CONSCIÊNCIA CIVILIZACIONAL.

 

 

O MOMENTO HISTÓRICO.

 

A História social ou a história da vida humana é todo o conjunto dos seus momentos históricos formado desde o seu aparecimento no planeta.

Consideram-se todo o intervalo temporal até a sua extinção, as origens das suas raças, povos e nações e as suas descendências. Levam-se em conta, também, as suas extensões mais próximas interagindo-se no meio ambiente, as suas relações intergrupais e as suas razões de ser.

 

Também a humanidade como um todo ou qualquer grupo coeso tem os seus quatro momentos históricos.

 

Embora o todo difira de suas partes no conteúdo, na forma e no objetivo; o homem por ser uma espécie necessariamente social, tende a reunir-se em grupo, grupos dentro de grupo, categorias, classes, séries e seleções, casal, família, etnia, credo, clube, associação, empresa, sociedade, sindicato, bairro, cidade, estado, nação, comunidade de nações até chegar à unidade de conjunto maior — a humanidade.

Dizemos, então, que todas as pessoas vivas do mundo tendem para a formação de uma unidade coesa — a totalização humana — o ser humano.

Assim como no indivíduo, cada grupo ou entidade coletiva, mesmo a sociedade humana como um todo, tem em qualquer dos seus momentos históricos autonomia e características próprias.

Também no domínio das inter-relações do grupo com indivíduo ou com outros grupos e vice-versa, os quatro momentos de cada qual trocam de posições de comando, entre si, com freqüência, isoladamente ou em conjunto. Tais inter-relações são não só intergrupais como também intragrupais (entre elementos do próprio grupo).

As intragrupais são relações interpessoais voltadas para os interesses exclusivos do próprio grupo.

A maioria dos desentendimentos, desacordos ou desencontros surgem do cruzamento das respostas desses diferentes momentos nas relações de interesses entre os diversos grupos.

As peculiaridades notáveis entre os quatro momentos históricos de qualquer grupo em sua aprendizagem e no desenvolvimento das suas interações com o seu meio ambiente quase não diferem das do quadro relativo aos momentos biográficos*, conservando praticamente todos os seus elementos.

 

 

 

 

Por isso, apenas como exemplo, vamos visualizar, desde os primórdios, a aprendizagem e o desenvolvimento das sociedades humanas, resumidamente, mas com ênfase nas relações dos seus diversos momentos históricos.

Antes, entretanto, bom é esclarecer que os primeiros momentos históricos referem-se às necessidades básicas imediatas não de alguns indivíduos isolados de modo particular mas, sobretudo, do grupo ao qual pertencem de forma universal. Que os segundos momentos históricos, igualmente, tratam-se da coletividade como todo, nas suas necessidades tempestivas. Que os terceiros momentos históricos também se referem à totalidade no tocante às suas necessidades constantes. E que os quartos momentos históricos referem-se ao suprimento total das suas necessidades gerais e prioritárias integrando o bem-estar, o bem ser e o bem ter para o bem fazer da unidade social, no passo de um viver ou acontecer em níveis superiores.

Fácil intuir daí, que o sujeito da aprendizagem e desenvolvimento é o todo social e, em conseqüência, as conexões reflexo « reação, conhecimento « ação,  pensamento « atuação e compreensão « interação para o triunfo sensato referem-se às relações intergrupais no sentido da sua integração na formação de uma sociedade humana coesa e adulta, positivamente responsável pelas nações que a compõem.

 

 

OS PRIMEVOS E OS SEUS MOMENTOS HISTÓRICOS.

 

As sociedades primitivas de hoje são chamadas não civilizadas.

São sociedades relativamente avançadas para o meio em que vivem no sentido essencial que é a sobrevivência.

Rara é a utilização dos seus segundos e dos seus terceiros momentos da aprendizagem e desenvolvimento. Eis porque os recursos naturais lhes são propícios, de tal sorte que se todos trabalham e produzem da mesma forma se beneficiam.

Não carecem produzir excedentes para comercialização com estrangeiros ou buscá-los onde abundam para fazer permutas ou comércio, na obtenção de produtos para suprir necessidades próprias, ou alheias, mediante vantagens.

Não há interesse e nem motivação para o constrangimento da vontade do outro embora cultivem o prestígio entre si.

Não obstante mantenham algum contato com a civilização desqualificam-se mutuamente por razões socioculturais, genético-comportamentais ou étnicas.

O problema da aceitação do diferente persiste. A sociedade primitiva de hoje e a civilização têm cada qual uma tradição histórico-cultural totalmente diferente uma da outra.

No entanto, foi a sociedade primitiva de ontem — o primevo — é que deu origem a esses dois tipos de sociedades: a civilizada e a não civilizada.

Na luta pela sobrevivência, diante de uma calamidade fatal — na situação de se fica, morre — migra levando o excedente. Assim, os primevos habituaram-se à vida nômade. Tendo encontrado outra sociedade, com certeza, não eram bem recebidos. Ou iam embora ou a enfrentavam, num primeiro momento histórico.

 

 

Se a enfrentavam, ou eram vencedores ou seriam prisioneiros. Se venciam, tinham que manter guardiães que ficavam com as armas — segundo momento histórico — obrigando os prisioneiros a produzir excedentes.

Despontava-se, dessa forma, a primeira sociedade de classe.

Em se encontrando outra sociedade e eram bem recebidos, sem conflitos e matanças, obviamente, compartilhavam com os mesmos benefícios e as mesmas agruras. Recebiam e davam as respectivas filhas em casamento e faziam outras trocas numa integração comum.

De qualquer forma, conservavam a mesma cultura, os mesmos hábitos, costumes e usos. Assim, superando as calamidades na base da busca de lugares propícios, subsistiram até os dias atuais. São dignos de louvor e de grandes méritos pela sua capacidade de sobreviver, enquanto não dizimados ou absorvidos e desaculturados pela civilização.

Entre o primevo e o animal selvagem no que se refere à ação de busca de alimento para saciar a fome, certamente, havia diferenças. Mas, reagir à sensação de fome enfrentando o perigo de morte ou fugindo da caça por inferioridade, com certeza, não tinha diferenças. Principalmente, quanto às emoções experimentadas. Nessas circunstâncias, a raiva, o medo, a ansiedade ou a inquietude eram comuns.

A calma, relaxamento, prazer, alegria e o lazer, obviamente, eram revividos depois de saciada a fome nos períodos de abundância e calmaria.

O primevo quase não utilizava as faculdades do pensamento por longos períodos atendo-se muito mais às associações de fragmentos heterogêneos, às intuições, e às demais sensações psíquicas, uma vez que nada havia de complexo que fazia parte de suas necessidades.

Mas à medida de seu desenvolvimento descobria novas coisas aumentando os seus conhecimentos e técnicas. Acrescentaram-se-lhes novas necessidades ao lado das costumeiras de primeiros momentos.

Novos sentimentos incorporaram-se às velhas paixões. A soberba, a inveja, o ciúme e a culpa eram experimentados com intensidade e freqüência ao lado do medo ao desconhecido e ao mistério.

Assim, junto às conquistas e soluções às suas necessidades constantes, em meio aos pensamentos míticos e subjetivos aperfeiçoava-se o pensamento objetivo.

O pensamento, a observação e a interpretação já tinham bons subsídios de conhecimentos acumulados ao longo de suas derrotas e conquistas ou revoluções e alianças. A utilização do fogo, roda, das ferramentas, dos animais e das armas mais eficazes e, principalmente, a prática e uso das faculdades do pensamento objetivo, fortaleceram determinados povos que preferiram e decidiram fixar-se em terras propícias, férteis e geograficamente protegidas. Observe-se a evolução das conexões:

 

reflexo-premência « conhecimento-tempestividade « pensamento-facilidade (regularidade) « reflexão (priorização).

 

 

 

A TERRA.

 

INSTRUMENTO DO SEGUNDO MOMENTO HISTÓRICO.

 

A terra propícia começou a ser disputada pelos povos. A terra, como um lugar fixo, passou a ser a grande necessidade do homem. Cada povo procurava ampliar as suas fronteiras à medida do seu crescimento demográfico. A terra, principalmente, ao longo dos rios, começou a ser valorizada porque trazia auto-suficiência com menos empenho.

Com a incorporação de novas informações, conhecimentos, fatores e recursos suscitaram diferentes necessidades e novos instrumentos e armas surgiram, como a pólvora e o canhão.

O aperfeiçoamento das armas era uma necessidade não só para melhor defesa da sobrevida, proteção e municiamento de suas cidadelas; mas, principalmente, para as suas conquistas.

A terra fértil e abundante de matéria-prima, então, foi a razão de acirradas disputas ao longo dos milênios. E ela continuou e continua como motivo de invasões, posse, domínio, influências, disputas, lutas, guerras, mortes, matanças, perversidades, manipulações e atrocidades.

A necessidade de mais terras abundantes de recursos naturais e matérias primas gerou guerras e matanças cada vez mais violentas e sofisticadas. A escravidão e o servilismo, neste segundo momento relevante da humanidade — conhecida como feudalismo — deixaram marcas profundas na vida dos submissos.

A maioria deles experienciaram com intensidade e freqüência as diferentes emoções e sentimentos. Notadamente, a ansiedade, a angústia, a esperança, a saudade, a nostalgia, a solidão, a vergonha, a humilhação, a culpa, o ciúme, a inveja, a rebeldia, a revolução, a hostilidade, a revolta, a timidez, a inibição, a agressividade, a covardia, a deserção, e principalmente, os sentimentos de religiosidade. Dentre estes, o de pecado, o temor a Deus, a solidariedade, a fraternidade, a caridade, o amor ao próximo, a renúncia, a resignação, a pena, o dó, a piedade, a fé, a adoração ou a veneração.

A terra, propícia ou não ¾ num primeiro momento histórico, para situações de saciação da necessidade de matar a fome ¾ pode ser disputada, em termos.

Ocorre que a terra é força estática. Não sai do lugar.

 

É antiético servi-la representativamente para acontecimentos ou investimentos dinâmicos ou cinemáticos.

 

 

Na verdade, disputa-se o que ela oferece de benefícios. Quando estes acabam, é preciso dar-lhe um tempo para produzi-los de novo.

 

 

Trata-se, então, de um segundo momento. Se ela é propícia para muitos benefícios, é preciso cuidá-la, num terceiro momento. Num quarto momento, ela pode abundar de benefícios para todos sem que haja qualquer necessidade de disputá-la.

Assim, a terra é de todos, semelhantemente ao ar que se respira, a água que se bebe, o calor do Sol e muitos outros benefícios que a natureza dá de graça para quem precisar ou quer sobreviver condignamente. O que o homem deve fazer é dar-se conta desses quatro momentos e disciplinar-se para compartilhar a dádiva da natureza, sem egoísmos.

