CONSCIÊNCIA CRÍTICA,
ÉTICA E HISTÓRICA.
Poderíamos dizer sem receio
antiparcimonioso que o espírito, no seu estado de consciência integrativa, é
que se dá conta das coisas ou do que ocorre consigo no cada aqui-e-agora
tomando o rumo das suas maravilhosas e surpreendentes deliberações
intrapsíquicas.
Tanto os acontecimentos que passaram quanto os que vierem a passar são tão importantes quanto àqueles que estão ocorrendo.
Desde que importantes, devem ser registrados, documentados e arquivados para serventia posterior.
Eis porquanto, a coleção respectiva dos acontecimentos reais no espaço, no tempo e na velocidade, dentro do contexto da compreensão e da lógica da sucessão natural e da provocada, nas interações dos elementos orgânicos, inorgânicos e dos seres vivos constituindo os fenômenos, os fatos e as idéias, forma a biografia do indivíduo, a história da humanidade e a do planeta.
Se não houver os registros, os documentos e os arquivos respectivos, tanto na memória daqueles que os presenciaram quanto bibliográficos e assemelhados, nada se aproveitará e é como se os mesmos não tivessem acontecido ou existido.
De que adianta o sabor da vida, no instante presente, de um indivíduo sem a memória e sem a consciência do que lhe ocorreu de há um minuto para trás? Ou, sem a fé ou crença e sem a expectativa na fruição de uma vida feliz num futuro não muito distante?
Para que serviria, do mesmo modo, no contexto histórico, se não houvesse os registros das grandes descobertas, inovações, invenções, ciências, técnicas, tecnologias e as variadas criações teóricas e práticas benéficas? Do mesmo modo que sabor da vida haveria para o ser humano como totalidade sem os seus devidos manuais de instrução e de uso em linguagem universal para o proveito de todos?
Contudo, ao lado da magnificência e
da sofisticação dos avanços científicos, técnicos e tecnológicos em todas as
áreas de atendimento às necessidades sociais e pessoais, pela capacidade
intelectiva do homem, vemos, estupefatos, notícias de violências e agressões
pelos pais contra filhos indefesos, de matanças, de revoltas, de hábitos,
costumes e crenças irracionais, de mortes incríveis, raptos de crianças para
venda de seus órgãos para transplante, conflitos entre nações, fome no mundo,
tráficos impróprios, subornos, prostituição infantil, pedofilia, estupros,
venda da própria filha para essa finalidade, ou para a escravidão, assassinato
de mulher em nome da honra, mutilação genital feminina, desvio do erário para
cofres particulares, catástrofes provocadas para fins de enriquecimento
ilícito, reprodução permitida de materiais não saudáveis tais como cigarros,
armas e afins, guerra civil, o desemprego exacerbadamente manipulado,
terrorismos, golpe bilionário impune dentro da própria comunidade de nações,
abusos perversos, escândalos político-econômico-sexuais, guerras para socorrer
ou atender grupos privados e outros absurdos.
E isto sem falar do que não é
noticiado como, por exemplo, a dominação despótica inescrupulosamente
disfarçada de democracia e mantida pela cautelosa deformação perversa sutil.
O momento histórico em que
atravessamos exige uma parada. Uma parada para a reflexão no passo de encontrar
respostas sinceras e autênticas das causas, dos motivos e das razões para as
absurdas contradições que, ainda, assistimos no nosso dia-a-dia.
O que é que está havendo com a
espécie humana?
Se olhar para o lado individual,
tem-se observado que algum crédito ainda é concedido, mas ao que tem, e ainda,
com juros abusivos e garantias de retorno. Ao que nem fiador possui, nem
pensar. Familiarmente, se vê créditos ao que não tem, mas em valores minúsculos
e humilhantes, e a sua concessão é naqueles moldes exteriores, tipo esmola, ou
é motivo de muita consideração por gostar, por paixão, amizade e amor ao
beneficiado. Entretanto, há o ponto de desgaste e saturação quando não há a
menor retribuição, ou sinais evidentes dessa potencialidade. E o basta, ou o
chega para lá ocorre no limiar da tolerância e na ameaça à penúria, ou da
evidente preterição. Daí, o que era amado é excluído do espaço íntimo, ou é
olhado com indiferença e pena, quando não há pior compreensão.
Será que a concorrência e a
competição no cotidiano, dentro de um sistema de capital que manipula o medo do
desemprego, condiciona o indivíduo rumo ao apogeu da inescrupulosidade
desaprendendo ou desgastando a relação promissora e mais saudável para
desalojar o amor?
Está mesmo a realidade sujeita,
inexoravelmente, a um vir-a-ser contínuo, sem chances para alguma inteligência
intervir e dar uma oportunidade aos bilhões de subnutridos do planeta?
Certamente, deverá haver aquela
explicação verdadeira com concordância unânime para o revezar-se de vida e
morte, submissão e dominação, pobreza e riqueza e demais contradições absurdas
e estúpidas.
E, do outro lado, deverá haver também
a compreensão de como persistir para conduzir à reformulação ou ao renascimento
da paz, do equilíbrio e das relações saudáveis entre todos os vivos dentro de
um contexto de exuberância sem prejuízos para este, para aquele ou para a
coletividade.
Nesse passo, urge dar atenção aos
interesses comuns a todos, por meio de um pacto internacional global, para o
seu imparcial controle ser implementado por um organismo permanente constituído
de representantes aptos, incorruptíveis e probos de todas as nações.
E que se inclua nesse controle uma
rigorosa proteção, incentivo, reforço, motivação e premiação à boa conduta do
cidadão, seja este pessoa pública ou privada, principalmente, à conduta que
resulte no interesse de todos. Nesse mister é bom que se adote o paradigma de
buscar os acertos relevantes para premiar em vez de procurar e provar o erro da
vítima do errado maior, para livrar este punindo aquela.
