CONSCIÊNCIA SUBJETIVA E OBJETIVA.
No contexto social, quer um
par de enamorados quer um grupo coeso, ou a própria sociedade humana, o
conjunto de seus momentos constitui a sua história.
Assim, por exemplo,
acontecimentos importantes e finalidade comum que tornam coeso um casal (gênero
contraditório) formam a história exclusiva dessa menor unidade social de
potencial procriador.
Portanto, o momento é real. Implica novidade,
aprendizagem, desenvolvimento, mudança, coleção de saberes, de conhecimentos adequados,
técnicas e implantação de processos saudáveis no propósito de atender as necessidades
humanas imediatas, tempestivas, sucessivas e integradoras. Tudo no sentido do
acontecer saudável e em alto nível, seja para o indivíduo, para um grupo
qualquer ou para a humanidade, em qualquer época.
Já
se disse sobre os quatro momentos fundamentais quer biográficos quer
históricos. No contexto das necessidades gerais que abrange quase tudo, é fácil
detectar, localizar, entender e compreender os seus quatro momentos. Tudo está
se movendo. E em qualquer coisa que se movimente se vê quatro momentos. O
contexto urgente, a situação prorrogada, a sucessão dos atos ou a sua
freqüência e a priorização (o momento integrador). Se estiver faltando um ou
outro, pode-se procurar o faltante que vai se achar. Assim, na administração
pública, o primeiro é o executivo, o segundo é o judiciário, o terceiro, o
legislativo e o quarto é o integrador que pode ser o congresso, o povo,
plebiscito, poder moderador, o rei, o imperador, etc. de conformidade com o
sistema político vigorante. Na matéria, temos os seus estados líquido, sólido,
gasoso e o energético; e, assim por diante.
O
momento biográfico de uma pessoa começa na sua concepção e nascimento.
A
sua extensão mais próxima é parte de sua biografia e constitui-se de tudo o que
se relaciona com ela no aqui-e-agora sucessivo.
Embora sejam considerados
os momentos imaginários, a sua importância está na concretização, na sua
construção finda e na experiência real e concreta do momento respectivo.
A
essência dos momentos está no próprio conteúdo do seu acontecimento e na
qualidade dos registros na memória da relação ou do vínculo entre os elementos
do ser-real com os do ser-ideal, correspondentes.
O ser-real é o
objeto, o fenômeno e o fato reais, concretos ou abstratos (o que há no mundo
quer interno ou externo tomado por objeto*) que podem ser captados pelos órgãos dos
sentidos ou sensações e armazenados através dos meios próprios ¾
impulsores, imagens, símbolos e expressões ¾, no
nosso banco de memória.
A essa representação e interpretação do ser-real
e a da idéia de outrem haja ou não a respectiva correspondência autêntica e
biunívoca ¾
guardada no banco de memória, que forma e faz constituir todo o acervo do
conhecimento e que subsidia a idéia de cada indivíduo, a sua reação, ação e
atuação, bem como a noção do que faz, inclusas as operações do seu pensamento e
suas faculdades e as memórias dos conhecimentos potenciais por herança genética
¾,
dizemos ser-ideal. O que se capta para registro no banco de memória do
que trazem as sensações configura-se como novos elementos do ser-ideal cujo
processamento e interação dão subsídios à percepção, à identificação e à
interpretação para o entendimento de suas mensagens. Mensagens essas interiores
ou exteriores emitidas por tudo o que se nos apresenta de real, autêntico,
natural, provocado e ideal, concreto ou abstrato.
Pela linguagem e pelos instrumentos representativos,
simbólicos, descritivos, narrativos e argumentativos ou dissertativos gravados
e computados no banco da memória e processados pelas consciências e demais
fatores psíquicos, é que se pode exprimir e externar a idéia, opinião,
conhecimento, pensamento, vivenciamento, raciocínio, saber e experiência.
O
ser-ideal é o mundo subjeto em confronto[i]
e conexão com o mundo objeto. Corresponde ao interior do sujeito. É a sua
realidade subjetiva. Pode-se dizer que o ser-ideal é o espelho do mundo objeto
(exterior); ou seja, a representação da realidade objetiva, ao modo de cada um.
O ser-real e o ser-ideal são conteúdos do existir como pessoa.
Persistir na existência como pessoa implica no atendimento ou
suprimento da sua necessidade essencial, com ótima e
eficiente qualidade, em todas as suas formas de surgimento,
extensiva à totalidade do ser humano.
A qualidade e a quantidade desse suprimento, sem desvios,
desperdícios ou erros, dependem do vínculo ou da relação respectiva dos
determinados elementos do ser-real com os seus correspondentes representados,
autenticamente, no ser-ideal.
Daí, a boa qualidade e a quantidade suficiente dos recursos que
constituem o comportamento, a conduta e o procedimento saudável do indivíduo
como integrante da sociedade desejável dependem do seu cultivo, apreensão e
cuidados. A ausência de certas noções sociais e das vivências afetivas
determinantes dos princípios, das normas e finalidades, dos valores e padrões
éticos na socialização saudável explica os seus decorrentes comportamentos
animalescos, inescrupulosos e randômicos.
Esses atos irracionais podem ser verificados num primeiro
momento negativo como mecanismos fatais de defesa quando o medo da morte
antecede ou se associa à raiva acumulada embutida que detona de modo frio e
automático ante a crença do menor estímulo de ameaça de perigo de perda total.
Admite-se, por princípio, que o espaço real não tem limites em
todas as direções e em qualquer sentido, a partir de qualquer um de seus
pontos. O espaço real, por conseguinte, é infinitamente grande. É infinitamente
pequeno o intervalo entre duas de quaisquer partes de uma unidade infinitamente
pequena de espaço real.
Intuem-se, daí, dois extremos contraditórios. O continente real
absoluto que denominamos o tudo. O não-continente real absoluto que
chamamos o nada ou o não-ser real absoluto
que é o limite de qualquer conteúdo gradualmente infinitesimal num continente
também infinitamente pequeno.
O ser é tudo o que existe, objetiva e
subjetivamente, podendo ser ideal, virtual, real, potencial, concreto e
abstrato. Daí, com estes princípios, intui-se o não-ser, que
é o que não é; e, a negação de qualidade que pode ser qualquer outro que
não seja ele próprio. Intui-se, também, o não-ser real relativo que é a
ausência de um ser real e concreto, no aqui e agora, ou ausência de conteúdo,
bem como a possibilidade de sua presença em outros tempos e lugares do espaço
objetivo.
Observe uma pessoa andando que de repente pára (tempo
presente). Os seus passos dados ficaram para trás (tempo passado).
Esses atos e os atos dos passos seguintes (tempo futuro) é
presente no contexto de espaço, porque, independentemente, do tempo que passa,
que passará ou que já passou, o espaço é sempre presente no tempo. O espaço
(o lugar no chão) onde os passos foram dados, repita-se, e os que nele estão
para serem dados está no presente para essa pessoa e para qualquer outra. O
conteúdo no espaço, desloque ou não em qualquer velocidade, pode se transformar
com o passar do tempo, estando ausente onde estava presente; mas, o espaço
continua o mesmo, envolvendo tudo, e ao mesmo tempo em que está sempre presente
no tempo. O espaço não pode se ausentar.
Em conseqüência, temos a concretitude, a potencialidade, o
abstracionismo, a representatividade, a virtualidade e a atualidade do
ser-real, no estado, situação, tempo, velocidade e espaço, da maneira objetiva.
E tudo isso é passível e possível de ser, de estar sendo, ou de estar
representado ou ter representações parciais, fragmentadas, totais, deformadas,
aparentes, autênticas ou não, no mundo subjetivo; isto é, no banco de memória
de uma pessoa. E, esse correspondente do ser-real objetivo registrado no banco
de memória, da maneira equivalente, semelhante e autêntica ou não, além dos
trazidos pela sua herança genética, chama-se ser-ideal.
A realidade objetiva tende a ter um limite possível enquanto
que a realidade subjetiva pode ultrapassar esse limite. Assim, tudo o que
sonhamos, fantasiamos, pensamos, imaginamos ou refletimos, nesse ato, pode não
estar presente, no aqui e agora, ou mesmo nem existir o seu correspondente da
realidade objetiva.
Podemos também fazer cálculos matemáticos complexos corretos e
coerentes, mas existentes e possíveis tão-somente na realidade imaginária não
havendo como concretizá-los nas condições objetivas reais e concretas.
Em outros termos, ser é tudo o que existe presente,
representado ou ausente ainda, no espaço, no tempo e na velocidade,
objetivamente, e tudo o que se supõe existir e o que está representado no banco
de memória, subjetivamente.
O ser-real é o que se põe como existente, no aqui e
agora, com qualidades em si mesmas e velocidade relativa, objetivamente. O ser-ideal
é tudo que supomos existir ou que já sabemos existir no espaço, no tempo e na
velocidade, e o que se pensa e imagina, subjetivamente, podendo materializar-se
ou tornar-se presente como ser-real sob determinadas condições objetivas
necessárias. Um e outro podem ser concretos, abstratos, autênticos, potenciais
e virtuais.
CLASSIFICAÇÃO DO “SER”.
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CONCRETO ABSTRATO CONCRETO ABSTRATO |
Autêntico (SRCA) Virtual (SRCV) Autêntico (SRAA) Virtual (SRAV) (SRAV) Autêntico (SICA) Virtual (SICV) Autêntico (SIAA) Virtual (SIAV) |
O ser-real é concreto autêntico quando tem conteúdo consistente
— seja ele matéria, energia, ser vivo, objeto, fenômeno, ou fato —, mas
presente, objetivamente, no aqui e agora.
O ser-real é concreto virtual quando o conteúdo consistente
está ausente no aqui e agora, mas presente objetivamente em outro momento do
tempo ou em outro lugar no espaço.
O ser-real é abstrato autêntico quando não tem conteúdo
consistente e está presente, objetivamente, no aqui e agora, seja a forma, a
vivência, a experiência, a relação, a qualidade, a igualdade, a diferença, a
quantidade, a cor, os caracteres, a liberdade, o tempo, a velocidade, a ação, a
reação ou assemelhados.
O ser-real é abstrato virtual quando há a representação
objetiva, no aqui e agora, das idéias, dos conceitos, dos valores, dos
universais, da beleza, dos reflexos, da moral, do bem, do mal, das
significações e assemelhados, assim como as imagens físicas, as fotografias,
mapas, gráficos, desenhos, signos, linguagem, etc.
O ser-ideal é concreto autêntico quando há a representação
subjetiva do ser-real concreto autêntico. Presença na memória, aqui e agora, do
seu homólogo ou correspondente na realidade concreta e autêntica.
O ser-ideal é concreto virtual quando há a representação
subjetiva do ser-real concreto virtual, aqui e agora. Imaginação no lá e então
ou aí e tão logo. Memória ou lembrança do passado, projetos, objetivos, metas,
planos, missão, etc.
O ser-ideal é abstrato autêntico quando há a representação
subjetiva do ser-real abstrato autêntico, aqui e agora. Manifestação presente
do saber, conhecimento, pensamento, reflexão, abstração, raciocínio, sensações,
emoções, sentimentos, sensos, vontades, desejos, intenções, estudos, etc.
O ser-ideal é abstrato virtual quando há a representação
subjetiva do ser-real abstrato virtual, no aqui e agora. Ficções, aparências,
fantasias, devaneios, sonhos, ilusões, etc.
Os elementos precisos
acumulados, tanto no banco da memória quanto nas obras e registros externos,
nessa relação ou vínculo entre o ser-real e o ser-ideal da coletividade em si,
nas suas conexões intragrupais (sujeitos-objetos interativos), é que podem
formar e sustentar o seu inconsciente-social, o seu subconsciente-social e o
seu consciente-social para a sua consciência-coletiva de maneira desejável.
CONFIABILIDADE E
CREDIBILIDADE DAS PROPOSIÇÕES.
As proposições[ii]
se manifestam ou se apresentam diante de um cenário real onde se pode ver,
assistir, sentir e perceber de maneira direta. Ou, verbalmente,
nas relações sociais, quando podemos falar, dizer, ouvir, identificar
e reconhecer. E, por meios representativos, simbólicos, quando se pode intuir,
quer interpretar, expressar idéias, ler, escrever e quando
queremos comunicar ou propor vontades, desejos, intenções ou sonhos; e, quando
se quer observar as suas diferentes formas de aparecer para as entender.
Visto que as proposições
podem ser verdadeiras ou falsas, surge a situação de confiar e crer ou duvidar
e criticar após os devidos confrontos com o que já sabemos.
E, ainda, aquela situação de
verificar e identificar sinais, indícios e evidências de confiabilidade e
credibilidade quando nada sabemos daquilo que é proposto.
É preciso, então,
precavermo-nos no sentido da busca de suas verdades.
Logo, quando nos deparamos
com as proposições, não podemos deixar de lado os seus postulados principais[iii]
no aspecto da confiabilidade e credibilidade.
Toda proposição poderá ser
aproveitada após a sua aprovação geral. Para que isto ocorra, o conteúdo
proposto deve ser apresentado na linguagem adequada e compreensível espelhando
confiabilidade e credibilidade. Porquanto, as proposições verdadeiras são
apoiadas ou reformuladas; e, as falsas, combatidas ou afastadas.
Os estímulos da realidade
objetiva (ser-real) estão aí.
Contudo, necessariamente, há
que subsistir a correspondente representação da verdadeira conexão
estímulo-sensação-consciência resultante para o devido registro no banco da
memória no passo da construção e reconstrução da realidade subjetiva
(ser-ideal) da maneira precisa e autêntica.
O que é a verdade sem o
confronto dessas duas realidades para verificar a exatidão das relações
biunívocas de seus respectivos elementos? A verdade de uma proposição é
demonstrada por meio de provas válidas no seu contexto. Um só erro de
percepção, identificação ou de interpretação ou o registro de uma falsa informação
na memória são suficientes para o equívoco da conclusão decorrente.
As proposições subjetivas
surgem tão-somente dos elementos do ser-ideal do indivíduo para o seu interesse
e para o uso próprio das vantagens decorrentes, ainda que incorporados pela
experiência sensível. Por isso mesmo merecem mais cuidado do que as objetivas.
Em síntese, o interesse particular pode deformar a verdade.
