e a sinceridade para um
entendimento pleno. Em síntese, tem-se de efetivar movimentos na vivência
humana com a consciência integrativa com auxílios dos métodos e atitudes racionais.
O
manipulador detesta esse procedimento de suas possíveis vítimas. Teme os seus
questionamentos, procura não lhes dar tempo para pensar. Desaparece quando
percebe que a sua próxima vítima está bem assessorada. O manipulador odeia a
entrada de testemunhas na sua operação manipulativa. Na realidade, o que ele
tem pavor é de ser desmascarado ou pego antes de botar a mão na sua vantagem.
No
entanto, antes de se bater em retirada, ele poderá, como última cartada, soltar
expressões do tipo a seguir.
¾ Você não vai ter
outra chance. É pegar ou largar.
¾ Você está duvidando
de mim?
¾ Não preciso mais
de você.
¾ Você vai ver o que
lhe acontecerá depois.
¾ Agora, eu é que não
quero mais.
¾ Você não precisa mais
ir lá, ouviu? Está demorando muito.
¾ Depois, não vai falar
que eu não te avisei, ouviu?
Nestas
expressões nota-se claramente a ameaça, a chantagem emocional e as manipulações
de medo e de culpa.
O
ponto vulnerável do manipulador é o seu medo da verdade. A sua intenção e o seu
interesse reais são omitidos e mantidos ocultos do manipulando.
Basta
dizer-lhe, em tom de brincadeira ou com sinceridade:
¾ Parece que você veio até
aqui para brigar comigo. É isso?
¾ Noto que você está com
medo de alguma coisa. Estou certo?
¾ Vejo que você está muito
impaciente. O que é?
¾ Algo me diz que hoje não é
o meu dia. Pode me deixar só?
¾ Preciso suspender tudo,
posso?
¾ Não entendi nada do que
você falou. Dá para ser mais claro?
¾ Hoje estou meio
“borocoxô”. Dá para repetir isso outro dia?
¾ Você pode repetir tudo, que
eu não entendi nada?
¾ Você está bravo comigo?
¾ Do modo como você ameaça,
como posso ajudá-lo?
¾ Isso é uma ameaça?
¾ Tenho compromissos, agora.
Por que você não ligou antes?
¾ Preciso pensar onde
agendá-lo. Pode me dar um tempo?
¾ Você precisa mas estou
pior do que você. Pode me ajudar?
¾ O que vamos fazer com a
sua preocupação e a minha?
¾ Não é por aí. Você não
está avançando o sinal?
¾ Foi Deus que trouxe você
aqui. Pode me ajudar?
¾ Você se incomoda de falar
exatamente o que quer de mim?
¾ Noto que tem um segredo,
mas não quer contar. Estou certo?
¾ Você me procurou para me
ajudar, adivinhei?
¾ No fundo, no fundo, você
quer me ajudar, não é mesmo?
Quando se é alvo de freqüentes manipulações, aquele pequeno
mal-estar nem é mais notado. Nesse caso, diz-se que se habituou aos dissabores
das manipulações.
Entretanto,
se a cada alvo desses, o mal-estarzinho aumenta, não demora muito, de repente,
pode-se explodir em cima do próximo manipulador.
Na
sensibilização, como este processo é chamado, a pessoa do manipulador é cada
vez mais desprezível do que o menor incômodo ou mal-estar decorrente de
qualquer manipulação.
Na
habituação e na sensibilização, se um determinado barulho incomoda no início de
suas repetidas vezes, o incômodo generaliza-se para qualquer outro barulho.
Na
habituação, qualquer barulho menor que o habituado não é notado. Na
sensibilização, um barulhinho já incomoda muito.
Acreditamos
que tanto a habituação quanto a sensibilização existem mais em função da
possibilidade de adaptação ao meio ambiente adverso enquanto fator de
sobrevivência.
Na
sensibilização, rejeita-se certo meio adverso por avaliação automática
comparativa que reforça uma opção anterior melhor. Ou, por ter percebido outra
compensação vivencial melhor, verificada no ato.
Na
habituação, o meio adverso ao qual o indivíduo foi levado a se instalar, sem
outra opção, força-o a assimilá-lo, ajeitando e desviando dos maiores
incômodos.
Entretanto,
a sua acomodação só ocorrerá, gradualmente, pelos frutos que compensam a sua
sobrevivência ali, ou de algo por ele percebido, nesse sentido.
Mas,
tendo encontrado situação bem melhor do que a que se encontra, mesmo acomodado
ou enraizado, o processo da habituação pára para iniciar a reversão, que é o de sensibilização.
Este
processo de sensibilização poderá prosseguir até o limite de tolerância.
Quando, então, ocorrerá a mudança total. Na maioria dos casos, a mudança total
é imediata.
Naquele exemplo, o barulho que nem mais se notava, passa a ser
sentido. E cada vez que surge, incomoda mais. Daí, a habituação e a
sensibilização como fatores de sobrevivência, sem outra opção, são válidas
enquanto não se perde nelas. O perder-se nelas é como que prorrogar a vivência
dentro da adversidade. O ruim é quando se acostuma a essa situação sem se dar
conta. E o fim disso assemelha-se ao ocupar-se de morrer. Em não havendo
consciências e acúmulo de energias para uma reação oportuna, o viver de modo
automático é altamente prejudicial em todos os sentidos, em razão do hábito,
costume e acomodação.
No processo manipulativo, então, antes de entrar na situação de
habituação e sensibilização é preciso conhecer, reconhecer, identificar e saber
lidar com as pessoas manipuladoras confiáveis e acreditáveis.
Basta
reforçar comportamentos não manipulativos observados. Habituá-los a
conduzirem-se, em relação a você, de modo transparente, na base da verdade, da
sinceridade, da objetividade e concretitude. Fazer-lhes entender que só assim
poderão obter melhor atenção, consideração e credibilidade, ou alguma vantagem
saudável para as partes. Evitar a desqualificação do chamado. Não custa dar um
pouco de atenção. Se já se irrita diante de um chamado, a sensibilização está
presente. As partes entram no mau humor.
Se o
objetivo da contra-manipulação é fazer compreender que o melhor é o pedido
direto, a menor desqualificação do chamado retarda esse processo. Quando o
pedido justo é atendido, o bem-estar é recíproco.
5.
O Conhecimento na Ação Manipulativa.
Referem-se à aplicação do saber, conhecimento e experiência,
ou os recursos dos segundos momentos positivos contra as interações
manipulativas.
|
Quais são
esses recursos? Como
obtê-los? Como
identificar uma ação manipuladora? |
Há uma variedade de relações
interpessoais, tipos
de pedidos e de
pessoas diferentes que mantêm contatos uns
com os outros, assiduamente ou não. É preciso, pois, conhecê-la.
5.1. Relações
interpessoais (sociais).
A
relações interpessoais podem ser sexuais, íntimas, afetivas, amistosas,
familiares, solidárias, participativas, competitivas, profissionais,
comerciais, sociais, de colaboração, indiferentes, responsáveis, protetoras,
esportivas, de lazer, de passeio, de viagem, de união em presença do amor, etc.
e as suas contrárias.
Essas relações podem ser
curtas, rápidas, tempestivas, sucessivas, demoradas ou definitivas. Podem mudar
com freqüência umas para outras, ou para as suas contrárias retornando para as
predominantes.
O importante
é aprender a classificar, seriar e selecionar tais relações para uma
estruturação de tempo duradoura com pessoas de alta positividade,
confiança, credibilidade, polivalência e sinceridade.
É
preciso estreitar as relações selecionadas alimentando-as por meio do reforço,
motivação, interesse e disposição. Urge tomar consciências das relações
interpessoais que são a sua extensão mais próxima.
Na sua hora
boa todo o mundo sabe ser bom com você, mas na sua hora ruim é que, realmente,
conhecem-se pessoas que merecem a sua melhor consideração. É preciso reconhecer
aquele que quer tirar algo de você de graça, nem pensando em restituir, repor,
retornar, ou recompensá-lo, posteriormente.
Essa experiência dá o
conhecimento relativo na seleção de pessoas que podem formar a sua extensão
mais próxima.
5.2. Tipos de pedidos.
Vejamos os principais.
