SUPERCONSCIÊNCIA.
Ter a percepção,
o reconhecimento, a interpretação e o entendimento ou a noção válida para a
eficácia da compreensão do fenômeno é a consciência desse fenômeno, mesmo que
por uma fração de segundos ou por tempo indeterminado, quer em velocidade
acelerada ou retardada quer em lugar certo ou no espaço qualquer, podendo ou
não ser de outro modo.
Essa
consciência pode ser adquirida de imediato diante do fenômeno, em tempo hábil,
distanciado dele ou, paulatinamente, ao longo da vivência e depois sob os seus
diversos ângulos, primeiro pela aparência e forma, depois pelo seu conteúdo e,
por último, pela sua utilidade e fim.
Esse
processo de consciência implica, num primeiro momento, a coleção dos seus
fragmentos que empiricamente corresponde à tópica de Aristóteles* cujas realidades subjetivas e
objetivas vão subsidiar o raciocínio abdutivo. Este associará aos fundamentos
do raciocínio lógico indutivo (realidade subjetiva) conexa à análise
experimental e científica (realidade objetiva), num segundo momento. E que,
através da observação, controle, verificação e prova de regularidade poder-se-á
propor uma generalização ou uma lei universal. Num terceiro momento, desse
gênero, por meio das suas premissas verdadeiras ou verossímeis e sucessivas
deduções (realidade subjetiva), pode-se chegar a uma conclusão específica ou
particular verdadeira conexa à síntese experimental relativa (realidade
objetiva). E, num quarto momento, com a extensão reduzida à unidade tem-se a
compreensão plena do fenômeno que dá o início ao seu uso ou não uso conexas,
respectivamente, ao fazer ou não fazer. Este caminho de ida e volta, projeção e
introjeção, sujeito e objeto interativos, teoria e prática, ciência e
tecnologia envolvendo um procedimento rotativo e perseverante ou contínuo
fundamenta o processo da aprendizagem e o seu desenvolvimento. A cada acréscimo
de uma nova dimensão válida surge a respectiva consciência para dar o bom
sentido da vida e crer na sua validade e dignidade, sem se desesperar.
Porquanto, nesse
diapasão, a construção e reconstrução do homem no passo de estar, ser, ter,
fazer e acontecer de modo agradável[1],
valoroso, útil e precioso funcionará como um
catalisador positivo que facilitará o poder da iniciativa[2]
para a tomada de consciência integral universal (conexões intersubjetivas e
interobjetivas) ― uma superconsciência individual (realidade subjetiva) e
uma megaconsciência social[i]
(realidade objetiva) ― rumo ao
desfrute, de modo
contínuo,
do bem-viver geral já merecido e de direito natural desde os seus primórdios.
Os animais, por mais treinados ou
condicionados, jamais terão interesse ou curiosidade de saber como é a natureza
das coisas e como funcionam os instrumentos usados pelo homem, nem noção dos
desperdícios de alimentos e objetos ou resolver o problema da sua escassez e
falta.
Nem mesmo poderiam, ainda,
desconfiar que há a escassez e a ausência de produtos básicos e necessários
provocadas com técnicas, processos e artifícios pelos grupos economicamente
poderosos, apenas para auferir lucros astronômicos para si, sem medir
conseqüências ruins para os consumidores enganados inescrupulosamente, como por
exemplo, o monopólio.
A maioria dos homens está se
portando mais ou menos como os animais, nesse sentido. Dessa maneira, é preciso
estar mais atento às consciências preliminares para alcançar a plena
consciência da situação e chegar até a superconsciência. Daí, reagindo, agindo,
atuando e interagindo para as devidas trocas de conhecimentos e informações
dentro dos grupos cada vez mais numerosos partir para a formação da unidade
coesa para as consciências coletivas, de tal sorte que o poder do mau não possa
enfraquecer o poder do bem no passo de influir, dominar, controlar e submeter a maioria às suas
vontades e interesses particulares, continuamente.
Porém, não poderá haver a
consciência coletiva ampla sem a compreensão das relevantes variáveis de
origem, meio, fim e de organização relativas às formas, conteúdos, estruturas e
às próprias situações existenciais considerando as extensões mais próximas ou
relações necessárias e as influências efetivas no meio ambiente.
Ao observar um fenômeno, fato,
idéia e a sua respectiva realidade é preciso construir a consciência do que
observa em níveis de qualidade cada vez mais superiores e mais amplos.
Essa consciência exige a
observação pelos seus ângulos essenciais em relação ao espaço, tempo,
velocidade e posição existencial[ii]
além de considerar valores, padrões, paradigmas de outros sistemas conexos.
Daí, a importância da consciência
de estar, de ser, de ter e de fazer para um acontecer que signifique algo que
influa ou aumente a boa qualidade de viver bem, não para uma minoria, mas para
a totalidade do ser humano, necessariamente.
Caso contrário, a posição
existencial toma o rumo da morte com a aceleração gradativa no passo de
encurtar a duração da vida. O catalisador mais forte nesse sentido é o chamado Jogo do poder[iii]. O poder
tem duas faces. A face positiva e a negativa. O poder da linha do bem, da
auto-estima, da liberdade de iniciativa própria e o altruísmo voltado para o
benefício das partes e do todo, ao mesmo tempo, formam o poder do amor.
O poder da linha do mal, do
amor-próprio com cerceamento da liberdade de iniciativa alheia e o egoísmo
formam o poder do ódio. O ódio reproduz o ódio assim como o amor reproduz o
amor. O ódio atrai a morte e o amor atrai o bem viver. Daí, as boas relações
sociais somente se perpetuam onde predomina o amor não havendo lugar para o
ódio. Assim, o ódio funciona como maior catalisador negativo da paz no mundo.
E, o melhor catalisador positivo para esse fim é o amar ao próximo como a si
mesmo e a Deus sobre todas as coisas*.
Por
que o ódio é o maior catalisador negativo no sentido da paz mundial?
Por
que o amor é o maior catalisador positivo para a paz?
O ódio nasce da injustiça sofrida ou
descoberta.
É uma reação contra a crença de
ter sido passado para trás, traído ou preterido. O ódio normalmente é dirigido
para o sujeito que provocou a injustiça.
Desde os primórdios da civilização, quaisquer enganações
como a mentira, a traição, a infidelidade, a deslealdade e a exploração do
outro geram situações desagradáveis que se traduzem em reações de repulsa e vias de fato no primeiro
momento, que quando não resolvidas nesse ato, decorrem ações de vingança ou retaliação, no segundo momento.
Se o ódio não for resolvido apagando de vez os seus resquícios através da
compensação, reconciliação, paz e o perdão recíproco haverá contínua
manifestação provocativa que se resume em atuação conflitiva inescrupulosa cujo processo leva a um fim catastrófico.
Geralmente o vencedor do conflito perderá muito mais ao longo do tempo do que
aparentemente acreditou que ganhara, que ganhará ou ganharia com a subjugação
do vencido.
O pior é que quem perderá mais
com isso não é aquele que foi vencido, mas a humanidade, principalmente, em se
tratando de situações de ódio entre povos e nações.
O ódio, portanto, cria situações perdedoras para as
partes e para a totalidade.
Logo, a saúde do todo social é abalada pelo sistema espúrio
que produz e reproduz os interesses escusos de seus integrantes.
O que os imediatistas acreditam ganhar em conseqüência da
guerra não passa de ilusão de primeiro momento. Quando compreenderem que o que
se ganha em tempo de paz, do modo universal e necessário[3],
é muitas vezes maior e melhor do que qualquer outro modo, o ser humano estará
começando a ser melhor do que os demais seres viventes.
Enganam-se os estrategistas sem
escrúpulos que criam necessidades por meio de artifícios catastróficos
provocando medo, pavor, angústia, pânico e terror para extrair vantagens
particulares. Embora as suas lucratividades se contabilizem de modo astronômico
gerando-lhes mais poderes de domínio sobre pessoas, grupos e nações são
comparáveis ao seqüestrador bem sucedido que ganha muito de uma só vez, mas não
irá conseguir conviver socialmente bem, porquanto está sempre em prontidão para
fugir e esconder-se como o rato na calada da noite em busca de comida nos lixos
das casas.
Em síntese, que dignidade tem
aquele que consegue lucros por meios ilícitos, inescrupulosos, antiéticos e por
atividades enganadoras? Onde está o mérito, a honradez e probidade daquele que
pensa desfrutar o domínio e o poder econômico à custa da angústia da maioria?
Por isso,
longe de querer causar polêmicas ou influências, é objetivo presente mostrar ao
leitor um ponto de vista que o leve a uma reflexão mais profunda sobre a
coerência que há entre o imaginário (que só existe na imaginação) e o ideário
(conjunto ou sistema de idéias políticas, econômicas, filosóficas, históricas,
culturais, sociais, religiosas e existenciais) da realidade subjetiva
em conexão com os seus correspondentes da realidade objetiva.
A
compreensão integral exige considerar esses dois lados da existência. Ou seja,
além da própria fé, transcendência, abstração, crença ou convicção, deve
distanciar-se ou sair de si para ponderá-las ou conferi-las por meio dos olhos
de outros paradigmas.
Porquanto os
fenômenos individuais e coletivos ou sociais autênticos, os fatos acontecidos e
idéias implementadas que, contínua e efetivamente, podem e devem beneficiar a
humanidade têm, necessariamente, as suas próprias causas, motivos e razões de
ser ou de acontecer, embora diferentes das certezas subjetivas.
A
compreensão da verdadeira natureza objetiva do ser humano ainda se acha em
estado embrionário e não saiu da esfera de sua realidade subjetiva.
O que é bom,
o que é mau?
O que é
saudável e o que é a doença?
O que é
vida? O que é morte?
Por que não
vivermos todos tão bem ao invés de vivermos todos tão mal?
Por que a
sociedade humana como totalidade ainda não fixou um objetivo maior a ser
alcançado, se individualmente isto é possível?
O que é
preciso fazer ou o que é necessário para resolver as necessidades humanas, de
vez?
A sociedade
humana hoje não se compõe de mais de seis bilhões de consciências? E cada uma
delas não foi gerada por uma conjugação de um par de gêneros contraditórios?
Logo, o
início da solução do problema humano pode estar também em cada par de
enamorados.
Mas, para
compreender essa solução é preciso sair do mundo da subjetividade individual e
coletiva para observá-la também através dos paradigmas da realidade objetiva,
quer do lado natural e espontâneo, quer do lado intencional e provocado, ou de
qualquer conjunto coeso dos lugares-comuns da vasta rede que compõe o enigma do
por quê, do para quê e do para quem.
Qualquer que
seja a resposta destas indagações ou questionamentos que não respeite a livre
iniciativa, o livre-arbítrio[4]
e o direito de errar e de arrepender-se está longe de uma solução de benefício
universal e necessário.
Onde mora o
ódio não cabe o amor. Onde reside o amor não há impurezas. Onde habitam o ódio
e as impurezas não se faz o ato inteligente (o que é bom para as partes e bom
para o todo, simultaneamente, em qualquer tempo e lugar). O ser humano nasce
pronto para aprender e a se desenvolver. O mundo é a sua escola.
Num primeiro
momento ele precisará de sua mãe. No segundo momento precisará do seu pai. No
terceiro momento ele precisará da qualidade dos seus pais e da sua extensão
mais próxima. Nos seus quartos momentos ele estará precisando de todos. Se
todos estes são modelos exemplares pelo menos do seu meio ambiente mais
imediato, poderá facilmente ser um deles. Em contrário, será árdua a sua
caminhada pela estrada da vida se ainda puder vislumbrá-la. Porque ao nascer
ele entra no processo do bem e do mal, ora vivenciando um, ora outro, e deverá
optar o mais cedo possível.
Para optar
acertadamente é preciso distinguir o bem do lado mau e o mal
do lado bom objetivamente observados. Ou seja, pelos lados tanto da
realidade subjetiva quanto da objetiva, de modo universal e necessário, de tal
sorte que os efeitos da opção sejam bons para as partes e bons para o todo, ao
mesmo tempo.
A opção é dele,
quer como sujeito, quer como objeto tanto individual quanto coletivamente.
Amar ao próximo
sem saber cuidar de si mesmo?
Tirar o cisco
do olho do outro com uma trave no seu?
Fazer ao outro
o que não quer que lhe façam?
As respostas
certas dessas indagações são partes do par especial de enamorados. E
observar-lhes-ão ao longo de suas vidas, reciprocamente, a cumplicidade, a
fidelidade, a lealdade e a intimidade, do modo livre e espontâneo. Porquanto,
quando o amor e a inteligência estão presentes para o casal estão também a
confiança, a credibilidade, a boa-fé e a sinceridade, com exemplos de labor,
solidariedade, paz, justiça, carinho e perseverança formando um sólido modelo
de aprendizagem para seus filhos, que o reproduzirá nas gerações sucessivas.
É preciso dar-se conta dos desequilíbrios orgânicos,
físicos, psíquicos e ambientais que ameaçam a sobrevivência não só da unidade
individual, social e do ecossistema que definem a necessidade geral. Mas é
preciso, essencialmente, dar-se conta da capacidade intelectiva do ser humano
de saber resolver definitivamente esse impasse ¾ mas
ainda não faz ¾, para
que todos os vivos possam desfrutar o bem viver, a partir do aqui e agora para
sempre. Sobretudo, o impasse do absurdo e do ridículo das incoerências e da
estupidez das próprias contradições internas do por quê não faz, do porquê do
impedimento.
