PREFÁCIO.

 

O momento histórico em que atravessamos exige uma parada. Uma parada para a reflexão no passo de encontrar respostas sinceras e autênticas das causas, dos motivos e das razões para as absurdas contradições que, ainda, assistimos no nosso dia-a-dia.

Ao lado dos maravilhosos avanços em todas as áreas de atendimento às necessidades sociais, pela capacidade intelectiva do homem, ainda vemos, estupefatos, notícias de violências e agressões pelos pais contra filhos indefesos, de matanças, de revoltas, de hábitos, costumes e crenças irracionais, de mortes incríveis, raptos de crianças para venda de seus órgãos para transplante, conflitos entre nações, fome no mundo, tráficos impróprios, subornos, pedofilia, prostituição infantil, venda da própria filha para essa finalidade, ou para a escravidão, assassinato de mulher em nome da honra, mutilação genital feminina, desvio do erário para os cofres particulares, catástrofes provocadas para fins de enriquecimento ilícito, reprodução permitida de materiais não saudáveis como cigarros, armas e afins, guerra civil, o desemprego exacerbadamente manipulado, terrorismos, golpe bilionário impune dentro da própria comunidade de nações, escândalos político-econômico-sexuais, abusos perversos e outros absurdos.

E isto sem falar do que não é noticiado tal como é a dominação despótica inescrupulosamente disfarçada de democracia e mantida por uma cautelosa deformação perversa sutil.

O que é que está havendo com a espécie humana?

Se olhar para o lado individual, tem-se observado que algum crédito ainda é concedido, mas ao que tem, e ainda, com juros abusivos e garantias de retorno. Ao que nem fiador possui, nem pensar. Familiarmente, se vê créditos ao que não tem, mas em valores minúsculos e humilhantes, e a sua concessão é nos moldes exteriores, esmola, ou é motivo de muita consideração por gostar, por paixão, amizade e amor ao beneficiado. Entretanto, há o ponto de desgaste e saturação quando não há a menor retribuição, ou sinais evidentes dessa potencialidade. E o basta, ou o chega para lá ocorre no limiar da tolerância e na ameaça à penúria, ou da evidente preterição. Daí, o que era amado é excluído do espaço íntimo, ou é olhado com indiferença e pena, quando não há pior compreensão.

Será que a concorrência e a competição no cotidiano, dentro de um sistema de capital que manipula o medo do desemprego, condiciona o indivíduo rumo ao apogeu da inescrupulosidade desaprendendo ou desgastando a relação mais saudável para desalojar o amor?

Está mesmo a realidade sujeita, inexoravelmente, a um vir-a-ser contínuo, sem chances para alguma inteligência intervir e dar uma oportunidade aos bilhões de subnutridos do planeta?

Certamente, deverá haver aquela explicação verdadeira com concordância unânime para o revezar-se de vida e morte, pobreza e riqueza, submissão e dominação e demais contradições absurdas e estúpidas.

E, do outro lado, deverá haver também a compreensão de como persistir para conduzir à reformulação ou ao renascimento da paz, do equilíbrio e das relações saudáveis entre todos os vivos dentro de um contexto de exuberância sem prejuízos para este, para aquele ou para a coletividade.

Nesse passo, urge dar atenção aos interesses comuns a todos, por meio de um pacto internacional global, para o seu imparcial controle ser implementado por um organismo permanente constituído de representantes aptos, incorruptíveis e probos de todas as nações.

E que se inclua nesse controle uma rigorosa proteção, incentivo, reforço, motivação e premiação à boa conduta do cidadão, seja este pessoa pública ou privada, principalmente, à conduta que resulte no interesse de todos. Nesse mister é bom que se adote o paradigma de buscar os acertos relevantes para premiar em vez de procurar e provar o erro da vítima do errado maior, para livrar este punindo e apenando aquela.

Longe de dar soluções, porque estas são pertinentes ao querer integrado da totalidade em processo de conscientização, mas, especialmente, para o rumo da tomada das consciências do potencial do triunfo sensato de cada indivíduo, coletividade ou qualquer grupo, e convicto da grande possibilidade da realização das soluções de todas as necessidades sociais, paulatinamente, é que resolvi entrar fundo na teoria dos seus quatro momentos biográficos e históricos.

Nesse diapasão, é a presente, um dos seus fundamentos facilitadores que pode iniciar a tomada de consciência integral universal ― uma superconsciência individual (realidade subjetiva)[1] e uma megaconsciência social (realidade objetiva) ― para o leitor que, aliando-se aos demais, tornarem-se todos, de fato e de direito, catalisadores positivos do amplo processo de desenvolvimento do ser humano rumo ao desfrute, de modo contínuo, do bem-viver geral já merecido e de direito natural desde os seus primórdios.

Saburo Okada.

 

 

 

O que é necessidade?

O que é consciência da necessidade do primeiro momento?

O que é consciência da necessidade do segundo momento?

O que é consciência da necessidade do terceiro momento?

O que é consciência da necessidade do quarto momento?

 

 

 

É preciso dar-se conta dos desequilíbrios orgânicos, físicos, psíquicos e ambientais que ameaçam a sobrevivência não só da unidade individual, social e do ecossistema que definem a necessidade geral. Mas, essencialmente, é preciso dar-se conta da capacidade intelectiva do ser humano de saber resolver definitivamente esse impasse ¾ mas não faz ¾, para que todos os vivos possam desfrutar o bem viver, a partir do aqui e agora para todo o sempre. Sobretudo, o impasse do absurdo e do ridículo das incoerências e da estupidez das próprias contradições internas: ¾ Por quê não faz?  ¾  Por quê o impedimento?

É preciso acordar da realidade automática, absorvente e particular que está em rede no emaranhado inconsciente social universal. Acordar-se para as novas realidades sucessivas no finito bem-estar que a vida oferece a todos, no tempestivo bem ser que cumpre a cada um construir, no contínuo acontecer dessa finitude que não poderá dar espaço ao mal-estar através do bem ter e, na ampla consciência de integrar a reflexão, o entendimento e a compreensão do que seja o triunfo sensato da totalidade humana e pô-lo na prática (bem fazer).

A necessidade é a mola propulsora de todas as transformações boas ou más na face do planeta e surge para o homem em seus quatro momentos biográficos e históricos fundamentais. Num primeiro momento, a necessidade é premente e iminente. Urge saciá-la para sobreviver. Num segundo momento, são as privações e as premências cujas saciações se prorrogaram, tempestivamente. Urge satisfazê-las, oportunamente, mas em tempo. Num terceiro momento, são as carências e aquelas necessidades já saciadas e satisfeitas que voltam a ocorrer de modo sucessivo e indefinido para serem solucionadas. Num quarto momento, essas três formas integram-se para equilibrá-las, resolvê-las ou supri-las, de vez, no passo de bom para as partes e bom para o todo, ocupando-se de viver em nível ótimo.

(Teoria das consciências dos quatro momentos da necessidade)

 

 

Saburo Okada

 

 

 

 

 

 

OS MOMENTOS NEGATIVOS.

 

Os momentos negativos e os positivos são contraditórios e também partes constituintes da unidade da transformação existencial, tal como ocorre entre o mal e o bem que compõem a unidade ética.

Os momentos positivos ou bons momentos direcionam-se ou referem-se à vida boa e feliz. Os momentos negativos ou os maus momentos estão voltados para o sentido da morte.

É natural, então, ter raiva e medo do que causa a morte e ter calma para viver com alegria e prazer.

Os sentidos da vida e da morte, por sua vez, implicam a liberdade, a sua plenitude, a sua restrição, cerceamento ou a sua ausência no passo do suprimento das necessidades gerais.

A ampla manifestação psíquica com o seu respectivo movimento, sem restrições ou bloqueios, é o fundamento da liberdade.

Para que a liberdade flua e ocorra não bastam apenas a vontade, o desejo, a intenção e o sonho ou só a idéia e o querer acontecer.

É preciso que haja a manifestação em conexão com o movimento respectivo nas reações, ações, atuações e interações, sem bloqueios. Isto requer energia, força, sabedoria, recursos, combustível, tempo, disposição e outros fatores de sustentação e prosseguimento.

É preciso repô-los, poupá-los, produzi-los e não desperdiçá-los.

Daí, a má administração do manifesto psíquico e do movimento respectivo é um dos fatores que restringem a liberdade para o sentido da vida plena, que, na iminência do impasse, pode reverter essa posição positiva para o sentido contrário. Ou seja, para o sentido da morte mais próxima. Nesse ponto está a base dos maus momentos, a qual se vencida ou superada, retoma-se a liberdade no sentido da vida plena e feliz.

Os maus momentos são, portanto, ocorrências a partir da situação de um certo primeiro momento invencível. Ocasião ou estado em que se pode dar o início do segundo momento negativo.

São percebidos no ato do prejuízo, da perda, do desastre, do acidente infeliz, doença, etc.

Os maus momentos podem ser naturais ou provocados.

Assim, os maus momentos ocorrem do modo incidental, acidental, determinada ou intencional e, querendo ou não, por ingenuidade, desconhecimento, distração, má-fé, perversidade, ofensa, provocação, dogma, negligência, imprudência, imperícia, omissão, ilusão, manipulação, desatenção, timidez, pavor, falsa convicção, ódio, vingança, mentira, inibição, irresponsabilidade, loucura, debilidade, falsidade, auto-engano, crença infundada, ignorância, cegueira, por excessos de medo e raiva, covardia, deliberação, burrice, excessivo arrojo, demasiada simploriedade, por falta de controle emocional, por impulso, pseudo-realidade, paixão doentia, estupidez, arrogância, obsessão, precipitação, erro, violações das atitudes e métodos científicos, etc.

O exercício da liberdade saudável é subsidiado pela disciplina que controla o zelo, a prudência e a aptidão ou habilidade integrados pela prestimosidade.

A boa disciplina, por sua vez, é subsidiada pela integração da ingenuidade e da espontaneidade com responsabilidades positivas.

Logo, na liberdade não saudável está ausente a boa disciplina dando margem à negligência, imprudência e imperícia, integradas pela omissão ampla, que são mantidas pela estupidez, vício, irresponsabilidade, inescrupulosidade, ignorância, perversidade, má vontade, inconseqüência, etc.

A omissão é desvio, intencional ou não, do sentido ou direção do movimento implicando a ausência de solidariedade em detrimento da boa relação social reforçando as injustiças sociais e distanciando a paz social plena. A pior omissão é o descuido da humanidade com mais de um bilhão de pessoas desassistidas que comem mal ou passam fome. A omissão, portanto, é o desrespeito à liberdade alheia, além de uma ofensa à integridade do indivíduo. A situação dos excluídos, por exemplo, é semelhante a de um pássaro com as suas asas cortadas.

Enquanto as suas asas não crescerem, para o vôo da liberdade, não poderá subsistir por si só, a contento.

Há também os maus e os bons momentos históricos.

Eles se referem às unidades sociais coesas, aos momentos de quaisquer grupos, nações, etc.

O descobrimento da América, por exemplo, foi um bom primeiro momento histórico para a humanidade. As matanças na segunda guerra mundial foram os maus primeiros momentos históricos para a humanidade.

Já se pode intuir que os bons ou os maus momentos estão relacionados, de modo direto, com as causas e os efeitos, os motivos e as conseqüências bem como as razões e os resultados do homem, seja indivíduo, grupo ou a totalidade nas suas interações com o meio ambiente, no sentido pleno de sua sobrevivência.

A sobrevivência com suplícios e matanças de elementos da própria espécie ou à custa exclusiva de seus sacrifícios, manipulada ou constrangedoramente, só justifica regressão para a irracionalidade e deformação psíquica.

Eis porquanto, querendo ou não, forçado ou não, tal procedimento viola o princípio natural do direito à vida e à liberdade saudável.

Esse modelo ou mau procedimento só produz e reproduz monstruosidades para a humanidade, além de perdas irreparáveis. É ir contra a natureza, contra a razão, juízo e ética, mutilando a essência do que distingue o homem dos animais, visto que reproduzem os negativismos para as partes e para o todo.

Se o sentido da vida natural é a busca do equilíbrio e do prazer fugindo das dores e da morte prematura, o sentido da boa ética é análogo ao da natureza, que é conservar os positivismos evitando e afastando os negativismos.

Daí, surgem quatro posições de sobrevivência que regem os negativismos e os positivismos nas interações sociais, por exemplo, entre duas partes em relação ao todo social.

 

1 ¾ uma parte ganha, perde a outra em benefício ou detrimento do todo.

2 ¾ uma parte perde, ganha a outra em benefício ou detrimento do todo.

3 ¾ uma parte perde, perde a outra em benefício ou detrimento do todo.

4 ¾ uma parte ganha, ganha a outra em benefício ou detrimento do todo.

 

O ganha, ou o perde podem não ser reais, diretamente.

Eis porque, pode-se estar encobrindo o seu oposto ou pensa-se ou acredita-se que ganhou quando no real, perdeu-se, e vice-versa.

Ouve-se falar muito de que quando alguém ganhou é porque um outro perdeu.

“Se alguém perdeu, alguém ganhou”. Enquanto estas posições persistirem, predominantemente, as paixões negativas, os maus momentos e os negativismos, certamente, também persistirão.

A única posição adequada, se positiva, real e concreta, é a que ganham todos, sem detrimentos a quantos, a que ou a quem quer que seja, em qualquer época posterior e de qualquer natureza. E, isto não é quimera sendo fácil concretizá-la.

Ganham as partes e o todo social também se beneficia.

Com exceção desta posição, as demais geram de algum modo negativismos de imediato ou depois de algum tempo.

 

 

NEGATIVIDADE.

 

A negatividade refere-se à qualidade e ao valor do que resulta de modo contrário ao esperado pelo sujeito que pratica a ação, e do que prejudica a si, ao sujeito passivo e à sociedade, em decorrência desse ato, no paradigma das respectivas posições de sobrevivência que regem os negativismos e os positivismos das relações sociais.

 

Muito embora, além da qualidade e do valor dos efeitos, conseqüências e resultados dos maus momentos, se considerem também a sua quantidade e freqüência no convívio social.

 

Exemplos.

 

A furta um objeto de B.

Ganha A, perde B, perde a sociedade.

A pensa que ganhou, momentaneamente, porque o furto deu certo. Obteve o esperado. Foi reforçado e por isso furtará de novo. B perdeu, pois, além de ficar desprovido do objeto, teve um colapso emocional, injustamente. O fato ocorreu ao contrário do esperado. Esse negativismo impróprio, provocará mais detrimentos a B. A sociedade perdeu, eis porquanto foi ferida em seus princípios, normas e valores sociais, e terá desgastes em razão da conduta delituosa de A.

 

B recupera o objeto de A com ajuda da polícia.

Ganha B, perde A, ganha a sociedade.

B ganhou o que dava como perdido. Experimenta uma alegria amarga e pode sair do negativismo impróprio. Contudo, num outro paradigma, nem ganhou, nem perdeu ou a sua diferença por menor que seja tende para alguma perda. A perdeu o que pensava ter ganhado, além de ficar privado da liberdade e piorar o seu negativismo. A sociedade ganhou de algum modo no saldo entre perdas e ganhos porque se cumprira aparentemente o dever e os seus desígnios em vigor.

 

 

A e B repartem o dinheiro roubado de C.

Ganha A, ganha B, perde a sociedade e perdeu C.

A e B pensam que ganharam repartindo, entre si, o dinheiro roubado.