Longe de dar soluções, porque estas
são pertinentes ao querer integrado da totalidade em processo de
conscientização, mas, especialmente, para o rumo da tomada das consciências do
potencial do triunfo sensato que há em cada indivíduo, coletividade ou qualquer
grupo, e convicto da grande possibilidade da realização das soluções de todas
as necessidades sociais, paulatinamente, é que todos devem em seus quatro momentos biográficos e
históricos acordar do acordado. Nesse diapasão, é a presente
teoria um dos seus fundamentos facilitadores que pode iniciar a tomada de
consciência integral universal ― uma superconsciência individual
(realidade subjetiva) e uma megaconsciência social (realidade objetiva) ―
para o leitor que, aliando-se aos demais, tornarem-se todos, de fato e de
direito, catalisadores positivos do amplo processo de desenvolvimento do ser
humano rumo ao desfrute, repita-se, de modo contínuo, do bem-viver geral, um
direito natural incontroverso.
É preciso, portanto, dar-se conta das influências históricas.
Temos heranças dos nossos antepassados. Não só genéticas. Mas, aquelas exteriormente passadas e repassadas de uma descendência para outra, individual, ou coletivamente e aquela herança, quiçá, a mais importante, a dita herança histórica. Esta herança compreende a universalidade do patrimônio da humanidade que é o bem comum inalienável além do direito natural do ser humano.
Muito se tem
escrito sobre o direito do homem como pessoa, como um ser vivo, como
integrante da sociedade, como um cidadão, como família, coletividade, povo ou
nação e como totalidade, desde os seus primórdios. Assim, nomes como Abrão,
Moisés, Salomão, Hamurabi, Manu, Sólon, Confúcio, Sidharta (Buda), Jesus
Cristo, Maomé, Lutero, Joseph Smith, Alan Kardec, Péricles, Nero, Aristóteles,
Júlio César, Napoleão, Hitler, Bustamante, Giambattista Vico, Karl Marx, Hegel,
Rousseau, Montesquieu, Augusto Comte, Alexis de Tocqueville, Émile Durkheim,
Max Weber, Nietzsche, Spinoza, Leibniz, Gandhi, Henrique VIII, Beccaria,
Teixeira de Freitas e muitos outros ainda desfilam ao longo do tempo como
destaques na influência ou reconstrução de como anda o direito de hoje.
Daí,
nota-se que a história do direito universal se gruda na relação social desde a
forma e conteúdo mais simples do que pode e não pode fazer, de como satisfazer
as suas gerais e específicas necessidades sem prejudicar este ou aquele
indivíduo ou nação até as suas mais complexas situações de quem é que deve ou
devia fazer ou não e do por quê, como e para quem se obriga a fazer.
O homem, no afã de sobreviver do modo que lhe convém
na sua interação social pode provocar desequilíbrios a outrem trazendo para si
uma situação de responsabilidade.
Tais desequilíbrios podem resultar em infração
criminal que vai perturbar a saúde da vida social implicando em situação de
como resolver o impasse do modo adequado que não persista ou aumente a doença
social respectiva.
Falou-se,
então, sobre filosofia do direito, sobre os direitos: individual, social,
natural, positivo, subjetivo, objetivo, humano, público, privado,
internacional, universal, etc. com vistas à cidadania, liberdade, participação,
comunidade e paz global. Porém, é de se indagar se a disciplina-social e sua
conseqüente prática da boa ética inserida implicitamente nas obras desses
eminentes sábios citados e de tantos outros que não negam esforços nesse
sentido são, realmente, ótimas para as partes controversas e ótimas para todos,
ao mesmo tempo, por que não implementá-las, desde logo?
Hoje, a
história do direito pode-se dizer que desenrolou em três planos que se
correlacionam: o dos fatos sociais, o das formas técnicas e o das idéias
jurídicas. Contudo, ainda falta muito a escrever sobre aquele direito líquido e
certo da totalidade dos seres humanos ainda não satisfeito pelos responsáveis
mutilando o seu direito de desfrute na forma justa, efetiva e tempestiva.
O direito natural do ser humano é definido como o exercício pleno do direito à sua vida condigna, assim como o direito à vida dos demais seres, mas com base no bom senso e eqüidade, tanto biográfica (individual) quanto histórica (social), não só como cidadão nacional mas também como cidadão universal, cidadão ecológico e ecossistêmico. Direito esse, obtido desde a sua concepção, e que urge ser exercitado desde logo.
Do direito à vida condigna, socialmente, decorre os demais direitos tanto aqueles outros naturais como também os direitos de cidadania nacional e universal.
Porquanto, independentemente de reconhecimento civil, o indivíduo, tanto antes quanto depois do seu nascimento, em cada um dos seus momentos biográficos de necessidade, participa, potencialmente, dos deveres e obediências socioculturais.
Além do que, quer queira ou não, direta ou indiretamente, todos os viventes sofrem influências internacionais, porquanto não só consomem dos seus produtos, cujo tributo embutido se cumpre na aquisição, bem como estão sujeitos aos possíveis detrimentos decorrentes das atuações e interações transnacionais.
O ser humano assim definido é tanto qualquer pessoa viva quanto qualquer família, grupo étnico, entidade pública, ou privada, nação, até a totalidade do ser humano vivo, consideradas as suas extensões mais próximas, respectivamente.