A imploração ou a súplica, ou
seja, o pedido com lágrimas e humildade não é fácil negá-lo, se autêntico.
Tendo condições, atenda-o e bem.
Os pedidos condicionais são as
propostas.
Usualmente, a
primeira proposta deve ser recusada; mas, se justa, deve ser negociada para
atender as possibilidades do cumprimento real com a máxima segurança.
Novamente, o conhecimento
antimanipulativo deve ser levado em conta.
Conhecendo-se a origem boa,
fidedigna e a finalidade certa da proposta, as suas condições de concretização
e o seu bem objeto, evita-se cair numa manipulação.
As cartas de intenções tornam as propostas mais confiáveis e
permitem um consenso transparente no passo de um fechamento bom para as partes
e bom para o todo, ao mesmo tempo.
As propostas absurdas e as
irresistíveis têm gosto forte de manipulação. Tem-se quase tudo a perder e
quase nada a ganhar.
Os pedidos insistentes,
impertinentes, os ousados e os indiretos perturbam e são potencialmente
manipuladores. Se se ceder e entrar nessa, muito provavelmente o pedinte quando
satisfeito desaparecerá deixando o manipulado sem graça, órfão e só.
Há
pessoas que não conseguem dizer um não forte e decisivo,
reforçando a insistência do pedinte e a própria patologia.
Um sim não cumprido no
prazo combinado pode causar mal-estar para as partes. É o sim que muda
para o não, ou já tinha o não camuflado.
À medida de cada sim
não cumprido pode dar causa ou início ao processo da sensibilização
manipulativa.
Dizendo sim pensando em
agradar ou livrando-se da situação do momento, acaba desagradando depois,
quando se dão contas de que aquele sim era não mesmo.
O pedido
de favor, já comentado, às vezes, vem carregado de ordem. Quando isso ocorre é
a manipulação responsável em ação.
Outras vezes, vem escamoteado
como obrigação ou como cobrança de uma dívida de favores. Não tendo combinado
de que um favor se paga com outro, nada impede de negá-lo. Pois, o favor se
liga, na verdade, em fazer algo para alguém, por querer, independentemente de
crédito ou débito de favores.
Naturalmente,
se faz por filantropia, por merecimento ou pela afetividade.
Por
isso, o favor deve ser tomado como incondicional e gratuito.
Quem faz um favor na certeza
de receber um outro está com a intenção manipulativa. Na hora de cobrar, se
receber um não, poderá sentir-se mal passando por um sentimento de
vingança ou desforra.
É
necessário querer fazer o favor, tempestivamente; e, ainda, muito bem
feito.
Há os que aceitam fazer um
certo favor, só para agradar, mas, ou não fazem direito, esquecem, ou
desculpam-se.
Se não se sente prazer em
fazer um favor, por quê fazê-lo? Ou por que aceitar fazê-lo, se já sabe que não
vai cumpri-lo?
5.3.
Diferentes pessoas pedem.
Recomenda-se distinguir as que pedem, da maneira indelicada,
desqualificando as pessoas. Avalia-se a pessoa que pede. Se já está invadindo o
seu espaço íntimo sem o seu consentimento, não pode merecer a sua atenção, sem
a devida correção no ato. Com exceção da clara demonstração de necessidade ou
de evidente situação de premência.
Antes do pedido principal existe o pedido de atenção.
Deve-se ficar prevenido contra
quem pede para favorecer a terceiros. A pessoa íntima fará embaixada com o seu
chapéu, se não for direto para o bolso próprio tudo, parte dele ou para, em
proveito próprio, negociar algo.
O correto é sugerir
atendimento diretamente ao terceiro ou à entidade interessada.
Deferir
pedido por mediação não é adequado. Vai dar abertura para futuras manipulações
indiretas.
Trata-se de sutileza contra a sutil manipulação da ingenuidade e da
confiança, de modo indireto, com uso e abuso de diferentes pessoas das suas
relações.
No contexto
das relações interpessoais, dos tipos de pedidos e
das diferentes pessoas que pedem no passo da manipulação,
incluem-se os seguintes fatores:
· vontades, desejos e intenções
· valores dos pedidos
· causas, motivos, razões
· fundamentos verdadeiros dos pedidos
· objeto e condição de realização
· avaliação do pedido e interesse
Se já não é
fácil classificar, seriar e selecionar esses variados elementos numa estrutura
prática, fazer uso no ato da manipulação é muito mais difícil, ainda.
Mas, pelas
vivências, superação de prejuízos, perdas de tempos, incômodos, contratempos,
dissabores é que efetuamos a classificação, seriação, seleção e coleção de
conhecimentos, considerando os seis fatores acima, para anularmos as ações dos
manipuladores.
Através das
transações bem sucedidas, notícias, leituras, bom nível de escolaridade e por
relações saudáveis que proporcionam compensações e vantagens para as partes e
para o todo, ao mesmo tempo, é que se obtém o conhecimento comparativo para
reforçar as defesas contra os manipuladores.
As empresas
comerciais de real sucesso não manipulam e mantêm cadastros atualizados sobre
os variados elementos de toda a sua clientela traduzindo confiança, crédito,
boa-fé e sinceridade nas relações de negócios.
Nas empresas não manipuladoras toda a sua clientela ativa e
em potencial está estruturada em classes, séries e seleções para manutenção de
uma interação saudável e continuada.
De modo análogo, pode-se elaborar um cadastro ou dossiê
com um histórico de vida de cada um dos elementos das nossas relações recentes.
Nesse histórico informar-se-á o perfil, dados pessoais, nome
dos familiares, eventos ou fatos comuns ou momentos compartilhados, dados importantes
como vontades, necessidades, atividades, diversas preferências no esporte,
pratos, lazer, música, leituras, autores, datas importantes, nome, endereço,
telefone, e-mail e perfil dos amigos, parentes, pontos vulneráveis,
invulneráveis, sonhos, desejos, etc. Tudo isso é uma forma de montar uma
memória auxiliar quando se tem um grande rol de relações, não só de negócios,
mas sociais, também.
·
Vontades,
desejos e intenções na manipulação.
A vontade
irresistível de ganho fácil e premente bem como o desejo ainda não satisfeito
mantém o manipulador na sua intenção de provocar situações favoráveis ao seu
propósito usando pessoas.
Do outro lado, a vontade irresistível e premente de
aproveitar uma ocasião tão oportuna para satisfazer um desejo veementemente
aguardado, o manipulando não se dá conta da terrível manipulação a que está
sendo envolvido.
Assim,
ele acaba concentrando imediatamente a sua intenção, com forte desejo e vontade
de atender as condições sugeridas pelo manipulador.
O
egoísmo do manipulador conduz a sua intenção para a má-fé concentrando todos os
seus recursos psíquicos para o lado não ético.
Nessas
circunstâncias o manipulador pode reforçar o seu lado psicótico não se
importando em mais nada a não ser no prazer de maquinar perversidades cada vez
mais requintadas.
A vontade pode ser
controlada desde que, enquanto criança, tenha tido um aprendizado nesse
sentido. Certo desejo é uma vontade prorrogada que pode ser tempestivamente
satisfeita.
Logo, a
presença do conhecimento aliado à consciência de uma possível manipulação da
vontade e desejo em curso, pede-se um tempo para si mesmo para avaliar,
analisar e impugnar a situação com o concurso do pensamento objetivo.
·
Valores
dos pedidos.
Quase todos os pedidos só têm valor para quem pede.
Há pedidos com boas causas, bons motivos e boas razões.
Entretanto, os pedidos condicionais são os que mais valem por tender
satisfazer as partes.
Saber pedir é a grande virtude porque, na verdade, toda relação
interpessoal saudável começa com um pedido preliminar cortês ou para receber,
para dar ou para compartilhar.
Pede-se atenção para o pedido principal. Pede-se para marcar
encontro para dar presentes. Pede-se para vir receber ou compartilhar a alegria
da festa, etc.
Verificar a sinceridade da causa de pedir e a potência do pedido para
apreciar o seu valor é fundamental para evitar início de manipulações.
É preciso dar valor ao pedido sincero direto, transparente com a causa
de pedir coerente, e com a compreensão do direito de recusa.