Os negativismos emocionais do viver perigosamente, fingindo, escondendo, fugindo, gastando desenfreadamente e de se assustarem à toa, vão fazê-los repetir o delito. A situação de perda injusta de C é terrível. O seu impasse decorrente ou trauma emocional e psicológico vai ser causa de detrimentos imprevisíveis. A sociedade sofre perdas com uma situação dessas. Quando este evento prolifera é sinal de que se agrava a sua pior doença social. Quando ela atinge o povo só lhe resta a vida para ser tirada.

 

 

A e B são abatidos e não se recupera o roubado de C.

Perde A, perde B e perdem C e a sociedade.

É uma situação de perda para todos. De nada valeram as atividades de A e B. Nem nada poderia valer para ninguém e menos ainda para eles. Por que A furta de B? Ou por que ambos furtam de C? Por que existe a criminalidade? Por que a maioria fracassa enquanto uma minoria é bem sucedida, se todos nascem física, psíquica e potencialmente aptos para qualquer aprendizado?

 

São questões cujas respostas certas devem ser encontradas pelo próprio ser humano.

 

Se A trabalha, tem bom salário e compra um objeto de B.

Ganha A, ganha B e ganha a sociedade.

 

Esta é uma situação ótima para todos. Mas por que a maioria não tem bom salário se todos têm potencialidades para o trabalho e querem comprar o que necessitam para sobreviver, condignamente? Se o ser humano encontrar a melhor resposta certa para esta questão, então terá respondido corretamente as demais anteriores.

Um homem chamado David Ricardo sabia dessa resposta e como fazer para resolver a questão, mas a Humanidade ainda não lhe deu o valor merecido*.

Quando se trata de qualidade ou de valores positivos e negativos, ou de positividade e de negatividade, o resultado negativo para um lado pode ser positivo para o outro lado, e vice-versa.

 

A relação é saudável quando ocorre a positividade para todos os lados, para as partes e para o todo, simultaneamente.

 

Isto pode ocorrer nas relações de adesão ao costume, quando as normas ou as regras estabelecidas são cumpridas, ou quando não há controvérsias entre as partes.

 

 

As controvérsias resolvidas por acordo, reconciliação, conciliação, consenso e pacto, contrato ou perdão, são propícias para o prosseguimento saudável da relação, bem ao contrário das resolvidas judicialmente ou pelas vias de fato.

 

Daí, as posições individuais* de

 

 

·       

·   Você estar bem por força do outro estar mal.

·   Você estar mal por força do outro estar bem.

·   Você estar mal por força do outro estar mal.

·   Você estar bem por força do outro estar bem.

 

 

devem ser substituídas pela posição considerada adequada no paradigma que envolve todos,

 

de tal sorte que o resultado de sua ação seja bom para você, bom para o outro, na realidade; e, ao mesmo tempo em que seja também bom para o todo social. **

 

Assim, você poderá sair de uma atitude de auto-engano permutando a crença, a certeza infundada e o desejo cegante pela realidade objetiva, porquanto o excesso de otimismo ou de pessimismo camufla a realidade terminando em dissabores.

 

 

O otimismo de uma pessoa pode estar escondendo o seu pessimismo e vice-versa, ou ambos encobrindo a sua realidade objetiva levando-a à crença e à fé sem os alicerces que as sustentem; e, em conseqüência, o seu auto-engano poderá lhe causar sérios transtornos, ou decepções e malogros.

 

 

 

 

Veja no quadro seguinte o resumo dos movimentos na interação social no passo de sua sobrevivência:

 

 

 

 

 

 

MOMENTOS ® SITUAÇÕES ¯

PRIMEIRO

SEGUNDO

TERCEIRO

QUARTO

 

ESTADO PSICOLÓGICO SAUDÁVEL

INCONSCIENTE REFLEXO INOCENTE

SUBCONSCIENTE CONHECIMENTO RESPONSÁVEL

CONSCIENTE PENSAMENTO ESPONTÂNEO

CONSCIÊNCIAS COMPREENSÃO DISCIPLINADO

 

EXISTÊNCIA OBJETIVA

FENÔMENO IMINÊNCIA

F A T O

 PRIVAÇÃO

I D É I A CARÊNCIA

REALIDADE NECESSIDADE

 

TEMPORALIDADE

IMEDIATISMO

TEMPESTIVIDADE

SUCESSIVIDADE

ACONTECIMENTO

 

VELOCIDADE

RÁPIDA

GRADATIVA

DEVAGAR

EQUILIBRADA

 

FORÇA

ESTÁTICA

DINÂMICA

CINEMÁTICA

HARMÔNICA

 

GERADOR - 1° MOMENTO HISTÓRICO

AGRADÁVEL REFORÇO    HÁBITO

VALIOSO MOTIVAÇÃO    COSTUME

 Ú T I L  INTERESSE          USO

PRECIOSO DISPOSIÇÃO CONVIVÊNCIA

 

GERADOR - 2° MOMENTO HISTÓRICO

ATRAÇÃO

FÍSICA       PSÍQUICA

PAIXÃO CONDICIONAL INCONDICIONAL

AMIZADE

ÍNTIMA     RACIONAL

A M O R   

  NÃO-SABIDO  SABIDO

 

GERADOR - 3° MOMENTO HIST.

GOSTAR PREFERÊNCIA

PERMITIR-SE PERMISSÃO

CONVIR CONVENIÊNCIA

QUERER

 PODER

 

GERADOR - 4° MOMENTO HIST.

VIBRAR DESCOBERTA

ADMIRAR INOVAÇÃO

APRECIAR INVENÇÃO

CONTEMPLAR CRIATIVIDADE

 

ENERGIA

EMOÇÃO

SENTIMENTO

SENSO

J U Í Z O

 

                RELAÇÕES

 

SUBMISSÃO REBELDIA

ACORDO

PARTICIPAÇÃO COMPETIÇÃO CONCILIAÇÃO

DEPENDÊNCIA INDEPENDÊNCIA CONSENSO

AUTONOMIA INTERDEPENDÊNCIA     P A C T O

 

 

 

POSITIVIDADE

 

INGENUIDADE CUMPLICIDADE CONFIANÇA DÚVIDA QUESTIONAMENTO

RESPONSABILIDADE FIDELIDADE CREDIBILIDADE CRÍTICA 

 FIRMEZA

ESPONTANEIDADE LEALDADE        BOA-FÉ CONSIDERAÇÃO FACILITAÇÃO

DISCIPLINA INTIMIDADE SINCERIDADE ACEITAÇÃO CONJUGAÇÃO

 

 

 

NEGATIVIDADE

 

ESTUPIDEZ TRAIÇÃO DESCONFIANÇA SUSPEITA INTERROGATÓRIO

INCONSEQÜÊNCIA INFIDELIDADE CETICISMO PERSEGUIÇÃO INSEGURANÇA

PERVERSIDADE PRETERIÇÃO

MÁ-FÉ INTRANSIGÊNCIA COMPLICAÇÃO

MANIPULAÇÃO DISPERSÃO CONFLITO DESQUALIFICAÇÃO SEPARAÇÃO

 

OBJETIVIDADE

BEM-ESTAR

BEM-SER

BEM-TER

BEM-FAZER

 

 

Óbvio é que a movimentação humana, só é possível para os contemporâneos vivos em condições naturais básicas acrescidas de um sem número de outras condições do seu relacionamento com o meio ambiente físico e social. O quadro apresenta uma síntese desse sistema no qual se estrutura e se organiza o ser humano a partir do estado psicológico saudável, na sua existência objetiva.

 

Fundamenta-se nas suas necessidades gerais, no tempo, velocidade e realidade espacial, através dos seus geradores estáticos, dinâmicos, cinéticos e harmônicos de energia nas suas relações interativas, positivas ou negativas, em busca de uma sobrevivência condigna, condizente, coerente e justa.

 

 


P O S I T I V I D A D E

N E G A T I V I D A D E

 

1. nos primeiros momentos:

ingenuidade

estupidez

cumplicidade

traição

confiança

desconfiança

dúvida racional

suspeita

questionamento

interrogatório

 

2. nos segundos momentos:

responsabilidade

inconseqüência

fidelidade

infidelidade

credibilidade

ceticismo

crítica racional

perseguição

firmeza

insegurança

               

3. nos terceiros momentos:

espontaneidade

perversidade

lealdade

preterição

boa-fé

má-fé

consideração

intransigência

facilitação

complicação

 

4. nos quartos momentos:

disciplina

manipulação

intimidade

dispersão

sinceridade

conflito

aceitação

desqualificação

conjugação

separação

 

 

Quando se fala em negativismos como a estupidez, a desconfiança, a traição, o interrogatório, ceticismo, inconseqüência, infidelidade, perseguição, suspeita, insegurança, perversidade, preterição, intransigência, a complicação, má-fé, dispersão, conflito, desqualificação e separação, estamos falando das relações humanas que fogem de um modo ou de outro dos padrões e paradigmas tidos como corretos ou recomendáveis e que vão em direção de resultados não desejáveis como o mal-estar, mal-ser, mal-ter e mal-fazer, retardando o normal prosseguimento do processo de um contínuo acontecer feliz. O mais poderoso reprodutor dessas relações, em sua maioria patológicas, denomina-se manipulação de pessoas. Dentre essas patologias merece maior atenção as denominadas de manipulação perversa, inescrupulosa ou psicótica.

 

NEGATIVISMOS.

manipulação de pessoas.

Nas manipulações científicas faz-se os estudos das variáveis com a finalidade única de obter uma relação de causalidade autêntica. Experimentam-se, classificam-se, seriam-se, selecionam-se, excluem-se e controlam-se as variáveis. Usa-se e abusa-se das coisas, objetos e suas extensões relacionadas com a experiência conforme a vontade, desejo, intenção e sonho do cientista.

Pode-se, assim, dizer que o cientista é um manipulador das coisas do seu interesse científico.

Contudo, quando se tratar de pessoas, em vez de coisas, ou seja, de cobaias humanas, é preciso não só, destas e seus familiares, ter permissão, mas a aceitação geral para finalidades saudáveis e beneficentes, além da observação das leis de ética social vigentes, do respeito, probidade, cuidado, toda a perícia e precisão, sem abusos, detrimentos e omissões.

Ocorre que na manipulação de pessoas, propriamente dita, a finalidade única do manipulador é a de extrair vantagens à custa e à revelia das pessoas por ele manipuladas. Demais disso, o meio utilizado é camuflado, omitido, disfarçado, escondido e não transparente.

A pessoa manipulada é simplesmente enganada ou induzida a iludir-se em seu próprio detrimento.

Manipulação de pessoas é uma relação interpessoal patológica ou não ética mesmo que não resulte em detrimentos.

Caracteriza-se, na maior parte das vezes, por manobras sutis, burocráticas e tecnocráticas, ideológicas ou não; e, ainda, pelas operações técnicas ou tecnológicas premeditadas, mal-intencionadas e audaciosamente utilizadas para influir, ludibriar, controlar, dominar, deformar, proibir, seduzir, abusar, iludir, forçar, coagir, submeter, viciar, habituar, sensibilizar, explorar, enganar, escravizar, tomar posse, invadir, subornar, chantagear, seqüestrar, amedrontar, obscurantizar, usar, corromper, tocaiar, torturar e matar pessoas visadas ou grupos de pessoas, populações e nações, com a finalidade exclusiva de obter as vantagens particulares (egocêntricas), de preferência sem custo e de desfrute imediato, inconseqüentemente.

O manipulador de pessoas, então, é aquele que nega, regula, ameaça, dá, pede, exige ou faz chantagem, promessa, auxílio, agrado, provocação, intimidação, adulação, pagamento, incentivo, elogio, gentileza, abundância, prazer, liberdade, flores, presentes, esperança, produção, etc. para despertar, ou gerar no manipulando, expectativa, ansiedade, medo, raiva, sonho, culpa, ciúme, inveja, remorso, desejo, vontade, ódio, crença, estímulo, necessidade, ganância, suborno, obrigação, ambição, confusão, distração, curiosidade, privação, escassez, interesse, reforço, motivação, etc. para dele poder ganhar mais, ou para obter bens, dinheiro, vantagem, submissão, obediência, favores, informação, confiança, tempo, serviços, lucro, poder, influência, credibilidade, boa-fé, crédito, sexo, riqueza, boa vida, prazer, tudo isso, mais ou menos, gratuito ou a custo bem baixo.

Em outras palavras, o manipulador influi na vontade das pessoas para uso delas por meio dos seus favores, seus bens, seu dinheiro, seu tempo e seus serviços em troca de supostos benefícios, que terminam em proveito próprio, com perdas morais, sentimentais e materiais para os manipulados.

Para influir na vontade alheia implica conhecimento, experiência, interesse, técnica, provocação e convencimento com verdades e boa intenção, além de zelo, prudência, habilidade, disciplina e sinceridade. Ou, ainda, com disfarces, embustes, fingimentos com representações teatrais que consigam deformar a realidade dos fatos.

Entretanto, ninguém é obrigado a fazer o que não quer, senão por força convencional, de lei ou sob ameaça de morte.

Fora isso, fazer o que não quer, ou fez o que não queria, é patologia.

Há muitas coisas que precisam ser feitas logo ou tempestivamente por forças circunstanciais, ou dos momentos respectivos.

Fazê-las por acordo, conciliação, consenso ou por contrato tácito ou legal, visando benefícios ou compensações recíprocas reais, são as formas inteligentes de resolver controvérsias.

Todavia, não há nada inteligente no acordo manipulativo.

No acordo manipulativo, o manipulador leva toda a vantagem em prejuízo do manipulado enquanto este se mantém na ingenuidade, crença, boa-fé, ou ilusão.

Porém, as grandes manipulações ocorrem em situações eticamente proibidas.

As manipulações de pessoas classificam-se em ingênuas, responsáveis, intencionais e integrais.

Todas elas são prejudiciais para os manipulados, para a sociedade e para o próprio manipulador, ainda que este obtenha vantagens decorrentes. Eis porquanto, as relações ou interações sociais saudáveis são transparentes e regidas pelos fatores da positividade, beneficiando-se as partes e o todo social, ao mesmo tempo. Além disso, convidam-se os manipuladores a mudar o sentido de ocupar-se de morrer para ocupar-se de viver.

Nas manipulações ingênuas, quando descobertas, afora as situações legais, geralmente, o manipulador é perdoado, mesmo que o prejuízo causado por ele seja considerável.

Nas manipulações responsáveis, quando são flagradas ou descobertas, as controvérsias são levadas para reconciliações, conciliações e consensos, ou nova manipulação se introduz para um pacto que se não se cumpre se resolve em sentença judicial com reparações, ou execuções legais quando possíveis.

Nas manipulações intencionais dificilmente se recupera o prejuízo porque elas são ilegais, inconseqüentes, perversas, não éticas, prejudiciais e muitas dessas são criminosas e geralmente irreparáveis. Estas têm origem na má-fé do manipulador que aproveita da boa-fé, crença, auto-engano, irresistibilidade ou da ingenuidade do manipulado.

Nas manipulações integrais quando premeditadas são de causar grande desgraça e geralmente são efetuadas por grupos sociais envolvendo vários manipuladores especializados, desde os manipuladores mais ingênuos, os responsáveis e até aqueles intencionais mais astutos e profissionais.

Por isso, é importante prevenir-se contra as manipulações.

Para esse mister é preciso saber como elas são e se processam. Identificar e reconhecer os seus autores antes de cair em suas ciladas ou armações. Conhecer ou interpretar as suas características patológicas e as manobras do manipulador, a sua forma habitual de agir ou o seu modo de operar assim como as sensações, emoções, sentimentos e sensos causados no manipulando, além da aprendizagem contra-manipulativa.