A terra faz abundar os diferentes benefícios ¾ inesgotavelmente ¾ desde que se observem as suas leis naturais.

Para que isso aconteça é preciso ¾ num primeiro momento ¾ classificá-la para a organização segundo os tipos de benefícios que possam abundar nas suas regiões certas e específicas.

Seriar, num segundo momento, as organizações para a estruturação, de conformidade com os custos e formas econômicas de exploração, conservação e distribuição tempestiva dos benefícios produzidos.

Selecionar, num terceiro momento, as organizações e as estruturações para a sistematização segundo as qualidades, facilidades e quantidades consumatórias.

Interligar, num quarto momento, os órgãos, as estruturas e os sistemas para a formação do complexo-global no sentido do bem-estar social global definitivo.

 

 

O terceiro momento histórico.

 

Os terceiros momentos da humanidade, embora muito tênues na era primitiva, sempre acompanharam o homem, acentuando-se cada vez mais ao longo de seu crescimento.

E, nos dois últimos séculos do segundo milênio, como nunca dantes, houve a sua principal contribuição para os seus segundos momentos.

Assim, em conseqüência, os seus primeiros momentos na era contemporânea ficaram demasiadamente facilitados.

Entretanto, a negatividade e o negativismo de grupos dominantes restringiram essas facilitações para benefício próprio em detrimento da maioria.

 

 

 

 

E, com certeza, haverá crescimento de forma cada vez mais intensa e freqüente, daqui para frente, no sentido de desenvolver os seus quartos momentos. Todavia, é preciso cuidar de não aumentar os conflitos entre nações decorrentes da avidez de lucros dos grupos mais afoitos. E não está longe o acordo entre as nações de implementar o melhor método na consolidação da vida feliz e da paz mundial com fartura e atividade digna para a totalidade, com o salário justo, sem o trabalho escravo e o esforço inútil.

 

 

Em 3.400 anos antes de Cristo, em Urak, na Mesopotâmia havia um grande templo vermelho que funcionava como um banco.

Era um local para depósito de mercadorias, empréstimos e cobranças de juros.

 

 

Não havia dinheiro.

A moeda representando a troca de mercadorias veio através do príncipe Gyges, em 637 a.C. que substituiu a pesada barra por pequenos metais uniformes.

Mas, foram os banqueiros gregos que inventaram o cheque no tempo de Sólon (594 a.C.)

Note-se que os povos que mais necessitavam da operação de trocas de mercadorias para consumo e suas facilitações eram aqueles desfavorecidos pela sua péssima situação geográfica e ausência de recursos naturais e escassez de matérias primas.

Tais povos dedicavam-se, então, de forma automática, forçosa, intencional, ou necessariamente, às atividades mais propícias ao seu clima, ao seu solo, aos seus recursos mais abundantes, às habilidades da maioria de seus habitantes e à sua tradição, produzindo excedentes para trocar com produtos de suas necessidades. Em conseqüência, eram tais povos que mais necessitavam da melhoria do seu sistema de transportes para produtos de trocas.

 

 

O uso da moeda, do cheque e do estabelecimento bancário, não só favorecia a troca de mercadorias para suprir deficiências da auto-suficiência de cada povo. A sua força dinâmica também favorecia a acumulação de riqueza para reinvestimentos e para progressos imprevisíveis na época (século II a.C. ao século III d.C). Além do que, as conquistas territoriais tinham provocado a integração da economia romana à do mediterrâneo. Com isso, a interação comercial intensificou-se resultando na divisão internacional do trabalho.

Entretanto, a progressão do desenvolvimento, neste passo, interrompeu-se, praticamente, pela intervenção do Estado na economia.

Os imperadores romanos diminuíram o conteúdo metálico das moedas mantendo o seu valor nominal. Houve forte inflação. A decadência foi fatal. Todo o mundo civilizado estava sob controle dos romanos.

O lado ocidental, então, enfraqueceu-se. Aproveitaram disso os bárbaros germânicos e o dominaram (476 d.C.).

O lado oriental (Civilização Bizantina) conheceu a sua crise no século VII depois da intenção da unificação de todo o antigo império tentando reconquistar o Ocidente.

Assim, fragilizado, não pôde evitar a pressão árabe que se apoderou de importantes territórios bizantinos.

Em conseqüência, houve o deslocamento do eixo mercantil do Mediterrâneo. Daí, o costume bancário do mundo romano, praticamente, desapareceu.

Recorde-se de que os imperadores romanos, por interesses mais imediatistas, permitiram o esgotamento do estoque metálico. Com o fim das guerras de conquistas, substituíram a escravidão pelo colonato.

Era a crise do comércio. Ou seja, a crise da consolidação dos terceiros momentos históricos.

 

 

 

PAUSA PARA O TERCEIRO MOMENTO HISTÓRICO.

Desde então, uma nova dinâmica produtiva tendente a auto-suficiência despontava-se — o feudalismo aperfeiçoado pelos germanos que dominaram o império romano do ocidente —, abandonada antes por fatores geográficos.

Nesse período todo até a época das cruzadas, em face dos obstáculos de transporte e da economia de consumo (feudalismo inovado), o comércio continuava muito fraco e a figura do banqueiro ainda se restringia aos templos dos sacerdotes.

A sociedade feudal era estratificada estando dividida em três camadas sociais: o clero, a nobreza e o campesinato.

A nobreza estava hierarquizada: rei, duque, marquês, conde, barão e cavaleiro. O clero também. No alto clero estavam o papa, os cardeais, arcebispos e os bispos, cujos elementos eram os filhos dos nobres não primogênitos, em sua maioria. O baixo clero era formado pelos padres e coroinhas cujos elementos vinham do campesinato ou eram servos.

Em muitas regiões da Europa era costume o primogênito herdar todos os bens, enquanto os filhos mais novos entravam para o clero, obtendo um feudo da Igreja. As terras eram concedidas por contrato feudo-vassálico ¾ suserania.

Como o nobre era o guerreiro, a sua obrigação, além de tomar conta do seu feudo, era a de proteger as terras dos seus superiores hierárquicos contra as invasões e as suas ameaças constantes que causavam inquietações, insegurança e ansiedade à população obreira.

O sistema feudal produziu muita riqueza para a Igreja Romana e para a nobreza. Mas, o celibato no clero para não distribuir riquezas a descendentes, ao contrário da nobreza, acelerou o processo de saturação do feudalismo.

O alto clero concentrou muita riqueza porque não a distribuía, não tinha como e onde investir e não tinha necessidade de gastá-la. A realidade foi que toda a produção se destinava para o consumo próprio de cada feudo. Por isso, toda a riqueza gerada era potencialmente estática. Tesouros, jóias e terras não serviam para investimentos dinâmicos no feudalismo.

A nobreza, por sua vez, consumia a sua riqueza com as guerras. Os seus filhos primogênitos quando em casamento ficavam sem feudos por falta de terras em mãos do alto clero.

Em vista disso, numerosos nobres sem terra envolviam-se em raptos, saques, profanações e assaltos para a sua sobrevivência. A produção feudal não atendia mais ao crescimento da população.

O alto clero vendo-se em perigo, propõe as cruzadas para a conquista de terra-santa em mãos dos muçulmanos. A conquista de novas terras tornou-se uma necessidade. Expedições cristãs investiram-se contra os muçulmanos. Eram as cruzadas.

 

 

 

 

RETOMADA DO TERCEIRO MOMENTO HISTÓRICO.

 

Com as cruzadas, apareceram novas necessidades.

Mas estas eram resolvidas pelos comerciantes. Os excedentes começaram a ser produzidos.

As cruzadas propiciaram a reabertura das rotas do Mediterrâneo.

Com a circulação premente de mercadorias surgiram as feiras.

As feiras que funcionavam de seis em seis meses passou, sem muita demora, a funcionar todos os dias.

Os comerciantes, então, enriqueciam-se a passos largos. Nesse processo, houve a multiplicação de artesãos, de oficinas, postos de vendas e o esvaziamento dos trabalhadores no campo. Estes acabavam fazendo suas moradias ao redor das feiras. Com o crescimento rápido dos negócios, os castelos fortificados (burgos) que serviam de proteção aos comerciantes alojados ao longo de seus muros transformaram-se em cidades. Daí, o nome: “burgueses” para comerciantes.

Com o aumento considerável da população mundial, as necessidades produtivas requeriam inovações técnicas, principalmente, na agricultura para aumento de excedentes. As feiras foram substituídas por centros comerciais urbanos.

Na quarta cruzada, uma frota mercantil veneziana ocupou a cidade de Constantinopla (atual Istambul). Intensificaram-se, então, as relações comerciais com os muçulmanos. Note-se que Constantinopla, antiga colônia grega de Bizâncio, era o ponto estratégico da rota mercantil do Mediterrâneo ligando a Ásia e a Europa.

Uma nova força econômica dinâmica estava surgindo. O mercantilismo. E daí, novas cidades apareciam. Houve o crescimento da navegação e o renascimento da figura do banqueiro. A origem do termo “banco” deu-se do fato dos cambistas amontoarem o seu dinheiro sobre os bancos das feiras dos lugares públicos. É dessa época o aparecimento da letra de câmbio e o costume de depositar dinheiro no banco.

Contudo, a renascença bancária surge, precisamente, com o crescimento do comércio, através dos cambistas de Gênova, Florença e Veneza, cidades que se tornaram pequenos estados soberanos que fabricavam seus próprios dinheiros, ao lado de outras cidades-estado.

A nobreza e o clero começaram a ter uma nova necessidade — precisavam obter dinheiro para fazer as compras. Tiveram, por isso, que aderir ao comércio. Surge, então, as ligas para restringir o comércio somente para associados das corporações. Estas mantinham o seu próprio exército e milícia para as fiscalizações e impedimentos. Essas ligas uniam várias cidades no sentido do monopólio.

Os sentimentos da limitação de ganhos, de rivalidade e pavor do prejuízo e a emoção de medo do fracasso, induziam os burgueses a restringir ou mesmo eliminar os seus concorrentes por meio da proteção do corporativismo.

A ascensão do mercantilismo deu-se em função do declínio do feudalismo como conseqüência da turbulência social causada por insuficiências nos suprimentos das necessidades sociais nos seus primeiros momentos históricos.

 

 

Isto, certamente, intensificou o sentimento de união entre os elementos pertinentes de determinada categoria social. Assim, essa coesão fortalecia cada grupo no propósito de disputar o poder, o domínio e o comando ou ao menos manter as posições de influência, prestígio e privilégio. Eram a nobreza, o clero e agora a burguesia.