·
Causas,
motivos, razões dos pedidos.
Observe-se que quando se trata de boas causas, os pedidos tendem para os
seus efeitos imediatos. É preciso ter bons motivos para se pedir e para
corresponder aos pedidos.
Bons motivos
tendem para boas conseqüências. Mas, são necessárias razões reais e suficientes
na escolha de quem de maneira melhor poderá atender ao pedido para obter
resultados satisfatórios.
Os manipuladores
procuram convencer que são melhores nesta parte. Contudo, a aparência engana e
outra vez a mentira, a representação e a simulação criam apenas ilusões em
prejuízo do manipulado.
·
Fundamentos verdadeiros dos pedidos.
Na manipulação
os verdadeiros fundamentos dos pedidos são omitidos. Em seu lugar estão lindos
motivos enfeitados inexistentes.
É preciso dar-se
conta dos dois lados dos fundamentos dos pedidos. O do lado de quem pede e o do
lado de quem vai atender o pedido. Do lado deste é verificar por quê logo ele
foi o escolhido?
· Objeto e condição de realização do pedido.
O objetivo do
pedido não sendo o de usar, aproveitar, passar para trás e tirar vantagens de
alguém sem corresponder, está bem.
Mas, para
realizar o que se pede, é preciso estabelecer ordem de prioridades e estar
habilitado para fazê-lo, além de estar com o tempo estruturado.
Mudar tal ordem
só para encaixar o atendimento ao pedido é manipular a si mesmo, perder
respeito próprio e diminuir a auto-estima. Salvo motivo extremamente relevante.
É preciso de condições suficientes para atender bem um pedido sem se
prejudicar.
Vale aqui
repetir o dito evangélico ¾ “Como
tirar o cisco no olho de alguém com uma trave no seu?”
Conforme a
complexidade na execução do pedido, o concurso da capacidade, da ótima
disposição física e psíquica, sustentação e recursos materiais e financeiros
oferecidos são condições indispensáveis para aceitar a realizar o pedido.
A certeza do
prazo de realização, do quando, onde, como e quem vai subsidiar os custos, deve
ser levada em conta, também.
· Avaliação do pedido e interesse.
Perguntas devem
ser respondidas com critério e precisão.
¾ Quanto vai custar em termos de compensação?
¾ Está levando em conta o tempo, despesas e recursos?
¾ Quem vai financiar?
¾ A relação custo-benefício está sendo observada?
¾ Para quem, quanto e quais são as recompensas?
¾ Há indícios de manipulação, excesso de vantagem, para quem?
¾ Para quem mais interessa o atendimento ao pedido?
¾ Não há outra maneira de extinguir a necessidade que gerou o pedido?
¾ Vai vestir um santo desvestindo outro?
Não se deve pressupor as respostas das perguntas acima, porquanto
se vai arriscar a engolir sapos. Há situações em que o cidadão atendendo a um
pedido, fez-se de motorista particular para o amigo e ficou no meio trânsito
sozinho com o seu carro batido. Porquanto, o amigo não podendo perder o seu
avião, pegou ali mesmo um táxi rumo ao aeroporto.
·
O contato e o
encontro saudáveis.
Há o contato
direto e o indireto.
O contato direto
é quando há a possibilidade de tocar fisicamente de maneira imediata.
O indireto pode
ser por mediação, bip, por representantes ou procuradores, por telefone,
cartas, fax, internet, etc.
Normalmente,
utilizam-se os indiretos como preliminares do contato direto.
No contato
direto, há a possibilidade de reunir diferentes pessoas, de modo simultâneo,
sem haver o encontro saudável propriamente dito (potencial do contato
físico-psíquico).
A seleção de
contatos para encontros saudáveis deve ser cuidadosamente examinada.
Recomenda-se o contato direto, olho no olho, em ambiente adequado e conhecido
para apreciar a sinceridade do pedido.
Não há responsabilidade
ou comprometimento em contatos indiretos ou mediatos. Assim, são
preferencialmente utilizados pelos manipuladores. Diante disso, os contatos
indiretos e mediatos devem ser confirmados ou checados em confronto direto com
o interessado, antes de quaisquer tomadas de decisões.
É o contato
direto que possibilita o encontro saudável embora haja o risco do desencontro
emotivo (ausência de autenticidade do contato físico-psíquico).
Nos contatos
diretos as pessoas insinceras evitam o olhar de frente quando falam ou
respondem. Não há o encontro autêntico. Não há a comunhão de interesses. Há
omissão de alguma coisa. Não há aquela correspondência biunívoca das mesmas
vontades, desejos e intenções. O que pode haver, desse modo, nesses contatos
diretos é o desencontro emotivo.
Às perguntas
cujas respostas deveriam ser imediatas, diretas e claras, sem hesitações, os
manipuladores não as respondem assim. Procuram ganhar tempo, como que
estivessem pensando, ou tentam balbuciar a pergunta feita como que não tivesse
entendido. Logo, dizem, como é mesmo a pergunta?
Repetida a
pergunta, o manipulador levanta o peito e diz: ¾ Ah! sim! Não tinha entendido. Finge pensar um pouco
e logo nega ou concorda, parcialmente, gagueja e usa evasiva. Racionaliza e não
há objetividade, nem transparência no que expõe ou argumenta. Não tem potência
na voz. Nota-se incoerência na expressão facial com as expressões verbais. Os
gestos e as palavras não fluem de modo livre e espontâneo. Não há o sorriso
natural. E os risos são ou de forca ou não tem a potência do entusiasmo
autêntico. Os risos de forca são aqueles de si mesmos, ou seja, rir da própria
desgraça.
Confundimo-lo
com o tímido. Este tipo de manipulador, está em início de carreira. Vai
sucumbir ou tender para a criminalidade.
O encontro
saudável tem a potencialidade das partes poderem se tocar física e
psiquicamente. A vontade, o desejo e a intenção reais das partes podem estar
sendo reciprocamente correspondidos. Há transparência e sinceridade mútua na
conversa.
As idéias e
propostas são acolhidas com respeito e consideração e apreciadas de maneira
real e autêntica.
No encontro
manipulativo o que há é apenas a crença de que tudo está correndo bem.
Mas, no real, ocorre o desencontro emotivo recíproco entre os seus verdadeiros
interesses. Pode estar interagindo duas manipulações diferentes ao mesmo tempo,
cada qual omitindo as verdades próprias um do outro.
O contato direto
é rápido ao passo que o encontro saudável se caracteriza pela comunhão das
vontades, desejos e intenções das partes, pelo mútuo conhecimento, pontualidade
em local conhecido, protegido e marcado, previamente, de comum acordo, com
objetivos estabelecidos, ou implícitos.
Não se marcam
encontros em lugar deserto, portas de igrejas, catracas de metrô, na rua,
restaurante e assemelhados ou em lugares desconhecidos.
Quando são três
ou mais pessoas, marca-se o encontro direto no local interno certo, conhecido
de todos, com horário e condições previamente estabelecidos.
Se se tratar de
duas pessoas, um deles, de comum acordo, deve buscar o outro em casa, onde
esteja, ou em local adequado onde haja possibilidade de contato.
Nos encontros
saudáveis não há desencontros emotivos.
No chamado
desencontro emotivo, limita-se às aproximações e contatos por crenças das
partes à respeito um do outro que não correspondem à autêntica realidade
intencional de cada um.
As partes são
levadas a crer que são comuns a vontade, o desejo, a intenção e o objetivo de
ambos, dispensando a conferência, ou sem coragem para confrontar e
averiguar.
Enquanto
persistem nessa crença, sem a menor dúvida, as emoções e os sentimentos são
saudáveis para as partes. Mas quando percebem que as intenções e os interesses
não conferem, as emoções e sentimentos mudam-se tendendo para os seus
contrários para um lado, e de modo indiferente ou menos intensos para o outro.
Para pôr fim a
esta parte, temos que o conhecimento integral relativo é importante não só para
evitar os desencontros emotivos, mas, principalmente, a presença da manipulação
na vida de cada um para deixar de fazer o que realmente não precisa.