É preciso verificar e
inteirar-se da verdade pela evidência e autenticidade das suas provas
relativas, apresentadas e demonstradas. Porque as conseqüências das proposições
mal formuladas ou falseadas não agradarão às partes envolvidas.
A verdade das proposições,
então, toma a relevância de necessidade premente, também, em nível de
interatividade e interação interpessoal.
Daí, classificarmos as
proposições em dois conjuntos ideais ¾ a
verdade e a mentira.
|
PROPOSIÇÕES (ser-ideal) |
VERDADE
MENTIRA |
CONCRETA ABSTRATA |
CONDICIONAL
INCONDICIONAL CONDICIONAL
INTENCIONAL |
Autêntica Virtual Representativa Axiomática Autêntico-representativa Virtual Autêntica Virtual Representativa Autêntica Virtual Representativa |
VERDADE CONCRETA CONDICIONAL
AUTÊNTICA.
Refere-se à exatidão da
correspondência biunívoca entre os elementos respectivos de determinados
subconjuntos homólogos do SRCA e SICA.
A verdade da proposição é a
fiel representação ideal do real restrita às condições apresentadas.
Exemplos:
O homem necessita de afeto
tanto quanto de alimento.
O homem, enquanto não
saciado, tem necessidade.
VERDADE CONCRETA CONDICIONAL
VIRTUAL.
Analogamente, refere-se aos
conjuntos dos SRCV e SICV.
As verdades das proposições
são reconstituições fiéis dos fatos reais passados ou acontecimentos reais
futuros.
Exemplos:
Os homens de antigamente
pensavam que o mundo era quadrado.
Os transportes do futuro não
serão como os de hoje.
VERDADE CONCRETA CONDICIONAL
REPRESENTATIVA.
Refere-se às proposições da
verdade condicional concreta autêntica, com certo exagero ou metaforicamente.
Exemplo:
Um pescador tendo pescado um enorme lambari, diz:
— Pesquei um lambari do
tamanho de um boi. (hipérbole)
VERDADE CONCRETA
INCONDICIONAL AXIOMÁTICA.
Refere-se aos postulados ou
axiomas aceitos aprioristicamente.
Exemplos:
O homem é um ser essencialmente
social.
Por um ponto passam infinitas
retas.
O nada e o infinito são
limites extremos inatingíveis pela realidade objetiva.
Na realidade subjetiva, a
imaginação vai além das restrições da realidade objetiva.
Nem tudo que se imagina se
põe como existente na natureza.
O tudo propende a excluir o
nada. Ou tudo, ou nada.
Vazio é ausência de objeto.
Há espaço no vazio. Ausência não é o mesmo que nada.
Neste grupo, incluem-se as verdades de razão ou as
universais e necessárias.
VERDADE
CONCRETA INCONDICIONAL AUTÊNTICO-REPRESENTATIVA.
São as proposições cuja correspondência
biunívoca é mediata. Ocorre a relação SRCA e SICA por meio do SRCV.
Exemplos:
— Pedro deu um tiro no
ladrão.
— Matou-o?
— Não. Quebrou o espelho.
Aqui está a Rua Tuiuti —
disse Pedro colocando o seu dedo no mapa.
Sou eu quem está nesta
fotografia.
As proposições verdadeiras em
cena de um filme histórico são exemplos deste grupo.
Muitas das proposições
matemáticas relativas à realidade objetiva são deste grupo.
VERDADE CONCRETA
INCONDICIONAL VIRTUAL.
Proposições de
correspondência complexa. Há a relação entre o SICV e SRAV ou SRAA.
Exemplo:
Sonhei que ganhei milhões na
loteria.
A proposições e relações
matemáticas não relativas à realidade objetiva são deste grupo.
MENTIRA ABSTRATA CONDICIONAL
AUTÊNTICA.
É
quando o SIAA não está de conformidade com o SRAA e SRCA.
Exemplo:
Mesmo tendo pescado tão-só
peixinhos, o pescador diz que pescou peixes enormes.
MENTIRA ABSTRATA CONDICIONAL
VIRTUAL.
É
quando não há conformidade entre o SIAV e o SRAV.
Exemplos:
Qualquer
mapa incorreto ou espelho deformado mostra uma realidade distorcida.
Um pescador
tendo pescado peixes de papel diz que pescou peixes de verdade.
MENTIRA ABSTRATA CONDICIONAL
REPRESENTATIVA.
Ocorre quando não há coerência entre o SICA e o SRCA por
interferência do SRCV.
Exemplo:
As
mentiras numa cena de um filme histórico.
MENTIRA ABSTRATA INTENCIONAL
AUTÊNTICA.
É
quando não há conformidade entre o SIAA e o SRAA, por intencionalidade.
Exemplo:
Um pescador, nada tendo
pescado, diz:
—
Pesquei um dourado de uns dez quilos.
MENTIRA ABSTRATA INTENCIONAL
VIRTUAL.
É
quando não há conformidade entre o SIAV e o SRAV, por intencionalidade.
Exemplo:
Diz o namorado para a
namorada:
— Sonhei que te beijei um
milhão de vezes.
MENTIRA ABSTRATA INTENCIONAL
REPRESENTATIVA.
Quando ocorre a
mentira condicional abstrata representativa, de forma intencional.
Exemplo:
As mentiras numa cena
de um filme de ficção.
Verdade de fato. Verdade de razão.
Com Leibniz surgiram as expressões verdade de razão
e a verdade de fato.
Prosseguiram com Kant com os nomes de a priori e
a posteriori.
Assim, as verdades de razão são a priori, isto é, vêm
antes da experiência e desta são independentes.
E, as verdades de fato são a posteriori. Isto significa
que vêm pela experiência e dela dependem.
As verdades de fato não têm outra origem a não ser pela
experiência. Os enunciados das verdades de fato dão a significação de que foi
de fato de uma certa maneira mas que poderia ter sido de outra, ou uma coisa é assim,
mas que pode ser de outra forma.
As verdades de razão dão a significação de ser
universal, consistente e necessário. Aquilo que é, é para sempre, para todos,
em qualquer lugar e impossível ser de outro modo.
Daí, uma certa mesa quadrada dá a significação de uma
verdade de fato, porquanto, ela poderia ter sido feita retangular, redonda ou
de outra forma.
Entretanto, o quadrado é uma figura de quatro lados
iguais entre si, formando quatro ângulos retos dá uma significação duma verdade
de razão, eis porque não poderia ser de outra forma.
A idéia de quadrado será para todos, em qualquer lugar e
em qualquer tempo, uma figura geométrica com quatro ângulos retos formados
pelos seus quatro lados iguais entre si.
A priori ¾ verdades ou saber que vêm antes e independem
da experiência.
A posteriori ¾ verdades ou saber que dependem e vêm da
experiência.
Kant diferenciou uma e outra por meio de juízos
analíticos e sintéticos.
Os juízos analíticos são a priori, ou seja, a relação
entre o sujeito e predicado é pensada pelos princípios da identidade e
da não contradição.
Os juízos sintéticos a posteriori só se exercem por
experiência.
Os juízos sintéticos a priori são universais e
necessários referindo-se à possibilidade e estrutura geral da experiência.
A partir de René Descartes desenvolveram-se as atitudes
científicas e método científico[iv]
no sentido de facilitar o encontro com a verdade quer nas pesquisas quer nos
estudos e experiências científicas.
A relatividade da verdade.
Dado que a verdade é a tomada de conhecimento,
sem erro, do confronto preciso entre as realidades subjetiva e objetiva, todo
juízo sobre ela deve ficar restrito ao conjunto das condições e das relações
consideradas. Basta que se mude o referencial, que falte uma condição ou que se
acrescente um novo dado para que o juízo se transforme totalmente.
A história da laranja atribuída a Albert Einstein
ilustra bem essa posição. Nela o sujeito joga a laranja para cima e ela volta
para a sua mão, dentro de um trem em movimento.
Indaga-se:
¾ Que
figura geométrica representa a real trajetória dessa laranja?
A verdade da resposta à questão proposta
depende muito do universo das condições e das relações a ser considerado.
Se tudo estivesse parado com exceção da
laranja que tendo subido e descido pelo mesmo caminho, por força da gravidade
terrestre, a sua trajetória bem seria um segmento de reta, na vertical.
Tal reta pode melhor ser imaginada pelo
observador dentro desse trem.
Não foi isso que aconteceu, porquanto, o
trem estava em movimento. Nesta condição, a trajetória da laranja só poderia
ser uma curva perfeita em relação à superfície da linha do trem. Essa curva
poderá ser melhor imaginada pelo observador fixo fora do trem.
Ocorre que outras relações e outras
condições existem, tais como os movimentos de rotação e de translação da Terra
além de outros movimentos* que influem no nosso planeta e em
conseqüência no movimento da laranja em questão. Eis por isso a verdade da
resposta só é compatível no universo das condições restritas num dado conjunto
referencial.
Como se pode observar e intuir, a real
trajetória da laranja não pode ser uma reta e nem mesmo uma curva perfeita se
considerarmos todas as influências sobre o movimento da laranja. Pode até ser
uma espiral longa mas para calculá-la é preciso conhecer os elementos faltantes
não definidos na questão proposta embora implícitos. Para entender tal
trajetória, é bom imaginar como um observador fora do sistema solar e além das
galáxias poderia visualizar o curso dessa laranja.
Portanto, há que se precaver
diante das evidências, mesmo contra aquela verdade irrefutável pois esta pode
ser uma verdade última no limite do seu referencial e dentro do determinado
conjunto de condições e relações considerado. Basta inserir um novo dado para
mudar a sua história e também não será a verdade integral e real para outros
paradigmas.
Cada ponto de vista tem um ponto. Mudando-se esse ponto,
muda-se a vista.
É preciso, pois, buscar a coerência e ajustar as
contradições colocando-as nos seus devidos lugares relativos, ou nos seus
paradigmas apropriados sem cruzar os seus referenciais. E, em se tratando das
interações sociais, verificar a relação em mesmo nível de momentos quer
biográfico-históricos ou histórico-biográficos.
Assim, no campo do conhecimento, não há aquela verdade
absoluta válida para todos em qualquer tempo e lugar, não sendo possível outro
modo, mas relativa ao conjunto dos dados, elementos, referenciais ou condições
determinadas.
Daí, qualquer verdade em determinado sistema ou
paradigma pode aparecer e parecer incoerente, absurda e ridícula sob o ponto de
vista de outros sistemas e paradigmas.
No relativismo, nega-se qualquer verdade absoluta
universal e necessária, em favor da verdade situacional, circunstancial,
provisória, condicional, ou daquela que se restringe em seu determinado
referencial e contexto.
Em conseqüência, pode-se
observar que não se deve acreditar que um paradigma exclui o outro. Não poderá
também ser ingênuo a ponto de generalizar tudo como crianças que dizem au-au
para o gato ou miau para o cachorro. Para elas está correto assim; mas,
quando adultas, pensarão diferente se discriminarem ou especificarem.
Ainda que haja rupturas e
descontinuidades do conhecimento consolidado quer por vários séculos quer por
tempo curto, as novas teorias deslumbrantes e revolucionárias não desestruturam
nada do que está organizado sobre os alicerces da verdade relativa. Não se pode
desprezar e desqualificar totalmente o senso comum, porquanto há muitas
verdades relativas em seus pressupostos não só genericamente como dentro da
ótica de determinado contexto considerado.
A física quântica e a
teoria da relatividade trouxeram esclarecimentos reveladores e revolucionários,
realmente. Contudo, elas não vieram para derrubar nenhuma teoria física ou de
qualquer outro campo do conhecimento humano.
A física de Newton continua
válida dentro de seus parâmetros, assim como a geometria euclidiana e a
analítica de René Descartes da mesma maneira não foram destruídas nem mesmo
afastadas por formulações multidimensionais. As complexas teorias propostas por
Freud, Maxwell, Einstein, Lorentz, Heisenberg, Planck, Niels Bohr e outros
vieram não só melhorar a reformulação de muitas teorias já existentes como
também do nascimento de outras.
Daí, afirmar que o
representacionismo que busca coincidência entre a realidade objetiva e a sua
correspondente realidade pensada já era; que o determinismo está obsoleto; e,
que o que está valendo agora é o princípio da incerteza; que tal teoria está
furada; etc., vem tornar-se uma atitude temerária; porquanto, tudo o que
funciona e é útil dentro de um contexto é válido para esse contexto, não para
outro.
São inegáveis a beleza e a
profundidade do que é complexo. Não há de se negar também que a coincidência, a
incerteza, o acaso, o caos e a ambigüidade existem por si, e em si, cuja
complexidade não admite intrusos que desestruturem a sua identidade própria.
Porquanto, não há de se
negar com muito mais razão que a compreensão e o entendimento do complexo
torna-o tão simples, admirável e gostoso quanto a ordem das
nossas coisas, a regularidade do cotidiano, a sabedoria de não
colocar a carroça à frente dos burros e a prioridade com a certeza
absoluta de que vamos comer e beber mais uma vez.
Cada teoria está dentro do
seu contexto, com as suas leis, os seus princípios e os seus fundamentos,
características, definições, valores, padrões, paradigmas, aplicações,
utilidades e finalidades próprias que podem diferir das demais. Mesmo no
sistema holístico*, cada unidade (hólon)
interligada ou em conexão com as demais unidades (hólons) tem o seu próprio
contexto, ainda que possam surgir diferenças ou controvérsias com os contextos
cada vez mais amplos, porquanto passíveis de acordos, conciliações,
reconciliações, consensos e pactos.
Que o mundo era quadrado
para a população mundial de uma época tinha validade para aquela população
naquele contexto social, não para a atual. Pois, o sabor de uma teoria
revolucionária está na adoção de uma nova atitude que melhora uma situação
anterior. Sair de uma ilusão pelos olhos da razão e por isso morrer, de nada
vai adiantar; mas, poder revivê-la com os olhos do coração não importa se o
mundo é quadrado ou não. O que importa muito é que ainda ele existe, é real e é
tocável; isto é, o essencial.
![]()
* Tomado por objeto. Bom lembrar que tomar por objeto, sobretudo, nas relações interpessoais, não significa desqualificar a pessoa ou coisificá-la, porém dar atenção especial para conhecê-la melhor. Logo, não é torná-la objeto ou coisa, mas objeto de conhecimento (objetividade). Assim como olhar para o interior (reflexão) é tomar a si por objeto. E também não se trata de diferenciar sujeito do objeto e vice-versa, nada havendo de incapacidade de estabelecer relação com o outro. Pelo contrário. A capacidade de estabelecer relação com o outro é a capacidade de tomar o outro por objeto e ser tomado por objeto pelo outro, mutuamente. Na relação interpessoal, há reciprocidade entre sujeitos na transação de informações e conhecimentos, permutando-se as posições entre si, ora como sujeito ativo do conhecimento, ora como sujeito passivo do conhecimento (intersubjetividade).