É preciso acordar da realidade automática, absorvente e
particular que está em rede no emaranhado inconsciente social universal.
Acordar-se para as novas realidades sucessivas no finito bem-estar que a vida
oferece a todos, no tempestivo bem-ser que cumpre a cada um construir e
reconstruir, no contínuo acontecer dessa finitude que não poderá dar espaço ao
mal-estar através do bem-ter e, na ampla consciência de integrar a reflexão, o
entendimento e a compreensão do que seja o triunfo sensato da totalidade humana
e pô-lo na prática (bem-fazer).
A necessidade é a mola propulsora de todas
mudanças e formações, boas ou más, na face do planeta e surge para o homem em
seus quatro momentos biográficos e históricos fundamentais.
Nos primeiros momentos, a necessidade é
premente e iminente. Urge saciá-la para sobreviver.
Nos segundos momentos, prevalecem as
privações e as premências cujas saciações se prorrogaram, tempestivamente. Urge
satisfazê-las, oportunamente, isto é, em tempo hábil.
Nos terceiros momentos, são as carências e
aquelas necessidades já saciadas e satisfeitas que voltam a ocorrer de modo
sucessivo e indefinido para serem solucionadas.
Num quarto momento desejável, essas três
formas de necessidade se integram para o devido equilíbrio, através da
consumação definitiva no sentido de boa para as partes e boa para o todo,
ocupando-se de viver em nível ótimo.
Daí, a importância de conhecer o que é a
necessidade, além de saber quais são as necessidades individuais e coletivas
que devem ser resolvidas segundo as suas prioridades.
Nesse mister, descobrir a autenticidade ou a
identidade subjetiva poderia ser o primeiro passo. Ser você mesmo e ter
consciência de que não
está sendo o que outros querem que você seja, rege o princípio da sua
identidade autêntica.
Vale dizer
que o termo consciência deve ser entendido como ciência,
lucidez, o entender, o compreender e o dar-se conta, lembrar ou ter noção no
aqui e agora, querendo, do que de verdade ocorre no inconsciente, no subconsciente
e no consciente, no curso das conexões subjeto «
objeto Û ser-ideal « ser-real[5],
numa situação deliberativa da tomada de posição imediata ou da interação
manifesta respectiva.
Há
ainda uma consciência superior que dá noção certa da autenticidade do
comportamento, conduta e procedimento, decorrentes do hábito, costume e uso,
respectivamente, referente às respostas aos estímulos reforçadores,
motivadores, interessantes e integradores*,
chamada superconsciência.
Portanto,
diferente do termo consciente que será aqui usado apenas como
aquele estado psíquico, do terceiro momento, no qual e quando se processam a
idéia, o pensamento e suas faculdades.
“Consciências” (no plural) ou
consciência integrativa, refere-se à integração das três
consciências no passo de atingir a superconsciência, ou seja:
A
consciência do inconsciente ou consciência perceptiva
é o dar-se conta, em estado de alerta, da reação imediata, premente, ou no ato ¾
a resposta que é necessariamente
contingente, ou automática e o impulso ¾ no processo da
sensação ® memória
inconsciente ® percepção ®
reação. O sentido é evitar transgressão ao organismo e mantê-lo
consistente.
A consciência
do subconsciente ou consciência cognitiva é o dar-se
conta, no instante certo ou em prontidão, da intervenção ou da ação tempestiva ¾
responder, corresponder ou agir, em tempo, por conhecimento, reconhecimento ou
experiência anterior, cujo ato não é necessariamente contingente ¾
no processo da sensação ® memória
subconsciente ® identificação ®
ação. O sentido é sobreviver do modo funcional protegendo o bom.
A consciência
do consciente ou consciência intelectiva é o dar-se
conta, em estado de concentração contínua ou de atenção na atuação ¾
prosseguir em atividade, agindo ou reagindo com base na idéia, na noção
ampla do que faz e no pensamento e suas faculdades, ciente de que o
resultado da atividade pode depender do bom desempenho e da boa qualidade da
atuação ¾ no processo da sensação
® memória consciente
® interpretação ®
atuação. O sentido é facilitar a sobrevivência
simplificando o complicado e tornando útil o complexo.
|
¯ Manifestação
® |
¯ Estímulo
presente ® |
¯ Sensação sentida ® |
¯ SUBJETO ® |
¯ OBJETO |
|
inconsciente |
lembrança |
percepção
|
reflexo |
reação |
|
subconsciente |
recordação |
identificação |
conhecimento |
ação |
|
consciente |
introspecção |
interpretação |
pensamento |
atuação |
|
consciências |
Memórias/reflexão |
entendimento |
compreensão |
Triunfo
interativo |
Consc. do
inconsc. (sensação, percepção)
® Consc. do subconsc. (cognição,
identificação) ® Consc.do consc. (intelecção, interpretação).
A consciência
do consciente faz entender as facilitações e as simplificações por meio de
artifícios, experimentações, abduções, induções, deduções, evidências,
intuições, conclusões, sinais, sons, indícios, associações, substituições,
analogias, exclusões, classificação, seriação, seleção, organização,
estruturação, teoria, análise, síntese, dialética, prática, planejamento,
projeto, arte, estudo, pesquisa, observação, controle, técnicas, tecnologia,
ciência, adequação, etc.
Por conseguinte,
não se deve confundir a inconsciência com o inconsciente. A inconsciência
é ausência temporária da consciência. Nesse estado, não há registros na
memória, não há lembrança, lucidez, tal como ocorre no estado de coma. O inconsciente
é um dos três estados psíquicos onde a consciência se faz presente
auxiliada pela lembrança.
Não se
confunda subconsciência com subconsciente.
A
subconsciência (William James) é a semiconsciência, uma situação obscura da
consciência. O subconsciente é o estado psíquico do segundo momento biográfico
e representa o conhecimento, a sua produção e reprodução que se exterioriza por
meio da consciência cognitiva com os subsídios da recordação. É o depositário
do saber e do conhecimento já consolidados na memória subconsciente do sujeito
do conhecimento.
Cumpre também
dizer que o termo memória inconsciente é a lembrança dos
registros descritivos ou dos caracteres reativos, relativos aos
fenômenos, às respostas automáticas, aos reflexos, aos reforços e aos impulsos
nos arquivos do banco de memória em estado psíquico inconsciente.
Que a memória
subconsciente é a recordação dos registros narrativos
ou dos caracteres ativos, relativos aos fatos, ou eventos, às experiências
vividas, à sabedoria e aos conhecimentos conferidos ou identificados, aos
mitos, histórias ou crenças, e também relativos à sucessão dos atos ou
acontecimentos presenciados, os quais correspondem aos arquivos do banco de
memória em estado psíquico subconsciente.
A memória
consciente é a introspecção (meditação introspectiva) dos
registros dissertativos ou dos caracteres intelectivos, atuantes,
referentes aos pensamentos, às idéias, às suas conexões lógicas, associações ou
comparações, inferências, análises, sínteses, intuições, abduções, induções,
deduções, analogias e conclusões, os quais correspondem aos arquivos do banco
de memória em estado psíquico consciente.
|
Consciência
do inconsciente ® |
Memória
inconsciente |
Lembrança |
Sensação ® percepção ® reação |
|
Consciência
do subconsciente ® |
Memória
subconsciente |
Recordação |
Cognição ® identificação ® ação |
|
Consciência
do consciente ® |
Memória
consciente |
Introspecção |
Intelecção
® interpretação ® atuação |
|
Consciência
integrativa ® |
Memória
integrativa |
Reflexão |
Ciência ® entendimento ® triunfo |
Com os
subsídios do alerta (para uma reação imediata – primeiro
momento), da prontidão (para a ação tempestiva – segundo
momento) e com os da atenção (na atuação sucessiva –
terceiro momento) integralizados pelos subsídios da observação
(para o triunfo sensato – quarto momento), você tomará consciências do
que lhe ocorre de maneira inteira e apta na forma, no conteúdo e na finalidade.
A velocidade
rápida para tomada de consciência depende da concentração total no curso do
acontecer determinado, da habilidade do pensamento e suas faculdades, da
presença da memória fácil dos elementos da experiência relativa e do
conhecimento determinado. Para esse mister é necessário ensaio, treinamentos,
com consciência e supervisão, aliados à atração e associação pelas semelhanças
com o crescimento e acúmulo das noções pelas diferenças.
Essa
conscientização de modo preciso depende da qualidade da percepção, identificação
e interpretação. A veracidade deve ser observada e conferida para
um entendimento correto e completo.
Com
estas informações pode-se dar início de maneira mais fácil à compreensão do
conhecimento de si mesmo para uma verificação do teor de sua autenticidade
presente nas suas interações com o meio ambiente físico e social para o fim do
suprimento de necessidade quer no contexto individual quer no do social.
Daí,
poderá avaliar tanto as suas especiais necessidades básicas, prementes,
tempestivas, constantes e integradas como as necessidades da população de uma
cidade no que se refere à sua premência tal a água, esgoto, energia, alimento,
higiene, saúde, habitação, educação, transporte, segurança, emprego, serviços
públicos, etc.
Num
cenário mais amplo, ser você mesmo é conhecer-se a si mesmo entendendo e
compreendendo o funcionamento não só de seu mundo interior, mas também como
funciona a sua cidade, o seu estado, o seu país e restante do mundo, no passo
de estar certo da sua identidade e da reconstrução do seu estar, ser, ter,
fazer e viver no mundo do modo autêntico, autônomo e feliz.
CONSCIÊNCIA DOS ESTADOS PSICOLÓGICOS
ATUANTES.
Uma pessoa pode comportar-se, conduzir-se,
proceder-se ou vivenciar uma situação, interagindo com o seu meio ambiente, com
a sua maneira peculiar e autêntica, inclusive das formas convencional e
representativa, em qualquer acontecimento presente ou atividade em curso, quer
atuando automaticamente, quer com conhecimento ou sabedoria e também do modo
premeditado, seja usando todo tipo de raciocínio ou do modo integrado.
Nesse contexto, dizemos que a pessoa está em plena
atuação no uso e desfrute dos seus estados psicológicos: o inconsciente, o
subconsciente e consciente. Em se tratando de uma situação coletiva (estados
psicológicos de sujeito coletivo) dizemos, respectivamente,
inconsciente-social, subconsciente-social e consciente-social.
INCONSCIENTE.
Cumpre desde logo lembrar que o inconsciente é um
estado psíquico com a função no organismo de proteger a sua integridade e
saciar dentro do possível todas as suas necessidades imediatas em conexão com
os demais estados psíquicos.
Normalmente opera com os reflexos, respostas
voluntárias, involuntárias e automáticas, reforçamentos e por impulsos reagindo
aos estímulos do modo imediato e
habitual ou em situação de alerta.
Por isso, não se deve confundi-lo com a
inconsciência, que é um estado de ausência de consciência, ou estado de coma,
repita-se.
Embora muitas atividades inconscientes sejam
automáticas, quando há a conexão com a memória-inconsciente, o indivíduo pode
perceber ou dar-se conta do que ocorre no ato das reações inerentes a esse
estado psíquico.
A conexão estímulo Û sensação Û percepção dá a consciência do inconsciente.
Há
o inconsciente-individual e o inconsciente-social.
INCONSCIENTE-INDIVIDUAL.
O inconsciente-individual ou simplesmente
inconsciente é o estado psíquico, repita-se, programado para a proteção da
integridade funcional e estrutural do organismo do indivíduo, de modo direto e
prioritário, no aqui e agora.
O inconsciente cuida da homeóstase no sentido do
bem-estar físico e psíquico do indivíduo.
O inconsciente está estruturado, organizado e
energizado no comando central para atender as exigências prementes do corpo,
ocasião quando se manifesta a reação automática, a resposta imediata, o
reforço, ou o impulso* ante um estímulo interno ou externo presente,
atuante ou provocador.
O banco da memória inconsciente do indivíduo está conectado com os
componentes motores para acionar a movimentação muscular voluntária e
involuntária na forma requerida, estimulada ou necessária.
No banco da memória inconsciente está arquivado todo o conjunto
das informações — genéticas e adquiridas — relativas às reações no aqui e agora
do indivíduo e dos seus primeiros momentos biográficos.
Os seus caracterizadores principais são:
|
premência «
comportamento ® |
alarmes ®
sensações viscerais ® |
|
percepção ®
alerta ® |
consciência perceptiva ®
classificação |
|
reflexo «
vontade « escolha® |
emoções «
reações ®
impulsos |
|
resposta ®
reforço ® |
modo natural, automático, ingênuo |
|
saciação ® |
assimilação |
O inconsciente por tratar-se de estado psicológico atuante no
primeiro momento de forma premente, imediata ou prioritária, na maioria das
vezes, funciona de maneira automática. Isto é, o inconsciente está potencialmente
alerta para qualquer toque de alarme acionando uma movimentação rápida.
Por isso, não há como pensar em responsabilidade e culpa que são
fatores e elementos dos segundos momentos implicando ausência de lembrança e
recordação do conhecimento e saber específico com posterior arrependimento e
desculpa.