Assim, com
conhecimentos e consciências fazer o que deve ser feito, com a pessoa certa, em
lugar adequado e consumir o que se precisa de fato, na hora certa.
6. O
Pensamento na manipulação.
Os fatores,
instrumentos e recursos do pensamento contra a manipulação são, basicamente, a
consciência intelectiva, os raciocínios, as sensações psíquicas, o consciente,
a atenção, a ciência, a técnica, a ferramenta e os ingredientes selecionados
para a tomada de decisão certa.
Para que o
pensamento funcione bem, precisa estar subsidiado pelos dados essenciais
precisos para a conclusão lógica eficaz.
Sem o interesse
que subsidia o querer e sem a consciência intelectiva, não há o
pensamento propriamente dito.
Para intuir,
raciocinar e processar informações e as condições usando das demais faculdades
do pensamento, além do melhor de cada um de seus tipos ¾ mítico, subjetivo, objetivo ¾ e do material respectivo é preciso querer e estar
com boa disposição psíquica e física.
Quando se fala
em pensar ¾ é bom que se repita ¾ implicam muitos fatores além da intuição, idéia,
observação, inferência, pesquisa, estudo, consulta, análise, síntese,
concentração, abdução, indução, dedução, conclusão, classificação, seriação,
seleção, associação, comparação, experimento, simulação, controle, confronto,
medição, correlação, invenção e busca da verdade. Em cada “se isto, então
aquilo” e “ou isto, ou aquilo” é preciso conferir com a realidade
objetiva ¾ a verdade dos fatos.
Essa conferência
é efetuada após ter classificado e escolhido, seriado e determinado,
selecionado e decidido as melhores opções, impugnações e saídas nas variações
de ataques, defesas e contra-ataques.
Tudo isso leva
tempo e assusta o manipulador. O manipulador quando age, já vem com o
pensamento pronto e não deixa ninguém pensar.
Quando as
emoções e os sentimentos estão atuantes não há condições para pensar em nada.
Por isso é preciso recuperar a calma. Em seguida, ser tolerante e paciente, em
querendo pensar. Assim já se começa a prestar atenção, concentrar, observar,
questionar e, daí, segue-se para os diversos raciocínios para uma conclusão
acertada.
O manipulador
age inescrupulosamente toda vez que vai manipular. Não passa pela sua cabeça o
prejuízo que possa causar no outro. Não importa que este seja parente ou amigo.
Também não pensa que cada sucesso manipulativo é um reforço de sua patologia,
cuja conseqüência é terrível, a longo prazo.
O manipulador
inveterado vive perigosamente e tem maior probabilidade de vida mais curta. Não
só pelo próprio organismo em desequilíbrios freqüentes em razão dos
adrenérgicos em excesso, nas suas operações manipulativas, como por descuidos
em suas manobras que aumentam o número de seus inimigos.
Podemos assim
dizer que o manipulador é um suicida crônico, em potencial.
O excesso de
hormônios adrenérgicos na sua corrente sangüínea em todo o processo
manipulativo vai exigir um trabalho excedente do coração que baterá mais
acelerado, além do aparelho digestivo, circulatório e respiratório, dos
componentes celulares, musculares e viscerais, tecidos e dos demais órgãos que
vão operar a todo vapor. Exige-se, por isso, muita reposição de material
energético e nutritivo.
Podendo, dessa
forma, causar com maior facilidade, desgastes nos órgãos mais utilizados, ou
nos menos protegidos, ao longo dos anos, vindo a enfraquecê-los,
irreversivelmente.
O manipulador
perverso raciocina muito bem porque, não tendo valores morais e culturais, ou
desqualificando-os, não se sentirá perturbado em função disso.
Quando tem que
se dar no pé, os seus hormônios adrenérgicos entram em ação. Momento em que não
pensará mais até que a poeira se assente, para amainar a sua tensão emocional.
O profissional
da manipulação intencional é grande artista. Sabe representar tão bem quanto
ator de primeira linha, mas com desígnios opostos.
Lida com a sua
vítima como se esta fosse uma bela laranja madura.
Descascando-a
com carinho para não feri-la, chupa-a. E tendo-a murcha, acerta-lhe um petardo
e vibra como tivesse marcado um golaço.
Quando esses
manipuladores se organizam em corporação, formam uma verdadeira nação
parasitária paralela.
Estruturam-se
com leis próprias, código de ética, hierarquia, julgamentos, exército,
disciplina, tarefas e diligências. Têm população exclusiva e selecionada, além
de órgão representativo e diplomático.
Com certa freqüência excluem componentes que se tornam
indesejáveis na corporação e arregimentam outros em seus lugares.
ESQUEMA DA MANIPULAÇÃO.
|
O
MANIPULADOR NEGA, DÁ, REGULA, FAZ |
PARA
GERAR, DESPERTAR NO OUTRO |
PARA
RECEBER, OBTER, GANHAR |
|
ameaça,
provocação, chantagem, bronca, auxílio, intimidação, crítica, esperança,
promessa, liberdade, incentivo, pagamento, produção, prazer, agrado,
abundância, valores, presente, gentileza, flores, elogio, mimos, etc. |
medo,
raiva, vício, curiosidade, culpa, obrigação, inveja, desejo, ciúme, ódio,
ansiedade, remorso, distração, confusão, estímulo, privação, escassez,
suborno, ambição, sonhos, ilusão, ganância, vontade, interesse, crença,
intriga, etc. |
submissão,
obediência, favores, informação, dinheiro, tempo, bens, serviços, vantagem,
lucros, poder, influência, confiança, credibilidade, boa-fé, crédito, sexo,
afeto riqueza, boa vida, benefício, etc. |
No
esquema acima, na primeira coluna tem-se o que o manipulador dá, nega, regula
ou faz ao manipulando. Na segunda coluna tem-se o que o manipulador consegue
gerar ou despertar no manipulando. Na terceira coluna, tem-se o que o
manipulador obtém ou ganha graças ao concurso do manipulado.
Exemplos:
Ele faz ameaça
para gerar medo para obter obediência.
Ele faz
chantagem para gerar medo para obter
dinheiro.
Dá bronca para gerar remorso para ganhar
mais submissão.
Regula
abundância para gerar
escassez para obter preço alto.
Nega
liberdade para gerar
privação para obter informação.
Dá auxílio para gerar obrigação para receber
vantagem.
Na extorsão, o
manipulador faz chantagem por ameaça de delação gerando medo do prejuízo maior
ou do escândalo. Mediante violências ou graves ameaças, constrangimentos e
abusos, o manipulador consegue vantagem ilícita.
Na chantagem
emocional, o manipulador ameaça, intimida ou chantageia o manipulando
causando-lhe medo, culpa ou remorso. Não querendo se sentir culpado ou ter
remorso por recusar e por temer a ameaça de más conseqüências, a vítima acaba
atendendo à vontade do manipulador.
Na manipulação
comercial, despertam-se a vontade, o desejo, a obrigação, o estímulo, a
ambição, o sonho, ou a ilusão, negando-se bens duráveis, ou oferecendo preços
convidativos, para a obtenção de vantagens e lucros. Produtos definitivos não
dão lucros. Bens duráveis não dão consumo constante. Regulam-se bens de consumo
gerando ilusões. Regulam-se as produções para aumento de preço com fins
lucrativos.
O monopólio
obtém lucros manipulando a escassez dos bens de consumo compulsórios.
Regula-se a
circulação da moeda para evitar o “caos”. Taxam-se produtos estrangeiros para
proteger os produtores nacionais em detrimento do consumidor, que paga mais
caro por qualidade inferior e recebe produto obsoleto.
Na manipulação
subliminar, desperta-se a vontade ou o desejo através de mensagens diretamente
ao inconsciente.
As mensagens
subliminares passam desapercebidas pelas consciências.
Provoca-se
distração neutralizando o alerta, a prontidão e a atenção. Conduz-se ou
induz-se o manipulando para a escolha pré-sugerida atraindo-o para o consumo
direcionado ou criando-lhe artificialmente uma necessidade imediata.
Na manipulação
consumista, os consumidores são induzidos a consumirem o que na realidade não
precisam.