Os burgueses apoiavam a centralização política em favor do seu progresso. A aspiração burguesa sempre fora a liberdade total do comércio sem ser alvo das pilhagens, sem as sujeições forçadas aos pagamentos de ônus injustos, em prol da livre iniciativa empresarial, do livre cambismo e concorrência. Isto, desde a época da compra das cartas de franquia ou sua obtenção por luta armada pelas quais logravam a liberdade ante o senhor da localidade.

A burguesia lutava pela derrubada do obscurantismo e pela extinção dos privilégios e imunidades das classes aristocrata e clerical.

Os grandes barões feudais eram independentes e mantinham exércitos que garantiam a ordem e a segurança segundo os seus próprios interesses.

Na idade média, o rei não tinha autoridade. Mas, os senhores feudais estavam perdendo as suas forças. Os seus bens estavam sendo consumidos aos poucos pelas guerras e pelos contratempos surgidos pelo crescimento da população e aumento das cidades.

O enfraquecimento da nobreza significava fortalecimento da realeza que se aliara às cidades na luta contra o autoritarismo feudal. Desta aliança, o rei foi grato aos grupos comerciais e industriais que lhe possibilitou contratar um exército permanente com armamentos e munições dos mais eficientes.

Despontava-se, daí, uma categoria social pequena mas muito mais poderosa que as demais ¾  a realeza e seu imbatível exército.

Na idade média, repita-se, a Igreja Romana era a maior proprietária de terras. Os seus domínios atingiam a metade da Europa Ocidental. Os abusos cometidos pelos membros da Igreja, na sua maioria nomeados por razões políticas, portanto, sem formação teológica, pastoral ou litúrgica, deram causas à sua decadência e motivos para protestos e reformas. Alguns pontífices desviaram-se de seus deveres e o sacro colégio e a cúria exigiam das igrejas tributos exagerados.

Na idade moderna, as longas disputas entre o imperador e o papa pela hegemonia européia e a Reforma Protestante afastaram as pretensões políticas da Igreja. Assim, retoma o movimento pela espiritualidade e volta o seu interesse para o controle através da força da religiosidade e do mistério.

Com a centralização política iniciada pelos monarcas medievais, passou o rei a ter jurisdição sobre todo o país. Assim, as monarquias nacionais foram se formando dando bases para o Estado Moderno.

Na interação das quatro forças dinâmicas em seus conflitos de interesses — imperador, papa, burguesia urbana e a nobreza feudal — resulta ao rei o poder absoluto. A realeza age interessada na dominação. É cúmplice da classe que sustenta os seus gastos na deformação para manter a ordem em favor de seus interesses mútuos e na reprodução de seus poderes.

 

 

A Igreja perdeu o monopólio intelectual. Os burgueses investiam na produção cultural pressionando e incentivando os pensadores, os artistas e intelectuais a reverem os padrões da cultura abrindo espaço para novos valores mais racionais e humanos. Portanto, menos teocêntrica e menos dogmática.

Em resultado, as atividades do terceiro momento histórico despertaram-se para as grandes descobertas, inovações, invenções e criações. Ressurge-se, daí, com grandes forças a categoria social dos intelectuais. A sua principal intenção está na adoção de uma política econômica adequada pelos que ocupam as posições de mando. A sua essência está na opção e o seu objetivo é o domínio da razão sobre a natureza interna e externa, além da erradicação do medo do sobrenatural.

Como adepto do conhecimento e acreditando que a solução de todos os problemas humanos se encontra nos estudos e nas pesquisas técnico-científicas, os intelectuais lutam em prol da educação em todos os níveis. Principalmente, para que os centros de pesquisas sejam prestigiados e priorizados de tal sorte que todos os interessados sem recursos tenham acesso e gratuidade assegurados.

Mas essa realidade está muito longe em virtude das interações cruzadas dos diversos momentos históricos dos diferentes grupos sociais: IGREJA ESTADO CAPITAL CIÊNCIA POVO. Cruzamentos esses, geradores de grandes crises em todos estes grupos dinâmicos de interesses particulares na manutenção de poder, prestígio, controle, influência, privilégio, reconhecimento, subsistência e tradição.

 

 

INÍCIO DO QUARTO MOMENTO HISTÓRICO.

 

O volume crescente dos excessos de competições desleais, ou perversas e de individualismos desenfreados geram a tendenciosidade, a corrupção, o suborno, a depravação, a manipulação e a manobra sem escrúpulos. A ambição do ganho fácil, o medo da morte prematura e o pavor do escândalo e desmoralização provocam matança de inocentes, torturas e queimas de arquivo. Não há outra forma de explicar as disputas de poder e de mercado nos moldes da guerra dos Cem Anos (1337-1453) e nos da guerra das Duas Rosas (1455-1485).

O poder real consolida-se e o Estado intervém nas crises dos fins da Idade Média. O mercantilismo sofre inovações e evolui-se rapidamente transformando-se em um novo sistema econômico dinâmico mais eficaz o Capitalismo. Dessa época até o século XVIII, a burguesia capitalista, sempre desejosa de uma religião que não obstasse os seus interesses econômicos influenciou outros movimentos tais como o Renascimento, o Protestantismo, o Absolutismo, a Reforma Católica, o barroco, o classicismo e o iluminismo.

A crise de retração causada pela guerra dos Cem Anos, a fome, a Peste Negra e a ascensão do Capitalismo aliado ao poder real centralizado, praticamente, liquidaram o feudalismo.

 

 

Depois disso, houve o advento de momentos históricos de alta relevância começando a partir das grandes revoluções como a revolução francesa, a revolução comercial e o colonialismo e a revolução industrial.

Daí, devido à necessidade de matérias-primas e mercados consumidores mais amplos nasce o Imperialismo Econômico.

Os países industrializados disputam as regiões onde a matéria-prima abunda: África, Ásia e América Latina. Desigualdades sociais acentuam-se.

Emergem novas ideologias que se fortificam à medida das insatisfações — socialismo, comunismo, nacionalismo, fascismo e outras. Disputas sobre domínios e necessidades nacionalistas ameaçam a paz mundial. Surge a primeira guerra mundial como resultado. Mais de nove milhões de mortes. Devastações, destruições, medo, pânico, sofrimentos, famílias desfeitas. Terminada a guerra, há sinais de esperança de paz e bonança com a formação da Liga das Nações. Mas, ficou pior. Eis porque seguida à revolução russa chega a ditadura do Nacional-Socialismo. Novamente as relações internacionais entraram num período instável agravado pela crise econômica e pelo imperialismo das ditaduras com base na violência.

Embora avanços significativos do terceiro momento histórico tivessem sido observados com a revolução industrial, a competição acirrada levou vários países à situação de vida ou morte com necessidades prementes de recursos, de matérias-primas, de mercado e de zonas de influência econômica.

Assim, a humanidade retorna ao seu primeiro momento histórico. Eis porque, a segunda guerra mundial torna-se inevitável.

Mais de cinqüenta milhões de mortes. Atrocidades incríveis, perversidades inimagináveis, sofrimentos terríveis e vítimas de bomba atômica.

Não se sabe que lado cometeu a pior atrocidade. É o vale-tudo do primeiro momento perverso. O que pode mais chora menos.

Esta guerra trouxe a prova cabal de que quando o homem quer ser mau, é inigualável e quer ser burro supera o próprio. Quando quer ser solidário ou carinhoso e bondoso é imbatível. Quando quer odiar não há melhor. Quando quer se redimir, ser razoável e conciliar-se é o único. O querer torna-se necessidade. Transforma-se na base imediatista do tripé dos momentos.

Pelos recursos do quarto momento o querer forma uma unidade poderosa demais. Reúnem-se as forças da vontade«escolha, do desejo«determinação, da intenção«decisão e da deliberação«desígnio-sonho. Quando se tem a vontade, escolhe porque quer. Quando se tem o desejo, determina porque quer. Quando se tem a intenção, decide porque quer. Quando se tem o desígnio ou o sonho, delibera porque quer.

No final da segunda guerra mundial, todos estavam lutando mas já querendo a paz. Nasce, então, a Organização das Nações Unidas. Um significativo quarto momento histórico.

Mas, o mundo desse pós-guerra divide-se em dois blocos: o capitalista e o socialista. Restam seqüelas dos primeiros momentos negativos. É a guerra fria.

 

 

Ameaças e intimidações persistem. Mais guerras: Vietnã, Afeganistão, Irã-Iraque, Malvinas, Nicarágua.

Fim da guerra fria. Mas, não pára aí.

 

Outros conflitos sucedem-se:

Golfo Pérsico, Geórgia, Iugoslávia, Tchetchênia, Líbano, etc. Isto, sem falar nos locais, de necessidades ideológicas, políticas, culturais, econômicas, sociais, étnicas, religiosas.

 

 

Quem lucra com a indústria das guerras senão os seus astutos e inescrupulosos provocadores?

 

 

Temos visto que as guerras, os conflitos, as matanças, os terrorismos e os massacres, cada vez mais artificiais, manipulativos, enganosos e perversos, não resolveram nenhum dos problemas nem aos dos que se foram e muito menos aos dos que estão aí, em sua maioria, porquanto nunca foram estes os seus objetivos. Ao contrário, agravaram-se-os acumulando-os e recriando-os, diversificadamente.

 

Prova disso é que, em incoerência com os avanços da ciência e tecnologia, existem, atualmente, mais de um bilhão de famintos e subnutridos, privados das mínimas condições de higiene, nutrientes e de saneamento básico.

 

 

Existem, ainda, mais de dois bilhões de carentes de afetividade, de sexo saudável, alimentação, moradia própria, assistência social, recursos, bons empregos, instrumentos, informações e instrução.

 

 

Temos, só para lembrar, mais de vinte milhões de crianças mortas por ano e outras tantas sem registros, afora os moribundos adultos com doenças incuráveis, praticamente, desqualificados e sem nenhuma consideração e assistência pública.

Observem que tais necessidades são dos primeiros momentos históricos.

As necessidades políticas, culturais, sociais, étnicas e as privações coletivas são problemas dos segundos momentos históricos.

As necessidades ideológicas, tecnológicas, econômicas e carências são problemas dos terceiros momentos históricos.

As necessidades filosóficas, humanitaristas e religiosas são relativas aos quartos momentos históricos.

 

 

 

Esses problemas não se resolvem com ódios e matanças.

 

 

Urge aprender mais, conhecer mais, ser mais ético, altruísta e prestimoso, mais habilidoso ¾ isto é ¾ a humanidade deve logo se tornar adulta madura e dar-se conta de que o ódio reproduz ódio indefinidamente e que há muita manipulação.