Ao contrário ¾ por sua natureza pura,
natural e direta ¾, diz-se tratar de
ingenuidade a manifestação deste estado psicológico.
INCONSCIENTE-SOCIAL.
O inconsciente-social refere-se ao comportamento de qualquer grupo
ou conjunto de pessoas e da própria humanidade, no aqui e agora, diante de um
problema pertinente ao primeiro momento histórico, no sentido de sua
preservação.
É o estado psicológico social manifestado pela vontade geral, no
aqui e agora, com base nas emoções, impulsos e necessidades prementes de uma
coletividade.
As reações de um e de outro ou por iniciativa premente de
uma liderança podem alarmar as mesmas reações, em cadeia, ao estilo da
revoada de andorinhas.
De repente, a coletividade quase toda, inconscientemente,
poderá, por exemplo, estar linchando um inocente tomado por engano ou ajudando
a salvar sobreviventes do escombro ou fugindo de alguma catástrofe, e assim por
diante.
Como no individual, há o inconsciente-social atuante e o
inconsciente-social potencial.
Diz-se — atuante — enquanto persista a sua
manifestação no aqui e agora.
Diz-se — potencial — por motivos genéticos.
Alguns dados, determinadas informações ou algum
saber da herança genética podem ser os correspondentes potenciais, ou virtuais
relativos a uma significativa ocorrência real de um ou outro ascendente.
Esse processo pode ocorrer ao longo da árvore
genealógica de qualquer indivíduo. As suas transmissões, ou as retransmissões
são realizadas através dos genes especiais de memória-inconsciente.
Tais genes podem ser ativados e tornarem-se, repentinamente,
atuantes, se energizados. São fatores virtuais, ou potenciais arquivados na
memória-inconsciente que integram o ser-ideal inconsciente de cada indivíduo.
O ser-ideal inconsciente é formado por correspondentes reais
pretéritos herdados e adquiridos ou condicionados. Os caracteres hereditários
provêm da transmissão genética dos originais e dos adquiridos pela ascendência
do indivíduo ao longo de sua interação com o seu meio ambiente.
Ao toque do alarme na memória-inconsciente, de conformidade com o
teor de energização, a resposta respectiva pode manifestar-se de modo
automático.
No social, por exemplo, a manifestação fraterna e solidária
incondicional verificada em situações catastróficas naturais é indício de ordem
genética que explode em cadeia quanto mais próximas as pessoas do evento
relativo.
Mesmo determinada desgraça provocada pelo homem ¾ intencionalmente ou
não ¾, quando atinge alguma
população, verifica-se tal tipo de manifestação de auxílio às vítimas, vinda de
todos os lugares do mundo, independentemente de raça, credo ou ideologia. Essas
manifestações automáticas não são aprendidas, ainda que haja aquelas outras
automáticas adquiridas pelo hábito, costume, uso e vivência.
As suas omissões são virtuais e só não fluem em virtude dos
bloqueios, força maior ou dos impedimentos por influência sociocultural e de
pessoas poderosas não portadoras do menor escrúpulo, ou por motivos
inconfessáveis, de preguiça, egoísmo, pavor, ódio, negligência, imperícia,
imprudência e omissão, além de outros fatores.
Ou ainda, tais reações naturais prestimosas são melhoradas pela
cultura em avanço através dos bons princípios, valores, regras, modelos,
hábitos, costumes e usos com treinamento, aprimoramento e desenvolvimento das
aptidões, das técnicas, ciências e tecnologias, adequando os demais momentos.
Em síntese, o inconsciente-social corresponde ao comportamento de certa unidade social humana ou de
qualquer grupo coeso, no aqui-e-agora, diante de qualquer situação de primeiro
momento histórico no sentido de sua preservação.
Para
que se manifeste o inconsciente-social é preciso que os componentes da unidade
coletiva (parcial ou total) estejam juntos, emocionalmente, cientes do
propósito comum, e em marcha rumo ao estímulo respectivo ou já diante dele.
SUBCONSCIENTE.
É um estado psíquico firme, sólido e superior,
porquanto opera enquanto o organismo está em repouso, predominantemente, ou em
situação de prontidão, no sentido de completar o faltante. Faz o organismo agir
após as reações inconscientes, ou simultaneamente, para corrigir seus lapsos ou
protegê-lo de algum efeito doloroso.
O subconsciente é o depositário do saber e dos
conhecimentos gerados pelas reações inconscientes que deram certo e daqueles
advindos do estado psíquico consciente que resultaram bons, afora a intervenção
para evitar a possibilidade de cometer os mesmos erros, ou proteger dos
perigos.
Há o individual e o social, o potencial e o
atuante, também. Por ser o subconsciente a retaguarda do inconsciente, a
consciência-do-subconsciente coincide com a consciência-do-inconsciente quando
o inconsciente está atuante e mais energizado do que os demais estados
psicológicos, em razão da situação tratar-se de premência.
Geralmente, nas reflexões isto se torna claro e
evidente, quando se critica, se arrepende ou aplaude, tão logo se prorroga ou
se encerra a contenda com as determinadas adversidades de primeiros momentos.
A conexão estímulo Û sensação Û identificação ou reconhecimento dá a consciência do
subconsciente.
SUBCONSCIENTE
- INDIVIDUAL.
O subconsciente-individual ou simplesmente subconsciente ¾ como já tivemos certa noção, anteriormente ¾, trata-se de um estado psicológico atuante no
segundo momento biográfico, referindo-se ao conhecimento e experiência
acumulada gerando, por isso mesmo, uma responsabilidade na movimentação
interativa.
O subconsciente individual potencial quando e enquanto energizado
pode ser identificado ou reconhecido. E, caracteriza-se, principalmente, pela
conexão da memória-subconsciente com a consciência-do-subconsciente, tornando-o
atuante.
Por exemplo, quando surge determinado indício de um
acontecimento futuro acionando um pressentimento. Os dados respectivos da
memória-subconsciente emergem para a consciência-do-subconsciente que pode
tomar providência relativa por crença ou pela fé. Pode sofrer interferência do
estado psíquico consciente que bloqueará ou não a atitude decorrente. Isto
ocorre por inferência através do diálogo interno com os subsídios das
faculdades do pensamento podendo exteriorizar-se para uma relação interpessoal
no passo de trocar idéias e opiniões, ou de buscar corroborações.
O atuante segue o esquema:
|
privação «
conduta ® |
alarmes ®
sensações somáticas ® |
|
identificação ®
prontidão ® |
consciência cognitiva ®
seriação |
|
vivência* «
desejo « determinação ® |
sentimentos « ações
® atitudes |
|
implemento ®
motivação ® |
modo tempestivo, conhecido,
responsável |
|
satisfação ® |
acomodação* |
(*)
vivência é experiência da vida, conhecimento acumulado, experiência anterior,
saber fazer e prática.
No potencial, conforme energização na memória-subconsciente
conectada ao alarme de prontidão, pode despertar determinado gene de
memória-subconsciente trazendo às consciências alguma reminiscência que pode
ter sido de um ou outro ancestral.
SUBCONSCIENTE-SOCIAL.
É o estado psicológico social
manifestado pelo desejo geral de um grupo ou de uma corporação, ou da
coletividade, com base no conhecimento consagrado, ou no sentimento comum. O subconsciente-social trata do banco da memória
através de bibliotecas, museus, arquivos, memórias eletrônicas e pela sabedoria
popular.
O subconsciente-social manifesta-se pelo senso comum.
Restringe-se na conduta, atitudes, investimentos e nas ações
determinadas, normas, valores e padrões aprovados, conhecidos e consagrados
pela sociedade, aplicando-os quando necessários.
Também em reuniões quando há unanimidade em confrontos de
experiência de vida ou conhecimentos anteriores direcionados a atitudes ou
condutas do convívio social.
Nesses casos, dizemos que os entendimentos automáticos havidos são
indícios de manifestação do subconsciente-social, consolidando e reproduzindo
conceitos já determinados culturalmente.
Em
suma, o subconsciente-social é o subconsciente de uma coletividade coesa
de influência sociocultural voltado para a conservação e proteção da conduta
humana aceitável, tida como boa. Cuida e orienta as situações dos seus segundos
momentos históricos. Manifesta-se apoiado no senso comum, costume e nos
registros aprovados, nas normas, valores, padrões culturais vigentes e pelo
saber consagrado pela sociedade.
CONSCIENTE.
É o estado psíquico organizado para intermediar os conflitos
entre os demais estados psíquicos e entre as variadas manifestações subjetivas
com as objetivas, ou do mundo exterior através das idéias e do pensamento com
todas as suas faculdades e recursos disponíveis. Opera em situações de
estimulação regular ou constante e em estado de atenção.
Há, igualmente, os conscientes individual e social. Também,
os atuantes e os potenciais.
A conexão estímulo Û sensação Û interpretação ou representação dá a consciência do consciente.
CONSCIENTE-INDIVIDUAL.
O consciente-individual ou simplesmente consciente também já
tratado é o estado psicológico do terceiro momento biográfico, inerente ao pensamento
e suas faculdades. Observe-se que o consciente-individual, embora se lhe dê um
caráter especial e próprio, ele abarca os demais estados psíquicos. Não há
separação entre os estados psíquicos. Porquanto, funcionam como uma unidade
simples, autônoma, estruturada, organizada e harmônica constituindo o eu
único e indivisível do indivíduo.
Contudo, a diferenciação entre os estados psíquicos foi necessária
para uma melhor compreensão e para a devida tomada de consciência, para
entendermos, por exemplo, as formações de segunda ordem, de terceira, etc.
Formações essas que são as conexões de elementos de um mesmo momento com os
demais. Temos assim que o pensamento classificado como pertinente ao
terceiro momento, quando em conexão com o primeiro momento tende a reforçar o
pensamento subjetivo. Quando em conexão com o segundo momento pode motivar o
pensamento mítico. Como do próprio terceiro momento interessa o pensamento
objetivo e quando conectado ao quarto momento dispõe o pensamento integrativo.
Observe no quadro seguinte, o pensamento em segunda
ordem:
|
1.º MOMENTO |
2.º MOMENTO |
3.º MOMENTO |
4.º MOMENTO |
|
subjetivo |
mítico |
objetivo |
integrativo |
|
abdutivo |
indutivo |
dedutivo |
conclusivo |
|
visionário |
lingüístico |
simbólico |
Intuitivo |
|
(intuição lógica) |
(Intuição imaginativa) |
(intuição heurística) |
(intuição de inferência) |
|
projetivo |
analítico |
sintético |
Aplicativo
(RS) * |
|
Confronto concreto |
Análise experimental |
Síntese científica |
Imaginação objetiva
(RO) * |
|
espacial |
verbal |
abstrato |
representativo |
|
prático |
experimental |
teórico |
realístico |
|
perceptivo |
identificativo |
interpretativo |
entendível |
|
tópico |
dogmático |
Argumentativo** |
convincente |
|
implícito |
crítico |
explícito |
depurativo |
|
misto |
heterogêneo |
homogêneo |
complementar |
|
Particular*** |
metafórico |
lógico |
universal |
|
automático |
tempestivo |
regular |
exeqüível |
|
fragmentado |
racionalizado |
hipotético |
genérico |
|
ingênuo |
responsável |
espontâneo |
disciplinado |
|
evidente |
epistemológico |
demonstrativo |
complexo |
|
emocional |
sentimental |
racional |
pactual |
* RS = realidade subjetiva. * RO = em conexão com a
realidade objetiva. ** Dialético, retórico. *** Específico.
Tente fazer as seguidas conexões do primeiro com o
segundo, com o terceiro e reuni-los no quarto. Para se obter a conexão de
diferentes ordens pode-se combiná-los horizontalmente, pelas transversais,
diagonais, de cima para baixo, debaixo para cima, alternadamente, etc.,
contudo, observando a seqüência dos momentos.
O atuante, caracteriza-se pela espontaneidade de suas
atuações regulares ou continuadas de modo saudável.
As atuações perversas não são espontâneas eis porque, há
simulações, ou premeditações para invenções espúrias, planejamentos elaborados
com consciência para adulterações,
sofismas, falsidades, enganações, paralogismos e hipocrisias, já sabendo de
antemão não coerir com a lógica ética que beneficia às partes e ao todo.
O potencial refere-se à conexão memória-consciente
com a consciência-do-consciente. As idéias, projetos, planos, teorias
usuais, técnicas eficazes, formulações intencionais, conclusões boas
resultantes de raciocínios, sistemas racionais revistos, etc. estão registrados
na memória-consciente.
Cumpre lembrar que a consciência-do-consciente conecta-se com os
fatores dos demais estados psicológicos com a função técnica de buscar o
consenso.
Daí, as especulações e as predições, próprias dos primeiros e dos
segundos momentos, respectivamente, estão em conexão com as quatro intuições
conscientes inerentes aos terceiros momentos.
Assim, o objeto da intuição lógica está diante do sujeito
da intuição. O objeto da intuição imaginativa está na realidade
subjetiva não necessariamente diante do sujeito dessa intuição. O objeto da intuição
heurística transparece no curso de uma atividade do sujeito dessa intuição
tanto na sua realidade subjetiva como em conexão com a situação objetiva. O
objeto da intuição de inferência está na síntese integrativa dessas três
intuições.
O objeto principal do consciente é a intermediação
com o mundo exterior tendo na idéia o seu poder de transação para
solucionar o problema atuante, da complexidade e da necessidade geral.