 

MANIPULAÇÃO INGÊNUA.

 

A ingenuidade é regida pela vontade impulsiva.

Não usa o conhecimento prévio especializado, não prevê conseqüências, não usa o pensamento objetivo e por isso ocorre quase sempre nos primeiros momentos biográficos e históricos.

O ato voluntário impulsivo na manipulação ingênua é praticado para obter vantagem ou resultado imediato e os seus recursos apropriados são fatores de primeiros momentos como a resposta habitual, o vício, o reflexo, o reforço, o medo, a raiva, a alegria, a calma, o prazer, o enfrentamento, a fuga, a esquiva, a habituação, a sensibilização, o condicionamento, o impulso e o conhecimento automático, além de inúmeros outros.

O ato ingênuo é normal e natural podendo ser praticado por qualquer criança e pessoas de qualquer idade, em qualquer nível de sabedoria e experiência.

Por exemplo, um cientista ao perceber a invasão súbita de seu filho pequeno engatinhando bem perto do seu amontoado de ingredientes selecionados para a sua experiência em curso, num repentino lance de afastá-lo com o braço, desequilibrou-se esbarrando nos ingredientes. Ao tentar evitar que o bebê misturasse os ingredientes, ele mesmo o fez, sem querer.

Conta-se que uma dona de casa examinando a quantidade de piolhos numa pomba, resolveu matá-los com veneno caseiro. Ao cabo de algum tempo tinham morrido todos os piolhos. Alguns minutos depois, também a pomba. O veneno infiltrou-se pela pele da pomba atingindo a sua circulação sanguínea. Tentando salvar a pomba dos seus piolhos, matou-a, sem querer.

O ato voluntário mesmo sujeito a incidentes e conseqüências imprevistas, não intencional ou indesejado, habitualmente, funciona a contento quando é praticado. Todavia, a irresistibilidade do ato voluntário pode levar a conseqüências terríveis, eis porquanto, a ingenuidade tem mais energia para a situação direta do primeiro momento, afastando a percepção das variáveis aparentemente inócuas, mas de efeitos indiretos ou retardados maléficos.

O manipulador ingênuo não aprendeu a pedir diretamente. No decorrer de seu crescimento e aprendizagem, os seus pedidos diretos não funcionavam bem para atender as suas vontades e necessidades.

As alternativas e os recursos ao seu alcance pertenciam ao acervo inadequado para o atendimento imediato. Estes, com algumas variações, sempre funcionaram para o manipulador e aperfeiçoadas à medida de suas falhas.

Os insucessos e as negações aos seus pedidos, mesmo os de maneira bem insistente, eram acompanhados de indícios desaprovadores bem estampados nas expressões faciais dos que podiam muito bem atendê-los.

Em conseqüência, a raiva, o desapontamento, o mal-estar e a insatisfação tinham de ser camuflados. Os seus disfarces, ou fingimentos, então, resolviam o impasse, mas na forma apenas de alívio efêmero. Isto ocorria,  principalmente, nos seus maus primeiros momentos biográficos.

O manipulador ingênuo tem medo da desaprovação e da crítica; e, por isso, logo vai tomando posse do que precisa. Se alguém o vê e reclama, ele encena uma desculpa e disfarça dizendo que não sabia disso, daquilo e daqueloutro. Quando sabe que não é esse o caminho, diz que estava distraído ou muito atarefado esquecendo-se de avisar. Quando perguntado se viu tal objeto, ele se esquiva ou nega e mente tão bem que dá certeza de que fala a verdade.

A manipulação ingênua tem predominante presença entre familiares, conhecidos, colegas e amigos.

Não há sinceridade na manipulação ingênua tendo muito mais indícios de cinismo que acaba prejudicando o manipulador ingênuo no seu intuito. Pois, de pouco em pouco, por redução ao absurdo, o manipulado se dá conta do seu manipulador e o coloca no rol do descrédito.

Sobretudo, a partir daí, o manipulador ingênuo, mesmo que reconstitua ou fale a verdade, é totalmente desacreditado, desqualificado, ou suspeito.

O manipulador ingênuo inventa histórias para desculpar-se ou para conseguir o que quer. É o seu terceiro momento negativo. Mas, logo volta, outra vez, para o primeiro negativo.

Daí, ele faz mais manhas, ou choramingando manipula a afetividade influindo de novo na vontade do manipulado para ser atendido ou obter o que quer, sem ter que lhe pedir diretamente. Quando chamado a explicar-se, simula, finge ou mente para se ver, depressa, livre do interrogatório, das severas críticas e admoestações, ou da surra.

Quando a admoestação é bastante forte, ou apanha, ou cumpre um castigo, considera-se já quitado para mais uma nova manipulação.

Ele tem muito medo ou raiva de expor as suas reais necessidades. É especialista em chantagem emocional e perito em jogar indiretas ou verde para colher maduro.

Manipula bem o medo, a curiosidade, a expectativa, o remorso, a ansiedade e a culpa. Habituado a isso, exige que adivinhem as suas pretensões com atendimento imediato. O manipulador ingênuo manipula pessoas como meio de resolver as suas vontades no aqui-e-agora.

É normalmente inocente visto que sempre deixa um rabicó ou uma pista para ser desmascarado, sem ter noção disso, porquanto é a sua forma inconsciente de reagir como revide às desqualificações sofridas, ou pressente sofrer de novo, causadas pela pessoa que considera.

Entretanto, na situação de desacreditado, de rejeitado, de repelido, desconsiderado, ou desqualificado, ele parte para outros ambientes podendo com grande facilidade tornar-se um iniciante na manipulação responsável, dadas as circunstâncias que o forçaram a prorrogar a sua especialidade manipulativa, para um segundo momento biográfico.

 

MANIPULAÇÃO RESPONSÁVEL.

A responsabilidade é uma atitude, ação ou conduta social que implica em responder pelas más conseqüências, ou em obrigar-se de reparar o mal que se causou aos outros. Por esse motivo, ocorre nos segundos momentos biográficos e históricos.

O manipulador responsável trabalha e luta de maneira disfarçada para conseguir poder ou algum poder. Gosta muito de ficar numa boa, mandando e manipulando pessoas para ganhos imediatos. Especialista na arte de representar, logo alcança uma posição de poder. E torna-se muito bom no comando autoritário porque teve ótimos modelos nesse sentido, em sua fase de desenvolvimento primário ¾ infância e adolescência ¾ em cujas interações saiu-se mais ou menos bem. Geralmente tem alguma relação de poder sobre o manipulado.

O manipulador responsável usa com mestria a ironia em lugar do fingimento do ingênuo e do cinismo do intencional, embora seja na verdade um grande simulador, ator e cínico.

Assim, a autoridade possibilita a manipulação responsável dos pais sobre os filhos. De igual modo as relações de poder que há entre provedor e provido, do patrão e empregado, professor e aluno, estado e povo, financiador e financiado, investidor e investido e diferentes outros pares semelhantes reproduzem as diversas manipulações responsáveis.

A organização gera variadas posições de poder que facilitam a manipulação de pessoas e reproduzem a tendência manipulativa sobre os submissos. Quando o manipulador ocupa uma posição de poder, a sua responsabilidade, geralmente, não passa do acontecimento, eis porque, por ser um disfarce, não persiste na fase de reparação.

Daí, ele procura por todos os meios livrar-se do poder judiciário, porquanto cedo ou tarde acabará envolvido.

Não conseguindo, usa todos os artifícios e recursos para não ser condenado. Se condenado, manipula seguidas vezes para protelar o pagamento devido, ou para um acordo vantajoso para gastar o menos possível na reparação, mas em decorrência do bem já penhorado.

O manipulador responsável também não sabe pedir.

Quando consegue disfarçar, o seu pedido sempre é uma ordem camuflada que deve ser cumprida, queira ou não. Na dura resistência, o manipulador responsável finge proteção e entra de salvador. Ou, faz ameaças e intimida.

O ameaçado é levado a crer que é o único culpado pelo que lhe possa acontecer se persistir na desobediência.

Na habituação dessa submissão, o manipulado transfere ao seu controlador, todo controle e a responsabilidade das más conseqüências no cumprimento do mandato. Conformando-se com a sua triste sina, o manipulado irá carregar desvantagens irrecuperáveis.

O submisso manipulado, assim, entrega-se à exploração alheia e sem nada ter recebido, previamente, renuncia-se da própria vontade em favor da vontade do seu manipulador. Atrai para si, então, sentimento de pesar, dó, pena, comiseração e assemelhados quando a carga do mandato começa-lhe a ficar pesado demais.

 

O manipulador responsável, ainda, está acostumado a obter satisfações com interminável seqüência de interrogatórios em virtude de não acreditar em sua própria sombra. Insatisfeito ainda com as respostas corretas obtidas, manda ministrar um corretivo ou retorna às ameaças. O conformado, por questão de sobrevivência, cria defensivos por meio de disfarces levando a alhear-se cada vez mais ou distanciar-se até de si próprio, aderindo à lei do silêncio.

 

Ou, na ilusão de protegido, em querer agradar ou adular, costumeiramente, torna-o um desastrado emitindo mensagem do tipo: ¾ só estava querendo ajudar” ou “chute-me que eu mereço”. Lamentável é esta relação patológica.

 

 

Tempestivamente, não tardando muito, o manipulador responsável tende a sofrer as conseqüências de sua própria conduta manipuladora.

Necessitará de guarda-costas porque a opção para o mal e para o viver perigosamente aliada ao seu medo de morrer e à sua valentia covarde já é questão de sobrevivência imediata.

Não terá condições de confiar em sua própria sombra como já dito. Assim estabelecerá o seu reduto no terceiro momento negativo, escondido, desenvolvendo a manipulação intencional.

           

MANIPULAÇÃO INTENCIONAL.

O manipulador intencional é o que causa maior prejuízo à sociedade, individualmente.

Encontra-se em todas as camadas sociais. Os precoces iniciam-se em torno dos dez anos de idade.

São amadores e depois profissionais. Inicialmente, usam as pessoas para desfrutar as vantagens afetivas, pessoais, pequenos serviços e prazeres gratuitos.

Alcançando a profissionalização ganham muito dinheiro manipulando milhares de pessoas ao mesmo tempo.

Os menos ou pouco espertos e os menos astutos sãos os estelionatários manipulados por outros manipuladores bem mais espertos e mais astutos.

A característica predominante do manipulador intencional é a intenção de usar e explorar as pessoas para proveito próprio. É muito egoísta, fingido, cínico, frio, calculista e sem escrúpulos. Geralmente, é covarde e os grandes não se expõem.

Quando em estado de má-fé é um assassino traiçoeiro, em potencial. Encontra-se também como hábil mandante em crime organizado. Passa a maior parte do seu tempo agindo e “bolando” esquemas para passar o próximo para trás.

 

Quando tem o poder e a astúcia, o manipulador intencional consegue o que quer, mas temporariamente.

 

Quando a manipulação intencional é organizada, todos os seus componentes vivem de maneira perigosa, com leis próprias e ética particular.

Não têm sossego nem paz intrapsíquica e interpessoal, nem o descanso mais prolongado, porque não podem descuidar-se e nem confiar.

Na realidade, todos os três tipos de manipuladores não sabem o que fazem.

Não têm a consciência integrativa de que são até mais capazes de sobreviver do modo ético e com o real mérito.

Contudo, infelizmente, adaptaram-se e consolidaram-se nos seus momentos biográficos e históricos negativos. São imediatistas por preferência e não resistem à oportunidade de manipular pessoas.

Premido pela irresistibilidade e na crença cega do sucesso, o manipulador intencional desliga automaticamente quaisquer censuras internas, as quais são muito pequenas e frágeis.

Quase todo o seu acervo de conhecimentos e habilidades relaciona-se com a sua atividade principal manipulativa.

No entanto, possui uma responsabilidade íntima limitada à cumplicidade autêntica dos seus comparsas para prosseguimento dos seus negócios lucrativos.

 

O MANIPULADOR INTEGRAL.

 

O manipulador integral é todo aquele que associa a manipulação ingênua, a responsável e a intencional.

 

Também se sente impotente em pedir de modo direto.

Costuma usar intermediários apropriados, ou terceiros manipulados.

É um hábil perseguidor, artista e representa como ator de primeira linha qualquer caráter da personalidade. Daí, pode ser dócil, bravo, pacato e compreensivo, simulando a mansidão, a proteção, a prosperidade, a gentileza, o poder, a seriedade, a responsabilidade, a riqueza, a confiança, a credibilidade, a influência, e a abastança. E também sabe usar bem os disfarces de vítima, ignorante, simplório e pobre coitado.

Geralmente um grande manipulador integral se encontra dirigindo enormes empresas e conglomerados, quer nacionais,  quer multinacionais, não dando nenhuma importância à tradição empresarial.

Por isso, de repente, da aparente solidez em suas mãos administrativas desaparece do cenário comercial na base duma fraudulenta falência.

 

O resultado da manipulação quando não é trágico ou péssimo para os envolvidos, causa mal-estar nas pessoas usadas.

 

Quando se dá conta de que foi usada, a vítima vivencia ou experimenta a ira, a decepção, a perplexidade, a indignação, a frustração, a mágoa, a inconformação, a revolta, a traição e alimenta o sentimento de vingança.

Depois disso, na lembrança, a vítima pode se encontrar ou se sentir totalmente humilhada, usada, abusada, rejeitada, confusa, desprezível e enojada de si mesma e o pior de tudo é o sentir-se uma mercadoria barata, gratuita e prostituída.

 

A recuperação do trauma é difícil.

 

CONTRA-MANIPULAÇÃO.

 

 

Como evitar a manipulação?

Como detectá-la em tempo?

Como tomar consciência da própria ação manipuladora e a dos outros?

Quando se envolve na manipulação como lidar com ela e sair-se bem?

 

 

 

 

A habilidade e a capacidade para evitar, detectar e tomar consciência de qualquer manipulação requer treinamentos e vários cuidados.

 

 

 

Vejamos, então, as suas características de ação, táticas e estratégias, a seguir, referentes às respostas das questões acima.

 

 

1. Distinção do pedido.

Há várias formas e tipos de pedidos.

O pedido direto, por indiretas, intermediado, de favor, a todos os presentes mas especificamente a um ou a alguns, condicional, sem causa, sem explicações, sem motivo, sem razão, besta, de cobrança, de apelo, de ordem, de imploração, de socorro, por petições, expresso, verbal, não verbal, por carta, por proposta, por requerimento, de conhecidos antigos ou recentes, de desconhecidos, etc.

Aprecia-se qualquer forma ou tipo de pedido até entendê-lo em toda a sua extensão e tomar consciência integrativa do por quê do pedido ¾ justo para você e por quê não a outro?

Verifica-se a causa de pedir. Para quê o pedido, para quem realmente interessa, de que se trata, como e por que foi procurado, se para atendimento imediato, tempestivo ou sucessivo e quem mais vai ajudar. Por quê tem que ser como ele quer e não como você sabe e pode fazer. Lembrar também se o pedido é reiterado ou reforçador.

Mas, não é para adivinhar nada disso.

É preciso questionar, perguntar, confrontar e sugerir soluções para se saber a verdadeira intenção do pedido. Sugira instrumentos necessários, ou caminhos a seguir, ou pessoas mais capazes para a solução do pedido.

 

Você tem certeza da sinceridade do pedido?

Você tem certeza da veracidade da causa do pedido?

Você acompanha alguém sem saber, realmente, para onde está sendo levado?

 

Então, diga sim se é sim e não se é não.

