CONSCIÊNCIA SUBJETIVA E OBJETIVA.

 

 

No contexto social, quer um par de enamorados quer um grupo coeso, ou a própria sociedade humana, o conjunto de seus momentos constitui a sua história.

 

 

Assim, por exemplo, acontecimentos importantes e finalidade comum que tornam coeso um casal (gênero contraditório) formam a história exclusiva dessa menor unidade social de potencial procriador.

 

Portanto, o momento é real. Implica novidade, aprendizagem, desenvolvimento, mudança, coleção de saberes, de conhecimentos adequados, técnicas e implantação de processos saudáveis no propósito de atender as necessidades humanas imediatas, tempestivas, sucessivas e integradoras. Tudo no sentido do acontecer saudável e em alto nível, seja para o indivíduo, para um grupo qualquer ou para a humanidade, em qualquer época.

 

Já se disse sobre os quatro momentos fundamentais quer biográficos quer históricos. No contexto das necessidades gerais que abrange quase tudo, é fácil detectar, localizar, entender e compreender os seus quatro momentos. Tudo está se movendo. E em qualquer coisa que se movimente se vê quatro momentos. O contexto urgente, a situação prorrogada, a sucessão dos atos ou a sua freqüência e a priorização (o momento integrador). Se estiver faltando um ou outro, pode-se procurar o faltante que vai se achar. Assim, na administração pública, o primeiro é o executivo, o segundo é o judiciário, o terceiro, o legislativo e o quarto é o integrador que pode ser o congresso, o povo, plebiscito, poder moderador, o rei, o imperador, etc. de conformidade com o sistema político vigorante. Na matéria, temos os seus estados líquido, sólido, gasoso e o energético; e, assim por diante.

 

O momento biográfico de uma pessoa começa na sua concepção e nascimento.

 

A sua extensão mais próxima é parte de sua biografia e constitui-se de tudo o que se relaciona com ela no aqui-e-agora sucessivo.

Embora sejam considerados os momentos imaginários, a sua importância está na concretização, na sua construção finda e na experiência real e concreta do momento respectivo.

A essência dos momentos está no próprio conteúdo do seu acontecimento e na qualidade dos registros na memória da relação ou do vínculo entre os elementos do ser-real com os do ser-ideal, correspondentes.

O ser-real é o objeto, o fenômeno e o fato reais, concretos ou abstratos (o que há no mundo quer interno ou externo tomado por objeto*) que podem ser captados pelos órgãos dos sentidos ou sensações e armazenados através dos meios próprios ¾ impulsores, imagens, símbolos e expressões ¾, no nosso banco de memória.

A essa representação e interpretação do ser-real e a da idéia de outrem haja ou não a respectiva correspondência autêntica e biunívoca ¾ guardada no banco de memória, que forma e faz constituir todo o acervo do conhecimento e que subsidia a idéia de cada indivíduo, a sua reação, ação e atuação, bem como a noção do que faz, inclusas as operações do seu pensamento e suas faculdades e as memórias dos conhecimentos potenciais por herança genética ¾, dizemos ser-ideal. O que se capta para registro no banco de memória do que trazem as sensações configura-se como novos elementos do ser-ideal cujo processamento e interação dão subsídios à percepção, à identificação e à interpretação para o entendimento de suas mensagens. Mensagens essas interiores ou exteriores emitidas por tudo o que se nos apresenta de real, autêntico, natural, provocado e ideal, concreto ou abstrato.

 

Pela linguagem e pelos instrumentos representativos, simbólicos, descritivos, narrativos e argumentativos ou dissertativos gravados e computados no banco da memória e processados pelas consciências e demais fatores psíquicos, é que se pode exprimir e externar a idéia, opinião, conhecimento, pensamento, vivenciamento, raciocínio, saber e experiência.

 

O ser-ideal é o mundo subjeto em confronto[i] e conexão com o mundo objeto. Corresponde ao interior do sujeito. É a sua realidade subjetiva. Pode-se dizer que o ser-ideal é o espelho do mundo objeto (exterior); ou seja, a representação da realidade objetiva, ao modo de cada um.

O ser-real e o ser-ideal são conteúdos do existir como pessoa.

Persistir na existência como pessoa implica no atendimento ou suprimento da sua necessidade essencial, com ótima e eficiente qualidade, em todas as suas formas de surgimento, extensiva à totalidade do ser humano.

A qualidade e a quantidade desse suprimento, sem desvios, desperdícios ou erros, dependem do vínculo ou da relação respectiva dos determinados elementos do ser-real com os seus correspondentes representados, autenticamente, no ser-ideal.

Daí, a boa qualidade e a quantidade suficiente dos recursos que constituem o comportamento, a conduta e o procedimento saudável do indivíduo como integrante da sociedade desejável dependem do seu cultivo, apreensão e cuidados. A ausência de certas noções sociais e das vivências afetivas determinantes dos princípios, das normas e finalidades, dos valores e padrões éticos na socialização saudável explica os seus decorrentes comportamentos animalescos, inescrupulosos e randômicos.

Esses atos irracionais podem ser verificados num primeiro momento negativo como mecanismos fatais de defesa quando o medo da morte antecede ou se associa à raiva acumulada embutida que detona de modo frio e automático ante a crença do menor estímulo de ameaça de perigo de perda total.

Admite-se, por princípio, que o espaço real não tem limites em todas as direções e em qualquer sentido, a partir de qualquer um de seus pontos. O espaço real, por conseguinte, é infinitamente grande. É infinitamente pequeno o intervalo entre duas de quaisquer partes de uma unidade infinitamente pequena de espaço real.

Intuem-se, daí, dois extremos contraditórios. O continente real absoluto que denominamos o tudo. O não-continente real absoluto que chamamos o nada ou o não-ser real absoluto que é o limite de qualquer conteúdo gradualmente infinitesimal num continente também infinitamente pequeno.

O ser é tudo o que existe, objetiva e subjetivamente, podendo ser ideal, virtual, real, potencial, concreto e abstrato. Daí, com estes princípios, intui-se o não-ser, que é o que não é; e, a negação de qualidade que pode ser qualquer outro que não seja ele próprio. Intui-se, também, o não-ser real relativo que é a ausência de um ser real e concreto, no aqui e agora, ou ausência de conteúdo, bem como a possibilidade de sua presença em outros tempos e lugares do espaço objetivo.

Observe uma pessoa andando que de repente pára (tempo presente). Os seus passos dados ficaram para trás (tempo passado).

Esses atos e os atos dos passos seguintes (tempo futuro) é presente no contexto de espaço, porque, independentemente, do tempo que passa, que passará ou que já passou, o espaço é sempre presente no tempo. O espaço (o lugar no chão) onde os passos foram dados, repita-se, e os que nele estão para serem dados está no presente para essa pessoa e para qualquer outra. O conteúdo no espaço, desloque ou não em qualquer velocidade, pode se transformar com o passar do tempo, estando ausente onde estava presente; mas, o espaço continua o mesmo, envolvendo tudo, e ao mesmo tempo em que está sempre presente no tempo. O espaço não pode se ausentar.

Em conseqüência, temos a concretitude, a potencialidade, o abstracionismo, a representatividade, a virtualidade e a atualidade do ser-real, no estado, situação, tempo, velocidade e espaço, da maneira objetiva. E tudo isso é passível e possível de ser, de estar sendo, ou de estar representado ou ter representações parciais, fragmentadas, totais, deformadas, aparentes, autênticas ou não, no mundo subjetivo; isto é, no banco de memória de uma pessoa. E, esse correspondente do ser-real objetivo registrado no banco de memória, da maneira equivalente, semelhante e autêntica ou não, além dos trazidos pela sua herança genética, chama-se ser-ideal.

A realidade objetiva tende a ter um limite possível enquanto que a realidade subjetiva pode ultrapassar esse limite. Assim, tudo o que sonhamos, fantasiamos, pensamos, imaginamos ou refletimos, nesse ato, pode não estar presente, no aqui e agora, ou mesmo nem existir o seu correspondente da realidade objetiva.

Podemos também fazer cálculos matemáticos complexos corretos e coerentes, mas existentes e possíveis tão-somente na realidade imaginária não havendo como concretizá-los nas condições objetivas reais e concretas.

Em outros termos, ser é tudo o que existe presente, representado ou ausente ainda, no espaço, no tempo e na velocidade, objetivamente, e tudo o que se supõe existir e o que está representado no banco de memória, subjetivamente.

O ser-real é o que se põe como existente, no aqui e agora, com qualidades em si mesmas e velocidade relativa, objetivamente. O ser-ideal é tudo que supomos existir ou que já sabemos existir no espaço, no tempo e na velocidade, e o que se pensa e imagina, subjetivamente, podendo materializar-se ou tornar-se presente como ser-real sob determinadas condições objetivas necessárias. Um e outro podem ser concretos, abstratos, autênticos, potenciais e virtuais.

 

 

CLASSIFICAÇÃO DO “SER”.

 

 

 

 

   SER

 

 

REAL

 (realidade objetiva)

 

            

 

IDEAL

 (realidade subjetiva)

 

CONCRETO

 

 

 

ABSTRATO

 

CONCRETO

 

ABSTRATO

 

Autêntico     (SRCA)

Virtual         (SRCV)

 

Autêntico     (SRAA)

Virtual         (SRAV)                                            (SRAV)

 

Autêntico     (SICA)

Virtual         (SICV)

 

Autêntico     (SIAA)

Virtual         (SIAV)

 

 

 

 

O ser-real é concreto autêntico quando tem conteúdo consistente — seja ele matéria, energia, ser vivo, objeto, fenômeno, ou fato —, mas presente, objetivamente, no aqui e agora.

 

 

O ser-real é concreto virtual quando o conteúdo consistente está ausente no aqui e agora, mas presente objetivamente em outro momento do tempo ou em outro lugar no espaço.

O ser-real é abstrato autêntico quando não tem conteúdo consistente e está presente, objetivamente, no aqui e agora, seja a forma, a vivência, a experiência, a relação, a qualidade, a igualdade, a diferença, a quantidade, a cor, os caracteres, a liberdade, o tempo, a velocidade, a ação, a reação ou assemelhados.

O ser-real é abstrato virtual quando há a representação objetiva, no aqui e agora, das idéias, dos conceitos, dos valores, dos universais, da beleza, dos reflexos, da moral, do bem, do mal, das significações e assemelhados, assim como as imagens físicas, as fotografias, mapas, gráficos, desenhos, signos, linguagem, etc.

O ser-ideal é concreto autêntico quando há a representação subjetiva do ser-real concreto autêntico. Presença na memória, aqui e agora, do seu homólogo ou correspondente na realidade concreta e autêntica.

O ser-ideal é concreto virtual quando há a representação subjetiva do ser-real concreto virtual, aqui e agora. Imaginação no lá e então ou aí e tão logo. Memória ou lembrança do passado, projetos, objetivos, metas, planos, missão, etc.

O ser-ideal é abstrato autêntico quando há a representação subjetiva do ser-real abstrato autêntico, aqui e agora. Manifestação presente do saber, conhecimento, pensamento, reflexão, abstração, raciocínio, sensações, emoções, sentimentos, sensos, vontades, desejos, intenções, estudos, etc.

O ser-ideal é abstrato virtual quando há a representação subjetiva do ser-real abstrato virtual, no aqui e agora. Ficções, aparências, fantasias, devaneios, sonhos, ilusões, etc.

Os elementos precisos acumulados, tanto no banco da memória quanto nas obras e registros externos, nessa relação ou vínculo entre o ser-real e o ser-ideal da coletividade em si, nas suas conexões intragrupais (sujeitos-objetos interativos), é que podem formar e sustentar o seu inconsciente-social, o seu subconsciente-social e o seu consciente-social para a sua consciência-coletiva de maneira desejável.

 

 

CONFIABILIDADE  E  CREDIBILIDADE  DAS  PROPOSIÇÕES.

 

As proposições[ii] se manifestam ou se apresentam diante de um cenário real onde se pode ver, assistir, sentir e perceber de maneira direta. Ou, verbalmente, nas relações sociais, quando podemos falar, dizer, ouvir, identificar e reconhecer. E, por meios representativos, simbólicos, quando se pode intuir, quer interpretar, expressar idéias, ler, escrever e quando queremos comunicar ou propor vontades, desejos, intenções ou sonhos; e, quando se quer observar as suas diferentes formas de aparecer para as entender.

Visto que as proposições podem ser verdadeiras ou falsas, surge a situação de confiar e crer ou duvidar e criticar após os devidos confrontos com o que já sabemos.

E, ainda, aquela situação de verificar e identificar sinais, indícios e evidências de confiabilidade e credibilidade quando nada sabemos daquilo que é proposto.

É preciso, então, precavermo-nos no sentido da busca de suas verdades.

Logo, quando nos deparamos com as proposições, não podemos deixar de lado os seus postulados principais[iii] no aspecto da confiabilidade e credibilidade.

Toda proposição poderá ser aproveitada após a sua aprovação geral. Para que isto ocorra, o conteúdo proposto deve ser apresentado na linguagem adequada e compreensível espelhando confiabilidade e credibilidade. Porquanto, as proposições verdadeiras são apoiadas ou reformuladas; e, as falsas, combatidas ou afastadas.

Os estímulos da realidade objetiva (ser-real) estão aí.

Contudo, necessariamente, há que subsistir a correspondente representação da verdadeira conexão estímulo-sensação-consciência resultante para o devido registro no banco da memória no passo da construção e reconstrução da realidade subjetiva (ser-ideal) da maneira precisa e autêntica.

O que é a verdade sem o confronto dessas duas realidades para verificar a exatidão das relações biunívocas de seus respectivos elementos? A verdade de uma proposição é demonstrada por meio de provas válidas no seu contexto. Um só erro de percepção, identificação ou de interpretação ou o registro de uma falsa informação na memória são suficientes para o equívoco da conclusão decorrente.

As proposições subjetivas surgem tão-somente dos elementos do ser-ideal do indivíduo para o seu interesse e para o uso próprio das vantagens decorrentes, ainda que incorporados pela experiência sensível. Por isso mesmo merecem mais cuidado do que as objetivas. Em síntese, o interesse particular pode deformar a verdade.