Internamente, o estado consciente intermedeia situações conflitantes que surgem
entre o subconsciente e o inconsciente dando-lhes o necessário equilíbrio ou
reequilíbrio, se possível.
O seu esquema atuante é:
|
carência «
procedimento ® |
alarmes ®
sensações psíquicas ® |
|
interpretação ®
atenção ® |
consciência intelectiva ®
seleção |
|
pensamento «
intenção « decisão ® |
sensos «
atuações ® influências |
|
atividade/processo ®
interesse ® |
modo técnico, ponderado, espontâneo |
|
solução ® |
consolidação |
No consciente potencial, dependendo da energização
na memória-consciente conectada a determinado alarme de atenção quando
associada à concentração reflexiva (reflexão, meditação, introspecção), no
quarto momento, pode despertar ou levar para as consciências determinado gene
de memória-consciente uma situação reveladora.
Pode-se despertar a potencialidade das sensações psíquicas,
também, num processo semelhante ao insight.
CONSCIENTE-SOCIAL.
É estado psicológico social com base no interesse geral, nos
pensamentos coletivos e na idéia comum.
Manifesta-se geralmente nos grupos coesos de duração
indeterminada, por meio das reuniões, seminários e atividades em equipe de
terceiros momentos como planejamentos, pesquisas e estudos observando a
objetividade do grupo e as relações de intersubjetividade e de interdisciplinaridade.
Nas sociedades e grupos organizados de forma social, econômica,
científica, cultural, política ou outra, o consciente-social se manifesta
através das assembléias, congressos e assemelhados com atividades dos terceiros
momentos.
Nas sociedades politicamente organizadas ou nações manifesta-se
por seus representantes nos respectivos poderes constituídos, nas assembléias
consensuais, partidárias, legislativas, judiciárias e executivas. Na sociedade
humana, pelo saber, pelo conhecimento especializado e pelo pensamento dos
técnicos do mundo quando convocados para subsidiar eventos congressuais,
nacionais e internacionais em todas as áreas do conhecimento humano.
O
consciente-social, repita-se, é o consciente geral em harmonia, presente
nos grupos coesos, nas autoridades em exercício da sua representação pública,
nos congressos, assembléias e nas reuniões de pessoas no sentido de planejar,
adotar e implantar procedimentos eficientes e eficazes para que a solução geral
definitiva ou duradoura obtida, de interesse difuso ou meta-individual seja
implementada para o benefício da totalidade.
CONSCIÊNCIAS.
Há as consciências individuais e sociais.
Já tratamos das consciências-individuais ou seja a
consciência integrativa, dita simplesmente consciências. Têm a função de
integrar as consciências dos três estados psicológicos atuantes no passo da
superconsciência e opera na situação de observação e inteiração.
A conexão estímulo Û sensação
Û percepção ↔ identificação
↔ interpretação ↔ entendimento dá a consciência integrativa
ou consciências.
As consciências-sociais manifestam-se ou surgem
globalmente tornando determinada missão social como imprescindível, urgente,
tempestiva, ou ativada no dia-a-dia e lembrada continuamente pela maioria dos
componentes de qualquer grupo coeso ou de sociedades estatutárias ou do Estado
e população, etc. Daí, a importância da
transparência e veracidade nas informações e noticiários pela mídia.
Por exemplo, a missão das aulas diárias ministradas
pelo corpo docente do mundo inteiro, o abastecimento, a missão de tornar a
sociedade humana realmente feliz, o modo civilizado, ou a paz global estão no
contexto das necessidades sociais tão óbvias e fundamentais na consciência
coletiva que a responsabilidade de provimento nesse sentido se transfere do
modo automático e implícito aos seus representantes que a administram. De outra
forma haveria o caos social.
Sem a unidade das consciências não haverá a qualidade
superior e nem a eficácia ideal. Principalmente na administração geral das
necessidades básicas de qualquer coletividade. Provê-las com projetos,
planejamentos, previsões, orçamentos, reprodução para a manutenção, reservas e
distribuição, etc., são o modo adequado e o seu objetivo principal. Sem os
quais a vida coletiva se assemelharia a um barco em meio a uma tempestade
violenta no mar revolto com os seus tripulantes lutando para sobreviver. A
probabilidade de ocorrência de situações análogas é maior quando não há a menor
unidade de consciência social do projeto, planejamento, boas previsões, missão
e objetivos da coletividade. Assim, urge atingir logo a superconsciência
social.
A massa populacional só adquire a característica coesa ou um
aspecto e conteúdo unitário em fortalecendo as conexões das
consciências-sociais com as conciências-individuais.
As pessoas só lembram da necessidade dessa unidade de consciência
em alguns momentos históricos como catástrofes e eventos semelhantes quando uma
determinada maioria começa a sentir na pele o seu envolvimento.
Essas conexões tornam coesa tal massa tão-somente quando em função
do cumprimento da missão por ela aceita. Em contrário, qualquer população é
facilmente controlada por lideranças inescrupulosas ou demagógicas.
Não há ainda um corpo representativo da memória-social
integrativa, atuante e probo, que possa organizar os arquivos gerais das
interações globais de primeiros momentos históricos em conexão com os demais
momentos.
Urge, por isso, construir a unidade da disciplina-social
no sentido de integrar a ingenuidade, a responsabilidade e a espontaneidade
sociais.
O seu esquema atuante é:
|
Necessidades
gerais «vivenciamento ® |
alarmes ® sensações gerais ® |
|
Entendimento ® observação ® |
consciência
integrativa ® estruturação |
|
Compreensão « sonho « deliberação ® |
juízos « triunfos ® benefícios |
|
interações ®disposição ® |
modo sensato,
curioso, disciplinado |
|
Consumação ® |
deleite |
O
dar-se conta, coletivamente, dos três momentos históricos integrados pode-se
dizer consciências sociais, consciência-coletiva ou consciência social
integrativa.
Essa
consciência é que possibilita provocar ou fazer produzir e reproduzir e também
criar ou recriar o que pretende o coletivo. Seja a substância, o objeto, o
acontecimento necessário, aquilo que se pretende socialmente, ou seja o
fenômeno ou o fato, é a consciência coletiva integrativa que impõe velocidade
na sua efetivação. Eis porquanto quando o coletivo atua no indivíduo e
vice-versa fomenta-se ou facilita-se a necessária auto-sustentação.
É
evidente que ao dar-se conta dessa situação de necessidade é que se vai desenvolver
o exercício ou a execução do saber consolidado, do conhecimento certo e da
prática natural no aproveitamento das fontes de saciação, satisfação,
solução e da consumação.
A
resolução definitiva do problema que se origina da necessidade humana em
sua saciação é, pois, a geradora de toda a movimentação relativa aos
momentos biográficos e históricos em interação e interatividade.
O
fracasso ou o bom êxito nessa busca incessante determina a qualidade
existencial do ser vivo.
Triunfa-se adaptando*, adequando, consolidando e
desfrutando; ou sucumbe-se.
Quase
toda a psicopatologia surge do fracasso que se cumula de seguidas sucumbências,
inconformismos, frustrações, passividades, pavores, revoltas e de crenças
inabaláveis mas não condizentes com a realidade fática.
Tudo
isso enfraquece o agente trazendo-lhe dores, sofrimentos ou doenças. Definha o
paciente e termina por abreviar a sua vida, se não se cuida.
Por
exemplo, a paixão negativa nutre a insensatez, porquanto, faz o portador
retornar-se para o primeiro momento negativo. Nesta transição aumenta-se o teor
de obstinação em busca do seu objeto na proporção de seu distanciamento. No
mesmo tempo, essa obstinação faz desenvolver, aumentar e contaminar,
consideravelmente, a potencialidade da negligência, imprudência, imperícia e
omissão; da imprevidência, desatenção, descuido e agressão podendo tornar-se
violento. Em outros termos, a obsessão da paixão transtorna o indivíduo
induzindo-o a conseqüências negativas não só para si, mas também para o
coletivo.
Daí,
o fracasso é inevitável e a dor moral é maior ainda. Nesse processo, não há
probabilidade de sucesso sem causar malefícios a outrem, mesmo que haja bom
planejamento e cuidados.
Ainda,
assim, se obtiver algum sucesso de modo bastante considerável, os negativismos
associados como a desconfiança, a descrença, a inveja, o ciúme, o orgulho, a
suspeita e assemelhados tornam-no breve ou temporário.
O
inconformismo, nessas circunstâncias, poderá induzir o fracassado a uma
situação psicótica. E, a passividade pode levá-lo à paranóia ou a fobias, além
de acentuar a neurose inicial. Do lado oposto termina em psicose agressiva e
violenta.
É,
pois, chegado o momento da autêntica tomada de consciências dos quatro momentos
da aprendizagem e do desenvolvimento, no sentido do bem-estar, bem-ser, bem-ter
e do bem-fazer para a fruição do triunfo sensato, assumindo a linha do bem,
tanto individual quanto coletivamente.
Vê-se, por aí, que a unidade individual preserva o seu
organismo e a unidade coletiva tende preservar a espécie pertinente,
respectivamente, de modo automático, natural, necessário e prioritário.
CARÁTER DO
ESTADO PSICOLÓGICO.
INCONSCIENTE.
Automático,
livre, ingênuo, imediato, inconseqüente, emotivo, curioso, submisso, rebelde,
natural, inocente, impulsivo, direto, precipitado, apressado, indisciplinado,
inquieto, alegre, calmo, medroso, raivoso, agressivo, carinhoso, egoísta,
voluntarioso.
SUBCONSCIENTE.
Prudente,
conservador, ético, moralista, protetor, salvador, perseguidor, bravo, censor,
comedido, sentimental, arrogante, orgulhoso, educador, paterno, prepotente,
disciplinado, intransigente, tolerante, julgador, acusador, experiente,
conhecedor, sabedor, crítico, estético, higiênico, fraterno, responsável,
solidário, conciliador, cordial.
CONSCIENTE.
Analítico,
orientador, técnico, esperto, habilidoso, condescendente, transigente, ator,
ponderado, paciente, astuto, pensante, racionalista, intermediário,
facilitador, atencioso, observador, perspicaz, espontâneo, intencional,
amistoso, calculista.
DISCIPLINA-SOCIAL.
O que vamos falar neste tópico não é predição e nem utopia.
É mera intuição seqüencial através das consciências
dos quatro momentos das aprendizagens individual e social. Bom lembrar que a
disciplina, biograficamente, integra a ingenuidade, responsabilidade e
espontaneidade positivas*. Historicamente, a disciplina faz conexão,
necessariamente, com o comportamento, conduta, procedimento e vivenciamento
individuais* no sentido da paz social do modo útil e necessário para todos.
A disciplina-social é passo importante
e recurso decisivo na construção das consciências-sociais. Essas duas
aprendizagens são integrativas do bem-fazer-social no sentido da plenitude
eterna para a humanidade, na conquista definitiva do bem-estar-social,
do bem-ser-social e do bem-ter-social,
correspondendo, harmonicamente, a uma objetividade global idealmente
representada, respectivamente, pela fartura, pela paz
mundial e pela compreensão humanitarista*.
Cumpre dizer que as consciências-sociais são virtualmente uma
unidade social integrativa representada por líderes de todas as partes do mundo
que dirigem as menores organizações-sociais até as maiores correspondentes aos
três momentos históricos básicos.
Por que não trocar certas virtualidades por potencialidades e
administrá-las para torná-las reais?
Assim, as consciências-sociais se tornariam, potencialmente, uma
unidade social integrativa formada por todas as pessoas tendo a sua frente
lideranças probas para a formação de uma organização-social* do quarto momento
histórico e dar início ou acelerar o processo de reconstrução e reestruturação
da sociedade global.
Para os primeiros momentos histórico-biográficos,
estruturar-se-iam órgãos sociais para atendimento de todas as necessidades
básicas globais prementes.
Para os seus segundos momentos, outros organismos sociais
cuidariam do acervo dos conhecimentos consolidados para habilitar, desenvolver,
aumentar e melhorar a qualidade pessoal de cada ser humano.
E, para os terceiros momentos, diversas organizações sociais
poderiam ser estruturadas para cuidar do suprimento sucessivo dos direitos
básicos universais do cidadão do mundo.
Justamente, sobre as diferentes organizações sociais podemos dizer
que, qualquer agrupamento de indivíduos não terá sentido de unidade corporativa
sem um propósito comum definido. De tal sorte que tal propósito corresponda,
realmente, à comunhão da vontade, do desejo e intenção intrapessoais de cada
elemento do grupo. Essa comunhão deve ser pessoal independentemente do desígnio
e sonho dos demais integrantes e de outras influências.
Com uma liderança administrativa voltada essencialmente para o
propósito comum, dizemos que tal unidade corporativa é coesa ¾ tem corpo e cabeça ¾ e, portanto, cada componente é extensão próxima
um do outro.
E esse interesse comum manterá vivo o mesmo
organismo-corporal-social estreitando a relação intergrupal comunicativa.
Quando tal grupo não está reunido para deliberar com a sua
liderança administrativa a unidade corporativa toma características ingênuas em
todos os seus primeiros momentos históricos. Tendem os seus elementos a serem
responsáveis nos segundos momentos históricos, e espontâneos nos terceiros.