 

 

 

Em suma, urge a humanidade ter um objetivo.

 

 

Uma missão maior que esteja presente no espírito de qualquer cidadão do mundo, em cada dia de sua vida!

 

 

 

Mata-se um, ou dois aqui, mas nascem três ali, quatro lá e mais seis ou oito acolá retrocedendo qualquer progresso.

A semente do ódio fica latente, brota escondida, cria e recria-se nos corações férteis e de repente reage em cadeia começando a matança ingênua.

Depois disso, de dominado passa a dominador e recomeça a engrenagem viciada do privilégio de poucos à custa da maioria, trocando as posições e sujeitos, alternadamente, mas a maioria acaba sendo sempre a mesma com os mesmos elementos: os ignorantes, os pobres, os excluídos, os lúmpenes, e assemelhados.

 

 

Há os que dizem que a guerra é um mal necessário. Há os que a defendem dizendo que graças a guerra o mundo ficou melhor. Tais afirmações, felizmente, são paralogismos ou “repetecos” ingênuos originados de sofismas dos espertos e astutos manipuladores, os reais organizadores de guerras. São grupos aliados constituídos de lúmpenes psíquico-sociais imediatistas que os subsidiam para fins de vantagens particulares no fito de reproduzir os seus poderes de dominância.

 

 

 

Já se disse aqui que para aprender a não se queimar não é preciso perder o braço. Para deixar o mundo igual ou melhor não é preciso fazer sofrer e abreviar a vida de bilhões de seres humanos sem referir aos seus colegas animais.

Alguém tem culpa desses sacrifícios? Não. Porque o bem e o mal são partes de uma unidade ética. Uma não existe sem a outra na formação da unidade  ética.

Entretanto, ocorre que se, ainda hoje, predomina o mal, pelos mesmos fundamentos pode-se fazer ocorrer o contrário.

É apenas questão de consciência da totalidade e fazer-se a opção.

 

 

Dentro da boa ética e da natureza racional não há lugar para autoritarismos, dominações, deformações, violências, perversidades, matanças, nem mesmo em defesa própria. Portanto, para prevalecer ou o bem ou o mal, é questão de escolha, determinação, decisão ou deliberação. Gandhi e outros grandes líderes como Moisés, Jesus, Buda, Maomé, Lutero, etc. demonstraram que o amor, a equanimidade, a justiça, a imparcialidade, a solidariedade e a religiosidade séria são virtudes que vencem e tem poderes para liquidar o mal e qualquer conjunto de perversidades.

 

 

A guerra é uma necessidade doentia de primeiros momentos históricos de grupos sociais que exercem a dominância, a qual a sua conservação ou continuidade está sendo ameaçada. Enfrentam maus momentos. Reagem coagindo, distribuindo e reproduzindo seus poderes em sentido múltiplo por deformação, habituação e sensibilização. Mantêm, assim, a sua dominância sempre mais forte. Certamente haverá reações de insubmissão gerando diversas ideologias contrárias. É a semente do ódio latente.

 

 

Oportunamente, haverá acúmulos de forças para uma reação total. Essa ameaça recíproca é que provoca os diferentes conflitos em múltiplos lugares de influência e interesse particular, até culminar numa guerra total.

 

 

Quando se trata de questões de ou mata ou morre, não há que falar em culpa, responsabilidade, obrigação, dever, direitos, justiças, regras, normas, leis, etc. porque estas coisas não pertencem às situações de primeiros momentos fatais ou inevitáveis. São situações exigidas pela civilização por força dos valores éticos necessários para uma convivência social que evite o caos. Portanto, são eventos socioculturais que se desenvolvem em decorrência das interações sociais de cada momento histórico para fazer persistir a contento as relações de reciprocidade.

 

 

Em síntese, o que a humanidade precisa mesmo é ficar logo uma adulta de boa ética. É urgente formá-la com pessoas ajuizadas que administrem e negociem os seus desequilíbrios e diferenças através de acordos, conciliações, consensos e pactos ou contratos sociais globais.

 

 

As gerações sucessivas, coletivamente, têm morrido sem ter atingido a sua maturidade. Predominam, então e ainda, situações de primeiros momentos históricos negativos para os grupos dominantes, o que é o pior. Igualmente pior é que, num raro momento de consciência, muitos sabem o que é o melhor para todos mas se apavoram só de pensar no empenho.

 

 

 

 

A CONSCIÊNCIA SOCIAL INTEGRATIVA.

 

Quando a água encanada chega à vila e jorra, querendo, pelas torneiras das suas casas, os seus moradores, num primeiro momento, não tratam logo de fechar o seu poço. Mas, haverá de chegar um segundo, um terceiro e um quarto momento que não haverá um só poço que não esteja fechado e inutilizado. Analogamente, os servos deixaram o trabalho no campo e foram laborar nas manufatureiras dos centros comerciais.

No comércio o dinheiro representa qualquer mercadoria. Podia-se acumular dinheiro. Não dava para acumular mercadorias. Ou apodreciam ou precisava-se fazer constantes trocas e outras complicações de transportes, armazenagem, proteções contra pilhagens, contra intempéries, bactérias e contra as depreciações. No comércio, o dinheiro compra tudo.

 

 

Os donos das terras, sem trabalhadores, então, precisavam obter dinheiro para comprar produtos de suas necessidades. Foram, portanto, forçados a atrair de volta a mão de obra em condições melhoradas. Daí, a consciência do trabalhador do valor de sua força de trabalho, do poder que representa a retirada em conjunto dessa força.

 

 

Aos conservadores, as reestruturações são ameaças às suas tradições. Por isso, resistem às mudanças. Desqualificam as idéias novas e o diferente. Lutam por todos os meios contra as mudanças que ameaçam os seus valores consagrados. É também questão de vida ou morte. Por isso, utilizam-se dos meios mais perversos e de todos os instrumentos próprios do grande ódio.

 

 

As emoções e os sentimentos intensificados como os rancores, as mágoas, ódios e vinganças não só explicam mas dão origem às matanças e agressões com requintes de perversidades nunca dantes experienciadas pelo ser humano.

 

 

 

 

Assim, a Igreja e a Aristocracia retardaram o processo de mudança do feudalismo para o capitalismo por mais de quinhentos anos.

 

 

 

Em favor dessa resistência houve manipulações oblíquas, perseguições, ameaças, excomungações, preconceitos, perversidades, discriminações, atrocidades, mortes, terrorismo, torturas, matanças, muitas guerras e destruições.

 

 

 

O Capitalismo também sofreu ameaças de outras forças econômico-sociais dinâmicas tendo com isso efetivado grandes reformulações e evoluído mais para benefício do capitalista do que para a sociedade como um todo.

 

 

E o que o capitalismo fez contra os seus inimigos? Além de muitas coisas abomináveis, no vale tudo das guerras, aliou-se com o seu arquiinimigo, o socialismo-real comunista, para combater seus inimigos comuns muitíssimos poderosos como o nacional-socialismo (nazismo) e o totalitarismo fascista. Vencidos estes, a união se congela.

 

 

Certo é que todo modelo autoritário com poderes absolutos ou assemelhados com objetivos exclusivamente nacionalistas está destinado a desaparecer, sem demora, pelos próprios fundamentos.

 

 

 

Felizmente, a humanidade segue o curso, o seu processo de prover as suas necessidades constantes, agora, de forma mais democrática, acentuada e acelerada, iniciado em seus primeiros momentos históricos pelas suas primeiras sociedades igualitárias, sempre no afã de resolvê-lo, definitivamente, na forma abundante e global (quarto momento histórico).

Ilustres líderes como Abrão, Jacó, José, Alexandre, César, Cristo, Buda, Confúcio (Kung Fu-tze) da era antiga, Maomé (570-652) e muitos outros igualmente poderosos já pensavam na administração da abundância e procuraram pô-la em prática. Pregaram a sua globalização, mas, cada qual a seu modo.

Na idade média, foi a vez de grupos. Nestes, destacaram-se o islamismo, o catolicismo e os bárbaros germânicos. Também esses tais grupos pensaram na globalização da abundância, mas cada grupo a seu modo.

Na idade moderna, ressurgiram os burgueses como a quarta grande força dinâmica coletiva, ao lado da realeza, da nobreza e do clero. Perceba que formavam quatro forças dinâmicas coletivas, cada qual constituindo um grupo coeso. Apareceu, em conseqüência, o Estado Moderno Absolutista.

 

Pensou-se também em abundância, mas cada categoria a seu modo.

 

 

Na era contemporânea, Napoleão, primeiro; Hitler, depois.

 

 

Ambos ousaram reunir o mundo sob os seus comandos. Mas deixaram o mundo mais escasso do que já estava.

A seguir, surgiram duas forças coesas, antagônicas e poderosíssimas: o capitalismo e o socialismo. Também pensaram em abundância, mas cada lado ao seu modo.

Por acordo, vence o capitalismo para globalizar a produtividade e o mercado tendendo a eliminar as antigas cercas, as modernas fronteiras e as contemporâneas comunidades econômicas continentais.

Mas, embora a abundância global possa existir, querendo, inexiste o interesse para organizar uma administração que a torne real, não só para matar a fome, propriamente dita, da população mundial; mas também para matar outras fomes como as de sexo, lazer, trabalho adequado, conhecimento, moradia, segurança, habilitação, etc.

 

 

A próxima força dinâmica coletiva será a democracia cognitiva global?

 

 

Estarão à frente os profissionais autônomos de todo o mundo formando uma unidade social coesa?

O que é democracia cognitiva global?

A reprodução e a expansão do conhecimento e do saber de modo universal e necessário é a essência de uma democracia cognitiva global. A aprendizagem e o desenvolvimento não se devem restringir a poucas pessoas privilegiadas. Deve-se, sobretudo, ser parte principal do objetivo não só da totalidade de indivíduos que compõem a sociedade, mas de maneira especial para as unidades sociais coesas. Porquanto só a reciprocidade, a cumplicidade e a comunhão de interesses do social com o indivíduo e do indivíduo com o social é que se consolidará uma democracia cognitiva global.

A autêntica democracia do conhecimento implementada em todas as nações há de dar ao mundo outro paradigma e novos conceitos de vida que definitivamente romperão com a velha estrutura de vantagens particulares, egocêntricas e imediatistas, extirpando de vez o domínio do mal e o poder injusto no seio social do planeta.

 

 

É tempo de pensar em organizar a democracia cognitiva global, eis porque já há indícios ou tendências para a sua formação.

 

 

Tais sinais já se observam nas obras intelectuais de grandes pensadores da atualidade, nas atividades dos líderes religiosos, no “Habitat” e no “Eco”.