É preciso verificar e inteirar-se da verdade pela evidência e autenticidade das suas provas relativas, apresentadas e demonstradas. Porque as conseqüências das proposições mal formuladas ou falseadas não agradarão às partes envolvidas.

A verdade das proposições, então, toma a relevância de necessidade premente, também, em nível de interatividade e interação interpessoal.

 

Daí, classificarmos as proposições em dois conjuntos ideais ¾ a verdade e a mentira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 PROPOSIÇÕES

 (ser-ideal)

 

 

 

 

 

 

 

VERDADE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


MENTIRA

 

 

 

 

 

 

CONCRETA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ABSTRATA

 

 

CONDICIONAL

 

 

 

 


INCONDICIONAL

 

 

 

 

 

 

CONDICIONAL

 

 

 


INTENCIONAL

 

Autêntica

Virtual

Representativa

 

 

 

Axiomática

Autêntico-representativa

Virtual

 

 

 

 

Autêntica

Virtual

Representativa

 

Autêntica

Virtual

Representativa

 

 

 

 

VERDADE CONCRETA CONDICIONAL AUTÊNTICA.

Refere-se à exatidão da correspondência biunívoca entre os elementos respectivos de determinados subconjuntos homólogos do SRCA e SICA.

A verdade da proposição é a fiel representação ideal do real restrita às condições apresentadas.

Exemplos:

O homem necessita de afeto tanto quanto de alimento.

O homem, enquanto não saciado, tem necessidade.

 

VERDADE CONCRETA CONDICIONAL VIRTUAL.

Analogamente, refere-se aos conjuntos dos SRCV e SICV.

As verdades das proposições são reconstituições fiéis dos fatos reais passados ou acontecimentos reais futuros. 

Exemplos:

Os homens de antigamente pensavam que o mundo era quadrado.

Os transportes do futuro não serão como os de hoje.

 

VERDADE CONCRETA CONDICIONAL REPRESENTATIVA.

Refere-se às proposições da verdade condicional concreta autêntica, com certo exagero ou metaforicamente. 

Exemplo:

Um pescador tendo pescado um enorme lambari, diz:

— Pesquei um lambari do tamanho de um boi.  (hipérbole)

 

VERDADE CONCRETA INCONDICIONAL AXIOMÁTICA.

Refere-se aos postulados ou axiomas aceitos aprioristicamente.

Exemplos:

O homem é um ser essencialmente social.

Por um ponto passam infinitas retas.

O nada e o infinito são limites extremos inatingíveis pela realidade objetiva.

Na realidade subjetiva, a imaginação vai além das restrições da realidade objetiva.

Nem tudo que se imagina se põe como existente na natureza.

O tudo propende a excluir o nada. Ou tudo, ou nada.

Vazio é ausência de objeto. Há espaço no vazio. Ausência não é o mesmo que nada.

 

Neste grupo, incluem-se as verdades de razão ou as universais e necessárias.

 

VERDADE CONCRETA INCONDICIONAL AUTÊNTICO-REPRESENTATIVA.

São as proposições cuja correspondência biunívoca é mediata. Ocorre a relação SRCA e SICA por meio do SRCV.

Exemplos:

— Pedro deu um tiro no ladrão.

— Matou-o?

— Não. Quebrou o espelho.

 

Aqui está a Rua Tuiuti — disse Pedro colocando o seu dedo no mapa.

 

Sou eu quem está nesta fotografia.

 

As proposições verdadeiras em cena de um filme histórico são exemplos deste grupo.

 

Muitas das proposições matemáticas relativas à realidade objetiva são deste grupo.

 

 

VERDADE CONCRETA INCONDICIONAL VIRTUAL.

 Proposições de correspondência complexa. Há a relação entre o SICV e SRAV ou SRAA.

Exemplo:

Sonhei que ganhei milhões na loteria.

A proposições e relações matemáticas não relativas à realidade objetiva são deste grupo.

 

 

MENTIRA ABSTRATA CONDICIONAL AUTÊNTICA.

É quando o SIAA não está de conformidade com o SRAA e SRCA.

Exemplo:

Mesmo tendo pescado tão-só peixinhos, o pescador diz que pescou peixes enormes.

 

 

MENTIRA ABSTRATA CONDICIONAL VIRTUAL.

É quando não há conformidade entre o SIAV e o SRAV.

Exemplos:

Qualquer mapa incorreto ou espelho deformado mostra uma realidade distorcida.

 

Um pescador tendo pescado peixes de papel diz que pescou peixes de verdade.

 

 

MENTIRA ABSTRATA CONDICIONAL REPRESENTATIVA.

Ocorre quando não há coerência entre o SICA e o SRCA por interferência do SRCV.

Exemplo:

As mentiras numa cena de um filme histórico.

 

 

MENTIRA ABSTRATA INTENCIONAL AUTÊNTICA.

É quando não há conformidade entre o SIAA e o SRAA, por intencionalidade.

Exemplo:

Um pescador, nada tendo pescado, diz:

      Pesquei um dourado de uns dez quilos.

 

 

MENTIRA ABSTRATA INTENCIONAL VIRTUAL.

É quando não há conformidade entre o SIAV e o SRAV, por intencionalidade.

Exemplo:

Diz o namorado para a namorada:

— Sonhei que te beijei um milhão de vezes.

 

 

MENTIRA ABSTRATA INTENCIONAL REPRESENTATIVA.

Quando ocorre a mentira condicional abstrata representativa, de forma intencional.

Exemplo:

As mentiras numa cena de um filme de ficção.

 

 

 

Verdade de fato. Verdade de razão.

 

Com Leibniz surgiram as expressões verdade de razão e a verdade de fato.

Prosseguiram com Kant com os nomes de a priori e a posteriori.

Assim, as verdades de razão são a priori, isto é, vêm antes da experiência e desta são independentes.

E, as verdades de fato são a posteriori. Isto significa que vêm pela experiência e dela dependem.

As verdades de fato não têm outra origem a não ser pela experiência. Os enunciados das verdades de fato dão a significação de que foi de fato de uma certa maneira mas que poderia ter sido de outra, ou uma coisa é assim, mas que pode ser de outra forma.

As verdades de razão dão a significação de ser universal, consistente e necessário. Aquilo que é, é para sempre, para todos, em qualquer lugar e impossível ser de outro modo.

Daí, uma certa mesa quadrada dá a significação de uma verdade de fato, porquanto, ela poderia ter sido feita retangular, redonda ou de outra forma.

Entretanto, o quadrado é uma figura de quatro lados iguais entre si, formando quatro ângulos retos dá uma significação duma verdade de razão, eis porque não poderia ser de outra forma.

A idéia de quadrado será para todos, em qualquer lugar e em qualquer tempo, uma figura geométrica com quatro ângulos retos formados pelos seus quatro lados iguais entre si.

A priori ¾  verdades ou saber que vêm antes e independem da experiência.

A posteriori ¾  verdades ou saber que dependem e vêm da experiência.

Kant diferenciou uma e outra por meio de juízos analíticos e sintéticos.

Os juízos analíticos são a priori, ou seja, a relação entre o sujeito e predicado é pensada pelos princípios da identidade e da não contradição.

Os juízos sintéticos a posteriori só se exercem por experiência.

Os juízos sintéticos a priori são universais e necessários referindo-se à possibilidade e estrutura geral da experiência.

A partir de René Descartes desenvolveram-se as atitudes científicas e método científico[iv] no sentido de facilitar o encontro com a verdade quer nas pesquisas quer nos estudos e experiências científicas.

 

 

A relatividade da verdade.

 

Dado que a verdade é a tomada de conhecimento, sem erro, do confronto preciso entre as realidades subjetiva e objetiva, todo juízo sobre ela deve ficar restrito ao conjunto das condições e das relações consideradas. Basta que se mude o referencial, que falte uma condição ou que se acrescente um novo dado para que o juízo se transforme totalmente.

A história da laranja atribuída a Albert Einstein ilustra bem essa posição. Nela o sujeito joga a laranja para cima e ela volta para a sua mão, dentro de um trem em movimento.

Indaga-se:

¾ Que figura geométrica representa a real trajetória dessa laranja?

A verdade da resposta à questão proposta depende muito do universo das condições e das relações a ser considerado.

Se tudo estivesse parado com exceção da laranja que tendo subido e descido pelo mesmo caminho, por força da gravidade terrestre, a sua trajetória bem seria um segmento de reta, na vertical.

Tal reta pode melhor ser imaginada pelo observador dentro desse trem.

Não foi isso que aconteceu, porquanto, o trem estava em movimento. Nesta condição, a trajetória da laranja só poderia ser uma curva perfeita em relação à superfície da linha do trem. Essa curva poderá ser melhor imaginada pelo observador fixo fora do trem.

Ocorre que outras relações e outras condições existem, tais como os movimentos de rotação e de translação da Terra além de outros movimentos* que influem no nosso planeta e em conseqüência no movimento da laranja em questão. Eis por isso a verdade da resposta só é compatível no universo das condições restritas num dado conjunto referencial.

Como se pode observar e intuir, a real trajetória da laranja não pode ser uma reta e nem mesmo uma curva perfeita se considerarmos todas as influências sobre o movimento da laranja. Pode até ser uma espiral longa mas para calculá-la é preciso conhecer os elementos faltantes não definidos na questão proposta embora implícitos. Para entender tal trajetória, é bom imaginar como um observador fora do sistema solar e além das galáxias poderia visualizar o curso dessa laranja.

Portanto, há que se precaver diante das evidências, mesmo contra aquela verdade irrefutável pois esta pode ser uma verdade última no limite do seu referencial e dentro do determinado conjunto de condições e relações considerado. Basta inserir um novo dado para mudar a sua história e também não será a verdade integral e real para outros paradigmas.

Cada ponto de vista tem um ponto. Mudando-se esse ponto, muda-se a vista.

É preciso, pois, buscar a coerência e ajustar as contradições colocando-as nos seus devidos lugares relativos, ou nos seus paradigmas apropriados sem cruzar os seus referenciais. E, em se tratando das interações sociais, verificar a relação em mesmo nível de momentos quer biográfico-históricos ou histórico-biográficos.

Assim, no campo do conhecimento, não há aquela verdade absoluta válida para todos em qualquer tempo e lugar, não sendo possível outro modo, mas relativa ao conjunto dos dados, elementos, referenciais ou condições determinadas.

Daí, qualquer verdade em determinado sistema ou paradigma pode aparecer e parecer incoerente, absurda e ridícula sob o ponto de vista de outros sistemas e paradigmas.

No relativismo, nega-se qualquer verdade absoluta universal e necessária, em favor da verdade situacional, circunstancial, provisória, condicional, ou daquela que se restringe em seu determinado referencial e contexto.

Em conseqüência, pode-se observar que não se deve acreditar que um paradigma exclui o outro. Não poderá também ser ingênuo a ponto de generalizar tudo como crianças que dizem au-au para o gato ou miau para o cachorro. Para elas está correto assim; mas, quando adultas, pensarão diferente se discriminarem ou especificarem.

Ainda que haja rupturas e descontinuidades do conhecimento consolidado quer por vários séculos quer por tempo curto, as novas teorias deslumbrantes e revolucionárias não desestruturam nada do que está organizado sobre os alicerces da verdade relativa. Não se pode desprezar e desqualificar totalmente o senso comum, porquanto há muitas verdades relativas em seus pressupostos não só genericamente como dentro da ótica de determinado contexto considerado.

A física quântica e a teoria da relatividade trouxeram esclarecimentos reveladores e revolucionários, realmente. Contudo, elas não vieram para derrubar nenhuma teoria física ou de qualquer outro campo do conhecimento humano.

A física de Newton continua válida dentro de seus parâmetros, assim como a geometria euclidiana e a analítica de René Descartes da mesma maneira não foram destruídas nem mesmo afastadas por formulações multidimensionais. As complexas teorias propostas por Freud, Maxwell, Einstein, Lorentz, Heisenberg, Planck, Niels Bohr e outros vieram não só melhorar a reformulação de muitas teorias já existentes como também do nascimento de outras.

Daí, afirmar que o representacionismo que busca coincidência entre a realidade objetiva e a sua correspondente realidade pensada já era; que o determinismo está obsoleto; e, que o que está valendo agora é o princípio da incerteza; que tal teoria está furada; etc., vem tornar-se uma atitude temerária; porquanto, tudo o que funciona e é útil dentro de um contexto é válido para esse contexto, não para outro.

São inegáveis a beleza e a profundidade do que é complexo. Não há de se negar também que a coincidência, a incerteza, o acaso, o caos e a ambigüidade existem por si, e em si, cuja complexidade não admite intrusos que desestruturem a sua identidade própria.

Porquanto, não há de se negar com muito mais razão que a compreensão e o entendimento do complexo torna-o tão simples, admirável e gostoso quanto a ordem das nossas coisas, a regularidade do cotidiano, a sabedoria de não colocar a carroça à frente dos burros e a prioridade com a certeza absoluta de que vamos comer e beber mais uma vez.

Cada teoria está dentro do seu contexto, com as suas leis, os seus princípios e os seus fundamentos, características, definições, valores, padrões, paradigmas, aplicações, utilidades e finalidades próprias que podem diferir das demais. Mesmo no sistema holístico*, cada unidade (hólon) interligada ou em conexão com as demais unidades (hólons) tem o seu próprio contexto, ainda que possam surgir diferenças ou controvérsias com os contextos cada vez mais amplos, porquanto passíveis de acordos, conciliações, reconciliações, consensos e pactos.

Que o mundo era quadrado para a população mundial de uma época tinha validade para aquela população naquele contexto social, não para a atual. Pois, o sabor de uma teoria revolucionária está na adoção de uma nova atitude que melhora uma situação anterior. Sair de uma ilusão pelos olhos da razão e por isso morrer, de nada vai adiantar; mas, poder revivê-la com os olhos do coração não importa se o mundo é quadrado ou não. O que importa muito é que ainda ele existe, é real e é tocável; isto é, o essencial.