Além dessas heranças históricas, tendo o homem como seu herdeiro único, deverá haver a devida compensação dos desvios de rota do desenvolvimento natural da sociedade humana provocados por artifícios malignos dos egocêntricos ¾ de domínio e controle de massa ¾ que funcionaram e continuam funcionando, ainda, como únicos catalisadores negativos. Eis aí, o fio da meada da causa maior de toda a criminalidade potencial de qualquer ser humano no seu limite de tolerância máxima, o limiar dos primeiros momentos negativos. Essa compensação não poderá tardar, haja vista os evidentes sinais da prevalência paulatina da boa ética, além da proximidade do amor e inteligência que conscientizam o ser humano de que o melhor investimento é o que resulta no que é bom para as partes ao mesmo tempo em que é bom para o todo social (a linha do bem).
Assim, o conhecimento humano e os seus benefícios gerados no curso do progresso gradual das ciências de produção e de reprodução de suprimentos das suas necessidades básicas, econômico-financeiras, tecnológicas, políticas, sociais, culturais e demais, são heranças históricas. Das quais as suas boas e reconhecidas influências devem sucumbir as péssimas e minguar as más; deixando-as, apenas, como lembranças de manifestações dos desvios da sociogenia ideal*.
A linha do bem, com os seus princípios, instrumentos e fins, é a forma inteligente única para extinguir qualquer tipo de crime no seio social humano de qualquer época.
Mas não é de se desprezar ou subestimar certas influências negativas.
É preciso sempre observar e estar atento, eis porquanto elas perdurarão continuamente, mesmo em forma potencial, passadas a todas as gerações ¾ de um modo ou de outro ¾ não só geneticamente, mas também através dos hábitos, costumes, usos e convivências nos seus fatores inadequados e repetitivos.
São os diferentes vícios passados de uma geração para outra, desde os tempos das sociedades igualitárias, do nomadismo, do matriarcado, do patriarcado e do feudalismo. Além de terem sido acrescidos, ainda, de muitos outros vícios gerados pelo imperialismo, pelo mercantilismo, nacionalismo, socialismo, republicanismo e, agora, pelo capitalismo global, sem precisar dizer daqueles gerados pelos regimes políticos totalitaristas ou despóticos.
Essas influências surgem em todos os sentidos, nos indivíduos aqui, acolá ou alhures. Manifestar-se-ão de modo diversificado nos seus mais variados fatores, seja no comportamento, na conduta ou no procedimento de um e de outro.
Ou, permanecerão nas suas potencialidades, prontas para serem despertas, sem falar naquelas dos retardamentos das depurações espirituais, embora ainda não parcimoniosas.
Conquanto não se possa extirpar todas as más influências e seus vícios, pela sua raiz, poder-se-á diminuí-las, fazer sumir as suas conseqüências nefastas, ou melhor amenizar as suas dores respectivas, através das consciências dos quatro momentos da aprendizagem e desenvolvimento.
A agressividade e a violência são um mecanismo de defesa do organismo vivo tão-somente na situação de extrema necessidade da sobrevivência contra a ação hostil no ato de sua prática concreta. Isto é absolutamente irracional piorando cada vez mais enquanto a estupidez se generaliza e se reproduz indefinidamente.
O homem é o único animal que não necessita viver a sua vida todo o tempo irracionalmente, porquanto, tem potencial para viver bem, continuamente, sem esse tipo de recurso. É preciso trabalhar a causa da provocação ou a sua ação hostil desencadeadora de reações também hostis. Demais disso, é preciso conscientizar-se das conseqüências psicopatológicas produzidas no sistema exclusivo de participação coletiva e dos malefícios resultantes nos excessos do sistema de competição.
A concentração excessiva de renda da maneira não ética e da distribuição social injusta da riqueza ou dos bons resultados econômicos aliados ao egoísmo, à ganância e às suas incríveis perversidades inconseqüentes, respondem pela má qualidade de vida da população respectiva, com sérios danos à sua saúde física e psíquica.
Convém dizer, em síntese que, seja qual for o regime político dominante ¾ despótico, totalitarista ou democrático ¾, o seu sistema econômico adotado, no seu modo de produção e distribuição, é que vai definir a qualidade de vida da população e dos menos favorecidos, e as suas boas ou más conseqüências.
As relações com os usos, costumes e hábitos tão-somente participativas ou exclusivamente voltadas para o coletivo, como exemplo, ou em virtude dos hábitos coletivistas já arraigados ou já incorporados no inconsciente histórico-biográfico (social e pessoal), em longo prazo, e em sua maioria, termina-se por machucar a individualidade do partícipe, induzindo-o ao tédio. Torna-se vítima da ansiedade constante e da passividade crônica. Sujeita-se à angústia, à depressão e ao estresse, sem ter noção do verdadeiro motivo, com decréscimo de qualidade produtiva e experimenta uma redução considerável de sua criatividade. Eis porquanto, não há para tanto a sua particular motivação, reforço ou interesse. Torna-se, então, indiferente e o fingimento ou a representação do seu papel social passa ser uma necessidade constante. Enquanto possa se safar do alcoolismo e das drogas, não escapará da progressão das suas neuroses, ou psicoses.
Também que, as relações sociais exclusivamente competitivas, tornam-se terrivelmente prejudiciais ao bem-estar dos competidores. E estes são todos, direta ou indiretamente, quer queira ou não.
Nesse sistema requer, com constância, a mudança de regras, a presença de arbitragem e a conivência ou a intervenção dos poderes públicos por pressão da mídia, povo e setores ou grupos que se sentem prejudicados. Isto ocorre em virtude dos seus excessos dinâmicos sem que se precise enumerar seus efeitos geradores de crises específicas violentas e dos seus vícios inerentes, porquanto óbvios.