 

Se você se sentir mal em dizer não se é não mesmo, e responder outra coisa como sim, talvez ou vou pensar, então, quem está com problemas é você. Mesmo para um grande amigo. Se isso acontecer, não vai estar havendo sinceridade consigo mesmo e nem com quem lhe estiver pedindo.

 

 

 

 

Não há transparência, nem autenticidade. A individualidade e a auto-estima estão reduzidas.

 

No caso, denota a ausência do uso correto do pensamento objetivo. Para um grande amigo, um não autêntico deve significar uma posição de necessidade que deve ser respeitada. E motivo suficiente para inverter a posição, se a suposta amizade é realmente autêntica. O amigo, se for amigo autêntico, vai se colocar à disposição para ajudá-lo. Não poderá tirar o cisco no olho do amigo, quem está com uma trave no seu.

 

Mas, só se atende o pedido sincero direto, feito pessoalmente, com a causa de pedir, comprovada, coerente com a finalidade. Ainda assim, atende-se, querendo, com disposição autêntica e espontânea, sabendo fazer bem o que se pede.

 

A maioria dos pedidos é manipulativa. Principalmente, os de favor apresentam forte potencial nesse sentido. Seus motivos verdadeiros são camuflados, escondidos ou omitidos. E em seus lugares são apresentados outros que podem resolver de modo muito melhor.

Uma leve checagem provocará esclarecimentos valiosos.

Tipo, ¾ você pode repetir?, “¾ além disso, não há outro motivo que você não quer me contar?”.

Mas, evite desmascarar os seus disfarces com seguidos interrogatórios.

Apenas, previna-se. Mas, se a resposta à sua pergunta for outra pergunta, certamente há indício de manipulação. Se for ¾ Não vai fazer não?” diga simplesmente: ¾ Não.”

Normalmente, as pessoas escolhem os caminhos mais fáceis, disponíveis e de mínimo esforço para resolverem os seus problemas negligenciados. Acabam usando e abusando do mais próximo. Somos aquele “qualquer um serve” menos ele que pede e está até em melhor condição.

 

Os manipuladores gostam de escolher pessoas determinadas para o seu uso e abuso. Para eles, na consciência-do-inconsciente, os manipulados são sempre os seus “trouxas”.

 

Na classe das propostas estão os pedidos condicionais.

Para tirar as impurezas das intenções, as condições da proposta inicial devem ser modificadas. Assim, evita-se as manipulações de tal modo que a conciliação conduza ao fechamento que resulte numa situação boa para as partes e boa para o todo.

Em toda negociação é preciso observar a menor sensação de mal-estar.

Na manipulação em curso, qualquer incoerência causa um incômodo, ou uma pequena sensação desagradável. É o sorriso forçado, é o olhar, é um argumento absurdo, um exagero qualquer, é uma objeção, ou é uma gentileza disfarçada.

O manipulador fala, dá motivos e propõe.

Você presta atenção na sensação de mal-estar por menor que seja.

Seja pela expressão facial incoerente com a fala, impotência na voz, dedo na boca, desvio de olhar para baixo ou para cima, franzir de testa, gaguejo, hora imprópria, argumentos incoerentes e oferecimento de vantagens irresistíveis; ou, seja pelas respostas vagas e gerais, resposta sem a sua correspondente pergunta, informações dadas sem serem pedidas, omissão ou desqualificação de suas perguntas e os bloqueios de perguntas com outras perguntas além das freqüentes e exageradas insistências.

Principalmente, se as suas perguntas forem respondidas por perguntas dos tipos — “Você acha que estou mentindo?”“Você não confia em mim?”

Se você sentir um pequeníssimo mal-estar decorrente do pedido, pode crer que a manipulação está presente. Se você atender o pedido, assim mesmo, há algo em sua saúde física, psíquica, familiar ou financeira em desequilíbrio.

Tome muito cuidado com as informações plantadas assim como gritos, alarmes avisos, ou alertas gratuitos e as excessivas atenções, principalmente, as que lhe causam mal-estar de imediato.

Gastrite, úlcera, desarranjos intestinais, dor de cabeça, cólicas, furúnculos, dor de barriga, inquietações, irritações, ansiedades e angústias são comuns quando se faz com certa freqüência algo que não quer fazer ou que não está gostando do que está fazendo.

 

 

2. O ponto fraco.

O manipulador procura o ponto fraco ou vulnerável do manipulando.

 

 

O ponto fraco das pessoas está nas suas diversas necessidades. Quando não são supridas a contento, elas se acumulam em formas de sinais de prioridades que aumentam as fantasias, os desejos, as intenções, os desígnios e os sonhos. As origens dessas necessidades variam de pessoa para pessoa.

 

 

Veja no quadro a seguir uma situação desses sinais nos seus momentos respectivos que podem significar um ponto fraco.

 

PRIMEIRO MOMENTO

SEGUNDO MOMENTO

TERCEIRO MOMENTO

QUARTO MOMENTO

CAUSA-EFEITO

MOTIVO-CONSEQÜÊNCIA

RAZÃO-RESULTADO

ORIGEM-FINALIDADE

ESTÍMULO-REFORÇO

PRIVAÇÃO-MOTIVAÇÃO

CARÊNCIA-INTERESSE

NECESSIDADE CONSUMAÇÃO

VIAGEM EXTERIOR

DÍVIDAS A VENCER

FALTA DE AFETO

RIQUEZA

SUCESSO À VISTA

OBRIGAÇÕES VENCIDAS

SALÁRIO BAIXO

ESTABILIDADE

FOME E SEDE

RESPONSABILIDADE

TRABALHO RUIM

LAZER

DINHEIRO FÁCIL

DESEMPREGO

INSEGURANÇA

SEGURANÇA

PROMOÇÃO À VISTA

ABSTENÇÃO SEXUAL

FALTA DINHEIRO

PRAZERES

FANTASIAS

PROMESSAS

ESPERANÇAS

SONHOS

GRATUIDADE

SEM CONHECIMENTO

FALTA TUDO

VIDA BOA

AMEAÇAS

PASSEIO

ROTINA

PODER

Observa-se que há necessidades variadas, estímulos diversos e sensações respectivas, além das premências, privações e carências onde o manipulador pode se apoiar no propósito de influir na vontade alheia para conseguir as suas vantagens espúrias. Há, portanto, além dessas, muitas coisas para prometer resolvê-las, dar sinal de realizar a promessa, dar esperança de resolver a necessidade, fazer acreditar em obter o que se deseja, dar a expectativa respectiva, sem contudo, a apresentação do mínimo devido, ou seja, a contraprestação final do manipulador ao manipulado, pelo cumprido.

 

Manipula-se, então, o medo, a culpa, o estímulo, a obediência, a confusão, a curiosidade, o tempo, a ilusão, a ambição, o desejo, o sonho, o entusiasmo, a privação, a obrigação, a carência, o suborno, a coragem, a vergonha, a vontade, a intenção, o reforço, o prazer, a motivação, o interesse, a expectativa, a esperança, a liberdade, a promessa, os valores, a ignorância, a distração, etc.

 

 

 

 

3. Consciência Manipulativa.

 

Somente as atividades do pensamento, do conhecimento e as consciências podem neutralizar o processo da manipulação.

 

É preciso uma pausa para pensar. Um tempo de reflexão.

O manipulador responde sem ser perguntado, ou provoca uma pergunta para responder o que planejou. Isto já é um bom indício para identificá-lo. O manipulador faz sempre perguntas indiretas para que alguma pessoa responda. Esta poderá ser uma de suas vítimas em potencial que poderá atrair outras, sem saber.

A manipulação da curiosidade inicia-se quando se desconhece o por quê da resposta e o por quê da pergunta.

Ninguém gosta de expor, em público, a sua ignorância em certo assunto. Mas a curiosidade leva a pessoa fisgada a procurar o manipulador para saber algo mais. Por “coincidência”, ele sempre está por perto e deixa a vítima achá-lo. Aí, é que ele entra em ação. É agradável, solícito, afetivo e protetor. Só que tudo isso não é autêntico. São representações treinadas em casa diante do espelho e possivelmente freqüentou aulas, vez ou outra, nas escolas de arte dramática, ou habituou-se pela prática costumeira.

Já se disse que um simples mal-estar pequeno provocado por resposta, pergunta, pedido, interferência, intrusão ou assemelhado de alguém é sinal certo de estarmos diante de um manipulador em potencial. Quer seja ele do tipo autoritário quer seja dócil ou sutil. Observe-se que referido mal-estar vai do simples pudor, dum leve incômodo, ou do mais minúsculo desconforto e rubor para uma explosão de raiva, de irritação, ou de ódio.

Todos eles são gentis na abordagem e desculpam-se, tão logo, para fazer dissipar qualquer mal-estar, reforçando a presença do manipulando visado.

De outro lado, se já está fazendo algo por alguém, ou para alguém, ignorando os reais porquês, para quê e para onde, com certeza, já se envolveu em alguma operação manipulatória.

 

O mal-estar maior chegará no dar-se conta da enganação, com a decepção.

 

 

 

O grito de chamada, o berro, desvio de atenção, o susto para desconcentrar, a atração e a distração são os recursos usados com freqüência na manipulação.

 

Constantemente, as pessoas estão sendo manipuladas por colegas, amigos, parentes, conhecidos, pessoas íntimas, cônjuge, familiares, pela mídia, pelos poderes privados e estatais, por estranhos e nas transações comerciais.

 

Não é fácil dar-se conta de tudo isso. Mas, é preciso, repita-se, captar nas consciências, rapidamente, o mínimo incômodo ou mal-estar diante das pessoas nas relações interpessoais. Aquele mal-estarzinho que perdoamos e esquecemos logo, dizendo para si mesmo: ¾ Ah! Não é nada. Você acha? Não, não pode ser. Estou enganado, não vou me perdoar por isso. Depois do golpe o manipulado diz para si: ¾ pô, bem que eu tinha desconfiado! Não dá para acreditar, como fui entrar nessa?

 

O pior mal-estar é aquele quando a gente descobre que foi passado para trás. A gente acreditou, fez tudo que ele pediu, esperou, esperou que nem bobo e cadê o cara. Sumiu com tudo.

 

Mas, o que fazer depois de captado aquele mal-estarzinho? ¾ Simples. Diga, apenas: ¾ não estou bem, preciso pensar. Não insista que me deixa pior.

O grande inimigo do manipulador é o tempo que se pede para pensar. Pensar requer tempo e ele precisa agir rápido. É um trabalho a mais ter que ficar no pé, insistindo.

Quando o manipulando pede um tempo, quem passa a ter aquela dorzinha é o manipulador.

Para se livrar dessa dorzinha ele se retira para arquitetar novo plano e não deixa o manipulando em paz. Às vezes, ele acaba vencendo pelo cansaço.

Se você pedir um tempo e ele negar ou disser: “é pegar ou largar”, largue. Se disser, “então, não quero mais”, diga está bem.

A desconcentração é a técnica utilizada pela trombadinha. Uma trombada ou um empurrão desconcentra a pessoa visada pela trombadinha. Fica-lhe fácil pegar a bolsa e sair correndo.

Os ventríloquos, os mágicos e os estelionatários utilizam a distração, a atração e a ilusão manipulativa.

 

 

Nos casos de espetáculos públicos, a habilidade do artista, os instrumentos, recursos e arranjos de efeitos especiais não constituem manipulação perversa eis porque há um acordo prévio implícito. Há um acordo fechado para uma diversão remunerada.

 

Nos casos de estelionatos, da trombadinha, de roubos e seqüestros geram emoções de medo e raiva intensificadas que vão se prolongar por certo tempo, transformando-se, logo, em sentimentos fortíssimos de pavor, ódio, inconformação, angústia, fúria, depressão, perplexidade e vingança, com resíduos traumáticos.

Os traumas psicológicos decorrentes perturbam e trazem as desagradáveis sensações como inquietude, agitação, insônia, fissura, gastura e sustos súbitos, além de tremedeiras. Qualquer estímulo associado ao trauma que se apresente, detona essas sensações, além de emoções ou sentimentos negativos correlatos. Normalmente, são os princípios morais e valores culturais vitais do indivíduo, feridos e não cicatrizados, é que subsidiam tais traumas, tornando-as mais difíceis de se normalizarem.

É preciso evitar a habituação e a sensibilização resultante.

A estimulação constante ou repetida desses traumas é desgastante, pois enfraquecem o mecanismo natural de defesa bem como o funcionamento adequado do organismo retirando ou desviando as energias biológicas, sem mais motivos.

A força do hábito e o excesso de confiança e crença em certos princípios morais e valores culturais obscurecem a boa percepção. Impedem que outros valores e princípios tão bons e funcionais quanto àqueles venham normalizar os desequilíbrios provocados em dado momento do percurso de vida.

¾ Se já não bastassem os estragos no espaço íntimo, ainda, tem-se que sofrer as suas repercussões, até quando?

 

4. Confiabilidade e Credibilidade Emotivas.

Confiar, duvidar, criticar e crer com base nas emoções e sentimentos cria-se situações que tendem a generalizações ou a preconceitos indevidos.

 

Logo, a presunção e o convencimento resultantes disso são imprecisos.

 

 

 

Eis pois, tanto os preconceitos quanto as generalizações, sem bases objetivas, não conduzem às verdades finais, ou universais, mas apenas podem prestar como sinais, indícios, dúvidas e críticas racionais no lado da positividade.

No lado oposto, coloca em xeque o caráter de isenção e objetividade daquele que acusa e toma atitudes e decisões persecutórias só com base em suposições.

É preciso, nessa circunstância, verificar por que se age assim e qual o interesse escondido, porquanto, pode haver uma manipulação intencional em curso.

Mesmo a presunção e o convencimento com base nas atitudes e nos métodos científicos correm os riscos da imprecisão.

Entretanto, é preciso aprender a conhecer, reconhecer e a identificar as iscas das manipulações e não se deixar envolver, ou mordê-las. A sabedoria popular já as previne, com precisão, desde há muito tempo:

“Laranja madura na beira da estrada, ou está bichada ou tem marimbondo no pé”.

“Quando a esmola é muita, o santo desconfia”.

A precisão dá a certeza.

 

Temos dado a entender que a confiabilidade, diferente da crença e convicção, é o acolhimento para experimentos, dúvidas, questionamentos e avaliações no passo de se adotar uma posição. E a credibilidade é justamente essa posição adotada na direção do ter por certo, da segurança e de poder contar com isso. Nesse sentido, a confiança e a crença fortalecem a boa-fé, as quais se sustentam pela sinceridade.

 

 

Mas é preciso encará-los, objetivamente, sem interferência tendenciosa.

 

Necessita-se de elementos reais concretos, dados diretos, informações da fonte, fidedignas, sem intermediários, com condições objetivas e a sinceridade para um entendimento pleno. Em síntese, tem-se de efetivar movimentos na vivência humana com a consciência integrativa com auxílios dos métodos e atitudes racionais.

O manipulador detesta esse procedimento de suas possíveis vítimas. Teme os seus questionamentos, procura não lhes dar tempo para pensar. Desaparece quando percebe que a sua próxima vítima está bem assessorada. O manipulador odeia a entrada de testemunhas na sua operação manipulativa. Na realidade, o que ele tem pavor é de ser desmascarado ou pego antes de botar a mão na sua vantagem.

No entanto, antes de se bater em retirada, ele poderá, como última cartada, soltar expressões do tipo a seguir.

 

¾ Você não vai ter outra chance. É pegar ou largar.

¾ Você está duvidando de mim?

¾ Não preciso mais de você.

¾ Você vai ver o que lhe acontecerá depois.