* Lincoln
Barnett em “O universo e o Dr. Einstein” informa que a velocidade da
rotação da Terra é de um mil e seiscentos quilômetros por hora, a de translação
é de trinta e dois quilômetros por segundo, a do sistema solar no sistema
estelar local é de vinte quilômetros por segundo. Por sua vez, o sistema
estelar local move-se dentro da via-láctea na velocidade de trezentos e vinte quilômetros
por segundo, e esta desliza em relação às galáxias externas na velocidade de
cento e sessenta quilômetros por segundo ¾ e todas elas em direções diferentes. Isto,
sem falar ainda que a Terra e a Lua giram em torno de um centro de gravidade
comum.
* Sistema holístico. Refere-se ao holismo que diz respeito à tendência que se supõe seja própria do Universo, a sintetizar unidades em totalidades organizadas. O romancista Arthur Koestler, autor de “O fantasma da Máquina”, concebeu a sua “Teoria dos Hólons”. O termo hólon, dado por Koestler, vem do radical grego holos (unidade, todo) e do sufixo grego on (parte de). Um hólon significa, portanto, tudo aquilo que é uma unidade em si mesmo e, ao mesmo tempo, parte de um todo maior. A teoria dos hólons propõe o conceito de que tudo está estruturado numa hierarquia, sendo cada elemento dessa hierarquia um hólon. Assim, uma letra é um hólon, contido dentro de um todo maior (a palavra), contido dentro de outro hólon maior (a sentença), que por sua vez está contido em outro hólon maior ainda (o período). O período está dentro do parágrafo (hólon continente). O parágrafo no texto, e o texto no contexto, e assim por diante. O hólon interage com o hólon maior de que é parte, exercendo influência sobre ele e sofrendo sua influência. Nas controvérsias, no contexto das relações humanas, há o processo de ajustamento ou adequação. Elas podem ser resolvidas por acordo, conciliação ou reconciliação, consenso e pacto. E estes, passíveis de receberem subsídios dos recursos relativos advindos dos demais hólons da hierarquia. O objetivo e a missão holística no inter-relacionamento social é o restabelecimento do equilíbrio entre as diferentes unidades hierárquicas para uma sobrevivência boa para as partes, ao mesmo tempo em que boa para cada hólon maior continente (totalidade).
[i] Confronto, confrontação.
É a colocação frente a frente
de duas unidades ou totalidades consideradas, ideais, reais, ou de suas partes
respectivamente determinadas, com o objetivo de analisar, averiguar e observar
a possibilidade de associá-las, separá-las, distingui-las segundo os caracteres
definidos por semelhanças, diferenças,
igualdades, contradições, fatores comuns, ou de identidade.
Para as confrontações de
objetos, elementos, fatores, fenômenos, fatos, idéias, eventos, partes,
fragmentos, totalidades, proposições, vontades, desejos e intenções
questionam-se ou indagam-se ou conferem-se os pressupostos, hipóteses ou
inferências, objetivamente, para tê-los como certos, bem entendidos e
compreendidos.
Recomenda-se, então, definir
os termos usados e a questionar para se obter a clareza e a precisão da
comunicação.
O confronto das respostas
objetivas e diretas com aquelas supostas e subjetivas pode evitar
desentendimentos e dissabores.
Melhor confrontar logo do que
ficar adivinhando.
[ii] Proposição.
Proposição é toda formulação
tanto negativa como afirmativa.
A proposição implica sujeito
(S) e predicado (P). Distinguem-se segundo a qualidade, a quantidade, a
modalidade e a relação.
Qualidade.
Afirmativa: S é P.
Negativa: S não é P.
Quantidade.
Universal: O
sujeito é universal.
Todos os S são P.
Nenhum S é P.
Todo peixe é aquático.
Todo peixe não é um inseto.
Nenhum peixe é nenhum inseto.
Nenhum quadrado não tem
nenhum dos seus lados ou ângulos diferentes entre si.
Particular: o
sujeito é particular.
Alguns S são P.
Alguns S não são P
Algum brasileiro é
naturalizado japonês.
Algum brasileiro não é
naturalizado japonês.
Singular: Este
S é P. Este S não é P.
Modalidade.
Necessária: Todo
triângulo é uma figura geométrica de três lados.
Impossível: Nenhum
triângulo é uma figura geométrica de cinco lados.
Possível: Alguns
triângulos são escalenos.
Relação.
As proposições se distinguem
segundo a relação com base no princípio da identidade (A é A, B é B), no
princípio da não-contradição (A não é “não-A”) e no princípio do terceiro
excluído (Ou A é B, ou A é “não-B”).
Contraditórias: Todos
os S são P Û Alguns
S não são P.
Nenhum
S é P Û Alguns S são P.
Contrárias: Todo S é P Û Nenhum S é P.
Alguns S são P Û Alguns S não são P.
Subalternas: Todos os S são P Û Alguns S são P.
Nenhum S é P Û
Alguns S não são P.
Proposição com
juízo hipotético: se isto, então aquilo.
Proposição com
juízo disjuntivo: ou é isto ou não é isto.
Proposição com
juízo apodítico: universal e necessária (afirmativa ou negativa).
A proposição pode
apresentar-se como intencional, representativa, potencial, virtual,
condicional, autêntica, ou não.
É também qualquer proposta
ideal verdadeira concreta ou falsa abstrata. Em síntese, proposição é o
enunciado que pode ser verdadeiro ou falso.
[iii] POSTULADOS PRINCIPAIS DAS PROPOSIÇÕES.
1. Toda
proposição é confiável antes de classificá-la no conjunto pertinente.
2. Todas
as proposições em estudo ou em dúvida racional são classificadas como verdade
até prova em contrário (princípio da verossimilhança).
3. São
verdadeiras as proposições que conferem com as suas homólogas reais.
4.
Proposições são declarações, enunciados, postulados, alegações, solicitações ou
opiniões e propostas. Portanto, pertencem à realidade subjetiva.
5. Nem
todas as proposições merecedoras de confiança merecem credibilidade.
6. Todas
as proposições merecedoras de credibilidade são antes de tudo confiáveis.
7.
Confia-se, a priori. Acredita-se, a posteriori. Acolhem-se as proposições, mas
só após as análises das provas e conclusões corroborativas, pode-se decidir
pela sua credibilidade.
8. Toda
proposição concreta virtual e representativa facilita o encontro com a sua
homóloga concreta autêntica.
9. Toda
verdade concreta autêntica, assim como todo ser real, tem a sua respectiva
homóloga virtual e representativa.
10. Todo
ser ideal (subjetividade) quando representa, com precisão, um ser real
(objetividade) implica relações de correspondências biunívocas entre os
elementos pertinentes, respectivamente, facilitadoras do entendimento.
11. Todas
as proposições, em princípio, são confiáveis, mas passíveis de dúvidas e de
críticas racionais.
12.
Nenhuma proposição, em princípio, pode classificar-se como verdadeira sem ter
passado pela dúvida e crítica racional, pela prova e pela demonstração
evidente.
13.
Nenhuma proposição, embora confiável, deve merecer credibilidade imediata, não
dependendo da qualidade de sua autoria.
14. É
inadmissível o uso de qualquer proposição classificada como falsa.
15. O que
é bom para as partes e bom para o todo, ao mesmo tempo, é o objetivo das
proposições verdadeiras.
16. A
confiabilidade e a credibilidade são condições essenciais para a admissão de
uma proposição como verdadeira.
17. A
confiabilidade independe de comprovação e exame. Para a credibilidade, tais
condições são indispensáveis.
18.
Proposições falsas são as que não conferem com as suas correspondentes
realidades objetivas, fenomênicas ou fatuais. As verdadeiras conferem,
respectivamente, com a realidade.
[iv] ATITUDES CIENTÍFICAS.
|
A atitude científica confia
nas razões da dúvida e crítica |
De princípio, confia-se, mas
duvida-se de qualquer proposição para criticá-la com razões.
Não se duvida e nem se
critica sem fundamentos. Esse procedimento é para se observar, entender a
essência das variáveis contrárias, fazendo-as emergir à transparência mostrando
a evidência e consistência das suas verdades.
As dúvidas emocionais e as
críticas irônicas não são pertinentes ao paradigma do pensamento objetivo.
Porquanto, a dúvida e a
crítica de fundo emocional ou sentimental se apóiam na crença, convicção com
base em observações fragmentadas e nas
aparências, sem o cunho científico necessário.
As emoções podem levar o
indivíduo a uma reação rápida sem tempo para pensar e os sentimentos ou as
paixões podem conduzir às atitudes tendenciosas.
Toda atitude científica
começa pela confiança.
Confiar é acolher no âmbito
da fé sentindo firmeza ou segurança íntima no passo de duvidar e criticar,
racionalmente, para poder crer. Crer é ter por certo. Entre a confiança e a
crença pode-se criar um intervalo para duvidar e criticar do modo racional.
Por exemplo, confiar no filho
é princípio e crer nele é finalidade. Pode-se, portanto, duvidar
e criticar certa atitude do filho, ainda que nele se confie para
se poder crer no seu desempenho respectivo.
A falta de confiança
prejudica a postura crítica induzindo o cientista a dúvidas não racionais, ao
dogmatismo, ao ceticismo e à arrogância.
A confiança em si dá o
equilíbrio emocional. A confiança no objetivo é adquirida por meio da
prudência, zelo, perícia, raciocínio e prestimosidade, com imparcialidade.
Ambas as formas produzem a indispensável segurança e tranqüilidade.
Duvidar racionalmente é
indagar com coerência e propor questões lógicas relativas. Para criticar é
preciso um prévio conhecimento do objeto da crítica. Por exemplo, “é bom,
faça” ou “é ruim, não é por aí” —, críticas estas que requerem conhecimento prévio, o porquê e a
indicação do caminho certo.
O pesquisador diante das
atitudes científicas sabe, previamente, que raciocinar bem com dados incorretos,
ou ainda que corretos mas com ausência de um só deles, dá no mesmo que
raciocinar mal com todos os dados certos.
As atitudes científicas são
posturas adequadas e disciplinadas ou posições seguras para a eficiência e
eficácia do aprendizado, da pesquisa e da experiência científica. As seis
atitudes principais são o determinismo, a parcimônia, a autoridade, a
manipulação das variáveis, o empirismo e a generalização.
Determinismo.
O determinismo é a atitude
tomada diante das conexões causa «
efeito, motivo «
conseqüência e razão «
resultado.
Na atitude determinista,
opera e trabalha-se, predominantemente, com a finalidade de procurar e
encontrar a conexão certa, no parâmetro definido, pressupondo-se que todos os
atos, coisas, objetos ou fenômenos, os fatos, idéias, comportamentos, condutas
e os procedimentos têm, provavelmente, fatores determinantes. E ainda, que
esses fatores podem ser detectados, identificados, interpretados e entendidos
ou explicados pela experimentação e pela observação científica. É a aplicação
do princípio da razão suficiente.
Também aqueles atos, fatos,
fenômenos, idéias e eventos tidos como acidentais, ocasionais, por coincidência
ou por acaso, do mesmo modo, não se efetivam a esmo. Não são universais e
necessários, mas particulares e únicos, passíveis de serem pertinentes a um
determinado contexto peculiar.
Parcimônia.
É a atitude cuja
característica é a rejeição ou a recusa de explicações complexas, fantasiosas,
fantásticas e racionalmente incompreensíveis a favor de explicações mais
simples. Deve-se esgotar, antes de tudo, as explicações mais simples para
depois partir para as especulações, hipóteses e para o estudo das mais
complexas.
Deve-se observar, analisar e
precaver-se de inferências oriundas de associação de fragmentos heterogêneos,
materializações representativas ou simbólicas, afirmações complexas, raciocínio
fragmentado e proposições absurdas ou incoerentes.
Precaver-se também de
explicações generalizadas sem provas e sem
as devidas demonstrações objetivas e isentas de bases reais, concretas e
autênticas. Neste sentido, deve-se observar, de maneira especial, aquelas
explicações especulativas, futuristas, opinativas, hipotéticas, inclusas as
fantasiosas, imaginativas, supersticiosas, sobrenaturais, as racionalizadas, místicas,
ridículas, absurdas e as assemelhadas. Visto que violam a atitude parcimoniosa
e costumam conduzir ou induzir as pessoas às convicções e às crenças
racionalmente incompreensíveis.
Repita-se, ficar atento e
precaver-se, sem, contudo, deixar de apreciá-las, mas depois de esgotadas todas
as explicações mais simples, nos seus momentos oportunos e necessários.
Deve-se incluir também como
não parcimoniosas, as causas de acontecimentos e coincidências atribuídas a
fatores inexplicáveis como na mitologia e no pensamento mítico, ao modo das
energias misteriosas e fictícias; ou, às entidades abstratas e às influências
extraterrenas, os quais conduzem os menos esclarecidos ao auto-engano. A menos
que sendo esclarecidos, pertençam, cultuam e subsistam em comunidades onde
predomina o pensamento mítico.
Mas, não há que subestimar e
nem superestimar o pensamento mítico enquanto fator de sobrevivência cultural
de uma sociedade. Há situações em que o pensamento mítico num dado momento é
incoerente sob o paradigma do pensamento lógico, contudo, revertendo o sujeito
do simbolizado pode-se obter esclarecimentos valiosos sob um novo ponto de
vista possibilitando acordo sem ferir os paradigmas respectivos.
Nem se deve desqualificar
explicações não parcimoniosas, ainda que nelas não se possam crer como
verdadeiras e irrefutáveis, ou mesmo que se presuma haver substitutas mais
convincentes.
Porque, a consideração e o
valor do equilíbrio psíquico são superiores a quaisquer verdades que possam
desnorteá-lo.
E se acaso as tiverem para
uma mudança saudável e ótima, querendo, deve-se fazê-la, paulatinamente, com
zelo, prudência, perícia e prestimosidade, sem prejudicar o equilíbrio
psíquico.
É, pois, no íntimo que a
substituição opera ao desabituar-se da crença anterior.