Dentre tais vícios ressaltam-se as cobranças, inadimplências, fiscalizações, sonegações, boicotes, sabotagens, retaliações, falsificações, malandragens, fraudes, corrupções, infidelidades, deslealdades, chantagens, crimes hediondos, queimas de arquivo vivo, contabilidade artificial, crimes de funcionários públicos como peculato, exação, extorsão, concussão, favorecimento, prevaricação, superfaturamento, desvio de verbas, má aplicação do erário, omissões ou ausência do caráter imparcial com procedimentos de bastidores, manipulativo, inescrupuloso, sutil e astuto, etc. Além da elevação automática, ou forçosa, direta e invisível de contribuições sociais, multas deseducativas e falsas taxas que fazem suscitar insatisfações sociais com problemas de policiamento, controle, subversão, segurança e aumento em progressão caótica das arbitrariedades, das tendenciosidades, das impunidades e de outros absurdos.
Tudo isso, em realidade, só faz aumentar os negativismos da sua respectiva população.
As conseqüências desse dinamismo social negativo chegam a ultrapassar os limites toleráveis do ambiente interativo dos competidores. Eis porquanto, o excesso dinâmico do sistema induz os mesmos ou força-os, de modo automático, aos conflitos entre si, e daí, por questão de sobrevivência, para vinganças, retaliações, terrorismos, batalhas e por fim, aos confrontos bélicos. Eis aí, portanto, a reprodução dos vícios do dinamismo social irresponsável, injusto, caótico e sem nenhuma seriedade.
Em épocas calmas repassam o montante das perdas para os consumidores. E estes, por sua vez, acabam repassando os negativismos entre si agravando as doenças sociais. Dentre estas sobressaem a enfermidade físico-psíquica e o crime.
O interesse e a conveniência subsidiam os fatores, os instrumentos e os meios que mais produzem, reproduzem e aumentam os diversos negativismos, no decurso das competições ou das sucessivas concorrências. Dentre eles, a burocracia, as mentiras, as manhas, as polpudas comissões fáceis, os desvios de finalidades, as simulações, o enriquecimento ilícito, os golpes, as chantagens, camuflagens e disfarces emotivos são hábitos rotineiros. As enganações, malandragens, ciladas e as manipulações de pessoas tornam-se um costume social. E, daí, para as corrupções, os estelionatos, os favorecimentos reais, as receptações, as formações de quadrilhas, as pilhagens, os furtos, os assaltos ou roubos, as sabotagens, os raptos ou seqüestros, os esbulhos, as invasões, os contrabandos, os gangsterismos e os movimentos terroristas, além de outras perversidades, que ficam cada vez mais sofisticadas.
Faz-se crescer assustadoramente o drama das injustiças, tanto sociais quanto individuais. Aumentam-se, incontrolavelmente, as vítimas das perseguições e dos protecionismos tendenciosos, rumo às crises temporárias até sobrevir o caos total.
Enfim, reproduz-se uma população neurótica, medrosa, irritadiça e agressiva com a sua maioria constituída de pessoas aparentemente passivas, patológicas e apáticas, além de se produzir um amplo ambiente fértil para as psicoses e outras enfermidades, sem falar dos crimes hediondos e dos genocídios.
Certo é que a perpetuação da espécie é necessidade e fundamento do ser vivo e, normalmente buscada na sua forma adequada. Isso é observado no intervalo do nascimento à morte enquanto possibilitado por sua saúde, por sua fertilidade e no seu momento oportuno. Afora isso, o bem-estar constante é a sua luta natural e incessante.
Assim sendo, é preciso diminuir ou desestimular não só a promiscuidade e a coisa prostituída já ameaçando contaminar a juventude necessitada ¾ alijada da ocupação condigna e afastada, praticamente, da boa ética e da educação familiar adequada desde a primeira infância ¾, mas, essencialmente, afastar as relações econômico-sociais exclusivamente participativas e as competitivas destrutivas bem como as conjugais não saudáveis, em favor do que é melhor. É chegado o momento de subsidiar a boa alimentação* aos que vivem em condições miseráveis para que a boa nutrição cesse de uma só vez a síndrome da superpopulação que já ultrapassa a casa dos seis bilhões de habitantes. Só na Índia já existem mais de um bilhão de pessoas.
Isto já pode ser começado na base de recuperação, reeducação, ocupação remunerada saudável, subsídios e a redistribuição de renda de modo justo, a partir de uma renda mínima condigna, obviamente.
Nesse sentido, pode funcionar, a contento, um sistema seletivo que atenda às partes e ao todo, ao mesmo tempo, sem detrimentos, inserindo-se, gradualmente, a participação política direta dos desfavorecidos no passo de reduzir a representação. Esta, que por sua natureza política circunstancial só tem favorecido o crescimento da injustiça social. Não há aí, nenhuma utopia, se se começar com um planejamento passo a passo, querendo.
A redistribuição de renda de modo justo deverá redirecionar o investimento com o uso do dinheiro para a real finalidade na qual foi instituída e aceita pela sociedade potencialmente inteligente, proba e culta.
O dinheiro foi instituído para facilitar a dinâmica positiva das trocas justas e compensatórias entre produtores.
A troca
consistia em receber o que se tinha em falta dando o que se tinha em excesso.
Ou seja, o produto abundante de uma região por um outro produto abundante de
outra região mas escasso naquela e vice-versa. Não se podia produzir mais do
que o necessário. Muito excedente requeria armazéns amplos, muito espaço e
muito esforço à toa, eis pois com o tempo acabava se deteriorando gerando mais
esforços inúteis e desperdícios. Logo, não se podia acumular alimentos e outras
mercadorias por muito tempo.
Com a introdução do dinheiro podia-se produzir muitos excedentes.
