CONSCIÊNCIA TERAPÊUTICA.

 

 

Quem é que não sabe se está bem ou se está mal?

 

Quando a coisa não vai bem, o bebê chora, a criança sai do seu comportamento alegre e calmo, o adolescente se irrita, o adulto fica mal-humorado, o maduro se impacienta e o velho resmunga. Certo é que cada qual manifesta do seu jeito peculiar o seu mal-estar.

Diante de qualquer impasse, a tópica de Aristóteles[16] entra em reação, ação e atuação, do modo natural, automático e intencional ou da forma habitual, costumeira, usual e vivencial em busca da solução partindo dos sintomas, vestígios, dos lugares-comuns[17], sinais, pistas, indícios, fragmentos, etc., enfim, para as interações, no passo de se ter a exata noção, entendimento, conhecimento, aprendizagem[18] e compreensão[19] do problema, a fim de cuidá-lo e tratá-lo.

O impasse[20] pode corresponder a um estímulo interno ou externo que conecta a sensação relativa.

O impasse pode surgir também como uma rede de estímulos associados que conecta uma série correspondente de sensações ou a sucessão respectiva destas de efeitos imediatos, retardados ou temporários de modo intermitente ou não.

Sendo prazerosa a sensação resultante não há problema a ser detectado, pesquisado, ou estudado. Ou seja, se não for por interesse de conhecimento ou por curiosidade, não há a necessidade de indagações, investigações e busca de dados e informações para as soluções.

Estando conhecida a conexão sensação estímulo, não se exigirá maiores preocupações, porquanto, o conhecimento da solução evitará perda de tempo estabelecendo-se o caminho da superação.

O desconhecimento da solução provocará sentimentos e emoções inadequadas que aliadas ao mal-estar dificultará, na aplicação do processo da tópica, o encontro das boas respostas às indagações decorrentes do tipo: Por que dói? Onde foi que começou? Quando? O que foi que eu comi* que me fez mal? Como fazer para parar essa dor? Como é essa dor? Onde é que dói? Dói muito ou pouco? Quem conhece esses sintomas? Por onde começar para se curar em tempo hábil antes que a coisa piore cada vez mais? Quem saberá ou poderá resolver este problema e os demais decorrentes?

Dói a cabeça. É sintoma de graves conseqüências?

Não tem dinheiro para pagar o que vence amanhã. O que fazer? Onde foi que eu errei? Como é se faz para se sair dessa?

Não tenho coragem de abordar aquela beldade. É grande a minha vontade de conhecê-la, convidá-la para sair. Que fazer, como fazer, o que falar? Por que não tenho coragem? Por que eu estou tremendo e sinto-me a perna ficar bamba? Por que estou desviando o meu olhar quando ela está me olhando? Por que estou com a face corada? Por que estou tão tímido? Como fazer para acabar de uma só vez com esta timidez? Por que eu me sinto tão ridículo e confuso?

Na questão de premência ou quando não há mais tempo para nada, é preciso decidir a parada de uma só vez. Ou bem foge ou bem enfrenta. O que pode ocorrer é ganhar ou perder, sentir prazer ou a dor, receber um sim, um não, ou um talvez, caso enfrente. Na situação do talvez ou de qualquer dúvida é preciso perseverar, persistir até que ceda ou encontre o que fazer. Há também a situação de deixar para depois e voltar com tudo para enfrentar a situação, se puder.

De qualquer maneira, é preciso prognosticar, diagnosticar, intuir, pressentir, especular, captar vestígios, sinais, signos, pistas, fragmentos, interpretar as expressões, gestos, posturas, pegadas, rastros, símbolos, lugares-comuns, colacionar dados e informações, buscar o óbvio excluindo os absurdos, os erros e exageros, selecionar as sábias lições, as opiniões e sugestões; enfim, pesquisar, buscar conhecimento, entendimento, o saber e a ampla compreensão da situação do momento.

Por aí se vê que o impasse surge do desconhecimento de uma situação pela sua totalidade e do método aplicável para a sua superação. De acordo com a reação de primeiro momento (imediata, precipitada, automática, impulsiva) pode tornar um simples incidente positivo em situações problemáticas.

Se fôssemos montar uma tópica aristotélica buscando os seletivos lugares-comuns do impasse no passo de se encontrar solução aceitável haveria de procurar respostas adequadas para indagações como: Qual é a causa, o motivo e a razão? Qual é o melhor procedimento para superá-lo? É saudável e certo reagir com medo, raiva, ódio, agressão ou fuga? Pode-se pedir ajuda? Quem pode resolver um problema desses? É alto o preço que se tem de pagar para superar o impasse? Quanto? O governo pode ajudar? É um direito social? Quando a coisa é de graça pode-se ser exigente?

Quaisquer que sejam as respostas dessas indagações e de muitas outras quer relativas a impasses específicos, particulares ou parciais, quer a gerais, totais ou coletivas, todas levam à consciência de como é desastrosa a vida com a ausência de luz dada por uma adequada aprendizagem e desenvolvimento da sabedoria e do conhecimento já consagrado pela sociedade. E como é fácil e bela a vida quando se têm as respostas certas prontas na hora que delas se precisam.

Logo, é preciso que se busquem e se incentivem novas descobertas, inovações e invenções revolucionárias no sentido de resolver e facilitar a vida humana não somente para alguns privilegiados mas para a totalidade do ser humano vivo.

A aprendizagem e o desenvolvimento, portanto, quer para o indivíduo quer para a coletividade, torna-se importante missão e principal objetivo humano que será implementado por metas prioritárias e imprescindíveis, se se quer amenizar, evitar e diminuir as doenças, os impasses, obstáculos e os males que a ignorância, a estupidez, a má intenção e a falta de recursos os fazem abundar para infernizar a vida no planeta que vem sendo mantidos e reproduzidos pelo absurdo subdesenvolvimento[21].

Nesse mister, é preciso desenvolver a superconsciência a começar pela teoria de aprendizagem: as consciências de seus quatro momentos[22]. Contudo, não é bastante apenas aprender e desenvolver. É preciso conscientizar-se de que são necessárias determinadas mudanças e logo implementá-las.

 

Neste passo, as sensações são os instrumentos fundamentais para quaisquer aprendizados, mudanças e implementos, pois que começam edificar a base das percepções, identificações, interpretações e entendimentos para uma resposta rápida. Dá subsídios rápidos às emoções, sentimentos, sensos e juízos para a devida orientação e administração do comportamento, conduta e procedimento adequado para a situação de impasse.

 

Cumpre dizer, aqui e agora, sobre negligência, imprudência, imperícia e omissão[23].

Estes quatro fatores fundamentam fenômenos, fatos e idéias para diagnosticar ocorrência de crime, acertadamente, para se apurar ato delituoso. Ato esse culposo* se houver delito sem a intenção deliberada de provocá-lo.

E diz-se doloso em caso contrário, especialmente, quando o crime é praticado por premeditação, planejamento e com os requintes tecnológicos e técnicos aliados ao zelo, perícia, prudência e prestimosidade[24] para fins perversos, antiéticos e prejudiciais.

Mas, o que importa, aqui, é falar que a existência desses fatores é evidência insofismável da ausência da aprendizagem certa no momento adequado e da ineficácia do desenvolvimento para a prática do zelo, prudência, perícia e prestimosidade para o benefício do próprio agente, das partes envolvidas, ao mesmo tempo em que, para o todo social, no contexto da boa ética.

O zelo faz observar com alerta, prontidão e atenção, nos primeiros momentos, ao arranjar e classificar elementos certos, necessários e prioritários, afastando a negligência, ou preguiça, para evitar acidentes imediatos.

A prudência, embora fruto do medo, não se trata de medo mas subsiste por si mesma para evitar a situação de medo. Observa os conhecimentos e os saberes para trocar ou permutar o duvidoso e o provisório pelo adequado e pelo definitivo seriando os valores, os instrumentos, os recursos, as técnicas, as atitudes, as variantes e todas as condições possíveis, nos segundos momentos, para evitar ou afastar a imprevidência e respectivas conseqüências indesejáveis, tempestivamente.

Perícia é habilitação, capacidade, especialização. É o fazer bem operando com habilidade, eficiência, eficácia, desenvoltura, aptidão, competência, técnica, confiança, pureza e simplicidade. Tem a função de amenizar o exagero no zelo e na prudência evitando perda de tempo, desnecessariamente.

A prestimosidade evita a omissão e cuida da solidariedade visando a boa união. A união, realmente, faz a força; mas só se a consegue quando se dá a devida importância para si mesmo, importância essa reconhecida pelos demais, reciprocamente. E a reciprocidade torna leve o lado mais pesado.

Por conseguinte, a aprendizagem e a sua prática para fins do benefício geral e próprio são tudo.

O aprender com o adequado desenvolvimento praticando é a melhor abordagem terapêutica.

E, é a base principal de todas as linhas psicoterapêuticas. Daí é para se corrigir comportamento, conduta ou procedimento tendente às más conseqüências.

Aprender o que é preciso e desenvolvê-lo com veemência e persistência pelo treinamento, técnica, prática, habilitação sem negligência, imprudência, imperícia e omissão é que se poderá afastar os vícios, debilidades, ignorâncias, acidentes e doenças; também, a estupidez, o fracasso, a decepção e a frustração. Em síntese, curar todos os males que afligem o ser humano.

O homem nasce inteiro e pronto para aprender e crescer.

Alimentando* e aprendendo o que é bom para si, para o outro e para a totalidade do ser humano, ao mesmo tempo, é o procedimento da linha do bem[25] e da boa saúde.

Estes dois procedimentos têm por base a prática do amor[26] ao próximo como a si mesmo observando de maneira contínua o viver bem com inteligência[27].

Para uma aprendizagem eficiente e eficaz é importante também perceber, identificar, interpretar e entender os momentos em interação e situá-los nas suas devidas oportunidades.

Num momento de sofrimento psíquico, raiva, medo ou dor física a potencialidade de aprendizagem é relativa a essas sensações e emoções. Daí, no estado de tristeza, de raiva ou medo não dá para assimilar, por exemplo, as questões matemáticas mais simples e nem mesmo fazer a mais simples análise da própria vida.

Se a emoção ou a sensação é intensa, não há tempo nem de lembrar de nada.

Se o corpo está doente, dói a cabeça, a bexiga está cheia, o estômago anuncia fome, esgotou-se a comida, o dinheiro acabou, ou a casa está pegando fogo, então, o momento é premente. É preciso resolver essas premências, rapidamente, deixar a poeira assentar-se e só daí, pode-se cuidar do que se sabe ou pensar em outras coisas. Cuidar dos problemas dos primeiros momentos é uma prioridade, porquanto, os problemas dos demais momentos tão-somente serão prioritários quando se tornarem prementes ou improrrogáveis.

Contra qualquer necessidade, fenômeno, fato e idéia ou os seus conteúdos, formas e representações, há quatro possibilidades de posições distintas que podem ser tomadas, em um determinado instante, para avaliá-los, enfrentá-los ou superá-los. Da forma imediata, tempestiva, sucessiva e integrada. Todas, simultaneamente, em ordem decrescente, crescente, seqüencial, alternada e isolada, ou do modo desordenado.

 

Na situação de primeiro momento, percebemos presente o estímulo ameaçador que vai conectar uma reação automática, via reflexos ou impulsos, em nível inconsciente. O dar-se conta dessa situação de modo completo (perceber no ato o porquê, para que, quando, como, onde, a quem mais, etc.) chamamos consciência-do-inconsciente.

 

Na situação de segundo momento, identifica-se presente o estímulo ameaçador, em confronto com registros das relativas experiências anteriores, que vai conectar a ação tempestiva, em nível subconsciente.

O dar-se conta, inteiramente, dessa situação (identificar o porquê, para quê, para quando, como, onde, para quem mais, etc.), tempestivamente, chamamos consciência-do-subconsciente.

 

Na situação de terceiro momento, o estímulo presente, se regular ou não, é interpretado por meio de raciocínios e de confrontos que produzem planos ou projetos para uma atuação correlata, em nível consciente.

O dar-se conta, inteiramente, dessa situação (interpretá-la de modo correto para saber o porquê, para quê, para quando, quanto, como, onde, a quem mais, etc.), com a rapidez exigida e útil, chamamos consciência-do-consciente.

 

Na situação de quarto momento ocorre a integração das três situações básicas anteriores, pela observação plena obtida em alerta, prontidão e atenção para certificar-se da autenticidade e consistência do estímulo relativo à necessidade presente. A presença do estímulo, então, é entendida quanto a sua constituição e finalidade através da percepção, identificação e interpretação.

E, daí, poder enfrentá-lo com maior facilidade no passo de bem resolver ou saciar a necessidade decorrente também nas vezes do seu ressurgimento. O dar-se conta dessa situação de modo completo (saber a verdade do porquê, para que, em que, o quanto, para quando, qual medida, o como, onde mais, para quem mais, etc.) são as consciências ou consciência integrativa para a tomada de uma superconsciência.

A probabilidade de sucesso na saciação com a desejável qualidade aumenta com a consciência integrativa. Pode-se, daí, dizer que esta é uma nova situação em nível de integralização das três consciências.

A unidade formada pelas consciências dos três momentos fundamentais é o eu cônscio e íntegro, propriamente dito. Para distinguir esta nova situação das três básicas, chamamo-la de quarto momento.

 

As ferramentas, os recursos ou meios de aprendizagem e desenvolvimento nos primeiros momentos são os que levam o indivíduo ou o grupo à saciação das suas necessidades mais prementes mediante reações aos estímulos presentes relativos.

Destacam-se os recursos naturais, o fenômeno, a causa, o efeito, o alerta, o impulso, os reflexos, a vontade, a escolha ou a opção, a emoção, o reforço, o comportamento, a habituação[28], a sensibilização[29], o hábito, a condição disponível, a força física, a infra-estrutura situacional, o material presente no ato da reação ou do enfrentamento, a ingenuidade, as relações com a sua extensão mais próxima, a confiança, a força estática, o arranjo, o acordo, a descoberta, a classificação, a assimilação e a consciência perceptiva (consciência-do-inconsciente).

Os dos segundos momentos referem-se à satisfação das suas necessidades tempestivas mediante investimentos e ações aos estímulos relativos que estão adiante, objetivamente, e aos lembrados no aqui e agora.

Os fatores e os instrumentos dos segundos momentos que se destacam são os recursos socioculturais consolidados, o fato, a identificação, a conduta, a coragem e ousadia, o saber[30] e conhecimento, a prontidão, o sentimento, a privação, o desejo, a motivação, a livre iniciativa, a determinação e atitude, o motivo e conseqüência, o lastro e credibilidade, a força dinâmica ou o dinamismo social, a força do fazer sabendo, a provocação, o acúmulo de bens, a permutação, a conciliação, a proteção, o costume, a inovação, a promessa, a experiência, os recursos alheios, créditos e auxílios, a responsabilidade real, o respeito, a compensação, a seriação, a acomodação, a crença, o bem e o bom e a consciência cognitiva (consciência-do-subconsciente).

Os dos terceiros momentos referem-se à solução das necessidades freqüentes ou sucessivas mediante atuações aos estímulos persistentes ou constantes relativos.

 

Destacam-se os recursos civis e tecnológicos, a força do pensamento e as suas faculdades, a carência, o ato provisório, o procedimento, a improvisação, a intenção, o interesse, a idéia, a invenção, o planejamento, o projeto, o senso, as pesquisas, a medida, a teoria, técnica e ciência, a espontaneidade, a razão e resultado, a combinação, a estruturação cinemática social, a facilitação, o estudo, o consenso, a intuição, a boa decisão, a consolidação e desenvolvimento, a seleção, a simplificação e a consciência intelectiva (consciência-do-consciente).

Os fatores relativos dos quartos momentos reportam-se à integração e consumação das necessidades dos três momentos enumerados para desfrutar o triunfo sensato.

Destacam-se os recursos da comunicação e da civilização, as sensações, a reflexão, o juízo, a memória, a criatividade, o talento, a auto-estima, a disposição, o desígnio ou o sonho, a disciplina, a sinceridade, a deliberação, o querer integrado, o deleite, a estruturação, a organização, a harmonia, o pacto, a união de forças e recursos dos três momentos fundamentais, os princípios e fins, e a consciência integrativa (consciências).

 

As consciências do ser ou do não ser capaz, do poder ou do não poder fazer, do estar ou do não estar na hora e no lugar certo e do ter ou não ter a permissão para o atuar espontâneo e livre caracterizam o potencial do início certo, eficiente, eficaz e promissor da integração entre a aprendizagem gratificante e o desenvolvimento próspero do sujeito aprendiz.

Essa superconsciência é o fundamento do início para uma autonomia[31] autêntica.

O alerta, a prontidão, a atenção e a observação são recursos que concentram a curiosidade especial para aprender o que tem de ser ou deve ser aprendido.

 

A ausência dessa consciência fará o indivíduo permanecer na ingenuidade dos primeiros momentos; no bloqueio, proibição e impedimento quer específicos quer genéricos dos segundos momentos; e, no cumprimento de papéis sociais.

Praticamente, a partir da ausência dessa consciência no enfrentamento dos problemas nos seus segundos momentos da aprendizagem e desenvolvimento é que surgem, ressurgem ou se reproduzem todas as psicopatologias.

 

Eis porquanto, as situações de necessidades não saciadas nos primeiros momentos passam para serem satisfeitas nos segundos momentos. Quando não satisfeitas tempestivamente e de maneira adequada surgem as privações e as carências relativas cujas soluções são remetidas para os recursos dos terceiros momentos.

Nesse processo de situações mal resolvidas ou de não encontrar soluções viáveis, o indivíduo se expõe a confusões, ilusões e enganos decorrentes de uma série de negativismos[32] e de alarmes falsos que pode experimentar. Dentre os quais, a frustração, o desapontamento, a decepção, o pavor do fracasso, o medo da perda, o ódio ou a raiva acumulada, o inconformismo rebelde, a mágoa e a reação da fúria em cadeia transformam-se nos grandes predadores das suas energias vitais.

A crença na ameaça como fato real concreto e no alarme falso, sem correlacionar, observar e verificar ou manipular as suas variáveis para comprovações pode conduzir o indivíduo desprevenido às mais constrangedoras situações e até catastróficas.

Neste ponto, é de se indagar por que e como pode ocorrer o desperdício das energias vitais?