 



* Tomado por objeto. Bom lembrar que tomar por objeto, sobretudo, nas relações interpessoais, não significa desqualificar a pessoa ou coisificá-la, porém dar atenção especial para conhecê-la melhor. Logo, não é torná-la objeto ou coisa, mas objeto de conhecimento (objetividade). Assim como olhar para o interior (reflexão) é tomar a si por objeto. E também não se trata de diferenciar sujeito do objeto e vice-versa, nada havendo de incapacidade de estabelecer relação com o outro. Pelo contrário. A capacidade de estabelecer relação com o outro é a capacidade de tomar o outro por objeto e ser tomado por objeto pelo outro, mutuamente. Na relação interpessoal, há reciprocidade entre sujeitos na transação de informações e conhecimentos, permutando-se as posições entre si, ora como sujeito ativo do conhecimento, ora como sujeito passivo do conhecimento (intersubjetividade).

* Lincoln Barnett em “O universo e o Dr. Einstein” informa que a velocidade da rotação da Terra é de um mil e seiscentos quilômetros por hora, a de translação é de trinta e dois quilômetros por segundo, a do sistema solar no sistema estelar local é de vinte quilômetros por segundo. Por sua vez, o sistema estelar local move-se dentro da via-láctea na velocidade de trezentos e vinte quilômetros por segundo, e esta desliza em relação às galáxias externas na velocidade de cento e sessenta quilômetros por segundo ¾  e todas elas em direções diferentes. Isto, sem falar ainda que a Terra e a Lua giram em torno de um centro de gravidade comum.

 

* Sistema holístico. Refere-se ao holismo que diz respeito à tendência que se supõe seja própria do Universo, a sintetizar unidades em totalidades organizadas. O romancista Arthur Koestler, autor de “O fantasma da Máquina”, concebeu a sua “Teoria dos Hólons”. O termo hólon, dado por Koestler, vem do radical grego holos (unidade, todo) e do sufixo grego on  (parte de). Um hólon significa, portanto, tudo aquilo que é uma unidade em si mesmo e, ao mesmo tempo, parte de um todo maior. A teoria dos hólons propõe o conceito de que tudo está estruturado numa hierarquia, sendo cada elemento dessa hierarquia um hólon. Assim, uma letra é um hólon, contido dentro de  um todo maior (a palavra), contido dentro de outro hólon maior (a sentença), que por sua vez está contido em outro hólon maior ainda (o período). O período está dentro do parágrafo (hólon continente). O parágrafo no texto, e o texto no contexto, e assim por diante. O hólon interage com o hólon maior de que é parte, exercendo influência sobre ele e sofrendo sua influência. Nas controvérsias, no contexto das relações humanas, há o processo de ajustamento ou adequação. Elas podem ser resolvidas por acordo, conciliação ou reconciliação, consenso e pacto. E estes, passíveis de receberem subsídios dos recursos relativos advindos dos demais hólons da hierarquia. O objetivo e a missão holística no inter-relacionamento social é o restabelecimento do equilíbrio entre as diferentes unidades hierárquicas para uma sobrevivência boa para as partes, ao mesmo tempo em que boa para cada hólon maior continente (totalidade).



[i] Confronto, confrontação.

É a colocação frente a frente de duas unidades ou totalidades consideradas, ideais, reais, ou de suas partes respectivamente determinadas, com o objetivo de analisar, averiguar e observar a possibilidade de associá-las, separá-las, distingui-las segundo os caracteres definidos por semelhanças, diferenças,  igualdades, contradições, fatores comuns, ou de identidade.

Para as confrontações de objetos, elementos, fatores, fenômenos, fatos, idéias, eventos, partes, fragmentos, totalidades, proposições, vontades, desejos e intenções questionam-se ou indagam-se ou conferem-se os pressupostos, hipóteses ou inferências, objetivamente, para tê-los como certos, bem entendidos e compreendidos.

Recomenda-se, então, definir os termos usados e a questionar para se obter a clareza e a precisão da comunicação.

O confronto das respostas objetivas e diretas com aquelas supostas e subjetivas pode evitar desentendimentos e dissabores.

Melhor confrontar logo do que ficar adivinhando.

 

[ii] Proposição.

 

Proposição é toda formulação tanto negativa como afirmativa.

A proposição implica sujeito (S) e predicado (P). Distinguem-se segundo a qualidade, a quantidade, a modalidade e a relação.

 

Qualidade.

 

Afirmativa: S é P.

Negativa: S não é P.

 

Quantidade.

Universal: O sujeito é universal.

Todos os S são P.

Nenhum S é P.

Todo peixe é aquático.

Todo peixe não é um inseto.

Nenhum peixe é nenhum inseto.

Nenhum quadrado não tem nenhum dos seus lados ou ângulos diferentes entre si.

 

Particular: o sujeito é particular.

Alguns S são P.

Alguns S não são P

Algum brasileiro é naturalizado japonês.

Algum brasileiro não é naturalizado japonês.

 

Singular: Este S é P. Este S não é P.

 

Modalidade.

Necessária: Todo triângulo é uma figura geométrica de três lados.

Impossível: Nenhum triângulo é uma figura geométrica de cinco lados.

Possível: Alguns triângulos são escalenos.

 

Relação.

As proposições se distinguem segundo a relação com base no princípio da identidade (A é A, B é B), no princípio da não-contradição (A não é “não-A”) e no princípio do terceiro excluído (Ou A é B, ou A é “não-B”).

 

Contraditórias: Todos os S são P Û Alguns S não são P.

                         Nenhum S é P Û Alguns S são P.

 

Contrárias:        Todo S é P Û Nenhum S é P.

                         Alguns S são P Û Alguns S não são P.

 

Subalternas:      Todos os S são P Û Alguns S são P.

                                          Nenhum S é P Û Alguns S não são P.

 

Proposição com juízo hipotético: se isto, então aquilo.

Proposição com juízo disjuntivo: ou é isto ou não é isto.

Proposição com juízo apodítico: universal e necessária (afirmativa ou negativa).

 

A proposição pode apresentar-se como intencional, representativa, potencial, virtual, condicional, autêntica, ou não.

É também qualquer proposta ideal verdadeira concreta ou falsa abstrata. Em síntese, proposição é o enunciado que pode ser verdadeiro ou falso.

 

[iii] POSTULADOS PRINCIPAIS DAS PROPOSIÇÕES.

 

1. Toda proposição é confiável antes de classificá-la no conjunto pertinente.

2. Todas as proposições em estudo ou em dúvida racional são classificadas como verdade até prova em contrário (princípio da verossimilhança).

3. São verdadeiras as proposições que conferem com as suas homólogas reais.

4. Proposições são declarações, enunciados, postulados, alegações, solicitações ou opiniões e propostas. Portanto, pertencem à realidade subjetiva.

5. Nem todas as proposições merecedoras de confiança merecem credibilidade.

6. Todas as proposições merecedoras de credibilidade são antes de tudo confiáveis.

7. Confia-se, a priori. Acredita-se, a posteriori. Acolhem-se as proposições, mas só após as análises das provas e conclusões corroborativas, pode-se decidir pela sua credibilidade.

8. Toda proposição concreta virtual e representativa facilita o encontro com a sua homóloga concreta autêntica.

9. Toda verdade concreta autêntica, assim como todo ser real, tem a sua respectiva homóloga virtual e representativa.

10. Todo ser ideal (subjetividade) quando representa, com precisão, um ser real (objetividade) implica relações de correspondências biunívocas entre os elementos pertinentes, respectivamente, facilitadoras do entendimento.

11. Todas as proposições, em princípio, são confiáveis, mas passíveis de dúvidas e de críticas racionais.

12. Nenhuma proposição, em princípio, pode classificar-se como verdadeira sem ter passado pela dúvida e crítica racional, pela prova e pela demonstração evidente.

13. Nenhuma proposição, embora confiável, deve merecer credibilidade imediata, não dependendo da qualidade de sua autoria.

14. É inadmissível o uso de qualquer proposição classificada como falsa.

15. O que é bom para as partes e bom para o todo, ao mesmo tempo, é o objetivo das proposições verdadeiras.

16. A confiabilidade e a credibilidade são condições essenciais para a admissão de uma proposição como verdadeira.

17. A confiabilidade independe de comprovação e exame. Para a credibilidade, tais condições são indispensáveis.

18. Proposições falsas são as que não conferem com as suas correspondentes realidades objetivas, fenomênicas ou fatuais. As verdadeiras conferem, respectivamente, com a realidade.

 

[iv] ATITUDES CIENTÍFICAS.

 

 

A atitude científica confia nas razões da

dúvida e crítica

 

 

De princípio, confia-se, mas duvida-se de qualquer proposição para criticá-la com razões.

Não se duvida e nem se critica sem fundamentos. Esse procedimento é para se observar, entender a essência das variáveis contrárias, fazendo-as emergir à transparência mostrando a evidência e consistência das suas verdades.

As dúvidas emocionais e as críticas irônicas não são pertinentes ao paradigma do pensamento objetivo.

Porquanto, a dúvida e a crítica de fundo emocional ou sentimental se apóiam na crença, convicção com base em observações fragmentadas  e nas aparências, sem o cunho científico necessário.

As emoções podem levar o indivíduo a uma reação rápida sem tempo para pensar e os sentimentos ou as paixões podem conduzir às atitudes tendenciosas.

Toda atitude científica começa pela confiança.

Confiar é acolher no âmbito da fé sentindo firmeza ou segurança íntima no passo de duvidar e criticar, racionalmente, para poder crer. Crer é ter por certo. Entre a confiança e a crença pode-se criar um intervalo para duvidar e criticar do modo racional.

Por exemplo, confiar no filho é princípio e crer nele é finalidade. Pode-se, portanto, duvidar e criticar certa atitude do filho, ainda que nele se confie para se poder crer no seu desempenho respectivo.

A falta de confiança prejudica a postura crítica induzindo o cientista a dúvidas não racionais, ao dogmatismo, ao ceticismo e à arrogância.

A confiança em si dá o equilíbrio emocional. A confiança no objetivo é adquirida por meio da prudência, zelo, perícia, raciocínio e prestimosidade, com imparcialidade. Ambas as formas produzem a indispensável segurança e tranqüilidade.

Duvidar racionalmente é indagar com coerência e propor questões lógicas relativas. Para criticar é preciso um prévio conhecimento do objeto da crítica. Por exemplo, “é bom, faça” ou “é ruim, não é por aí”  —, críticas estas que requerem conhecimento prévio, o porquê e a indicação do caminho certo.

O pesquisador diante das atitudes científicas sabe, previamente, que raciocinar bem com dados incorretos, ou ainda que corretos mas com ausência de um só deles, dá no mesmo que raciocinar mal com todos os dados certos.

As atitudes científicas são posturas adequadas e disciplinadas ou posições seguras para a eficiência e eficácia do aprendizado, da pesquisa e da experiência científica. As seis atitudes principais são o determinismo, a parcimônia, a autoridade, a manipulação das variáveis, o empirismo e a generalização.

 

 

Determinismo.

 

O determinismo é a atitude tomada diante das conexões causa « efeito, motivo « conseqüência e razão « resultado.

Na atitude determinista, opera e trabalha-se, predominantemente, com a finalidade de procurar e encontrar a conexão certa, no parâmetro definido, pressupondo-se que todos os atos, coisas, objetos ou fenômenos, os fatos, idéias, comportamentos, condutas e os procedimentos têm, provavelmente, fatores determinantes. E ainda, que esses fatores podem ser detectados, identificados, interpretados e entendidos ou explicados pela experimentação e pela observação científica. É a aplicação do princípio da razão suficiente.

Também aqueles atos, fatos, fenômenos, idéias e eventos tidos como acidentais, ocasionais, por coincidência ou por acaso, do mesmo modo, não se efetivam a esmo. Não são universais e necessários, mas particulares e únicos, passíveis de serem pertinentes a um determinado contexto peculiar.

 

Parcimônia.

É a atitude cuja característica é a rejeição ou a recusa de explicações complexas, fantasiosas, fantásticas e racionalmente incompreensíveis a favor de explicações mais simples. Deve-se esgotar, antes de tudo, as explicações mais simples para depois partir para as especulações, hipóteses e para o estudo das mais complexas.

Deve-se observar, analisar e precaver-se de inferências oriundas de associação de fragmentos heterogêneos, materializações representativas ou simbólicas, afirmações complexas, raciocínio fragmentado e proposições absurdas ou incoerentes.

Precaver-se também de explicações generalizadas sem provas e sem  as devidas demonstrações objetivas e isentas de bases reais, concretas e autênticas. Neste sentido, deve-se observar, de maneira especial, aquelas explicações especulativas, futuristas, opinativas, hipotéticas, inclusas as fantasiosas, imaginativas, supersticiosas, sobrenaturais, as racionalizadas, místicas, ridículas, absurdas e as assemelhadas. Visto que violam a atitude parcimoniosa e costumam conduzir ou induzir as pessoas às convicções e às crenças racionalmente incompreensíveis.

Repita-se, ficar atento e precaver-se, sem, contudo, deixar de apreciá-las, mas depois de esgotadas todas as explicações mais simples, nos seus momentos oportunos e necessários.

Deve-se incluir também como não parcimoniosas, as causas de acontecimentos e coincidências atribuídas a fatores inexplicáveis como na mitologia e no pensamento mítico, ao modo das energias misteriosas e fictícias; ou, às entidades abstratas e às influências extraterrenas, os quais conduzem os menos esclarecidos ao auto-engano. A menos que sendo esclarecidos, pertençam, cultuam e subsistam em comunidades onde predomina o pensamento mítico.

Mas, não há que subestimar e nem superestimar o pensamento mítico enquanto fator de sobrevivência cultural de uma sociedade. Há situações em que o pensamento mítico num dado momento é incoerente sob o paradigma do pensamento lógico, contudo, revertendo o sujeito do simbolizado pode-se obter esclarecimentos valiosos sob um novo ponto de vista possibilitando acordo sem ferir os paradigmas respectivos.