Os variados excedentes imediatamente podiam ser distribuídos mediante troca por dinheiro. A acumulação do dinheiro era possível e servia para investir e reinvestir indefinidamente. Só que o seu emprego ou uso e finalidade estão sendo direcionados mais para o malefício do que para o benefício.
O dinheiro é como uma arma. A finalidade do seu uso é que determina o benefício ou o malefício.
O
dinheiro é próprio de uma estrutura social dinâmica que pode mudar uma
estrutura social estática em níveis cada vez melhores ou piores em função do
seu uso. O dinheiro não foi feito para fugir da fome e nem para morrer por
força das suas conseqüências nefastas. E muito menos para complicar a vida de
quem quer que seja. Nem para especulação, jogatina de capitais voláteis,
manobras monetárias para investimentos parasitários e manipulações cambiais
injustas. Muito menos ainda, para comprar a força de trabalho alheio a preço
vil. Tornando, assim, a pessoa em objeto, ou coisa, propriedade alienável, ou
numa mercadoria de troca.
Em qualquer sociedade, a finalidade do uso do dinheiro corretamente deve ser prioritariamente observada. Considerando-o tanto para beneficiar as partes entre si, quanto socialmente, sem desequilibrar indivíduos, grupos, nações ou o próprio mundo.
Visto que o dinheiro sem lastro é como o câncer e o capital volátil é como a AIDS. Um e outro desfrutam o que o organismo lhe oferece para em troca esgotá-lo até a sua morte.
O uso parasitário do dinheiro é como uma terra fértil improdutiva, sem nenhuma finalidade social. Seu detentor é mais desprezível do que o analfabeto político descrito na definição de Bertoldo Brecht. Assim, repita-se, uma sociedade que se preza, cuida de seus concidadãos, não se prostitui e nem alimenta parasitas para que a sua estrutura social estática e consolidada se mude progressivamente em níveis cada vez melhores.
Daí, para uma cidadania de resultado no passo de fazer com que o povo se torne a virtude principal do processo de seu desenvolvimento e promoção social, não basta só a idéia de participação saudável. Urge que essa idéia saia do papel e se torne uma realidade concreta.
A covardia que está no mercenário ou no lacaio que aponta uma arma para matar é tão igual a do seu mandante quanto à do próprio povo que teve o repasse do terror aceitando-o, passivamente, além de se conformar, ou esquecer o empenho de uma reação legal no ato, ou oportunamente, por instrumentos competentes.
É preciso amor, coragem e inteligência para convencer o mandante do lacaio, seja da parte do povo ou da parte de grupos poderosos, que a manipulação do medo da morte já se tornou obsoleta e que o maquiavelismo pode funcionar apenas num primeiro momento. Ocorre que há mais três momentos biográficos e históricos e a massa é numerosa demais para enganá-la ou amedrontá-la todo o tempo.
É importante,
então, a tomada das consciências do triunfo sensato global, desde logo, no rumo
de melhorar a qualidade de vida de toda a população do mundo. Sabendo-se das
potencialidades do ser humano para o viver bem, é ridículo e absurdo ver,
ainda, o uso da força, da coação, das armas sofisticadas, sedução, das
matanças, das perversidades e das atrocidades das mais sórdidas e incríveis,
sem falar do tratamento e uso das pessoas como objetos e mercadorias. Urge-se,
portanto, a retomada das consciências históricas para a deliberação e
implemento, repita-se, da intervenção dos momentos positivos sobre o imediatismo
egocêntrico, retrógrado e prejudicial, de tal sorte que prevaleçam,
definitivamente, o equilíbrio, o bem-estar e a paz do mundo, restabelecendo-os;
e, extirpando-se, de vez, a forma irracional, perversa e estúpida de resolver
as diferenças e as necessidades gerais.
É preciso
adequar os diferentes instrumentos e os recursos apropriados dos variados
momentos histórico-biográficos corrigindo desvios ou os erros de percurso
desestimulando radicalmente todos os vícios da obtenção de vantagens por meio
de manipulações, ou por artifícios ilegais e não éticos além da maneira
generalizada de combater o mal pelos seus efeitos em vez de pelas suas causas.
A boa
qualidade de vida tão-somente se obtém com o viver em sociedade, de modo
coeso, tal como pressuposto pela história do cooperativismo, respeitando-se a
dignidade, a autonomia, o espaço íntimo, a integridade, a iniciativa própria e
a individualidade de ser pessoa, não só uns com os outros, mas, principalmente,
pelos que ocupam as posições de liderança. Vale lembrar aqui a importância da liderança
exercida sem base no autoritarismo.
Cumpre
distinguir autoridade e autoritarismo. Autoridade é uma posição
de poder conferida a determinada pessoa que passa a ter o direito de exercê-lo
restrito às atribuições prescritas na disposição legal respectiva. Todavia, o
termo autoridade aqui usado tende para o significado de pessoa hábil,
competente com experiência e senso de justiça indiscutível, ótima aptidão
polivalente e de reconhecida capacidade demonstrando juízo, humana compreensão
e condescendência, alto conhecimento e sabedoria, além de inatacável probidade.
Autoritarismo é um regime político que postula o uso do poder e da
autoridade em detrimento da liberdade individual, próprio da ditadura e do
despotismo.