A mudança brusca pode
desestruturar irremediavelmente a vida de uma pessoa, principalmente, da que
tem a fé total.
Neste passo, melhor sustentar
a falsa fé que a faz sobreviver e a partir da base, aos poucos, de suporte em
suporte, efetuam-se, querendo, as substituições pelos dados atualizados ou
pelos elementos da verdade. Porquanto, a verdade fatual tem o seu momento,
situação e maneira certa ou adequada para ser contada.
No âmbito do hábito e da
crença não se deve tirar nada sem a reposição do melhor, ou se isto não for
possível, sem causar maiores danos.
A fé e a ciência das provas,
não obstante autônomas, cujos métodos e paradigmas próprios são reciprocamente
incompatíveis, complementam-se para os reequilíbrios psíquicos e orgânicos a
fim de preservar a espécie humana.
Autoridade.
Qualquer pessoa merece
confiança, seja autoridade, especialista em certo assunto, de respeitável
saber, ou não.
Contudo, a confiança implica
no acolhimento e na consideração de idéias, propostas, proposições ou de
quaisquer outras manifestações para os devidos questionamentos a fim de tê-las
por certas, independentemente da qualidade de autoria, fonte, pessoa,
autoridade, técnica, poder, prestígio, especialização, influências e indicação,
não devendo subestimá-las, nem as superestimar, sobretudo, não se recomenda
desqualificar as isentas desses atributos.
Desta forma, acolhemo-las no
âmbito da fé, tanto mítica quanto subjetiva e objetiva. Entretanto, adotamos
uma postura crítica diante delas para não violarmos a atitude científica. É bom
que se busque as explicações necessárias para as questões que devem ser
levantadas.
É justamente questionando os
argumentos da autoridade é que esta nos dará melhores e devidos esclarecimentos
para uma aceitação, em termos, das suas proposições.
Muito embora respondidas,
satisfatoriamente, as nossas questões, e dissipem todas as nossas dúvidas,
ainda assim, as corroborações fáticas relativas são imprescindíveis.
Não é porque quem disse foi a
maior autoridade no assunto, ou está escrito em livros de notória aceitação, a
idéia ou a proposição em questão não devam ser postas em dúvidas e críticas
racionais ou questionadas.
Não se está questionando a
pessoa em si mas a dificuldade de uma visão melhor e mais ampla da idéia ou da
proposição em questão para um entendimento específico e compreensão em sua
plenitude.
Por outro lado, é preciso
levar em conta que o mestre é humano e por isso mesmo tem o direito natural de
equivocar-se.
Houve época em que as
sumidades ou as maiores autoridades do mundo pensavam que o nosso planeta era o
centro do universo e muitas vezes maior do que o Sol. E todo o mundo acreditava
que o Sol é que girava em torno da Terra.
E, isso, ainda na época de
Nicolau Copérnico (1473 – 1543), Galileu Galilei (1546 – 1642) e de Johann
Kepler (1571 – 1630), os pioneiros que provaram o contrário.
Quando se tratar de saúde é
preciso não só questionar bem os preceitos dos médicos especialistas
consultados mas também os exames laboratoriais nos quais eles baseiam e se
orientam.
À menor dúvida racional, repetir
os exames em outros laboratórios confiáveis e questionar resultados
controversos apurados.
Demais disso, deve-se
entender e conferir os termos da bula do remédio receitado com os
esclarecimentos médicos e da receita com caligrafia legível. Houve farmacêutico
que leu durabolin em vez de duvadilan nos garranchos de uma receita médica. Às
vezes, é preciso, ainda, observar bem e analisar objetivamente indícios de
falsificação do produto, e qualquer dúvida, questionar o fabricante.
A característica principal da
autoridade autêntica é justamente acolher no âmbito da fé as questões
formuladas e respondê-las com a máxima clareza e prestimosidade.
Portanto, é bom aprender a
indagar e questionar a autoridade com base e objetividade para receber dela as
informações acertadas e devidas com fundamentos esclarecedores, óbvios e
indispensáveis para operar com confiança, credibilidade, boa-fé e maior
segurança.
Manipulação científica das
variáveis.
Manipular as variáveis é uma
atitude científica no passo de certificar-se das condições de causalidade real,
concreta e autêntica.
Se dois eventos parecem estar
associados e quer-se verificar se esta relação é de fato causal ou simplesmente
acidental, a forma de agir é mudar ou manipular as suas variáveis e observar o
resultado. Mude a ocorrência de um evento e veja o que acontece ao segundo.
Muitas vezes esses eventos são considerados como causa e efeito. Entretanto, a
suposição de que um produz o outro pode ser falsa. Eis porquanto, pode haver a
possibilidade de que ambos sejam causados por um terceiro evento. Estabelecendo
as devidas correlações através da manipulação das variáveis dependente e
independente pode-se verificar se há uma relação direta entre a causa e o
efeito. É preciso ter a certeza de que o evento atribuído como causa,
realmente, produziu o outro tido como efeito.
Empirismo.
A origem do empirismo está no
encontro da verdade pela experiência.
A constância de certos
resultados na prática induz definir um conceito geral fundamentado na verdade
das suas provas respectivas.
Nem mesmo uma fotografia é o
bastante para provar um fato. Pode servir tão-somente como um dado ou indício.
Eis porquanto, pode haver a possibilidade dela não ser autêntica, ante a
avançada tecnologia fotográfica aliada às intenções ou interesses particulares
de certas pessoas, ou aos erros impessoais, às imperfeições ou ilusão de ótica.
Assim, há a possibilidade, na
circunstância do evento, de influências dos efeitos atmosféricos, dos balões de
pesquisa, inclusive imprecisão do material fotográfico utilizado, tais como,
filme fora de validade, sujeira nas lentes, inaptidão ou descuido momentâneo do
fotógrafo, do revelador, etc.
É necessário conferir. Por
exemplo, para se poder confiar e crer na existência de determinado disco voador
de origem extraterrestre não basta apenas olhar para uma fotografia mostrando
isso.
A atitude empírica exige
valoração, validade da prova, confrontação, observação direta adequada,
verificação no local, comprovação experimental e a reconstituição do evento
real, no espaço e nas condições idênticas. Ainda, assim, é preciso considerar o
relativismo, a ilusão de ótica, outras possíveis causas, ilusionismo e os
efeitos especiais para quase se ter a certeza absoluta.
Ao empírico interessa o
fenômeno, o ato e o fato de modo irrefutável e incontroverso. Busca o real, a
sua evidência, o concreto e o autêntico. Necessita do exame acurado e a verdade
da prova.
A atitude empírica faz
questão das análises, da indução, do método experimental e do estudo direto, no
espaço, no tempo e na velocidade da produção do evento, do fenômeno ou do fato,
bem como das repetidas reproduções no passo da ratificação, ou da formulação de
uma lei geral para novos conhecimentos. Daí, obtida a lei geral ou universal
pode-se partir para as conseqüentes deduções e às suas avaliações específicas
considerando os princípios empíricos.
A atitude empírica, em
síntese, é ver e sentir no real concreto autêntico, na prática e na experiência
científica para poder pensar em crer. Eis porquanto, ainda, ele vai checar a
precisão dos instrumentos utilizados, as reais condições físicas e psíquicas
suas e as dos seus colaboradores, conforme exija a finalidade do procedimento
usado, no passo da análise da validade e da precisão das percepções,
identificações e interpretações.
Generalização.
Na aprendizagem ingênua,
principalmente, na primeira infância, pode-se admitir tendência de generalizar
tudo, associar fragmentos heterogêneos e as menores semelhanças ou aparências,
mesmo que a extensão seja muito vasta com um mínimo de compreensão.
Contudo, à medida do
crescimento biológico e psicológico, por meio de seguidas correções, a extensão
acaba se tornando um mínimo para uma vasta compreensão.
Por exemplo, se você repetir
várias vezes para um bebê, que mal começou a falar alguma coisa, sempre diante
de um cachorrinho: ¾ “olha
aí, o au-au!”. Esse bebê tão logo avistar um gato pela primeira vez,
ele balbuciará: ¾
“au-au, au-au...”
Nas relações interpessoais,
deve-se levar em conta, à medida do possível, em que nível de extensão
discriminatória se posiciona cada qual com relação à compreensão do geral e do
específico.
Eis porquanto, numa relação
com o bebê acima quando ele balbuciar au-au não devemos receber essa
informação como sendo apenas o cachorrinho, enquanto persistir a sua associação
generalizadora, nesse passo. A adequação, então, para uma relação saudável é
situar-se num mesmo paradigma, em mesmo nível de momentos biográfico-históricos
e histórico-biográficos, respeitando o limiar de compreensão no contexto de
desenvolvimento em que cada qual se encontram aptos.
Admite-se uma generalização
desde que exista a comprovação real respectiva. Não bastam os indícios ou a
indicação da fonte. É necessário que haja caracteres reais concretos comuns, os
dados essenciais e as condições dos atos e fatos que deram causa, motivo e
razão à generalização.
A generalização é o processo
de pensamento que reconhece, ou faz reconhecer com exatidão, caracteres comuns
a uma série de elementos do ser-real possibilitando, com isso, ampliar a extensão
de um conceito aceito ou completar a de um novo conceito ou idéia.
Por isso, porque dizem que é
de conhecimento de todos não é motivo suficiente para se acreditar. É óbvio que
é preciso questionar em busca de mais elementos, razões e informações para poder
aderir à crença geral.
Por exemplo, a crença geral ¾ onde há fumaça
há fogo ¾ é um
conhecimento intuitivo incontroverso mas só assimilado depois de saber o que é
fogo e o que é fumaça, além de ter visto e associado a fumaça ao fogo.
Entretanto, há situações em
que há fumaça e não há fogo mais. O vento sopra, apaga o fogo e leva a fumaça
para bem longe dali em direção ao céu. Onde está o fogo dessa fumaça?
E, também, há gases sem
origem no fogo que parecem ou são como fumaça. O gelo-seco (anidrido carbônico
sólido), por exemplo, solta “fumaça” para todas as direções.
Essa expressão, ainda, é
utilizada como forte argumento ou como indicativo evidente de outros eventos e
situações tidos como similares induzindo conclusões por comparação ou analogia
e, por isso mesmo, devem ser demonstradas por meio da apresentação das provas
respectivas.
Num determinado momento, dada
a semelhança da nova situação com aquelas regulares, anteriormente notadas, a
ingenuidade pode induzir o indivíduo a erro de percepção, ou ilusão de ótica,
fazendo-o admitir e crer numa generalização inadequada.
Ocorre que, por mais que se
note um objeto, regularmente, não se pode precisar todos os seus detalhes só de
memória. Logo, não é possível uma comparação precisa de um novo objeto sem aquele
de referência estar diante do observador. Por ter indícios comuns, ele pode
perceber, identificar e interpretar de maneira habitual e crer tratar-se de
caracteres reais concretos comuns. Em conseqüência, pode classificar o todo
pelo indício comum de maneira inadequada. Tal como confundir o bolo todo com
uma de suas fatias ou seus ingredientes, gato com cachorro, cobra com lingüiça,
etc.
Daí, podemos dizer que
estamos sujeitos a ter por certo o que pode estar errado. Tal registro no banco
de memória, ao mínimo sinal, ativa a reação em conexão, podendo resultar em
desastre.
Compreende-se a generalização
pela extensão de um princípio, de uma lei ou de um conceito aplicáveis a todos
os casos permissíveis. Daí, a atitude científica da generalização proporciona a
cautela e o cuidado a ser tomado diante de eventos regulares e de proposições
universais. Porquanto, podem não resultar como regra válida para todas as
situações parecidas ou idênticas. Pode-se até incorrer no erro induzido pelo
senso comum e naquelas generalizações sem o cunho científico. Isto, ainda, sem
se referir à quantidade e diversidade de erros induzidos proveniente de decisão
a partir da generalização de fenômenos, fatos, idéias e proposições
verossímeis.
O MÉTODO CIENTÍFICO.
É o modo de adequar um
caminho correto para ser seguido com técnica, ordem, regularidade, procedimento
e metas na direção da total compreensão do que se propôs conhecer, fazer e
desfrutar. Tal adequação é efetuada nos fluxos das conexões sujeito « objeto no sentido da formação e
depuração das idéias e raciocínios. Essa adequação também se refere ao uso
seleto não só dos instrumentos úteis mas das técnicas necessárias,
indispensáveis para a eficiência e eficácia da experiência na obtenção do
resultado pretendido. Por exemplo, não é adequado apertar ou desapertar
um parafuso com a ponta de uma faca, visto que há a chave de fenda no tamanho
certo.
O método científico
proporciona cuidados para se evitar interferências que possam induzir a erros
ou aos desvios e às incoerências ou às contradições, na formação da conclusão e
da decisão certa.
A observação objetiva é
levada a efeito na classificação, seriação e seleção que se fizerem necessárias
considerando as relações e interações em condições reais.
A esses cuidados somam-se os
recursos indispensáveis do controle, credibilidade e segurança escolhendo
ambiente adequado e higiênico sem interferências, além da observação das
variáveis consideradas, alvo certo, tempo, velocidade e precisão instrumental
de tal sorte que as operações de demonstração de uma certa verdade ou das
investigações e pesquisas dos novos conhecimentos estejam, realmente, no passo
de sua validade, exatidão e eficácia.
Na metodologia científica
observam-se e consideram-se as dúvidas e críticas racionais e as atitudes
científicas, já comentadas, a proposição, o confronto, a descrição, a
hipótese, a tese, o postulado e o axioma, a demonstração, a comparação, a
indução, a dedução, a interpretação, a classificação, a seriação, a seleção, a
estruturação, a experiência, o relativismo e o pensamento lógico que utiliza os
princípios da identidade, contradição, razão suficiente, causalidade e do
terceiro excluído. Distinguem-se, assim, a ciência e a técnica, a verdade de
fato e a verdade de razão, a reflexão e a verificação, a análise e a síntese;
e, a teoria e a prática. Contudo, o método científico está aberto às
reformulações, reconstruções e reinvenções aplicáveis às novas realidades não
dispensando a coerência nos fluxos das conexões existentes, possíveis,
prováveis ou por existir.
Descrição.
A descrição científica exige
clareza, exatidão, objetividade, inteireza e registro da forma, conteúdo,
utilidade, função e das características essenciais sem supérfluos e isento de
pareceres, ou opiniões, numa linguagem denotativa, concisa e entendível.