Nem se deve desqualificar explicações não parcimoniosas, ainda que nelas não se possam crer como verdadeiras e irrefutáveis, ou mesmo que se presuma haver substitutas mais convincentes.

Porque, a consideração e o valor do equilíbrio psíquico são superiores a quaisquer verdades que possam desnorteá-lo.

E se acaso as tiverem para uma mudança saudável e ótima, querendo, deve-se fazê-la, paulatinamente, com zelo, prudência, perícia e prestimosidade, sem prejudicar o equilíbrio psíquico.

É, pois, no íntimo que a substituição opera ao desabituar-se da crença anterior.

A mudança brusca pode desestruturar irremediavelmente a vida de uma pessoa, principalmente, da que tem a fé total.

Neste passo, melhor sustentar a falsa fé que a faz sobreviver e a partir da base, aos poucos, de suporte em suporte, efetuam-se, querendo, as substituições pelos dados atualizados ou pelos elementos da verdade. Porquanto, a verdade fatual tem o seu momento, situação e maneira certa ou adequada para ser contada.

No âmbito do hábito e da crença não se deve tirar nada sem a reposição do melhor, ou se isto não for possível, sem causar maiores danos.

A fé e a ciência das provas, não obstante autônomas, cujos métodos e paradigmas próprios são reciprocamente incompatíveis, complementam-se para os reequilíbrios psíquicos e orgânicos a fim de preservar a espécie humana.

 

 

Autoridade.

Qualquer pessoa merece confiança, seja autoridade, especialista em certo assunto, de respeitável saber, ou não.

Contudo, a confiança implica no acolhimento e na consideração de idéias, propostas, proposições ou de quaisquer outras manifestações para os devidos questionamentos a fim de tê-las por certas, independentemente da qualidade de autoria, fonte, pessoa, autoridade, técnica, poder, prestígio, especialização, influências e indicação, não devendo subestimá-las, nem as superestimar, sobretudo, não se recomenda desqualificar as isentas desses atributos.

Desta forma, acolhemo-las no âmbito da fé, tanto mítica quanto subjetiva e objetiva. Entretanto, adotamos uma postura crítica diante delas para não violarmos a atitude científica. É bom que se busque as explicações necessárias para as questões que devem ser levantadas.

É justamente questionando os argumentos da autoridade é que esta nos dará melhores e devidos esclarecimentos para uma aceitação, em termos, das suas proposições.

Muito embora respondidas, satisfatoriamente, as nossas questões, e dissipem todas as nossas dúvidas, ainda assim, as corroborações fáticas relativas são imprescindíveis.

Não é porque quem disse foi a maior autoridade no assunto, ou está escrito em livros de notória aceitação, a idéia ou a proposição em questão não devam ser postas em dúvidas e críticas racionais ou questionadas.

Não se está questionando a pessoa em si mas a dificuldade de uma visão melhor e mais ampla da idéia ou da proposição em questão para um entendimento específico e compreensão em sua plenitude.

Por outro lado, é preciso levar em conta que o mestre é humano e por isso mesmo tem o direito natural de equivocar-se.

Houve época em que as sumidades ou as maiores autoridades do mundo pensavam que o nosso planeta era o centro do universo e muitas vezes maior do que o Sol. E todo o mundo acreditava que o Sol é que girava em torno da Terra.

E, isso, ainda na época de Nicolau Copérnico (1473 – 1543), Galileu Galilei (1546 – 1642) e de Johann Kepler (1571 – 1630), os pioneiros que provaram o contrário.

Quando se tratar de saúde é preciso não só questionar bem os preceitos dos médicos especialistas consultados mas também os exames laboratoriais nos quais eles baseiam e se orientam.

À menor dúvida racional, repetir os exames em outros laboratórios confiáveis e questionar resultados controversos apurados.

Demais disso, deve-se entender e conferir os termos da bula do remédio receitado com os esclarecimentos médicos e da receita com caligrafia legível. Houve farmacêutico que leu durabolin em vez de duvadilan nos garranchos de uma receita médica. Às vezes, é preciso, ainda, observar bem e analisar objetivamente indícios de falsificação do produto, e qualquer dúvida, questionar o fabricante.

A característica principal da autoridade autêntica é justamente acolher no âmbito da fé as questões formuladas e respondê-las com a máxima clareza e prestimosidade.

Portanto, é bom aprender a indagar e questionar a autoridade com base e objetividade para receber dela as informações acertadas e devidas com fundamentos esclarecedores, óbvios e indispensáveis para operar com confiança, credibilidade, boa-fé e maior segurança.

 

 

Manipulação científica das variáveis.

Manipular as variáveis é uma atitude científica no passo de certificar-se das condições de causalidade real, concreta e autêntica.

Se dois eventos parecem estar associados e quer-se verificar se esta relação é de fato causal ou simplesmente acidental, a forma de agir é mudar ou manipular as suas variáveis e observar o resultado. Mude a ocorrência de um evento e veja o que acontece ao segundo. Muitas vezes esses eventos são considerados como causa e efeito. Entretanto, a suposição de que um produz o outro pode ser falsa. Eis porquanto, pode haver a possibilidade de que ambos sejam causados por um terceiro evento. Estabelecendo as devidas correlações através da manipulação das variáveis dependente e independente pode-se verificar se há uma relação direta entre a causa e o efeito. É preciso ter a certeza de que o evento atribuído como causa, realmente, produziu o outro tido como efeito.

 

Empirismo.

A origem do empirismo está no encontro da verdade pela experiência.

A constância de certos resultados na prática induz definir um conceito geral fundamentado na verdade das suas provas respectivas.

Nem mesmo uma fotografia é o bastante para provar um fato. Pode servir tão-somente como um dado ou indício. Eis porquanto, pode haver a possibilidade dela não ser autêntica, ante a avançada tecnologia fotográfica aliada às intenções ou interesses particulares de certas pessoas, ou aos erros impessoais, às imperfeições ou ilusão de ótica.

Assim, há a possibilidade, na circunstância do evento, de influências dos efeitos atmosféricos, dos balões de pesquisa, inclusive imprecisão do material fotográfico utilizado, tais como, filme fora de validade, sujeira nas lentes, inaptidão ou descuido momentâneo do fotógrafo, do revelador, etc.

É necessário conferir. Por exemplo, para se poder confiar e crer na existência de determinado disco voador de origem extraterrestre não basta apenas olhar para uma fotografia mostrando isso.

A atitude empírica exige valoração, validade da prova, confrontação, observação direta adequada, verificação no local, comprovação experimental e a reconstituição do evento real, no espaço e nas condições idênticas. Ainda, assim, é preciso considerar o relativismo, a ilusão de ótica, outras possíveis causas, ilusionismo e os efeitos especiais para quase se ter a certeza absoluta.

Ao empírico interessa o fenômeno, o ato e o fato de modo irrefutável e incontroverso. Busca o real, a sua evidência, o concreto e o autêntico. Necessita do exame acurado e a verdade da prova.

A atitude empírica faz questão das análises, da indução, do método experimental e do estudo direto, no espaço, no tempo e na velocidade da produção do evento, do fenômeno ou do fato, bem como das repetidas reproduções no passo da ratificação, ou da formulação de uma lei geral para novos conhecimentos. Daí, obtida a lei geral ou universal pode-se partir para as conseqüentes deduções e às suas avaliações específicas considerando os princípios empíricos.

A atitude empírica, em síntese, é ver e sentir no real concreto autêntico, na prática e na experiência científica para poder pensar em crer. Eis porquanto, ainda, ele vai checar a precisão dos instrumentos utilizados, as reais condições físicas e psíquicas suas e as dos seus colaboradores, conforme exija a finalidade do procedimento usado, no passo da análise da validade e da precisão das percepções, identificações e interpretações.

 

 

Generalização.

Na aprendizagem ingênua, principalmente, na primeira infância, pode-se admitir tendência de generalizar tudo, associar fragmentos heterogêneos e as menores semelhanças ou aparências, mesmo que a extensão seja muito vasta com um mínimo de compreensão.

Contudo, à medida do crescimento biológico e psicológico, por meio de seguidas correções, a extensão acaba se tornando um mínimo para uma vasta compreensão.

Por exemplo, se você repetir várias vezes para um bebê, que mal começou a falar alguma coisa, sempre diante de um cachorrinho: ¾ “olha aí, o au-au!”. Esse bebê tão logo avistar um gato pela primeira vez, ele balbuciará: ¾ “au-au, au-au...”

Nas relações interpessoais, deve-se levar em conta, à medida do possível, em que nível de extensão discriminatória se posiciona cada qual com relação à compreensão do geral e do específico.

Eis porquanto, numa relação com o bebê acima quando ele balbuciar au-au não devemos receber essa informação como sendo apenas o cachorrinho, enquanto persistir a sua associação generalizadora, nesse passo. A adequação, então, para uma relação saudável é situar-se num mesmo paradigma, em mesmo nível de momentos biográfico-históricos e histórico-biográficos, respeitando o limiar de compreensão no contexto de desenvolvimento em que cada qual se encontram aptos.

Admite-se uma generalização desde que exista a comprovação real respectiva. Não bastam os indícios ou a indicação da fonte. É necessário que haja caracteres reais concretos comuns, os dados essenciais e as condições dos atos e fatos que deram causa, motivo e razão à generalização.

A generalização é o processo de pensamento que reconhece, ou faz reconhecer com exatidão, caracteres comuns a uma série de elementos do ser-real possibilitando, com isso, ampliar a extensão de um conceito aceito ou completar a de um novo conceito ou idéia.

Por isso, porque dizem que é de conhecimento de todos não é motivo suficiente para se acreditar. É óbvio que é preciso questionar em busca de mais elementos, razões e informações para poder aderir à crença geral.

Por exemplo, a crença geral ¾  onde há fumaça há fogo ¾ é um conhecimento intuitivo incontroverso mas só assimilado depois de saber o que é fogo e o que é fumaça, além de ter visto e associado a fumaça ao fogo.

Entretanto, há situações em que há fumaça e não há fogo mais. O vento sopra, apaga o fogo e leva a fumaça para bem longe dali em direção ao céu. Onde está o fogo dessa fumaça?

E, também, há gases sem origem no fogo que parecem ou são como fumaça. O gelo-seco (anidrido carbônico sólido), por exemplo, solta “fumaça” para todas as direções.

Essa expressão, ainda, é utilizada como forte argumento ou como indicativo evidente de outros eventos e situações tidos como similares induzindo conclusões por comparação ou analogia e, por isso mesmo, devem ser demonstradas por meio da apresentação das provas respectivas.

Num determinado momento, dada a semelhança da nova situação com aquelas regulares, anteriormente notadas, a ingenuidade pode induzir o indivíduo a erro de percepção, ou ilusão de ótica, fazendo-o admitir e crer numa generalização inadequada.

Ocorre que, por mais que se note um objeto, regularmente, não se pode precisar todos os seus detalhes só de memória. Logo, não é possível uma comparação precisa de um novo objeto sem aquele de referência estar diante do observador. Por ter indícios comuns, ele pode perceber, identificar e interpretar de maneira habitual e crer tratar-se de caracteres reais concretos comuns. Em conseqüência, pode classificar o todo pelo indício comum de maneira inadequada. Tal como confundir o bolo todo com uma de suas fatias ou seus ingredientes, gato com cachorro, cobra com lingüiça, etc.

Daí, podemos dizer que estamos sujeitos a ter por certo o que pode estar errado. Tal registro no banco de memória, ao mínimo sinal, ativa a reação em conexão, podendo resultar em desastre.

Compreende-se a generalização pela extensão de um princípio, de uma lei ou de um conceito aplicáveis a todos os casos permissíveis. Daí, a atitude científica da generalização proporciona a cautela e o cuidado a ser tomado diante de eventos regulares e de proposições universais. Porquanto, podem não resultar como regra válida para todas as situações parecidas ou idênticas. Pode-se até incorrer no erro induzido pelo senso comum e naquelas generalizações sem o cunho científico. Isto, ainda, sem se referir à quantidade e diversidade de erros induzidos proveniente de decisão a partir da generalização de fenômenos, fatos, idéias e proposições verossímeis.

 

 

O MÉTODO CIENTÍFICO.

 

É o modo de adequar um caminho correto para ser seguido com técnica, ordem, regularidade, procedimento e metas na direção da total compreensão do que se propôs conhecer, fazer e desfrutar. Tal adequação é efetuada nos fluxos das conexões sujeito « objeto no sentido da formação e depuração das idéias e raciocínios. Essa adequação também se refere ao uso seleto não só dos instrumentos úteis mas das técnicas necessárias, indispensáveis para a eficiência e eficácia da experiência na obtenção do resultado pretendido. Por exemplo, não é adequado apertar ou desapertar um parafuso com a ponta de uma faca, visto que há a chave de fenda no tamanho certo.

O método científico proporciona cuidados para se evitar interferências que possam induzir a erros ou aos desvios e às incoerências ou às contradições, na formação da conclusão e da decisão certa.

A observação objetiva é levada a efeito na classificação, seriação e seleção que se fizerem necessárias considerando as relações e interações em condições reais.

A esses cuidados somam-se os recursos indispensáveis do controle, credibilidade e segurança escolhendo ambiente adequado e higiênico sem interferências, além da observação das variáveis consideradas, alvo certo, tempo, velocidade e precisão instrumental de tal sorte que as operações de demonstração de uma certa verdade ou das investigações e pesquisas dos novos conhecimentos estejam, realmente, no passo de sua validade, exatidão e eficácia.

Na metodologia científica observam-se e consideram-se as dúvidas e críticas racionais e as atitudes científicas, já comentadas, a proposição, o confronto, a descrição, a hipótese, a tese, o postulado e o axioma, a demonstração, a comparação, a indução, a dedução, a interpretação, a classificação, a seriação, a seleção, a estruturação, a experiência, o relativismo e o pensamento lógico que utiliza os princípios da identidade, contradição, razão suficiente, causalidade e do terceiro excluído. Distinguem-se, assim, a ciência e a técnica, a verdade de fato e a verdade de razão, a reflexão e a verificação, a análise e a síntese; e, a teoria e a prática. Contudo, o método científico está aberto às reformulações, reconstruções e reinvenções aplicáveis às novas realidades não dispensando a coerência nos fluxos das conexões existentes, possíveis, prováveis ou por existir.