Daí, direcionam a disciplina-social
em seus quartos momentos, a partir de cada reunião deliberativa.
Entretanto, é preciso compreender a natureza de
certas energias de quartos momentos naturais e universais, especialmente, o amor
e a inteligência*.
Eis porque a disciplina-social adequada não é
aquela obtida e mantida por ameaças, acompanhamento, constrangimentos,
correção, cobranças, manipulações de pessoas, prisões, fiscalização, punições
ou assemelhados; por exemplos, o domínio ideológico, a sempre sutil nova
ordem econômica, o controle-social, o autoritarismo velado, etc.
É bom lembrar que melhor é procurar acertos para elogiar
o seu autor do que apontar os seus mínimos erros para puni-lo, para
desmerecê-lo, ou para lhe cobrar reles danos materiais.
Muitas vezes o saldo dos seus acertos oriundos por
um só elogio sincero de um único acerto poderá ser incomparavelmente maior do
que todos os seus erros somados; e, às vezes, um só acerto seu poderá valer por
milhões dos acertos dos outros, não havendo como recompensá-lo tamanha será a
fruição dos seus benefícios pela maioria.
E o contrário disso pode ocorrer por condenar e
punir severamente o indivíduo por um só de seus pequenos erros desencadeando
muitos outros piores.
Eis porquanto se recomenda não subestimar e nem
superestimar os seus semelhantes, optando-se pela compreensão com bom senso e
condescendência.
A disciplina-social quando conscientizada
socialmente atrai a presença do amor e da inteligência, energias suficientes
para que a boa disciplina-social se mantenha por si só, espontaneamente, no
passo da autonomia individual, da total emancipação quer como pessoa quer como grupo,
nação ou a totalidade do ser humano, além da libertação social do domínio
ideológico.
Amor e inteligência são conceitos universais e necessários que
significam recursos, instrumentos e mudanças para finalidades exclusivas não
tão-somente das partes como também do benefício geral, ao mesmo tempo.
Já se intui que o homem tem boa possibilidade
de tornar-se
inteligente de maneira contínua acabando com a já referida contradição
do ser
inteligente fazendo, ainda, muitas coisas não inteligentes. Para isso, necessário
se faz a vivência, em sua totalidade, integrando o bom comportamento, conduta e
procedimento inserindo o amor e a inteligência na movimentação das relações
sociais tanto do lado pessoal com o do social quanto do social para
com o do pessoal.
Comparemos agora a integração da movimentação das
relações sociais do indivíduo para com a sociedade e da sociedade para com o
indivíduo.
Observa-se que a facilidade do indivíduo sobreviver
bem ou mal depende muito da sociedade na qual é parte. E a sociedade para
facilitar a vida do indivíduo, no geral, vai depender muito da qualidade e da
quantidade dos indivíduos capazes que a compõem, principalmente, da minoria
privilegiada que domina a maioria. Aqui, não se deve esquecer da maioria e
minoria na família respectiva. A família numerosa tem os pais como minoria
dominante e os filhos a maioria dependente, socialmente submissa e obediente
até à sua autonomia, seu grito de liberdade ou independência.
Por mais que o homem persista em modificar as
maneiras de ser, estar, ficar, ter, reagir, agir, atuar, sentir, fazer, viver,
comportar-se, conduzir-se, proceder-se inventando e reinventando processos,
valores, normas, padrões e paradigmas, no final de tudo, verá que ele não pode
distanciar-se muito da ordem natural das coisas, seus vínculos, seus
encadeamentos e suas variantes naturais necessárias.
Também é óbvio que há situações e processos
naturais complexos demais para a sua capacidade e seu poder mas tão singelos,
simples e fáceis quanto à compreensão das metamorfoses que originam uma
borboleta.
Em síntese, ele não pode fugir do naturalismo* dos seus
primeiros momentos biográfico-históricos, do seu direito natural comum a todos
e do abastecimento de suas necessidades vitais. É preciso respeitá-lo para não
se iludir, e desviar-se da sua melhor rota, terminando por se destruir.
Felizmente, a compreensão de que ele é um ser
necessariamente social o faz prosseguir em busca de uma melhor organização
social[iv].
E poderá ter em seus segundos momentos biográfico-históricos, sem confundir o
subjetivo com o objetivo[v],
uma opção viável para o sistema participativo no seu direito natural comum no
passo de suprir necessidades com abundância.
O dever social solidifica o direito de cidadania*,
possibilitando decidir, em seus terceiros momentos, a adesão para o competitivo
dos supérfluos, com liberdade, além do que é público e de interesse social.
Para, daí, poder consolidá-los e usufruir o sistema integrativo que formaliza a
unidade global desses três momentos biográfico-históricos e histórico-biográficos.
* Tópica de Aristóteles. Veja página 248 e Nota de Fim n.º 16, 17 (pág. 219). Lugar-comum (pág.220).
[1] Agradável é o bem-estar na situação de primeiro momento. Valoroso é o bem-ser na situação de segundo momento. Útil é o bem-ter na situação de terceiro momento. Precioso é o bem-fazer no passo de bem-acontecer na situação interativa de todos os momentos (quarto momento integrador).
[2] O poder da iniciativa é o único poder que trazemos desde o nosso nascimento. Curiosamente, a curiosidade acompanha o poder da iniciativa. Com ambos reagimos, agimos, atuamos e interagimos para triunfar. É preciso usá-los para o benefício de todos, sem prejudicar este ou aquele. Por isso é um grande pecado cercear a boa iniciativa alheia através de controle, domínio e manipulação de pessoas.
* Jesus Cristo.
[3] Do modo universal e necessário. Numa situação de jogo, há o perdedor e o ganhador. Contudo, na questão de sobrevivência tratá-la como um jogo é comparar-se aos animais e aos estúpidos irracionais. Porquanto, há uma situação inteligente de sobreviver em paz, harmonia e abundância sem precisar jogar. Basta que todos tenham o objetivo e a missão de amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas. Neste passo, o resultado de cada iniciativa deve beneficiar ao agente, ao outro e a todos, ao mesmo tempo. Por exemplo, numa transação comercial saudável e justa, ganha o vendedor, ganha o comprador e ganha a sociedade, ao mesmo tempo. Assim, não poderá haver perdedores. Veja página 257 e Nota de Fim n.º 32 na página 231. O modo que beneficia todos em qualquer tempo e lugar não podendo ser de outra maneira. Por que o egoísmo de querer passar o outro para trás; se, afetando o próximo afeta o todo e vai acabar prejudicando a si próprio, mais adiante?
[4] Livre-arbítrio. Poder de agir com liberdade irrestrita. Contudo, aquele que agir com essa liberdade do modo estúpido, irracional, irresponsável, inconseqüente, negligente, imprudente, ou com ignorância e omissão, sem disciplina e com comportamentos, condutas e procedimentos negativos ou catastróficos estará sujeito a sofrer os seus efeitos, conseqüências e resultados respectivos. Porquanto, a cada ação pode corresponder uma reação adversária de igual intensidade e força quer de modo imediato, tempestivo, regular ou em longo prazo. Sendo o futuro incerto para o vivo, melhor é agir dentro dos limites conhecidos e determinados explorando o desconhecido com zelo, prudência, perícia e prestimosidade. Logo, se há de se enfrentar a incerteza, que o faça com a devida cautela referida.
[5] Ser-real. Não se pode negar a conexão recíproca que há entre a realidade subjetiva e a realidade objetiva, ainda que em muitas vezes haja ou não uma correspondência biunívoca autêntica entre seus elementos homólogos, sem se referir às diferenças individuais. Porquanto, dada a rapidez das mudanças exteriores, tornam-se obsoletos os seus referenciais fixos interiores levando o sujeito às seguidas reavaliações e reconstruções do conhecimento considerado. Observe-se que essa conexão não se trata de coincidência entre a realidade objetiva e a sua correspondente realidade pensada. Esse representacionismo não significa a conexão recíproca referida. A conexão necessária não busca uma coincidência correta e determinada entre o real exterior e o real interior do sujeito, mas uma relação necessária de sobrevivência do sujeito que capta os elementos concretos externos dentro de suas possibilidades, na situação do momento biográfico-histórico e histórico-biográfico, no passo da sua assimilação, acomodação, consolidação e desfrute do seu triunfo sensato, no qual se utilizam as linguagens, representações e significados compreensíveis, para ocupar-se de viver bem enquanto é parte concreta da natureza finita e infinita; isto é, real, material, espiritual, potencial, virtual, ideal, imaginária, ideária, abstrata, concreta, de valor, ética, estética, cultural, social, política, econômica, ecológica, religiosa, etc. Melhor uma linguagem universal, necessária e definida para a interação social e intercomunicação geral. Contudo, não se deve confundir o que se pensa na realidade dialética com o que se pensa na realidade lógica em função da realidade externa, concreta e existente no aqui e agora, universal e necessária para os presentes, embora captada ao modo de cada um acarretando diferentes formações da realidade subjetiva diante de uma mesma ou de sucessivas realidades objetivas. Veja página 75.
* Estímulos integradores. Veja quadro e rodapé na página 26.
* Impulso. Termo usado para significar reação emocional imediata. É resposta espontânea, involuntária, voluntária, sabida ou intencional acompanhada da emoção quer natural, quer artificial e suas derivadas.
* Acomodação. Termo tomado por empréstimo da Psicologia genética (J. Piaget). Completamos com situações de terceiro e quarto momentos: assimilação — acomodação — consolidação — deleite.
*Adaptando. O mesmo que assimilando e acomodando. (Assimilação e
acomodação – Jean Piaget).
* Ingenuidade,
responsabilidade e espontaneidade. Veja Nota de Fim n.º 44 ª na página 266.
*Comportamento, conduta, procedimento e vivenciamento individuais. Veja Nota de Fim 44 ª na página 265. Compare-se com a Nota de rodapé na página 12.
* Humanitarista. De humanitarismo, doutrina filosófica e política que visa eliminar as injustiças reinantes no mundo a fim de se alcançar a felicidade humana (Novo Dicionário Aurélio, pág. 908, 2.ª ed.)
* Organização social. Veja Nota de fim n.º 43 na página 259.
* Amor e inteligência. Veja Notas de fim n.º 26 e 27 nas páginas 225 e 226.
* Naturalismo dos primeiros momentos biográfico-históricos. Trata-se de saciar as necessidades básicas e prioritárias para a sobrevivência individual e coletiva segundo disposição natural. Na questão de vida ou morte, o indivíduo procura conservar-se saudável e o social tende a perpetuar a sua espécie. Nesse mister, a boa qualidade de sobrevivência de ambos (espécie e indivíduo) dependerá dos subsídios dos demais momentos histórico-biográficos e biográfico-históricos.
* Cidadania. Veja Glossário.
[i] Megaconsciência social. Neologismo introduzido para
significar, de uma só vez, a totalidade das consciências de todas as pessoas
vivas no planeta acima de um milhão de pessoas ou jigaconsciência social
para acima de um bilhão de pessoas de uma só vez. Há mais de seis bilhões de
pessoas atualmente.
[ii] Posição existencial. Quando se trata de existir
ou não existir é preciso considerar a potencialidade de ser, ter sido,
vir a ser, deixar de ser e do que é efetivamente,
além da situação de estar ausente, ter (ganhar ou angariar algo
positivo) pela presença, fazer-se presente ou acontecer por meio
de representação. A posição existencial pode ser subjetiva e objetiva. A
posição subjetiva pode valer para o sujeito numa situação particular, tanto
ideária quanto imaginária. A posição de existência objetiva tem validade na
realidade objetiva (fora do sujeito observador) propensa a se generalizar. A
posição existencial tem a função de integrar o espaço, o tempo e a velocidade
na observação do objeto focalizado. Assim, para se ter uma consciência efetiva
é preciso saber quando, como, onde, quanto, porque, para que e em que
velocidade ou freqüência o fenômeno observado ocorre e quais as suas
conseqüências e sua utilidade, quer particular quer universal. Qualquer ponto
no espaço deve-se referir à latitude, longitude, altitude dentro da infinidade,
infinito ou de um referencial adotado ou padronizado. O tempo pode também ser
medido e se referir ao presente, passado e futuro dentro da eternidade. A
velocidade se relaciona com o espaço e tempo. Pode ser sem movimento relativo
(parado), com movimento relativo retardado, acelerado e contínuo. Daí, a
existência, integrando o espaço, o tempo e a velocidade, pode-se referir às
situações definidas, reais, imaginárias, limitadas, irrestritas, concretas,
abstratas, particulares, gerais e universais quer temporais quer eternas.