Ora, o organismo está apto e pronto para reagir contra as ameaças à sua integridade na situação premente do aqui e agora. Mais, precisa e preferencialmente, na situação de todos os primeiros momentos.

O estímulo interno ou externo, presente, adiante, sucessivo ou integrador é que provoca a sensação respectiva.

 

As sensações têm o poder de detonar ou de fazer disparar as respostas automáticas e a produção dos devidos hormônios estimulantes no sentido da defesa do organismo. Assim, as energias vitais concentram-se redobrando as forças emocionais ou os impulsos para poder fugir ou para enfrentar com maior possibilidade de bom êxito.

 

Vencendo a situação de impasse enfrentando-a com a natural raiva, ou com coragem e bravura; ou, ainda, livrando-se dela pela fuga e esquiva ou pelo medo e camuflagem, vai chegar a fase da reposição das energias vitais despendidas.

Contudo, se a situação não for logo resolvida ou no momento aguardado, as energias vitais continuam a fluir, em prontidão, para a presumida ocorrência catastrófica.

Assim, as preocupações, as ansiedades e as angústias ou as depressões decorrentes podem somatizar ou gerar neuroses e psicoses, os quais em permanecendo por longo tempo, aumentará o desperdício de energias à toa.

A cultura ou os padrões socioculturais geram as diferentes emoções e sentimentos negativos que são reproduzidos pela fé, convicção e, principalmente, pela crença. Logo, é preciso avaliar as crenças, ponderar os seus valores e interpretar com análise e síntese os padrões e os costumes vigorantes de tal sorte que as suas influências não detonem o seu bem-estar numa situação de aparente impasse invencível.

Neste passo, agravam-se as enfermidades não só aquelas em processo mas as decorrentes da debilidade geral a que se expõe o organismo pelo excesso de energias despendidas não recuperadas a tempo, ou não repostas satisfatoriamente.

Essas doenças se manifestam na proporção das fixações dos freqüentes aborrecimentos por rebates falsos e segundo o teor da crença e da convicção na gravidade do problema a ser resolvido.

A vontade, desejo e intenção[33] do encontro com a sua solução definitiva são desviados, bloqueados ou inibidos pela insegurança advinda da ignorância relativa e das imposições freqüentes da disciplina e da responsabilidade mal ministradas aliadas aos excessos de emoções negativas do paciente.

Para bloquear ou evitar o encadeamento dessas reações negativas necessário se faz o seu congelamento total, visto que supérfluas, de princípios incoerentes e irracionais.

 

É preciso retomar a superconsciência, dando-se conta de que somente o conhecimento e o aprendizado relativo podem fazer com que o processo negativo não se inicie provocando o seu desencadeamento. Para tanto é preciso sair das malhas do condicionamento, da crença infundada, auto-engano ou transe hipnótico provocado pela habituação e adaptação aos valores, costumes, regras e padrões sociais e culturais. Daí, atingir logo a superconsciência cuja função é tornar explícita a consciência implícita decorrente desse comportamento e conduta rotineira.

 

O caminho natural e adequado para evitar os males e para curar doença decorrente é uma retirada estratégica, rumo à recuperação de energias através do repouso, da meditação, da boa alimentação[34], ginástica, massagens e paz de espírito. A seguir, por meio da reflexão, introspecção e pesquisa procurar mais informações, indícios, dados e fatos probantes, conhecimentos, práticas, técnicas e assessoria de eminentes especialistas. Sendo o impasse relativo à saúde, efetuar exames receitados em dois ou mais laboratórios renomados; e, daí, concluir através de uma boa análise e síntese, para o fim especial de esclarecer e resolver o impasse.

O objetivo não é só desenraizar a convicção nos pseudo-estímulos geradores de preocupações inúteis, mas treinar-se e habituar-se na prática imediata do método que leva à solução de qualquer obstáculo.

São as preocupações por crenças infundadas que causam incômodos físicos e psíquicos com indesejáveis conseqüências.

O distanciamento total urgente do ambiente do problema é condição necessária para uma recuperação integral da boa disposição física e psíquica.

O dito distanciamento, congelamento e a referida retirada estratégica são o que, analogamente, se faz quando se interna um grave enfermo numa unidade de terapia intensiva para se evitar o pior.

O cuidado intensivo é necessário. Só depois de controlada a ameaça fatal é que se inicia o trato da recuperação gradual.

É preciso estar apto e em boas condições físicas e técnicas para o enfrentamento na busca das soluções de qualquer problema que se nos depara. Este procedimento aliado à linha do bem é o método da auto-estima[35].

 

A auto-estima desperta a consciência para a concentração, seleção e integração dos recursos disponíveis e para criar os instrumentos úteis. E o juízo exige a avaliação e a análise da situação. É preciso que se evite o rebate falso. E de outro lado, pegar a doença no começo para o devido tratamento.

 

O meio certo para evitar qualquer patologia e detrimento é a tomada das quatro consciências nas variadas circunstâncias dos momentos biográficos e históricos respectivos, devendo reagir, agir, atuar e interagir segundo os recursos da situação para a produção35-1 das ferramentas úteis e necessárias, em níveis de momentos biográficos e históricos apropriados.

Com as consciências, importa, então, observar a situação da que resulta da sua ação como boa para as partes e boa para o todo, simultaneamente, com os fatores e recursos de todos os momentos biográficos e históricos, seja no passo de interferir ou de influir, ou seja no de dar e de receber, estar, ter, ser e fazer, no curso das interações com o meio ambiente físico e social.

Basta lembrar que você é a pessoa mais importante do universo, visto que graças a sua consciência de estar no mundo pode ver, sentir, pensar, fazer, tocar-se, ser tocado e se dar conta de que está com vida e de que as coisas e as pessoas ainda existem para você, que as coisas mudam e acontecem.

Sorrir, chorar, gargalhar, assustar-se, zangar, irritar-se, ralhar, rir, brigar, gozar, tremer, alterar a voz, agredir, enrubescer, admirar, deslumbrar, maravilhar-se, excitar-se, acariciar, tocar, beijar, abraçar, etc., são manifestações de humor ou estado de espírito diante das situações que implicam os estímulos, sensações, as consciências, emoções, sentimentos, sensos e juízos. Essas situações manifestam-se ou podem acontecer nas interações do agente com o seu meio ambiente, no curso de suas atividades e operações, para o fim de suprir necessidades.

 

É saudável deixar o humor fluir-se naturalmente. Seja ele bom ou mau. Mas, deve-se resolver, rapidamente, a situação desagradável, substituir o mau humor pelo bom e equilibrar-se emocionalmente.

O humor é contagiante.

Por causa disso deve-se procurar viver o mais possível na situação de calma, alegria, prazer e equanimidade, de tal sorte que a ótima disposição física e psíquica disponha o entusiasmo das demais pessoas para uma boa causa. Evitar o humor que contagia o seu lado oposto.

 

O ser humano na sua luta pela sobrevivência interage com o seu meio ambiente e não há como não se deparar, com os diferentes estímulos maus, perigosos, aversivos e estranhos, os quais, sem dúvida, se não forem resolvidos, do modo natural, a contento, suspensos ou limitados, eles serão superados pela aprendizagem, treinamento, aplicação, experiência e vivência.

Dessa maneira, ora ele sofre, amedronta-se, encoraja-se, ou enraivece-se, e ora se acalma, envaidece, alegra-se, ou goza ante os variados acontecimentos de sua vida.

Contudo, guiado e regido pelo seu complicado mecanismo de defesa e ataque formado pela sua herança genética e do saber oriundo do seu aprendizado, dos seus reflexos, seus condicionamentos, vícios, virtudes, conhecimentos, hábitos, costumes, usos, vivências, forças, pensamentos, técnicas e experiências ele sobrevive desenvolvendo poderes para dominar a natureza.

 

E, de conformidade com os seus sacrifícios, dificuldades, facilidades, perdas, ganhos, fracassos e triunfos ele chora, sorri, sente dores terríveis, prazeres enormes, horrores, alegrias e ódios intensos, revoltas, ansiedades e tem preocupações, o dó, as angústias, náuseas, depressões, estresses, inconsoláveis tristezas; e, também calmaria, paz de espírito, etc.

 

São inumeráveis as situações de impasse e de doenças que ele se propõe superá-las para poder experimentar os bons sabores da vida. Assim, o estar-para-a-vida e o estar-para-a-morte, bem como, o ocupar-se de viver(36-a) e o ocupar-se de morrer são questões de sentido existencial de liberdade e de não-liberdade voltadas para o momento biográfico.

Mas, o momento biográfico implica o momento histórico relativo.

Por isso é preciso estar, ser, ter e fazer no mundo para um acontecimento bom para as partes, ao mesmo tempo em que seja bom também para a totalidade. Oportunidade essa, quando ambos os momentos (o histórico e o biográfico) se podem integrar em benefício de todos.

Em outros termos, ele enfrenta os estímulos, os fenômenos, os fatos e as idéias que lhe podem produzir ou reproduzir as sensações, as emoções, os sentimentos, os sensos e os juízos para o colorido de suas experiências e momentos significativos, sobretudo, enquanto os desfruta de maneira adequada aos seus momentos biográficos e históricos.

Mas, o que é o adequado? O que é adequação*?

Aí está um dos princípios da boa saúde. Observe-se que a boa saúde implica vida. Do contrário, tende-se encurtá-la para a morte.

Adequar-se é muito diferente de adaptar-se, em níveis de momentos.

Adequar-se é discernir e optar buscando uma situação melhor seguinte, para si. Adaptar-se é assimilar e acomodar uma situação, para si, aceitando-a como definida.

Adaptar-se aos sofrimentos crônicos submetendo-se ao que não gosta e não quer ou adequar métodos, emoções e sentimentos positivos com bom senso e juízo para vivenciar, desde logo, o bem-estar autêntico?

Pode-se intuir, por conseguinte, que para desfrutar aquela ótima saúde, continuamente, é questão de optar, determinar, decidir e deliberar com correção o que é adequado para cada situação, na medida certa e no momento oportuno.

Mas isso vem da orientação sociocultural que estabelece ou impõe valores, as normas e os padrões de comportamento, conduta e procedimentos tidos como corretos ou válidos, de cujos efeitos, conseqüências, resultados e benefícios poderão ser desfrutados, querendo, se desenvolvidos pela aprendizagem e treinamento ou pela prática dirigida.

No entanto, há muitas situações a serem enfrentadas que não se pode contar com essa educação formal e tecnológica, embora muitos outros adiante possam, visto que não a recebeu, não a incorporou para a sua prática eficaz, ou fora excluído por extrema falta de recursos e de oportunidades.

Nesse caso, há que as enfrentar e tentar superá-las com os mecanismos naturais próprios, pelos recursos disponíveis na situação do momento e por aqueles desenvolvidos, aprendidos e conseguidos por conta própria, afora auxílio e solidariedade de ocasião se houver.

De outro lado, nem todas as orientações sociais e culturais aceitas e consolidadas como certas podem valer como remédio eficaz para todos.

 

Pode haver exceções e até a possibilidade de rupturas, primordialmente, em se tratando de reações emocionais.

 

Porquanto as pessoas reagem de modo diverso ante um mesmo estímulo permitindo abrir amplo leque de variantes para possíveis inovações, descobertas ou invenções revolucionárias.

A cultura mesma dá origem a uma imensidão de males e malefícios, ameaças, temores, terrores, doenças e mortes que poderiam ser evitados. Muito embora se reconheçam os seus outros valores que são positivos e vitais à espécie humana, para uma etnia, ou para determinada sociedade coesa, que sem os quais não haveria sentido de vida.

 

Dessa maneira, quase todas as emoções e os sentimentos negativos observáveis nas relações interpessoais cotidianas são produções e reproduções somente ou predominantemente socioculturais.

 

Porquanto, o medo, a irritação, a raiva, a ânsia, a ansiedade, ou a angústia, a náusea, a inquietude e mesmo a calma, ou a indiferença que se pode sentir numa situação de não poder pagar uma dívida que vencerá amanhã, não são nem um pouco naturais, embora os seus mecanismos fisiológicos sejam os mesmos de uma reação emocional natural. São emoções, sentimentos e sensações bastante diferentes daqueles da situação de ter de enfrentar um leão a muque, de repente, bem próximo, faminto e pronto para atacar, ou daquela de evitar um acidente iminente.

A cultura resulta da capacidade simbólica humana que se manifesta a partir de determinadas condições sociais.

 

Isso vem alimentar e subsidiar a produção e reprodução de cenas imaginárias, simulacros, ilusões, fingimentos, disfarces, as habituações e as sensibilizações não saudáveis, as racionalizações e as representações, imagens distorcidas, hipóteses, sensações psíquicas, auto-enganos; principalmente, as convicções, a fé, as crenças, as miragens, as fantasias, os condicionamentos e as quimeras. Numa dessas situações pode-se disparar a produção dos adrenérgicos e pronto. A pessoa pode ter daí as sensações respectivas aos estímulos imaginários podendo ficar com medo, alegria, expectativa, raiva, tristeza, ansiedade, ódio, angústia, mágoa, depressão e outros sentimentos de cunhos inautênticos ou não genuínos.

 

Por que e quando ocorre isso?

Por falta de informações, experiências e conhecimentos relativos?

Por ausência de dados ou subsídios para um pensamento objetivo?

Por crer na existência de um perigo iminente?

Por se sentir a sua pequenez diante de um monstro ameaçador invencível?

Por encontrar-se em lugar e momento errados?

Pela ideologia dominante que administra o controle social de acordo com os seus princípios e interesses?

Ou, de fato, o perigo ou a ameaça de vida ou morte está presente?

 

Pode-se também fazer a representação da imagem duma ótima possibilidade e criar coragem, entusiasmo, bom humor e muita disposição. Se isso der certo, muito ótimo. Do contrário, a decepção desencadeará uma série de reações não saudáveis.

 

Diante de tantas situações diferentes e das constantes mudanças que distorcem os referenciais tidos ou considerados fixos é preciso cuidar-se de não fazer confusões separando bem o que é real, concreto e presente daquilo que é exclusivamente não real, hipotético, associado, imaginário, aparente, circunstancial, abstrato e ausente, ou cultural. É preciso estar de olho nos referenciais fixos. Parar para avaliá-los, atualizá-los e reformulá-los.

Assim, poderá evitar, em tempo, o desnorteamento; e, livrar-se-á, certamente, das iminentes e decepcionantes surpresas.

 

Dessa forma, é preciso confiar e dar-se conta de que o medo produzido pela cultura é proveniente da representação da imagem que se tem ou crê por não compreender a coisa que dá medo. Produz também o disfarce de medo (fingir que está com medo). Estes medos são bem diferentes do medo natural que ocorre diante do perigo presente, real, concreto e ameaçador.

 

Esse medo natural ressurge tanto para enfrentá-lo quanto para dele fugir ou se esquivar, no ato. Cuida de não só proteger a integridade do organismo mas de manter uma sobrevivência saudável. Qualquer outro tipo de medo é artificial, desgastante, inútil e prejudicial à saúde. Pois, a sua maioria nada resolve, além de complicar, piorar ou prejudicar a solução do impasse.

A raiva produzida pela cultura provém igualmente da não compreensão real da ameaça.

Principalmente, quando se faz a analogia do estímulo presente com aquele que causou perdas.

Essa raiva funciona como mecanismo de defesa e ataque a uma representação da imagem daquilo que pensa, supõe, pressente, ou acredita como uma ameaça real presente.

Em se tratando de relação interpessoal, a reação contra essa raiva pode vir como uma ofensa autêntica, desta vez, desencadeando o processo do acúmulo de energias com raivas cada vez mais intensas para acabar nas vias de fato. Ocasião quando se pode cometer loucura ou estupidez, bastando para tanto o menor estímulo associado para detonar o acúmulo sucessivo da raiva. E o seu alvo pode ser, também, qualquer próximo indeterminado.

 

Essas situações de medo e raiva produzidas pela cultura são rotineiras no enfrentamento diário, principalmente, nas relações interpessoais manipulativas, nos valores divergentes, nos paradigmas cruzados, nas discussões e nas competições, concorrências ou disputas e nas relações de jogos afetivos*, desqualificativos e do poder*.

 

Dá para se perceber, já, que o alarme falso detona o processo da produção dos adrenérgicos, desnecessariamente, tornando reais e concretos os efeitos das reações com desgaste e desperdício de energias biológicas.

Como sair dessa situação?

 

Disse-se que o alerta, a prontidão, a atenção e a observação objetiva nos proporcionam uma melhor percepção, identificação e interpretação do estímulo ameaçador ou do impasse para um entendimento correto.

É preciso intuir e compreender a coisa que nos produz o medo e raiva ou qualquer outra emoção e sentimento negativo, antes de tomar uma atitude, ou ainda, precipuamente, antes que se fechem os esfíncteres para uma reação automáticaª.

 

É bom saber também que a coisa em si não dá medo ou raiva. É a idéia, a fantasia ou a crença que se tem dela é que nos causa medo ou a raiva.

Por exemplo, a barata não pode causar medo e nem raiva. Ela é inofensiva, porquanto sempre foge de medo e se esconde quando percebe a presença de pessoas.

 

Mas a idéia que se tem ou crê de que ela pode subir pelo pé e invadir nosso corpo ou andar pelas panelas, louças e roupas é aversiva, anti-higiênica e nojenta. Se a crença é exagerada podemos admitir que as bactérias que as baratas carregam nos seus pés são terríveis sujeitando-nos a uma doença incurável. É o medo terrível que temos da morte que está associado imperceptível e automaticamente à presença de barata, rato, vermes, lixo, podridão, etc.

 

Essa idéia é que produz o nojo, o medo ou a raiva. Isso não ocorrerá nunca, querendo.

Por conseguinte, esse tipo de medo, ou raiva é preconceituoso e sem fundamento racional. Pode ser um disfarce inconsciente para chamar atenção, carinho e proteção, também. Se nesse momento houver pessoa significativa (sempre há) que atende ao chamado aniquilando a barata e atendendo ao pedido tácito de carinho e proteção, nada mais estará fazendo senão reforçar a patologia do medo infundado.

Também não é para ficar indiferente diante de uma barata no quarto, na cozinha, na sala. Algo a atraiu para lá. E é preciso se dar conta, também, de que onde há baratas, pode haver negligência, descuido, imprudência, desordem, falta de higiene, caos, podridão, alimentos desprotegidos e seus restos na pia e lixeira.