 

 

Descrição.

A descrição científica exige clareza, exatidão, objetividade, inteireza e registro da forma, conteúdo, utilidade, função e das características essenciais sem supérfluos e isento de pareceres, ou opiniões, numa linguagem denotativa, concisa e entendível.

A descrição científica dá estrutura no esclarecimento das definições. Eis porquanto, toda definição fornece o que é, o como, o porquê e o se do sujeito da proposição.

Pode esclarecê-la com exemplos, gráficos, dados estatísticos e ilustrações objetivas e mostrar, na linguagem descritiva, a diferença específica do sujeito em definição com relação aos seres do mesmo gênero, bem como observar a sua utilidade, a sua função e a enumeração das provas.

Logo, a descrição de um fenômeno, pessoa, coisa, objeto real ou ideal, de uma cena, ato, instrumento, máquina, móvel, imóvel, ferramenta ou de qualquer outra coisa deve mostrar o seu conteúdo, forma, função, identificação, finalidade específica e caracteres objetivos essenciais que torne o que é descrito, inconfundível.

 

Hipótese.

Condição básica possível admitida apenas para argumentar ou raciocinar.

Proposição condicional admissível como um princípio apenas para as operações do raciocínio cuja conclusão, embora correta, pode, ou não, ocorrer na realidade.

O princípio hipotético vem sustentar a demonstração de tese na qual se utiliza uma série de deduções, cuja conclusão correta é válida apenas na esfera racional, no contexto considerado.

Na realidade dos fatos, a hipótese é apenas possibilidade a ser ratificada. Logo, a correta dedução decorrente tem validade na confirmação real e concreta da hipótese que a sustenta.

Convém aqui diferenciar possibilidade de probabilidade. Possibilidade é a qualidade de um evento ser possível de ocorrer. Probabilidade é medida em números e são eventos que podem ocorrer dentro de uma totalidade de casos possíveis. Por exemplo, um bom dado de seis faces numeradas de l a 6, respectivamente, quando jogado, há a totalidade de seis casos possíveis de sair um número com a face voltada para cima. Na primeira jogada cada número tem possibilidade de sair mas a sua probabilidade é apenas 1/6 (um para seis).

No campo das hipóteses, mesmo que haja indícios suficientes para a confirmação de uma delas, ainda que a sua probabilidade seja próxima de cem por cento, é preciso muita calma, tolerância, paciência, prudência e cuidado para não se precipitar.

De sorte que se recomenda não considerar uma conclusão hipotética como efetiva, real, verdadeira ou definitiva, reagindo ou agindo da maneira antecipada e intempestiva.

Isto quer dizer, repita-se, que não se deve reagir, agir, atuar ou interagir nem antes de sua confirmação de fato e, nem após, quando já pode não haver mais ocasião para o efeito ou para a conseqüência desejada.

Vale aqui registrar que são preferíveis a prevenção e a prudência à preocupação advinda da crença em hipóteses e à situação de ter que fazê-las. A prudência evita a preocupação. E, a prevenção, a perda de tempo fazendo hipóteses. A situação preocupante é comum depois da imprudência e imprevidência praticada.

A convicção antecipada ou a crença cega em hipótese pode colocar o agente no risco da decepção e da amargura, além de perdas materiais, de tempo e de energias biológicas, inutilmente.

 

Tese.

Tese é proposição demonstrável fundamentada em princípios, postulados, axiomas, leis, condições e hipóteses que a sustentem.

A tese dialética é um princípio demonstrável, uma proposição ou uma declaração, aceitável até prova em contrário, ou enquanto incontroversa. Ela pode ser argumento, opinião ou um ponto de vista, cuja negação denominamos antítese.

A conciliação entre as duas pode resultar em uma nova tese chamada síntese.

 

Dialética.

Dialética é a arte do raciocínio, do argumento e da discussão de forma coerente e conciliatória com o fito de encontrar a verdade, sem interferências emocionais, por meio de oposições e reajustes de contrariedades ou de contradições coerentes,  subjetivas ou objetivas.

Neste campo é preciso definir os termos empregados, separar o essencial do acessório além de distinguir os diversos paradigmas que se cruzam na mistura dos  três modos de pensar (pensamento mítico, subjetivo e lógico).

 

Antítese ¾ qualquer proposição que opõe a tese por contrariedade, ou por contradição.

 

Exemplo.

 

Todo A é B. (tese)

Algum A não é B. (antítese ¾ contraditória)

Nenhum A é B.  (antítese ¾ contrária)

Todo A é B, se ou quando ...   ou A não é B  só na hipótese de ... (síntese)

Nenhum A é B, tão-só na hipótese de ... (síntese)

 

 

ARGUMENTAÇÃO DIALÉTICA.

A argumentação é um conjunto ordenado de proposições em que uma delas, a conclusão, é inferida das demais — as premissas —, com a finalidade única de convencer ou persuadir. Diferente da demonstração lógica que parte da premissa universal verdadeira, a argumentação parte da premissa genérica verossímil. Por essa razão admite a oposição dialética.

No discurso argumentativo, qualquer que seja a diretriz de ação, ao menos, uma das maneiras da argumentação se faz necessária para o seu objetivo que é o de influir e convencer. Para influir, convencer ou persuadir é preciso propor. Para propor com eficácia deve fundar-se em premissas evidentes, consistentes ou verossímeis. O verossímil é a confiança prévia por força da possibilidade da crença geral ou o que se admite até prova em contrário. Assim, as pistas, os indícios, vestígios e os conhecimentos fragmentários que possam levantar fatos ou formar um conjunto probatório podem subsidiar a construção da proposição que conduza a admissão de outra. Ou seja, a partir das premissas seletivas verossímeis pode-se construir uma argumentação decisiva. Mesmo nos diferentes casos em que a demonstração lógica se faz prevalecer em certo discurso, a argumentação relativa pode fazer o papel de dar ênfase à conclusão ou à decisão no plano corroborativo ou de ratificação.

Toda argumentação ótima requer estudos prévios, análises, confrontos, seleção, analogias, pesquisas e conhecimentos específicos relativos ao assunto tratado, além da colocação acertada e coerente do argumento adequado no contexto da sua apresentação.

Não se argumenta contra os fatos objetivos evidentes em si e por si mesmos, porém contra fatos presumidos, pressupostos ou hipotéticos e contra as testemunhas desses fatos verossímeis que são passíveis de ilusão de ótica, auto-engano, ou de mera convicção segundo valores próprios, do senso comum ou sob influência da idéia deformada, opinião dogmática, preconceito e sob domínio de outrem ou da sua própria subjetividade.

Contudo, a autêntica argumentação é o ato de argumentar da maneira ética e disciplinarmente que significa recolher, produzir, colacionar as provas e as mostrar além de fornecer causas, motivos e razões dentro de uma forma específica num universo restrito ou relativo. É aduzir os diferentes raciocínios baseados nos argumentos selecionados com o fim de convencer, persuadir, influir ou provar a verdade da proposição inicial ou a da idéia central sem paralogismos e sofismas.

Argumento é o raciocínio que procura levar os dados e recursos probatórios a uma conclusão acertada e necessária, ou pelo qual se tira uma conseqüência, resultado ou dedução. Selecionar argumentos é decidir sobre os determinados argumentos que conectam com a linha de ação, os quais vêm esclarecer melhor a idéia proposta, ou melhor definir a validade da conclusão.

A conclusão, por sua vez, deve ser observada dentro do seu universo restrito cuja decisão decorrente, lembrá-la como possível de ser reconsiderada diante de possíveis elementos novos que influam na mudança do paradigma prevalecente. Porquanto, é preciso antes de tudo reconhecer que a universalidade, a generalidade e a particularidade se colocam em diferentes planos com relação à geração de conclusões decisivas.

A universalidade tem validade para todos os casos previstos nos limites determinados ou estabelecidos, em qualquer tempo e lugar, quer na realidade subjetiva, quer na objetiva, ou em ambas, do modo finito ou tendendo ao infinito. A generalidade vem ser o correspondente da universalidade, mas no plano dialético, porquanto é uma espécie de indeterminabilidade ou própria da incerteza. O objeto sensível permanece incerto e é indeterminado tal como o particular o é. A particularidade é específica, ou seja, que não pertence a todos os indivíduos da mesma espécie considerada, mas a alguns deles, e até mesmo, a um só deles.

Daí, tem-se uma conclusão apodítica ou científica quando se a obtém partindo de proposições universais, verdadeiras e primárias, ou delas derivadas. Tem-se uma conclusão dialética, quando se a obtém de opiniões gerais. Tem-se uma conclusão sofística, quando se a obtém com base em meras aparências de fatos ou opiniões que não o são efetivamente. Tem-se uma conclusão incompleta, deficiente, equivocada, ou falsa, quando se a obtém com base em proposições particulares. Proposições particulares são aquelas cujo sujeito é um termo particular.

As principais argumentações utilizadas são a demonstração específica, o procedimento dogmático, a tópica e a redução ao absurdo. Os argumentos mais comuns são: a contrario sensu, ab auctoritatem, ad hominem, ad rem, a fortiori, a maiori ad minus, a minori ad maius, a simile, exemplar, etc. Quaisquer que sejam os argumentos usados, todos visam a despertar uma atitude de crença no sentido do destinatário aceitar a influência e adotar o proposto ou sugerido.

Contudo, é preciso vacinar-se contra os argumentos manipulativos.

São manipulativos todos os tipos de argumentos usados para finalidades não éticas que beneficiam exclusivamente particulares ou cujas vantagens decorrentes da persuasão se destinam especialmente para o interesse do manipulador.

Os manipuladores de pessoas procuram especializar-se na retórica e artes dramáticas para persuadir elementos do seu público alvo, parcial ou totalmente, para deles extrair vantagens para si mesmos ou para beneficiar pessoas do seu exclusivo interesse, não se responsabilizando pelos danos e perdas decorrentes dos efeitos de sua arte e técnica de convencer e persuadir, implementadas de modo premeditado.

DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA.

A teoria da demonstração baseia-se na idéia de evidência diante da qual qualquer pensamento lógico deve ceder, opondo-se, assim, à teoria da argumentação que admite a possibilidade dialética. No plano do raciocínio demonstrativo, toda prova se reduz à evidência, porquanto o evidente prescinde de provas. Contudo, nem toda prova é concebível  como redução à evidência. Há fatos evidentes onde a simples demonstração fornece a sua verdade. Mas há também fatos evidentes e justos dentro de uma realidade particular, mas absurdos no contexto histórico, em outros paradigmas ou no plano universal.

A demonstração específica argumentativa refere mais aos valores generalizados e particulares ou específicos. Há os valores universais que são formais. Mas é muito mais extensa a existência de valores particulares.

Ocorre que, o que vale para um indivíduo pode não valer para outro, ou para um todo maior. Enquanto que a demonstração lógica prima pela universalidade, a argumentação opõe-se a essa idéia, porquanto se prima pela validade particular e restrita. Daí a demonstração específica utilizada no contexto argumentativo tem validade apenas no universo restrito, relativo ou particular. Portanto, a argumentação com base na demonstração específica, tal como qualquer outro tipo de argumento, pode estar sujeita a refutações relativas.

PROCEDIMENTO DOGMÁTICO.

O dogma é entendido como expressão correspondente a princípio fundamental não discutível nos limites estabelecidos ou aceitos no geral. Daí, a regra, a norma, a lei, a convenção, o costume geral, o senso comum, o pacto, a competência, a doutrina, por exemplos, são tidos como princípios dogmáticos ou de autoridade sistemática.

O procedimento é satisfazer o dever da prova do que se afirma respondendo pelo que diz dentro das regras estabelecidas ou aceitas no geral.

Não é suficiente a simples apresentação de prova. É preciso avaliá-la. O valor da prova é importante. Por isso se verifica a sua validade dentro dos preceitos estabelecidos. Se não for autêntica a prova, esta é rejeitada, podendo levar consigo ou derrubar de roldão a estrutura de sustentação da defesa de tese, em favor da sua antítese (contrária, ou contraditória).

A argumentação dogmática como qualquer dos argumentos, pelo seu próprio fundamento, não significa nem equivale à verdade fornecida pela demonstração lógica.

A argumentação dogmática inicia com o questionamento da consistência de um conflito de dúvida ou alternativa incompatível que exige uma decisão por permitir mais de uma resposta.

Verifica-se se há de fato a dúvida e se esta é consistente e procedente. Depois se ocupa da consistência fática das alegações, articulando um fato em relação a um autor. A definição consiste na proposição de um objeto direto que modifica o conteúdo do fato, admite-se, mas outra coisa, discutindo-se a relação entre o fato e o seu sentido característico aceito.

Em que pese à definição, no questionamento argumentativo, ser partidária, porquanto ela é usada no interesse das partes, qualquer que seja a forma de conduzir à produção da convicção, o efeito da decisão decorrente deve ser bom para as partes e bom para o todo, ao mesmo tempo. Deve-se observar essa condução com a atenção voltada para a possibilidade da demonstração lógica e aplicá-la quando se permite.

A conclusão argumentativa dogmática não é universal e necessária.

Contudo, estando pertinente ao dogma representativo da vontade geral, pactual e disciplinar, poderá corresponder à verdade relativa para uma decisão válida no respectivo contexto restrito.

Tal decisão conclusiva deverá permitir a sua ratificação e estar aberta à crítica e a novos questionamentos que podem ser tão amplos a ponto de pôr em xeque o próprio dogma no qual se fundamentou.

Com isso, há a possibilidade, mesmo que remota, da sua desestruturação, ou da sua substituição por um novo princípio dogmático. Em conseqüência, a argumentação dogmática prima pelo dever de prova pelo seu caráter de pretender a validade persuasiva das suas asserções na produção da convicção sem sombras de dúvidas.

A TÓPICA.