¾ Agora, eu é que não quero mais.

¾ Você não precisa mais ir lá, ouviu? Está demorando muito.

¾ Depois, não vai falar que eu não te avisei, ouviu?

Nestas expressões nota-se claramente a ameaça, a chantagem emocional e as manipulações de medo e de culpa.

O ponto vulnerável do manipulador é o seu medo da verdade. A sua intenção e o seu interesse reais são omitidos e mantidos ocultos do manipulando.

Basta dizer-lhe, em tom de brincadeira ou com sinceridade:

 

¾ Parece que você veio até aqui para brigar comigo. É isso?

¾ Noto que você está com medo de alguma coisa. Estou certo?

¾ Vejo que você está muito impaciente. O que é?

¾ Algo me diz que hoje não é o meu dia. Pode me deixar só?

¾ Preciso suspender tudo, posso?

¾ Não entendi nada do que você falou. Dá para ser mais claro?

¾ Hoje estou meio “borocoxô”. Dá para repetir isso outro dia?

¾ Você pode repetir tudo, que eu não entendi nada?

¾ Você está bravo comigo?

¾ Do modo como você ameaça, como posso ajudá-lo?

¾ Isso é uma ameaça?

¾ Tenho compromissos, agora. Por que você não ligou antes?

¾ Preciso pensar onde agendá-lo. Pode me dar um tempo?

¾ Você precisa mas estou pior do que você. Pode me ajudar?

¾ O que vamos fazer com a sua preocupação e a minha?

¾ Não é por aí. Você não está avançando o sinal?

¾ Foi Deus que trouxe você aqui. Pode me ajudar?

¾ Você se incomoda de falar exatamente o que quer de mim?

¾ Noto que tem um segredo, mas não quer contar. Estou certo?

¾ Você me procurou para me ajudar, adivinhei?

¾ No fundo, no fundo, você quer me ajudar, não é mesmo?

 

 

 

 

Quando se é alvo de freqüentes manipulações, aquele pequeno mal-estar nem é mais notado. Nesse caso, diz-se que se habituou aos dissabores das manipulações.

 

Entretanto, se a cada alvo desses, o mal-estarzinho aumenta, não demora muito, de repente, pode-se explodir em cima do próximo manipulador.

Na sensibilização, como este processo é chamado, a pessoa do manipulador é cada vez mais desprezível do que o menor incômodo ou mal-estar decorrente de qualquer manipulação.

Na habituação e na sensibilização, se um determinado barulho incomoda no início de suas repetidas vezes, o incômodo generaliza-se para qualquer outro barulho.

Na habituação, qualquer barulho menor que o habituado não é notado. Na sensibilização, um barulhinho já incomoda muito.

Acreditamos que tanto a habituação quanto a sensibilização existem mais em função da possibilidade de adaptação ao meio ambiente adverso enquanto fator de sobrevivência.

Na sensibilização, rejeita-se certo meio adverso por avaliação automática comparativa que reforça uma opção anterior melhor. Ou, por ter percebido outra compensação vivencial melhor, verificada no ato.

Na habituação, o meio adverso ao qual o indivíduo foi levado a se instalar, sem outra opção, força-o a assimilá-lo, ajeitando e desviando dos maiores incômodos.

Entretanto, a sua acomodação só ocorrerá, gradualmente, pelos frutos que compensam a sua sobrevivência ali, ou de algo por ele percebido, nesse sentido.

Mas, tendo encontrado situação bem melhor do que a que se encontra, mesmo acomodado ou enraizado, o processo da habituação pára para iniciar a reversão, que é  o de sensibilização.

Este processo de sensibilização poderá prosseguir até o limite de tolerância. Quando, então, ocorrerá a mudança total. Na maioria dos casos, a mudança total é imediata.

 

Naquele exemplo, o barulho que nem mais se notava, passa a ser sentido. E cada vez que surge, incomoda mais. Daí, a habituação e a sensibilização como fatores de sobrevivência, sem outra opção, são válidas enquanto não se perde nelas. O perder-se nelas é como que prorrogar a vivência dentro da adversidade. O ruim é quando se acostuma a essa situação sem se dar conta. E o fim disso assemelha-se ao ocupar-se de morrer. Em não havendo consciências e acúmulo de energias para uma reação oportuna, o viver de modo automático é altamente prejudicial em todos os sentidos, em razão do hábito, costume e acomodação.

 

 

 

No processo manipulativo, então, antes de entrar na situação de habituação e sensibilização é preciso conhecer, reconhecer, identificar e saber lidar com as pessoas manipuladoras confiáveis e acreditáveis.

 

Basta reforçar comportamentos não manipulativos observados. Habituá-los a conduzirem-se, em relação a você, de modo transparente, na base da verdade, da sinceridade, da objetividade e concretitude. Fazer-lhes entender que só assim poderão obter melhor atenção, consideração e credibilidade, ou alguma vantagem saudável para as partes. Evitar a desqualificação do chamado. Não custa dar um pouco de atenção. Se já se irrita diante de um chamado, a sensibilização está presente. As partes entram no mau humor.

Se o objetivo da contra-manipulação é fazer compreender que o melhor é o pedido direto, a menor desqualificação do chamado retarda esse processo. Quando o pedido justo é atendido, o bem-estar é recíproco.

 

5. O Conhecimento na Ação Manipulativa.

 

Referem-se à aplicação do saber, conhecimento e experiência, ou os recursos dos segundos momentos positivos contra as interações manipulativas.

 

 

 

Quais são esses recursos?

Como obtê-los?

Como identificar uma ação manipuladora?

 

Há uma variedade de relações interpessoais, tipos de pedidos e de pessoas diferentes que mantêm contatos uns com os outros, assiduamente ou não. É preciso, pois, conhecê-la.

 

 

5.1. Relações interpessoais (sociais).

A relações interpessoais podem ser sexuais, íntimas, afetivas, amistosas, familiares, solidárias, participativas, competitivas, profissionais, comerciais, sociais, de colaboração, indiferentes, responsáveis, protetoras, esportivas, de lazer, de passeio, de viagem, de união em presença do amor, etc. e as suas contrárias.

 

 

Essas relações podem ser curtas, rápidas, tempestivas, sucessivas, demoradas ou definitivas. Podem mudar com freqüência umas para outras, ou para as suas contrárias retornando para as predominantes.

 

O importante é aprender a classificar, seriar e selecionar tais relações para uma estruturação de tempo duradoura com pessoas de alta positividade, confiança, credibilidade, polivalência e sinceridade.

É preciso estreitar as relações selecionadas alimentando-as por meio do reforço, motivação, interesse e disposição. Urge tomar consciências das relações interpessoais que são a sua extensão mais próxima.

 

Na sua hora boa todo o mundo sabe ser bom com você, mas na sua hora ruim é que, realmente, conhecem-se pessoas que merecem a sua melhor consideração. É preciso reconhecer aquele que quer tirar algo de você de graça, nem pensando em restituir, repor, retornar, ou recompensá-lo, posteriormente.

 

Essa experiência dá o conhecimento relativo na seleção de pessoas que podem formar a sua extensão mais próxima.

 

5.2. Tipos de pedidos.

Vejamos os principais.

A imploração ou a súplica, ou seja, o pedido com lágrimas e humildade não é fácil negá-lo, se autêntico. Tendo condições, atenda-o e bem.

Os pedidos condicionais são as propostas.

 

Usualmente, a primeira proposta deve ser recusada; mas, se justa, deve ser negociada para atender as possibilidades do cumprimento real com a máxima segurança.

 

Novamente, o conhecimento antimanipulativo deve ser levado em conta.

Conhecendo-se a origem boa, fidedigna e a finalidade certa da proposta, as suas condições de concretização e o seu bem objeto, evita-se cair numa manipulação.

 

As cartas de intenções tornam as propostas mais confiáveis e permitem um consenso transparente no passo de um fechamento bom para as partes e bom para o todo, ao mesmo tempo.

 

As propostas absurdas e as irresistíveis têm gosto forte de manipulação. Tem-se quase tudo a perder e quase nada a ganhar.

Os pedidos insistentes, impertinentes, os ousados e os indiretos perturbam e são potencialmente manipuladores. Se se ceder e entrar nessa, muito provavelmente o pedinte quando satisfeito desaparecerá deixando o manipulado sem graça, órfão e só.

 

Há pessoas que não conseguem dizer um não forte e decisivo, reforçando a insistência do pedinte e a própria patologia.

 

Um sim não cumprido no prazo combinado pode causar mal-estar para as partes. É o sim que muda para o não, ou já tinha o não camuflado.

À medida de cada sim não cumprido pode dar causa ou início ao processo da sensibilização manipulativa.

Dizendo sim pensando em agradar ou livrando-se da situação do momento, acaba desagradando depois, quando se dão contas de que aquele sim era não mesmo.

 

O pedido de favor, já comentado, às vezes, vem carregado de ordem. Quando isso ocorre é a manipulação responsável em ação.

 

Outras vezes, vem escamoteado como obrigação ou como cobrança de uma dívida de favores. Não tendo combinado de que um favor se paga com outro, nada impede de negá-lo. Pois, o favor se liga, na verdade, em fazer algo para alguém, por querer, independentemente de crédito ou débito de favores.

 

 

Naturalmente, se faz por filantropia, por merecimento ou pela afetividade.

 

 

Por isso, o favor deve ser tomado como incondicional e gratuito.

 

Quem faz um favor na certeza de receber um outro está com a intenção manipulativa. Na hora de cobrar, se receber um não, poderá sentir-se mal passando por um sentimento de vingança ou desforra.

 

É necessário querer fazer o favor, tempestivamente; e, ainda, muito bem feito.

 

Há os que aceitam fazer um certo favor, só para agradar, mas, ou não fazem direito, esquecem, ou desculpam-se.

Se não se sente prazer em fazer um favor, por quê fazê-lo? Ou por que aceitar fazê-lo, se já sabe que não vai cumpri-lo?

 

5.3. Diferentes pessoas pedem.

 

 

Recomenda-se distinguir as que pedem, da maneira indelicada, desqualificando as pessoas. Avalia-se a pessoa que pede. Se já está invadindo o seu espaço íntimo sem o seu consentimento, não pode merecer a sua atenção, sem a devida correção no ato. Com exceção da clara demonstração de necessidade ou de evidente situação de premência.

Antes do pedido principal existe o pedido de atenção.

 

 

Deve-se ficar prevenido contra quem pede para favorecer a terceiros. A pessoa íntima fará embaixada com o seu chapéu, se não for direto para o bolso próprio tudo, parte dele ou para, em proveito próprio, negociar algo.

O correto é sugerir atendimento diretamente ao terceiro ou à entidade interessada.

 

 

Deferir pedido por mediação não é adequado. Vai dar abertura para futuras manipulações indiretas.

 

 

Trata-se de sutileza contra a sutil manipulação da ingenuidade e da confiança, de modo indireto, com uso e abuso de diferentes pessoas das suas relações.

 

No contexto das relações interpessoais, dos tipos de pedidos e das diferentes pessoas que pedem no passo da manipulação, incluem-se os seguintes fatores:

 

 

 

·   vontades, desejos e intenções

·   valores dos pedidos

·   causas, motivos, razões

·   fundamentos verdadeiros dos pedidos

·   objeto e condição de realização

·   avaliação do pedido e interesse

 

Se já não é fácil classificar, seriar e selecionar esses variados elementos numa estrutura prática, fazer uso no ato da manipulação é muito mais difícil, ainda.

Mas, pelas vivências, superação de prejuízos, perdas de tempos, incômodos, contratempos, dissabores é que efetuamos a classificação, seriação, seleção e coleção de conhecimentos, considerando os seis fatores acima, para anularmos as ações dos manipuladores.

Através das transações bem sucedidas, notícias, leituras, bom nível de escolaridade e por relações saudáveis que proporcionam compensações e vantagens para as partes e para o todo, ao mesmo tempo, é que se obtém o conhecimento comparativo para reforçar as defesas contra os manipuladores.

As empresas comerciais de real sucesso não manipulam e mantêm cadastros atualizados sobre os variados elementos de toda a sua clientela traduzindo confiança, crédito, boa-fé e sinceridade nas relações de negócios.

 

Nas empresas não manipuladoras toda a sua clientela ativa e em potencial está estruturada em classes, séries e seleções para manutenção de uma interação saudável e continuada.

 

De modo análogo, pode-se elaborar um cadastro ou dossiê com um histórico de vida de cada um dos elementos das nossas relações recentes.

 

Nesse histórico informar-se-á o perfil, dados pessoais, nome dos familiares, eventos ou fatos comuns ou momentos compartilhados, dados importantes como vontades, necessidades, atividades, diversas preferências no esporte, pratos, lazer, música, leituras, autores, datas importantes, nome, endereço, telefone, e-mail e perfil dos amigos, parentes, pontos vulneráveis, invulneráveis, sonhos, desejos, etc. Tudo isso é uma forma de montar uma memória auxiliar quando se tem um grande rol de relações, não só de negócios, mas sociais, também.

 

 

·     Vontades, desejos e intenções na manipulação.

 

A vontade irresistível de ganho fácil e premente bem como o desejo ainda não satisfeito mantém o manipulador na sua intenção de provocar situações favoráveis ao seu propósito usando pessoas.

 

Do outro lado, a vontade irresistível e premente de aproveitar uma ocasião tão oportuna para satisfazer um desejo veementemente aguardado, o manipulando não se dá conta da terrível manipulação a que está sendo envolvido.

 

Assim, ele acaba concentrando imediatamente a sua intenção, com forte desejo e vontade de atender as condições sugeridas pelo manipulador.

O egoísmo do manipulador conduz a sua intenção para a má-fé concentrando todos os seus recursos psíquicos para o lado não ético.

Nessas circunstâncias o manipulador pode reforçar o seu lado psicótico não se importando em mais nada a não ser no prazer de maquinar perversidades cada vez mais requintadas.

 

A vontade pode ser controlada desde que, enquanto criança, tenha tido um aprendizado nesse sentido. Certo desejo é uma vontade prorrogada que pode ser tempestivamente satisfeita.

 

Logo, a presença do conhecimento aliado à consciência de uma possível manipulação da vontade e desejo em curso, pede-se um tempo para si mesmo para avaliar, analisar e impugnar a situação com o concurso do pensamento objetivo.

 

·     Valores dos pedidos.

 

Quase todos os pedidos só têm valor para quem pede.

Há pedidos com boas causas, bons motivos e boas razões.

Entretanto, os pedidos condicionais são os que mais valem por tender satisfazer as partes.

Saber pedir é a grande virtude porque, na verdade, toda relação interpessoal saudável começa com um pedido preliminar cortês ou para receber, para dar ou para compartilhar.

Pede-se atenção para o pedido principal. Pede-se para marcar encontro para dar presentes. Pede-se para vir receber ou compartilhar a alegria da festa, etc.

Verificar a sinceridade da causa de pedir e a potência do pedido para apreciar o seu valor é fundamental para evitar início de manipulações.

É preciso dar valor ao pedido sincero direto, transparente com a causa de pedir coerente, e com a compreensão do direito de recusa.

 

 

·     Causas, motivos, razões dos pedidos.

 

Observe-se que quando se trata de boas causas, os pedidos tendem para os seus efeitos imediatos. É preciso ter bons motivos para se pedir e para corresponder aos pedidos.

 

 

Bons motivos tendem para boas conseqüências. Mas, são necessárias razões reais e suficientes na escolha de quem de maneira melhor poderá atender ao pedido para obter resultados satisfatórios.