 

 

E, agora, no Fórum Social Mundial, na virada do milênio, em Porto Alegre (RS), no final de janeiro.

 

 

Evento esse que receberá movimentos populares de todo o mundo, no sentido de desenvolver alternativas construtivas em defesa da esmagadora maioria da população mundial que sofre constantes agressões aos direitos humanos fundamentais (Avram Noam Chomsky).

 

 

Vêem-se, ainda, os indícios da formação da democracia cognitiva global nas inovações das formas interativas do comércio internacional, na preocupação coletiva ante as turbulências sociais, na eliminação de fronteiras alfandegárias entre certos grupos de países. Nas reuniões de nações líderes em implementar uma terceira via econômica universal que atenda, em nível cada vez melhor, todas as necessidades básicas das populações mundiais, numa interação econômica, produtiva e distributiva de maneira justa e pacífica.

 

 

Também nos esportes ¾ especialmente os jogos olímpicos e a copa mundial de futebol ¾, embora por poucos dias, progride a passos acelerados a lembrança de que o sonho da paz e união dos povos, em todos os setores, é possível. Também na perplexidade e perspectiva de reação contra o surgimento de poderosíssimos grupos no gangsterismo internacional que já participam e influem nos governos. Na simpatia geral dedicada ao empenho e à dedicação de fortíssimos grupos humanitaristas, principalmente, das organizações não governamentais e na conscientização antitóxicos cujo consumo e tráfico estão em avanço incontrolável.

 

 

Ainda, vê-se sinais reativos e de preocupação contra a manipulação em curso no sentido de manter a dominância capitalista veladamente sob o véu da democracia controlada, nas manobras velocíssimas dos fluxos de capitais voláteis e nos outros fatores sociais não menos relevantes como no campo da revolução social, educacional e das conquistas técnico-científicas de cujas prováveis conseqüências catastróficas começaram a ser sentidas nas nações líderes. E que por isso mesmo já se planeja e se estuda uma nova via econômica global que venha atender as demais nações de modo satisfatório, sem necessidades de conflitos.

 

 

Não se deve esquecer tais indícios também no combate às perversidades aplicadas no crescimento demográfico e contra a manipulação psicológica maldosa das fomes e das doenças endêmicas e epidêmicas.

 

 

Por último, há fortes indícios do nascimento da democracia cognitiva global como decorrência da tendência que se verifica, hoje, nas linhas tortas da globalização da produtividade.

 

 

 

É muito fácil intuir a sua estratégia e o seu desenvolvimento automático, cujo projeto, e o seu implemento já em processo se resumiria no seguinte:

 

 

a) ¾ num primeiro momento, eliminar os elevados custos dos produtos comerciáveis controlando os governos “democráticos” dos países em desenvolvimento. Visando com isto a sua matéria-prima abundante e os baixíssimos salários manipulados, intencionalmente, em razão da demanda de empregos com as inescrupulosas demissões em massa.

b) ¾ num segundo momento, incrementar gradualmente a quantidade de consumidores dos produtos escolhidos. Nota-se sinais de que somente parte suficiente do excedente será distribuída à população pobre com o fito de habituá-la a um consumo compulsório. Isto por meio manipulativo oferecendo preços atraentes subsidiados pelo sistema de compensação tempestiva ou sucessiva, exterminador de concorrentes parasitários.

c) ¾ num terceiro momento, melhorar a qualidade de mão-de-obra, de modo gradual, com subsídios, além dos respectivos atrativos de alta remuneração a profissionais polivalentes, autônomos ou micro-empresários competentes. Estes se servirão de modelos a serem seguidos pela maioria da população. Neste processo, adolescentes, crianças e adultos, analfabetos ou não, serão todos encaminhados, com prioridade, para o profissionalismo polivalente e autônomo.

d) ¾ num quarto momento, integrar os três momentos citados em nível de auto-sustentação do trinômio: baixo custo - alto salário – alta rotatividade de consumo.

 

 

Essa tendência integrativa poderá resultar em lucro mirabolante para as mega-transnacionais.

 

Elas sabem que somente a reação circular desse trinômio será a salvação do extermínio de suas empresas espalhadas pelo mundo.

 

Desviar-se-lhes-ão do bumerangue fatal da crise geral da superprodução. Tal crise, já em andamento, tornou-se irreversível em função da ganância que desvirtuou o desenvolvimento prático da teoria econômica de David Ricardo.

 

Contudo, para toda a movimentação onde o dinamismo impera, assemelha-se a um elástico em cujas extremidades atuam forças antagônicas para apoderarem do elástico todo, cada qual puxando para o seu lado.

 

Cedo ou tarde entenderão que se puxarem muito, ou indefinidamente, nenhum lado ficará com o elástico inteiro.

 

Nesse ponto crítico poderá haver uma consciência integrativa geral para um pacto social global no sentido do bom para as partes e bom para o todo, num só tempo.

 

Através de uma visão de quarto momento é fácil intuir a tendência do homem no caminho da unificação de todos os povos. As necessidades históricas sucessivas de alta influência na biografia de cada indivíduo que nasce e morre, sucessivamente, terminam por completar essa previsão intuitiva. As consideráveis teorias de alto valor contributivo originam-se através da visão de quarto momento.

 

 

 

 

 

 

VISÃO DO QUARTO MOMENTO HISTÓRICO.

 

Observem atentamente a evolução da necessidade humana no sentido da comunicação. Nos primórdios, de conformidade com a grande facilidade encontrada no suprimento das suas necessidades em razão de localidade propícia e meio ambiente favorável à auto-suficiência, o homem não precisava conhecer outras linguagens, outros hábitos e outros meios de transportes senão aqueles que atendiam a contento o seu modo de sobreviver.

 

Mas havia povos desfavorecidos pela sua situação geográfica e eram pobres de recursos naturais. Solo e clima ótimos para determinados produtos mas péssimos para a produção de muitos outros tipos de alimentos, de matérias primas para tecidos, ferramentas e utensílios. Ali estavam praticamente adaptados sem precisar conquistar outras regiões através de guerras, para suprir as suas necessidades vitais

 

Experiências históricas amargas de primeiros momentos no sentido da guerra — submissão, prejuízos, enfraquecimento, fiscalização intensa — tornavam o caminho das trocas de produtos mais conveniente.

 

Para trocar, permutar mercadorias, obviamente, aumentou a necessidade de produzir excedentes, e também buscar excedentes para também permutá-los em outros lugares.

 

Em conseqüência, surgiu a necessidade de melhorar os meios de transportes para levar e trazer mercadorias. Era preciso conhecer a linguagem, usos, costumes e hábitos de outros povos e inserir-lhes mais um — a de querer trocar o que cada qual tinha, fazia ou conseguia em abundância pelo produto que lhe era muito custoso tê-lo por produção própria. Forças dinâmicas de interesses particulares e corporativistas interagiam-se alternando momentos históricos negativos e positivos.

 

E, à medida do crescimento das trocas surgiram cada vez melhores e mais sofisticadas as tecnologias dos meios de transportes e comunicações. Os seus grandes motivadores eram os poderes e os prestígios decorrentes de riquezas econômicas e financeiras. Os seus próprios produtos resultantes como navios, os aviões, trens, satélites, caminhões, seus combustíveis, oleodutos, gasodutos, maredutos, estradas, as redes elétricas, telecomunicativas, cibernéticas, seus acessórios e produtos afins, que facilitavam o processo das transações de negócios e mercadorias, significavam lucros mirabolantes.

 

E as facilitações para oportunidades no atendimento às necessidades dos primeiros e segundos momentos biográficos foram ampliadas, assustadoramente, com o desenvolvimento do terceiro momento histórico.

 

Há pouco, transportavam-se tão-só produtos acabados. Hoje, transportam-se muito mais partes da unidade produzidas em diferentes países para serem montadas nos lugares de consumo. Até satélites artificiais se transportam para o espaço sideral.

 

 

 

 

De transporte em transporte a comunicação global tornou-se realidade. Assim, o advento da computação eletrônica, cibernética e de outras engenharias avançadas acelera o quarto momento histórico. Aí estão a Internet, TV a cabo, telefonia celular, etc.

 

Novas necessidades farão corrigir o desvirtuamento do desenvolvimento prático da concepção ricardiana que tornou obsoleta a de Adam Smith, para que haja um resultado bom tanto para as nações quanto para a humanidade especialmente para o desfrute de qualquer pessoa de modo digno, complacente e natural.

 

A produção e a reprodução em cada lugar do que há em maior abundância e de melhor em vantagem na distribuição de excedentes para o resto do mundo farão surgir megacidades. Estas serão novas, maiores, planejadas e construídas em lugares hoje desabitados. As velhidades monstrengas que abrigam, ainda, os megamonstros tecnológicos desadaptados sofrerão reestruturações.

 

Algumas megalópoles e muitas cidades pequenas e médias em várias regiões do mundo desaparecerão. Haverá o exercício pleno do direito universal à moradia digna.

 

Urge, contudo, investir na educação formal subsidiada, em massa, da criança e adolescente de todo o mundo. Não poderá haver exceções, por mais lúmpenes sejam os seus pais.

 

Tal educação deverá ser direcionada à sua profissionalização qualitativa nas áreas de suas facilidades inatas com vistas à distribuição dos recursos humanos globalizantes. Isto é, nos setores da exploração dos recursos naturais geológico-geográficos, agropecuário-industriais, produtivo-habitacionais, técnico-científicos, e em outros setores de muita automatização e de novas outras tecnologias, no passo da consolidação da revolução dos descartáveis, perecíveis e recicláveis.

 

Não que isso seja o ideal. É porque são fases inevitáveis do processo de globalização já em andamento de modo irreversível.

 

O mundo propende à padronização, à simplificação e à facilitação para o suprimento com fartura das necessidades básicas da humanidade, de modo definitivo.

 

Com isso, a reestruturação das relações humanas está próxima para um confronto, entendimento, compreensão e conscientização numa linguagem e moeda predominantemente comum, numa reprodutividade econômica de abundância para o benefício comum e numa administração única e global para a erradicação de qualquer miséria humana física ou psíquica, de vez.

 

Haverá os arranjos, as permutações e combinações para uma organização social reintegrada em alto nível, renascendo, respectivamente, os novos acordos, as reconciliações e os consensos no sentido do pacto social global benéfico e duradouro.

 

 

Os desperdícios de bens materiais e esforços supérfluos serão evitados canalizando o potencial dos recursos humanos, instrumentais e de matéria-prima para a harmonização da liquidez, da consolidação e da expansão dos investimentos humanos.

Para tanto, o amor e a inteligência no passo da coesão social serão as virtudes mais poderosas ao alcance do homem para a fruição harmônica de um triunfo sensato universal.