A descrição científica dá
estrutura no esclarecimento das definições. Eis porquanto, toda definição
fornece o que é, o como, o porquê e o se do sujeito da proposição.
Pode esclarecê-la com
exemplos, gráficos, dados estatísticos e ilustrações objetivas e mostrar, na
linguagem descritiva, a diferença específica do sujeito em definição com
relação aos seres do mesmo gênero, bem como observar a sua utilidade, a sua
função e a enumeração das provas.
Logo, a descrição de um
fenômeno, pessoa, coisa, objeto real ou ideal, de uma cena, ato, instrumento,
máquina, móvel, imóvel, ferramenta ou de qualquer outra coisa deve mostrar o
seu conteúdo, forma, função, identificação, finalidade específica e caracteres
objetivos essenciais que torne o que é descrito, inconfundível.
Hipótese.
Condição básica possível
admitida apenas para argumentar ou raciocinar.
Proposição condicional
admissível como um princípio apenas para as operações do raciocínio cuja
conclusão, embora correta, pode, ou não, ocorrer na realidade.
O princípio hipotético vem
sustentar a demonstração de tese na qual se utiliza uma série de deduções, cuja
conclusão correta é válida apenas na esfera racional, no contexto considerado.
Na realidade dos fatos, a
hipótese é apenas possibilidade a ser ratificada. Logo, a correta dedução
decorrente tem validade na confirmação real e concreta da hipótese que a
sustenta.
Convém aqui diferenciar possibilidade
de probabilidade. Possibilidade é a qualidade de um evento ser possível
de ocorrer. Probabilidade é medida em números e são eventos que podem ocorrer
dentro de uma totalidade de casos possíveis. Por exemplo, um bom dado de seis
faces numeradas de l a 6, respectivamente, quando jogado, há a totalidade de
seis casos possíveis de sair um número com a face voltada para cima. Na
primeira jogada cada número tem possibilidade de sair mas a sua probabilidade é
apenas 1/6 (um para seis).
No campo das
hipóteses, mesmo que haja indícios suficientes para a confirmação de uma delas,
ainda que a sua probabilidade seja próxima de cem por cento, é preciso muita
calma, tolerância, paciência, prudência e cuidado para não se precipitar.
De sorte que
se recomenda não considerar uma conclusão hipotética como efetiva, real,
verdadeira ou definitiva, reagindo ou agindo da maneira antecipada e
intempestiva.
Isto quer
dizer, repita-se, que não se deve reagir, agir, atuar ou interagir nem antes de
sua confirmação de fato e, nem após, quando já pode não haver mais ocasião para
o efeito ou para a conseqüência desejada.
Vale aqui registrar que são
preferíveis a prevenção e a prudência à preocupação advinda da crença em
hipóteses e à situação de ter que fazê-las. A prudência evita a preocupação. E,
a prevenção, a perda de tempo fazendo hipóteses. A situação preocupante é comum
depois da imprudência e imprevidência praticada.
A convicção antecipada ou a
crença cega em hipótese pode colocar o agente no risco da decepção e da
amargura, além de perdas materiais, de tempo e de energias biológicas,
inutilmente.
Tese.
Tese é proposição
demonstrável fundamentada em princípios, postulados, axiomas, leis, condições e
hipóteses que a sustentem.
A tese dialética é um
princípio demonstrável, uma proposição ou uma declaração, aceitável até prova
em contrário, ou enquanto incontroversa. Ela pode ser argumento, opinião ou um
ponto de vista, cuja negação denominamos antítese.
A conciliação entre as duas
pode resultar em uma nova tese chamada síntese.
Dialética.
Dialética é a arte do
raciocínio, do argumento e da discussão de forma coerente e conciliatória com o
fito de encontrar a verdade, sem interferências emocionais, por meio de
oposições e reajustes de contrariedades ou de contradições coerentes, subjetivas ou objetivas.
Neste campo é preciso definir
os termos empregados, separar o essencial do acessório além de distinguir os
diversos paradigmas que se cruzam na mistura dos três modos de pensar (pensamento mítico, subjetivo e lógico).
Antítese ¾ qualquer proposição que opõe a tese por contrariedade,
ou por contradição.
Exemplo.
Todo A é B.
(tese)
Algum A não é B.
(antítese ¾ contraditória)
Nenhum A é B. (antítese ¾
contrária)
Todo A é B, se ou quando
... ou A não é B só na hipótese de ... (síntese)
Nenhum A é B, tão-só na
hipótese de ... (síntese)
ARGUMENTAÇÃO
DIALÉTICA.
A
argumentação é um conjunto ordenado de proposições em que uma delas, a conclusão,
é inferida das demais — as premissas —, com a finalidade única de
convencer ou persuadir. Diferente da demonstração lógica que parte da premissa
universal verdadeira, a argumentação parte da premissa genérica
verossímil. Por essa razão admite a oposição dialética.
No
discurso argumentativo, qualquer que seja a diretriz de ação, ao menos, uma das
maneiras da argumentação se faz necessária para o seu objetivo que é o de
influir e convencer. Para influir, convencer ou persuadir é preciso propor.
Para propor com eficácia deve fundar-se em premissas evidentes, consistentes ou
verossímeis. O verossímil é a confiança prévia por força da
possibilidade da crença geral ou o que se admite até prova em contrário. Assim,
as pistas, os indícios, vestígios e os conhecimentos fragmentários que possam
levantar fatos ou formar um conjunto probatório podem subsidiar a construção da
proposição que conduza a admissão de outra. Ou seja, a partir das premissas
seletivas verossímeis pode-se construir uma argumentação decisiva. Mesmo nos
diferentes casos em que a demonstração lógica se faz prevalecer em certo
discurso, a argumentação relativa pode fazer o papel de dar ênfase à conclusão
ou à decisão no plano corroborativo ou de ratificação.
Toda
argumentação ótima requer estudos prévios, análises, confrontos, seleção,
analogias, pesquisas e conhecimentos específicos relativos ao assunto tratado,
além da colocação acertada e coerente do argumento adequado no contexto da sua
apresentação.
Não
se argumenta contra os fatos objetivos evidentes em si e por si mesmos, porém
contra fatos presumidos, pressupostos ou hipotéticos e contra as testemunhas
desses fatos verossímeis que são passíveis de ilusão de ótica, auto-engano, ou
de mera convicção segundo valores próprios, do senso comum ou sob influência da
idéia deformada, opinião dogmática, preconceito e sob domínio de outrem ou da
sua própria subjetividade.
Contudo,
a autêntica argumentação é o ato de argumentar da maneira ética e
disciplinarmente que significa recolher, produzir, colacionar as provas e as
mostrar além de fornecer causas, motivos e razões dentro de uma forma
específica num universo restrito ou relativo. É aduzir os diferentes
raciocínios baseados nos argumentos selecionados com o fim de convencer,
persuadir, influir ou provar a verdade da proposição inicial ou a da idéia
central sem paralogismos e sofismas.
Argumento
é o raciocínio que procura levar os dados e recursos probatórios a uma
conclusão acertada e necessária, ou pelo qual se tira uma conseqüência,
resultado ou dedução. Selecionar argumentos é decidir sobre os determinados
argumentos que conectam com a linha de ação, os quais vêm esclarecer melhor a
idéia proposta, ou melhor definir a validade da conclusão.
A
conclusão, por sua vez, deve ser observada dentro do seu universo restrito cuja
decisão decorrente, lembrá-la como possível de ser reconsiderada diante de
possíveis elementos novos que influam na mudança do paradigma prevalecente.
Porquanto, é preciso antes de tudo reconhecer que a universalidade, a
generalidade e a particularidade se colocam em diferentes planos com relação à
geração de conclusões decisivas.
A
universalidade tem validade para todos os casos previstos nos limites
determinados ou estabelecidos, em qualquer tempo e lugar, quer na realidade
subjetiva, quer na objetiva, ou em ambas, do modo finito ou tendendo ao
infinito. A generalidade vem ser o correspondente da universalidade, mas no
plano dialético, porquanto é uma espécie de indeterminabilidade ou própria da
incerteza. O objeto sensível permanece incerto e é indeterminado tal como o
particular o é. A particularidade é específica, ou seja, que não pertence a
todos os indivíduos da mesma espécie considerada, mas a alguns deles, e até
mesmo, a um só deles.
Daí,
tem-se uma conclusão apodítica ou científica quando se a obtém partindo de
proposições universais, verdadeiras e primárias, ou delas derivadas. Tem-se uma
conclusão dialética, quando se a obtém de opiniões gerais. Tem-se uma conclusão
sofística, quando se a obtém com base em meras aparências de fatos ou opiniões
que não o são efetivamente. Tem-se uma conclusão incompleta, deficiente,
equivocada, ou falsa, quando se a obtém com base em proposições particulares.
Proposições particulares são aquelas cujo sujeito é um termo particular.
As
principais argumentações utilizadas são a demonstração específica, o
procedimento dogmático, a tópica e a redução ao absurdo. Os argumentos mais
comuns são: a contrario sensu, ab auctoritatem, ad hominem, ad
rem, a fortiori, a maiori ad minus, a minori ad maius,
a simile, exemplar, etc. Quaisquer que sejam os argumentos usados, todos
visam a despertar uma atitude de crença no sentido do destinatário aceitar a
influência e adotar o proposto ou sugerido.
Contudo,
é preciso vacinar-se contra os argumentos manipulativos.
São
manipulativos todos os tipos de argumentos usados para finalidades não éticas
que beneficiam exclusivamente particulares ou cujas vantagens decorrentes da
persuasão se destinam especialmente para o interesse do manipulador.
Os
manipuladores de pessoas procuram especializar-se na retórica e artes
dramáticas para persuadir elementos do seu público alvo, parcial ou totalmente,
para deles extrair vantagens para si mesmos ou para beneficiar pessoas do seu
exclusivo interesse, não se responsabilizando pelos danos e perdas decorrentes
dos efeitos de sua arte e técnica de convencer e persuadir, implementadas de
modo premeditado.
DEMONSTRAÇÃO
ESPECÍFICA.
A
teoria da demonstração baseia-se na idéia de evidência diante da
qual qualquer pensamento lógico deve ceder, opondo-se, assim, à teoria da
argumentação que admite a possibilidade dialética. No plano do raciocínio
demonstrativo, toda prova se reduz à evidência, porquanto o evidente prescinde
de provas. Contudo, nem toda prova é concebível como redução à evidência. Há fatos evidentes onde a simples
demonstração fornece a sua verdade. Mas há também fatos evidentes e justos
dentro de uma realidade particular, mas absurdos no contexto histórico, em outros
paradigmas ou no plano universal.
A
demonstração específica argumentativa refere mais aos valores generalizados e
particulares ou específicos. Há os valores universais que são formais. Mas é
muito mais extensa a existência de valores particulares.
Ocorre
que, o que vale para um indivíduo pode não valer para outro, ou para um todo
maior. Enquanto que a demonstração lógica prima pela universalidade, a
argumentação opõe-se a essa idéia, porquanto se prima pela validade particular
e restrita. Daí a demonstração específica utilizada no contexto argumentativo
tem validade apenas no universo restrito, relativo ou particular. Portanto, a
argumentação com base na demonstração específica, tal como qualquer outro tipo
de argumento, pode estar sujeita a refutações relativas.
PROCEDIMENTO
DOGMÁTICO.
O
dogma é entendido como expressão correspondente a princípio fundamental não
discutível nos limites estabelecidos ou aceitos no geral. Daí, a regra, a
norma, a lei, a convenção, o costume geral, o senso comum, o pacto, a
competência, a doutrina, por exemplos, são tidos como princípios dogmáticos ou
de autoridade sistemática.
O
procedimento é satisfazer o dever da prova do que se afirma respondendo pelo
que diz dentro das regras estabelecidas ou aceitas no geral.
Não
é suficiente a simples apresentação de prova. É preciso avaliá-la. O valor da
prova é importante. Por isso se verifica a sua validade dentro dos preceitos
estabelecidos. Se não for autêntica a prova, esta é rejeitada, podendo levar
consigo ou derrubar de roldão a estrutura de sustentação da defesa de tese, em
favor da sua antítese (contrária, ou contraditória).
A
argumentação dogmática como qualquer dos argumentos, pelo seu próprio
fundamento, não significa nem equivale à verdade fornecida pela demonstração lógica.
A
argumentação dogmática inicia com o questionamento da consistência de um
conflito de dúvida ou alternativa incompatível que exige uma decisão por
permitir mais de uma resposta.
Verifica-se
se há de fato a dúvida e se esta é consistente e procedente. Depois se ocupa da
consistência fática das alegações, articulando um fato em relação a um autor. A
definição consiste na proposição de um objeto direto que modifica o conteúdo do
fato, admite-se, mas outra coisa, discutindo-se a relação entre o fato e o seu
sentido característico aceito.
Em
que pese à definição, no questionamento argumentativo, ser partidária,
porquanto ela é usada no interesse das partes, qualquer que seja a forma de
conduzir à produção da convicção, o efeito da decisão decorrente deve ser bom
para as partes e bom para o todo, ao mesmo tempo. Deve-se observar essa
condução com a atenção voltada para a possibilidade da demonstração lógica e
aplicá-la quando se permite.
A
conclusão argumentativa dogmática não é universal e necessária.
Contudo,
estando pertinente ao dogma representativo da vontade geral, pactual e
disciplinar, poderá corresponder à verdade relativa para uma decisão válida no
respectivo contexto restrito.
Tal
decisão conclusiva deverá permitir a sua ratificação e estar aberta à crítica e
a novos questionamentos que podem ser tão amplos a ponto de pôr em xeque o
próprio dogma no qual se fundamentou.
Com
isso, há a possibilidade, mesmo que remota, da sua desestruturação, ou da sua
substituição por um novo princípio dogmático. Em conseqüência, a argumentação
dogmática prima pelo dever de prova pelo seu caráter de pretender a validade
persuasiva das suas asserções na produção da convicção sem sombras de dúvidas.
A
TÓPICA.