Urge-se, daí, verificar a crença, a suposição ou a convicção, a fantasia e o alarme falso.

 

Trabalhando encima das idéias errôneas, definindo-as e redefinindo-as, há grande possibilidade de diminuir o medo e a raiva infundada e outras emoções e sentimentos negativos.

 

Entretanto, numa situação de fato, diante de um perigo real e concreto, as emoções primárias são de grande valia.

 

Ajudam-nos a ter coragem, atenção, cuidado, concentração, entusiasmo ou ânimo, além da força, habilidade, perspicácia, reflexos e impulsos necessários para superar o impasse. Por outro lado, os excessos de medo e raiva são válidos apenas nos primeiros momentos biográficos ou históricos fatais.

 

Exemplo.

 

Crença: “Todos me olham e me criticam”.

Suposição: Já estou me sentindo um palhaço. Ridículo é isso tudo. Estou ficando envergonhado e apavorado. Vou-me sentir um idiota, um palerma.

Fantasia: A vida é difícil, vou me isolar, quero distância.

Alarme falso: representação da imagem que se tem de todos estarem olhando e criticando.

Comportamento observável: hesitante, inadequado, voz embargada ou trêmula, nervoso, confuso, gagueja, ou fica sem fala, embaraçado, dá branco, sangue sobe à cabeça, rubidez das faces, coração bate mais forte, perna bamba, tremedeira no corpo, etc.

É preciso trabalhar a crença questionando a si mesmo: Será mesmo que todos me olham para me criticar? Não será para me aprovar e aplaudir? Por que todos? Não serão alguns? O que é crítica? A crítica não é coisa boa? Posso perguntar por que me criticam? E se me criticam, posso melhorar para a próxima vez. Noto até alguma torcida simpática e protetora para que eu me saia bem. Portanto, não são todos que me criticam. Preciso confessar que não estou bem. Estou muito emocionado e confuso. Vou me sentir bem compartilhando e trocando idéias com as pessoas sem precisar me distanciar à toa, porque vou treinar para isso. Posso até treinar-me para uma apresentação pública com extraordinária aptidão, calma e beleza e ser muito aplaudido, etc.

Agora que já tomei consciência do meu auto-engano, estou pronto e apto para procurar, receber e aceitar as boas informações, nesse sentido, para as análises e redefinições necessárias. Não sou um palhaço e não me sentirei ridículo, nem medo ou a raiva. Pois, isso, talvez, fora preciso quando eu era uma criança. Ou não me ensinaram a reagir às gozações, risadas e caçoadas dos trejeitos nervosos, na minha infância, da maneira adequada. A realidade, hoje, é outra. Por que medo de errar, se errar é humano? Permito que riam porque rir é bom.

Observe que a crença é pertinente ao segundo momento da necessidade. E no caso da crença acima há a conexão incoerente entre o segundo momento biográfico com o histórico. A expressão “todos me olham e me criticam” é o que o paciente tem por certo, ou se acha assim, e reage conforme essa crença (biográfica) incoerente com a realidade objetiva (histórica).

Enquanto essa crença perseverar nada pode ser feito para extinguir o mal-estar decorrente ante o alarme falso produzido pelo estímulo simbólico respectivo.

Se o paciente começa admitir que nem todos que o olham estão criticando, há possibilidade de conectar o seu terceiro momento biográfico (terceira personalidade — eu-ideal) para assimilar as informações objetivas, atualizando e reconstruindo o censor internalizado (eu-social que critica, ri e faz sentir palhaço a sua primeira personalidade — o seu eu-individual). E, daí, concluir que ninguém olha para criticar a menos que haja evidência de erro, incoerência ou algo ridículo à mostra. Ainda, assim, não há que levar em conta a ponto de sentir-se ridículo ou ter a impressão de que todos estão criticando.

 

O eu-individual já obsoleto, nesse sentido, atua ainda generalizando uma situação de crítica para todas as situações. Normal é a generalização associativa na criança pequena que ensinado a falar au-au para o cachorro, gritar au-au quando avistar um gato.

Com a aprendizagem e o treinamento desenvolvendo a integração e adequando os fatores certos em mesmo nível de consciências, relativamente aos seus momentos biográficos e históricos, dar-se-á conta da absurda representação da imagem que fazia diante de pessoas.

Entenderá, por conseguinte, que a situação de sentir-se criticado, preterido, desqualificado, desconsiderado, ou ainda, ofendido, seja numa conversa, na interação, ou seja em certa discussão provém, na maioria dos casos circunstanciais, da má interpretação das questões, argüições, ou da infeliz colocação de determinada reação, ação, atuação, ou opinião que provoca a idéia errônea de insulto ou de crítica negativa.

 

Como compreender esses desencontros?

 

A aceitação, consideração, o confronto cordial sem ironias, aplauso ou elogio sincero no momento adequado e o respeito às opiniões e idéias alheias fazem da conversa ou do diálogo uma relação interpessoal altamente saudável e proveitosa superando quaisquer tipos de discussões.

Portanto, as parolas, os passatempos e os diálogos objetivos são preferíveis às discussões banais, não instrutivas, às vezes, até arrogantes e irônicas, sem nenhuma finalidade saudável.

 

Entenderá também que é necessário adotar um paradigma adequado que não esteja incluído o prejulgamento, a opinião ou o juízo inoportuno, a precipitação nas reações emocionais, a inferência com base em sinais fragmentados, a confusão entre a subjetividade e a objetividade* e os mal-entendidos.

 

Sobretudo, que se evite o fingir-se, o estar ou parecer frio, pacífico, autoritário, submisso, rebelde, ou fazendo teatro, em lugar de responder, corresponder, reagir, agir, atuar e interagir com autenticidade, sinceridade, prudência e ponderação.

 

Só para ilustrar, conta-se que um jovem morava no alto da montanha e quando este descia a estrada com o seu carro, de repente, avistou, lá abaixo, um automóvel saindo da curva em ziguezague. Devagar, em alerta, o jovem prosseguia pronto para se desviar quando preciso. Com muita atenção, percebeu uma moça no volante quando esta saía da pista contramão. Que irresponsável, intuiu. Ao passar por ele, ela gritou: ¾ Porco. Poooorco. Ele logo lhe respondeu: ¾ Sua vaca. Vaaaaca. E ficou feliz por não ter engolido um desaforo, pois estava certo de que ela tinha ouvido a sua resposta. E acelerou o seu carro. Mal chegou na curva acabou atropelando alguns porcos dos que estavam subindo por aquele trecho da estrada.

 

A análise desse mal-entendido fica por sua conta.

Importante é observar que cada qual responde, reage, age, atua, ou interage segundo o seu próprio padrão, seu uso, hábito, costume, crença, valor e seu estado de humor.

Ainda que esses fatores fossem muito semelhantes para todos, mesmo assim, poderia haver o mal-entendido.

Para evitar esse possível desencontro urge distanciar-se do paradigma próprio para compreender o paradigma do outro, se estão em mesmo nível de momentos ou não e ajustá-los, antes do disparo da reação emocional automática.

É natural e normal que a situação emocional aflitiva deva ser evitada antes que ela entre em processo. Isto só é possível por meio do entendimento, da compreensão, da noção e da consciência do seu estímulo causador.

 

Não se cura uma dor de cabeça com paliativos. Logo, a capacidade de manter o controle, ou o autocontrole e o ser forte para suportar a explosão de qualquer acúmulo sucessivo de emoção negativa*, e até mesmo a sua catarse, vazão ou manifestação retaliativa não são formas inteligentes de se obter uma situação continuamente saudável. Muito embora se possa bloquear a sua progressão para um possível final infeliz, ou como bronca corretiva, respectivamente, são apenas paliativos, com conseqüências negativas e de efeitos psicossomáticos de difícil diagnóstico; principalmente, em casos de sucessivos controles, ou de sucessivas broncas e bravezas.

O autocontrole emocional numa situação de interação sociocultural evita o prosseguimento de situações indesejáveis após o estímulo causador do impasse.

Nunca antes.

Eis porque, antes da crença de um estímulo como ofensivo é preciso avaliá-lo para não precipitar o processo emocional. Tal avaliação, se correta, traz a vantagem de poupar as energias evitando a situação desagradável de bloquear as emoções ou dar a sua vazão com detrimentos conseqüentes.

 

Observe-se que qualquer estímulo causador das emoções negativas, a partir da sensação de estar em perigo, seja pela ameaça física direta ou pela ameaça simbólica ofensiva aos princípios morais, faz desenvolver no organismo, de imediato, o processo emocional.

 

Nesse processo, iniciada a circulação dos hormônios adrenérgicos na corrente sangüínea, faz disparar as batidas do coração. O fluxo sangüíneo, daí, com maior velocidade, vai exigindo dos diversos órgãos maior empenho. Mais oxigênio e mais nutrientes são consumidos.

Logo, os pulmões trabalham a todo vapor com a respiração mais forte. O tubo digestivo é pressionado. O estômago recebe maior dose de suco gástrico.

O organismo todo, assim, opera em prontidão e está em suas condições máximas de força muscular para lutar ou correr.

 

Se este processo emocional é freqüente, vai causar desgaste nos órgãos mais usados e menos protegidos, além de desequilibrar o mecanismo de defesa contra os microrganismos nocivos, em virtude dos constantes desvios de energias vitais.

 

Novamente, é de se recomendar a não entrar do que ser obrigado a sair.

 

Melhor é procurar conhecer e saber lidar com o aparente estímulo provocador presente do que logo o aceitar como ofensivo e responder pelo automático.

É para isso que existem as situações de alarme, alerta, prontidão, atenção e observação, tal que associadas possam produzir a percepção eficaz, a identificação correta, a interpretação objetiva e o entendimento veraz.

Antes de sentir-se ofendido, recomenda-se confrontar com indagações tipo ¾ entendi isto como uma ofensa, estou certo? Se afirmativa a resposta, prosseguir indagando o motivo desse comportamento hostil para resolver um possível mal-entendido no passo da reconciliação saudável.

 

Para ilustrar, vamos à outra história.

Conta-se que um jovem besouro*, cansado de empurrar esterco com a sua cabeça, resolveu conhecer o mundo e saiu voando, gabando-se de que era o bom e que era capaz de fazer tudo que quisesse. Voou e voou entrando pela janela aberta da casa de um escritor. E foi diretamente para a sala dele voando e voando. E eis que, de repente, trombou-se com uma pilha de livros bem em frente dele. Caiu-se de costas e começou a espernear e a espernear. Mas, não saía do lugar. O escritor, vendo-o e notando o seu perseverante esforço para sobreviver, resolveu ajudá-lo. Colocou, então, um cinzeiro pertinho dele. E o besouro, esbarrando-se nele, desvirou-se. Descansou um pouco. Sentiu-se forte e salvo. Como um vitorioso alçou o vôo. Feliz da vida foi direto para casa. Ao lá chegar começou a contar as suas proezas para parentes e amigos ¾ que eu fiz isso, fiz aquilo, que eu sou bom, valoroso e precioso. E, então, quando me trombei com uma pilha de livros diante do homem e senti a lisura do vidro às minhas costas... ¾ Neste momento, deu um branco na memória do besouro. Todos estavam admirados, invejosos e espantados com as proezas do besouro, principalmente, por ele ter-se deparado com o homem e voltado ileso. Por isso, pediam-lhe que continuasse a narrativa. Mas, o besouro começou a chorar, ficou envergonhado e logo se sentiu desprezível, angustiado e nauseado. Um velho besouro, que ouvia a história do seu amigo, chamando-o de lado, disse-lhe: ¾ Conheço o dono desses livros. Se você não se espantasse com ele, você teria desviado dos livros e não seria derrubado. Ainda, para o seu azar, caiu-se de costas. Aconteceu também comigo quando passei por lá pela primeira vez. Mas eu vi a mão do homem que parecia querer matar-me com o cinzeiro. Falei comigo mesmo que isto seria ótimo, porque o vidro, às minhas costas, era tão liso que eu iria morrer de qualquer jeito. Mas, qual foi o meu espanto ao conseguir desvirar-me esbarrando-me no cinzeiro. Senti-me um panaca. Mas era um panaca feliz. Estava vivo. E voei, voei, voei, e fui para casa. Um hábil besouro voador não se tromba com nada. Ele aterriza com as patas voltadas para o solo e, de há muito, não passa por uma situação de ter de se desvirar. Se não fosse a compreensão do escritor, estaríamos mortos há muito tempo. Mas, pare de sentir-se tão pequenino e desprezível. Porque você é útil e precioso mereceu ajuda do homem que precisa de nós. ¾ Como precisa de nós? ¾ Ora, ele já conseguiu ter noção de que fazemos parte do ecossistema! A sua vida vale muito. Você reproduz, vive e faz diferença na natureza. A lição que esse episódio ensinou para nós, os besouros, foi que é melhor treinar para não se trombar com os livros do que ter de se desvirar. Melhor alegrar-se de não ter entrado numa fria do que se alegrar por ter saído de uma gelada.

 

Em síntese, para uma boa saúde contínua o que deve ser seguido é a ordem natural do que é adequado aos momentos biográficos e históricos respectivos. As emoções primárias são adequadas aos primeiros momentos, os bons sentimentos aos segundos, os sensos positivos aos terceiros e o juízo certo para os quartos momentos para que haja o colorido do viver bem. Em contraposição, teríamos o escurecimento, ou o apagado dos acontecimentos de uma vida sem sentido.

Assim, poder-se-ia fazer uma analogia das emoções, sentimentos, sensos e juízos com as cores primárias e suas múltiplas misturas clareando-as e escurecendo-as, tornando-as mais apagadas e mais vivas, ou mais fracas e intensas.

 

Para a raiva a melhor cor é a vermelha. No calor do fogo e fervura da raiva pode-se provocar uma luta sanguinolenta.

Para a alegria, o amarelo. As suas tonalidades simbolizam o ouro, a riqueza e a abundância que só geram alegrias.

Para o prazer, o azul. É preciso estar tudo azul para que o prazer possa se apresentar em toda sua exuberância e garbo nas plumas de vário matiz.

A calma é a luz que ilumina tudo para percebermos melhor todas as cores, ou o colorido das coisas. Só poderia ser o branco da paz para clarear as demais cores dando-lhes o realce de luz e sombra na arte de expressar a realidade de um objeto que se está pintando. Para tolerar é preciso ter calma. Para se ter paciência é necessário ter tolerância e calma, antes de tudo. E a paz de espírito é o integrador da calma, da tolerância e da paciência.

O medo é a escuridão que apaga a luz da sabedoria e da visão plena, tornando-nos, de repente, obscuro tudo que estava claro; desconhecido o conhecido, aproximando-nos da ameaça, do perigo, da desgraça e morte; e, que nos faz enfrentá-los ou esquivar, fugir, fechar os nossos olhos, ou desmaiar. E diante da grande ameaça e do perigo invencível, escurecendo tudo, nada melhor do que o medo ser representado pela cor preta para escurecer as demais. Preta é a cor da sombra da assombração, ou da escuridão da noite que nos amedronta.

Agora, se fizermos uma mistura de duas ou mais dessas emoções, tornando-as mais intensas, enfraquecendo-as, ou clareando umas mais e escurecendo outras, teríamos a classe dos sentimentos. Na vivência, ora enfrentando impasses, ora dissabores e perdas ou seus contrários, uns alternando com os outros, as emoções naturais assumem novas características. Daí, surgem o ódio pela intensidade da raiva, o pavor que é um medo maior, a ansiedade e a angústia que são misturas da raiva e do medo que se alternam e se intensificam para depressão. São, pois, sentimentos que se originam das múltiplas variações das emoções naturais que tomam características  distintas.

E, com a participação do conhecimento e do pensamento, teríamos os sensos e, acrescentando-se, ainda, a imaginação, a reflexão e a compreensão surgiriam os juízos mais sensatos.

A cor amarela representando a alegria misturada com a cor azul do prazer, daria a cor verde da expectativa, da fantasia, do sonho, da esperança, da crença e nos bons e grandes acontecimentos futuros. Assim, esperamos, fantasiamos, sonhamos e acreditamos que nos aconteçam coisas que previamente sabemos ser boas ou bastante boas pela alegria e prazer que já sentimos nas raras oportunidades que as experimentamos, da maneira implícita ou explícita.

O marrom é a mistura do vermelho com o preto, podendo-se obter várias tonalidades misturando-se com outras cores como o amarelo, o azul, o branco e demais variações.

Temos que o preto é o medo.

Poderíamos, então, imaginar os pretos crepusculares do temor, do susto e do pavor avançando para a noite nublada do pânico, ou para a noite pálida do terror. Quanto mais intenso é o medo mais aumenta o horror.

A luz na noite de luar, ou de céu estrelado, põe boa dose de branco no preto para transformar o arrepio, a inquietude dos sentimentos ruins e os tremores do temor em calma e paz, ou em cinzas para o passado sombrio, triste e nauseabundo.

Ao final da madrugada escura, e quando já meio cinzenta pela presença tênue dos primeiros raios solares anunciando o amanhecer, começamos a nos livrar do medo das trevas da ignorância para uma visão melhor dos acontecimentos de mais um novo dia de grande oportunidade, expectativa, esperança e fé com o brilho dos orvalhos sobre o verde dos campos e das folhas dos arbustos.

Temos que o vermelho é a raiva. Portanto, poderíamos, imaginar o vermelho-sangue da ira, ou cólera, intensificando-se para o ódio, violência e agressão.

Do preto com o vermelho, ou a mistura do medo e raiva, ficaríamos com o marrom escurecendo-se, cada vez mais, que dá a ansiedade indo para angústia e desta para a depressão.

Ou clareando-o gradualmente com o branco da paz, a ansiedade tende para a calma, que adicionando amarelo e vermelho, cujo teor mais de um que do outro se pode conseguir um tom alaranjado da coragem ou um tom rosa da equanimidade, paciência, ânimo e entusiasmo. E, daí, pode-se trocar a ansiedade pela expectativa de bons acontecimentos futuros adicionando-lhe um pouco de verde. Ou, evitar ou afastar esse verde apagado invadindo-o pelo marrom-bege e castanho-claro desbotado, que é uma tristeza, ou uma melancolia das mais profundas.

Ainda, pode-se produzir um cinza bem claro quase branco para apagar as más lembranças e, com o branco reluzente da paz de espírito, sair-se para uma vida de novas deslumbrantes cores.