As necessidades
artificiais são incorporadas nos seus hábitos. Por preços atraentes e
subsidiados os consumidores são levados a se habituarem a consumir determinados
produtos que por adaptação passam a necessitá-los. Quando isso ocorre os seus
preços são elevados, gradativamente. Regulam a distribuição do produto para
manipular preços.
Ainda,
manipula-se a vaidade, o “status”, a ingenuidade, o amor-próprio, o afeto, a
ânsia de prestígio e outras fraquezas humanas. Aperfeiçoam-se as técnicas
manipulativas para condicionar a população ao hábito do consumo de bens sem a
sua premência ou precisão.
Assim, a cor, a
forma, o tamanho, a embalagem, o nome, o cheiro, o número, a mensagem, o fundo,
a figura, a expressão, o termo, a palavra, a voz, a música, o “jingle”, o
letreiro, o ritmo, o som, o gosto, o peso, o conteúdo, tudo é pesquisado para
causar sensações gostosas, emoções de alegria e prazer, bons sentimentos e
sensos, no sentido de manter o consumo cada vez mais intenso.
SONDAGENS E
ISCAS MANIPULATIVAS.
Há frases comuns
habitualmente usadas nas manipulações. São frases de sondagens ou lançamento de
iscas manipulativas. As frases são jogadas em suas formas afirmativas,
interrogativas e negativas sem esclarecimentos do motivo, de seus fundamentos
ou de seus objetivos.
Nas sondagens
manipulativas o manipulador procura encaixar uma pergunta numa brecha de
distração ou silêncio do manipulando, de surpresa. Mesmo este dizendo não ou
sim à sua pergunta ele aguarda uma manifestação de curiosidade do manipulando
para responder-lhe o motivo da pergunta.
Prefere,
entretanto, que o manipulando adivinhe o que quer e lhe ofereça ou resolva o
seu problema.
Nas iscas
manipulativas além do “joga verde, colhe maduro” das sondagens, o
manipulador tenta fisgar o ponto vulnerável do manipulando.
Atente-se,
portanto, às frases seguintes. São ditas com certa entonação de voz, mostrando
insatisfação, braveza, aborrecimento, com olhar vazio ou com sorriso treinado.
Também são ditas
mansamente e com boa expressão facial podendo-se notar, entretanto, alguma
incoerência nos gestos e postura.
Muitas vezes,
são ditas com segurança. Contudo, nos terceiros momentos, na hora de explicar,
são titubeantes porque esgotam argumentos. Em qualquer dos casos, por mais
sinceras aparentem, mostram indícios evidentes de operação manipulatória.
Ao mais leve
sinal de mal-estar, de curiosidade, de interesse repentino, de perturbação,
rubor, ou pudor, é necessário conferir e refletir com calma e paciência.
Entretanto, se houver aborrecimento, indignação ou fúria por sentir-se passado para
trás, só resta fazer do limão uma boa caipirinha, porque a sua saúde e alegria
valem mais.
¾ Você vai a algum lugar, hoje, à noite?
¾ Por acaso você vai passar no metrô?
¾ Eu só estava querendo te ajudar.
¾ Eu passo aí e te pego às 18,00 h.
¾ Ah! A gente combina na hora!
¾ Não vou querer nada de você.
¾ Não estou interessado nesse assunto.
¾ Quero que você ganhe muito dinheiro. Se você topar eu te garanto.
¾ Eu já te avisei que não era bem assim.
¾ Está bem. Não quero mais.
¾ Não quero mais saber. Faça, então, o que você quiser.
¾ Depois, a gente conversa.
¾ Depois, não me diga que não te avisei.
¾ O que é? Deixe isso para lá. Não vou te comer, não!
¾ Eu não queria. Mas, não teve outro jeito.
¾ Você não me está entendendo.
¾ Ninguém está passando você para trás.
¾ Ué! Foi um risco que todo o mundo correu e não deu certo.
¾ Você também foi querer ganhar do campeão?
¾ Você perdeu para um profissional!
¾ Então, por que você não me avisou antes?
¾ Olha, aqui está o seu. Não deu muito, mas é melhor do que nada.
¾ Você vai ver, ouviu?
¾ Você vai ter.
¾ Pegue logo isso.
¾ Mais vale um passarinho na mão do que dez voando.
¾ Olha. Só deu para arrumar isso aí.
¾ Ah! Não quer não?
¾ Dê graças a Deus.
¾ Você pensa que o dinheiro cai do céu?
¾ Dei um duro danado e não sobrou nadinha para mim!
¾ Deixa só o seu pai chegar! Vou contar tudo para ele.
¾ Você vai ter que fazer isso, sozinho.
¾ Você vai querer ajuda, para quê?
¾ Ninguém pode saber o que a gente está fazendo, não. Entendeu?
¾ Você é bobo?
¾ Você não tem o que pensar. É pegar ou largar.
¾ Coma do seu prato. Não olhe o do outro.
¾ Olhem! Se vocês não se mexerem não vai sobrar nada para ninguém.
¾ Viu só o que aconteceu? Está vendo o que você fez? A culpa é só sua.
¾ Já não lhe tinha avisado? Assim, você enterra o time.
¾ Faça o que eu digo. Senão, vai ser muito pior para você.
¾ Você vai ter que se livrar disso aí.
¾ Mande o dinheiro na minha conta até o meio-dia.
¾ Se não mandar o dinheiro, você vai perder muito mais.
¾ Ou você paga agora ou mando executar os seus bens.
¾ Você tem coragem de falar com ele, depois do que ele fez com você?
¾ Que tal uma cervejinha, depois disso?
¾ Onde é que você escondeu os meus sapatos?
¾ Não é muito?
¾ Mas, nem isso eu tenho.
¾ Vou te arrumar sim. Mas, primeiro, terás que fazer o que eu quero.
¾ A bagunça agora está pior.
¾ Não se acha mais nada! Está tudo escondido!
¾ Com licença! Só um aparte. Só vou completar o seu pensamento...
¾ Vou te contar uma coisa, mas é segredo, hein?
¾ Não sei se devo falar. Vou confiar em você, está bem?
¾ Você me ajuda terminar o serviço depois do seu horário?
¾ É rapidinho. Não vai demorar nada.
¾ Temos que terminar o relatório no meu apartamento. Vamos?
¾ Não vou te comer, não! Temos que ir pegar lá. Vamos, é rápido.
¾ É sério. Eu te levo para a sua casa. Você não vai perder nada.
¾ Não farei nada que você não queira..
¾ Vai fazendo a sua parte. Depois a gente acerta.
¾ Preencha logo o cheque. A gente vê isso depois.
¾ Isso são horas de chegar?
¾ Quero saber onde é que você esteve.
¾ Vai junto com ele. Depois, você me conta.
¾ Olha! Ninguém pode saber, hein?
¾ Descolei aquele CD. Vamos ouvi-lo na sua casa? Pô, moro logo ali à
esquerda. Vamos descer lá. Só vamos pegar a fita do último lançamento.
¾ Aonde é que você vai mesmo? Ah! Aproveite e traga-me um cigarro. Ah!
Espere aí, eu ia te pedir mais um favorzinho. Passe lá na casa do...
¾ Deixe o cheque assinado comigo. Vou preencher quanto é e depois eu te
mando a papelada toda.
¾ As mulheres, hoje, não querem mais lavar, passar, cozinhar, levar as
crianças para escola... Tem graça, isso?
¾ Vamos, então, fazer do jeito que você falou. Está bem? Espera um pouco.
Oh! Vai complicar. Acho melhor fazer do meu jeito. Já vou indo. Tchau.
¾ Oh! Vê se consigo adivinhar como você quer fazer. Não é assim, assim,
assado? Então, adivinhei? Pois, é isso mesmo que vou fazer, está bem?
¾ Pô,eu fui lá, bati, bati, dez vezes, na porta e na janela. Ninguém
atendeu. Oh! Não deu mesmo. Fui lá meio atrasado, ainda, e tive que pegar um
táxi e só sobrou isso aí. Tó.
¾ Vou ver uns livros aí na sua estante, está bem? Não, não vou ver agora.
Bom, já está ficando tarde, já vou me embora. Tchau, amanhã eu te ligo. Pô, já
ia me esquecendo. Deixa-me ver os teus livros. Vou ver este aqui, depois eu te
trago, tá?