Isso é tão óbvio quanto a natureza dispõe, aos seres vivos para o seu consumo, a matéria em seus quatros estados naturais e para o ser humano, mais o privilégio de poder converter cada um de seus tipos para o estado desejado ¾ líquido, sólido, gasoso e energético ¾, cuja força de atração e repulsão entre as suas moléculas é determinada pela temperatura e pressão. Em analogia, a temperatura pode corresponder ao amor e a pressão à inteligência.

Assim, sem mais prorrogações, deve-se harmonizar o individual e o coletivo para a libertação dos bons ideais no sentido do desabrochamento das potencialidades humanas ao aprendizado adequado. Integrar-se-ão os seus momentos biográfico-históricos básicos, simultaneamente, para que cada pessoa vivente tenha acesso ao conhecimento, livre e graciosamente.

É direito universal do cidadão de obter a sua habilitação técnica profissional, por mais miserável se encontre. Principalmente, para este último, tal que com a dignidade de cidadão do mundo seja útil como tal, valoroso como ser social, agradável por suas qualidades aprendidas e desenvolvidas; e, precioso como humano que é.

O lúmpen o é porque foi levado a adaptar-se nisso, não porque quis. Mas, ele sobrevive porque consome. E o que consome alguém pagou. Se pagou, parte do imposto está embutido no que ele consumiu. Por isso ele amplia o seu direito de cidadania adquirido ao nascer não exercido, ainda. Neste sentido, não obstante a omissão ampla e perniciosa, a prestimosidade virá naturalmente. Ela chegará não só para que o lúmpen exerça os seus direitos de cidadania com honradez e dignidade. Mas, principalmente, para erradicar a fome do mundo.

Só assim, o crescimento populacional acelerado retornará em seu nível de equilíbrio, uma vez que a escassez de nutrientes no organismo é que dispara a sexualidade reprodutiva no processo de conservação natural da espécie.

A aprendizagem e o desenvolvimento vistos pelo ângulo global, saneando os momentos históricos para os momentos biográficos; impõe-se crer, pode trazer melhor compreensão para, sem demora, qualquer cidadão do mundo possa habilitar-se, treinar-se e viver bem.

A liberdade, a justiça, a solidariedade e a paz não são questões de direito, dever, obrigação, controle e responsabilidades.

Nem mesmo se trata de conquistas ideológicas.

Porém, são certezas exercitáveis, benefícios incondicionais desfrutáveis, de maneira independente, no dia-a-dia de cada um. Qualidades essas, exclusivas de seres extraordinariamente evoluídos e definitivamente superiores.

 

 

O ser humano é capaz de distingui-los dos seus opostos. Diante de cada um deles e do seu respectivo contrário pode-se ter a consciência para optar, determinar ou decidir e ainda deliberar pelo melhor.

O indivíduo deve fugir não da prisão ou lutar pela sua liberdade ameaçada. Nem se esquivar de quem quer prendê-lo.

O que ele deve querer, antes de tudo, é libertar-se, esquivar-se ou fugir da sua própria deliberação não saudável que o faz agir e provocar a sua não-liberdade, a sua não-justiça, a sua não-solidariedade e a sua não-paz.

Contudo, é necessário ter consciência da qualidade e dos tipos das reações, ações, atuações, comportamentos, condutas, procedimentos, atos, vontades, desejos, intenções, princípios, objetivos, índoles, atitudes, influências e valores interiorizados — naturais ou adquiridos — que podem afastar, ou retirar a sua liberdade, a sua justiça, a sua solidariedade e a sua paz.

Infelizmente, incorporamos — sem querer ou sem saber — variados modelos de péssimas qualidades e maus exemplos, principalmente, de atos, comportamentos, atitudes, condutas e procedimentos inadequados que vão contribuir para os nossos movimentos angulares, para os vícios, imoralidades e propósitos ilícitos ou oblíquos e imprudentes.

Tal qual uma filmadora, a nossa memória grava esses modelos e projeta a resposta correspondente automaticamente ao toque da sensação conectada.

A conseqüência disso é mal-estar, perda de tempo, prejuízos, danos, doenças e punições.

Tudo isso constitui bloqueio da liberdade.

É preciso, então, dar-se conta, repita-se, da possibilidade de mudanças para o benefício das partes e do todo, ao mesmo tempo, administrando o poder da livre iniciativa e da espontaneidade, em busca da liberdade saudável, da paz, justiça e solidariedade.

 

 

A MOVIMENTAÇÃO HUMANA.

 

 

É óbvio que para uma vida feliz é preciso desfrutar a plena liberdade. E que o movimento é o seu fundamento.

Mas o movimento mal direcionado restringe a liberdade.

É de se indagar, então, o que faz um indivíduo a direcionar bem o seu movimento? Será o seu bem-estar, o seu bem ser, o seu bem ter, o seu bem fazer?

Fácil inferir, então, que a disciplina pode exercitar a plena liberdade, através do zelo, prudência, habilidade e do seu momento integrador que é a concentração com prestimosidade — contraditórios respectivos da negligência, imprudência, imperícia e cuja integração destes três maus momentos podemos chamar de distração com omissão de seus respectivos contrários.

 

 

A omissão é a disposição mal administrada com os desvios dos movimentos implicando a não-solidariedade. Isto causa relações sociais não-justas resultando a não-paz na movimentação humana.

Em conseqüência, reproduzem-se os negativismos da não-liberdade.

Na implementação paulatina do projeto de construção da realidade subjetiva na interação com a realidade objetiva é  possível assimilar, acomodar, consolidar e fruir do resultado da aprendizagem adequada porquanto esta é integrante, harmônica, solidária e incondicional. A omissão de que falamos é ampla. Ninguém é obrigado a adivinhar nada da necessidade premente de outrem, nem sair correndo em seu socorro quando evidente a sua premência. Mas o senso de solidariedade faz com que surja a noção de que algo deve ser feito. Não se veste um santo desvestindo outro, porém, há quem vive em abundância. Não é o leigo que pode salvar um doente, mas o médico. De outro lado, há pessoas cuja situação de carência, privação e premência são tão óbvias que pessoas abastadas passando por elas, olham-nas e nada notam ou fazem que nada viram e não passam mais por ali.

A omissão pior, no entanto, é saber que já se passa de um bilhão de pessoas no mundo que comem mal ou passam fome, tem dentes ruins sem poder tratá-los, além de outros males aflitivos. E, os homens que podem tudo, olhando-as, nada notam ou fazem que nada viram e parecem dizer: ¾“cada um por si e Deus para todos”.

Não se deve permitir a restrição de liberdade por falta de recursos imediatos.

É preciso que a coletividade conceda condignamente crédito para sanar tais necessidades prementes. Portanto, urge que a liberdade de cada qual seja disciplinada no sentido do respeito à liberdade dos outros. Tal disciplina deve honrar e acolher com consideração a ingenuidade, a responsabilidade e a espontaneidade que se lhe é oferecida pela liberdade alheia.

A omissão é o maior desrespeito à liberdade alheia.

No caso dos excluídos e vítimas da subnutrição e fome é o mesmo que um pássaro com as penas de suas asas cortadas. Enquanto as suas asas não crescerem, para o vôo da liberdade, não poderá subsistir por si só, a contento.

A conquista da plena liberdade é feita antes de entrar na não-liberdade. Isto não significa que não haja retorno à aprendizagem e desenvolvimento da plena liberdade, se prisioneiro.

Se entrou é possível sair, assim como as penas cortadas das asas podem crescer de novo. Mas é preciso conhecer bem os dois lados dessa contradição. Preferivelmente, em teoria, observação, por tomada de consciência ou livre trânsito.

A convivência autêntica com a não-liberdade cria defensivos e ofensivos generalizados com a peculiar adaptação e com uma certa liberdade restrita. É o contraditório dentro de um contraditório maior.

Tudo é questão de aprendizagem e desenvolvimento.

É melhor aprender a não botar a mão no fogo antes de perdê-la por manuseio inadequado, por distração ou por agravo da queimadura.

 

 

 

 

 

 

 

 

É muito melhor e inteligente alegrar-se por não ter entrado no perigo e em suas conseqüências do que se alegrar pelas peripécias, malabarismos, ou esforços requisitados para sair-se ileso.

Todavia, o problema maior é o de ter nascido já dentro de uma prisão sem grades. Este problema merece a prioridade de solução.

O dito popular ilustra bem esses fatos: —“Cachorro mordido por cobra tem medo de lingüiça”. O medo generalizado bloqueia-lhe a liberdade de desfrutar uma ótima situação. A amarga experiência criou-lhe defensivos ou ofensivos que obumbram a sua natural liberdade de reagir ante a semelhante realidade que agora o confunde.

A liberdade é uma necessidade primária do homem tão vital quanto o alimento, o afeto, o sexo, a roupa, o abrigo, a auto-estima e a relação saudável entre si com o meio ambiente.

A condição essencial da liberdade do homem é o seu movimento espontâneo, sem quaisquer obstáculos subjetivos ou objetivos, em direção ao suprimento de todas as suas necessidades salutares — por si e por outrem — sejam elas prementes, tempestivas ou sucessivas.

De que adiantam o conhecimento, o poder, a riqueza, a intuição, a habilitação, a percepção e outros recursos de um indivíduo faminto próximo de um pedaço de pão, quando se dá conta de seu total isolamento e privado de qualquer movimento?

Logo, a total liberdade não só do alimentante como do alimentado precede a saciação da fome, a razão básica de sobrevivência.

Assim, por mais poderoso ou rico o indivíduo mesmo que pague pelo que necessita, não saberá sobreviver melhor do que qualquer um dos que lhe servem, sem estes.

Diante disso, é preciso ter e dar valor à aptidão e à capacidade de bem administrar a eficácia do movimento pleno no passo da fruição de ocupar-se de viver bem e do estar-para-a-vida de bem com os demais.

O caminho para essa liberdade saudável é o desprendimento, que é a libertação interior, não só do vínculo material gerador do sofrimento mas do vínculo da paixão geradora dos negativismos.

Eis pois, ambos os vínculos restringem os movimentos no passo da vida autêntica.

Daí, dizer-se de que melhor é o não entrar do que ser obrigado a sair, ou do que o não poder sair como pressuposto.

Por essa razão, cada indivíduo deve e pode libertar-se das suas vontades compulsivas, dos seus desejos arrasadores, das suas intenções espúrias, dos seus ciúmes, da sua inveja, da sua culpa, da sua inibição, do seu preconceito, do seu dogma, dos seus valores retrógrados, da sua submissão, da sua obrigação, do seu dever, da sua preguiça, da sua inabilidade, da sua ganância, da sua avareza e da sua doença.