O alaranjado vem das cores vermelha e amarela, cujas várias tonalidades são obtidas misturando-as juntamente com algum teor de branco, ou com uma pitadinha de preto. Logo, a raiva e a alegria misturadas com algum teor de calma e uma pitadinha de medo dá o alaranjado da coragem.

Que, acentuando-o, gradualmente, com um pouco mais de vermelho puro da raiva, mais a vontade, o desejo e a intenção de vencer, obtém-se a impetuosidade, o arrojo, a ousadia e a audácia, respectivamente.

Na reação e ação de enfrentamento em ameaças de perigo surgem as emoções do grupo do medo combinadas com as do grupo da raiva. Para chegar à alegria, passa-se pela coragem, que ao superar o obstáculo ou o impasse, sobrevém a calma seguida pelo entusiasmo de viver.

Logo, da pitadinha do preto até chegar à última pitada do amarelo, pulando a mistura do vermelho com o amarelo, pode-se juntar o vermelho da raiva com as tonalidades brancas da calma, da tolerância, da paciência e do equilíbrio resultando a cor-de-rosa do entusiasmo, ânimo e exaltação.

Temos que a alegria é o amarelo. Da qualidade de suas tonalidades surgem as cores ouro do bom humor, dourado brilhante do contentamento e dourado cintilante da euforia.

Do azul do prazer surgem lindas tonalidades como azul-espuma da volúpia, o azul-céu de nuvens brancas num bom dia promissor e calmo do orgasmo demorado e o azul-cintilante das delícias inesquecíveis.

E o que falar dos sentimentos representados pelo lilás, pela cor maravilha e pela cor púrpura? Todas elas têm o azul carregado de vermelho para mais, ou para menos, e com o branco para amenizar. O lilás é um violeta-claro. A maravilha é um rosa arroxeado e berrante. A púrpura é corante vermelho-escura tirante a violeta.

Se juntarmos a raiva e o prazer pode dar um roxo de paixão com o azul pouco mais carregado do que o vermelho, ou roxo de arrependimento com o vermelho mais carregado do que o azul. Com um pouco de branco dá o lilás da simpatia e empatia.

Com uma pitadinha de amarelo-claro podem surgir os bons sentimentos de amizade e solidariedade.

O entusiasmo da paixão correspondida é uma maravilha.

O ódio vencido pela calma, pelo prazer e pela paixão com uma pitadinha de medo resulta na cor púrpura da dignidade, da honra e dos sentimentos nobres.

Nos quadros a seguir, estruturou-se uma classificação, seriação e seleção das sensações, emoções, sentimentos, sensos e juízos distribuídos conforme uma analogia com as cores, a partir das três primárias mais o branco e o preto não só no sentido de clareá-las ou escurecê-las como também para influenciar nas suas derivadas.

Na estrutura, os elementos podem ser retirados, acrescidos e mudados de posição, segundo entendimento e experiência de cada indivíduo no que se refere à presença ou ausência de um ou alguns de seus componentes formadores, ou segundo teor de intensidade para mais ou para menos para evitar os sinônimos e as confusões em níveis de momentos.

Observe-se nas três colunas centrais do quadro 1, que as cores são primárias e nas colunas das extremidades estão as cores para escurecer e clarear. Os elementos de cada coluna começam tênues como as sensações e acentuam-se com as emoções mais intensas positivamente passando para os sentimentos negativos ou patológicos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quadro 1.

PRETO

VERMELHO

AMARELO

AZUL

BRANCO

medo

raiva

alegria

prazer

calma

 

tremor

alerta

susto

espanto

assombro

esquiva

rejeição

fuga

temor

receio

acanhamento

pudor

vergonha

timidez

culpa

confusão

nervosismo

inadequação

constrangimento

remorso

pasmo

pavor

pânico

covardia

terror

estarrecer

neurose

inanição

fobia

paranóia

tanatofobia

 

dor

aversão

gastura

irritação

zanga

bronca

braveza

indignação

rancor

 ira

cólera

rebeldia

pirraça

animosidade

revide

ofensa

desdém

desprezo

vingança

arrebatamento

fúria

ódio

exasperação

agressão

perversidade

violência

tortura

revolta

revolução

psicose

matança

 

calor

sorriso

risada

humor

bom humor

hilaridade

júbilo

disposição

regozijo

gargalhada

brincadeira

diversão

contentamento

encantamento

maravilhamento

jactância

vaidade

garbosidade

exuberância

felicidade

euforia

patuscada

farra

festa

pândega

zombaria

mau humor

indisposição

insatisfação

ressaca

delírio

 

alívio

frescor

gostosura

saciação

reequilíbrio

sossego

lazer

descanso

relaxamento

intimidade

sensualidade

carinho

carícia

sexualidade

delícia

volúpia

orgasmo

deleite

êxtase

libidinagem

licenciosidade

gula

luxúria

orgia

preguiça

ócio

sadismo

masoquismo

ninfomania

mania

alucinação

 

saciado

quietude

humildade

tolerância

serenidade

paciência

transigência

confiança

firmeza

pureza

transparência

autenticidade

segurança

harmonia

plenitude

paz

bom-senso

certeza

aceitação

confiança        vida

hesitação

dúvida

perplexidade

intolerância

impaciência

inquietação

estresse

insegurança

indecisão

intransigência

No quadro 2 seguinte, as cores são derivadas.

Novamente as cores: preto (medo) e branco (calma) se fazem presentes. Ambas misturadas, desta vez: o preto (medo) com o vermelho (raiva) na primeira coluna (dá marrom) e na última coluna o branco com vermelho (dá rosa).

E, nas colunas centrais aparece a combinação das três cores primárias.

O vermelho (raiva) com amarelo (alegria) que resulta a cor alaranjada, o azul (prazer) com o amarelo (alegria) que dá o verde, e o azul (prazer) com o vermelho (raiva) que dá o roxo.

De igual modo começam tênues intensificando cada vez mais a partir da positividade atingindo os negativismos.

Quadro 2.

MARROM

LARANJA

VERDE

ROXO

ROSA

dodói

ânsia

nojo

náusea

repugnância

ansiedade

fissura

decepção

frustração

inconformismo

tédio

aborrecimento

ressentimento

desapontamento

fossa

mágoa

angústia

depressão

tensão

fracasso

precipitação

suicídio

rubor

coragem

impetuosidade

arrojo

ousadia

audácia

despeito

ironia

teimosia

tenacidade

perseverança

atrevimento

desaforo

petulância

desafio

insolência

impertinência

irreverência

temeridade

hostilidade

coação

repressão

expectativa

perspectiva

fantasia

devaneio

vontade

desejo

intenção

desígnio

sonho

esperança

crença

ilusão

auto-engano

desespero

aflição

desamparo

abatimento

desalento

resignação

indiferença

inércia

mortificação

tormento

paixão

arrependimento

cumplicidade

fidelidade

lealdade

contrição

pena

autopiedade

ciúme

pirraça

inveja

desqualificação

humilhação

intriga

 vexame

ultraje

preterição

traição

infidelidade

entusiasmo

ânimo

empolgação

animação

movimentação

dinamismo

incentivo

reforço

motivação

interesse

disposição

vivacidade

equanimidade

exaltação

ambição

avareza

ganância

furor

orgulho

desânimo

desmotivação

desinteresse

 

 

No quadro 3 há a combinação de duas ou mais cores. São novas cores que se distinguem pela sua raridade e beleza significando diferentes situações onde as emoções se transformam em sentimentos, estes em sensos, ou juízos.

Sentimentos, sensos e juízos tais, que sofrem as mais variadas influências da experiência, vivência, conhecimento, da sabedoria, pensamento, suas faculdades, ou do vivenciamento, que envolvem o comportamento, a conduta e o procedimento.

Também podem ser recíprocos.

Em vez das emoções artificiais, dos sentimentos, sensos e juízos sofrerem influências, eles é que podem influir sobre a experiência, conhecimento, sabedoria, pensamento e demais eventos da vida humana.

Há, então, certas manifestações e estados de espírito que modificam e variam quanto à exuberância, garbo, beleza, magnitude, brilho e cintilação.

Nada melhor do que representá-los pela furta-cor, a cor cambiante segundo a influência da luz projetada. Observe-se que na pintura, o branco representa a presença da luz e o preto, a dominância da sombra, do escuro das cores ou da ausência de luz. E a luz dá o cintilante, o brilho e o claro das cores.

Quadro 3.

BEGE

LILÁS

MARAVILHA

PÚRPURA

FURTA-COR

marrom-claro + amarelo

violeta-claro

rosa arroxeado berrante

vermelho escuro + roxo

nuanças

surpresa

choque

tristeza

melancolia

isolamento solidão

nostalgia

consternação

saudade

marasmo

torpor

atração

simpatia

empatia

afinidade

fraternidade

amizade

solidariedade

companheirismo

união

antipatia

inimizade

consideração

 auto-estima

amar

ser amado

complacência

admiração

contemplação

dedicação

amor desprendimento

adoração

respeito

disciplina

nobreza

dignidade

honra

mérito

caridade

humanitarismo

inteligência justiça

perdão

escolha

determinação

decio

sinceridade

juízo

questionamento

crítica entendimento

compreensão

prepotência

arrogância

 

Por exemplo, à luz da verdade, ou a sua pouca luminosidade, pode fazer variar o juízo sobre um mesmo fenômeno, fato, ou idéia.

Basta uma leve suspeição para se fazer um juízo do suspeito já o enxergando como portador do jeito de desonesto, do olhar de mentiroso, do andar sorrateiro, ou da expressão de mau caráter, e outros vestígios e indícios apropriados.

Entretanto, ao saber que o suspeito é inocente, o juízo que se tinha dele cambia para o lado oposto, parecendo já bem diferente, cara de probo, até simpático, tendo certeza de que jamais passou pela cabeça como sendo ele o verdadeiro autor do delito.

Já a arrogância, a prepotência e a soberba podem brilhar no topo por um momento, mas a sua cintilação tende a apagar-se e levar tudo à escuridão.

Em outras manifestações como a sinceridade, o entendimento e a compreensão plena são de tamanha magnitude, exuberância, garbo e beleza que tendem a aumentar o seu brilho quanto mais irradiam as suas luzes singulares no passo de transformar as trevas das paixões negativas, da estupidez, da ignorância e da irracionalidade no colorido do arrependimento, da resignação, da boa ética e dos saberes do mundo para a fruição da beleza da vida feliz.

O homem é por natureza saudável, potencialmente bom, com tendência ao triunfo e completo como indivíduo ou como totalidade para a construção de sua plena felicidade.

Nasce-se bom.

E mais: voltado para o triunfo e pronto para a uma ótima vida e para uma sobrevivência de modo saudável e solidário.

Só um ambiente adverso cuja opção de vida se torne a que submete a pessoa a sacrifícios injustos, a qualquer custo, ou a que ameace os seus valores naturais mais sagrados poderá torná-la mau, submissa, rebelde, revoltada ou revolucionária.

Daí, num bom ambiente desfrutado pela maioria da totalidade não há como florescer a maldade, perversidade, egoísmo, malefício, e a fome; também, o negativismo, a penúria e as doenças.

A perversidade é um estado do homem produzido e reproduzido por essas más circunstâncias e situações, ou pelos maus momentos biográficos e históricos. Seja ela vivenciada ou efetivada da maneira deliberada, intencional, premeditada, irresistível, estúpida, sistemática ou por inépcia não deixa de ser um estado, uma circunstância, uma situação, um transe ou um estado hipnótico.

Todo estado, circunstância, situação ou sistema é passível de ser mudado, abandonado ou substituído.

Logo, a perversidade, tal como o seu vício ou uma doença qualquer, por ser um estado circunstancial e situacional, não tornará o seu portador irreversivelmente estúpido, perverso, mau, ou doente. Podendo, assim, ser curado, recuperado e reintegrado no ambiente adequado e protetor, ou acordá-lo para a superconsciência.

Contudo, qualquer que seja a mudança, esta será satisfatória, plausível e definida quando conseguida no mesmo parâmetro em que foi construído e constituído o que se quer mudar. Não se muda parte dos alicerces de uma construção sem ter protegido cuidadosamente paredes e tetos que permanecerão inalteráveis. E a reposição de novos materiais deve obedecer a ordem natural e lógica do desenvolvimento da unidade. E frise-se que repor, aí, não é emendar e nem remendar. É substituir os valores e padrões obsoletos pelos atualizados e válidos para a eficácia de uma renovação estável e duradoura.

As verdadeiras causas, os motivos e as razões maiores da perversidade, criminalidade e dos distúrbios sociais não estão na individualidade mas no contexto histórico-biográfico amplo e sistemático.

É preciso amenizar os seus efeitos, as conseqüências e os resultados negativos.

Contudo, é preciso muito mais combater os seus princípios e suas origens que são maus. Porquanto estão fundados no egocentrismo administrativo sob influência, domínio e controle inescrupuloso do sistema manipulativo, poderoso e hipnotizador. A ideologia hipnótica resultante desse sistema vigorante é que produz e reproduz, continuamente, os aspectos negativos da vida social, através de meios, recursos e instrumentos reforçadores sem que ninguém se dê conta em superá-los.

Eis porquanto a hipnose ideológica mantém todos como conscientes, mas acordados e interativos na realidade ilusória tão realística que até os soldados ao metralharem seus inimigos ou o meliante que mata a sua vítima para roubar e a pessoa física ou jurídica, privada ou pública que induz a matança para a defesa de seus patrimônios e outros interesses crêem que o faz em causa própria justa e certa, não se dando conta de que seja maléfico ou benéfico.

Faz o que faz, por conta dos comandos, a bel-prazer, da ideologia vigorante e hipnotizadora.

É preciso acordar desse transe hipnótico consciente que produz e reproduz uma realidade artificial automática que favorece uns em detrimento de outros.

Urge, por conseguinte, desprender-se dos reforçadores de crenças irracionais e evitar o jogo do poder* para libertar-se dos condicionadores que retiram a autonomia e a autenticidade do indivíduo.

As conseqüências boas ou más também são partes do sistema porquanto não visam e nem escolhem os seus sujeitos mas apenas as suas duas faces respectivas no intuito exclusivo de usá-las para satisfazer os seus interesses particulares.

É preciso sair do hábito adaptador dessa realidade ilusória e trazer a precisa realidade objetiva verdadeira retomando-se as consciências autênticas e reais (superconsciência) nos devidos momentos biográficos e históricos para que se possa evitar, de vez, todos os malefícios e enfermidades na reconstrução da verdadeira vida objetivamente feliz.

Não há mudanças abruptas saudáveis. Elas devem ser processadas, por isso são gradativas e cinemáticas em busca da harmonia. É como filtrar a água poluída.

É preciso que determinadas gerações contaminadas pelas sujeiras egocêntricas da maldade humana passem pelos poros estreitos do filtro depurador para que desçam sem as impurezas que infernizam todo o planeta e mereçam a transformação e o convívio, com todos desfrutando a autêntica felicidade da vida.

O mundo tem a doença e toda a sorte de malefícios como também tem a saúde, solução, remédios eficazes e inumeráveis benefícios.

O mundo não é e não está doente.

Cabe ao homem classificar, seriar, selecionar e estruturar o que está bom e o que está mau. Cabe a ele também arranjá-los, permutá-los, combiná-los e organizá-los para que possa bem administrar a fartura. A fartura geral afastará os malefícios.

A fartura resulta da filtragem da realidade objetiva poluída assim como exsurge o bom senso para filtrar a impura realidade subjetiva, no passo de receber o amor autêntico.

Cabe ao juízo coletivo operá-los para que todos possam usufruir a paz, a saúde e a harmonia social que se ressuscitam dessa filtragem.

Assim, desde logo, que o ser humano, realmente, conviva, universalmente, merecendo e desfrutando, continuamente, todos os benefícios produzidos pela fartura enquanto dure a sua vida. Contudo, em níveis cada vez melhores e mais altos, não apenas para alguns privilegiados, mas para a totalidade dos vivos.

 

Este é o desafio e a sua missão maior.

 

 

 

 

 

[36]



* Comer bem. Veja Apêndice na página 161 e Nota de fim n.º 34 na página 236.

*A essência da culpa está na previsibilidade. Se o agente devia, mas não podia prever as conseqüências de sua ação, não há culpa. A previsibilidade pode ser subjetiva e objetiva. A previsibilidade subjetiva é referente às condições pessoais do agente dentro de sua capacidade ou possibilidade particular de previsão. A previsibilidade objetiva é a que se refere à capacidade de prever que se presume todos possam ter.

 

* Alimentos saudáveis. Veja apêndice e Nota de Fim n.º 34 nas páginas 161 e 236.

* Adequação. É o ato de adequar que significa tornar próprio, acomodar-se, ajustar-se, apropriar, adaptar-se para uma situação cada vez melhorada. A adequação é a conformidade ou correspondência exata entre os termos de uma relação. Adequar um caminho a seguir é escolher e determinar um ou mais métodos apropriados. Por conseguinte, não há um método geral para todo tipo de pesquisa, discussão científica, ou para resolver um impasse qualquer. Porém, as atitudes e os cuidados aqui tratados são recomendados para qualquer método ou conjunto de métodos a serem utilizados. O pensamento, a teoria, a ciência, a técnica, a tecnologia e seus instrumentos são os recursos utilizados para a seleção e determinação do método ou conjunto de métodos que melhor se ajustam no implemento de determinado projeto. Por isso, a adequação é pertinente ao terceiro momento em conexão, predominantemente, com as necessidades dos segundos momentos.

 

* Jogos afetivos. Ou jogos psicológicos. São transações complementares no relacionamento entre duas ou mais pessoas cada qual em busca de uma satisfação particular oculta e inconfessável que se desenrolam até um desfecho definido e previsível. Segundo Eric Berne, os jogos são constituídos por uma série de lances com uma cilada ou truque no meio ou no fim. Todo jogo psicológico é basicamente desonesto, não sincero e, às vezes, de modo automático cujo desfecho tem certo caráter dramático. V. “Os jogos da vida” – Eric Berne – Artenova.

* Jogo do poder. Veja Nota de Fim n.º 42 na página 259.

ª Esfíncter para a reação automática. Musculatura que se contrai para vedar intervenções racionais.

* Confusão entre subjetividade e a objetividade. Veja Nota de fim n.º 44 na página 263.