[iii] Jogo do Poder. Segundo Claude Steiner
(Scripts People Live - 1974), o poder é a capacidade de levar gente a fazer
coisas. Ele define jogos de poder como técnicas empregadas para se levar as
pessoas a fazer o que não desejam fazer. Daí, manipular pessoas é uma forma de
usar o jogo do poder. O poder tem duas faces: a boa e a má. A boa face do poder
tem o princípio e finalidade do bom para as partes e simultaneamente bom para o
todo usando técnicas, instrumentos, recursos e meios coerentes com a boa ética
orientados pelo amor e inteligência para o domínio, posse, influência e
controle sobre as pessoas. O domínio, posse, influência e controle sobre as
pessoas — muito embora pessoa não seja coisa, objeto ou mercadoria —, devem ser
exercidos somente para aquelas classificadas como inimputáveis pela lei penal
em vigor, mas pela linha do bem (Nota 25 acima), E logo liberadas quando
saudáveis e autônomas para poderem viver as suas vidas sem precisar importunar,
incomodar ou prejudicar outrem como a si mesmas. Porquanto, para as demais
pessoas o poder é compartilhado, de comum acordo, e a coisa acontece de modo livre
e espontâneo com resultados que se traduzem em calma, alegria e prazer. A má
face do poder, pelo contrário, tem o princípio e finalidade exclusivamente
egoísta usando meios não éticos para atrair vantagens e obtendo-as, geralmente,
em detrimento de outrem. Assim, o poder é buscado pelas pessoas para dominar
outras e controlando-as para mantê-las submissas e obedientes no sentido do uso
imediato como se elas fossem coisas, objetos e mercadorias. Essa face do poder
é gerada e reproduzida pelos vícios originados do sistema de competição
acirrada. Sentimentos diversos são experimentados desde tenra idade como “posso
mais”, “sou melhor do que você”, “tenho mais força”, “pega ou larga”, “você vai
pagar por isso”, “você não presta”, “seu idiota”, “burro”, etc., provocando
a mágoa, bronca, aborrecimento, manha, inveja, ciúme, ressentimento, revolta,
rebeldia, vingança, traição, agressividade, brigas contínuas, as vias de fato,
cobiça, perseguição, desprezo, orgulho, arrogância, prepotência, soberba, etc.
Geralmente, o poder é buscado para a aplicação imediata. Por isso, o berro,
ameaça, grito, a voz alterada, fingimento, o teatro, simulação, a
representação, o drama, a condição, a braveza, a cara feia, o xingamento, a
ofensa, palavrões, chantagem, punição, etc. são aplicados com freqüência para
obter o efeito imediato do poder. Quando há contrariedade, ou a reação
negativa, a insubmissão ou desobediência começa-se a disputa pelo poder ou o
jogo do poder. Contudo, há poderes que se exercem tempestiva ou regularmente de
modo indefinido. Esse tipo de poder é negativo porque se requer ou exige a
constante fiscalização, a prevenção, o castigo, a punição severa, proibição,
terrorismo e pessoal com dispositivos de segurança. Tudo isso fortalece a
tendência para uma vida estressante com muito desgaste e desperdícios de
energias à toa, além de provocar dissabores às pessoas infernizando as suas
vidas e podendo gerar conseqüências catastróficas ou desastrosas. Em síntese, a
má face do poder é reprodutora dos distúrbios sociais como a recessão, a
escassez, a insatisfação, o medo histórico, as guerras e os terrorismos
estúpidos. E, a boa face do poder gera a paz, a abundância, a liberdade, a
confiança e a boa vida contínua. Nas relações de intimidade é preciso deixar de
lado o jogo do poder. Quando um não quer dois não brigam. Precisa-se de que uma
parte não morda a isca do poder jogada pela outra. Em vez de morder a isca do
quem pode mais, num bate-rebate cada vez mais intenso, deve-se dar o devido
apoio e esclarecimento racional da situação, no momento oportuno. Antes, porém,
é preciso a parada para uma reflexão necessária. Daí, as virtudes como a
sinceridade, autenticidade, respeito, autonomia, disciplina, cavalheirismo, a
boa ética e a educação mantêm viva a boa relação e o seu colorido dando sentido
ao desfrute de estar, ser, ter e fazer junto o que é bom para as partes e bom
para o todo ao mesmo tempo. Não há poder melhor do que o amor e inteligência
reciprocamente aliados para uma causa comum.
[iv] Organização social. Qualquer unidade coletiva,
como já se disse, também aprende, reaprende, acumula conhecimentos, técnicas e
faz a sua história, a sua cultura, produzindo e reproduzindo influências no seu
meio ambiente. Entretanto, a aprendizagem do grupo, como um todo, é muito complexa.
A aprendizagem social refere-se ao grupo coeso como sujeito do saber, sujeito
da aprendizagem, do desenvolvimento e do conhecimento. Por isso, o grupo
precisa estar coeso para ocorrer a sua aprendizagem. Nesse mister, além da
conexão dos geradores energéticos sociais, o grupo deve ter a sua vida coletiva
organizada, ao mesmo tempo, de três maneiras:
1. naturalmente ¾ organização
natural-primária.
2. culturalmente ¾ organização
cultural-cívica.
3. seletivamente ¾ organização
seletivo-cognitiva.
A
coesão da coletividade tende a fortalecer-se em presença simultânea, não
necessariamente, sem predominâncias de um ou outro desses três tipos de
organização, em qualquer dos seus momentos históricos enfrentados com a
consciência coletiva. Contudo, uma organização duradoura e eficaz tende a
estruturar-se numa unidade harmônica fazendo transparecê-las nos seus devidos
momentos históricos.
ORGANIZAÇÃO
NATURAL-PRIMÁRIA. Nos
animais que vivem em bandos, a vida coletiva é organizada de maneira natural.
Observe-se como se comportam as saúvas, as abelhas e as andorinhas. Muito
embora possuam memória, não têm o privilégio do estado subconsciente,
consciente e das consciências. E sobrevivem bem apenas com a sua memória
automática ou imediata do inconsciente. Não há, para eles, os momentos de
aprendizagem que podem produzir satisfações de desejos, determinações ou dogmas
e doutrinas, em função de uma missão, e aquelas por intenções, decisões ou
deliberações, em função de um objetivo, respectivamente. No princípio, o
homem vivia também naturalmente assim como o acordar, escolher, optar,
comer, beber, copular, perambular e dormir, mais ou menos uns próximos dos
outros. Moravam, assim, em cavernas, cabanas ou casebres, pegavam diretamente
frutas das árvores, peixes nos rios, no mar, ou nos lagos e alguns animais a
muque quando estavam com fome. Cobriam-se com peles de animais e enfeites de
penas ou andavam nus conforme o clima. Faziam o que tinham vontade apenas;
entretanto, todos compartilhavam com o que a natureza se lhes oferecia e com o
que tinham de fazer, principalmente, diante de catástrofes. Iam e vinham dentro
das normas ou princípios naturais assim como, por exemplo, as andorinhas que
vão e voltam, não sem causas naturais, e por isso eram chamados de nômades.
Nesse sentido podemos dizer que o homem está organizado também de modo natural.
A essa organização dizemos: natural-primária. Não se obriga a nada. Não
precisa cumprir horário. Faz o que se tem vontade, não a prorrogando por muito
tempo. Tem todas as suas necessidades básicas e gerais supridas quando a
natureza lhe abunda ou esbanja nesse sentido. Todas as reações, ações, atuações
e interações ou respostas coletivas quando em bandos coesos estão programadas,
automaticamente, cujos alertas e sinais das conexões são heranças genéticas e
se manifestam em cadeia, do modo imediato. Esta índole e as predisposições
naturais e automáticas, herdadas dos ancestrais primevos, permanecem
coletivamente no homem até hoje e prosseguirão para sempre, manifestando-se nos
seus primeiros momentos históricos na crença ou na ilusão do enfrenta e mata ou
esquiva e foge, senão é morto.
ORGANIZAÇÃO
CULTURAL-CÍVICA. O
homem, com bem mais vantagens, como os seus fatores e recursos dos segundos e
dos terceiros momentos de aprendizagem, desenvolveu-se vindo a sofrer uma
ruptura de paradigma acrescentando ao hábito do nomadismo o costume
agropecuário, fixando-se em maior temporada em determinadas regiões favoráveis
ou férteis, como por exemplo, ao longo dos rios no interior, ou ao longo das
praias no litoral, mas próximo à foz de rios, preferencialmente.
Acrescentando-se-lhe novos instrumentos, novos valores e meios à sua vida
natural, foram-lhe surgindo diversas outras necessidades. Com mais um passo
chegou-se à civilidade. Novos hábitos sucederam-se-lhe. Novas regras e padrões
estabeleceram-se, pela necessidade da sua reorganização. O fato de todos
estarem reunidos e fixados numa mesma situação geográfica ¾ propícia para o cultivo e
criação ¾
era muito mais cômodo do que ter de vagar quando a escassez lhe atingisse.
Portanto, essa mudança foi para melhorar uma situação anterior. Mas, esse novo
hábito e o novo costume com uma nova estrutura de vida encontravam-se em
constantes ameaças senão por animais predadores, por outros grupos que ainda
levavam uma vida nômade. Era preciso, então, proteger-se. Melhorar as armas,
cercar terras para a criação, plantação e moradia, construir muros, pontes,
fortes ou castelos fortificados, cidadelas, torres, burgos, e daí, administrar
provisões para o abastecimento, efetuar saneamento básico, etc. A fixação
definitiva em lugar apropriado, não só favorecia a boa qualidade de vida mas
aproximava bem mais as pessoas porque tinham consciência coletiva da segurança
proporcionada pela força do convívio. Os laços afetivos, a lealdade, a
fraternidade, a cumplicidade, a fidelidade, a responsabilidade, a solidariedade
e disciplina, entre si, contra a adversidade e contra os inimigos, eram cada
vez mais fortalecidos. E tudo isto se tornou uma necessidade quando conseguiam
sucumbi-los fazendo-os seus escravos. Essa proximidade afetiva decorrente dos
cuidados e proteção de subsistência assegurada, certamente, foi um dos
principais fatores de desenvolvimento da maneira mais saudável da
população com relação ao crescimento desordenado e perpetuativo da
espécie que se verificava no período de escassez de nutrientes no organismo
da população sobrevivente. Daí, produziam e reproduziam os mesmos valores,
crenças, padrões de conduta, paradigmas e suprindo as necessidades comuns,
cultuando-os, cultivando-os e compartilhando-os com todos entre si.
Completava-se, assim, o ciclo de uma organização cultural em moldes de padrões,
deveres, hábitos, crenças comuns, obrigações, valores, normas, tarefas, sanções
e contribuições sociais, a todos quantos convivessem dentro da comunidade civil
usufruindo grande parte dos direitos decorrentes. Além, diga-se, dos diversos
privilégios distribuídos segundo a hierarquia de categorias sociais oriundas na
divisão da sociedade em classes com o advento da escravidão na sucumbência
servil de tribos vencidas. Logo, não restam dúvidas de que a vida coletiva
humana também está culturalmente organizada. Entretanto, a grande maioria da
população humana constitui a chamada sociedade civilizada. Daí a denominação de
organização cultural-cívica.
ORGANIZAÇÃO
SELETIVO-COGNITIVA. Cumpre
frisar que os três tipos de organização social humana são latentes,
exteriorizando-se com evidência e potência em seus respectivos momentos
históricos. Nos primeiros momentos históricos de determinado grupo, podemos
perceber as suas reações típicas de uma organização natural-primária no sentido
da causa e efeito. Nos seus segundos momentos históricos já
identificamos as suas ações como sendo características de uma organização
cultural-cívica na base de motivos e conseqüências. Nos seus
terceiros momentos históricos aparecem os dados suficientes para interpretar as
suas atuações como típicas da organização seletivo-cognitiva. Neste tipo de
organização está inserida o pensamento e as suas faculdades, os juízos, a
racionalidade, a intenção deliberada no planejamento com conhecimento incluindo
projetos, metas e objetivos que caracterizam mais os processos e o procedimento
com arte, artifício, técnica, ciência e tecnologia do que o modo natural no sentido
da causa e efeito ou o modo na base de padrões e valores culturais ou cívicos
no sentido do motivo e conseqüência. Daí, é mais uma nova organização seletiva
impregnada na natural-primária ao mesmo tempo em que na cultural-cívica, no
passo das razões e resultados. Cumpre lembrar que nos grandes
conflitos decorrentes das disputas por regiões férteis com recursos naturais
abundantes, as suas conseqüências ou os seus efeitos eram
péssimos tanto para os vencedores e muito mais ainda para os perdedores. Assim,
alguns povos pacíficos, por isso mesmo, preferiam ficar longe dessas terras
mesmo que a sua paz fosse conseguida à custa de sobreviver em lugares
geograficamente acidentados e pobres de recursos naturais. A adaptação plena
contingente a uma certa região onde nasceu, ou cresceu, ou se desenvolveu cria
vínculos afetivos que sempre atraem qualquer coletividade de volta onde quer
que vá ou esteja. Só mesmo um motivo de força maior tais povos se mudariam para
outros lugares por meio de guerras e conquistas. Por outro lado, todas as suas
necessidades básicas eram satisfatoriamente supridas através das trocas de
produtos com outros povos. Desse modo, grande parte de suas necessidades era
suprida por produtos trazidos de locais onde abundavam. As trocas eram possibilitadas
pelos excedentes que produziam e pela prática de transferir produtos abundantes
de um povo para outro no passo de suprir a sua escassez obtendo o de interesse
próprio. Nesse sentido, aprimorou-se, de modo bastante acelerado, a navegação
para o transporte de especiarias e outros produtos necessários para as trocas.