 

 

Um dos sólidos caminhos para o desprendimento está na aprendizagem e desenvolvimento da prestimosidade que nutre a solidariedade.

Ela é obtida pela auto-estima e autodisciplina, integrando o zelo, a prudência e a habilidade.

O homem não precisa ser disciplinado por nenhuma força superior muito menos por força autoritária.

A eficiência e a eficácia da disciplina só se conquista pela amabilidade, pela auto-estima e pelos conhecimentos objetivos e subjetivos cultivados continuamente desde tenra idade. Nesse nível de ser humano basta a cordialidade e a boa intenção amigável, sincera e solidária. Urge acelerar isso para que o comando da sociedade obtenha a própria disciplina saudável para se servir de modelo para a sua sucessão e para a sociedade toda.

Urge, então, avaliar e reavaliar as crenças irracionais ou não objetivas, os hábitos, os costumes, os usos e as convivências dúbias e não saudáveis para substituir todos os valores inadequados e maus pelos seus contrários.

Somente respeitando o livre atuar dos outros através dos bons valores éticos interiorizados, postos em prática e reconhecidos, é que se pode obter a concessão automática, ou a permissão tácita, para invadir o espaço íntimo alheio.

Que significado tem a intimidade na aprendizagem?

Sem a intimidade não se consegue aprender nada.

Por quê?

— Para aprender é preciso aproximar-se da fonte do conhecimento. Ter um contato direto, interagir e sobretudo comunicar-se. Em síntese, é preciso entrar no espaço íntimo daquilo que se oferece para um aprendizado eficiente e eficaz.

Mas o que é a intimidade?

 

 

— A intimidade entre duas ou mais pessoas, antes de tudo, é uma simpatia recíproca que leva a fundir as liberdades de cada qual, num entendimento harmônico, incondicional e espontâneo. É uma permissão tácita ou explícita das partes no uso de um espaço subjetivo ou objetivo particularíssimo de cada um.

 

 

 

A esse espaço chamamos espaço íntimo.

Não obstante o consentimento em invadir o espaço íntimo de uma pessoa, animal ou coisa, necessário se faz o carinho e o respeito irrestrito observando-se a sua integridade, a arrumação e disposição do seu conteúdo e forma, além do trato protetor, cuidadoso, prudente, habilidoso e prestimoso.

Não há intimidade sem estas considerações.

Antes de sair de um espaço íntimo de uma pessoa, deve deixá-la em igual ou melhor situação de bem-estar ao invadi-lo.

 

 

 

Lembre-se de que a incondicionalidade é nutrida pela autoconfiança, simpatia, confiança mútua, juízo, auto-estima, credibilidade, boa-fé, atração, paixão, amizade, amor, sinceridade, cumplicidade, fidelidade, lealdade e assemelhados.

Daí, não há dúvida da grande probabilidade do incremento da boa qualidade da aprendizagem porquanto as considerações enumeradas sustentam e garantem a sucessividade do livre acesso ao espaço íntimo e, por conseguinte, a continuidade da aprendizagem pretendida.

A aprendizagem das consciências (global) implica a intimidade autêntica com o ser-real. Não se invade o espaço íntimo do ser-real sem a sua tácita permissão porque há a possibilidade de se machucar. E isto, é próprio do primeiro momento.

Há a possibilidade de não se poder envolvê-lo por falta de aptidão e de conhecimento. E isto, faz parte do segundo momento.

Há, por último, o desafio a ser resolvido que pertence a um terceiro momento.

É a questão da perseverança das boas relações úteis e recíprocas.

Assim, para haver a autêntica intimidade, necessário se faz demonstrar, primeiro, a intenção certa de proteção da integridade do ser-real.

Depois, a permissão implícita para poder tocá-lo.

E, nunca, agir pensando somente em si próprio como que as coisas e as pessoas sempre estivessem à disposição de qualquer pessoa para satisfazer a sua índole possessiva e exclusivista.

Observe-se que a eficiência e a eficácia da aprendizagem nas escolas não provém da sabedoria ou da qualidade do mestre.

Ele até pode não saber muita coisa sobre a matéria que leciona. Ou sabendo muito querer impor-se como professor. Ou mostrar uma autoridade representada.

Ele pode também conseguir disciplina com ou sem fichas de resumo na mão.

Ele pode ser austero, eloqüente, hesitante, evasivo, decisivo, cômico, show-man, e outras amostras semelhantes.

Mas, tudo isso de nada adiantará se o aluno não estiver disposto a aprender.

A disposição (física e psíquica) e a sinceridade mútuas, aluno e mestre conseguem a eficiência e a eficácia da aprendizagem.

Lembre-se que a disposição é o momento integrador do reforço, da motivação e do interesse. E a sinceridade integra a confiança, a credibilidade e a boa-fé.

A eficiência ou a eficácia da aprendizagem está na disposição do aluno em querer de fato aprender, somada à sua certeza que o seu mestre é sincero, isto é, confiável, crível e de boa-fé.

Daí, ele se permite acolher a sinceridade do mestre no seu espaço íntimo.

A sinceridade do mestre é passo prestimoso em mostrar o seu querer autêntico e incondicional no bem-estar, bem-ser, bem-ter e bem-fazer do seu aluno.

 

 

 

Este por sua vez, quererá não só unir o agradável, o valioso e o útil ao precioso como também vibrar, admirar e apreciar ao contemplar o aprendizado efetivo.

Contudo, o mestre só terá cumprido a sua missão quando o resultado do seu procedimento junto aos seus discípulos refletirem na conduta destes, ao menos, o sentido do respeito a si mesmo, à natureza e aos seus seres na sua busca de capacidade e aptidão, principalmente, no passo de bem gerir a sua liberdade saudável.

Já nascemos com algum espaço íntimo garantido. O útero materno é o nosso primeiro espaço íntimo objetivo. As séries de aprendizagens, que aí se têm início, dividimo-la em duas classes: a individual e a social.

A aprendizagem individual refere-se ao que cada indivíduo, por si, aprende ao longo de sua vida — da concepção à morte. No exemplo da mãe e filho, cada um por si e para si colherá informações na interação da unidade social formada pela mãe e filho.

A aprendizagem-social refere-se ao que cada unidade social ou grupo coeso, desde o par até a humanidade toda, aprende ao longo de sua existência — do princípio ao fim. No exemplo anterior, mãe e filho formam uma unidade social coesa. O que a unidade, em si e para si, aprende e pode mostrar de exemplo aos demais constitui um modelo de aprendizagem-social.

A aprendizagem não é só acúmulo de conhecimentos teóricos ou práticos.

A aprendizagem refere-se essencialmente à aplicação triunfante do que se aprendeu, ou seja o conhecimento adquirido, a habilidade e o saber fazer bem em cada um dos momentos biográficos ou históricos que se nos apresenta. A habilidade consegue-se com treinamento orientado. O saber fazer bem inclui o querer fazer, a boa disposição, a perícia, a técnica, uso do instrumental adequado, o método, a inovação, os ingredientes e a fórmula do desempenho vencedor.

O treinamento orientado refere-se ao projeto da experiência, do saber fazer, ou do conhecimento a ser adquirido.

 

A aprendizagem é o projeto, um todo idealmente pronto que vai ser construído na realidade objetiva ou implementado para desfrutá-lo. No caminho da ida o sujeito da aprendizagem verá, passo a passo, o todo se formando de conformidade com o projeto elaborado com subsídios das relações intersubjetivas ou interpessoais, sob orientação de supervisor. São o planejamento, metas e método com objetivo e missão previamente estabelecida, passíveis de serem mudados no processo em curso.

 

 

O caminho da volta é o desfrute, a vivência, o treinamento e a verificação da aprendizagem que sofrerá retificações ou ratificações. Saberá, então, o que pode e o que não pode ser feito. Conhecerá melhor a si próprio com o acréscimo de cada conhecimento novo obtido. Experimentará uma melhora sensível no modo de pensar e de raciocinar de modo correto. Terá, enfim, a noção de ter ampliado a consciência!

 

 

 

Portanto, cada indivíduo deve desenvolver o projeto de construção de sua realidade subjetiva e ocupar-se de criar novos conhecimentos desenvolvendo aptidões úteis, boas idéias e saberes eficazes e éticos.

Faça, então, o seu projeto, querendo, e saberá o que aprender, o como aprender e à medida de sua interação com a sua realidade objetiva ¾ treinamento, prática, implemento, desfrute compartilhado e com a produção e reprodução ¾ poderá ajustá-lo, inová-lo, modificá-lo, aprimorá-lo, adequá-lo, reinventá-lo, ou rompê-lo para viver novos paradigmas em níveis superiores.

A organização do acúmulo de conhecimentos precisos, técnicas, vivências, experimentos, modos de fazer, construir, defender, atacar, procurar, etc. é importante para a aprendizagem e desenvolvimento. Porém, tudo isso, não há, necessariamente, que estar na nossa memória ou no nosso piloto automático.

Contudo, é preciso saber coletar as informações precisas nos momentos certos e tempestivos. Deixar passar a oportunidade é situação perdedora. É preciso dar para si a oportunidade de acontecer. E, como é o óbvio, para acontecer é preciso estar presente tornando-se parte no acontecimento. Ou seja, viver no seu espaço íntimo.

Os arquivos subjetos e objetos devem estar disponíveis e ao alcance imediato quando requisitados. Do modo contrário, será distração com omissão que implica negligência, imprudência e imperícia.

Em síntese, percebe-se que a movimentação humana está bem estruturada e organizada de maneira natural para quaisquer momentos tanto biográficos como históricos.

Tudo o que o homem deve se propor é querer, do modo integrativo, a se movimentar em direção predeterminada, ou de acordo com o projeto, de maneira intencional e deliberada. Mas, de tal sorte orientado para resultados benéficos para si, para os que forem envolvidos e, simultaneamente, para todo o conjunto vivente quer direta ou indiretamente.

Pelo quadro a seguir dá para se ter uma noção de como se orientam os movimentos humanos ao longo de sua vida em relação ao seu meio ambiente. E, daí então, podemos começar a entender a conexão existente entre a aprendizagem individual e a aprendizagem-social.

Óbvio é que a movimentação humana só há para os contemporâneos vivos em condições naturais básicas acrescidas de um sem número de outras condições do seu relacionamento com o meio ambiente físico e social.

O quadro apresenta uma síntese desse sistema no qual se estrutura e se organiza o ser humano a partir do estado psicológico saudável, na sua existência objetiva. Fundamenta-se nas suas necessidades gerais, no tempo, velocidade e realidade espacial, através dos seus geradores estáticos, dinâmicos, cinéticos e harmônicos de energia nas suas relações interativas, positivas ou negativas, em busca de uma sobrevivência condigna, condizente, coerente e justa.