* Emoção negativa. Diz-se negativa toda emoção natural (raiva, medo, calma, alegria e prazer) em excesso, prorrogada e não resolvida no primeiro momento de saciedade provocando reações negativas (inanição, indiferença, violência, agressão, vias de fato, hostilidade, retaliação, a submissão e insubmissão patológicas, ódios, mágoas, preocupações infundadas, tristezas profundas, ansiedades, angústias, depressões, estresses, euforia psicótica, fobias, manias, transtornos psíquicos, mudanças de humor, delírios, etc.)

* Besouro. História inspirada em uma experiência narrada por Eric Berne, adaptada para a teoria dos momentos.

* Jogo do poder. Veja Nota de Fim n.º 42 na página 259.



[16] TÓPICA. A tópica foi analisada com profundidade por Aristóteles.

Pontos de vista diferentes surgiram sobre a tópica aristotélica.               

As proposições, demonstrações e os princípios científicos se achavam separados das conceituações dialéticas.

Os princípios dialéticos se referiam às argumentações que concluem a partir de premissas aceitas ou validadas pelo senso comum. Opera-se com opiniões opostas enquanto em confronto estabelecendo posturas críticas a partir dos lugares-comuns de reconhecida força persuasiva.

A finalidade da tópica, nesse sentido, tende mais para encontrar premissas verossímeis do que obter um resultado conciliatório de benefício universal. Pois, a decisão e a conclusão dialética estão voltadas para o particular. As premissas verossímeis dizem respeito à validade genérica até prova em contrário. Assim, cada caso deve merecer tratamento específico também, como se fosse único, ainda que se assemelhe com outros. É na diferença que se encontra a sua identidade particular, não se admitindo generalização na recuperação de sua integridade própria com o devido respeito à sua individualidade.

Lugar-comum, a base da tópica, é a fonte de onde se podem tirar provas, argumentos e recursos afins para quaisquer assuntos. Os lugares-comuns são os diferentes pontos de vista e versões de um assunto, ou fórmulas, termos-chave, argumentos ou idéias já muito conhecidas e repisadas.

A tópica é uma técnica de pensamento que se orienta para problemas. O problema é assumido como um dado, informação, pista, situação, ou como algo que dirige e administra a argumentação que pode resolver o impasse ou determinar uma solução possível entre outras. Parte de conhecimentos fragmentários, dos diferentes pontos de vista, das variadas versões do mesmo fato, ou de problemas acolhidos como alternativas para as quais se buscam soluções ou resultados aceitáveis ou pelo menos que possibilitem a compreensão do caminho certo a seguir na sua extensão. A coleção seletiva desses dados e noções pode fornecer as premissas que permitem a condução da argumentação para prever, predizer e orientar o propósito dando o senso de oportunidade e a possibilidade de avaliar a força de persuasão.

Em síntese, a tópica conta com os conhecimentos fragmentários para resolver um problema. Para esse objetivo procuram-se as premissas úteis, valorativas, adequadas e promissoras, ou opiniões verossímeis para tê-las como premissas ótimas.

As variadas versões do assunto são tomadas isoladamente na busca dessas premissas aceitáveis. Extraem-se delas pistas, abduções, indícios ou conclusões para uma boa decisão, ou a solução mesma do problema.

Os diferentes pontos de vista indeterminados sobre um mesmo assunto são os lugares-comuns que permitem abordar problemas e deles partir para buscar e construir argumentos seletivos onde a razoabilidade das opiniões é fortalecida. Ou, ainda, que se exigem colocações a partir desses lugares-comuns que não chegam a fechar o assunto, mas permitem compreender a sua amplitude. Daí a importância das indagações. Uma indagação pode ser conduzida para o geral com possibilidade de obter respostas comuns ou diversas. A resposta comum com tendência genérica pode funcionar como premissa forte. As diferentes respostas podem mostrar a amplitude do problema. As diversificadas indagações sucessivas, associadas e coerentes, podem ser conduzidas a um mesmo público ou ao mesmo indivíduo. O conjunto das suas próprias respostas relativas a cada indagação em harmonia com as esperadas, por serem respostas comuns, pode-se encaminhar a conclusões previsíveis.

Assim, a tópica não leva a argumentação ao rigor da lógica e nem permite a redução das decisões a silogismos, mas ela produz ênfase ao uso de distinções, redefinições, analogias, ambigüidades, interpretações, ironias, etc.  

Daí, no impasse relativo à presença de mal-estar, dor, etc., procura-se uma premissa verossímil genérica dessa característica para constatar a validade de seu procedimento para a possibilidade de aplicação no caso específico em questão. Para se obter um diagnóstico acertado é preciso respostas (lugares-comuns) adequadas e selecionadas para uma série de indagações relativas. De posse do diagnóstico certo, ter-se-á a conclusão de como prevenir, tratar e superar o impasse com grandes probabilidades de sucesso. (Megaconsciência ― S. Okada).

Por exemplo, o psicólogo clínico ver-se-á o seu trabalho mais facilitado quando ele conseguir o psicodiagnóstico de seu paciente. Neste mister ele procurará obter conhecimento sobre os vários aspectos que o envolvem a fim de descrever a sua condição psicológica. Através das entrevistas, testes, técnicas e informações das fontes de suas relações ― social, profissional, familiar, escolar e outros ― encontrará dados suficientes sobre a sua história de vida (momentos biográficos e históricos), potencialidades intelectuais, aptidões gerais, valores, incidentes, episódios, vontades, desejos, intenções e sonhos, motivações, interesses e objetivos, hábitos, influências, relações, fé, sentimentos e crenças além das características de sua personalidade. O psicodiagnóstico assim levantado e apurado é justamente a totalização da tópica facilitadora no sentido de buscar a solução ou a melhor compreensão do tratamento psicológico do seu paciente.

A tópica fornece amplo leque de problemas, lugares-comuns e diferentes pontos de vista. Numa visão estática e linear a compreensão é pouca, embora o seu caminho seja perceptível de modo vasto e genérico.

Mas, à medida da familiaridade e da intimidade com alguns desses diversos pontos de vista ou de seus fragmentos mais próximos desponta a consciência cognitiva para as conexões viáveis e possíveis com os demais fragmentos. A classificação e seriação  já fornecem dados suficientes para a consciência intelectiva para a seleção desses fragmentos e pontos de vista no passo de sua autêntica interpretação objetiva. A espiral vai se formando até chegar no topo quando a compreensão é máxima e a extensão já é mínima, podendo olhar do alto e sob várias dimensões a amplitude do problema. A sua solução relativa, na extensão de cada uma de suas espiras, tornada evidente, já ocupa a sua posição em seu nível de restrição no contexto maior que podemos chamar de espiral do desenvolvimento.

 

[17] LUGAR-COMUM. Fonte de onde se extraem argumentos, indícios, idéias, provas, pistas, etc. para quaisquer assuntos. Veja Nota 16 acima.

 

[18] APRENDIZAGEM. ... ¾ A aprendizagem é o projeto, o seu implemento e o desfrute real relativo. A aprendizagem é semelhante a um prédio em construção. O prédio é o indivíduo. Ou seja, toda a sua realidade subjetiva em correspondência harmônica com a sua realidade objetiva. Assim como não se faz um prédio útil e sólido sem o seu projeto, nada o indivíduo pode ser, estar, ter, fazer e acontecer sem que aprenda primeiro. E aprender é tudo, pois, aprende-se o que pode fazer para saciar-se, a conhecer a si próprio* e a acrescentar mais conhecimento ao que já aprendeu. Aprende-se a fazer o que deve e o que não deve, a pensar e raciocinar bem, como se manter com saúde, ser feliz, como viver bem com os demais, enfim, a ampliar a consciência! Portanto, cada indivíduo deve desenvolver o projeto de construção do seu mundo subjeto e ocupar-se de criar e obter novos conhecimentos desenvolvendo aptidões úteis, boas idéias e saberes eficazes e éticos. Mas é preciso saber que um projeto e a trajetória do seu implemento é apenas a ida. A sua volta é que dá o conhecimento complementar ratificado ou retificado à medida do desfrute e uso dessa sua realidade respectiva pronta. O seu mundo exterior precisa de você apto, com saúde e importante. Faça o seu projeto, querendo, e saberá o que aprender, como aprender e à medida de sua interação com a sua realidade objetiva ¾ aplicação teórica, treinamento, prática, implemento, desfrute e produtividade compartilhada ¾ poderá inová-lo, modificá-lo, ajustá-lo, adequá-lo, reinventá-lo, aprimorá-lo ou rompê-lo para viver novos paradigmas em níveis superiores. Aprenderá a estruturar o seu tempo em quatro momentos biográficos e históricos para ocupar-se de viver e administrar a sua liberdade autêntica aprendendo o necessariamente bom para ambas as suas realidades. Certamente, o amor e a inteligência estarão na sua caminhada. Só assim você estará fazendo, realmente, uma diferença para construir um mundo melhor para todos.

Este processo subsistirá, enquanto necessário para a consolidação e deleite, tal como a reação circular terciária (Piaget), ou como em movimentos rotativos e interativos de ida e volta quer lineares quer planas e espaciais; retilínea, angular, circular e espiral; ou, em cadeias, redes, ciclos e sistemas, no contexto das conexões projeção ↔ introjeção; análise ↔ síntese; indução ↔ dedução; extensão ↔ compreensão; particular↔ universal; individual (específico) ↔ genérico (geral); princípio ↔ fim; orgânico ↔ inorgânico; sujeito ↔ objeto; etc. (Megaconsciência – S. Okada).

(*) A propósito de “conhecer a si mesmo”, em alusão a Sócrates, em princípio; faço questão, venia permissa, de inserir aqui uma das mais lindas significações, nesse sentido, que veio cair em minhas mãos. São as expressões de Maria Cândida Moraes em sua obra “O paradigma Educacional Emergente” - pág., 167 -, 4.ª ed. Papirus, 1997, Campinas – SP: “... É o autoconhecimento que permite conhecer o próprio corpo, as próprias necessidades, os próprios questionamentos, ter acesso a sua própria vida sentimental, a sua gama de afetos e de emoções, a sua capacidade de efetuar discriminações para que possa entender e orientar seu comportamento e as relações consigo mesmo, com a sociedade e com a própria natureza. Se existe fragmentação interior em sua ecologia pessoal, esse indivíduo possivelmente engendrará uma explicação fragmentada de sua realidade, produzirá emoções destrutivas no plano da vida, no plano do corpo físico, gerando um possível sentimento de apego e possessividade em relação a coisas, pessoas e idéias. Produzirá, também, emoções destrutivas relacionadas ao stress, que destrói o equilíbrio de seu próprio corpo e suas relações sociais.”.

 

[19] ... a compreensão é a mais bela e profunda situação de visão psíquica que transcende a vida, a morte, o tempo, o espaço e a velocidade dando-nos um posicionamento no infinitamente pequeno ou grandioso, no real e no imaginário, integrando os nossos reflexos, conhecimento, saber e o pensamento.

Certa vez, meu primeiro professor de Filosofia perguntou para a minha classe, qual é o animal com quatro patas. Demonstrou ele que o seu universo de respostas era muito grande. Assim, a compreensão era mínima, dada a sua extensão máxima.

Acrescentou, em seguida, gradualmente, ao animal de quatro patas, caracteres como doméstico, que sobe em árvores e que faz miau, concluindo que à medida que a extensão de respostas diminui ao ponto mínimo, a compreensão aumenta ao máximo. E finalizando, expôs que segundo o sábio  Aristóteles os termos da proposição indicam o que uma coisa é ou faz. E se distinguem em gênero, espécie e indivíduo. O gênero correspondente ao animal de quatro patas tem extensão maior e compreensão menor. A espécie no exemplo representa o animal doméstico cuja extensão é média como a  compreensão que também é média. O indivíduo é o animal que faz miau que possui a extensão mínima e a compreensão máxima. Dentre os inúmeros animais de quatro patas, a qualidade de doméstico subindo em árvore e que faz miau, o  gato é o único. (Megaconsciência ― S. Okada).

Edgar Morin fala de duas compreensões. Na forma de compreensão intelectual ou objetiva e na forma de compreensão humana intersubjetiva (Os sete saberes necessários à educação do futuro, Cortez, Brasília, DF: UNESCO, 2000, pág. 94.).

Contudo, a compreensão é uma só, independentemente dessas duas formas e outras. A compreensão é plena quando expressa um único termo dentre inúmeros que formam ou podem compor a sua extensão. Daí, compreender uma coisa, ou determinadas coisas entre várias, é cercar e especificar um só dos seus elementos considerados ou um só conjunto seletivo de coisas tomadas da sua extensão máxima, separando-o dos demais ou excluindo estes quer por redução ao absurdo, quer pela verdade evidente encontrada. Compreender a humana compreensão ou um de seus múltiplos e distintos comportamentos, condutas e procedimentos nos seus vivenciamentos quer como indivíduo, pessoa (nome, identidade, filiação, sexo, faixa etária, experiência, domicílio, naturalidade, estado civil, profissão, formação, status social, etc.), família, etnia, grupo, sociedade, empresa, espécie, nação quer como humanidade, ou a totalidade dos seus contemporâneos vivos é incluir e considerar no conjunto cercado todos os caracteres, propriedades, qualidades, valores e juízos que definem o ser humano como tal, sem que se confunda uma só de suas partes com as demais, muito menos com o todo. A compreensão além de discriminar para a autenticidade do entendimento específico, reduzindo ou excluindo fatores desprezíveis, impertinentes, não conexos e improcedentes no contexto adotado, atua no universo que considera realmente abrangente todos os elementos de definição, além dos atributos coerentes e pertinentes ao conceito, idéia, evento, fato e fenômeno, em questão.

Logo, é pela compreensão que se constrói e reconstrói uma boa ética, uma boa vivência, um bom comportamento, uma boa conduta, um bom procedimento, um bom julgamento, uma boa deliberação, um bom juízo, a boa relação humana, um teorema matemático inédito, ou um sólido e belo edifício. Daí, a incompreensão, que é o seu contrário, não se permite construir nada de bom, seja dentro das relações com o meio ambiente social, ou físico. Mas, compreendendo a incompreensão pode-se reconstruir de modo melhorado o que ela destruiu. Não há de se confundir, inclusive, uma situação ou um estado com o ser, propriamente dito. O homem não é estúpido ou irracional por natureza, mas pode estar sendo estúpido e irracional em dado momento. Daí, a compreensão leva em conta essa diferença não havendo de excluir da espécie humana um de seus indivíduos pelo seu estado de estupidez ou irracionalidade e ignorância. A incompreensão, pelo contrário, como já se disse; repita-se, é falha na percepção, identificação e interpretação além de falta de conhecimento, sabedoria e entendimento, incapacitando o sujeito de compreender os fundamentos das emoções, dos sentimentos, dos sensos, dos sonhos, desígnios e juízos alheios, com a necessária indulgência e condescendência, levando-o para julgamento tendencioso, espúrio, inescrupuloso, precipitado e preconceituoso.

 

[20] Impasse. A situação de impasse é a que se apresenta problemática. É de difícil solução quando há total desconhecimento de como superá-la. Para se sair bem do  embaraço ante uma situação difícil cuja solução parece impossível é preciso uma fuga temporária para pedir ajuda, procurar socorro ou recorrer para quem conhece e sabe resolver.

 

[21] O SUBDESENVOLVIMENTO. (Áttila Augusto Steimber de Pereira Okada) — Ricos e pobres sempre houve, desde os primórdios da civilização. Contudo, até recentemente a grande maioria dos povos em todos os países vivia em nível de subsistência ou perto disso. Somente uma minoria bem pequena, em qualquer país, era capaz de administrar recursos suficientes para gozar de uma vida muito mais generosa.

A verdadeira situação mundial, atualmente, não fica longe desse parâmetro.

Só que agora, as rendas reais de quase todas as populações de alguns países permanecem naquele nível ou semelhante, havendo poucos países em níveis bem mais altos e os demais países, constituindo a grande maioria, em níveis não desejáveis. Assim, de um lado ficam os países muito ricos e alguns caminhando nesse sentido e do outro lado os países extremamente pobres que são a maioria.

Por que essa disparidade de padrões e estilos de vida de diferentes sociedades e países cresceu tanto num mundo em que todos estão cada vez mais relacionados?

Se fôssemos observar todas as respostas dessa indagação dadas por estudiosos de diferentes áreas e especialidades não haveria causas, motivos e razões comuns que encaminhassem à plena compreensão com uma única conclusiva resposta, verdadeiramente real e aceita  por todos.

Contudo, cientistas, filósofos, antropólogos, psicólogos, economistas, historiadores, políticos, juristas e, sobretudo, os sociólogos, ao menos, dentre todos, principalmente, teriam o que apoiar nas idéias gerais de um e de outro na questão da qualidade dos países desenvolvidos, a minoria, e da qualidade dos demais não desenvolvidos, partícipes do que é chamado e conhecido por subdesenvolvimento constituindo a maioria.

Questões relevantes decorrentes dessa indagação passam a merecer maior atenção: Etapa ou permanência? Os países subdesenvolvidos podem se tornar desenvolvidos? O subdesenvolvimento da maioria dos países é a contrapartida do desenvolvimento de alguns? A teoria evolutiva cabe no processo de desenvolvimento dos países subdesenvolvidos? Os indicadores de subdesenvolvimento como aqueles ditos vitais, econômicos, sociais e políticos que distinguem o padrão e qualidade dos diferentes povos e países são pertinentes ao paradigma que induz o ser humano à sua dignidade? Existe a sociedade humana como um todo que possa algum dia resolver tais questões que levem a um resultado bom para todos ao mesmo tempo, quer para o indivíduo e grupos privados, quer para os países e para a totalidade de seus habitantes?

Certo é que as características do subdesenvolvimento precisam e devem merecer muita atenção dos que estão mais adiante na escala do desenvolvimento, porquanto, não haveria coerência de coexistência entre os seres da mesma espécie vivendo em situações de extrema necessidade, ainda mais, quando a sua causa reside na riqueza da minoria advinda do sacrifício da maioria.

Por conseguinte, a insuficiência econômica, a escassez provocada, a grande incidência de doenças sem assistência eficaz, a mortalidade precoce, a subnutrição, a desqualificação intencional da abundância, a altíssima taxa de crescimento demográfico, o subemprego, a elevada predominância de determinada composição etária, a baixa renda per capita, a criminalidade em aceleração desenfreada, os acentuados desníveis entre a agropecuária e a indústria, a absurda especulação imobiliária e concentração de propriedade, escassez de máquinas e de instrumentos adequados, indisponibilidade da alta tecnologia, ignorância e miséria por absoluta ausência de oportunidades, impunidade nas grandes corrupções, demasiada concentração de renda, além de outros não menos importantes indicadores do subdesenvolvimento são as principais causas da pobreza e miséria de qualquer população ou país.