Os manipuladores procuram convencer que são melhores nesta parte. Contudo, a aparência engana e outra vez a mentira, a representação e a simulação criam apenas ilusões em prejuízo do manipulado.

 

·     Fundamentos verdadeiros dos pedidos.

Na manipulação os verdadeiros fundamentos dos pedidos são omitidos. Em seu lugar estão lindos motivos enfeitados inexistentes.

É preciso dar-se conta dos dois lados dos fundamentos dos pedidos. O do lado de quem pede e o do lado de quem vai atender o pedido. Do lado deste é verificar por quê logo ele foi o escolhido?

 

·      Objeto e condição de realização do pedido.

O objetivo do pedido não sendo o de usar, aproveitar, passar para trás e tirar vantagens de alguém sem corresponder, está bem.

Mas, para realizar o que se pede, é preciso estabelecer ordem de prioridades e estar habilitado para fazê-lo, além de estar com o tempo estruturado.

Mudar tal ordem só para encaixar o atendimento ao pedido é manipular a si mesmo, perder respeito próprio e diminuir a auto-estima. Salvo motivo extremamente relevante. É preciso de condições suficientes para atender bem um pedido sem se prejudicar.

Vale aqui repetir o dito evangélico ¾ “Como tirar o cisco no olho de alguém com uma trave no seu?”

Conforme a complexidade na execução do pedido, o concurso da capacidade, da ótima disposição física e psíquica, sustentação e recursos materiais e financeiros oferecidos são condições indispensáveis para aceitar a realizar o pedido.

A certeza do prazo de realização, do quando, onde, como e quem vai subsidiar os custos, deve ser levada em conta, também.

 

·      Avaliação do pedido e interesse.

Perguntas devem ser respondidas com critério e precisão.

¾ Quanto vai custar em termos de compensação?

¾ Está levando em conta o tempo, despesas e recursos?

¾ Quem vai financiar?

¾ A relação custo-benefício está sendo observada?

¾ Para quem, quanto e quais são as recompensas?

¾ Há indícios de manipulação, excesso de vantagem, para quem?

¾ Para quem mais interessa o atendimento ao pedido?

¾ Não há outra maneira de extinguir a necessidade que gerou o pedido?

¾ Vai vestir um santo desvestindo outro?

Não se deve pressupor as respostas das perguntas acima, porquanto se vai arriscar a engolir sapos. Há situações em que o cidadão atendendo a um pedido, fez-se de motorista particular para o amigo e ficou no meio trânsito sozinho com o seu carro batido. Porquanto, o amigo não podendo perder o seu avião, pegou ali mesmo um táxi rumo ao aeroporto.

 

·      O contato e o encontro saudáveis.

Há o contato direto e o indireto.

O contato direto é quando há a possibilidade de tocar fisicamente de maneira imediata.

O indireto pode ser por mediação, bip, por representantes ou procuradores, por telefone, cartas, fax, internet, etc.

Normalmente, utilizam-se os indiretos como preliminares do contato direto.

No contato direto, há a possibilidade de reunir diferentes pessoas, de modo simultâneo, sem haver o encontro saudável propriamente dito (potencial do contato físico-psíquico).

A seleção de contatos para encontros saudáveis deve ser cuidadosamente examinada. Recomenda-se o contato direto, olho no olho, em ambiente adequado e conhecido para apreciar a sinceridade do pedido.

Não há responsabilidade ou comprometimento em contatos indiretos ou mediatos. Assim, são preferencialmente utilizados pelos manipuladores. Diante disso, os contatos indiretos e mediatos devem ser confirmados ou checados em confronto direto com o interessado, antes de quaisquer tomadas de decisões.

É o contato direto que possibilita o encontro saudável embora haja o risco do desencontro emotivo (ausência de autenticidade do contato físico-psíquico).

Nos contatos diretos as pessoas insinceras evitam o olhar de frente quando falam ou respondem. Não há o encontro autêntico. Não há a comunhão de interesses. Há omissão de alguma coisa. Não há aquela correspondência biunívoca das mesmas vontades, desejos e intenções. O que pode haver, desse modo, nesses contatos diretos é o desencontro emotivo.

Às perguntas cujas respostas deveriam ser imediatas, diretas e claras, sem hesitações, os manipuladores não as respondem assim. Procuram ganhar tempo, como que estivessem pensando, ou tentam balbuciar a pergunta feita como que não tivesse entendido. Logo, dizem, como é mesmo a pergunta?

Repetida a pergunta, o manipulador levanta o peito e diz: ¾ Ah! sim! Não tinha entendido. Finge pensar um pouco e logo nega ou concorda, parcialmente, gagueja e usa evasiva. Racionaliza e não há objetividade, nem transparência no que expõe ou argumenta. Não tem potência na voz. Nota-se incoerência na expressão facial com as expressões verbais. Os gestos e as palavras não fluem de modo livre e espontâneo. Não há o sorriso natural. E os risos são ou de forca ou não tem a potência do entusiasmo autêntico. Os risos de forca são aqueles de si mesmos, ou seja, rir da própria desgraça.

Confundimo-lo com o tímido. Este tipo de manipulador, está em início de carreira. Vai sucumbir ou tender para a criminalidade.

O encontro saudável tem a potencialidade das partes poderem se tocar física e psiquicamente. A vontade, o desejo e a intenção reais das partes podem estar sendo reciprocamente correspondidos. Há transparência e sinceridade mútua na conversa.

As idéias e propostas são acolhidas com respeito e consideração e apreciadas de maneira real e autêntica.

No encontro manipulativo o que há é apenas a crença de que tudo está correndo bem. Mas, no real, ocorre o desencontro emotivo recíproco entre os seus verdadeiros interesses. Pode estar interagindo duas manipulações diferentes ao mesmo tempo, cada qual omitindo as verdades próprias um do outro.

O contato direto é rápido ao passo que o encontro saudável se caracteriza pela comunhão das vontades, desejos e intenções das partes, pelo mútuo conhecimento, pontualidade em local conhecido, protegido e marcado, previamente, de comum acordo, com objetivos estabelecidos, ou implícitos.

Não se marcam encontros em lugar deserto, portas de igrejas, catracas de metrô, na rua, restaurante e assemelhados ou em lugares desconhecidos.

Quando são três ou mais pessoas, marca-se o encontro direto no local interno certo, conhecido de todos, com horário e condições previamente estabelecidos.

Se se tratar de duas pessoas, um deles, de comum acordo, deve buscar o outro em casa, onde esteja, ou em local adequado onde haja possibilidade de contato.

Nos encontros saudáveis não há desencontros emotivos.

No chamado desencontro emotivo, limita-se às aproximações e contatos por crenças das partes à respeito um do outro que não correspondem à autêntica realidade intencional de cada um.

As partes são levadas a crer que são comuns a vontade, o desejo, a intenção e o objetivo de ambos, dispensando a conferência, ou sem coragem para confrontar e averiguar.

Enquanto persistem nessa crença, sem a menor dúvida, as emoções e os sentimentos são saudáveis para as partes. Mas quando percebem que as intenções e os interesses não conferem, as emoções e sentimentos mudam-se tendendo para os seus contrários para um lado, e de modo indiferente ou menos intensos para o outro.

Para pôr fim a esta parte, temos que o conhecimento integral relativo é importante não só para evitar os desencontros emotivos, mas, principalmente, a presença da manipulação na vida de cada um para deixar de fazer o que realmente não precisa.

Assim, com conhecimentos e consciências fazer o que deve ser feito, com a pessoa certa, em lugar adequado e consumir o que se precisa de fato, na hora certa.

 

6. O Pensamento na manipulação.

Os fatores, instrumentos e recursos do pensamento contra a manipulação são, basicamente, a consciência intelectiva, os raciocínios, as sensações psíquicas, o consciente, a atenção, a ciência, a técnica, a ferramenta e os ingredientes selecionados para a tomada de decisão certa.

Para que o pensamento funcione bem, precisa estar subsidiado pelos dados essenciais precisos para a conclusão lógica eficaz.

Sem o interesse que subsidia o querer e sem a consciência intelectiva, não há o pensamento propriamente dito.

Para intuir, raciocinar e processar informações e as condições usando das demais faculdades do pensamento, além do melhor de cada um de seus tipos ¾ mítico, subjetivo, objetivo ¾ e do material respectivo é preciso querer e estar com boa disposição psíquica e física.

Quando se fala em pensar ¾ é bom que se repita ¾ implicam muitos fatores além da intuição, idéia, observação, inferência, pesquisa, estudo, consulta, análise, síntese, concentração, abdução, indução, dedução, conclusão, classificação, seriação, seleção, associação, comparação, experimento, simulação, controle, confronto, medição, correlação, invenção e busca da verdade. Em cada “se isto, então aquilo” e “ou isto, ou aquilo” é preciso conferir com a realidade objetiva ¾ a verdade dos fatos.

Essa conferência é efetuada após ter classificado e escolhido, seriado e determinado, selecionado e decidido as melhores opções, impugnações e saídas nas variações de ataques, defesas e contra-ataques.

Tudo isso leva tempo e assusta o manipulador. O manipulador quando age, já vem com o pensamento pronto e não deixa ninguém pensar.

Quando as emoções e os sentimentos estão atuantes não há condições para pensar em nada. Por isso é preciso recuperar a calma. Em seguida, ser tolerante e paciente, em querendo pensar. Assim já se começa a prestar atenção, concentrar, observar, questionar e, daí, segue-se para os diversos raciocínios para uma conclusão acertada.

O manipulador age inescrupulosamente toda vez que vai manipular. Não passa pela sua cabeça o prejuízo que possa causar no outro. Não importa que este seja parente ou amigo. Também não pensa que cada sucesso manipulativo é um reforço de sua patologia, cuja conseqüência é terrível, a longo prazo.

O manipulador inveterado vive perigosamente e tem maior probabilidade de vida mais curta. Não só pelo próprio organismo em desequilíbrios freqüentes em razão dos adrenérgicos em excesso, nas suas operações manipulativas, como por descuidos em suas manobras que aumentam o número de seus inimigos.

Podemos assim dizer que o manipulador é um suicida crônico, em potencial.

O excesso de hormônios adrenérgicos na sua corrente sangüínea em todo o processo manipulativo vai exigir um trabalho excedente do coração que baterá mais acelerado, além do aparelho digestivo, circulatório e respiratório, dos componentes celulares, musculares e viscerais, tecidos e dos demais órgãos que vão operar a todo vapor. Exige-se, por isso, muita reposição de material energético e nutritivo.

Podendo, dessa forma, causar com maior facilidade, desgastes nos órgãos mais utilizados, ou nos menos protegidos, ao longo dos anos, vindo a enfraquecê-los, irreversivelmente.

O manipulador perverso raciocina muito bem porque, não tendo valores morais e culturais, ou desqualificando-os, não se sentirá perturbado em função disso.

Quando tem que se dar no pé, os seus hormônios adrenérgicos entram em ação. Momento em que não pensará mais até que a poeira se assente, para amainar a sua tensão emocional.

O profissional da manipulação intencional é grande artista. Sabe representar tão bem quanto ator de primeira linha, mas com desígnios opostos.

Lida com a sua vítima como se esta fosse uma bela laranja madura.

Descascando-a com carinho para não feri-la, chupa-a. E tendo-a murcha, acerta-lhe um petardo e vibra como tivesse marcado um golaço.

Quando esses manipuladores se organizam em corporação, formam uma verdadeira nação parasitária paralela.

Estruturam-se com leis próprias, código de ética, hierarquia, julgamentos, exército, disciplina, tarefas e diligências. Têm população exclusiva e selecionada, além de órgão representativo e diplomático.

Com certa freqüência excluem componentes que se tornam indesejáveis na corporação e arregimentam outros em seus lugares.

ESQUEMA DA MANIPULAÇÃO.

 

O MANIPULADOR NEGA, DÁ, REGULA, FAZ

PARA GERAR, DESPERTAR NO OUTRO

PARA RECEBER, OBTER, GANHAR

ameaça, provocação, chantagem, bronca, auxílio, intimidação, crítica, esperança, promessa, liberdade, incentivo, pagamento, produção, prazer, agrado, abundância, valores, presente, gentileza, flores, elogio, mimos, etc.

medo, raiva, vício, curiosidade, culpa, obrigação, inveja, desejo, ciúme, ódio, ansiedade, remorso, distração, confusão, estímulo, privação, escassez, suborno, ambição, sonhos, ilusão, ganância, vontade, interesse, crença, intriga, etc.

submissão, obediência, favores, informação, dinheiro, tempo, bens, serviços, vantagem, lucros, poder, influência, confiança, credibilidade, boa-fé, crédito, sexo, afeto riqueza, boa vida, benefício, etc.

 

No esquema acima, na primeira coluna tem-se o que o manipulador dá, nega, regula ou faz ao manipulando. Na segunda coluna tem-se o que o manipulador consegue gerar ou despertar no manipulando. Na terceira coluna, tem-se o que o manipulador obtém ou ganha graças ao concurso do manipulado.

 

Exemplos:

Ele faz ameaça para gerar medo para obter obediência.

Ele faz chantagem para gerar medo para obter dinheiro.

bronca para gerar remorso para ganhar mais submissão.

Regula abundância para gerar escassez para obter preço alto.

Nega liberdade para gerar privação para obter informação.

auxílio para gerar obrigação para receber vantagem.

Na extorsão, o manipulador faz chantagem por ameaça de delação gerando medo do prejuízo maior ou do escândalo. Mediante violências ou graves ameaças, constrangimentos e abusos, o manipulador consegue vantagem ilícita.

Na chantagem emocional, o manipulador ameaça, intimida ou chantageia o manipulando causando-lhe medo, culpa ou remorso. Não querendo se sentir culpado ou ter remorso por recusar e por temer a ameaça de más conseqüências, a vítima acaba atendendo à vontade do manipulador.

Na manipulação comercial, despertam-se a vontade, o desejo, a obrigação, o estímulo, a ambição, o sonho, ou a ilusão, negando-se bens duráveis, ou oferecendo preços convidativos, para a obtenção de vantagens e lucros. Produtos definitivos não dão lucros. Bens duráveis não dão consumo constante. Regulam-se bens de consumo gerando ilusões. Regulam-se as produções para aumento de preço com fins lucrativos.

O monopólio obtém lucros manipulando a escassez dos bens de consumo compulsórios.

Regula-se a circulação da moeda para evitar o “caos”. Taxam-se produtos estrangeiros para proteger os produtores nacionais em detrimento do consumidor, que paga mais caro por qualidade inferior e recebe produto obsoleto.

Na manipulação subliminar, desperta-se a vontade ou o desejo através de mensagens diretamente ao inconsciente.

As mensagens subliminares passam desapercebidas pelas consciências.

Provoca-se distração neutralizando o alerta, a prontidão e a atenção. Conduz-se ou induz-se o manipulando para a escolha pré-sugerida atraindo-o para o consumo direcionado ou criando-lhe artificialmente uma necessidade imediata.

Na manipulação consumista, os consumidores são induzidos a consumirem o que na realidade não precisam.

As necessidades artificiais são incorporadas nos seus hábitos. Por preços atraentes e subsidiados os consumidores são levados a se habituarem a consumir determinados produtos que por adaptação passam a necessitá-los. Quando isso ocorre os seus preços são elevados, gradativamente. Regulam a distribuição do produto para manipular preços.

Ainda, manipula-se a vaidade, o “status”, a ingenuidade, o amor-próprio, o afeto, a ânsia de prestígio e outras fraquezas humanas. Aperfeiçoam-se as técnicas manipulativas para condicionar a população ao hábito do consumo de bens sem a sua premência ou precisão.