A liderança
exercida com base no autoritarismo é muito diferente daquela exercida com
autoridade, responsabilidade, amor e sabedoria. Nesta forma de liderança, com
uma administração cuidadosa e atuação inteligente, têm-se noção e o
conhecimento das diferentes necessidades, do tipo de empenho e desempenho de
cada liderado, respeitando-o e considerando-o como pessoa digna e não como
coisa, objeto ou mercadoria descartável. Encontra-se sempre atento para um
denominador comum, de tal sorte que as pessoas possam se relacionar
conciliando-se ou reconciliando-se, harmoniosamente, observando o que é bom
para as partes e bom, ao mesmo tempo, para o todo. Cada indivíduo é tão
importante quanto o todo no sentido de alcançar o objetivo principal definido e
a sua missão. Eis pois, um só deles ausente já faz falta ao próprio ausente e diferença
no todo. E, ainda, um só deles recuperado faz muita diferença para este
e completa-se o todo. Conscientiza-os, então, e adequa-os na aplicação dos
novos métodos melhorados e apropriados para cada situação.
Naquela, sob
determinação e poder da coação, punição e ameaça, mantêm-se os comandados
obedientes e passivos obrigando-os a fazerem o que não querem e em momentos
inoportunos. Considera um outro todo mais importante do que aquele formado pelos
liderados e a falta de um só destes aumenta os encargos dos demais presentes, e
a sua recuperação é considerada perda de tempo.
O poder da
coação ¾ com restrições à liberdade individual ¾ pode
até funcionar no imediato. Entretanto, gera conseqüências ruins e trágicas com
o decorrer do tempo, sobretudo, aumenta determinados negativismos afetivos,
revoltas, retaliações, disputas desleais, camuflagem, insinceridade e
sabotagem, além dos males psíquicos gerados pela submissão conflitiva com
riscos da perda de identidade e de individualidade. Pior é que este processo
produz e reproduz os negativismos e os vícios, indefinidamente, não havendo
como administrá-lo para controlá-los.
Portanto, sem
participações excessivas, sem as competições exageradas e sem tarefas
compulsórias ou coações, pode-se pensar em uma implantação paulatina do sistema
de produtividade pública de participação coletiva solidária, saudável e
incondicional paralelamente ao do privado de competição leal, ambos
autônomos e interdependentes, em regime de democracia autêntica.
Participariam,
consciente, espontânea e socialmente, todos os cidadãos depois de habilitados e
aptos, num determinado período, de forma compensatória e justa, organizada e
estruturada, globalmente, na produção exclusivamente do bem comum básico
suficiente para o consumo universal de modo contínuo.
Depois dessa
fase socialmente contributiva, também querendo, passariam os mesmos ao sistema
competitivo no sentido do acúmulo dinâmico exclusivamente dos bens supérfluos e
daqueles legais e socialmente permissíveis.
Não é difícil
ter noção ou compreender a boa qualidade e abundância, de modo incomparável, do
resultado de qualquer produção em que há o concurso de pessoas cujas
disposições físicas e psíquicas são movimentadas em razão dos reforçadores, dos
motivadores positivos, dos interessantes e seus integradores, além da
objetividade e missão apoiada com amor, paixão positiva, amizade ou pela
atração interpessoal correspondida.
Nesse
contexto, as relações participativas e competitivas do modo integrado, sem
exageros ou excessos, tornam-se automaticamente saudáveis, disciplinadas,
responsáveis e incondicionalmente solidárias.
Observe-se que
quando os resultados dos empenhos individuais e coletivos trazem para todos o
justo benefício, a conjugação de esforços se solidifica. E, a forma inteligente
para desenvolver esses desígnios humanitaristas não há nada melhor do que o
implemento definitivo do método produtivo de rotatividade assegurada sugerida
por David Ricardo. Que cada país produza o que de melhor sabe e faz a custo
baixo com alto salário justificado para o mercado mundial. Que cada produtor
aproveite os melhores trabalhadores na sua especialidade vindos de qualquer
parte do mundo. Que todas as nações em parceria com as superempresas subsidiem
os projetos educacionais para todos, formando reais cidadãos consumidores
capacitados como profissionais polivalentes, em alto nível. Que os grandes
comerciantes entendam que a constância do consumo de suas mercadorias em
grande volume no mercado mundial a preço unitário mínimo dá margem de lucro
incomparável àquela resultante de pequena escala de consumo com lucro altíssimo
por unidade. Os efeitos dessas reações circulares, regulares e contínuas, são
provocados pela alta rotatividade de produção-consumo imediato e constante,
graças ao preço mínimo, à boa qualidade do produto e ao poder aquisitivo dos
consumidores em razão de seus altos salários merecidos.
A garantia de
consumo do produto é assegurada, repita-se, em razão de seu baixo custo, da sua
alta qualidade, da sua necessidade geral, da facilidade de acesso à capacidade
do consumidor, dado o seu alto salário, resultando aos produtores grandes
lucros e muita disposição de trabalho para os seus profissionais, pois ganham
bem fazendo o que gostam, além da fartura, paz, saúde e felicidade para todos.
Certamente, a vida nesse paradigma, porá fim à pobreza, criminalidade, exclusão
social, doença, ao preconceito, às guerras e a toda espécie de negativismos e
seus vícios.
Diante desse
quadro, não se poderia esquecer do incentivo e motivação à comunhão conjugal,
só enquanto por amor recíproco, sabido e com consciência, além de tornar
interessante o cultivo da relação social solidária, incondicional e saudável.
Importância
maior, sobretudo, deve ser induzida para o despertar da ação e do interesse de
todos voltado para a educação e, especialmente, no sentido da formação
dignificante da habilitação, no passo da qualificação polivalente na área
produtiva ou profissional afim.
Certamente,
repita-se, desapareceriam, de vez, da face da Terra, todos os males e a
totalidade dos espinhos que provocam dores de cabeças sociais e as enfermidades
humanas advindas dos seus negativismos.
Urge-se,
então, em nível global, a conscientização dos quatro momentos da aprendizagem e
desenvolvimento, tanto biográficos como históricos.