A origem do subdesenvolvimento é histórica. Desde as sociedades ditas igualitárias nos tempos dos primevos e do início das sociedades de classes no tempo da pólis (cidade-estado) havia os seus indicadores de subdesenvolvimento próprios cujos motivos, causas e razões não diferiam muito dos atuais, porquanto, em verdade, o ser humano em qualquer época sempre se move conforme a sua necessidade presente e premente de sobreviver e isso é universal e necessário.

Num primeiro momento negativo, mata para não ser morto. Num segundo momento vive conforme hábitos, costumes e usos aprendidos, valores e padrões vigorantes. A seguir, descobrem, inovam e inventam recursos e instrumentos para facilitar a vida conforme saber e criatividade de alguns privilegiados. Foi assim o advento da pólvora, do canhão, do navio, do avião, da máquina a vapor, da energia elétrica, dos foguetes, da bomba atômica, dos microprocessadores, dos instrumentos cibernéticos, etc., tudo isso nos paradigmas de proteção do patrimônio, mercado, nação e da conquista de mais domínios, posses e da conservação particular do caráter cultural, social, econômico e político de cada grupo ou nação no sentido de preservar a sua soberania e hegemonia.

O que não há na sociedade humana, ainda, é a integração dessas três necessidades para alcançar o que é bom para as partes e bom para o todo, ao mesmo tempo, quer do lado individual quer do lado social para atender as suas premências que são aquelas básicas; as tempestivas que são o aprendizado, o conhecimento e a educação; e, aquelas de suprimentos sucessivos que são as necessárias mudanças de estrutura e organização social com disciplina, boa ética e eficácia.

Felizmente, há modelos de desenvolvimento. A conscientização do que é possível fazer e não fazer está em expansão no mundo todo. Assim, é preciso não só aprender para desenvolver mas, sobretudo, implementar o desenvolvimento verificando alterações profundas na distribuição de renda, nas condições de higiene e saúde da população, nas condições de emprego, na propriedade da terra, no acesso à educação e trabalho condigno, além da necessária participação de todos na riqueza produzida, decorrente do seu crescimento em todos os sentidos. E a sua conquista não é utópica. Mas é um processo gradativo de mudança que se enxerga nunca pela ótica da ilusão do desenvolvimento econômico, nem da economia global e exclusão social, mas pelo hábito, costume, uso e vivência que se acrescem de novos elementos cuja eficiência e eficácia vai deixando de lado os obsoletos, de uma maneira automática, quase imperceptível, e vai se expandindo pela saudável relação social interativa, intersubjetiva e interdisciplinar, pela mídia, internet e de grupos sociais realmente interessados na fruição do bem viver, em níveis cada vez melhores. DADOS BIBLIOGRÁFICOS: Introdução à Sociologia – Pérsio Santos de Oliveira – Editora Ática. Sociologia do Terceiro Mundo – disparidade e envolvimento – J.E.Goldthorpe da Universidade de Leeds – Zahar Editores. Megaconsciência – Saburo Okada – Compart.

 

[22] Teoria de Aprendizagem: as consciências dos seus quatro momentos. Obra do mesmo autor. Compart – 2001.

 

[23] Negligência, imprudência, imperícia e omissão. Falar sobre isso é dizer sobre restrição, cerceamento e ausência de liberdade. E a liberdade é a ampla manifestação psíquica com o respectivo movimento, sem nenhuma restrição ou bloqueio. Administrá-la bem é o mesmo que dar bom sentido à vida prolongando-a e desfrutando-a. Administrá-la mal é caminhar para o sentido da morte. Para que a liberdade flua e ocorra não bastam apenas a vontade, o desejo, a intenção, a idéia e o querer acontecer. É necessário que haja a manifestação em conexão com o movimento respectivo nas reações, ações, atuações e interações, sem cerceamentos. Isto requer energia, força, sabedoria, recursos, combustível, tempo, disposição e outros fatores de sustentação e prosseguimento. É preciso repô-los, poupá-los, produzi-los e não desperdiçá-los. Daí, a péssima administração do manifesto psíquico e do movimento respectivo é um dos fatores que restringem a liberdade para o sentido da vida plena; que, na iminência do impasse, pode reverter essa posição positiva para o sentido da morte mais próxima. Nesse ponto está a base dos maus momentos, a qual se vencida ou superada, retoma-se a liberdade no sentido da vida plena e feliz. E esses maus momentos são percebidos no ato do prejuízo, da perda, do desastre, do acidente infeliz, doença e múltiplos outros dissabores cujos fatores causais provêm da negligência, imprudência, imperícia e omissão em seus parâmetros mais amplos.

 

[24] ZELO, PRUDÊNCIA, PERÍCIA e PRESTIMOSIDADE. Quando estes fatores são usados para o benefício geral produzem a liberdade autêntica e ampla para o sentido da vida longa e feliz.

O exercício dessa liberdade é subsidiado pela disciplina na boa ética que controla o zelo, a prudência e a aptidão integrados pela prestimosidade.

A disciplina integra a ingenuidade, espontaneidade e responsabilidade no sentido positivo. Na liberdade não saudável está ausente a boa disciplina dando margem à negligência, imprudência e imperícia. Estas, integradas pela omissão ampla se reproduzem aliadas à estupidez, irresponsabilidade, vício, inescrupulosidade, ignorância, perversidade, inconseqüência, má vontade, etc. Ser prestimoso é não omitir.

A omissão é desvio, intencional ou não, do sentido ou direção do movimento implicando a ausência de solidariedade em detrimento da boa relação social reforçando as injustiças sociais e distanciando a paz social plena. A pior omissão é o descuido da humanidade com mais de um bilhão de pessoas sem assistência, que comem mal ou passam fome. A omissão, portanto, é o desrespeito à liberdade alheia e grave ofensa à integridade do indivíduo.

 

[25] LINHA DO BEM. Uma emoção é dita positiva quando se manifesta no ato, de modo direto e autêntico. Mostra-se o medo quando está com medo, a raiva quando sente a raiva, alegria quando se sente alegre. Não as prorroga sem fundamento adequado. Não se disfarça, nem encobre, não camufla, não se retém e nem bloqueia ou impede que se manifeste uma emoção ou qualquer de suas derivadas ou intensivas. Está triste? Deixe fluir as suas lágrimas, naturalmente. Não se perturbe, se envergonhe e nem bloqueie os choros de tristeza, de mágoa, de ódio, de raiva, de medo, de alegria ou de prazer. Logo, é bom adquirir a capacidade de fazer fluir as emoções e sentimentos, normalmente, para não chegar à situação de não poder evitar a violência. Ou ter de controlar seus excessos. Embora isso evite conseqüências piores se acaba sofrendo efeitos colaterais prejudiciais à saúde, principalmente, as psicossomatizações.

Observe-se que a positividade das emoções encontra-se apenas nos primeiros momentos, ou seja, fazê-las fluir com a descarga no ato de sua ocorrência. Porquanto a sua demora ou prorrogação pode refletir para os demais momentos de modo negativo. Os bons sentimentos ocorrem nos segundos momentos. Contudo, os gerados por situações não resolvidas podem voltar para os primeiros, com maior intensidade. É preciso pensar resolvê-las com efeitos, resultados ou conseqüências boas para as partes e para o todo, ao mesmo tempo. Os sensos positivos formam-se nos terceiros momentos com reflexos para os segundos e primeiros momentos dando o necessário equilíbrio às manifestações das emoções e sentimentos.

Eis pois, as emoções, os sentimentos, os sensos, os juízos e a auto-estima existem para ampliar as forças físicas e psíquicas ante os desígnios e as necessidades respectivas, principalmente, para dar o colorido e o prazer na atividade do bem viver. Portanto, as suas correspondentes energias acumuladas devem ser descarregadas ou usadas no ato ou em tempo hábil, no lugar certo e nos seus respectivos momentos, sem protelações.

Assim, o ódio, o ciúme doentio e a inveja, ou outras paixões negativas, por exemplo, só perseveram nos indivíduos mal orientados para a vida feliz. Guardar rancor, mágoa e bronca denotam situações de impasse proteladas e não resolvidas a contento que só fazem acumular energias emocionais que perturbam as defesas orgânicas.

O caminho certo para resolver controvérsias ou querelas é a linha do bem. A linha do bem visa a harmonia objetivando ficar de bem. Por isso, propõem-se entendimentos, definições, redefinições, acordos, conciliações, reconciliações, consensos, normas, reconhecimentos, arrependimentos, reconsiderações, pactos, perdão, desculpa, ressarcimento compreensível e justo, transigência, amizade e cumplicidade saudável. A linha do bem exclui todos os seus contrários, principalmente, a violência, a agressão, retaliações, ressentimentos, inconformações, ódios, ofensas, as raivas contidas, fúrias, mágoas, as vias de fato e as matanças.

Observe-se que todo organismo fica em estado de alerta e prontidão contra o perigo enquanto perseverar sua ameaça.

Essa ameaça real ou imaginária segura a vazão ou a descarga das energias emocionais até a sua concretização quando dispara o alarme para a sua explosão.

Mas enquanto não ocorre o real enfrentamento sobrecarrega-se as funções endócrinas em prejuízo da atuação sadia do sistema imunológico perturbando e enfraquecendo seu mecanismo de defesa contra os invasores microrgânicos nocivos, além de outras situações como degeneração celular e multiplicação desenfreada de células anormais.

Portanto, algo anda errado enquanto há a manifestação deles em situações predominantes ou próprias de outros momentos, salvo para descontrações necessárias e saudáveis e para nivelar ou descruzar os momentos. Por exemplo, é inadequada uma explosão de alegria em meio a um velório. Numa situação dessas cruza-se um momento biográfico (primeiro) com um momento histórico (segundo). Neste caso, a manifestação saudável exige um segundo momento biográfico para prorrogar a explosão de alegria em outro local, por noção, consideração, disciplina, consciência e respeito ao momento histórico em curso (velório). Eis porquanto, a situação de alegria (pessoal) não harmoniza com a situação de pesar (social) desqualificando o ritual.

“Nesta linha, adota-se o uso contínuo da condescendência através da compreensão dos diferentes paradigmas. É preciso entender e compreender os diferentes momentos biográficos cruzados e os múltiplos desencontros, aprendendo e praticando o amor, a intimidade, a verdade, a inteligência e a solidariedade incondicional”.

Excluem-se, portanto, todos os negativismos, as negatividades e as manipulações de pessoas, porquanto, estes podem conduzir o seu agente portador e sua possível vítima a resultados catastróficos e negativos.

 

[26] AMOR. O que é? Onde está? Quem tem? Que faz o amor? Quando acontece o amor?

O amor não é sensação, sexo, atração, emoção, sentimento, paixão, senso, amizade, ciúme, auto-estima, posse ou domínio, os quais são meras ferramentas para se poder compreendê-lo.

A sexualidade e o sexo, por exemplo, são necessidades fisiológicas, afetivas, sensíveis, físicas. Nessas relações são da mais alta importância as vontades, atrações, contatos físicos, as reações de afetividade, sensações, as emoções, excitações, expectativas, alegrias, prazeres orgásticos, a libido, primando-se pela reprodução, equilíbrio, saúde, energia e pelo estar bem no aqui e agora com alguém.

A paixão é uma coleção de sentimentos vivenciados na busca, posse e domínio do seu objetivo. O seu sentido é realizar um ardente desejo, fantasia ou sonho e poder desfrutá-lo. Daí, a paixão ser negativa ou positiva. E os seus sentimentos provêm das emoções prorrogadas e do desejo relativo a ser resolvido ou satisfeito, a contento ou não. A paixão implica a ação, a investida, a busca, a vontade não saciada, a procura de satisfação, o desejo, a persecução, a motivação e o dinamismo passional. Por isso, sofre-se ou contenta-se, decepciona-se ou satisfaz-se, apavora-se ou encoraja-se, tem-se ansiedade, angústia, estresse, depressão, entusiasmo, tristeza, ódio, ciúme, vingança, inveja, inconformismo, fossa, fissura, euforia, pique, culpa, remorso, tédio, melancolia, obsessão, domínio, posse, fúria, fracasso, auto-estima, desprezo, pesar, intransigência, orgulho, arrogância, fé, inquietação, revolta, teimosia, ilusão, decepção, frustração, auto-engano, atrevimento, audácia, arrojo, etc. Assim, a paixão é necessidade afetiva que pode ser negativa ou positiva, repita-se. O excesso ou a falta de paixão pode prejudicar.

A paixão é positiva quando equilibrada, correspondida e procura não causar perdas nem a si e nem ao seu objeto.

A amizade é senso de paz com simpatia, atração psíquica, empatia, estima e consideração dirigida pelo indivíduo ou por uma coletividade a uma ou mais pessoas, grupos ou entidades. As reciprocidades desses fatores aproximam as pessoas entre si, solidificando as relações de amizade. A simpatia mútua entre duas ou mais pessoas, independentemente de sexo, faz gerar as relações sociais íntimas e racionais, entre si. Nesse passo, se sentem muito bem quando próximos um do outro ou quando compartilham, juntos, uma ocasião ou um tempo em divertimentos, passeios, passatempos, conversas, lazer, ou em afazeres e auxílios mútuos.

Na amizade predominantemente racional compartilham-se os mesmos ideais e atividades indefinidamente. Nas amizades que se estreitam para as relações mais íntimas, compartilham-se os espaços cada vez mais comuns, com a tácita permissão, além dos momentos juntos que se alongam, sejam maus ou bons. Mas, é nos maus momentos que se reconhecem quais são os autênticos amigos.

Contudo, há limite no sacrifício, na prestação de serviço e nos favores incondicionais. O caráter da amizade recíproca saudável está na lealdade, sinceridade e fraternidade dentro das possibilidades e capacidades de cada qual, sem abusos, maldades e manipulações.

O amor é muito mais do que tudo isso aí. É estado de afeição que conduz o indivíduo a efetivar, incondicionalmente, um benefício qualquer, todavia, sempre em função de querer bem a uma pessoa em particular ou mais pessoas, à coletividade, à humanidade, também às coisas e à natureza. No ato a realizar com amor observa-se a boa qualidade, a disciplina, a tempestividade, a energia direcionada, o acontecimento justo, o respeito e o cuidado. É o fazer, o acontecer e o construir com maturidade, certeza, eficiência, eficácia, elegância e consciência, significando certamente o querer bem incondicional, de maneira contínua. Por isso, o amor está tão-só presente no interior da pessoa enquanto ama. Quem ama ocupa-se de viver e cuida do bem e muito bem, não só para si, à coisa ou pessoa amada, em especial, mas também contribuindo para o geral, realizando-o em todos os momentos, integralmente. Quem ama sabe muito bem o que se faz, como faz, para que e para quem faz e faz acontecer o benefício sem auto-ilusão, com fé, conhecimento, juízo, auto-estima e consciência, com determinação, equanimidade, vontade, decisão, ânimo, disposição, entusiasmo, pureza de espírito e incondicionalidade.

O amor é espontâneo e incondicional de qualquer das partes. Não faz da pessoa amada um objeto de posse e domínio não obrigando e nem exigindo reciprocidade e submissão como ocorre com a paixão. Por isso, o amor não pode ser paixão, embora tenham coisas em comum. O amor é histórico porque faz a história do par de enamorados, da comunidade coesa e da humanidade que o pleiteia. E, é, ainda, autônomo pelo seu caráter unilateral que absorve e compreende a sua individualidade e a sua universalidade. Contudo, amá-la e por ela ser amado é um bem inestimável.

Além disso, quem está com o amor está com a inteligência no seu objeto sabendo, por isso, administrar bem o perdão, a caridade e o dar de si, fazendo-o na ocasião certa.

O amor está presente justamente naquele enquanto assim reage, age, atua e acontece, isto é, no seu subjeto orientando-o nas suas interações com o meio ambiente no sentido da realização do benefício incondicional.

Só podem ter o amor, sempre, aqueles que contemplam, importam, cuidam e gostam das pessoas, coisas, animais, da natureza, da verdade, da inteligência, da beleza e ocupam-se de fazer-lhes o bem, querendo, por inteiro e de modo contínuo.

 

[27] INTELIGÊNCIA. O que é? Onde ela está? Quem a tem? O que faz? Quando acontece?

Faz parte do mundo subjetivo como idéia, conhecimento, pensamento, emoção, consciência, aptidão, perspicácia, astúcia, razão, juízo, sensação, percepção, criatividade, amor, paixão, memória?

Ou, é um elemento do mundo objetivo, isto é, da realidade externa, como os fenômenos, os fatos, a natureza, a civilização, a tecnologia, a coletividade, a história, a justiça, o universo, etc.?

Ela admite os malefícios ou os resultados perversos? Beneficia uns em prejuízo de outros? Ela obriga a adaptação de determinadas espécies a sobreviverem de modo pior do que antes? Submete a maioria da sua própria espécie a se adaptar na penúria, ou na escassez provocada, explorando-a, se há outros recursos que favorecem a todos com soluções mais simples e mais fáceis? Ou, se caracteriza pela sua universalidade no tocante ao benefício quando está operante? Inclui também a sua forma necessária de obter o resultado que beneficia as partes e ao todo, simultaneamente, excluindo, para isso, os meios não éticos?

Edmund Husserl trouxe a fenomenologia, conhecimento do que surge à consciência de acordo com a sua própria estrutura. A consciência produz significações, conteúdos e sentidos.

As significações são essências que possuem o sentido impessoal, intemporal, universal e necessário da realidade. A realidade só existe para a consciência, onde o conhecimento se dá ou se manifesta. O mundo subjetivo é que dá sentido para a realidade objetiva.

Onde situar a inteligência de acordo com a fenomenologia?

Os filósofos como Foucault, Delleuze e Derrida entenderam que a razão realmente muda com o tempo, mas é descontínua. Em cada situação ou momento de sua história, a razão provoca rupturas ao construir modelos e paradigmas que podem explicar os fenômenos, ou objetos do conhecimento. Tudo possui ou terá sentido para a consciência e esse sentido pode ser conhecido. Mas, a razão exige coerência, compatibilidade entre a explicação, princípios, procedimentos e conceitos.