 

 

 

 

 

QUADRO DOS MOVIMENTOS NA VIVÊNCIA HUMANA.

 

 

 

 

 

MOMENTOS ® SITUAÇÕES ¯

PRIMEIRO

SEGUNDO

TERCEIRO

QUARTO

 

ESTADO PSICOLÓGICO SAUDÁVEL

INCONSCIENTE REFLEXO

INOCENTE

SUBCONSCIENTE CONHECIMENTO RESPONSÁVEL

CONSCIENTE PENSAMENTO ESPONTÂNEO

CONSCIÊNCIAS COMPREENSÃO DISCIPLINADO

 

EXISTÊNCIA OBJETIVA

FENÔMENO IMINÊNCIA

F A T O

PRIVAÇÃO

I D É I A

 CARÊNCIA

REALIDADE NECESSIDADE

 

TEMPORALIDADE

IMEDIATISMO

TEMPESTIVIDADE

SUCESSIVIDADE

ACONTECIMENTO

 

VELOCIDADE

RÁPIDA

GRADATIVA

DEVAGAR

EQUILIBRADA

 

FORÇA

ESTÁTICA

DINÂMICA

CINEMÁTICA

HARMÔNICA

 

GERADOR EN. INDIVIDUAL

1º. MOM. HIST.

AGRADÁVEL REFORÇO

HÁBITO

VALIOSO MOTIVAÇÃO

COSTUME

 Ú T I L

INTERESSE

USO

PRECIOSO DISPOSIÇÃO

CONVIVÊNCIA

 

GER.ENERGÉTICO

INDIVIDUAL

 2º. MOM.HIST.

ATRAÇÃO

FÍSICA  

PSÍQUICA

PAIXÃO

CONDICIONAL INCONDICIONAL

AMIZADE

ÍNTIMA

 RACIONAL

A M O R

NÃO-SABIDO SABIDO

 

GER.EN.INDVL.

 3º. MOMENTO HISTÓRICO

GOSTAR PREFERÊNCIA

SIMPLES

PERMITIR-SE POTENCIALIDADE

BOM

CONVIR

VANTAGEM

FÁCIL

QUERER

 PODER

ÓBVIO

 

GER.ENERGÉTICO INDIVIDUAL

 4º. MOM. HISTÓR.

VIBRAR

DESCOBERTA

ASSIMILAÇÃO

ADMIRAR INOVAÇÃO

ACOMODAÇÃO

APRECIAR INVENÇÃO

CONSOLIDAÇÃO

CONTEMPLAR CRIATIVIDADE

DELEITE

 

ENERGIA

EMOÇÃO

SENTIMENTO

SENSO

J U Í Z O

 

      

RELAÇÕES

SUBMISSÃO REBELDIA ACORDO

PARTICIPAÇÃO COMPETIÇÃO CONCILIAÇÃO

DEPENDÊNCIA INDEPENDÊNCIA CONSENSO

AUTONOMIA INTERDEPENDÊNCIA

P A C T O

 

 

 

 POSITIVIDADE

 

INGENUIDADE CUMPLICIDADE CONFIANÇA DÚVIDA QUESTIONAMENTO

RESPONSABILIDADE FIDELIDADE CREDIBILIDADE

CRÍTICA

FIRMEZA

ESPONTANEIDADE LEALDADE

 BOA-FÉ CONSIDERAÇÃO FACILITAÇÃO

DISCIPLINA INTIMIDADE SINCERIDADE ACEITAÇÃO CONJUGAÇÃO

 

 

 

NEGATIVIDADE

 

ESTUPIDEZ TRAIÇÃO DESCONFIANÇA SUSPEITA INTERROGATÓRIO

INCONSEQÜÊNCIA INFIDELIDADE CETICISMO PERSEGUIÇÃO INSEGURANÇA

PERVERSIDADE PRETERIÇÃO

 MÁ-FÉ INTRANSIGÊNCIA COMPLICAÇÃO

MANIPULAÇÃO DISPERSÃO CONFLITO DESQUALIFICAÇÃO SEPARAÇÃO

 

OBJETIVIDADE

BEM-ESTAR

BEM-SER

BEM-TER

BEM-FAZER

 

 

Novamente, cumpre lembrar que sem o movimento orientado para o justo benefício não há o aprendizado triunfante, em detrimento da boa vivência humana.

É fácil intuir que cada indivíduo a partir de sua concepção não pára de aprender e desenvolver-se.

Tem-se a impressão de que estamos, ainda, nos construindo em cada dia que está passando e a nossa vida é muitíssimo curta para vermo-nos terminados. Mas, não é bem assim.

A cada conscientização plena dos quatro momentos, tanto biográficos quanto históricos, simultaneamente, que possamos fazer corresponder a um triunfo sensato — sozinho ou em companhia — mesmo contra um único pequeníssimo problema que ameace levemente o nosso bem-estar, bem-ser, bem-ter e bem-fazer, podemos dizer que somos um ser humano inteiramente acabado.

 

 

 

 

O que construímos na verdade são os fatos, os acontecimentos, os artifícios, os artefatos, os fenômenos, as idéias, as técnicas, a tecnologia, as relações e os conhecimentos novos para nos servirem.

O que nos beneficiamos nessa aparente construção, com a aprendizagem e o desenvolvimento, é o incremento do nosso espaço, tempo, velocidade e energia para as nossas movimentações no sentido de uma vivência humana em alto nível.

Almejamos isto, juntos e simultaneamente, para todos os seres humanos.

Para ilustrar isso, suponhamos um casal civilizado perdido em meio a uma floresta imensa.

A princípio, quer ir embora. E luta intensamente para voltar para casa.

Mas, logo se dá conta de que, enquanto não aparecer uma forma de contato com a civilização, o remédio é ir-se virando como pode para subsistir.

Por primeiro, começa a busca pelo alojamento e comida fácil.

Entretanto, tem-se que aprender tanta coisa! Porquanto o seu hábitat, agora, é totalmente diferente da anterior  ¾ sem açougues, mercados, shoppings, etc.

Resumindo, o nosso casal adapta-se ao novo ambiente.

Em cada dia acrescentam-se-lhe novos conhecimentos e começa a dominar o local e redondezas. Torna-se seu senhor absoluto. Os animais selvagens fogem dele.

O antigo alojamento transformou-se em fortaleza porque filhos lhe nasceram e com o passar do tempo juntaram-se-lhes outros casais aventureiros que por ali se perdiam e que foram acolhidos.

Os filhos tornam-se adultos. A unidade social, à medida de seu crescimento, aumenta o seu espaço íntimo e a sua extensão mais próxima. A cada aumento de espaço dominado derrubando árvores, para as suas plantações e criações, todas as pessoas se dão um tempo para a consolidação e desfrute. Floresce-se ali, então, um ritual, uma cultura e um pacto social entre si, espontânea e necessariamente.

Muito esporadicamente, e bem longe dali, cruza um jato rasgando o céu.

Mas aquele enorme espaço aberto em meio a uma gigantesca floresta indevassável chamou a atenção e curiosidade de algum aviador que deu uma voltinha por lá e foi embora. O pessoal de baixo nem lhe deu bola.

Antes, pelo contrário, desesperadamente, o casal fazia fogueiras para chamar a atenção ao mínimo barulho de qualquer avião.

Um certo dia, não se sabe como e de onde, surgem jornalistas, cinegrafistas, cientistas e muitos outros especialistas que vão e voltam, temporariamente, para estudos ou curiosidades, iniciando-se, então, uma integração mais intensa desta microscópica civilização com a outra milenar, gigantesca e macroscópica.

O local vira atração turística e começa o seu crescimento em progressão geométrica.

Rapidamente tornou-se uma cidade, eis pois, em cada dia famílias e famílias vinham instalar-se ali por acreditar terem encontrado um paraíso de vida afastando-as de todos os seus problemas de uma megacidade.

 

 

A boa semente em terra atraente cresce e multiplica. Qualquer casal unido pelo amor é uma boa semente. Crescerá e multiplicar-se-á em qualquer terra fértil. Seja na cidade, na megacidade, no campo e mesmo dentro da floresta amazônica cercada de hostilidades.

Mas é necessário aceitar uma situação, dando-se conta de que é passo a passo, por minúsculo que seja o seu intervalo é que chega a um destino. Sempre um passo avante (movimentação) ao objetivo definido.

Quando menos se espera, o seu querer constante transforma o seu sonho em uma gostosa realidade. No começo, tudo é muito devagar.

Mas, numa outra ficção, foi de pouco em pouco, com paciência e alegria que os garotos confinados para um futuro banquete recheado foram bem nutridos graças ao rabinho de um rato em vez de um dedo que mostravam à bruxa através de fresta da porta, para que ela avaliasse a engorda. E, tornando-se fortes dominaram-na.

Intui-se, daí, que o ser humano, em verdade, é uma unidade formada. Cada unidade surge através de quatro outras unidades: a mulher, o homem que a fertiliza, o casal unido que cuida e o meio ambiente.

O que se lhes acrescentam ¾ aprendizagem e desenvolvimento ¾ é para já reagir, agir e atuar com qualidade, ou seja, para interagir melhor no meio ambiente, por incremento da sua extensão mais próxima.

Mas, por perder-se na lufa-lufa das pantomimas nos cômpitos da megacidade o cidadão esquece, por faltar-lhe tempo, de melhorar a qualidade dos seus espaços íntimos. Cresce sua extensão mais próxima mas deteriora a qualidade da intimidade com ela.

É preciso, por conseguinte, educar-se para consolidar cada espaço íntimo conquistado, num determinado tempo e numa certa velocidade para manter a sua sucessividade do modo saudável.

Acumular-se-ão, por isso, energias para as suas movimentações rumo a uma vivência humana em alto nível. É disto que trata a presente obra.

 

 

Urge, pois, a tomada de consciência dos rumos da civilização

 Porquanto, não podemos, indefinidamente, deixá-los ao léu, sem leme, ou por conta de uma falsa idéia de que a geração futura cuidará disso.

Certamente, o futuro será sempre das crianças de um hoje indefinido.

Contudo, sem a consciência de todas as lideranças do mundo, de homens que ocupam posições de poder no cenário universal contemporâneo, nada será feito.

 

 

Essa situação é de alta relevância para Humanidade.

Ainda, não bastará a simples consciência deles.

É preciso agir de imediato para a implantação do processo de dar um sentido, um objetivo e uma missão para a espécie humana no planeta.

E não nos devemos esquecer de que somos uma unidade integrada na natureza universal.

 

 



* Quadro relativo aos momentos biográficos. Veja página  32 Consciência Preliminar.