Pois, a Terra
e todas as suas riquezas são de todos e para todos os viventes e assim deve ser
como sempre foram, são e serão a luz do Sol e o ar que se respira.
A natureza
contribui, assim, graciosamente, para manter a vida no planeta com as suas
energias vitais possibilitando o colorido, o sabor, o calor e o alimento que
qualquer ser vivo necessita. O bem comum é inalienável.
O complemento
energético à vida vem da terra e sua riqueza.
Mas, o que se
vê, ainda, na superfície do planeta, é que tão-só o homem está pagando por este
complemento para poder sobreviver.
Há algo de
errado nisso, eis porque o homem, como um todo, pela vantagem que tem sobre os
demais seres viventes, já deveria estar vivendo bem melhor do que eles. Essa
oportunidade ele deixou passar pelas suas inúmeras necessidades não naturais
que ele mesmo criou com a civilização.
Necessidades
essas, na verdade, supérfluas, artificiais e inúteis, que se fizeram essenciais
e algumas delas nocivas como nos vícios, no contexto da civilização, de maneira
especial, com a produtividade lucrativa.
Que para
saciá-las não só prejudicou as disposições naturais, como a si próprio,
tentando encontrar-se em meio a tantas e variadas artificialidades que inventou,
e acabou esquecendo e desqualificando o seu próprio direito natural, em
detrimento dos inocentes que são a maioria.
Maioria que
não se dá conta de seu poder imbatível em razão de sua dispersão ocasionada
pelo individualismo de cada um que lhe produz a crença de sua aparente pequenez
e fragilidade em dispor-se a enfrentar o mundo sozinho.
O direito à vida sem sofrimentos intencionais ou
casuais é um direito natural sagrado que deve ser respeitado, protegido e
exercido por todos os seres viventes.
Portanto,
prazerosamente, para todos, do modo que ensina a natureza. Eis porquanto, é
óbvio que a vida só comece a ter sentido após as dores afastadas com a
enfermidade curada. Isto é, a partir da saúde íntegra recuperada. É natural e
próprio do ser vivo vencer a sua dor em favor do seu bem-estar.
Desnecessário
é dizer que o ser humano é o único vivente que ainda tem a maior oportunidade
de subsistir feliz e prazerosamente sem ferir, adoecer, provocar matanças e sem
detrimentos de qualquer ser vivo, principalmente, a elementos da própria
espécie.
É preciso
tomar consciência de que a dor de cabeça só vai embora, em definitivo, quando
se combate diretamente a sua causa. Para consertar o vazamento de água ou
trocar vedante da torneira é preciso primeiro fechar o registro respectivo.
O procedimento
para extirpar a criminalidade em qualquer sociedade é o mesmo
para a cura de uma dor de cabeça.
Observe-se que
uma dor de cabeça pode ser gerada por um imperceptível e minúsculo espinho sob
a pele da planta do pé que sustenta o peso do organismo. Basta localizá-lo,
retirá-lo e afastar a infecção.
É preciso
achar a verdadeira causa da dor de cabeça social provocada pela criminalidade.
Ela pode estar nos bastidores da base do sistema político-econômico que
sustenta o peso do organismo sociocultural.
Há que se
distinguir as duas espécies de organismos. Um é individual. O outro, social.
Há doenças
individuais que não ameaçam o social. As que o ameaçam, são doenças sociais.
Mas, não há doença social que não ameace o individual.
O tratamento
para a doença social é preventivo.
Combate-se
socialmente a sua verdadeira causa retirando-a do lugar onde age ou atua
indevidamente.
O tratamento
para a doença individual é específico. Combate-se diretamente a sua verdadeira
causa no indivíduo que está doente.
A criminalidade
é uma doença social. E por isso, deve receber tratamento preventivo e a sua
causa verdadeira socialmente combatida.
Por exemplo,
se a ocasião é que faz o ladrão, a ocasião é a causa. Se se extirpa tal
ocasião, inexistirá o ladrão. Se o desemprego é causa de invasão em
supermercados, é preciso verificar qual é a manipulação por trás disso e dar
solução boa para as partes e boa para todo, ao mesmo tempo. Se o assassino usa
arma para matar, basta dificultar o acesso às armas ou retirá-las do mercado e
do meio ambiente. Para isso, o investidor no comércio das armas tenha a sua
oportunidade tempestiva de transferir o seu investimento para outros negócios
até mais lucrativos e socialmente saudáveis.
A ocasião,
nesse caso, é formada pela conexão da facilidade de apropriar-se do objeto
alheio, ou do próprio alheio tornado objeto, num determinado momento, com a
necessidade do ladrão, seja esta necessidade do seu primeiro ou dos seus demais
momentos negativos. E quantas necessidades plantadas há nos indivíduos pela
cultura e principalmente pelo sistema dominante?
O que é a
necessidade de um momento negativo?
A necessidade
é um desequilíbrio orgânico, ou psíquico.
Ao saciá-la,
conquista-se o equilíbrio. Um momento é negativo quando não há como saciar uma
necessidade com recursos positivos.
Por que,
então, não obter tais recursos?
Este é o
caminho adequado. Entretanto, quem está com a doença é que precisa do médico.
Mas se houver muitos doentes sem médicos para atendê-los, a situação passa a
ser social e não individual.
Se uns poucos
pagam pelo atendimento médico, e muitos não têm este recurso, o problema não é
individual, mas social.
Quem
deve cuidar dos problemas sociais são os que detêm os poderes de distribuir os
recursos positivos, numa relação de reciprocidade justa e condigna, ou de
preferência, numa relação de solidariedade incondicional.