Exemplos de armadilhas
e ciladas manipulativas estão repletos nos filmes e contos policiais. No
cotidiano da vida há manipulações piores do que nas ficções.
O DRAMA DA
MANIPULAÇÃO.
Onde há
manipulação, há, no mínimo, duas personagens ¾ o manipulador e o manipulado.
O manipulador é,
em realidade, um perseguidor.
O manipulado é a
vítima. Onde há o perseguidor e a vítima pode surgir um terceiro elemento ¾ o salvador.
No caso das
manipulações afetivas em que há presença de paixões, valores, padrões e
vínculos afetivos, tais personagens ¾ o perseguidor, a vítima e o salvador ¾ formam o
conhecido “Triângulo Dramático” de Stephen B. Karpman.
As três
personagens trocam-se de papéis e ao final recebem cada qual um prêmio de
mal-estar, buscado de maneira inconsciente, ou automática, embora se mantenha a
consciência perceptiva do que faz.
Este momento
biográfico psicológico que pertence ao roteiro de vida de cada um dos
participantes do triângulo dramático ¾ buscando o aparente equilíbrio emocional através do
mal-estar ¾ é parte da teoria dos jogos
psicológicos de Eric Berne, o fundador da Análise Transacional.
Entretanto, na
manipulação intencional, o manipulador, em verdade, não muda de papel no
decurso da sua ação manipulativa. É sempre o perseguidor do manipulado, sem
concurso do salvador. A mudança de papéis, se houver, é depois do golpe
descoberto. Aí, sim, é um drama para valer.
O manipulador
intencional detecta, rapidamente, qualquer salvador e procura transformá-lo em
mais uma vítima.
Não o
conseguindo, suborna-o.
Não sendo possível
fazê-lo cúmplice, temporariamente, tenta eliminá-lo.
Não logrando
êxito, disfarça-se de vítima arrependida e põe-se em retirada ou vai detido
para averiguações. Mas, depois, volta com tudo, com novas táticas e outras
técnicas, ou estratégias bem aprimoradas.
Ao manipulador
intencional quando lhe convém os papéis de vítima, de salvador ou de
perseguidor, as suas emoções e sentimentos são representados. Neste ponto é um
mestre na arte dramática.
Em razão dos
seus disfarces, com consciências, fingindo bem sensações, emoções, sentimentos
e carícias adequadas ao momento, o manipulador dificilmente entra no triângulo
dramático, de maneira autêntica.
Quando o
manipulador percebe o salvador, protetor ou outro manipulador concorrente, ele
deixa a vítima em paz adiando os seus planos para uma ocasião mais propícia.
O manipulador
detesta assistência na sua arte de representar.
Ele teme ser
desmascarado. A crença do manipulador ou a sua dúvida numa possível descoberta
ou suspeita da sua vítima no seu plano em curso, leva-o a entrar no triângulo
dramático linear. Isto é, o salvador da sua vítima só existe em sua imaginação.
Ele crê num
salvador (inexistente ainda ¾ no real) que está protegendo a sua vítima e que o
persegue e o investiga no passo de desmascará-lo.
Ou ainda, o
manipulando passa de vítima para seu perseguidor em sua crença. Assim, o
manipulador procura para si um salvador para ajudá-lo. Com este reforço, tenta
convencer o manipulando do contrário. Às vezes, põe tudo a perder.
Algumas vezes,
forma-se o triângulo dramático de disfarce.
Só a vítima
cumpre o seu papel real concreto. O comparsa do manipulador é a nova personagem
do golpe manipulativo. Os dois, em realidade, são perseguidores, mas na
representação ambos cumprem papéis de salvadores ou um deles de perseguidor e
outro de salvador ou trocam de papéis conforme a trama montada.
Nas manipulações
afetivas de disfarces os seus participantes fingem nos diversos papéis sem
saber dos fingimentos uns dos outros.
Depois do prêmio
de todos batendo a porta na cara, entre si, cada qual quando só, sorri com ar
triunfante.
É que o prêmio
maior está para chegar.
É o prêmio da
reconciliação comemorativa ¾ reforçador da patologia. Às vezes, alguém acaba cumprindo o seu papel
respectivo, com emoções autênticas.
Entre casais que
brigam muito mas estão mais juntinhos do que nunca, o reforçador do triângulo
dramático, certamente, é a reconciliação na cama.
Mas, tais
conflitos fluem mais no sentido da abstinência sexual temporária ou incerta,
sempre provocada por um dos cônjuges.
Provavelmente,
isto ocorre por simpatia, atração e paixão a outro parceiro que já lhe conecta
fidelidade, automaticamente. De qualquer modo, em se tratando de manipulação, a
separação vai se concretizar, geralmente, com um final trágico.
Embora o
mal-estar pequeno indique o início da maioria das manipulações ingênuas,
responsáveis, intencionais ou integrativas; em algumas vezes, não implica na
manipulação propriamente dita.
É necessário
procurar quatro fundamentos pessoais para atendimento ao pedido ou à proposta.
1. Gosto,
realmente, de você. Fico alegre quando estou com você.
2. Admiro
você. Permito-me ajudá-lo.
3. Aprecio
você. Por isso convém ficar do seu lado.
4. Quero o
seu bem-estar. Contemplo-o em sua ausência.
Nas relações
saudáveis não há manipulação. A reciprocidade é espontânea e incondicional. As
coisas são feitas por prazer e compartilhadas. Há transparência, sinceridade e
confiança. Não há mentiras, indiretas, invejas e ciúmes. Um está sempre pronto
para ajudar o outro.
VOCÊ É VÍTIMA
DE MANIPULAÇÃO?
COMO SE SENTE
EM TER QUE RECUSAR UM PEDIDO?
VOCÊ FAZ PARA
OS OUTROS SEM QUE LHE TENHAM PEDIDO?
Quando se está em atividade a serviço de alguém ou em sua
companhia, raramente se nota qualquer mal-estar manipulativo.
Concentrado no
que se está fazendo, não se dá conta da situação emocional ou das sensações
senão daquelas conhecidas ou das identificadas no ato.
Por esse motivo,
recomenda-se fazer checagens a seguir enumeradas.
· Teor de cansaço.
· Nível de disposição e preguiça.
· O que incomoda.
· Teor de tolerância.
· Se está impaciente ou se está fazendo com firmeza e
bom senso.
· Preocupação de quanto tempo falta para acabar.
· Se está seguro da recompensa.
· Que emoção sente ¾ calma, alegria, prazer, medo e raiva
· Que sentimento tem ¾ ansiedade, expectativa, entusiasmo, pesar ou outro.
· Que sensação tem ¾ inquietude, pressa, fadiga, fome, sede, calor ou
outro.
Não é adequado fazer as coisas
para os outros só para agradá-los. Não é bom, igualmente, ficar fazendo tudo
sozinho sem pedir ajuda.
Também é inadequado
prontificar-se para carregar coisas pesadas, fazer tarefas e mais tarefas só
para mostrar aos outros ou a alguém em especial, quão esforçado é.
A checagem acima vai ajudá-lo
a dar-se conta da sua situação ¾ se está ou não, manipulando a si próprio ou
incentivando os outros a aproveitar do seu esforço oferecido de graça. Ou,
pensando que vai ganhar alguma coisa, ofereceu-se sem nada combinar. Ainda,
antecipa ou faz adivinhando o que outro ia fazer só para agradá-lo ou para
esperar alguma recompensa.
É preciso tomar consciências
do por quê se faz o que se está fazendo e saber se deve ou não ser, realmente,
feito e justamente por você, sem ajuda de ninguém.
Mas, se estiver querendo
fazer, faça-o de modo autêntico com disposição, aptidão e prazer,
independentemente de remuneração, recompensa ou de agradar a si ou a outrem,
embora haja o acordo ou pacto mútuo respectivo.
Se se faz por obrigação e
dever, então houve combinação mesmo tácita, e isto decorre o direito. E o
direito não exercido deve ser cobrado e exigido em tempo.
Se se faz por dedicação em
presença do amor, não decorrem direitos, nem obrigações e deveres, mas paz
interior ou benefícios conseqüentes.