Assim, a cor, a forma, o tamanho, a embalagem, o nome, o cheiro, o número, a mensagem, o fundo, a figura, a expressão, o termo, a palavra, a voz, a música, o “jingle”, o letreiro, o ritmo, o som, o gosto, o peso, o conteúdo, tudo é pesquisado para causar sensações gostosas, emoções de alegria e prazer, bons sentimentos e sensos, no sentido de manter o consumo cada vez mais intenso.

           

SONDAGENS E ISCAS MANIPULATIVAS.

Há frases comuns habitualmente usadas nas manipulações. São frases de sondagens ou lançamento de iscas manipulativas. As frases são jogadas em suas formas afirmativas, interrogativas e negativas sem esclarecimentos do motivo, de seus fundamentos ou de seus objetivos.

Nas sondagens manipulativas o manipulador procura encaixar uma pergunta numa brecha de distração ou silêncio do manipulando, de surpresa. Mesmo este dizendo não ou sim à sua pergunta ele aguarda uma manifestação de curiosidade do manipulando para responder-lhe o motivo da pergunta.

Prefere, entretanto, que o manipulando adivinhe o que quer e lhe ofereça ou resolva o seu problema.

Nas iscas manipulativas além do “joga verde, colhe maduro” das sondagens, o manipulador tenta fisgar o ponto vulnerável do manipulando.

Atente-se, portanto, às frases seguintes. São ditas com certa entonação de voz, mostrando insatisfação, braveza, aborrecimento, com olhar vazio ou com sorriso treinado.

Também são ditas mansamente e com boa expressão facial podendo-se notar, entretanto, alguma incoerência nos gestos e postura.

Muitas vezes, são ditas com segurança. Contudo, nos terceiros momentos, na hora de explicar, são titubeantes porque esgotam argumentos. Em qualquer dos casos, por mais sinceras aparentem, mostram indícios evidentes de operação manipulatória.

Ao mais leve sinal de mal-estar, de curiosidade, de interesse repentino, de perturbação, rubor, ou pudor, é necessário conferir e refletir com calma e paciência. Entretanto, se houver aborrecimento, indignação ou fúria por sentir-se passado para trás, só resta fazer do limão uma boa caipirinha, porque a sua saúde e alegria valem mais.

¾ Você vai a algum lugar, hoje, à noite?

¾ Por acaso você vai passar no metrô?

¾ Eu só estava querendo te ajudar.

¾ Eu passo aí e te pego às 18,00 h.

¾ Ah! A gente combina na hora!

¾ Não vou querer nada de você.

¾ Não estou interessado nesse assunto.

¾ Quero que você ganhe muito dinheiro. Se você topar eu te garanto.

¾ Eu já te avisei que não era bem assim.

¾ Está bem. Não quero mais.

¾ Não quero mais saber. Faça, então, o que você quiser.

¾ Depois, a gente conversa.

¾ Depois, não me diga que não te avisei.

¾ O que é? Deixe isso para lá. Não vou te comer, não!

¾ Eu não queria. Mas, não teve outro jeito.

¾ Você não me está entendendo.

¾ Ninguém está passando você para trás.

¾ Ué! Foi um risco que todo o mundo correu e não deu certo.

¾ Você também foi querer ganhar do campeão?

¾ Você perdeu para um profissional!

¾ Então, por que você não me avisou antes?

¾ Olha, aqui está o seu. Não deu muito, mas é melhor do que nada.

¾ Você vai ver, ouviu?

¾ Você vai ter.

¾ Pegue logo isso.

¾ Mais vale um passarinho na mão do que dez voando.

¾ Olha. Só deu para arrumar isso aí.

¾ Ah! Não quer não?

¾ Dê graças a Deus.

¾ Você pensa que o dinheiro cai do céu?

¾ Dei um duro danado e não sobrou nadinha para mim!

¾ Deixa só o seu pai chegar! Vou contar tudo para ele.

¾ Você vai ter que fazer isso, sozinho.

¾ Você vai querer ajuda, para quê?

¾ Ninguém pode saber o que a gente está fazendo, não. Entendeu?

¾ Você é bobo?

¾ Você não tem o que pensar. É pegar ou largar.

¾ Coma do seu prato. Não olhe o do outro.

¾ Olhem! Se vocês não se mexerem não vai sobrar nada para ninguém.

¾ Viu só o que aconteceu? Está vendo o que você fez? A culpa é só sua.

¾ Já não lhe tinha avisado? Assim, você enterra o time.

¾ Faça o que eu digo. Senão, vai ser muito pior para você.

¾ Você vai ter que se livrar disso aí.

¾ Mande o dinheiro na minha conta até o meio-dia.

¾ Se não mandar o dinheiro, você vai perder muito mais.

¾ Ou você paga agora ou mando executar os seus bens.

¾ Você tem coragem de falar com ele, depois do que ele fez com você?

¾ Que tal uma cervejinha, depois disso?

¾ Onde é que você escondeu os meus sapatos?

¾ Não é muito?

¾ Mas, nem isso eu tenho.

¾ Vou te arrumar sim. Mas, primeiro, terás que fazer o que eu quero.

¾ A bagunça agora está pior.

¾ Não se acha mais nada! Está tudo escondido!

¾ Com licença! Só um aparte. Só vou completar o seu pensamento...

¾ Vou te contar uma coisa, mas é segredo, hein?

¾ Não sei se devo falar. Vou confiar em você, está bem?

¾ Você me ajuda terminar o serviço depois do seu horário?

¾ É rapidinho. Não vai demorar nada.

¾ Temos que terminar o relatório no meu apartamento. Vamos?

¾ Não vou te comer, não! Temos que ir pegar lá. Vamos, é rápido.

¾ É sério. Eu te levo para a sua casa. Você não vai perder nada.

¾ Não farei nada que você não queira..

¾ Vai fazendo a sua parte. Depois a gente acerta.

¾ Preencha logo o cheque. A gente vê isso depois.

¾ Isso são horas de chegar?

¾ Quero saber onde é que você esteve.

¾ Vai junto com ele. Depois, você me conta.

¾ Olha! Ninguém pode saber, hein?

¾ Descolei aquele CD. Vamos ouvi-lo na sua casa? Pô, moro logo ali à esquerda. Vamos descer lá. Só vamos pegar a fita do último lançamento.

¾ Aonde é que você vai mesmo? Ah! Aproveite e traga-me um cigarro. Ah! Espere aí, eu ia te pedir mais um favorzinho. Passe lá na casa do...

¾ Deixe o cheque assinado comigo. Vou preencher quanto é e depois eu te mando a papelada toda.

¾ As mulheres, hoje, não querem mais lavar, passar, cozinhar, levar as crianças para escola... Tem graça, isso?

¾ Vamos, então, fazer do jeito que você falou. Está bem? Espera um pouco. Oh! Vai complicar. Acho melhor fazer do meu jeito. Já vou indo. Tchau.

¾ Oh! Vê se consigo adivinhar como você quer fazer. Não é assim, assim, assado? Então, adivinhei? Pois, é isso mesmo que vou fazer, está bem?

¾ Pô,eu fui lá, bati, bati, dez vezes, na porta e na janela. Ninguém atendeu. Oh! Não deu mesmo. Fui lá meio atrasado, ainda, e tive que pegar um táxi e só sobrou isso aí. Tó.

¾ Vou ver uns livros aí na sua estante, está bem? Não, não vou ver agora. Bom, já está ficando tarde, já vou me embora. Tchau, amanhã eu te ligo. Pô, já ia me esquecendo. Deixa-me ver os teus livros. Vou ver este aqui, depois eu te trago, tá?

Exemplos de armadilhas e ciladas manipulativas estão repletos nos filmes e contos policiais. No cotidiano da vida há manipulações piores do que nas ficções.

 

O DRAMA DA MANIPULAÇÃO.

Onde há manipulação, há, no mínimo, duas personagens ¾ o manipulador e o manipulado.

O manipulador é, em realidade, um perseguidor.

O manipulado é a vítima. Onde há o perseguidor e a vítima pode surgir um terceiro elemento ¾ o salvador.

No caso das manipulações afetivas em que há presença de paixões, valores, padrões e vínculos afetivos, tais personagens ¾ o perseguidor, a vítima e o salvador ¾ formam o conhecido “Triângulo Dramático” de Stephen B. Karpman.

As três personagens trocam-se de papéis e ao final recebem cada qual um prêmio de mal-estar, buscado de maneira inconsciente, ou automática, embora se mantenha a consciência perceptiva do que faz.

Este momento biográfico psicológico que pertence ao roteiro de vida de cada um dos participantes do triângulo dramático ¾ buscando o aparente equilíbrio emocional através do mal-estar ¾ é parte da teoria dos jogos psicológicos de Eric Berne, o fundador da Análise Transacional.

Entretanto, na manipulação intencional, o manipulador, em verdade, não muda de papel no decurso da sua ação manipulativa. É sempre o perseguidor do manipulado, sem concurso do salvador. A mudança de papéis, se houver, é depois do golpe descoberto. Aí, sim, é um drama para valer.

O manipulador intencional detecta, rapidamente, qualquer salvador e procura transformá-lo em mais uma vítima.

Não o conseguindo, suborna-o.

Não sendo possível fazê-lo cúmplice, temporariamente, tenta eliminá-lo.

Não logrando êxito, disfarça-se de vítima arrependida e põe-se em retirada ou vai detido para averiguações. Mas, depois, volta com tudo, com novas táticas e outras técnicas, ou estratégias bem aprimoradas.

Ao manipulador intencional quando lhe convém os papéis de vítima, de salvador ou de perseguidor, as suas emoções e sentimentos são representados. Neste ponto é um mestre na arte dramática.

Em razão dos seus disfarces, com consciências, fingindo bem sensações, emoções, sentimentos e carícias adequadas ao momento, o manipulador dificilmente entra no triângulo dramático, de maneira autêntica.

Quando o manipulador percebe o salvador, protetor ou outro manipulador concorrente, ele deixa a vítima em paz adiando os seus planos para uma ocasião mais propícia.

O manipulador detesta assistência na sua arte de representar.

Ele teme ser desmascarado. A crença do manipulador ou a sua dúvida numa possível descoberta ou suspeita da sua vítima no seu plano em curso, leva-o a entrar no triângulo dramático linear. Isto é, o salvador da sua vítima só existe em sua imaginação.

Ele crê num salvador (inexistente ainda ¾ no real) que está protegendo a sua vítima e que o persegue e o investiga no passo de desmascará-lo.

Ou ainda, o manipulando passa de vítima para seu perseguidor em sua crença. Assim, o manipulador procura para si um salvador para ajudá-lo. Com este reforço, tenta convencer o manipulando do contrário. Às vezes, põe tudo a perder.

Algumas vezes, forma-se o triângulo dramático de disfarce.

Só a vítima cumpre o seu papel real concreto. O comparsa do manipulador é a nova personagem do golpe manipulativo. Os dois, em realidade, são perseguidores, mas na representação ambos cumprem papéis de salvadores ou um deles de perseguidor e outro de salvador ou trocam de papéis conforme a trama montada.

Nas manipulações afetivas de disfarces os seus participantes fingem nos diversos papéis sem saber dos fingimentos uns dos outros.

Depois do prêmio de todos batendo a porta na cara, entre si, cada qual quando só, sorri com ar triunfante.

É que o prêmio maior está para chegar.

É o prêmio da reconciliação comemorativa ¾ reforçador da patologia. Às vezes, alguém acaba cumprindo o seu papel respectivo, com emoções autênticas.

Entre casais que brigam muito mas estão mais juntinhos do que nunca, o reforçador do triângulo dramático, certamente, é a reconciliação na cama.

Mas, tais conflitos fluem mais no sentido da abstinência sexual temporária ou incerta, sempre provocada por um dos cônjuges.

Provavelmente, isto ocorre por simpatia, atração e paixão a outro parceiro que já lhe conecta fidelidade, automaticamente. De qualquer modo, em se tratando de manipulação, a separação vai se concretizar, geralmente, com um final trágico.

Embora o mal-estar pequeno indique o início da maioria das manipulações ingênuas, responsáveis, intencionais ou integrativas; em algumas vezes, não implica na manipulação propriamente dita.

É necessário procurar quatro fundamentos pessoais para atendimento ao pedido ou à proposta.

1. Gosto, realmente, de você. Fico alegre quando estou com você.

2. Admiro você. Permito-me ajudá-lo.

3. Aprecio você. Por isso convém ficar do seu lado.

4. Quero o seu bem-estar. Contemplo-o em sua ausência.

Nas relações saudáveis não há manipulação. A reciprocidade é espontânea e incondicional. As coisas são feitas por prazer e compartilhadas. Há transparência, sinceridade e confiança. Não há mentiras, indiretas, invejas e ciúmes. Um está sempre pronto para ajudar o outro.

 

VOCÊ É VÍTIMA DE MANIPULAÇÃO?

COMO SE SENTE EM TER QUE RECUSAR UM PEDIDO?

VOCÊ FAZ PARA OS OUTROS SEM QUE LHE TENHAM PEDIDO?

 

Quando se está em atividade a serviço de alguém ou em sua companhia, raramente se nota qualquer mal-estar manipulativo.

Concentrado no que se está fazendo, não se dá conta da situação emocional ou das sensações senão daquelas conhecidas ou das identificadas no ato.

Por esse motivo, recomenda-se fazer checagens a seguir enumeradas.

 

· Teor de cansaço.

· Nível de disposição e preguiça.

· O que incomoda.

· Teor de tolerância.

· Se está impaciente ou se está fazendo com firmeza e bom senso.

· Preocupação de quanto tempo falta para acabar.

· Se está seguro da recompensa.

· Que emoção sente ¾ calma, alegria, prazer, medo e raiva

· Que sentimento tem ¾ ansiedade, expectativa, entusiasmo, pesar ou outro.

· Que sensação tem ¾ inquietude, pressa, fadiga, fome, sede, calor ou outro.

 

Não é adequado fazer as coisas para os outros só para agradá-los. Não é bom, igualmente, ficar fazendo tudo sozinho sem pedir ajuda.

Também é inadequado prontificar-se para carregar coisas pesadas, fazer tarefas e mais tarefas só para mostrar aos outros ou a alguém em especial, quão esforçado é.

A checagem acima vai ajudá-lo a dar-se conta da sua situação ¾ se está ou não, manipulando a si próprio ou incentivando os outros a aproveitar do seu esforço oferecido de graça. Ou, pensando que vai ganhar alguma coisa, ofereceu-se sem nada combinar. Ainda, antecipa ou faz adivinhando o que outro ia fazer só para agradá-lo ou para esperar alguma recompensa.

É preciso tomar consciências do por quê se faz o que se está fazendo e saber se deve ou não ser, realmente, feito e justamente por você, sem ajuda de ninguém.

Mas, se estiver querendo fazer, faça-o de modo autêntico com disposição, aptidão e prazer, independentemente de remuneração, recompensa ou de agradar a si ou a outrem, embora haja o acordo ou pacto mútuo respectivo.

Se se faz por obrigação e dever, então houve combinação mesmo tácita, e isto decorre o direito. E o direito não exercido deve ser cobrado e exigido em tempo.

Se se faz por dedicação em presença do amor, não decorrem direitos, nem obrigações e deveres, mas paz interior ou benefícios conseqüentes.

A paz interior, a equanimidade, o amor e a inteligência atraem benefícios e privilégios espontâneos e incondicionais, repelindo, de maneira automática, quaisquer manobras perversas.