A tópica é uma técnica que pensa o problema como um dado, informação, pista, situação ou algo que oriente a argumentação que resolve o impasse, que propõe problemas em função das opiniões, que assinala sugestões e que aponta a solução, possibilidade ou o melhor caminho aceitável. Neste passo, a tópica possibilita encontrar premissas verossímeis e selecionar respostas das indagações relativas ao problema. As diferentes respostas podem mostrar a amplitude do problema. As comuns, na totalidade, tendem a determinar uma conclusão aceitável ou com menor risco de erro. A tópica, repita-se,  não leva a argumentação ao rigor da lógica e nem permite a redução das decisões a silogismos, mas dá ênfase ao uso das distinções, redefinições, reavaliações, analogias, interpretações, reinterpretações, ironias, ambigüidades, reconstruções, etc. Veja Nota de fim n.º 16 – página 219.

REDUÇÃO AO ABSURDO.

No plano da argumentação, diz-se absurda àquela conclusão impossível de ocorrer ou quando a demonstração decorrente de certa proposição conduz a uma conclusão manifestamente inaceitável.

A argumentação por redução ao absurdo é subsidiada pelos demais tipos de argumentação no sentido de tornar as conclusões seletivas como realmente impossíveis e inaceitáveis excluindo-as em favor de uma determinada tese que vai se colocar como a única plausível nas condições restritas consideradas. Neste tipo de argumentação é preciso dizer o porquê do absurdo, o porquê da inadmissibilidade de uma alternativa considerada. E esse porquê deve ser evidente ou plenamente aceitável para a exclusão dessa alternativa em favor da análise de outra alternativa até sobrar pelo menos uma plausível. A argumentação por redução ao absurdo pode ser usada para responder uma certa questão com diversas alternativas que, à primeira vista, parecem estar corretas, mas somente uma atende as condições solicitadas. Procura-se o absurdo de cada alternativa e a elimina até sobrar uma que não há como conceber um absurdo. Esta é a única aceitável, ou seja, só pode ser essa a certa porquanto nas outras são evidentes o absurdo. Quando a exclusão é feita por falta da evidência plena ou da convicção sem sombra de dúvidas é preciso ratificar as respectivas decisões.

A prova pelo absurdo começa admitindo uma proposição como possivelmente verdadeira. Aplicam-se a ela as regras lógicas de demonstração para mostrar que as suas conseqüências ou conclusões são inaceitáveis.

Por exemplo, para entender explicitamente que “por um ponto dado fora de uma reta só é possível traçar uma só paralela a ela”, embora axiomática a proposição conhecida como postulado de Playfair (John Playfair, 1748-1819) equivalente ao postulado de Euclides, pode-se procedê-la à demonstração por redução ao absurdo.

Começa admitindo que a única reta traçada pelo ponto dado é uma paralela à reta dada. Demonstra-se que se aquela reta traçada por aquele ponto dado não for uma paralela à reta dada, qualquer uma de suas duas extremidades vai encontrar com a reta dada, mesmo na proximidade do infinito. O que é um absurdo porque contraria a definição de paralela. Qualquer outra reta que passe por aquele ponto vai de encontro com a reta dada, se não for por um dos seus dois sentidos será pelo seu oposto, contrariando também a definição de paralela, o que é um absurdo. Logo, a reta traçada só pode ser a única paralela à reta dada que passa por aquele ponto fora dela.

No plano da argumentação procede de modo análogo mas procura mostrar que determinada afirmação entra em choque com o geralmente admitido, com a crença geral, com os conceitos do senso comum ou com as opiniões gerais tradicionalmente válidas. Analisam-se, analogamente, as demais proposições colocando-as todas na situação de ridículas diante da opinião geral. Daí, conclui-se, finalizando, que excluídas todas as proposições apresentadas, por serem ridículas (absurdas), a proposição inicial supostamente considerada como verdadeira é a única admissível.

A CONTRARIO SENSU.

Significa: pela razão contrária.

Conclui de uma proposição admissível, pela proposição que lhe é oposta, por se encontrar tacitamente excluída. Por exemplo, se há uma decisão especificamente determinada, a contrario sensu os demais casos não estão abrangidos.

Na argumentação jurídica, há a situação em que tudo o que não está proibido está permitido. Se uma certa conduta, procedimento ou comportamento não está de modo explícito terminantemente proibido, será a contrario sensu considerado como permitido ou indiferente.

Enquanto o argumento por analogia se apóia no princípio da semelhança, o argumento a contrario sensu se fundamenta no princípio da diferença. Ambos partem do particular para chegar no particular, não traduzindo num princípio lógico. O princípio da diferença exige um critério para dizer quando um caso é diferente do outro.

AB AUCTORITATEM.

Trata-se de um argumento que procura provar uma tese qualquer, com uso dos atos ou das opiniões de uma autoridade no assunto ou de um grupo distinto constituído de elementos reconhecidamente de alto saber. O argumento de autoridade apóia-se no prestígio da pessoa ou do grupo invocado.

É comum o advogado recorrer à jurisprudência em busca de apoio para a sua tese, ou citar nomes reconhecidamente aceitos como autoridade em certos assuntos, principalmente, autores de livros notoriamente consultados pelos juristas. E, observe-se que há jurisprudências divergentes sobre o mesmo caso, além de erros crassos em autores avidamente lidos.

É comum escritores citarem em suas obras, renomados autores, especialistas e ilustres cidadãos para reforçarem as suas explicitações.

Contudo, é preciso saber questionar ou contra-argumentar. É preciso conhecer a fonte da autoridade cujo texto é evidente e inquestionável para permitir curvar-se.

Uma das atitudes científicas diz respeito ao princípio da autoridade quando aconselha questionar no ato de seu uso. Não só se recomenda questionar a autoridade como também se acautelar do que dizem. Porque o que dizem pode estar implícito dando margem às más interpretações. Principalmente, quando a informação não é dada diretamente da fonte.

O questionamento se faz necessário para tornar explícito o que está implícito, cuja explicitação termine na situação de sem sombras de dúvidas.

Quando se questiona por meio da dúvida, da postura crítica e das indagações relativas obtêm-se os devidos esclarecimentos e, em conseqüência, um novo aprendizado ou apreensão de conhecimento antes ignorado.

Há um tipo de argumento que trata do mesmo argumento porém do modo invertido que também deve ser questionado de modo igual com mais razão.

Consiste em refutar uma determinada proposição recorrendo a uma autoridade odiosa ou rejeitada pela maioria:

― Melhor do que isso fez Caryl Chessman. Embora tenha conseguido prorrogar a sua execução, por várias vezes, os seus livros de grande sucesso mundial foram insuficientes para o seu perdão. Ele foi condenado à morte, inapelavelmente! ― Maquiavel, em sua notável obra, já dizia isso como também reis e príncipes. Ainda hoje, há presidentes de grandes nações que, não tanto quanto Hitler seguiu à risca, aprovam esse conselho!

Porquanto, não é porque os médicos sabem das doenças ― têm autoridade para diagnosticar, tratar doentes e receitar remédios ―, não devam ser devidamente questionados pelos doentes quando a eles se submetem. E também não é porque Caryl Chessman fez certas coisas louváveis para compensar as abomináveis sirva de analogia para que se presuma como correta a refutação, ou possa se convencer por esse argumento.

Por outro lado, por mais odiosa que seja uma pessoa de autoridade, ela pode fazer ou ter dito algumas coisas boas para todos. A questão não é ir contra a autoridade atribuída ao sujeito, à sua posição de autoridade, ou a sua pessoa, seja esta boa ou má, amada ou odiada. Mas a favor de suas verdades que vêm beneficiar a todos e contra as suas mentiras ou incoerências cujos efeitos prejudicam quando se põem como fatos.

Assim, a verdade que beneficia a todos, seja o seu autor quem for, será protegida e defendida. Contudo, não o sujeito mas a sua mentira prejudicial deverá não só ser combatida, mas banida da realidade objetiva. Com mais razão, da realidade subjetiva.

AD HOMINEM.

Argumento que limita a validade de uma tese ao que cada qual está disposto a ceder, conceder, aos valores que se reconhecem, aos fatos com o quais concorda, sem desqualificar o adversário.

A argumentação se restringe ao que se está disposto a conceder em favor das conclusões a que se quer chegar ou provar. Contudo, nem sempre isto ocorre.

AD REM.

Argumento relativo ao assunto em foco ― por oposição a ad hominem.

Diz respeito a coisas ou a verdades aceitas, universalmente. Refere-se a provas que sustentam a validade de uma tese em função de fatos ou verdades em que se fundamenta. Incluem-se como forças probatórias os raciocínios pelo encontro da causa do fenômeno depositando a validade da tese na sua demonstração. Os raciocínios pelo encontro do local que privilegia ou enfraquece os comportamentos de acordo com o lugar onde ocorreram os fatos ou o fenômeno. Também o fator temporal relativo à ocasião dos acontecimentos e o fator de como ocorreram certas ações relacionadas com o fato ou com o fenômeno considerado.

Nota-se, daí, que o raciocínio do argumento ad rem está voltado ao estudo e análise do porquê, do onde, do quando e do como, relativos ao assunto em foco, atribuindo-se maior ou menor peso na argumentação.

PARADOXO.

O paradoxo é contra-senso. Contrário ao bom senso. É uma opinião que contraria uma opinião comum. Não significa contrariar a razão, mas é uma opinião sustentada sem convicção para causar admiração aos ouvintes. Logo, não é uma proposição para convencer ou persuadir. Contudo, a afirmação, na mesma frase, de um conceito com aparentes contradições chocando o senso comum pode dar abertura às idéias novas revolucionárias ou inserir um argumento eficaz que pode surpreender.

Por mais paradoxal que pareça uma idéia, pelo seu próprio fundamento, exige-se cautela para não se cair no ridículo.

A FORTIORI.

Significa: com tanto mais razão. É preferível o que pertence ao melhor. Por mais forte razão. “Se Deus, pois, veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã será lançada ao forno, não vestirá ele tanto mais a vós, homens ...? (Mateus)”.

Argumento preferido pelos advogados para derrubar argumento oposto feito menor. Significa: com tanto mais razão. Representa a passagem de uma proposição para uma segunda, para a qual deve valer as mesmas razões da primeira, e ainda com mais força. Ou a passagem de uma quantidade a outra da mesma natureza de tal sorte que a primeira não possa ser atingida sem que a segunda o seja também.

Exemplo:

Se o Edmundo foi convocado para o lugar de Romário, por tratar-se de artilheiro, como justificou Leão, com tanto mais razão ele deveria ter convocado o Dill do Goiás, pois, o Dill é o artilheiro do Campeonato João Havelange, que já com 20 gols marcados supera-o em oito gols. E, ainda, há outros artilheiros que mereciam igual tratamento, principalmente, o Magno Alves (Fluminense), o vice-artilheiro, com 19 gols. Agora, não há como não chamar o Ademar do São Caetano que contra o Grêmio fez o seu 22.º gol.

Vejamos outros exemplos a fortiori em torno de um mesmo caso:

“... urge registrar que o tormento eventualmente acarretado pela presente medida liminar aos usuários do transporte ferroviário prestado pela ré deve ceder lugar à segurança que se lhes quer garantir, ...”

“... A se suspender o transporte ferroviário pretextando riscos inerentes à segurança dos passageiros, pelo mesmo raciocínio, e a fortiori, dever-se-ia igualmente sustar o tráfego de ônibus, a locomoção aérea e as viagens aquáticas”

“... a questão não é discutir qual é o tormento maior ou preferível: o tormento decorrente da paralisação temporária de determinadas composições ferroviárias ou o tormento do medo da morte, ou o tormento das vítimas e seus familiares decorrente de negligência, imprudência e imperícia administrativa. Por mais forte razão seria discutir a solução mais fácil para resolver tais tormentos e não os deixar que ocorram repetidamente. Sustar os demais tráfegos é questão de discutir o que fez um, o que não fez outro, deixou de fazer, ou o que responderam, recompensaram e provaram para continuar merecendo aplausos, o perdão e a credibilidade de sua clientela. Razão maior do que isso é responder pelo que faz e diz, além de satisfazer o dever de prova do que afirma para que tormentos como os referidos possam ser evitados, muito facilmente, bastando apenas à ré acostar aos autos a respectiva comprovação determinada.”

 A MAIORI AD MINUS.

Trata-se de um argumento que implica relação ou construção de hierarquias. Passa da validade de uma situação mais extensa para a validade de outra mais curta. Apóia-se em juízo de valor semelhante ao argumento a fortiori já visto. Observa-se que o argumento procura mostrar que aquilo que já é aceito e reconhecido num caso maior, o de menor extensão deve merecer igual tratamento com tanto mais razão.

A MINORI AD MAIUS.

De modo análogo ao argumento a fortiori e a maiori ad minus funda-se em juízo de valor. Passa da validade de uma circunstância menos extensa para a validade de outra mais extensa. Por exemplo, se a imprudência merece ser apenada, tanto mais o comportamento delituoso deliberadamente intencional.

A SIMILE.

No universo das comparações que lida com as semelhanças e as diferenças ― implicando, na maioria das vezes, as associações, os confrontos, paralelos, analogias, as exclusões e os contrastes ―, a manifestação de juízos exige, no âmbito da argumentação, antes de tudo, uma atenção ou uma atração para a sua compreensão mais fácil. É aí que reside a relevância da argumentação a símile que vem colorida pela metáfora para externar uma analogia argumentativa numa expressão colorida, simples, condensada, compreensível, vivaz, amena e muitas vezes, decisiva. O símile é tropo. É comparação metafórica. A força dada no exagero do grau de semelhança visa, sobretudo, a tornar mais clara e compreensível uma idéia nova.

Contudo, a símile é o argumento que se refere à comparação de dois casos entre si, considerados como semelhantes, concluindo que se a mesma hipótese é válida para ambos, as mesmas conseqüências igualmente são válidas. Usa os recursos da analogia.

EXEMPLAR.

A força do argumento exemplar está na autoridade dos exemplos apresentados.