Num regime democrático sério, toda a população
esclarecida é que confia e vai investir os seus representantes para as posições
de liderança na função de cuidar da distribuição dos recursos positivos
disponíveis, administrando a sua abundância e a paz social evitando a escassez
geral, em vez de abundar a escassez manipulando-a para a abundância particular.
De outro lado,
o combate ao foco da doença social não é feito pelo médico. Mas, sob a
liderança dos administradores dos recursos positivos, toda a população é
esclarecida e treinada para evitar a contaminação, o alastramento, e ajudando
no que for possível para a extinção do foco da doença social respectiva.
Se os recursos
positivos estão mal distribuídos, só quem os tem em excesso, não sente a avidez
ou a necessidade premente de apropriar-se do que está no mundo, a não ser por
miséria psíquica ou vício de ganância.
O mundo tem
todos os tipos de recursos positivos.
Porém, a
administração de seu aproveitamento e produção para finalidades particulares
com a respectiva distribuição socialmente inadequada é que geram os
desequilíbrios sociais de solução demorada.
Quando a má
distribuição ou a escassez é naturalmente causada os animais e o próprio homem
procuram regiões onde abundam os recursos positivos, fáceis de apropriá-los e
de se reequilibrarem com constância.
Só o animal
ainda não saciado procura e mata a sua caça para comê-la e sobreviver. Não é
sua característica acumular comida, esbanjá-la e desperdiçá-la.
Essa forma de
sobrevivência ainda persevera para um bom número de seres humanos porquanto,
civilizado ou não, é natural procurar comida para saciar a sua fome e persistir
por mais um período de vida. Se se tratar de uma situação de vida ou morte, ou
seja, de extrema necessidade, o meio simples e imediato de saciação a ser
empregado é natural: à vista de alimento é comê-lo como faz qualquer animal
faminto.
Não há o que
recriminar essa atitude.
Entretanto, ao
nascer numa sociedade civilizada o nascituro implicitamente, quer queira ou
não, obriga-se a aceitar as regras, os padrões, os costumes, a ética e os
valores sociais em vigor. E, por isso mesmo, tem os seus direitos assegurados
para sobreviver sem precisar utilizar os meios mais primitivos de
sobrevivência.
Quando a
sociedade civilizada falta com a distribuição condigna dos recursos positivos
para a população por motivos de desvios, má administração, protecionismo e por
interesses particulares há quebra implícita do pacto civilizacional universal.
Essa quebra
gera a tendência para o predomínio do pior crime entre os humanos, porquanto é
de natureza universal: — ou a criminalidade progressiva no paradigma
sociocultural como ocorre na civilização competitiva atual, ou a volta aos
hábitos, usos e costumes primitivos com predominância dos vícios animalescos no
paradigma da sobrevivência estúpida e selvagem.
A opção é da sociedade humana: ou a criminalidade nesses
moldes ou a paz social. As formas de criminalidade como ela se apresenta, todos
já podem saber. Se optar pela paz social basta incentivar os interessados na
exploração dos negócios geradores de crimes para transferirem os seus
investimentos em negócios mais lucrativos e realmente saudáveis socialmente.
Certamente, serão os primeiros e os maiores patrocinadores de todas as
campanhas políticas de seus próprios candidatos para a representação na
administração distributiva dos referidos recursos positivos.
A criminalidade é própria da
escassez e avidez e não da abundância e calmaria. Também é certo o que
prescreve a lei da oferta e procura*, quando escassez e abundância se alternam,
naturalmente.
Mas, manipular a escassez para
obter lucros é crime contra a humanidade e ato dos mais estúpidos e irracionais,
devendo os seus autores e co-autores ter todos os seus bens ― assim
oriundos e os que decorreram da aplicação destes ― seqüestrados e
transferidos para o patrimônio público.
Saber administrar a
abundância e a calmaria, com a necessária
eficiência e eficácia, é saber proteger a humanidade dos seus
espinhos que causam as suas doenças sociais e dos problemas gerados pelos seus
negativismos.
Com todas as considerações até aqui
observadas se vislumbra o final da presente obra. Creio, desse modo, ter dado
uma pista adequada para a construção de uma realidade superior para todos os
seres viventes, não só ao leitor que é integrante de alta relevância da
natureza como também para a humanidade, a essência do universo infinito, pois
não só lhe dá significado como tem a ousadia de querer dominá-lo. Mas, ainda
que esse sonho tenha existência apenas no imaginário, a intenção de torná-lo
concreto na realidade objetiva é válida; porquanto, é perseguindo o milagre e o
impossível que nos damos a auto-ilusão e a boa impressão de que, realmente,
estamos fazendo algo de muito útil para os outros enquanto a nossa pequenez
inconfessável nos impede de até fazer esse algo para nós mesmos. E, por saber
que o milagre existe e o impossível é questão de tempo, renasce a nossa
esperança de ocupar-se de viver bem, com a paz no mundo e a felicidade para
todos, em níveis superiores.
=
F I M =
* Sociogenia ideal. Refere-se a estudos sobre a formação da sociedade em níveis cada vez melhores, quer no sentido epistemológico, ético e cultural, quer no sentido econômico, financeiro e político no passo da sua sobrevivência condigna, feliz e contínua. Logo, os desvios sociogênicos, são mutações não desejadas, más formações da sociedade ou deformações.
* Alimentos saudáveis. Veja apêndice na página 161. A boa alimentação é necessidade de primeiro momento que deve ser saciada adequadamente.
*
lei da oferta e procura. Quando há equilíbrio entre a procura e a oferta do mesmo produto o seu
preço fica estável. Quando há desequilíbrio, o seu preço aumenta na proporção
de sua escassez e abaixa à medida de sua abundância.