A paz interior, a
equanimidade, o amor e a inteligência atraem benefícios e privilégios
espontâneos e incondicionais, repelindo, de maneira automática, quaisquer
manobras perversas.
Se você está dentro de um
processo manipulativo e quer dele sair e não consegue, deve pedir ajuda ao seu
psicoterapeuta ou se for o caso para um advogado na especialidade.
É adequado não sentir nada
além da calma ao ter que recusar um pedido.
Só se fundamenta uma recusa se
lhe perguntarem. Faça-o, sinceramente, sem inventar nada, nem dar desculpas.
Emprestar a quem precisa e
merece, podendo fazê-lo, prazerosamente, sem se prejudicar, é fator de aumento
de energia e atrai bom fluído.
Há pessoas que não sabem como
recusar um pedido.
Dão respostas inadequadas
prometendo e dando esperanças mas se esquivam e fogem quando procuradas. Ou,
simplesmente, atendem, a ter que recusar, em seu próprio detrimento.
Tais pessoas precisam aprender
a dizer não, se é não. Falar um ¾ “não, não dá mesmo” ¾ e ver o que acontece.
Deve estabelecer um acordo ou
contrato consigo mesmo para dizer não quando é não e sim
quando é sim e treinar-se para fazer a avaliação rápida de cada pedido.
É pelo treinamento que se habilita.
É preciso entender e dar-se
conta de que a promessa não cumprida quando significa desqualificação
deteriora qualquer relação interpessoal saudável, atraindo maus fluídos para
quem adota esse tipo de conduta, além de tender para o pólo repelente e
desprezível.
Portanto, melhor dar esperança
do que prometer.
A promessa é um compromisso
tácito ao passo que a esperança dada quando não efetivada ou não cumprida é
facilmente perdoada e esquecida.
VOCÊ MANIPULA PESSOAS?
VOCÊ TEM POTENCIAL PARA
MANIPULAR?
QUAL A REAÇÃO QUANDO SE VÊ
RECUSADO O SEU PEDIDO?
INSISTE, CONVENCE OU QUER
APENAS SABER O POR QUÊ?
VOCÊ USA PRELIMINARES
MANIPULATIVAS?
VOCÊ VAI FAZENDO OU TOMANDO
POSSE SEM PEDIR?
É muito mais fácil e simples
obter o que se precisa sem ter que manipular.
É preciso apenas aprender a
confiar em si próprio e aumentar a auto-estima.
Em decorrência, você começará
a confiar nos outros. Se o pedido é justo, basta pedir e perseverar no pedido.
Será atendido de algum modo.
O manipulador não tem
auto-estima. Em seu lugar há a falsa auto-estima que se chama egoísmo
que o expõe ao perigo constante. Tem potencialidade de vida curta.
Com freqüência ele está
inquieto, tenso, fugindo, escondendo, mentindo, brigando e desconfiando dos
outros.
Como não confia nem em si
próprio, o manipulador é incapaz de ganhar a vida pela retidão enquanto
portador desse vício, eis pois, ilude-se optando e buscando o prazer da
saciação imediata.
Ele não crê na satisfação
tempestiva, na solução sucessiva e na abundância pacífica do triunfo sensato.
Manipula a si próprio
convencendo-se de que o trabalho é só para os trouxas, sem contar que uma falha
sua pode ser fatal. Que as suas emoções e os sentimentos negativos decorrentes
trarão prejuízos maiores a si mesmo do que todas as suas vantagens obtidas. E
não faz melhor que uma hiena na questão de sobreviver.
A auto-estima fará cuidar-se e
importar-se. Com isso, cada vez mais poderá aumentar os seus conhecimentos e habilidades.
Não viverá perigosamente. Estimará as pessoas tornando-as a sua extensão mais
próxima. Onde mora o amor não cabe o egoísmo, não há lugar para manipuladores e
não sobra guarida para a perversidade.
Tomará consciência de que a
essência de uma boa relação é o pedido direto sincero, presente em toda a
abordagem.
Sem o pedido direto não há
beneplácito, nem o atendimento satisfatório. Não há também o fluir da
consideração espontânea. Sem o pedido direto e claro não há entrosamento que
dure.
O pedido nos dá a certeza do
consentimento recíproco e do respeito mútuo.
Nem na lei, o direito
fundamentado não é apreciado sem o pedido claro, certo e de modo expresso,
coerente com a sua causa de pedir.
Pedir não é exigir e nem se
humilhar.
Pessoas há que mandam, exigem
ou avisam pensando que estão pedindo:
“Vá e compre para mim ... ”
“Dê-me isso ... ”
“Faça ... ”
“Gostaria ... ”
“Vou pegar isto, depois lhe devolvo.”
No pedido adequado, usa-se ¾ deixa-me, permita-me, posso, por favor, com licença,
conceda-me, pode, etc. Exemplo: ¾ professor, eu posso falar com o senhor?
Seguinte. Não entendi bem esta passagem. Pode, por favor,
explicar-me?
Quando o pedido adequado é
negado, aguarde um pouco. Numa oportunidade propícia insista, polidamente: ¾ preciso conversar com você, pode me dar um
minutinho, agora? E, na repetida
negação, pode indagar qual é o obstáculo que está impedindo a concessão do
pedido. Ao que se pede com perseverança será concedido quando não houver mais
nenhum empecilho para a sua concessão.
Você ainda se surpreende
imitando o seu antigo controlador ou algum modelo significativo da sua época de
criança?
Toda criança é alvo de
manipulação dos adultos significativos. A escassez de sua vivência em razão de
sua pouca idade aliada a sua forte dependência aos pais ou a seus substitutos e
do seu relativo distanciamento aos valores e padrões socioculturais, a criança
é vítima constante dos efeitos manipulativos dos adultos, dos pais e de outras
crianças maiores, no seu relacionamento cotidiano.
O adolescente também não tem
bons registros suficientes do que pode ou não pode fazer. Assim ele é visto,
interpretado e tratado pelos seus pais e pelos adultos significativos que com
ele convivem. Por isso, habitualmente, ele é desqualificado quando decidem por
ele o que fazer ou o que deixar de fazer, além do que ele pode querer ou não
querer.
O adolescente, sempre submisso
e obediente às determinações superiores por questão de sobrevivência,
raríssimas vezes tem chance de escolher, determinar e decidir por si mesmo.
Desse modo muitos deles crescem e chegam à fase adulta hesitando muito ante uma
escolha fácil. Ficam esperando por alguém com uma palavra salvadora para poder
eximir-se de responsabilidade por suposta escolha mal feita.
Quando a criança começa a se
comunicar por meio da linguagem dos adultos, embora escasso o seu vocabulário,
necessário se faz ser um pouco mais paciente com ela. Principalmente, para o
seu treinamento de escolha, de determinação e de decisão por si só, para que
ela aprenda a deliberar sabendo determinar o que é bom para si ao outro e ao
todo, ao mesmo tempo. Daí, libertar-se, de modo saudável e gradativo, da
simbiose natural com os pais ou seus substitutos.
Aprendendo as crianças a fazer
previsões das conseqüências dos seus atos serão menos inconseqüentes quando
adolescentes. Entenderão melhor determinadas obstaculizações paternas
suportando bem ou de modo tolerante as suas insaciações momentâneas
prorrogando-as para a hora propícia.
E, assim, não partirão para as
manhas, rebeldias, passividades e insatisfações patológicas, escapando-se do
processo do aperfeiçoamento gradual das manipulações.
O manipulador teve ótimos
modelos de controladores significativos, porém salvadores, permissivos,
autoritários e críticos de maneira exagerada e constante.
Assim, aprendeu a esquivar-se
de responsabilidades e de ordens, disfarçar, fingir, mentir, ironizar, ser
cínico e a fugir das ameaças e punições não só em casa como também na rua e na
escola.
Ou, simplesmente, não conviveu
com pessoas significativas quando mais precisou. Neste caso, não há registros
em sua memória do que é proibido fazer ou do que é censurável. Desta forma,
quer deixem ou não, sai em busca da saciação de sua necessidade até
satisfazê-la, não importando como e nem fazendo idéia de suas conseqüências.