A
tópica é uma técnica que pensa o problema como um dado, informação,
pista, situação ou algo que oriente a argumentação que resolve o impasse, que
propõe problemas em função das opiniões, que assinala sugestões e que aponta a
solução, possibilidade ou o melhor caminho aceitável. Neste passo, a tópica
possibilita encontrar premissas verossímeis e selecionar respostas das
indagações relativas ao problema. As diferentes respostas podem mostrar a
amplitude do problema. As comuns, na totalidade, tendem a determinar uma
conclusão aceitável ou com menor risco de erro. A tópica, repita-se, não leva a argumentação ao rigor da lógica e
nem permite a redução das decisões a silogismos, mas dá ênfase ao uso das
distinções, redefinições, reavaliações, analogias, interpretações, reinterpretações,
ironias, ambigüidades, reconstruções, etc. Veja Nota de fim n.º 16 – página
219.
REDUÇÃO
AO ABSURDO.
No
plano da argumentação, diz-se absurda àquela conclusão impossível de ocorrer ou
quando a demonstração decorrente de certa proposição conduz a uma conclusão
manifestamente inaceitável.
A argumentação
por redução ao absurdo é subsidiada pelos demais tipos de argumentação no
sentido de tornar as conclusões seletivas como realmente impossíveis e
inaceitáveis excluindo-as em favor de uma determinada tese que vai se colocar
como a única plausível nas condições restritas consideradas. Neste tipo de
argumentação é preciso dizer o porquê do absurdo, o porquê da inadmissibilidade
de uma alternativa considerada. E esse porquê deve ser evidente ou plenamente
aceitável para a exclusão dessa alternativa em favor da análise de outra
alternativa até sobrar pelo menos uma plausível. A argumentação por redução ao
absurdo pode ser usada para responder uma certa questão com diversas
alternativas que, à primeira vista, parecem estar corretas, mas somente uma atende
as condições solicitadas. Procura-se o absurdo de cada alternativa e a elimina
até sobrar uma que não há como conceber um absurdo. Esta é a única aceitável,
ou seja, só pode ser essa a certa porquanto nas outras são evidentes o absurdo.
Quando a exclusão é feita por falta da evidência plena ou da convicção sem
sombra de dúvidas é preciso ratificar as respectivas decisões.
A
prova pelo absurdo começa admitindo uma proposição como possivelmente
verdadeira. Aplicam-se a ela as regras lógicas de demonstração para mostrar que
as suas conseqüências ou conclusões são inaceitáveis.
Por
exemplo, para entender explicitamente que “por um ponto dado fora de uma
reta só é possível traçar uma só paralela a ela”, embora axiomática a
proposição conhecida como postulado de Playfair (John Playfair, 1748-1819)
equivalente ao postulado de Euclides, pode-se procedê-la à demonstração por
redução ao absurdo.
Começa
admitindo que a única reta traçada pelo ponto dado é uma paralela à reta dada.
Demonstra-se que se aquela reta traçada por aquele ponto dado não for uma
paralela à reta dada, qualquer uma de suas duas extremidades vai encontrar com
a reta dada, mesmo na proximidade do infinito. O que é um absurdo porque
contraria a definição de paralela. Qualquer outra reta que passe por aquele
ponto vai de encontro com a reta dada, se não for por um dos seus dois sentidos
será pelo seu oposto, contrariando também a definição de paralela, o que é um
absurdo. Logo, a reta traçada só pode ser a única paralela à reta dada que
passa por aquele ponto fora dela.
No
plano da argumentação procede de modo análogo mas procura mostrar que
determinada afirmação entra em choque com o geralmente admitido, com a crença
geral, com os conceitos do senso comum ou com as opiniões gerais
tradicionalmente válidas. Analisam-se, analogamente, as demais proposições
colocando-as todas na situação de ridículas diante da opinião geral. Daí,
conclui-se, finalizando, que excluídas todas as proposições apresentadas, por
serem ridículas (absurdas), a proposição inicial supostamente considerada como
verdadeira é a única admissível.
A
CONTRARIO SENSU.
Significa:
pela razão contrária.
Conclui
de uma proposição admissível, pela proposição que lhe é oposta, por se
encontrar tacitamente excluída. Por exemplo, se há uma decisão especificamente
determinada, a contrario sensu os demais casos não estão abrangidos.
Na
argumentação jurídica, há a situação em que tudo o que não está proibido está
permitido. Se uma certa conduta, procedimento ou comportamento não está de modo
explícito terminantemente proibido, será a contrario sensu considerado como
permitido ou indiferente.
Enquanto
o argumento por analogia se apóia no princípio da semelhança, o argumento a
contrario sensu se fundamenta no princípio da diferença. Ambos partem do particular
para chegar no particular, não traduzindo num princípio lógico. O princípio da
diferença exige um critério para dizer quando um caso é diferente do outro.
AB
AUCTORITATEM.
Trata-se
de um argumento que procura provar uma tese qualquer, com uso dos atos ou das
opiniões de uma autoridade no assunto ou de um grupo distinto constituído de
elementos reconhecidamente de alto saber. O argumento de autoridade apóia-se no
prestígio da pessoa ou do grupo invocado.
É
comum o advogado recorrer à jurisprudência em busca de apoio para a sua tese,
ou citar nomes reconhecidamente aceitos como autoridade em certos assuntos,
principalmente, autores de livros notoriamente consultados pelos juristas. E,
observe-se que há jurisprudências divergentes sobre o mesmo caso, além de erros
crassos em autores avidamente lidos.
É
comum escritores citarem em suas obras, renomados autores, especialistas e
ilustres cidadãos para reforçarem as suas explicitações.
Contudo,
é preciso saber questionar ou contra-argumentar. É preciso conhecer a fonte da
autoridade cujo texto é evidente e inquestionável para permitir curvar-se.
Uma
das atitudes científicas diz respeito ao princípio da autoridade quando
aconselha questionar no ato de seu uso. Não só se recomenda questionar a
autoridade como também se acautelar do que dizem. Porque o que dizem pode estar
implícito dando margem às más interpretações. Principalmente, quando a
informação não é dada diretamente da fonte.
O
questionamento se faz necessário para tornar explícito o que está implícito,
cuja explicitação termine na situação de sem sombras de dúvidas.
Quando
se questiona por meio da dúvida, da postura crítica e das indagações relativas
obtêm-se os devidos esclarecimentos e, em conseqüência, um novo aprendizado ou
apreensão de conhecimento antes ignorado.
Há
um tipo de argumento que trata do mesmo argumento porém do modo invertido que
também deve ser questionado de modo igual com mais razão.
Consiste
em refutar uma determinada proposição recorrendo a uma autoridade odiosa ou
rejeitada pela maioria:
―
Melhor do que isso fez Caryl Chessman. Embora tenha conseguido prorrogar a sua
execução, por várias vezes, os seus livros de grande sucesso mundial foram
insuficientes para o seu perdão. Ele foi condenado à morte, inapelavelmente!
― Maquiavel,
em sua notável obra, já dizia isso como também reis e príncipes. Ainda hoje, há
presidentes de grandes nações que, não tanto quanto Hitler seguiu à risca,
aprovam esse conselho!
Porquanto,
não é porque os médicos sabem das doenças ― têm autoridade para
diagnosticar, tratar doentes e receitar remédios ―, não devam ser
devidamente questionados pelos doentes quando a eles se submetem. E também não
é porque Caryl Chessman fez certas coisas louváveis para compensar as
abomináveis sirva de analogia para que se presuma como correta a refutação, ou
possa se convencer por esse argumento.
Por
outro lado, por mais odiosa que seja uma pessoa de autoridade, ela pode fazer
ou ter dito algumas coisas boas para todos. A questão não é ir contra a
autoridade atribuída ao sujeito, à sua posição de autoridade, ou a sua pessoa,
seja esta boa ou má, amada ou odiada. Mas a favor de suas verdades que vêm
beneficiar a todos e contra as suas mentiras ou incoerências cujos efeitos
prejudicam quando se põem como fatos.
Assim,
a verdade que beneficia a todos, seja o seu autor quem for, será protegida e
defendida. Contudo, não o sujeito mas a sua mentira prejudicial deverá não só
ser combatida, mas banida da realidade objetiva. Com mais razão, da
realidade subjetiva.
AD
HOMINEM.
Argumento
que limita a validade de uma tese ao que cada qual está disposto a ceder,
conceder, aos valores que se reconhecem, aos fatos com o quais concorda, sem
desqualificar o adversário.
A
argumentação se restringe ao que se está disposto a conceder em favor das
conclusões a que se quer chegar ou provar. Contudo, nem sempre isto ocorre.
AD
REM.
Argumento
relativo ao assunto em foco ― por oposição a ad hominem.
Diz
respeito a coisas ou a verdades aceitas, universalmente. Refere-se a provas que
sustentam a validade de uma tese em função de fatos ou verdades em que se
fundamenta. Incluem-se como forças probatórias os raciocínios pelo encontro da
causa do fenômeno depositando a validade da tese na sua demonstração. Os
raciocínios pelo encontro do local que privilegia ou enfraquece os
comportamentos de acordo com o lugar onde ocorreram os fatos ou o fenômeno.
Também o fator temporal relativo à ocasião dos acontecimentos e o fator de como
ocorreram certas ações relacionadas com o fato ou com o fenômeno considerado.
Nota-se,
daí, que o raciocínio do argumento ad rem está voltado ao estudo e
análise do porquê, do onde, do quando e do como, relativos ao assunto em foco,
atribuindo-se maior ou menor peso na argumentação.
PARADOXO.
O
paradoxo é contra-senso. Contrário ao bom senso. É uma opinião que contraria
uma opinião comum. Não significa contrariar a razão, mas é uma opinião
sustentada sem convicção para causar admiração aos ouvintes. Logo, não é uma
proposição para convencer ou persuadir. Contudo, a afirmação, na mesma frase,
de um conceito com aparentes contradições chocando o senso comum pode dar
abertura às idéias novas revolucionárias ou inserir um argumento eficaz que
pode surpreender.
Por
mais paradoxal que pareça uma idéia, pelo seu próprio fundamento, exige-se
cautela para não se cair no ridículo.
A
FORTIORI.
Significa:
com tanto mais razão. É preferível o que pertence ao melhor. Por mais forte
razão. “Se Deus, pois, veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã
será lançada ao forno, não vestirá ele tanto mais a vós, homens ...? (Mateus)”.
Argumento preferido pelos advogados para derrubar argumento
oposto feito menor. Significa: com tanto mais razão.
Representa a passagem de uma proposição para uma segunda, para a qual deve
valer as mesmas razões da primeira, e ainda com mais força. Ou a passagem de
uma quantidade a outra da mesma natureza de tal sorte que a primeira não possa
ser atingida sem que a segunda o seja também.
Exemplo:
Se o Edmundo foi convocado para o lugar de Romário, por
tratar-se de artilheiro, como justificou Leão, com tanto mais razão ele
deveria ter convocado o Dill do Goiás, pois, o Dill é o artilheiro do
Campeonato João Havelange, que já com 20 gols marcados supera-o em oito gols.
E, ainda, há outros artilheiros que mereciam igual tratamento, principalmente,
o Magno Alves (Fluminense), o vice-artilheiro, com 19 gols. Agora, não há como
não chamar o Ademar do São Caetano que contra o Grêmio fez o seu 22.º gol.
Vejamos outros exemplos a fortiori em torno de um
mesmo caso:
“... urge registrar que o tormento eventualmente
acarretado pela presente medida liminar aos usuários do transporte
ferroviário prestado pela ré deve ceder lugar à segurança que se lhes
quer garantir, ...”
“... A se suspender o transporte ferroviário
pretextando riscos inerentes à segurança dos passageiros, pelo mesmo
raciocínio, e a fortiori, dever-se-ia igualmente sustar o
tráfego de ônibus, a locomoção aérea e as viagens aquáticas”
“... a questão não é discutir qual é o tormento maior ou
preferível: o tormento decorrente da paralisação temporária de
determinadas composições ferroviárias ou o tormento do medo da morte, ou
o tormento das vítimas e seus familiares decorrente de negligência,
imprudência e imperícia administrativa. Por mais forte razão seria discutir
a solução mais fácil para resolver tais tormentos e não os deixar que
ocorram repetidamente. Sustar os demais tráfegos é questão de discutir o que
fez um, o que não fez outro, deixou de fazer, ou o que responderam,
recompensaram e provaram para continuar merecendo aplausos, o perdão e a
credibilidade de sua clientela. Razão maior do que isso é responder pelo
que faz e diz, além de satisfazer o dever de prova do que afirma para que tormentos
como os referidos possam ser evitados, muito facilmente, bastando apenas à
ré acostar aos autos a respectiva comprovação determinada.”
A MAIORI AD MINUS.
Trata-se
de um argumento que implica relação ou construção de hierarquias. Passa da
validade de uma situação mais extensa para a validade de outra mais curta.
Apóia-se em juízo de valor semelhante ao argumento a fortiori já visto.
Observa-se que o argumento procura mostrar que aquilo que já é aceito e
reconhecido num caso maior, o de menor extensão deve merecer igual tratamento com
tanto mais razão.
A MINORI AD MAIUS.
De
modo análogo ao argumento a fortiori e a maiori ad minus funda-se
em juízo de valor. Passa da validade de uma circunstância menos extensa para a
validade de outra mais extensa. Por exemplo, se a imprudência merece ser
apenada, tanto mais o comportamento delituoso deliberadamente intencional.
A
SIMILE.
No
universo das comparações que lida com as semelhanças e as diferenças ―
implicando, na maioria das vezes, as associações, os confrontos, paralelos,
analogias, as exclusões e os contrastes ―, a manifestação de juízos
exige, no âmbito da argumentação, antes de tudo, uma atenção ou uma atração
para a sua compreensão mais fácil. É aí que reside a relevância da argumentação
a símile que vem colorida pela metáfora para externar uma analogia
argumentativa numa expressão colorida, simples, condensada, compreensível,
vivaz, amena e muitas vezes, decisiva. O símile é tropo. É comparação
metafórica. A força dada no exagero do grau de semelhança visa, sobretudo, a
tornar mais clara e compreensível uma idéia nova.
Contudo,
a símile é o argumento que se refere à comparação de dois casos entre
si, considerados como semelhantes, concluindo que se a mesma hipótese é válida
para ambos, as mesmas conseqüências igualmente são válidas. Usa os recursos da
analogia.
EXEMPLAR.
A
força do argumento exemplar está na autoridade dos exemplos apresentados.
A
exemplificação na explicitação é feita por semelhança e pela dessemelhança.