Nesse passo, o aproveitamento, a utilidade e o resultado do que produz o pensamento para quem deve beneficiar? Desse modo, onde cabe a inteligência nas diferentes estruturas que surgem em cada nova concepção que rompe com a anterior? Onde anda a inteligência nessas rupturas cujos resultados verificados até hoje tão-somente favoreceram uma minoria sendo indiferentes à maioria dos viventes, porquanto lhes são inacessíveis?

Pode-se considerar um ato inteligente uma ação ou invenção que só causou malefícios, ou em que milhares de vidas foram sacrificados em favor de supostos benefícios, na qual se utilizou o concurso de cientistas de alta capacidade técnica, tecnologia das mais avançadas e de raciocínio dos mais complexos?

Heidegger e Merleau-Ponty diziam que se eliminarmos a consciência, nada vai restar. Porquanto as coisas existem para a consciência que as percebe, imagina, lembra, pensa e as transforma. Se eliminarmos as coisas, igualmente nada vai ficar, pois não se vive sem o mundo nem fora dele. Em suma, sem consciência não há a realidade objetiva e sem esta não há como conhecer e agir.

Ora, o homem é capaz de destruir a si próprio e até mesmo eliminar todos os seres viventes. E se o fizer o que é que vai ficar? Um incidente astronômico pode fazer explodir o mundo. E se isso ocorrer, o que é vai restar?

Onde colocar ou definir o ato inteligente se houver a real possibilidade de responder a qualquer uma das duas perguntas depois do fato respectivo consumado?

Há os que dizem que não há como definir a inteligência. Mas ela existe e embora imaterial, produz efeitos reais, conseqüências e resultados objetivos e positivos. Resta saber se em benefício de todos, em qualquer tempo e lugar, além dos seus recursos utilizados, se por meios éticos ou não.

Assim, ela poderá ser percebida, identificada, interpretada, entendida, intuída e compreendida.

A dificuldade de defini-la ocorre em virtude da confusão que se faz em atribuir à inteligência, indevidamente, faculdades ou qualidades subjetivas e os potenciais positivos do ser humano, sem levar em conta a natureza dos seus negativismos. Por exemplo, são considerados como seus atributos principais a aptidão verbal, espacial e abstrata, o equilíbrio emocional, seu controle e disciplina ou a capacidade de solucionar problemas. Há também outros atributos como a criatividade, a perspicácia, a esperteza, a astúcia, a imaginação, a inventividade, o reflexo, o raciocínio, o talento, a agilidade, o dom, a competência, o poder de adaptação, associação, diferenciação, de compreensão, comparação, improvisação, de idealização, de materialização ou realização; a facilidade no uso das técnicas mais surpreendentes, etc.

A psicologia vê a inteligência, por sua função, como atividade prática, adaptação ao ambiente, estabelecimento de relações entre meios e fins no sentido da solução de impasses.

Não serão esses fatores, funções ou recursos tão-somente atributos, qualidades subjetivas, capacidade ou competência exclusivamente usados como ferramentas, instrumentos e meios ou faculdades e valores individuais para, além do fim a que, especificamente, se destinam, poder, realmente, sentir, perceber, identificar, reconhecer, interpretar, intuir, conhecer, saber, compreender e entender a autêntica inteligência?

Eis porque, com evidência, pode-se entender a inteligência como ato, fato ou acontecimento real útil, necessário e universal; ou seja, o estado ou a situação, sem uso do malefício, cuja eficiência e eficácia se dirigem aos fins exclusivamente saudáveis, úteis e benéficos para todos, em qualquer tempo e lugar, não podendo ser de outro modo. Logo, sem sacrifícios ou prejuízos de qualquer natureza.

Assim, fácil é intuir a inteligência como existente e definida fora do indivíduo pensante podendo estar com ele no seu lado objetivo, de maneira semelhante ao amor que pode estar com ele subjetivamente.

Portanto, a existência do sujeito de ato inteligente é circunstancial, situacional, relativo e restrito ao acontecimento real, objetivo e útil, seja ele quem for ou o que for.

Em síntese, a inteligência se liga à produção simples e fácil de algo concreto autêntico que beneficia a todos, em qualquer tempo e lugar, do modo abundante ou suficiente e necessário, sem sacrifícios e detrimentos ou perdas de quaisquer naturezas, independentemente, do sujeito, do objeto e das significações, consciências, essências, idéias, sensações, das estruturas diferentes, organizações, revoluções, rupturas, fiscalizações, concepções novas, medidas, razões, tecnologias, ciências, teorias, práticas, paixões, vontades, intenções e emoções, dos desejos, sentimentos, pensamentos, controles, juízos e sentidos. Estes apenas podem se tornar um ou alguns de seus instrumentos utilizáveis para determinada tarefa inteligente.

Ninguém é inteligente ou pode ser inteligente todo o tempo, mesmo detendo todas as suas indispensáveis ferramentas, instrumentos, recursos e as faculdades do pensamento. Porém, faz ou poderá fazer atos inteligentes, ou poderá construir fatos, estados e situações inteligentes. Da mesma forma que faz ou poderá fazer atos inconseqüentes ou atos de pura burrice mesmo, ou ainda construir fatos e artefatos em detrimento da vida e do bem estar, embora tido ou considerado como ser “com inteligência” ou qualificado como muito inteligente.

Alguém está com a inteligência, objetivamente, enquanto projeta e faz atos que geram a eficiência e a eficácia dos produtos, resultados, interações, artifícios, técnicas, atividades sociais, trabalhos, processos, organizações ou estruturas que beneficiam a todos, sem haver detrimento de outrem, das coisas e de outros seres.

A natureza tem a inteligência. E, as coisas, as pessoas e outros seres viventes, por sua vez, fazem uso dela, se ao seu alcance. De igual modo que a natureza tem a doença e nenhum indivíduo é doente. Mas pode portar o mal que faz o seu estado de saúde deteriorar. Observe-se que estar doente é diferente de ser doente. Assim como o fato de estar sendo inteligente é diferente de ser inteligente.

É fácil intuir o absurdo e o contraditório quando se sabe que alguém tido ou considerado como ser muito inteligente faz, fez ou vai fazer burrices ou coisas não inteligentes.

Que contradição e absurdo maior há no mundo quando se observa a coleção de todos os malefícios conhecidos causados pela natureza, pelos animais irracionais e pelo homem tido como racional e inteligente? A guerra, a matança, a estupidez, a falsidade, a omissão e a perversidade são atos racionais e inteligentes?

Como o homem pode ser chamado de ser racional e inteligente, sem se levar em conta as mais estúpidas e sórdidas perversidades, omissões, matanças, guerras e as burrices ainda presentes?

Ser inteligente e não inteligente ao mesmo tempo viola e contraria o princípio do terceiro excluído.

O homem é um ser racional ou animal com potencialidades no uso da razão, querendo, mas não é um ser inteligente, ainda, nem como indivíduo, como grupo e nem como totalidade. Porquanto, pode-se raciocinar, pensar, emocionar, sentir, refletir, calcular, decidir, deliberar e fazer uso da razão, da astúcia, da esperteza e da aptidão cometendo também atos não inteligentes.

Mas, ainda não satisfeito com a contradição, há os que persistem em medir a “inteligência” para diferenciar os mais aptos gradativos dos ineptos, ampliando-se, mais ainda, a confusão. Inteligência não é aptidão. Não é coisa para ser medida.

Ora, a aptidão, a habilidade, a capacidade, a eficiência, a eficácia, a competência, a perspicácia, o talento, a criatividade, o controle saudável das emoções, desejos e sentimentos ou outros caracteres assemelhados são apenas potencialidades para realização tanto para o mal como para o bem, ou para produzir malefício ou benefício. Esse desempenho é obtido pela aprendizagem, desenvolvimento e prática. Pelo outro lado, a inteligência não é potencialidade em si mas é integralizada pelo ato artificial, natural, casual, incidental, circunstancial, intencional ou provocado que leva a um estado, a um resultado ou a uma situação real consumada para um certo benefício universal, não se admitindo o mal ou perda decorrente. Nem antes e nem depois da obtenção da situação final ou do produto real concreto acabado ou produzido que, necessariamente, deve ter finalidade beneficente para as partes e para a natureza como um todo, simultaneamente, qualquer que sejam o tempo, velocidade, espaço e o sujeito da ação.

Sem estar em condições físicas e psíquicas saudáveis não se pode exigir aptidão nem dos mais aptos. É evidente que ninguém nasce apto, mas potencialmente pronto nesse sentido.

Logo, para adquirir a aptidão é necessário ocupar-se de aprender, treinar e desenvolver com boa saúde. E isto envolve uma série de fatores específicos adquiridos e herdados.

Implicam-se, também, fatores ambientais, situacionais, subsidiários e das consciências dos quatro momentos biográficos e históricos.

O ato inteligente não recomenda a aquisição da aptidão em estado não saudável ¾ sendo isto possível ¾, em virtude dos detrimentos decorrentes.

Quando um produto com forma prática e agradável, com conteúdo simples ou complexo, mas surpreendentemente econômico, é de grande utilidade e durabilidade, leve, eficaz, de fácil manuseio e beneficente, diz-se que a sua invenção é, sem dúvida, um ato de elevada inteligência. Mas, diz-se o contrário quando um produto com as mesmas características e de igual empenho ideal, ou mesmo depois de longos e persistentes estudos, é feito para causar grandes perdas, perversidades e malefícios ou destruição total. Portanto, a inteligência está em um ato que se liga à produção de algo concreto autêntico que beneficia a todos, em qualquer tempo e lugar, não sendo possível de outro modo.

Em síntese, a inteligência está na consumação da finalidade de um ato, necessariamente beneficente, com caráter universal, sem conseqüências prejudiciais de qualquer natureza, independentemente da consciência ética.

No homem, a inteligência é objetiva, eis porquanto, exige-se do seu potencial ético, em todos os seus momentos biográficos e históricos, que das suas atividades, reações, ações, atuações e interações resultem produtos concretos autênticos, eficientes e eficazes, que sejam bons para as partes e simultaneamente bons para o todo. No todo, inclua-se, necessariamente, a saúde geral, o meio ambiente natural e a totalidade dos seres vivos, em qualquer época e situação decorrente.

Daí, é possível intuir facilmente que a inteligência tem consistência objetiva abstrata benéfica contínua. Classifica-se a inteligência, então, como ser real abstrato autêntico, com caráter do benefício universal e necessário.

Consistência objetiva abstrata significa que embora não seja matéria, manifesta-se na objetividade ou na finalidade do ato, do fenômeno, do fato, da idéia ou do objeto em consideração.

Com estas colocações pode-se assegurar que enquanto o amor induz a pessoa e a coletividade a reagirem, agirem, atuarem e triunfarem no sentido do querer bem a todos, a inteligência os acompanha e os conduz para o benefício geral, objetivamente, não os deixando cometer asneiras, injustiças, detrimentos e perversidades.

Portanto, é preciso eliminar os negativismos das paixões individuais cedendo os seus lugares para a positividade dos sentimentos e para o amor. Cumpre recordar que as emoções naturais autênticas para as reações de sobrevivência não fazem parte dos negativismos das paixões. Daí, o medo, a raiva, a calma, a alegria e o prazer, as ditas emoções naturais, devidamente manifestadas, são indispensáveis e imprescindíveis para uma vida saudável e inteligente, assim como são: o conhecimento geral consolidado, o saber fazer específico e a eficácia do raciocínio para superar o impasse do modo bom, útil, simples, fácil e duradouro, sem conseqüências negativas.

 

[28] HABITUAÇÃO e sensibilização. Veja nota seguinte.

 

[29] SENSIBILIZAÇÃO e habituação. Ensina Rachlin que em vista da adaptabilidade dos seres humanos e outros seres animais, tem sido provado que é notavelmente difícil modificar seus comportamentos de uma forma significante. Não se pode modificar com sucesso um comportamento até que se compreenda o que deve ser mudado.

E, se tiver de mudá-lo deve fazê-lo de acordo com os padrões naturais de ocorrência. Dois processos conhecidos pelos quais a ação de um simples reflexo pode ser alterado são a habituação e a sensibilização.

A habituação é o processo de acostumar-se, acomodar-se ou adaptar-se a alguma coisa. Por exemplo, acostumar-se ao barulho do carro, do trem ou do avião passando. Quem se habituar a tais barulhos nem vai notar que um carro, um trem ou um avião acabou de passar.

A sensibilização é o oposto da habituação. As respostas tornam-se mais e mais intensas. Quem é sensível ao barulho de avião, por exemplo, a cada vez que ele passar ficará mais irritado.

Estes dois processos quando funcionam como mecanismo de defesa e conservação do organismo é útil aos seres vivos. Contudo, é mais preferível habituar-se às coisas que resultem em situações agradáveis ou realmente necessárias e sensibilizar-se com as coisas não saudáveis e desnecessárias.

Quando se é alvo de freqüentes manipulações, aquela irritação ou o pequeno mal-estar sentido deixará de ser notado não se incomodando mais. Nesse caso, diz-se que se habituou aos dissabores das manipulações.

Entretanto, se a cada alvo desses, o mal-estar aumentar, não demora muito, de repente, pode-se explodir em cima do próximo manipulador.

Na sensibilização, o manipulador se torna cada vez mais desprezível para quem não se habituou a ser vítima de manipulações.

Na habituação e sensibilização, se um determinado barulho incomoda no início de suas repetidas vezes, o incômodo generaliza-se para qualquer outro barulho.

Na habituação, qualquer barulho menor que o habituado não é notado. Na sensibilização, um barulhinho já incomoda muito.

Acreditamos que tanto a habituação quanto a sensibilização existem mais em função da possibilidade de adaptação ao meio ambiente adverso enquanto fator de sobrevivência, necessidade, força maior; sem outro meio, recurso ou opção. Na habituação tolera-se o ambiente adverso; e o contrário, na sensibilização, põe-se em fuga, se puder.

Na sensibilização, rejeita-se determinado meio adverso por avaliação automática comparativa que reforça uma opção anterior melhor. Ou, por ter percebido outra compensação vivencial melhor. E ainda, se o meio adverso apresentar uma vantagem verificada no ato, pode-se entrar em conflito e afastar-se ou tolerar a nova situação até certo limite.

Na habituação, o meio adverso ao qual o indivíduo foi levado a se instalar, sem outra opção, força-o a assimilá-lo, ajeitando e desviando dos maiores incômodos.

Entretanto, a sua acomodação só ocorrerá, gradualmente, pelos frutos que compensam a sua sobrevivência ali, ou de algo por ele percebido, nesse sentido.

Mas, tendo encontrado situação muitas vezes melhor do que a que se encontra, mesmo acomodado ou enraizado, o processo da habituação pára para iniciar a reversão, que é o de sensibilização.

Este processo de sensibilização prosseguirá até o limite de tolerância. Quando, então, pode ocorrer a mudança total. Na maioria dos casos, o início da mudança total é definitivo se não se sucumbir nesse limite. Em casos complexos, próximo ao limiar da tolerância começa o processo de mudança.

Naquele exemplo, o barulho que nem mais se notava, passa a ser sentido. E cada vez que surge, incomoda mais. Daí, a habituação e a sensibilização como fatores de sobrevivência, sem outra opção, são válidas enquanto não se perde nelas. O perder-se nelas é como que prorrogar a vivência dentro da adversidade. O ruim é quando se acostuma a essa situação sem se dar conta. E o fim disso assemelha-se ao ocupar-se de morrer. Em não havendo consciências e acúmulo de energias para uma reação oportuna, o viver de modo automático é altamente prejudicial em todos os sentidos, em razão do hábito, costume e acomodação ao meio adverso. Nessas circunstâncias, é preciso que se acorde do acordado.

No processo manipulativo, então, antes de entrar na situação de habituação e sensibilização é preciso conhecer, reconhecer, identificar e saber lidar com os manipuladores potencialmente confiáveis e críveis.

Basta reforçar comportamentos não manipulativos observados.

Habituá-los ou acostumá-los a se conduzirem, de modo transparente, na base da verdade, sinceridade, objetividade e concretitude. Fazer-lhes entender que somente assim poderão obter melhor atenção, consideração e credibilidade, ou alguma vantagem cujo efeito seja saudável para todos os envolvidos. Evitar a desqualificação do chamado. Não custa dar um pouco de atenção. Se houver a irritação diante de um chamado, a sensibilização está presente. As partes entram no mau humor.

Se o objetivo da contra-manipulação é fazer entender que o melhor é o pedido direto, a menor desqualificação do chamado retarda esse processo. Quando o pedido justo é atendido, o bem-estar é recíproco. Contudo, o justo pedido, é bom lembrar, acompanha a sua causa de pedir do modo autêntico e sincero, mas com procedência.

E se ocorrer algum sucesso na mudança esta será paulatina conforme os padrões naturais de ocorrência.

 

[30] SABER e CONHECIMENTO. O conhecimento transforma o impulso em atitude e o saber muda a resposta imediata para a execução no momento exato. O conhecimento e saber embora signifiquem a mesma coisa, o saber está mais para a forma, fim, aptidão, aplicação, ativação, particularização e prática; enquanto o conhecimento está mais para a consistência, princípio, conteúdo, reserva e para a universalização da eficácia teórica e técnica.

Assim, pode-se dizer que quem tem conhecimento do produto pode não saber fazê-lo. Quem conhece, explica ou diz. E, quem sabe, mostra ou faz. Daí, o conhecimento pode estar mais para o genérico assim como o saber está mais para o específico. Pode-se dizer também que conhecimento leva à compreensão geral e saber leva ao entendimento específico.

 

[31] AUTONOMIA autêntica. Faculdade de autogovernar-se na relação de interdependência. Procura tornar saudável a submissão, a participação e a dependência, assim como o faz a interdependência com a rebeldia, a competição e a independência. Na autonomia autêntica não há cumprimento de papéis sociais. Visa o acordo nos impasses de submissão e rebeldia. Promove conciliação e reconciliação quando há divergência nas relações de participação e competição. Observa o consenso quando há desequilíbrio ou diferença nas relações de dependência e independência. Entra em harmonia com a relação de interdependência pelo pacto.