A exemplificação na explicitação é feita por semelhança e pela dessemelhança. Exemplos semelhantes fortalecem a linha de pensamento adotada. Os exemplos dessemelhantes expõem em relevo ou ratificam uma conclusão oposta. Quanto maior a semelhança dos exemplos com o fato ou objeto da argumentação mais convincente a torna. Quanto maior a dessemelhança dos exemplos com o fato ou objeto da argumentação mais convincente torna a contra-argumentação.

O argumento exemplar segue o mesmo caminho da indução lógica. Parte dos exemplos seletivos e efetivos para uma generalização verossímil.

A conclusão é válida até prova em contrário. Invalida um exemplo com um outro que o contradiga.

Restringe a extensão das regras: ela só vale para apartamentos não para sobrados.

Modelo é exemplo especial e é apresentado como algo digno de ser seguido. O antimodelo é o seu contrário. Mostrado  como algo que não deve ser imitado.

 

ANALOGIA.

Analogia é identidade de relações. Semelhança de função entre dois elementos, dentro de suas respectivas totalidades. O raciocínio por analogia serve-se da indução parcial e da abdução. Conclui do particular para o particular, em razão de uma semelhança.

As suas inferências não traduzem uma conclusão universal. Pela comparação com o conhecido procura-se inferir ou explicar o desconhecido, o complexo, o novo, ou o raro com base em algo comum ou em alguma semelhança dando-lhe a possibilidade de igual consideração.

A conclusão por analogia é possibilidade ou probabilidade só nos fornecendo pistas ou indícios para uma certeza relativa. Por isso é preciso cuidar-se de que as aparências enganam e nem sempre onde há fumaça há fogo.

O raciocínio usado nas analogias é comum na retórica (arte de persuadir) e na argumentação dialética.

A lógica admite que a analogia é um procedimento conclusivo que pressupõe pelo menos duas premissas, e na qual ocorre uma passagem de uma proposição particular para outra particular ou de uma geral para outra geral, mas nunca, da geral para a particular e nem da particular para a geral.

Dentro de um universo restrito quando é possível aplicar o mesmo paradigma a todos os casos semelhantes, o raciocínio por analogia parte de situações conhecidas ou de regras validadas para determinados casos dentro de um sistema para poder analisar situações desconhecidas ou novas no sentido da possibilidade de aplicar a mesma regra com base nas suas semelhanças essenciais.

O uso da analogia no plano da argumentação é muito amplo. Contudo, é preciso muita cautela para não fazer falsas analogias, porquanto, até mesmo dentro de um mesmo sistema, certas conclusões, por analogia, podem ser invalidadas. Por isso, é preciso saber selecionar as semelhanças essenciais procurando a certeza de que cada semelhança tenha fundamento com validade no sistema pertinente.

A conclusão decisiva proveniente do argumento por analogia requer subsídios do método indutivo, dedutivo e os demais hipotéticos com situações de ratificações, das análises e sínteses corroborativas, uma vez que a argumentação envolve situações particulares, restritivas, dialéticas, de pressupostos e de fatos verossímeis que implicam a convicção até prova em contrário.

Por exemplo, o uso da analogia em direito tem apoio no princípio geral de que se deve dar o mesmo tratamento a casos semelhantes.

Assim, demonstrada a semelhança  entre dois casos, pode-se aplicar a norma válida de um para o outro não regulado.

Mas, há situações que isto pode não se aplicar por mais semelhantes os casos entre si.

Às vezes, até por um único dado relevante ou, em se aplicando, poderá ocorrer injustiça por um único dado imperceptível não semelhante e, ainda, pode haver imprecisão visto por um paradigma mais amplo.

Por isso, as conclusões decisivas decorrentes do argumento por analogia devem estar abertas a reconsiderações e reformulações. Veja também na página 257.

 

 

CONTRA-ARGUMENTAÇÃO.

Contra-argumentar é usar o raciocínio para convencer o contrário do proposto.

Na contra-argumentação utiliza-se o mesmo tipo de raciocínio do argumento na forma de antítese fundada em fenômenos, eventos, fatos, exemplos, casos, modelos e situações idênticas, semelhantes e análogas, contudo, diversos daqueles apresentados que opõem ou anulam de maneira decisiva os fins do propósito da argumentação usada. Acresce-se a esse raciocínio todos os demais tipos de argumentações com argumentos coerentes com o caso ou assunto, de preferência, os lógicos. A demonstração racional e objetiva fundada em princípios universais derruba qualquer tipo de argumento.

Por isso, recomenda-se, sempre que possível, lançar mão das atitudes e métodos científicos e a demonstração pelo pensamento objetivo que superam e podem liquidar toda espécie de argumentação dialética.

 

 

Verificação.

Verificar é comprovar a verdade de um enunciado ou de uma afirmação ou apurar a veracidade de um fato. É confrontar, conferir e averiguar o desenvolvimento de um raciocínio ou de uma demonstração para a sua correção, analisando e discutindo a sua conclusão no passo da comprovação de sua verdade.

A verificação funciona como demonstração no passo da ratificação da verdade de uma proposição, ou da condução de uma experiência e respectivo resultado.

 

 

Demonstração.

A demonstração é a exposição clara, concisa e metódica de um conjunto de idéias e dos diversos raciocínios ordenados (abdutivo, indutivo, dedutivo e hipotéticos) para, utilizando-se de conceitos, axiomas, princípios, postulados, pressupostos, instrumentos, materiais, condições e recursos inerentes autênticos conhecidos, definir ou provar uma tese discutindo a conclusão, no sentido de sua irrefutabilidade.

O objeto da demonstração é o esclarecimento ou a explicação que estabelece a verdade da conclusão cujo argumento e deduções verificadas comprovam a correção da proposição que lhe deu origem por ter base em premissas verdadeiras.

 

 

Comparação.

É o confronto para conhecimento das semelhanças, diferenças e relações.

A comparação envolve grandeza, qualidade, quantidade, cor, beleza, medida, aptidão, capacidade, valor, diversidade e outros fatores tendendo à formação de conjuntos específicos de elementos com essências, conteúdos, características iguais, semelhantes, ou diversificados. E, ainda, pode formar um grupo de dois ou mais elementos sendo um deles o elemento tomado como modelo ou padrão de confronto.

Pela comparação é que podem surgir grupos definidos com elementos padronizados, outros com elementos homogêneos, ou heterogêneos.

A classe, a série e a seleção de elementos que podem formar uma estrutura ou uma unidade organizada para um certo objetivo, fim ou missão, não se prescindem do princípio da comparação adequada.

Daí, a sua importância como um método indispensável de opção, escolha, determinação, decisão e deliberação na organização ou na estruturação de qualquer classe de elementos, de qualquer série de elementos ou de classes, ou de qualquer seleção de elementos, de classes ou de séries.

 

 

Raciocínio.

Raciocínio é qualquer razão discursiva que se faz para chegar à intuição ou a partir dela, no processo de conhecimento (produção de novos, de reconstrução ou de obter noção).

Os raciocínios fundamentais são a abdução, a indução e a dedução.

Diferente da intuição, o raciocínio produz conhecimento tão-somente através de demonstrações e provas.

O raciocínio é o pensamento no processo de conhecimento que envolve vários atos intelectuais desde os estímulos, as sensações físicas e psíquicas, observações, percepções, identificações, reconhecimentos, interpretações, confrontos, comparações, diferenciações, associações, imaginações, reflexões, sucessões de idéias, memórias, meditações, pesquisas, inferências e consciências até as mais profundas introspecções. Tais recursos, além de outros, podem ser utilizados pelo raciocínio cuja finalidade única é a conclusão verdadeira do que se propõe conhecer, saber ou ter ciência.

Logo, diariamente, fazemos uso desses diversos raciocínios, uma vez que cada juízo, ação, decisão, escolha, opção, determinação, atitude, comportamento, conduta, procedimento e movimentação provêm das nossas inferências e conclusões relativas, sejam estas automáticas pelo hábito, imediatas pelas evidências, ou sejam através de concentrações do pensamento mais demoradas. A abdução, a indução e a dedução são os raciocínios ditos fundamentais.

 

 

Abdução.

A abdução é a busca da conclusão, passo a passo, por meio da interpretação objetiva de sinais, signos, indícios, vestígios, pegadas, fragmentos e associações de pistas que indicam situações ou caminhos a serem perseguidos. A abdução usa dos recursos da intuição e demais sensações psíquicas, e em especial, a especulação. Pode ser considerado também como abdução o raciocínio por analogia, exclusão e redução por absurdo, porquanto se conclui do particular para o particular, em razão de uma semelhança, ou em razão da dessemelhança, quando certas inferências ou pistas são excluídas por serem absurdas, ou ridículas e incoerentes.

Às abduções seguem a indução e dedução, as quais podem por elas ser subsidiadas.

 

 

Indução.

É o método usado pelo pensamento lógico para estabelecer uma verdade universal começando pela análise dos fenômenos ou dos fatos observáveis.

Pela constância, freqüência ou repetição de um fenômeno pode-se avaliá-lo por meio das diferentes observações estabelecendo-se uma lei geral.

Vai das partes para o todo.

O raciocínio inicia-se do particular para terminar no geral.

Do fato específico estabelece-se a norma, a lei ou a regra e o princípio.

Exemplo.

¾ Soube-se que a candidatura do Agenildo foi impugnada porque ele cumpriu pena em condenação por furto. A de Andronaldo por tráfico de drogas, a de Aristófanes por roubo e a de Xisto por estelionato.

¾ Logo, infere-se que todo cidadão com antecedente criminal não pode ser candidato.

Observe-se que de casos ou situações particulares semelhantes, parecidas, ou iguais, chegou-se a uma lei geral.

O processo indutivo pode ser utilizado na argumentação partindo de lugares-comuns, associações de fragmentos, indícios, pistas, abduções e partes coerentes de uma totalidade indeterminada para chegar à generalização ou a um todo  verossímil.

 

 

Dedução.

Dedução é o método no sentido contrário da indução. Vai do todo para as partes.

A dedução é usada no pensamento lógico para estabelecer uma verdade indo do geral para o particular.

O geral refere-se a princípios verdadeiros e precisos já sabidos ou conhecidos, que por raciocínios sucessivos chega a uma conclusão para uma situação específica tornando-a evidente e conhecida.

No raciocínio dedutivo parte-se de uma verdade universal conhecida para demonstrar que ela se aplica a todos os casos individuais iguais. A base do raciocínio no método dedutivo é o silogismo.

O silogismo é uma argumentação na qual, de um antecedente que une dois termos a um terceiro, conclui-se um conseqüente que une esses dois termos entre si.

Exemplos.

Todo A é C. B é A. Logo, B é C.

Todo candidato com antecedente criminal é inelegível. Brumêncio é candidato com antecedente criminal. Logo, Brumêncio é inelegível.

Das três proposições que constituem o silogismo, as duas primeiras são premissas. A última, conclusão. A primeira é a premissa maior; a segunda, premissa menor.

A maior é universal afirmativa ¾ Todo candidato com antecedente criminal é inelegível.

A menor é individual afirmativa  ¾ Brumêncio é candidato com antecedente criminal.

Entre a maior e a menor há uma idéia comum ¾ candidato com antecedente criminal. É o termo médio.

As duas premissas têm termos denominados extremos.

O termo extremo maior no caso é: inelegível.

E o extremo menor é: Brumêncio.

A função do termo médio é ligar esses extremos.

A ligação é a inferência que dá a proposição chamada conclusão.

No exemplo, a conclusão é individual afirmativa ¾ Brumêncio é inelegível.

 

 

Outros modos.

 

Todo A é C. Todo B é A. Logo, todo B é C.

Todas essas três proposições são universais afirmativas.

 

Nenhum A é C. Todo B é A. Nenhum B é C.

A maior é universal negativa, a menor é universal afirmativa e a conclusão é universal negativa.

 

Nenhum A é C. B é A. Logo, B não é C.

 

A maior é universal negativa, a menor é individual afirmativa e a conclusão é individual negativa.

Há sessenta e quatro modos possíveis dos quais dez são válidos que combinados com as quatro figuras resultam dezenove formas válidas de silogismo.

As figuras referem-se às posições do termo médio nas premissas e os modos são os tipos de proposições das premissas se universais, particulares, negativas ou positivas.

O silogismo tem validade, ou só é válido, com as premissas verdadeiras, evidentes, indemonstráveis e causa da conclusão lógica.

 

Segundo Aristóteles há o silogismo dialético e o científico.

O dialético permite argumentos contrários, pois as suas premissas são opiniões sobre o possível e o provável. Por isso é próprio da retórica que prefere a emoção e o sentimento à razão na sua arte de persuadir.

No silogismo científico não há premissas contraditórias porque as suas premissas são universais necessárias e a sua conclusão é irrefutável, mas exige demonstração. O silogismo científico segue regras especiais sem as quais invalida a sua demonstração.

A dedução científica parte do gênero (genérico) e associa espécies diferentes (específicos) que se tornam gêneros de novas e variadas espécies para definir o indivíduo na classificação geral.

A exposição do raciocínio dedutivo é feita em função do universo da premissa maior enumerando os sujeitos da premissa menor, indícios, os fatos, as condições e os argumentos válidos, exclusão de hipóteses absurdas e outras considerações pertinentes numa seqüência coerente até à especificação e à sua compreensão total.

 

 

Interpretação objetiva.

A expressão interpretação objetiva está ligada ao cuidado especial que se dedica em retirar as camadas de impurezas de uma certa verdade encoberta para que ela possa se apresentar em seu inteiro teor e tornar-se inteligível, coerente, sem contradições ou de representá-la no seu sentido exato para um entendimento claro e sem sombra de dúvida.

Na linguagem, comunicação, investigação, nas relações, fatos e eventos, na exegese, hermenêutica, predição e previsão, ou no controle e domínio de uma situação onde a percepção, identificação e demais instrumentos e recursos são insuficientes para que haja o entendimento preciso ou para uma compreensão segura e necessária, urge a intervenção da interpretação objetiva.

Por aí se intui que a interpretação objetiva exata, além do conhecimento relativo e dos recursos que atendem às necessidades imediatas ou prementes, exige os do pensamento e das suas faculdades e demais instrumentos, inerentes à verdade do fenômeno, do fato ou da idéia em questão, ou de sua expressão, para o seu correto entendimento.