Exemplos semelhantes fortalecem a linha de pensamento adotada. Os exemplos
dessemelhantes expõem em relevo ou ratificam uma conclusão oposta. Quanto maior
a semelhança dos exemplos com o fato ou objeto da argumentação mais convincente
a torna. Quanto maior a dessemelhança dos exemplos com o fato ou objeto da
argumentação mais convincente torna a contra-argumentação.
O
argumento exemplar segue o mesmo caminho da indução lógica. Parte dos exemplos
seletivos e efetivos para uma generalização verossímil.
A
conclusão é válida até prova em contrário. Invalida um exemplo com um outro que
o contradiga.
Restringe
a extensão das regras: ela só vale para apartamentos não para sobrados.
Modelo
é exemplo especial e é apresentado como algo digno de ser seguido. O antimodelo
é o seu contrário. Mostrado como algo
que não deve ser imitado.
ANALOGIA.
Analogia é identidade de
relações. Semelhança de função entre dois elementos, dentro de suas respectivas
totalidades. O raciocínio por analogia serve-se da indução parcial e da
abdução. Conclui do particular para o particular, em razão de uma semelhança.
As suas inferências não
traduzem uma conclusão universal. Pela comparação com o conhecido procura-se
inferir ou explicar o desconhecido, o complexo, o novo, ou o raro com base em
algo comum ou em alguma semelhança dando-lhe a possibilidade de igual
consideração.
A conclusão por analogia é
possibilidade ou probabilidade só nos fornecendo pistas ou indícios para uma
certeza relativa. Por isso é preciso cuidar-se de que as aparências enganam e
nem sempre onde há fumaça há fogo.
O raciocínio usado nas
analogias é comum na retórica (arte de persuadir) e na argumentação dialética.
A
lógica admite que a analogia é um procedimento conclusivo que pressupõe pelo
menos duas premissas, e na qual ocorre uma passagem de uma proposição
particular para outra particular ou de uma geral para outra geral, mas nunca,
da geral para a particular e nem da particular para a geral.
Dentro
de um universo restrito quando é possível aplicar o mesmo paradigma a todos os
casos semelhantes, o raciocínio por analogia parte de situações conhecidas ou
de regras validadas para determinados casos dentro de um sistema para poder
analisar situações desconhecidas ou novas no sentido da possibilidade de
aplicar a mesma regra com base nas suas semelhanças essenciais.
O
uso da analogia no plano da argumentação é muito amplo. Contudo, é preciso
muita cautela para não fazer falsas analogias, porquanto, até mesmo dentro de
um mesmo sistema, certas conclusões, por analogia, podem ser invalidadas. Por
isso, é preciso saber selecionar as semelhanças essenciais procurando a certeza
de que cada semelhança tenha fundamento com validade no sistema pertinente.
A
conclusão decisiva proveniente do argumento por analogia requer subsídios do
método indutivo, dedutivo e os demais hipotéticos com situações de
ratificações, das análises e sínteses corroborativas, uma vez que a
argumentação envolve situações particulares, restritivas, dialéticas, de
pressupostos e de fatos verossímeis que implicam a convicção até prova em
contrário.
Por
exemplo, o uso da analogia em direito tem apoio no princípio geral de que se
deve dar o mesmo tratamento a casos semelhantes.
Assim,
demonstrada a semelhança entre dois
casos, pode-se aplicar a norma válida de um para o outro não regulado.
Mas,
há situações que isto pode não se aplicar por mais semelhantes os casos entre
si.
Às
vezes, até por um único dado relevante ou, em se aplicando, poderá ocorrer
injustiça por um único dado imperceptível não semelhante e, ainda, pode haver
imprecisão visto por um paradigma mais amplo.
Por
isso, as conclusões decisivas decorrentes do argumento por analogia devem estar
abertas a reconsiderações e reformulações. Veja também na página 257.
CONTRA-ARGUMENTAÇÃO.
Contra-argumentar
é usar o raciocínio para convencer o contrário do proposto.
Na
contra-argumentação utiliza-se o mesmo tipo de raciocínio do argumento na forma
de antítese fundada em fenômenos, eventos, fatos, exemplos, casos, modelos e
situações idênticas, semelhantes e análogas, contudo, diversos daqueles
apresentados que opõem ou anulam de maneira decisiva os fins do propósito da
argumentação usada. Acresce-se a esse raciocínio todos os demais tipos de
argumentações com argumentos coerentes com o caso ou assunto, de preferência,
os lógicos. A demonstração racional e objetiva fundada em princípios universais
derruba qualquer tipo de argumento.
Por
isso, recomenda-se, sempre que possível, lançar mão das atitudes e métodos
científicos e a demonstração pelo pensamento objetivo que superam e podem
liquidar toda espécie de argumentação dialética.
Verificação.
Verificar é comprovar a
verdade de um enunciado ou de uma afirmação ou apurar a veracidade de um fato.
É confrontar, conferir e averiguar o desenvolvimento de um raciocínio ou de uma
demonstração para a sua correção, analisando e discutindo a sua conclusão no
passo da comprovação de sua verdade.
A verificação funciona como
demonstração no passo da ratificação da verdade de uma proposição, ou da
condução de uma experiência e respectivo resultado.
Demonstração.
A demonstração é a exposição
clara, concisa e metódica de um conjunto de idéias e dos diversos raciocínios
ordenados (abdutivo, indutivo, dedutivo e hipotéticos) para, utilizando-se de
conceitos, axiomas, princípios, postulados, pressupostos, instrumentos,
materiais, condições e recursos inerentes autênticos conhecidos, definir ou
provar uma tese discutindo a conclusão, no sentido de sua irrefutabilidade.
O objeto da demonstração é o
esclarecimento ou a explicação que estabelece a verdade da conclusão cujo
argumento e deduções verificadas comprovam a correção da proposição que lhe deu
origem por ter base em premissas verdadeiras.
Comparação.
É o confronto para
conhecimento das semelhanças, diferenças e relações.
A comparação envolve
grandeza, qualidade, quantidade, cor, beleza, medida, aptidão, capacidade,
valor, diversidade e outros fatores tendendo à formação de conjuntos
específicos de elementos com essências, conteúdos, características iguais,
semelhantes, ou diversificados. E, ainda, pode formar um grupo de dois ou mais
elementos sendo um deles o elemento tomado como modelo ou padrão de confronto.
Pela comparação é que podem
surgir grupos definidos com elementos padronizados, outros com elementos
homogêneos, ou heterogêneos.
A classe, a série e a seleção
de elementos que podem formar uma estrutura ou uma unidade organizada para um
certo objetivo, fim ou missão, não se prescindem do princípio da comparação
adequada.
Daí, a sua importância como
um método indispensável de opção, escolha, determinação, decisão e deliberação
na organização ou na estruturação de qualquer classe de elementos, de qualquer
série de elementos ou de classes, ou de qualquer seleção de elementos, de
classes ou de séries.
Raciocínio.
Raciocínio é qualquer razão
discursiva que se faz para chegar à intuição ou a partir dela, no processo de
conhecimento (produção de novos, de reconstrução ou de obter noção).
Os raciocínios fundamentais
são a abdução, a indução e a dedução.
Diferente da intuição, o
raciocínio produz conhecimento tão-somente através de demonstrações e provas.
O raciocínio é o pensamento
no processo de conhecimento que envolve vários atos intelectuais desde os
estímulos, as sensações físicas e psíquicas, observações, percepções,
identificações, reconhecimentos, interpretações, confrontos, comparações,
diferenciações, associações, imaginações, reflexões, sucessões de idéias,
memórias, meditações, pesquisas, inferências e consciências até as mais
profundas introspecções. Tais recursos, além de outros, podem ser utilizados
pelo raciocínio cuja finalidade única é a conclusão verdadeira do que se propõe
conhecer, saber ou ter ciência.
Logo, diariamente, fazemos
uso desses diversos raciocínios, uma vez que cada juízo, ação, decisão,
escolha, opção, determinação, atitude, comportamento, conduta, procedimento e
movimentação provêm das nossas inferências e conclusões relativas, sejam estas
automáticas pelo hábito, imediatas pelas evidências, ou sejam através de
concentrações do pensamento mais demoradas. A abdução, a indução e a dedução
são os raciocínios ditos fundamentais.
Abdução.
A abdução é a busca da
conclusão, passo a passo, por meio da interpretação objetiva de sinais, signos,
indícios, vestígios, pegadas, fragmentos e associações de pistas que indicam
situações ou caminhos a serem perseguidos. A abdução usa dos recursos da
intuição e demais sensações psíquicas, e em especial, a especulação. Pode ser
considerado também como abdução o raciocínio por analogia, exclusão e redução
por absurdo, porquanto se conclui do particular para o particular, em razão de
uma semelhança, ou em razão da dessemelhança, quando certas inferências ou
pistas são excluídas por serem absurdas, ou ridículas e incoerentes.
Às abduções seguem a indução
e dedução, as quais podem por elas ser subsidiadas.
Indução.
É o método usado pelo
pensamento lógico para estabelecer uma verdade universal começando pela análise
dos fenômenos ou dos fatos observáveis.
Pela constância, freqüência
ou repetição de um fenômeno pode-se avaliá-lo por meio das diferentes
observações estabelecendo-se uma lei geral.
Vai das partes para o todo.
O raciocínio inicia-se do
particular para terminar no geral.
Do fato específico
estabelece-se a norma, a lei ou a regra e o princípio.
Exemplo.
¾
Soube-se que a candidatura do Agenildo foi impugnada porque ele cumpriu pena em
condenação por furto. A de Andronaldo por tráfico de drogas, a de Aristófanes
por roubo e a de Xisto por estelionato.
¾ Logo,
infere-se que todo cidadão com antecedente criminal não pode ser candidato.
Observe-se que de casos ou
situações particulares semelhantes, parecidas, ou iguais, chegou-se a uma lei
geral.
O processo indutivo pode ser
utilizado na argumentação partindo de lugares-comuns, associações de
fragmentos, indícios, pistas, abduções e partes coerentes de uma totalidade
indeterminada para chegar à generalização ou a um todo verossímil.
Dedução.
Dedução é o método no sentido
contrário da indução. Vai do todo para as partes.
A dedução é usada no
pensamento lógico para estabelecer uma verdade indo do geral para o particular.
O geral refere-se a
princípios verdadeiros e precisos já sabidos ou conhecidos, que por raciocínios
sucessivos chega a uma conclusão para uma situação específica tornando-a
evidente e conhecida.
No raciocínio dedutivo
parte-se de uma verdade universal conhecida para demonstrar que ela se aplica a
todos os casos individuais iguais. A base do raciocínio no método dedutivo é o
silogismo.
O silogismo é uma
argumentação na qual, de um antecedente que une dois termos a um terceiro,
conclui-se um conseqüente que une esses dois termos entre si.
Exemplos.
Todo A é C. B é A. Logo, B é
C.
Todo candidato com
antecedente criminal é inelegível. Brumêncio é candidato com antecedente
criminal. Logo, Brumêncio é inelegível.
Das três proposições que
constituem o silogismo, as duas primeiras são premissas. A última,
conclusão. A primeira é a premissa maior; a segunda, premissa menor.
A maior é universal
afirmativa ¾ Todo
candidato com antecedente criminal é inelegível.
A menor é individual
afirmativa ¾ Brumêncio é candidato com antecedente criminal.
Entre a maior e a menor há
uma idéia comum ¾
candidato com antecedente criminal. É o termo médio.
As duas premissas têm termos
denominados extremos.
O termo extremo maior
no caso é: inelegível.
E o extremo menor é: Brumêncio.
A função do termo médio é
ligar esses extremos.
A ligação é a inferência que
dá a proposição chamada conclusão.
No exemplo, a conclusão é
individual afirmativa ¾
Brumêncio é inelegível.
Outros modos.
Todo A é C. Todo B é A. Logo,
todo B é C.
Todas essas três proposições
são universais afirmativas.
Nenhum A é C. Todo B é A.
Nenhum B é C.
A maior é universal negativa,
a menor é universal afirmativa e a conclusão é universal negativa.
Nenhum A é C. B é A. Logo, B
não é C.
A maior é universal negativa,
a menor é individual afirmativa e a conclusão é individual negativa.
Há sessenta e quatro modos
possíveis dos quais dez são válidos que combinados com as quatro figuras
resultam dezenove formas válidas de silogismo.
As figuras referem-se às
posições do termo médio nas premissas e os modos são os tipos de proposições
das premissas se universais, particulares, negativas ou positivas.
O silogismo tem validade, ou
só é válido, com as premissas verdadeiras, evidentes, indemonstráveis e causa
da conclusão lógica.
Segundo Aristóteles há o
silogismo dialético e o científico.
O dialético permite argumentos
contrários, pois as suas premissas são opiniões sobre o possível e o provável.
Por isso é próprio da retórica que prefere a emoção e o sentimento à razão na
sua arte de persuadir.
No silogismo científico não
há premissas contraditórias porque as suas premissas são universais necessárias
e a sua conclusão é irrefutável, mas exige demonstração. O silogismo científico
segue regras especiais sem as quais invalida a sua demonstração.
A dedução científica
parte do gênero (genérico) e associa espécies diferentes (específicos) que se
tornam gêneros de novas e variadas espécies para definir o indivíduo na
classificação geral.
A exposição do raciocínio
dedutivo é feita em função do universo da premissa maior enumerando os sujeitos
da premissa menor, indícios, os fatos, as condições e os argumentos válidos,
exclusão de hipóteses absurdas e outras considerações pertinentes numa
seqüência coerente até à especificação e à sua compreensão total.
Interpretação objetiva.
A expressão interpretação
objetiva está ligada ao cuidado especial que se dedica em retirar as
camadas de impurezas de uma certa verdade encoberta para que ela possa se
apresentar em seu inteiro teor e tornar-se inteligível, coerente, sem
contradições ou de representá-la no seu sentido exato para um entendimento
claro e sem sombra de dúvida.
Na linguagem,
comunicação, investigação, nas relações, fatos e eventos, na exegese,
hermenêutica, predição e previsão, ou no controle e domínio de uma situação
onde a percepção, identificação e demais instrumentos e recursos são
insuficientes para que haja o entendimento preciso ou para uma compreensão
segura e necessária, urge a intervenção da interpretação objetiva.
Por aí se intui que a
interpretação objetiva exata, além do conhecimento relativo e dos recursos que
atendem às necessidades imediatas ou prementes, exige os do pensamento e das
suas faculdades e demais instrumentos, inerentes à verdade do fenômeno, do fato
ou da idéia em questão, ou de sua expressão, para o seu correto entendimento.