Com isso, fortaleceu-se de modo considerável o desenvolvimento do terceiro
momento histórico que requeria a boa idéia, o pensamento ético, crítico e
lógico, o raciocínio, planejamento e estudo, a organização, a livre iniciativa,
diplomacia e a circulação de dinheiro com lastro. O dinheiro podia ser
acumulado, investido e reinvestido trazendo o dinamismo das relações sociais. O
sistema das permutas ou trocas de mercadorias e a produtividade apenas para o
consumo próprio geravam riquezas somente estáticas. Não dava para se acumular e
estocar mercadorias sem que sofressem depreciações. Com o passar do tempo, as
perdas por deterioração ou obsolescência eram fatais, além de distribuição
custosa e das altas despesas de armazenagem. Daí, a idéia, o pensamento
coletivo com as faculdades consensuais e deliberativas fizeram transparecer uma
terceira organização para a vida social. Se há os que não admitem a organização
natural na vida do homem nos moldes mais ou menos semelhantes da que ocorre com
os animais, não poderão negar a que denominamos de organização
natural-primária, herdada do homem primevo, que se manifesta em todos os seus
primeiros momentos históricos. Não há de negar também que a cultura é um
processo assim como qualquer organização o é. Como a cultura acompanha a
vida do homem desde a sua época primitiva fazendo sofrer as mudanças gradativas
nos seus valores, padrões e normas ¾ na medida de sua evolução
com ou sem rupturas ¾ há evidências irrefutáveis de que ela está
simples e realmente organizada culturalmente. Entretanto, não se permite e nem
deve esquecer os demais ângulos visuais em diversas ocasiões históricas
apropriadas, quando se está observando de dentro de um sistema predominante.
Recomendável que se distancie e olhe de fora para dentro desse sistema para
distinguir bem o que se observa para poder defini-lo com todas as suas
variáveis. Em tempos atuais, a civilidade, o ecossistema, o humanitarismo, o
civilismo, os direitos universais, os de cidadania e os difusos, além de outras
considerações, ganham mais espaços com as suas transparências e importâncias
vitais. Obtêm predomínios gradativos sobre os vandalismos, terrorismos, sobre
os conservadorismos parados no tempo e também sobre interesses poluídos do
ganho fácil e principalmente contra os enriquecimentos ilícitos. Avançam passo
a passo no extermínio do autoritarismo e da política obscurantista corrupta
ainda impregnada de modo ativo na administração pública de qualquer nação. Sabemos
que todo o processo e qualquer procedimento podem ser melhorados ou
substituídos por outro, pelo próprio homem. Assim, novos padrões, novos
valores, novas regras e novos paradigmas poderão surgir na vida coletiva humana
não só oriundos de outros acidentes naturais nunca dantes vistos, como também
provocados pelo pensamento humano. Em resultado, pode-se dizer que na
reestruturação da sociedade humana implica uma nova organização que chamamos de
seletivo-cognitiva. Vale dizer, ainda, que a reestruturação da sociedade também
era feita pelos primevos toda vez que sofriam dizimações ou depois de acirradas
batalhas contra os seus inimigos e quando eram forçados a procurarem locais de
melhor abundância de alimentos para a sua sobrevivência. Também, há vários
exemplos de reestruturação na história da civilização e mesmo dentro das
sociedades coesas não só as míticas e fechadas, mas as religiosas, as
corporativas, agropecuárias, comerciais, industriais, financeiro-econômicas,
sociais, culturais e sociopolíticas. A organização que denominamos
seletivo-cognitiva nos terceiros momentos históricos predominará na vida humana
com o concurso do alto pensamento social, da tecnologia avançada e do elevado
conhecimento científico, de alcance geral; afora as reestruturações processuais
devidas que extinguirão os procedimentos obsoletos da vivência coletiva.
ORGANIZAÇÃO
SOCIAL INTEGRATIVA. Quando
um determinado número de pessoas se reúne e delibera a consolidação definitiva
como constituintes de um grupo coeso, essa nova sociedade assemelha-se a uma
criança que nasce. Pronta para reagir, agir, atuar e interagir no seu meio
ambiente, mas vazia de informações, experiências, conhecimentos e de relações,
embora seus componentes tenham cada um por si tudo isso nos seus parâmetros
particulares. O grupo que acaba de nascer é dependente tal como o bebê que
necessita crescer física e psiquicamente para sua autonomia orgânica. O corpo
da criança precisa de seu espaço íntimo, roupagem, asseio, comida, descanso,
lazer, equilíbrio, boas sensações, emoções, sentimentos, sensos e moradia, além
de outras coisas. Ela vai precisar, principalmente, da presença da mãe e do pai
que possam substituir o seu cérebro pensante para todas as suas situações
gradativamente complexas. Ou de substituto adequado que possa mantê-lo em
crescimento dando-lhe a necessária proteção, subsídios e cuidados constantes. O
corpo da organização social coesa é o conjunto de todas as pessoas direta ou
indiretamente ligadas ao organismo que nele entram e saem assim como as células
dos órgãos da criança que nascem, morrem e são substituídas para que cada órgão
continue funcionando bem para manter a unidade viva e ativa. O conjunto estável
desse fluxo de pessoas ¾ o corpo da organização ¾, também, precisa de uma
sede ou estabelecimento em local apropriado, matéria prima para processamento,
roupagem, higiene, energia, etc., além de um cérebro pensante, que é o seu
órgão administrativo que se desenvolverá até a sua maturidade e autonomia.
Enquanto parecido a uma criança recém-nascida ou como um adolescente, a
organização precisa de cooperação ou influência exterior considerável, tal como
se pode observar nos objetos do sindicalismo, corporativismo, lobby e
similares. Para que se possa, de um certo modo e de outro, senão protegê-la ou
mantê-la saudável e estável, ou ao menos, ajudá-la em seu desenvolvimento. Essa
ajuda é necessária ainda que debaixo de boas orientações condicionadas e
convencionadas por interesse e por questões de segurança do investimento. Tal
condição deverá perseverar até que a potencialidade em si e por si, com a sua
própria alma, retome as rédeas da sua autonomia. Alma essa constituída pela de
todos os seus componentes, de uma só vez. Podemos entendê-la como alma coletiva
ou espírito coletivo da organização. A humanidade é uma organização social
coesa. As pessoas nascem crescem, contribuem, morrem e são substituídas ¾ como as células da criança ¾ para manter a espécie viva
e em atividade. É preciso logo, dar-se conta disso e procurar saber como está o
órgão administrativo pensante da humanidade. Se esta já é autônoma, adulta ou
se está órfã de pai e mãe. Ou se está com o seu piloto automático desligado
fazendo com que as suas células vivas mais afoitas e desordenadas que as outras
¾
ou como as do câncer ¾, ameacem a saúde da unidade toda. Sabe-se
que muitas espécies de animais se extinguiram por terem perdido os seus
respectivos pilotos automáticos. O conjunto tornado muito pequeno por redução
gradativa de seus elementos e ainda dispersos foram presas fáceis de elementos
de outra espécie que mantiveram intocável a própria. Mesmo para aquelas
espécies, vítimas de eventos catastróficos naturais dos mais formidáveis e
violentos, justifica-se a sua extinção de maneira aceitável. Mas, não poderá
haver nada para explicar e justificar a possibilidade do desaparecimento da
espécie humana. Nem mesmo uma eventual estultícia ou ignorância coletiva não
pode ser admitida. Menos ainda, por negligência, imperícia, imprudência,
omissão ou indiferença de sua totalidade diante de um evento ameaçador de
maneira fatal. Visto que, o ser humano, por sua privilegiada natureza, é o
único que tem a potência, o poder, a possibilidade e permissão de organizar a
sua própria vida coletiva em sã consciência. Consciência essa, que é a própria
razão, motivo, causa e consistência do seu existir em si e por si mesmo, além
do seu poder de manter a existência das demais coisas e as suas transformações,
como lhe aprouver. Haja vista a ciência tecnológica de hoje que bem logo estará
em plenas condições de detectar a aproximação de asteróides e de poder
afastá-los da rota de colisão com o planeta, bem como ter o poder de controlar
os seus terríveis inimigos microrgânicos, sem contudo, precisar exterminá-los.
Ainda que seja recente a descoberta da constituição genética total de um
indivíduo, da tecnologia de clonagem de seres vivos, breve haverá o controle de
todas as doenças que afligem o ser humano. Pelo menos nisso aí, terão grandes
probabilidades de se poder sair da esfera da ficção científica para tornar-se
uma realidade, querendo. Ainda que também se tenha produzido e por mera
ingenuidade científica distribuído alimentos biogenéticos ou transgênicos
saudáveis para consumo nos primeiros momentos mas de efeitos fatais ou nocivos
para gerações futuras. E, ainda que não se fale em expandir a clonagem de seres
humanos, combatidos pela bioética. Eis porquanto, será tempestivo e eficaz o
seu combate, visto que há evidências de sacrifícios inesperados de seres vivos
que a própria natureza houve de se encarregar no reequilíbrio dos desvios do
seu curso natural. Em verdade, são os efeitos das aprendizagens individual e
social nos seus três níveis, respectivamente, em interação integrativa, com sã
consciência, é que podem produzir e reproduzir, de modo saudável e perene, toda
a organização da vida social humana. De tal sorte que, conservando-a,
modificando-a, ou avançando-a, ocupar-se de fruir uma vida civilizacional e
cultural de qualidade seletiva, saudável, em nível superior de conhecimento
e consciência. Entretanto, há a
condição de nunca esquecer de perseverar no seu modo natural, livre e
espontâneo de viver bem, no aqui e agora, sem privações ou carências e sem
detrimentos por negligência, falta de solidariedade, omissão, imperícia e
imprudência coletiva. E, ainda, de viver bem, na totalidade humana, sem ter que
adiar, prorrogar ou improvisar uma satisfação merecida, por egoísmo, arrogância
e escassez. Escassez essa, de maneira global que desafia ainda, se por motivos
naturais, o saber, a capacidade humana e o poder do seu pensamento e
conhecimento. Contudo, se provocada pelo próprio homem, ou pelos elementos de
sua minoria que dominam os demais da sua maioria é a confirmação e a prova
cabal do mais alto grau de escassez de amor, sabedoria e inteligência não só de
sua maioria dominada, por sua inocência, ingenuidade, ignorância e passividade;
mas, lamentavelmente, muito mais dessa minoria dominante que é inescrupulosa,
egoísta e ignara pela sua estupidez maquiavélica, perversidade egocêntrica e
pela astúcia parasitária, socialmente inútil. O que se doer e ficar enfurecido
por esta assertividade é indício do princípio da sua tomada de consciência,
nesse sentido, para, quando se acalmar, ter a sua grande chance de iniciar uma
reflexão em nível de ser humano superior.
[v] Confusão entre subjetividade e a objetividade. Para ilustrar a confusão
vejamos o texto seguinte extraído da obra “Sucesso pela redação” do
mesmo autor.
A REALIDADE OBJETIVA E A
REALIDADE SUBJETIVA.
Um dia desses, perguntaram-me ¾ ... mas, você desmontou
o chuveiro?
Houve época em minha vida que
cheguei a fuçar tudo em tudo. Logo me encontrava a desmontar qualquer coisa
para consertar. Principalmente, despertador. E cada vez que o fazia, torcia por
algum relógio de pulso cair nas minhas mãos. Desmontei um relógio de pulso.
Isso não era fácil, não. Arranhão aqui e ali ¾ tanto no relógio quanto nos
dedos ¾ e o pior era a raiva e o ódio de não conseguir abri-lo
rápido.
E para deixar tudo como
estava? Sobravam peças ao remontá-lo quando não danificava algumas de tão
minúsculas, frágeis e sensíveis. Eu é que sentia a sua dor pelo dó da perda,
remorso e culpa. E quando alguma caía no chão? É um tal de procura aqui,
procura ali. Já me flagraram com uma tecnologia de iluminação com rastreamento
magnético montada no meu quarto, deitado no chão e fuçando debaixo da cama. O
conserto daquele merecia todo esse aparato. Era justo o relógio de uma paquera
minha. Não poderia fracassar nessa.
Mas, tive de ir ao relojoeiro
¾
pois a peça se perdeu. Mas que facilidade!
Abrir o relógio com aquela ferramenta adequada era muito fácil. E ainda
observá-lo com aquela luneta. O cara botava um negócio no olho que para uma
criança como eu, aquilo era uma luneta de observar a Lua em quarto minguante.
Muitas vezes, diante do susto do relojoeiro que perguntava ¾ mas como foi que o relógio
chegou a quebrar desse jeito? Você o levou para algum aprendiz? ¾, eu dava risada da minha
própria desgraça. Hoje, eu solto um sorriso quando me lembro de uma obturação
que fiz num dente dum filho meu. A mãe dele levou-o ao dentista depois de um
mês daquela obturação, de tanta dor que ele sentia desde a madrugada. Eu nem me
lembrava mais daquela obturação, muito menos de a associar àquela dor de dente.
Quando retornaram, mãe e filho, disseram-me: ¾ sabe o que o dentista falou
quando examinou o dente? Que precisa ser cassado o diploma do dentista que fez
esta porcaria de serviço. É um criminoso!
Mas, como policial nenhum veio me procurar, achei
que tive uma boa cumplicidade na cobertura desse crime. Mas, na ocasião eu
conversava comigo mesmo. Mas onde foi que eu errei?
Como um bom fuçador, fui ter-me com um dentista,
conhecido meu:
¾ Sabe aquele tal de cimento
de alumínio? Aquele pó amarelo que a gente mistura com um líquido, três
gotinhas com uma porçãozinha? Tampei um buraco de dente com aquilo e tinha
ficado muito ótimo. Claro que eu o limpei antes muito bem com álcool e água
oxigenada. Só que um mês depois aquilo deu problema. Você pode me dizer sobre
isso?