Se você está dentro de um processo manipulativo e quer dele sair e não consegue, deve pedir ajuda ao seu psicoterapeuta ou se for o caso para um advogado na especialidade.

É adequado não sentir nada além da calma ao ter que recusar um pedido.

Só se fundamenta uma recusa se lhe perguntarem. Faça-o, sinceramente, sem inventar nada, nem dar desculpas.

Emprestar a quem precisa e merece, podendo fazê-lo, prazerosamente, sem se prejudicar, é fator de aumento de energia e atrai bom fluído.

Há pessoas que não sabem como recusar um pedido.

Dão respostas inadequadas prometendo e dando esperanças mas se esquivam e fogem quando procuradas. Ou, simplesmente, atendem, a ter que recusar, em seu próprio detrimento.

Tais pessoas precisam aprender a dizer não, se é não. Falar um ¾ “não, não dá mesmo” ¾ e ver o que acontece.

Deve estabelecer um acordo ou contrato consigo mesmo para dizer não quando é não e sim quando é sim e treinar-se para fazer a avaliação rápida de cada pedido. É pelo treinamento que se habilita.

É preciso entender e dar-se conta de que a promessa não cumprida quando significa desqualificação deteriora qualquer relação interpessoal saudável, atraindo maus fluídos para quem adota esse tipo de conduta, além de tender para o pólo repelente e desprezível.

Portanto, melhor dar esperança do que prometer.

A promessa é um compromisso tácito ao passo que a esperança dada quando não efetivada ou não cumprida é facilmente perdoada e esquecida.

 

VOCÊ MANIPULA PESSOAS?

VOCÊ TEM POTENCIAL PARA MANIPULAR?

QUAL A REAÇÃO QUANDO SE VÊ RECUSADO O SEU PEDIDO?

INSISTE, CONVENCE OU QUER APENAS SABER O POR QUÊ?

VOCÊ USA PRELIMINARES MANIPULATIVAS?

VOCÊ VAI FAZENDO OU TOMANDO POSSE SEM PEDIR?

 

É muito mais fácil e simples obter o que se precisa sem ter que manipular.

É preciso apenas aprender a confiar em si próprio e aumentar a auto-estima.

Em decorrência, você começará a confiar nos outros. Se o pedido é justo, basta pedir e perseverar no pedido. Será atendido de algum modo.

O manipulador não tem auto-estima. Em seu lugar há a falsa auto-estima que se chama egoísmo que o expõe ao perigo constante. Tem potencialidade de vida curta.

Com freqüência ele está inquieto, tenso, fugindo, escondendo, mentindo, brigando e desconfiando dos outros.

Como não confia nem em si próprio, o manipulador é incapaz de ganhar a vida pela retidão enquanto portador desse vício, eis pois, ilude-se optando e buscando o prazer da saciação imediata.

Ele não crê na satisfação tempestiva, na solução sucessiva e na abundância pacífica do triunfo sensato.

Manipula a si próprio convencendo-se de que o trabalho é só para os trouxas, sem contar que uma falha sua pode ser fatal. Que as suas emoções e os sentimentos negativos decorrentes trarão prejuízos maiores a si mesmo do que todas as suas vantagens obtidas. E não faz melhor que uma hiena na questão de sobreviver.

A auto-estima fará cuidar-se e importar-se. Com isso, cada vez mais poderá aumentar os seus conhecimentos e habilidades. Não viverá perigosamente. Estimará as pessoas tornando-as a sua extensão mais próxima. Onde mora o amor não cabe o egoísmo, não há lugar para manipuladores e não sobra guarida para a perversidade.

Tomará consciência de que a essência de uma boa relação é o pedido direto sincero, presente em toda a abordagem.

Sem o pedido direto não há beneplácito, nem o atendimento satisfatório. Não há também o fluir da consideração espontânea. Sem o pedido direto e claro não há entrosamento que dure.

O pedido nos dá a certeza do consentimento recíproco e do respeito mútuo.

Nem na lei, o direito fundamentado não é apreciado sem o pedido claro, certo e de modo expresso, coerente com a sua causa de pedir.

Pedir não é exigir e nem se humilhar.

Pessoas há que mandam, exigem ou avisam pensando que estão pedindo:

 

            “Vá e compre para mim ... ”

            “Dê-me isso ... ”

            “Faça ... ”

            “Gostaria ...

            “Vou pegar isto, depois lhe devolvo.”

 

No pedido adequado, usa-se ¾ deixa-me, permita-me, posso, por favor, com licença, conceda-me, pode, etc. Exemplo: ¾ professor, eu posso falar com o senhor? Seguinte. Não entendi bem esta passagem. Pode, por favor, explicar-me?

Quando o pedido adequado é negado, aguarde um pouco. Numa oportunidade propícia insista, polidamente: ¾ preciso conversar com você, pode me dar um minutinho, agora? E, na repetida negação, pode indagar qual é o obstáculo que está impedindo a concessão do pedido. Ao que se pede com perseverança será concedido quando não houver mais nenhum empecilho para a sua concessão.

Você ainda se surpreende imitando o seu antigo controlador ou algum modelo significativo da sua época de criança?

Toda criança é alvo de manipulação dos adultos significativos. A escassez de sua vivência em razão de sua pouca idade aliada a sua forte dependência aos pais ou a seus substitutos e do seu relativo distanciamento aos valores e padrões socioculturais, a criança é vítima constante dos efeitos manipulativos dos adultos, dos pais e de outras crianças maiores, no seu relacionamento cotidiano.

O adolescente também não tem bons registros suficientes do que pode ou não pode fazer. Assim ele é visto, interpretado e tratado pelos seus pais e pelos adultos significativos que com ele convivem. Por isso, habitualmente, ele é desqualificado quando decidem por ele o que fazer ou o que deixar de fazer, além do que ele pode querer ou não querer.

O adolescente, sempre submisso e obediente às determinações superiores por questão de sobrevivência, raríssimas vezes tem chance de escolher, determinar e decidir por si mesmo. Desse modo muitos deles crescem e chegam à fase adulta hesitando muito ante uma escolha fácil. Ficam esperando por alguém com uma palavra salvadora para poder eximir-se de responsabilidade por suposta escolha mal feita.

Quando a criança começa a se comunicar por meio da linguagem dos adultos, embora escasso o seu vocabulário, necessário se faz ser um pouco mais paciente com ela. Principalmente, para o seu treinamento de escolha, de determinação e de decisão por si só, para que ela aprenda a deliberar sabendo determinar o que é bom para si ao outro e ao todo, ao mesmo tempo. Daí, libertar-se, de modo saudável e gradativo, da simbiose natural com os pais ou seus substitutos.

Aprendendo as crianças a fazer previsões das conseqüências dos seus atos serão menos inconseqüentes quando adolescentes. Entenderão melhor determinadas obstaculizações paternas suportando bem ou de modo tolerante as suas insaciações momentâneas prorrogando-as para a hora propícia.

E, assim, não partirão para as manhas, rebeldias, passividades e insatisfações patológicas, escapando-se do processo do aperfeiçoamento gradual das manipulações.

O manipulador teve ótimos modelos de controladores significativos, porém salvadores, permissivos, autoritários e críticos de maneira exagerada e constante.

Assim, aprendeu a esquivar-se de responsabilidades e de ordens, disfarçar, fingir, mentir, ironizar, ser cínico e a fugir das ameaças e punições não só em casa como também na rua e na escola.

Ou, simplesmente, não conviveu com pessoas significativas quando mais precisou. Neste caso, não há registros em sua memória do que é proibido fazer ou do que é censurável. Desta forma, quer deixem ou não, sai em busca da saciação de sua necessidade até satisfazê-la, não importando como e nem fazendo idéia de suas conseqüências.

Em não havendo reeducação adequada para tal indivíduo antes que consolide o seu hábito, costume, uso e convivência, ou o vício, tenderá irreversivelmente para a criminalidade, principalmente, nas áreas de furtos, estelionatos, subornos, receptação, falsificação, extorsão, consumo e tráfico de drogas, além de favorecimento real.

Os casos bem mais graves encontram-se nos assaltos ou roubos, seqüestros, formação de quadrilha e gangsterismo, sem falar em estupros, homicídios econômicos e políticos, por queima de arquivos, torturas, por profissionalismo e pela guerra.

Os manipuladores desta categoria criminal não possuem modelos saudáveis na formação de sua personalidade, ou caráter.

Alguns ostentam títulos universitários, são líderes e outros são poderosos economicamente que souberam tardiamente dos bons valores, da boa ética, do mérito, do trabalho dignificante mas não têm como absorvê-los uma vez que já se consolidaram na sua unidade vivencial perversa. Misturam-se no meio social disfarçando-se como bons iludindo-se, ainda, como que dizendo: “Não sou culpado se eles são um panaca. Para quê trouxa quer dinheiro?”

Não é adequado desapontar-se, surpreender-se, irritar-se, ter ressentimento, raiva, bronca ou zanga e querer revidar ao se ver recusado um pedido.

Todos podem recusar a atender um pedido. Principalmente, você. Ninguém é obrigado a fazer ou não fazer, senão em virtude da lei.

Se há compromisso expresso, há direitos e por isso, há obrigações, deveres e sanções. Nesse caso, tratar-se-ia de lei e o inadimplemento, então, deve ser cobrado na sua forma para que o direito seja exercido antes que prescreva.

Saber o porquê da recusa de um pedido é bom, mas, desde que tenha sido apresentada a real causa de pedir. Esta serve para não deixar ninguém no escuro.

Entretanto, qualquer que seja o motivo da recusa exposto, melhor é aceitar o não como não mesmo deixando uma abertura para uma possível mudança de idéia. Na recusa, é polidez agradecer a apreciação do pedido recusado e serve como reforço para a apreciação do mesmo ou de outro pedido, futuramente, que pode ter melhor sorte para ser deferido.

Todo pedido atendido que implique restituição, a palavra dada deve ser cumprida impreterível e impostergavelmente, salvo motivo de força maior que deve ser declinado imediatamente.

As perguntas preliminares relativas ao pedido, com exceção da cordialidade, devem ser evitadas.

As do tipo: ¾ você tem alguma coisa para fazer mais tarde? ¾ como vão os seus negócios? ¾ você está ocupado, agora? ¾ você tem compromisso, à noite? ¾ podem causar um pequeno mal-estar ou indisposição para responder.

Quando o manipulador faz esse tipo de pergunta ele aguarda uma resposta do tipo: ¾ sim, por quê? ¾ não, por quê? ¾ Para que você quer saber disso?

O tímido também faz a preliminar de sondagem. Manipula a curiosidade.

É preciso dar-se conta de que não se está mais na frente do pai bravo, sempre ocupado, que não tinha tempo para os seus pedidos.

E quando tinha tempo, o seu pedido era desqualificado. Essa situação deixe lá mesmo. Agora, as pessoas são outras e o momento é outro.

Quando as perguntas não estão claras, desde o início, as quais fisgam os porquês, melhor não querer saber.

Às vezes, por curiosidade, for aprofundando cada vez mais, você está sendo convidado a participar de um assalto a banco e não poderá mais pular fora por estar sabendo demais.

Quando se está envolvido numa relação interdependente e o que se vai fazer não está determinado ainda, não é adequada a atitude de fazer primeiro para depois verificar que não havia permissão. Isto só se faz em casos de extrema necessidade para evitar prejuízos maiores ou desastres.

É válida a iniciativa ousada, mas com disciplina, respeito, responsabilidade e objetividade transparente, a partir da aceitação, mesmo conseguida com firmeza e perseverança.

Dentre as negatividades da interação social, a manipulação, sem dúvida, não só encurta a vida saudável daqueles que nela se emaranham como atrapalha a de inocentes e retarda o melhor da vivência humana.

Urge disciplinar-se e conscientizar-se de que manipular pessoas é tolher a iniciativa alheia mesmo que se faça com responsabilidade e benefício. É preciso, no mínimo, uma aceitação tácita, ou que a relação seja de extrema confiança mútua.

 

Como evitar dissabores da manipulação de pessoas?

O meio certo para evitar qualquer patologia e detrimento oriundo de uma ação manipulativa é a tomada das quatro consciências nas variadas circunstâncias dos momentos biográficos e históricos respectivos, devendo reagir, agir, atuar e interagir segundo os recursos da situação, em níveis apropriados.

Com as consciências, importa, então, observar a situação da que resulta da sua ação como boa para as partes e boa para o todo, simultaneamente, com os recursos de todos os momentos biográficos e históricos, seja no passo de interferir ou de influir, ou seja no de dar e de receber, no curso das interações com o meio ambiente físico e social.

Basta lembrar que você é a pessoa mais importante do universo, visto que graças a sua consciência de estar no mundo pode ver, sentir, pensar, fazer, tocar-se e se dar conta de que está com vida e de que as coisas e as pessoas ainda existem para você.

 



[1] Superconsciência é o entendimento certo e a compreensão plena. Precisa-se de libertar-se das malhas do condicionamento, do transe hipnótico provocado pela crença, sensibilização, habituação e adaptação aos valores, normas, papéis, regras e padrões sociais e culturais e atingir uma superconsciência que tem a função de tornar explícita a consciência implícita e automática decorrente desse comportamento, conduta e procedimento rotineiro. A superconsciência é o estado integral das consciências autênticas, onde não se permite ter ilusões e nem auto-enganos. Principalmente, aqueles decorrentes dos estímulos reforçadores, motivadores e interessantes, os relativos às crenças induzidas e reproduzidas pelo hábito ou pela própria natureza de adaptação para superar impasses. É preciso ter noção, no momento certo, das consciências artificiais, típicas das inter-relações políticas, ideológicas e religiosas ou como as consciências induzidas pelos transes hipnóticos, auto-ajuda, auto-sugestão, auto-hipnose e as trazidas pelos valores, regras e padrões socioculturais. Mesmo estando acordado e com a certeza do pleno funcionamento das faculdades mentais, ainda assim, precisa-se de que se desperte para a superconsciência. É preciso ter a certeza absoluta de estar no mundo do modo autêntico no aqui e agora e não da maneira artificial, representativa, condicionada ou hipnótica e fazendo as coisas na base do automático, cumprindo papéis sociais, enquanto a imaginação ou o devaneio leva o indivíduo a viajar no mundo das elucubrações e das fantasias. Não obstante as críticas, são  louváveis certas atitudes consagradas pela sociedade. Contudo, é muito bom fazer sabendo o que, como, porque, para que e para quem faz com a consciência autêntica plena ¾  a superconsciência.

 

* David Ricardo, um dos maiores economistas de todos os tempos tornou obsoleta a teoria econômica de Adam Smith. Com base nas idéias de Ricardo, o autor da presente fundamentou a vida produtiva no planeta Telus, um mundo que, sem querer ser mais quimérico ou utópico, sugere, à semelhança de Walden II (B. F. Skinner) e Utopia (Thomas Morus), uma vida continuamente feliz para todos os seus habitantes, na obra intitulada: “Namorados, uni-vos! Tendes o poder de mudar o mundo!”

* Posições existenciais sugeridas por Erich Berne, fundador da Análise Transacional. São essas quatro situações possíveis, na verdade patológicas, que o indivíduo pode experimentar como resultado de sua interação com o seu meio ambiente físico e social. De vez que a única posição saudável é a real concreta de tal sorte que o efeito, a conseqüência ou o resultado da interação seja igualmente bom para todos os envolvidos ao mesmo tempo em que seja bom também para o todo social. Os analistas transacionais atuais chamam essa quinta posição de OK/OK Real.

** É o que dizia em suas aulas (A. T. em organização) Dr. Jorge Alberto Close, autor de Desenvolvimento Organizacional.