Em não havendo reeducação
adequada para tal indivíduo antes que consolide o seu hábito, costume, uso e
convivência, ou o vício, tenderá irreversivelmente para a criminalidade,
principalmente, nas áreas de furtos, estelionatos, subornos, receptação,
falsificação, extorsão, consumo e tráfico de drogas, além de favorecimento
real.
Os casos bem mais graves
encontram-se nos assaltos ou roubos, seqüestros, formação de quadrilha e
gangsterismo, sem falar em estupros, homicídios econômicos e políticos, por
queima de arquivos, torturas, por profissionalismo e pela guerra.
Os manipuladores desta
categoria criminal não possuem modelos saudáveis na formação de sua
personalidade, ou caráter.
Alguns ostentam títulos
universitários, são líderes e outros são poderosos economicamente que souberam
tardiamente dos bons valores, da boa ética, do mérito, do trabalho dignificante
mas não têm como absorvê-los uma vez que já se consolidaram na sua unidade
vivencial perversa. Misturam-se no meio social disfarçando-se como bons
iludindo-se, ainda, como que dizendo: “Não sou culpado se eles são um
panaca. Para quê trouxa quer dinheiro?”
Não é adequado desapontar-se,
surpreender-se, irritar-se, ter ressentimento, raiva, bronca ou zanga e querer
revidar ao se ver recusado um pedido.
Todos podem recusar a atender
um pedido. Principalmente, você. Ninguém é obrigado a fazer ou não fazer, senão
em virtude da lei.
Se há compromisso expresso, há
direitos e por isso, há obrigações, deveres e sanções. Nesse caso, tratar-se-ia
de lei e o inadimplemento, então, deve ser cobrado na sua forma para que o
direito seja exercido antes que prescreva.
Saber o porquê da recusa de um
pedido é bom, mas, desde que tenha sido apresentada a real causa de pedir. Esta
serve para não deixar ninguém no escuro.
Entretanto, qualquer que seja
o motivo da recusa exposto, melhor é aceitar o não como não mesmo
deixando uma abertura para uma possível mudança de idéia. Na recusa, é polidez
agradecer a apreciação do pedido recusado e serve como reforço para a apreciação
do mesmo ou de outro pedido, futuramente, que pode ter melhor sorte para ser
deferido.
Todo pedido atendido que
implique restituição, a palavra dada deve ser cumprida impreterível e
impostergavelmente, salvo motivo de força maior que deve ser declinado
imediatamente.
As perguntas preliminares
relativas ao pedido, com exceção da cordialidade, devem ser evitadas.
As do tipo: ¾ você tem alguma coisa para fazer mais tarde? ¾ como vão os seus negócios? ¾ você está ocupado, agora? ¾ você tem compromisso, à noite? ¾ podem causar um pequeno mal-estar ou indisposição
para responder.
Quando o manipulador faz esse
tipo de pergunta ele aguarda uma resposta do tipo: ¾ sim, por quê? ¾ não, por quê? ¾ Para que você quer saber disso?
O tímido também faz a
preliminar de sondagem. Manipula a curiosidade.
É preciso dar-se conta de que
não se está mais na frente do pai bravo, sempre ocupado, que não tinha tempo
para os seus pedidos.
E quando tinha tempo, o seu
pedido era desqualificado. Essa situação deixe lá mesmo. Agora, as pessoas são
outras e o momento é outro.
Quando as perguntas não estão
claras, desde o início, as quais fisgam os porquês, melhor não querer saber.
Às vezes, por curiosidade, for
aprofundando cada vez mais, você está sendo convidado a participar de um assalto
a banco e não poderá mais pular fora por estar sabendo demais.
Quando se está envolvido numa
relação interdependente e o que se vai fazer não está determinado ainda, não é
adequada a atitude de fazer primeiro para depois verificar que não havia permissão.
Isto só se faz em casos de extrema necessidade para evitar prejuízos maiores ou
desastres.
É válida a iniciativa ousada,
mas com disciplina, respeito, responsabilidade e objetividade transparente, a
partir da aceitação, mesmo conseguida com firmeza e perseverança.
Dentre as negatividades da
interação social, a manipulação, sem dúvida, não só encurta a vida saudável
daqueles que nela se emaranham como atrapalha a de inocentes e retarda o melhor
da vivência humana.
Urge disciplinar-se e
conscientizar-se de que manipular pessoas é tolher a iniciativa alheia mesmo
que se faça com responsabilidade e benefício. É preciso, no mínimo, uma
aceitação tácita, ou que a relação seja de extrema confiança mútua.
Como evitar dissabores da
manipulação de pessoas?
O meio certo para evitar
qualquer patologia e detrimento oriundo de uma ação manipulativa é a tomada das
quatro consciências nas variadas circunstâncias dos momentos biográficos e
históricos respectivos, devendo reagir, agir, atuar e interagir segundo os recursos
da situação, em níveis apropriados.
Com as consciências, importa,
então, observar a situação da que resulta da sua ação como boa para as partes e
boa para o todo, simultaneamente, com os recursos de todos os momentos
biográficos e históricos, seja no passo de interferir ou de influir, ou seja no
de dar e de receber, no curso das interações com o meio ambiente físico e
social.
Basta lembrar que você é a
pessoa mais importante do universo, visto que graças a sua consciência de estar
no mundo pode ver, sentir, pensar, fazer, tocar-se e se dar conta de que está
com vida e de que as coisas e as pessoas ainda existem para você.
[1] Superconsciência é o entendimento certo e a
compreensão plena. Precisa-se de libertar-se das malhas do condicionamento, do
transe hipnótico provocado pela crença, sensibilização, habituação e adaptação
aos valores, normas, papéis, regras e padrões sociais e culturais e atingir uma
superconsciência que tem a função de tornar explícita a consciência implícita e
automática decorrente desse comportamento, conduta e procedimento rotineiro. A superconsciência é o estado integral das consciências
autênticas, onde não se permite ter ilusões e nem auto-enganos. Principalmente,
aqueles decorrentes dos estímulos reforçadores, motivadores e interessantes, os
relativos às crenças induzidas e reproduzidas pelo hábito ou pela própria
natureza de adaptação para superar impasses. É preciso ter noção, no momento
certo, das consciências artificiais, típicas das inter-relações políticas,
ideológicas e religiosas ou como as consciências induzidas pelos transes
hipnóticos, auto-ajuda, auto-sugestão, auto-hipnose e as trazidas pelos
valores, regras e padrões socioculturais. Mesmo estando acordado e com a
certeza do pleno funcionamento das faculdades mentais, ainda assim, precisa-se
de que se desperte para a superconsciência. É preciso ter a certeza absoluta de
estar no mundo do modo autêntico no aqui e agora e não da maneira artificial,
representativa, condicionada ou hipnótica e fazendo as coisas na base do automático,
cumprindo papéis sociais, enquanto a imaginação ou o devaneio leva o indivíduo
a viajar no mundo das elucubrações e das fantasias. Não obstante as críticas,
são louváveis certas atitudes
consagradas pela sociedade. Contudo, é muito bom fazer sabendo o que, como,
porque, para que e para quem faz com a consciência autêntica plena ¾ a superconsciência.
* David Ricardo, um dos maiores economistas de todos os tempos tornou obsoleta a teoria econômica de Adam Smith. Com base nas idéias de Ricardo, o autor da presente fundamentou a vida produtiva no planeta Telus, um mundo que, sem querer ser mais quimérico ou utópico, sugere, à semelhança de Walden II (B. F. Skinner) e Utopia (Thomas Morus), uma vida continuamente feliz para todos os seus habitantes, na obra intitulada: “Namorados, uni-vos! Tendes o poder de mudar o mundo!”
* Posições existenciais sugeridas por Erich Berne, fundador da Análise Transacional. São essas quatro situações possíveis, na verdade patológicas, que o indivíduo pode experimentar como resultado de sua interação com o seu meio ambiente físico e social. De vez que a única posição saudável é a real concreta de tal sorte que o efeito, a conseqüência ou o resultado da interação seja igualmente bom para todos os envolvidos ao mesmo tempo em que seja bom também para o todo social. Os analistas transacionais atuais chamam essa quinta posição de OK/OK Real.