Por exemplo, dado que os
estímulos presentes são percebidos e os estímulos adiante, identificados, a
sua interpretação como constantes é dada pela observação científica e
análise das sensações regulares relativas.
Neste passo, a interpretação
objetiva representa a busca ou pesquisa, a análise ou o estudo e consultas
amparados pelo controle e pensamento lógico, pela verificação experimental e
pela observação científica, repita-se, para poder explicar e esclarecer o
verdadeiro sentido de um estímulo complexo.
Interpretar, em síntese, é
fazer corresponder ou representar, de modo compreensível e claro, a verdade de
certas ocorrências ou de situações obscuras. É buscar o entendimento do
estímulo complexo ininteligível que se faz presente para um juízo correto.
Classificação.
É a distribuição ordenada de
elementos em uma ou mais divisões, grupos ou classes na formação de uma ou mais
séries, conjuntos ou órgãos segundo um critério de seleção, sistema ou método
adotado, com base nas suas semelhanças e diferenças.
Na natureza há uma quantidade
inumerável de coisas ou seres tanto diferentes quanto semelhantes.
Mas, basta haver duas ou mais
coisas semelhantes entre as diferentes, ou duas ou mais coisas diferentes entre
as semelhantes, que efetuamos comparações e tendemos a separá-los em dois
grupos ou séries, sendo um, só de coisas semelhantes e o outro só de coisas
diferentes, ou grupos diversos cada qual com os seus elementos próprios
semelhantes entre si.
E, de conformidade com a
importância, efetuamos uma classificação geral conforme o critério de seleção
por diferenças específicas.
Neste passo, é relevante o
trabalho da dedução científica quando partindo do gênero (genérico) associa
espécies diferentes (específicos) que se tornam gêneros de novas e variadas
espécies.
E as semelhanças parecem ser
mais simpáticas.
Por isso, pode-se dizer que
associamos logo as semelhanças e deixamos para depois as diferenças.
E, muitas coisas semelhantes
não precisam nem ser agrupadas ou associadas porque elas já estão sempre juntas
ou umas perto das outras.
Por exemplo, um bando de
formigas, de abelhas, pássaros, de gente, um cardume, as folhas de uma árvore,
um minério, as areias da praia, etc.
Todos esses grupos são tão
diferentes entre si que podem ser associados segundo a adoção do critério de
semelhança ou de diferença específica em dois conjuntos maiores, como por
exemplo, em seres animados e seres inanimados.
Entretanto, as diversas
maneiras de associar as semelhanças chegam a ser tão interessantes que as
buscamos até dentro das coisas que nos parecem totalmente diferentes.
Assim, buscamos semelhanças
quanto à cor, forma, conteúdo, característica, aspecto, função, estrutura,
atitude, espécie, conjunto de itens, ocorrência, processo, tamanho e tudo
quanto é tipo de semelhanças pelo qual um fenômeno pode ser descrito.
Até mesmo as semelhanças
entre os elementos materiais e os estruturais, ou entre os elementos
estruturais e os aspectos funcionais podem ser associados.
Este processo de descobrir
semelhanças entre os fenômenos naturais, seres, coisas, objetos, fatos, bichos,
pessoas, etc. e efetuar uma distribuição segundo um critério de seleção e ordem
entre as suas semelhanças e diferenças é um dos métodos fundamentais da ciência
e que damos o nome de classificação científica.
É muito mais fácil, econômico,
simples, prático e inteligível lidando com as coisas classificadas nos seus
devidos lugares do que mal arranjadas, mal permutadas e mal combinadas, isto é,
desorganizadas ou bagunçadas, caóticas, ambíguas, incertas, complicadas,
complexas e indeterminadas que nos deixam em situações de impasse, de
incompreensível solução imediata.
Seriação.
É formação de séries.
A série é uma sucessão
ordenada de elementos de uma classe segundo critério adotado, ou uma seqüência
de divisões, órgãos ou classes ordenadas que formam um conjunto, um sistema ou
uma estrutura organizada.
Logo, pode haver uma série de
elementos de uma mesma classe ordenados segundo um determinado critério assim
como pode haver uma série de classes ordenadas conforme outro critério,
contudo, dentro de uma estrutura organizada.
Nas séries são observadas e
levadas em conta a ordem, os arranjos, as permutações, as combinações, a
organização e a classificação.
Na formação de séries e na
classificação implica, necessariamente, a seleção objetiva que veremos a
seguir.
Seleção.
É a deliberação fundamentada
para a escolha, determinação e decisão acertada para classificar e seriar
tão-somente os elementos indispensáveis e imprescindíveis para o fim desejado
ou para determinado objetivo de uma estrutura organizada.
A seleção de elementos na
formação de classe ou série se faz através da observação, análise e síntese,
estudo e comparação levando em consideração o critério de avaliação adotado
para o atendimento ao fim desejado.
A seleção deve ser objetiva e
criteriosa de conformidade com o objetivo definido.
Estruturação.
Refere-se à estrutura
que significa disposição e ordem das partes de um todo.
Estruturação é o ordenamento
das partes principais ou seletivas, em séries de classes interligadas, no qual
se forma ou se dá a sustentação do todo.
É a integração da
classificação, da seriação e da seleção na formação de um todo organizado.
Experiência.
Prática, conhecimento,
vivência e experimentação.
Experiência ou método
científico de experimentação consiste no controle do que se observa num
fenômeno, evento ou fato e nas interações e relações, sob certas condições, no
passo de extrair novos conhecimentos a eles inerentes.
O método da experiência tem
sito utilizado para a eficácia de determinado resultado no passo de sua pureza
ou aperfeiçoamento. Pode ser efetuada por reproduções de experiências ou
práticas anteriores ou por meio de simulacros.
A indução e a análise são os
procedimentos fundamentais na prática do método experimental. Contudo, a
intervenção no curso de um fenômeno
experimentando as variáveis de seu aparecimento e desenvolvimento no passo de
achar invariantes e constantes permite ao cientista a formular hipóteses.
Manipula as variáveis,
observando inúmeros fatos decorrentes e formula uma hipótese. Efetua novos
experimentos e induções para verificar a hipótese.
Se confirmada, ele alcança a lei do fenômeno estudado.
Este procedimento chama-se hipotético-indutivo.
Definida a lei, pode-se
formular novas hipóteses deduzidas desse conhecimento adquirido e assim prever
novos fatos e fazer outras experiências que podem conduzir aos novos
conhecimentos.
Este novo procedimento
chama-se hipotético-dedutivo.
Identidade.
A é A, B é B, C é C ...
O que é, é. O que não é, não
é.
Todo ser é igual a si próprio.
Para poder conhecer e pensar qualquer coisa é preciso perceber e dar-se conta
da sua identidade.
Não há identificação sem este
princípio de que o que é, está definido como igual a si mesmo tal que não pode
ser confundido.
Contradição.
Conhecida também como
princípio da não-contradição.
A não é “não-A”.
Assim, é impossível que algo
seja e não seja ele mesmo, ao mesmo tempo e na mesma relação. Uma coisa, ou
idéia, que se nega a si mesma deixa de existir ou simplesmente não existe.
Razão suficiente. Causalidade.
Dado A, necessariamente,
ocorre B.
Dado B, necessariamente,
ocorreu A.
O princípio da razão
suficiente é conhecido como princípio de causalidade.
Como já visto anteriormente,
repita-se, tudo que há, é, existe, acontece ou que venha a existir ou acontecer
não só pode ter como tem a sua razão, o seu motivo, a sua causa ou a sua
natureza de ser, suscetível de ser explicada, entendida e conhecida pela razão.
As ocorrências casuais,
acidentais e as coincidências são casos particulares.
Embora tenham,
respectivamente, as suas origens, finalidades e a natureza de ser não são
consideradas universais e necessárias.
|
Um princípio para ser
considerado universal é preciso ser válido e
verdadeiro para a razão objetiva geral para sempre e em qualquer lugar. Para um princípio ser
considerado necessário, é preciso que seja
impossível qualquer outro modo. |
Terceiro excluído.
O princípio do terceiro
excluído afirma:
“Se duas proposições são
contraditórias, uma delas é verdadeira e a outra, falsa.”
Se A não é “não-A”, então, ou
B é A, ou B é “não-A”.
Ou N é x, ou N é y, não
havendo outra possibilidade.
Neste princípio, exclui-se a
terceira possibilidade.
Ou N é
x, ou N é não-x. Ou N é isto ou não é isto.
Ou é verdade, ou é mentira.
Exclui-se qualquer outra possibilidade
tal como ambas as contraditórias são falsas, ou verdadeiras ao mesmo tempo,
meio-termo, etc. Estas situações são pertinentes a outros paradigmas diversos
com leis próprias e específicas.
Deve-se isolá-las, depurá-las
e selecioná-las, classificando-as nos seus devidos lugares, séries e
paradigmas, para se evitar a confusão. Se temperar o feijão com sal impuro e
ingeri-lo pode complicar as funções digestivas.
Análise objetiva.
É a decomposição de um todo
em suas partes. Neste método, estuda-se e faz-se o exame de cada parte separada
do todo. Portanto, na análise, parte-se do complexo ou composto para chegar ao
simples ou às partes; dos efeitos às causas. O raciocínio aplicado é a indução.
Na análise ocupa-se mais com
as diferenças do que com as semelhanças, igualdades ou analogias. A análise
pode ser realizada racionalmente, diretamente na prática e experimentação ou em
ambas as situações.
A análise científica verifica
as diferenças fundamentando-se nas relações regulares, constantes e invariáveis
entre os seres, objetos, fenômenos, fatos, idéias ou pessoas e o seu respectivo
comportamento, processo, procedimento ou conduta.
Síntese científica.
A síntese é o contrário da
análise.
A síntese é a recomposição do
todo decomposto pela análise. Neste método, procede-se do simples para o
complexo ou composto. Das partes, dos elementos para o todo. Das causas para os
efeitos. Das origens para as finalidades. O raciocínio comum na síntese é a
dedução. Na síntese observam-se mais as semelhanças, as correspondências, as
analogias e o que há de comum do que as diferenças, divergências ou
contradições.
A análise e a síntese são
complementares na busca da verdade. A síntese permite ver melhor o todo. E, a
análise, as suas partes.
Com a não violação das
atitudes e métodos científicos, conclui-se melhor, errando menos.
A síntese dialética é a fusão
ou a conciliação da tese com a sua antítese produzindo uma nova proposição. De
A é B e de A não é B, pode surgir A é B, somente, se ... Ou, A não é B, desde
que ... A tese é negada pela antítese e no confronto entre estas pode surgir a
síntese que modifica, parcialmente, a ambas, dando-lhes um novo sentido. A
síntese é uma nova tese que, por sua vez, pode ser negada. A sucessividade nas
negações ocorre na relatividade da tese inicial e das novas que surgem com as
suas contrárias ou as suas contraditórias.
Analogia. (Veja
também na página 251)
Identidade de relações.
Semelhança de função entre dois elementos, dentro de suas respectivas
totalidades. O raciocínio por analogia serve-se da indução parcial e da
abdução. Conclui do particular para o particular, em razão de uma semelhança.
As suas inferências não
traduzem uma conclusão universal. Pela comparação com o conhecido procura-se
inferir ou explicar o desconhecido, o complexo, o novo, ou o raro com base em
algo comum ou em alguma semelhança dando-lhe a possibilidade de igual
consideração.
A conclusão por analogia é
possibilidade ou probabilidade só nos fornecendo pistas ou indícios para uma
certeza relativa. Por isso é preciso cuidar-se de que as aparências enganam e
nem sempre onde há fumaça há fogo, repita-se. O raciocínio usado nas analogias
é comum na retórica (arte de persuadir) e na argumentação dialética.
Propriedade reflexiva da
igualdade.
Se A = B, então, B = A.
Propriedade transitiva da
igualdade.:
Se A = B, B = C, então, A =
C.
Observação objetiva.
A observação objetiva ou
científica leva em conta e busca o domínio total da experiência e o controle
das variáveis prejudiciais para que o estudo ou a pesquisa não sofra
influências, interferências e os efeitos inoportunos.
Por isso, a observação
integrando o alerta, prontidão e atenção é indispensável no método científico.
Na observação científica
incluem as anotações, a classificação, a seriação, a seleção, a estruturação e
o registro descritivo do que observa.
Utilizam-se os instrumentos,
fatores e recursos inerentes à situação do momento integrando os de necessidade
imediata, tempestiva e sucessiva dando-se conta das variações e alterações
possíveis relativas às sensações, percepções, identificações e interpretações,
de maneira total. A observação deve funcionar como alarme para manter bem
despertos o alerta, a prontidão e a atenção no sentido do domínio da situação
experimental. Esse domínio só é possível mediante a observação integrada ao
controle objetivo.
Controle objetivo.
É o domínio das observações
objetivas sucessivas.
O controle objetivo ou
científico é um método no qual se busca identificar as causas, os motivos e as
razões do que se observa eliminando ou afastando as condições ou fatores não
pertinentes ou indesejáveis, considerando, obviamente, o essencial e o
importante. E, em especial, procura identificar as fontes de variação das
sucessivas observações no passo de evitar os resultados ambíguos.
Como já visto, o controle dá
a sensação psíquica que se experimenta a partir da aceitação e integração do
pressentimento, da previsão e da predição. A sensação de controle é ótima. É um
misto de quietude, sossego, paz, segurança, proteção e bem-estar. Experimenta-a
nas sucessivas observações que se propôs efetuar. E, quando isto ocorre,
dizemos, orgulhosa e pomposamente:
¾ Tudo
sob controle!
Quando se pressente, prevê ou
prediz um evento temeroso ou catastrófico, muito próximo de se concretizar, o
controle objetivo se torna útil para não se perder o autocontrole. Veja
sensações psíquicas.
Sofisma.
Erramos quando com dados
corretos raciocinamos mal, ou quando raciocinamos bem com dados falsos, errados
ou com os aparentemente corretos.
Erramos, ainda, quando raciocinamos
com dados certos, mas incompletos.
Sofisma é o falso raciocínio
elaborado com a intenção de enganar.
É também o raciocínio correto
com conclusão aparentemente correta, usado com má-fé para confundir.
Paralogismo.
O raciocínio elaborado em
boa-fé, sem a intenção de enganar, que resultou em erro, chama-se paralogismo.