Por exemplo, dado que os estímulos presentes são percebidos e os estímulos adiante, identificados, a sua interpretação como constantes é dada pela observação científica e análise das sensações regulares relativas.

Neste passo, a interpretação objetiva representa a busca ou pesquisa, a análise ou o estudo e consultas amparados pelo controle e pensamento lógico, pela verificação experimental e pela observação científica, repita-se, para poder explicar e esclarecer o verdadeiro sentido de um estímulo complexo.

Interpretar, em síntese, é fazer corresponder ou representar, de modo compreensível e claro, a verdade de certas ocorrências ou de situações obscuras. É buscar o entendimento do estímulo complexo ininteligível que se faz presente para um juízo correto.

 

 

Classificação.

É a distribuição ordenada de elementos em uma ou mais divisões, grupos ou classes na formação de uma ou mais séries, conjuntos ou órgãos segundo um critério de seleção, sistema ou método adotado, com base nas suas semelhanças e diferenças.

Na natureza há uma quantidade inumerável de coisas ou seres tanto diferentes quanto semelhantes.

Mas, basta haver duas ou mais coisas semelhantes entre as diferentes, ou duas ou mais coisas diferentes entre as semelhantes, que efetuamos comparações e tendemos a separá-los em dois grupos ou séries, sendo um, só de coisas semelhantes e o outro só de coisas diferentes, ou grupos diversos cada qual com os seus elementos próprios semelhantes entre si.

E, de conformidade com a importância, efetuamos uma classificação geral conforme o critério de seleção por diferenças específicas.

Neste passo, é relevante o trabalho da dedução científica quando partindo do gênero (genérico) associa espécies diferentes (específicos) que se tornam gêneros de novas e variadas espécies.

E as semelhanças parecem ser mais simpáticas.

Por isso, pode-se dizer que associamos logo as semelhanças e deixamos para depois as diferenças.

E, muitas coisas semelhantes não precisam nem ser agrupadas ou associadas porque elas já estão sempre juntas ou umas perto das outras.

Por exemplo, um bando de formigas, de abelhas, pássaros, de gente, um cardume, as folhas de uma árvore, um minério, as areias da praia, etc.

Todos esses grupos são tão diferentes entre si que podem ser associados segundo a adoção do critério de semelhança ou de diferença específica em dois conjuntos maiores, como por exemplo, em seres animados e seres inanimados.

Entretanto, as diversas maneiras de associar as semelhanças chegam a ser tão interessantes que as buscamos até dentro das coisas que nos parecem totalmente diferentes.

Assim, buscamos semelhanças quanto à cor, forma, conteúdo, característica, aspecto, função, estrutura, atitude, espécie, conjunto de itens, ocorrência, processo, tamanho e tudo quanto é tipo de semelhanças pelo qual um fenômeno pode ser descrito.

Até mesmo as semelhanças entre os elementos materiais e os estruturais, ou entre os elementos estruturais e os aspectos funcionais podem ser associados.

Este processo de descobrir semelhanças entre os fenômenos naturais, seres, coisas, objetos, fatos, bichos, pessoas, etc. e efetuar uma distribuição segundo um critério de seleção e ordem entre as suas semelhanças e diferenças é um dos métodos fundamentais da ciência e que damos o nome de classificação científica.

É muito mais fácil, econômico, simples, prático e inteligível lidando com as coisas classificadas nos seus devidos lugares do que mal arranjadas, mal permutadas e mal combinadas, isto é, desorganizadas ou bagunçadas, caóticas, ambíguas, incertas, complicadas, complexas e indeterminadas que nos deixam em situações de impasse, de incompreensível solução imediata.

 

 

Seriação.

É formação de séries.

A série é uma sucessão ordenada de elementos de uma classe segundo critério adotado, ou uma seqüência de divisões, órgãos ou classes ordenadas que formam um conjunto, um sistema ou uma estrutura organizada.

Logo, pode haver uma série de elementos de uma mesma classe ordenados segundo um determinado critério assim como pode haver uma série de classes ordenadas conforme outro critério, contudo, dentro de uma estrutura organizada.

Nas séries são observadas e levadas em conta a ordem, os arranjos, as permutações, as combinações, a organização e a classificação.

Na formação de séries e na classificação implica, necessariamente, a seleção objetiva que veremos a seguir.

 

 

Seleção.

É a deliberação fundamentada para a escolha, determinação e decisão acertada para classificar e seriar tão-somente os elementos indispensáveis e imprescindíveis para o fim desejado ou para determinado objetivo de uma estrutura organizada.

A seleção de elementos na formação de classe ou série se faz através da observação, análise e síntese, estudo e comparação levando em consideração o critério de avaliação adotado para o  atendimento ao fim desejado.

A seleção deve ser objetiva e criteriosa de conformidade com o objetivo definido.

 

 

Estruturação.

Refere-se à estrutura que significa disposição e ordem das partes de um todo.

Estruturação é o ordenamento das partes principais ou seletivas, em séries de classes interligadas, no qual se forma ou se dá a sustentação do todo.

É a integração da classificação, da seriação e da seleção na formação de um todo organizado.

 

 

Experiência.

Prática, conhecimento, vivência e experimentação.

Experiência ou método científico de experimentação consiste no controle do que se observa num fenômeno, evento ou fato e nas interações e relações, sob certas condições, no passo de extrair novos conhecimentos a eles inerentes.

O método da experiência tem sito utilizado para a eficácia de determinado resultado no passo de sua pureza ou aperfeiçoamento. Pode ser efetuada por reproduções de experiências ou práticas anteriores ou por meio de simulacros.

A indução e a análise são os procedimentos fundamentais na prática do método experimental. Contudo, a intervenção  no curso de um fenômeno experimentando as variáveis de seu aparecimento e desenvolvimento no passo de achar invariantes e constantes permite ao cientista a formular hipóteses.

Manipula as variáveis, observando inúmeros fatos decorrentes e formula uma hipótese. Efetua novos experimentos e induções para verificar a hipótese.

Se confirmada,  ele alcança a lei do fenômeno estudado.

Este procedimento chama-se hipotético-indutivo.

Definida a lei, pode-se formular novas hipóteses deduzidas desse conhecimento adquirido e assim prever novos fatos e fazer outras experiências que podem conduzir aos novos conhecimentos.

Este novo procedimento chama-se hipotético-dedutivo.

 

 

Identidade.

A é A, B é B, C é C ...

O que é, é. O que não é, não é.

Todo ser é igual a si próprio. Para poder conhecer e pensar qualquer coisa é preciso perceber e dar-se conta da sua identidade.

Não há identificação sem este princípio de que o que é, está definido como igual a si mesmo tal que não pode ser confundido.

 

Contradição.

Conhecida também como princípio da não-contradição.

A não é “não-A”.

Assim, é impossível que algo seja e não seja ele mesmo, ao mesmo tempo e na mesma relação. Uma coisa, ou idéia, que se nega a si mesma deixa de existir ou simplesmente não existe.

 

 

Razão suficiente. Causalidade.

Dado A, necessariamente, ocorre B.

Dado B, necessariamente, ocorreu A.

O princípio da razão suficiente é conhecido como princípio de causalidade.

Como já visto anteriormente, repita-se, tudo que há, é, existe, acontece ou que venha a existir ou acontecer não só pode ter como tem a sua razão, o seu motivo, a sua causa ou a sua natureza de ser, suscetível de ser explicada, entendida e conhecida pela razão.

As ocorrências casuais, acidentais e as coincidências são casos particulares.

Embora tenham, respectivamente, as suas origens, finalidades e a natureza de ser não são consideradas universais e necessárias.

 

 

Um princípio para ser considerado universal é preciso ser válido e verdadeiro para a razão objetiva geral para sempre e em qualquer lugar.

Para um princípio ser considerado necessário, é preciso que seja impossível qualquer outro modo.

 

 

 

Terceiro excluído.

O princípio do terceiro excluído afirma:

“Se duas proposições são contraditórias, uma delas é verdadeira e a outra, falsa.”

Se A não é “não-A”, então, ou B é A, ou B é “não-A”.

Ou N é x, ou N é y, não havendo outra possibilidade.

 

Neste princípio, exclui-se a terceira possibilidade.

Ou N é x, ou N é não-x. Ou N é isto ou não é isto.

Ou é verdade, ou é mentira.

Exclui-se qualquer outra possibilidade tal como ambas as contraditórias são falsas, ou verdadeiras ao mesmo tempo, meio-termo, etc. Estas situações são pertinentes a outros paradigmas diversos com leis próprias e específicas.

Deve-se isolá-las, depurá-las e selecioná-las, classificando-as nos seus devidos lugares, séries e paradigmas, para se evitar a confusão. Se temperar o feijão com sal impuro e ingeri-lo pode complicar as funções digestivas.

 

 

Análise objetiva.

É a decomposição de um todo em suas partes. Neste método, estuda-se e faz-se o exame de cada parte separada do todo. Portanto, na análise, parte-se do complexo ou composto para chegar ao simples ou às partes; dos efeitos às causas. O raciocínio aplicado é a indução.

Na análise ocupa-se mais com as diferenças do que com as semelhanças, igualdades ou analogias. A análise pode ser realizada racionalmente, diretamente na prática e experimentação ou em ambas as situações.

A análise científica verifica as diferenças fundamentando-se nas relações regulares, constantes e invariáveis entre os seres, objetos, fenômenos, fatos, idéias ou pessoas e o seu respectivo comportamento, processo, procedimento ou conduta.

 

 

Síntese científica.

A síntese é o contrário da análise.

A síntese é a recomposição do todo decomposto pela análise. Neste método, procede-se do simples para o complexo ou composto. Das partes, dos elementos para o todo. Das causas para os efeitos. Das origens para as finalidades. O raciocínio comum na síntese é a dedução. Na síntese observam-se mais as semelhanças, as correspondências, as analogias e o que há de comum do que as diferenças, divergências ou contradições.

A análise e a síntese são complementares na busca da verdade. A síntese permite ver melhor o todo. E, a análise, as suas partes.

Com a não violação das atitudes e métodos científicos, conclui-se melhor, errando menos.

A síntese dialética é a fusão ou a conciliação da tese com a sua antítese produzindo uma nova proposição. De A é B e de A não é B, pode surgir A é B, somente, se ... Ou, A não é B, desde que ... A tese é negada pela antítese e no confronto entre estas pode surgir a síntese que modifica, parcialmente, a ambas, dando-lhes um novo sentido. A síntese é uma nova tese que, por sua vez, pode ser negada. A sucessividade nas negações ocorre na relatividade da tese inicial e das novas que surgem com as suas contrárias ou as suas contraditórias.

 

 

Analogia. (Veja também na página 251)

Identidade de relações. Semelhança de função entre dois elementos, dentro de suas respectivas totalidades. O raciocínio por analogia serve-se da indução parcial e da abdução. Conclui do particular para o particular, em razão de uma semelhança.

As suas inferências não traduzem uma conclusão universal. Pela comparação com o conhecido procura-se inferir ou explicar o desconhecido, o complexo, o novo, ou o raro com base em algo comum ou em alguma semelhança dando-lhe a possibilidade de igual consideração.

A conclusão por analogia é possibilidade ou probabilidade só nos fornecendo pistas ou indícios para uma certeza relativa. Por isso é preciso cuidar-se de que as aparências enganam e nem sempre onde há fumaça há fogo, repita-se. O raciocínio usado nas analogias é comum na retórica (arte de persuadir) e na argumentação dialética.

 

Propriedade reflexiva da igualdade.

Se A = B, então, B = A.

 

Propriedade transitiva da igualdade.:

Se A = B, B = C, então, A = C.

 

Observação objetiva.

A observação objetiva ou científica leva em conta e busca o domínio total da experiência e o controle das variáveis prejudiciais para que o estudo ou a pesquisa não sofra influências, interferências e os efeitos inoportunos.

Por isso, a observação integrando o alerta, prontidão e atenção é indispensável no método científico.

Na observação científica incluem as anotações, a classificação, a seriação, a seleção, a estruturação e o registro descritivo do que observa.

Utilizam-se os instrumentos, fatores e recursos inerentes à situação do momento integrando os de necessidade imediata, tempestiva e sucessiva dando-se conta das variações e alterações possíveis relativas às sensações, percepções, identificações e interpretações, de maneira total. A observação deve funcionar como alarme para manter bem despertos o alerta, a prontidão e a atenção no sentido do domínio da situação experimental. Esse domínio só é possível mediante a observação integrada ao controle objetivo.

 

Controle objetivo.

É o domínio das observações objetivas sucessivas.

O controle objetivo ou científico é um método no qual se busca identificar as causas, os motivos e as razões do que se observa eliminando ou afastando as condições ou fatores não pertinentes ou indesejáveis, considerando, obviamente, o essencial e o importante. E, em especial, procura identificar as fontes de variação das sucessivas observações no passo de evitar os resultados ambíguos.

Como já visto, o controle dá a sensação psíquica que se experimenta a partir da aceitação e integração do pressentimento, da previsão e da predição. A sensação de controle é ótima. É um misto de quietude, sossego, paz, segurança, proteção e bem-estar. Experimenta-a nas sucessivas observações que se propôs efetuar. E, quando isto ocorre, dizemos, orgulhosa e pomposamente:

¾ Tudo sob controle!

Quando se pressente, prevê ou prediz um evento temeroso ou catastrófico, muito próximo de se concretizar, o controle objetivo se torna útil para não se perder o autocontrole. Veja sensações psíquicas.

 

Sofisma.

Erramos quando com dados corretos raciocinamos mal, ou quando raciocinamos bem com dados falsos, errados ou com os aparentemente corretos.

Erramos, ainda, quando raciocinamos com dados certos, mas incompletos.

Sofisma é o falso raciocínio elaborado com a intenção de enganar.

É também o raciocínio correto com conclusão aparentemente correta, usado com má-fé para confundir.

 

Paralogismo.

O raciocínio elaborado em boa-fé, sem a intenção de enganar, que resultou em erro, chama-se paralogismo.