¾ Mas, como? Você ficou
maluco? Não se meta a fazer coisa que não sabe. Por isso é que existe
especialista para cada coisa.
¾ Mas doutor, eu só queria
uma explicação, não uma censura. Quase já fui preso por causa disso!
Bem, fiquei sabendo grosso modo de que não dei
nenhuma chance para algum gás produzido pela população microbiana sair daquele
buraco de tanto que estava tampado. Aquele gás, na certa, empurrava e
pressionava tudo querendo sair e fazia doer. ¾ Pobre do meu filho! Quanta
burrice minha! É, mas, bem que ele tinha ficado feliz com aquela obturação.
Pois, todos os dias ele tinha de limpar aquele buraco cheio de detritos e que
fedia muito.
O problema era que eu estava desempregado, sem
grana nenhuma. E cinco filhos pequenos. A mulher, costureira, tinha pouca
freguesia. Mal dava para comprar comida do dia. Aluguel, água, luz, prestação,
tudo atrasado, e eu fugindo do oficial de justiça, sem crédito algum com
qualquer dentista, desse jeito.
Outro dia recebi a incumbência de consertar o
chuveiro. Estava sozinho em casa. Já fazia uns três ou quatro dias que só saía
água fria daquele chuveiro. Eu nunca me senti necessidade oriunda desse
problema porquanto o meu chuveiro estava em ordem. Mas, o hábito é muito
poderoso. A pessoa só lembra de outro chuveiro bom ao sentir aquela água fria
que jorra do chuveiro tido como enguiçado molhando o corpo já pelado. E daí
surge aquela cobrança supersensibilizada:
¾ Mas você ainda não foi
examinar aquele chuveiro?
Pensei com os meus botões: ¾ pô! Por que logo eu? Sempre
eu? Já tinha até me esquecido do pedido.
Mas deitado no sofá continuava eu com os meus
botões. Cheguei a desmontá-lo e montá-lo só com o pensamento. Não achei defeito
algum. Ora, o chuveiro eu mesmo o instalei novinho em folha a menos de um mês.
Como poderia estar quebrado? E olha que esse aí é de outra tecnologia. Pois
daqueles que consertava quando moço, a cada vez, eu me perguntava ¾ será que vou ter de
inventar um que não precise parafusar nenhuma das trinta e seis vezes ou mais?
Sem exagero, pois desmontar e montar dá o mesmo trabalho.
Um chuveiro desses é fruto de algum esperto burro.
Mas é muitas vezes pior do que aquele vestido com oitenta botões. Deve-se
desabotoá-los o suficiente pensando só e tão-somente no prêmio imediato ou
mesmo no distante. Nunca, na burrice dos botões ou dos parafusos.
No chuveiro, algumas vezes faltava um parafuso e
vazava justamente por ali depois de dois dias de montado. Toca procurar aquele
parafuso no lixo. Quando não o achava, amarrava com arame mesmo, junto com a
raiva e tudo.
Mas e esse chuveiro aí? Não pode estar quebrado. Se
estiver, preciso trocá-lo, logo. Lei do consumidor! É, não tinha dessas coisas,
antigamente. A gente arcava com o prejuízo e ainda passava por um vexame se
quisesse reclamar.
Pensei logo no desliga e liga da chave automática.
Fiz isso e levei a escada para o banheiro. Foi muito providencial, porquanto,
subi nela para examinar superficialmente aquele chuveiro. Logo verifiquei que o
seu dispositivo de ligar verão ou inverno estava bem para lá do verão. Claro
que o quente e o morno estavam desligados.
Recoloquei-o no verão, depois abri a água do
chuveiro. Funcionou.
Antigamente, subia a escada com alicate na mão após
fechar o registro geral da água. E, ao desligar a força elétrica da casa eu me
molhava todo. Pior era, quando após tudo desmontado, chegava à conclusão de que
a chave que liga verão ou inverno estava no desligado.
Respondi àquela pergunta inicial. Sim, desmontei-o.
¾ E o que era?
¾ Mau contato.
¾ Como mau contato?
¾ Muita pressão para a
esquerda.
¾ Ah! Que ótimo. Obrigada,
você é um amor! Estou doida para tomar aquele banho quente.
Tudo o que disse conferia com a minha realidade
subjetiva compatível com a minha realidade objetiva. Pois desmontara no meu
pensamento aquilo que desmontava fora dele. Desta vez, sem ofensas. A solução
adequada chega com o uso das ferramentas certas do pensamento. E isto sempre
merece um prêmio melhor.
Não posso confundir mais a minha realidade objetiva
com tudo aquilo que opero no meu pensamento. A minha realidade objetiva de
antigamente se passava por minha realidade subjetiva e era tão burra quanto os
parafusos e botões.
Hoje, prefiro os botões com o prêmio imediato.
¾ Por quê?
¾ Porque eu compatibilizo
essas duas realidades. Só assim o sonho com os meus botões se realiza.
¾ Como assim?
¾ Ora, numa sociedade
competitiva tal como ela funciona, se você confundir, a cada vez, essas duas
realidades, você não recebe o prêmio e fica com o seu aluguel, contas,
prestação, tudo no atraso, e ainda perde o emprego não podendo pagar dentista
algum. Se você mostra a realidade objetiva, no seu sucesso, você está chamando
o outro de burro e o ofende. No fracasso, o burro é sempre você. Qualquer
ofendido não lhe dá o seu justo prêmio, e quando acha que teve prejuízo pela
sua burrice, ainda vai-lhe cobrar indenização.
Você já pensou quando uma jovem bela e formosa lhe
pedir para desabotoar alguns daqueles oitenta botões e, já no décimo, você
começa a criticar quanta burrice usada naquele modelo, etc.? Simplesmente, você
está chamando a dona do vestido de burra. E o seu prêmio vai água abaixo como
no chuveiro independentemente de parafusos. Depois, você não precisa desabotoar
mais do que alguns deles. E como dói e incomoda desparafusar trinta e seis
vezes, parafusá-los de novo e no final, nada funciona!
44
ª.
Comportamento. Conduta. Procedimento.
Vivenciamento.
Já
sabemos ¾
e se vê na prática ¾, que o comportamento de uma pessoa é percebido
e identificado na sua maneira imediata de reagir contra uma ação
adversa.
E, ainda, na
forma de dar a sua resposta reflexa ante um estímulo presente, seja este
interno ou externo. Logo, o indivíduo, apenas, comporta-se ante um
estímulo presente. Conduz-se ante os estímulos adiante e procede-se
diante dos estímulos constantes. Nesse vivenciamento vai enfrentando as
suas vicissitudes.
Eis pois,
se estiver habituado em como responder bem a um determinado estímulo presente,
o próprio hábito pode conectar a sua resposta automática.
E por
ser automática, caracteriza-se não uma conduta ou um procedimento, mas um
comportamento.
Um
certo comportamento de um indivíduo é dito bom ou mau segundo preceitos
socioculturais orientados pela ética ou costume social vigente. Assim, um
comportamento pode ser bom para o indivíduo, porém mau para a sociedade; ou
pelo contrário, indesejável para ele, porém, bom para a sociedade.
Logo,
a forma de conduzir-se de modo socialmente esperado é que se diz conduta. A
conduta, portanto, surge da avaliação social do modo como age o indivíduo ou de
como se conduz.
O
comportamento e a conduta sugerem o procedimento.
Eis
porquanto, no bom procedimento de um certo indivíduo é apreciada a sua forma
eficiente e eficaz de reagir e agir diante dos estímulos constantes,
estabelecendo a sua capacidade de bem atuar.
Daí,
dizermos que a reação e a ação sugerem a atuação.
Então,
quando falamos da atuação de um indivíduo nas suas atividades, ou no seu
envolvimento num processo diante dos seus estímulos constantes, estamos
tratando de seu procedimento.
Quando
falamos de suas ações, dos seus investimentos ou do modo como se conduz
socialmente, estamos tratando de sua conduta.
E,
quando falamos de suas reações, dos seus impulsos e respostas ante um estímulo
presente, estamos tratando do seu comportamento.
Nas
seguidas reações, ações e atuações do indivíduo em suas interações com o seu
meio ambiente, rumo ao seu triunfo sensato, estabelece-se o conjunto dos seus
comportamentos, de suas condutas e de seus procedimentos.
A
esse conjunto integrado damos o nome de vivenciamento.
Podemos
dizer, portanto, que o vivenciamento é o ato da aprendizagem com profundidade
através das experiências de vida.
O
vivenciamento por conduzir a integração do comportamento, da conduta e do
procedimento é um instrumento ou virtude do quarto momento.
Pelo
quadro a seguir poder-se-á ver como se distinguem essas três práticas.
|
1.° momento |
2.° momento |
3.° momento |
4.° momento |
|
reforçadores |
motivadores |
interessantes |
interativos |
|
HÁBITO |
COSTUME |
USO |
CONVIVÊNCIA |
|
REAÇÃO |
AÇÃO |
ATUAÇÃO |
TRIUNFO |
|
COMPORTAMENTO |
CONDUTA
|
PROCEDIMENTO
|
VIVENCIAMENTO
|
Ingenuidade. Responsabilidade. Espontaneidade.
Disciplina.
No
vivenciamento, a vivência saudável ¾ prática do bom hábito,
costume e uso ¾ induz os seus praticantes, em seus primeiros
momentos, às reações naturais, diretas, despretensiosas, automáticas, puras,
livres e, muitas vezes, inconseqüentes, embora isentas de má-fé, malícias e
malvadezas. Estas reações são chamadas de ingênuas.
As
reações ingênuas constituem o comportamento normal voluntarioso, ou a
ingenuidade positiva dos primeiros momentos. Não se deve confundir ingenuidade
com idiotice, ignorância, babaquice, tolice ou simploriedade. A ingenuidade
está mais para o lado da naturalidade, pureza, reações sem malícia, sem
maldades ou más intenções.
Na
socialização cuidadosa e ética, conduz-se o indivíduo a disciplinar esse
comportamento ingênuo para que ele evite, ou combata as inconseqüências dos
seus atos voluntariosos fazendo-o a responder pelos seus maus atos,
paulatinamente. Nasce assim o sentido da responsabilidade dos atos praticados.
A responsabilidade natural e positiva é observada na mãe que amamenta e cuida
do seu bebê.
Quando
o indivíduo procura realmente evitar detrimentos que derivem dos seus atos, ou
responde por eles com a devida reparação dos danos causados, diz-se
responsabilidade positiva para distingui-la das pseudo-responsabilidades. Estas
são aquelas nas quais as pessoas se dizem responsáveis mas na hora do
ressarcimento nada assumem, ou não têm com o que responder.
Nos
terceiros momentos, a ingenuidade do primeiro momento associada à
responsabilidade positiva do segundo momento faz nascer a espontaneidade. Esta
é uma virtude do terceiro momento, inerente aos triunfadores sensatos.
A
espontaneidade é o atuar com autenticidade, liberdade, intenção, propósito, sem
pressões e sem obrigação ou dever. Na espontaneidade não há indução, submissão
ou qualquer influência para o ato de proceder, atuar e fazer.
Faz o
que tem que ser feito, com a consciência-do-consciente e querendo, com
habilidade, disposição, amor, inteligência e autonomia autêntica.
Não
há fingimentos, representações, cumprimento de papéis e nem disfarces no atuar
espontâneo.
A
espontaneidade como a ingenuidade ou a responsabilidade positiva é livre e
natural, sem preconceitos ou influências. A diferença entre si, entretanto,
reside na manifestação do seu respectivo estado psíquico.
A
ingenuidade é manifestada pelo estado inconsciente e ocorre no primeiro momento
biográfico e histórico. Predominam a vontade, os reflexos e as boas emoções.
A
responsabilidade positiva bem como a boa ética provém do subconsciente e ocorre
no segundo momento biográfico e histórico. Predominam o bom desejo, os
conhecimentos e os bons sentimentos.
E
ainda, ambas implicam o respeito, a autodisciplina, a tolerância, o poder e a
competência.
A
espontaneidade é própria do estado psíquico consciente e ocorre no terceiro
momento biográfico e histórico. As boas intenções, os bons pensamentos e os
sensos saudáveis são os seus fatores predominantes.
Os
atos ingênuos, responsáveis e espontâneos interagem-se pela disciplina e
respeito para a conservação do bem-estar, do bem-ser, do bem-ter e para o
bem-fazer no passo de um acontecer feliz.
|
A ingenuidade negativa é simploriedade, própria do
panaca. A
irresponsabilidade é atitude culposa, própria do insensato. A
perversidade é intenção dolosa, própria do mau caráter. A estupidez é cegueira do fanático e do lúmpen
psíquico. |
Estas
quatro situações são provocadas pela má qualidade das extensões mais próximas,
pela ausência de educação normativa, moral e cívica, e pelas privações e
carências no suprimento das necessidades fundamentais ou essenciais, além do
inconformismo que cria revoltas ou defensivos obsedantes.
Em
suma, é ausência total da disciplina interior, com fragílima autocensura e sem
noção ética, motivada pela carência ou insuficiência de sustentação do justo
modelo disciplinar exterior.