O homem é um ser social em desenvolvimento. Para crescer e manter viva a sua espécie, indefinidamente, necessita de construir uma saudável e sólida relação social a partir do instituto do acasalamento e procriação. Pelo seu lado natural começa pela submissão com participação na vida familiar tendo uma relação de dependência com seus pais, seus substitutos e pares para atingir uma certa autonomia no passo de prosseguir na proteção e garantia da geração sucessiva. Pelo lado do desenvolvimento sociocultural e civilidade, mas voltado mais para uma certa liberdade individual melhorada, ampla e abrangente, o homem começa a questionar determinadas posturas adotadas que não cabem mais numa certa realidade atual e se rebela. Logo, ele procura substituir a submissão pela rebeldia. A partir daí, surgem as relações de competência e competitividade que se resumem na competição.

A luta pela independência se torna um objetivo.

Contudo, essa perseguição se resume a uma mera situação de se livrar de uma dependência atuante que incomoda. Como qualquer processo de mudança complexa e abrangente não se consegue ou faz de um dia para outro, a pressa em desfrutar acaba numa situação de transição que se traduz em interdependência.

A integração entre a autonomia e a interdependência é feita a partir do acordo nos primeiros momentos, conciliando e reconciliando nos segundos momentos; e, pelo consenso chega-se ao pacto social. (V. esquema abaixo.)

 

 

MOMENTOS ® SITUAÇÕES ¯

PRIMEIRO

SEGUNDO

TERCEIRO

QUARTO

RELAÇÕES SOCIAIS

SUBMISSÃO REBELDIA

ACORDO

PARTICIPAÇÃO COMPETIÇÃO CONCILIAÇÃO

DEPENDÊNCIA INDEPENDÊNCIA CONSENSO

AUTONOMIA* INTERDEPENDÊNCIA

PACTO

* A autonomia autêntica é desenvolvida pela autodisciplina e respeito a si e a outrem.

 

[32] Negativismo. Espírito de negação sistemática contra o bem, o bom e o positivo. É negar o bem, o bom e o positivo por não saber, por querer ou por auto-engano, trocando o certo pelo errado por crença, ou conservando-se no mal e no mau por força das circunstâncias e da irresistibilidade, ou do vício.

O negativismo se refere ao hábito, costume, uso e vivência no sentido não saudável caracterizando o mau momento biográfico e histórico relativo gerando uma situação de negatividade.

 

Negatividade. Caráter próprio da antítese em relação ao benefício e à positividade. A negatividade se refere à qualidade e ao valor do que resulta de modo contrário ao esperado pelo sujeito que pratica a ação, e do que prejudica a si, ao sujeito passivo e à sociedade, em decorrência desse ato, no paradigma das respectivas posições de sobrevivência que regem os negativismos  e os positivismos das relações sociais.

Ainda que, além da qualidade e do valor dos efeitos, conseqüências e resultados dos maus momentos, se considerem também a sua quantidade e freqüência no convívio social.

Exemplos.

 

A furta um objeto de B.

Ganha A, perde B, perde a sociedade.

 

A pensa que ganhou, momentaneamente, porque o furto deu certo. Obteve o esperado. Foi reforçado e por isso furtará de novo. B perdeu, pois, além de ficar desprovido do objeto, teve um colapso emocional, de maneira injusta. O fato ocorreu ao contrário do esperado. Esse negativismo impróprio, provocará mais detrimentos a B. A sociedade perdeu, eis porquanto foi ferida em seus princípios, normas e valores sociais, e terá desgastes em razão da conduta delituosa de A.

 

B recupera o objeto de A com ajuda da polícia.

Ganha B, perde A, ganha a sociedade.

 

B ganhou o que dava como perdido. Experimenta uma alegria amarga e pode sair do negativismo impróprio. Contudo, num outro paradigma, nem ganhou, nem perdeu ou a sua diferença por menor que seja tende para alguma perda. A perdeu o que pensava ter ganhado, além de ficar privado da liberdade e piorar o seu negativismo. A sociedade ganhou de algum modo no saldo entre perdas e ganhos porque se cumprira aparentemente o dever e os seus desígnios em vigor.

 

A e B repartem o dinheiro roubado de C.

Ganha A, ganha B, perde a sociedade e perdeu C.

 

A e B pensam que ganharam repartindo, entre si, o dinheiro roubado. Os negativismos emocionais do viver perigosamente, fingindo, escondendo, fugindo, gastando desenfreadamente e de se assustarem à toa, vão fazê-los repetir o delito. A situação de perda injusta de C é terrível. O seu impasse decorrente ou trauma emocional e psicológico vai ser causa de detrimentos imprevisíveis. A sociedade sofre perdas com uma situação dessas. Quando este evento prolifera é sinal de que se agrava a sua pior doença social. Quando ela atinge o povo só lhe resta a vida para ser tirada.

 

A e B são abatidos e não se recupera o roubado de C.

Perde A, perde B e perdem C e a sociedade.

 

É uma situação de perda para todos. De nada valeram as atividades de A e B. Nem nada poderia valer para ninguém e menos ainda para eles. Por que A furta de B? Ou por que ambos furtam de C? Por que existe a criminalidade? Por que a maioria fracassa enquanto uma minoria é bem sucedida, se todos nascem física, psíquica e potencialmente aptos para qualquer aprendizado?

São questões cujas respostas certas devem ser encontradas pelo próprio ser humano.

 

Se A trabalha, tem bom salário e compra um objeto de B.

Ganha A, ganha B e ganha a sociedade.

 

Esta é uma situação ótima para todos. Mas por que a maioria não tem bom salário se todos têm potencialidades para o trabalho e querem comprar o que necessitam para sobreviver, condignamente? Se o ser humano encontrar a melhor resposta certa para esta questão, então terá respondido corretamente as demais anteriores.

Quando se trata de qualidade ou de valores positivos e negativos, ou de positividade e negatividade, o resultado negativo para um lado pode ser positivo para o outro lado, e vice-versa. A relação é saudável quando ocorre a positividade para todos os lados, para as partes e para o todo, simultaneamente. Isto pode ocorrer nas relações de adesão ao costume, quando as normas ou as regras estabelecidas são cumpridas, ou quando não há controvérsias entre as partes e o todo.

As controvérsias resolvidas por perdão, acordo, reconciliação, conciliação, consenso e por pacto ou contrato são propícias para o prosseguimento saudável da relação, bem ao contrário das resolvidas judicialmente ou pelas vias de fato.

Daí, as posições individuais de

 

·você estar bem por força do outro estar mal

·você estar mal por força do outro estar bem

·você estar mal por força do outro estar mal

·você estar bem por força do outro estar bem

 

devem ser substituídas por uma única posição considerada adequada:

 

O resultado de sua ação faça bem a você, ao outro e ao todo, num só tempo.

 

Estar bem por força das reações, ações e atuações apropriadas e  interagindo de sorte que cada parte seja beneficiada em função do todo e este em função das partes é a posição adequada e recomendada para se obter conseqüência saudável.

Quando se fala em negativismos como a estupidez, a desconfiança, traição, suspeita, interrogatório, inconseqüência, infidelidade, intransigência, ceticismo, perseguição, insegurança, perversidade, preterição, complicação, má-fé, dispersão, conflito, desqualificação e separação, estamos falando das relações humanas que fogem de um modo ou de outro dos padrões e paradigmas tidos como corretos ou recomendáveis e que se dirigem rumo a resultados indesejáveis como o mal-estar, mal-ser, mal-ter, mal-fazer e mal-acontecer retardando o normal prosseguimento do processo de uma contínua vida feliz. O mais poderoso reprodutor dessas relações, em sua maioria patológicas, denomina-se manipulação de pessoas. Dentre essas patologias a manipulação inescrupulosa, perversa ou psicótica merece maior atenção.

Consulte o capítulo Manipulação de pessoas em “Megaconsciência” do mesmo autor.

 

Os vícios são os negativismos correspondentes ao hábito, ao costume e ao uso indiscriminado na saciação, satisfação, solução e consumação da vontade, desejo, intenção e desígnios descontrolados. O vício se manifesta, geralmente, de maneira automática, e implementada sempre nos primeiros momentos por irresistibilidade ou dependência patológica. Os vícios negam as virtudes, a boa ética, o comportamento saudável e a boa conduta social.

Os maus hábitos, os costumes obsoletos e não éticos, além do mau uso constante, por gerarem oposições contínuas, acabam por distanciar as pessoas entre si.

Os vícios, assim como as desqualificações inconscientes, as mentiras, as adulterações, as omissões, as situações deliberadamente manipuladas e os deslizes amorosos sempre tendem a provocar ferimentos afetivos graves. As feridas decorrentes não se cicatrizam logo e nem facilmente em virtude dos toques freqüentes nas suas cascas. Ainda, porque, as cicatrizes trazem lembranças desagradáveis. Daí, o estar juntos perde, aos poucos, a razão de ser. Excetuando-se a relação conveniente de mútuo interesse escuso, e a simbiótica ou patológica.

Qualquer destes modos induz a relação mais promissora a se abortar podendo trazer conseqüências catastróficas imprevisíveis.

 

[33] Intenção ¾ faculdade exclusiva do estado consciente despertada pela idéia, pelo pensamento, racionalidade e senso.

Influi atuando na vontade para saciá-la. A vontade é uma faculdade especial inconsciente advinda de experiência anterior prazerosa, boa ou gostosa, manifestada nas premências pelos reflexos, sensações irresistíveis ou agradáveis, pelos condicionamentos e pelas boas emoções. A vontade é alimentada pelo reforçador em vista ou pelo seu estímulo relativo presente. A vontade não será despertada pelas coisas ruins. Não se tem a vontade para fazer o que não gosta.

Por conseguinte, a intenção atua também no desejo controlando-o para a sua satisfação tempestiva. E o desejo é uma faculdade especial subconsciente adquirida através do conhecimento, experiência, sentimento, vivência e saber capaz de prorrogar a saciação de uma vontade. O sonho, por sua vez, faz a integração da vontade, desejo e intenção.

A intenção, a vontade, o desejo e o sonho distinguem-se, entre si, conforme condições e recursos da situação do momento, cuja consumação ou realização, se possível, relaciona-se com o lugar e tempo. A vontade se manifesta diante do estímulo presente e deve ser saciada aqui e agora, indicando premência. O desejo pode ser satisfeito, tempestivamente, não sendo, necessariamente, no aqui e agora. Pode ser em lugar certo mas em tempo hábil. A intenção é o propósito de buscar solução para saciar a vontade ou satisfazer o desejo da melhor maneira possível. Para isso é preciso ponderar, analisar, medir e planejar não só para decidir o lugar e o prazo, mas para evitar más conseqüências. O sonho é vontade, desejo e intenção, ao mesmo tempo, numa compreensão bem ampla e abrangente, sem fixação de lugar e prazo para a sua realização. E se manifesta através da conexão ao correspondente psíquico fundamental que dirige e controla o movimento de reação, ação e atuação do indivíduo no passo do reequilíbrio orgânico e do triunfo. A vontade liga os reflexos psíquicos e físicos. O desejo aciona o conhecimento. A intenção concentra o pensamento. E o sonho liga, aciona e concentra a reflexão para uma compreensão plena.

Em suma, o pensamento, a idéia, o senso e a razão produzem a intenção nos terceiros momentos e se reproduzem por meio dela. O conhecimento, o saber, a vivência e o sentimento aprimoram o desejo nos segundos momentos e se incrementam em função dele. A boa sensação, a emoção, motilidade, reflexo e o impulso despertam a vontade nos primeiros momentos e se aprimoram por meio dela. E a compreensão, o bom juízo e a auto-estima fazem o sonho do desfrute, o sentido e a razão de ocupar-se de viver com vontade, desejo e intenção.

É bom lembrar que por trás de qualquer idéia estão atuantes as necessidades individuais ou coletivas, ainda não resolvidas de maneira satisfatória.

Logo, intui-se que a intenção é o sinal verde para a uma atividade que vai cuidar de satisfazer desejos e saciar vontades.

O reforço alimenta a vontade. A motivação desperta o desejo. O interesse acende a intenção. A disposição mantém firmes os desígnios ou o sonho os quais dão sentido à vontade, ao desejo e à intenção associando-os, respectivamente, à opção, determinação, decisão e deliberação.

 

Observe o esquema de distinção da vontade, desejo, intenção e sonho:

 

VONTADE

reforço

reforçadores

reação

REFLEXOS

DESEJO

motivação

motivadores

ação

CONHECIMENTO

INTENÇÃO

interesse

interessantes

atuação

PENSAMENTO

SONHO

disposição

Interativos *

triunfo sensato

COMPREENSÃO

 (*) Também chamados estímulos integradores.

 

A intenção, por conseguinte, é faculdade do pensamento que expressa aquela tendência de resolver a vontade e o desejo e a situação de necessidade quer premente ou tempestiva, quer regular ou contínua, cuidando de buscar uma decisão acertada para a remoção do obstáculo e solução do impasse.

Interesse ¾ tendência centrada no indivíduo ou no coletivo que procura concentrar recursos ou empenhar-se no meio de uma atividade em curso para obter e desfrutar determinadas vantagens, ou para defender-se da conseqüência do que lhe é prejudicial, independentemente do reforço ou da motivação. Mas estes dois fatores podem despertar o interesse diante de qualquer necessidade constante. No interesse, a vantagem perseguida é na forma intencional, premeditada, proposital e consciente, pelo lado do menor custo, investimento e esforço físico. E o tempo ou a duração do interesse e a sua tenacidade persecutória são medidos pelo tamanho do benefício ou compensação, até o limite da tolerância de expectativa para o seu desfrute.

Podemos, então, dizer que a vantagem, a compensação, o lucro, a recompensa, a conveniência, benefício e o resultado positivo são estímulos interessantes, porquanto a sua posse, domínio e poder ajudam a superar as necessidades constantes, podendo consumar o sonho, resolver a intenção, satisfazer o desejo e saciar a vontade.

Os estímulos interessantes se associam aos estímulos reforçadores e  motivadores harmonizando-se pelos estímulos interativos ou integradores e se distinguem segundo os seus momentos relativos.

Quando o interesse visa certas vantagens em detrimento alheio pode suscitar o interesse coletivo. O interesse da coletividade é o que sustenta e prima pelo benefício comum. Na universalidade da vontade, do desejo e da intenção prevalece o interesse coletivo sobre o privado ou particular.

Quando o gozo da vantagem particular está em função do detrimento de uma coletividade vai atingir e ferir o interesse legítimo maior.

Os recursos predominantes do interesse são a intuição, o bom senso, a idéia, o pensamento com as suas faculdades, a concentração imaginativa, a intenção e a razão, mais o concurso de fatores como impulsos, reflexos e perspicácia, a experiência, o saber e o conhecimento acumulado, associados à sagacidade, à esperteza e à astúcia e a outros pertinentes aos primeiros e segundos momentos tanto biográficos como históricos.

Interesse, por conseguinte, é a intenção sagaz, contínua ou regular de prosseguir dentro de uma atividade ou processo sempre com o propósito de atuar em função da vantagem perseguida cujo bom êxito pode resolver de vez as vontades e os desejos.

O interesse é despertado e conservado ou mantido pelo estímulo que provoca uma necessidade constante.

Há também a manifestação do interesse quando o atendimento ou a saciação de uma necessidade é insuficiente ou demorada.

Em síntese, o interesse é ativado, mantido e perpetuado em situações que proporcionam vantagens sucessivas.

Dado o caráter sucessivo e perseverante que se observa tanto no interesse individual como no coletivo, o fator interesse classifica-se como próprio dos terceiros momentos biográficos e históricos, respectivamente.

Decisão ¾ ato intencional, por interesse, que define um objetivo e o método, ou o seu meio eficaz de obtê-lo. A decisão é atributo e faculdade do pensamento que dá firmeza à escolha difícil e à determinação incerta, duvidosa ou temerária. A decisão pode ser resultado da boa ou da má intenção de conformidade com o teor de interesse ético. A decisão é pertinente aos terceiros momentos biográficos. É apropriada para a solução de impasses ou problemas, quando não há respostas nem por opção e nem por determinação.

Usa os recursos apropriados além do conhecimento tido por certo, da idéia, do pensamento objetivo, subjetivo, mítico e das suas faculdades.

Não se deve confundir decisão com determinação por paixão.  Não existe decisão por paixão.

A decisão, assim como a intenção, é exclusivamente racional.

O ato implementado de cunho emocional ou sentimental (paixão) não provém de decisão, mas de determinação tendenciosa, dogma, norma ou de escolha emotiva, vontade, desejo ou opção por preferência. Contudo, há a decisão por interesse particular que é calculista, inescrupulosa e fria, doa a quem doer. Como fere a boa ética, não se recomenda.

As decisões não implicam as emoções e nem os sentimentos. Estes compõem o grupo das paixões que subsidiam a escolha e a determinação tendenciosa. Mas é o senso positivo e o bom juízo que podem definir uma decisão saudável e acertada.

Desígnio. Sonho. ¾ O que há de comum entre o desígnio e o sonho? Ambos provocam os nossos interesses e os mantêm acesos.

E o que faz o interesse?

O interesse provoca a ação, a reação e a atuação para o movimento interativo com perseverança em busca de vantagem rumo ao triunfo sensato.

Eis porquanto, esse denominador comum que é o plano, o projeto e o ideal que sonhamos, o qual criamos e perseguimos veementemente para que se torne realidade, é que integralizam a vontade, o desejo e a intenção.

Sem o sonho da realidade buscada com veemência pelo objetivo, missão, projeto, planejamento e consciência do seu significado, a ocupação de viver ficaria sem sentido, assim como também nada teria sentido sem a vontade, sem o desejo e sem a intenção. E repita-se, o deleite do triunfo sensato é o que dá o sabor do sentido da vida.

Disposição ¾ é um estado de equilíbrio físico e psíquico pronto para servir ou para interagir, com energia, vontade, desejo e intenção.

Diz-se boa ou saudável quando mantém integrados o reforço, a motivação e o interesse.

A boa disposição física e psíquica é dada pela saúde do corpo e da mente que aprimora os estados de alerta, prontidão e atenção para a observação dando condições ideais para a interação imediata.

Deliberação ¾  é o ato de deliberar que significa examinar, analisar e discutir intersubjetivamente no objetivo de resolver um assunto, problema ou impasse. A deliberação também ocorre intrasubjetivamente.

Requerendo uma solução necessária, a deliberação vai implicar na escolha, na determinação e na decisão do melhor caminho a seguir dentre os selecionados e implementá-lo.

A escolha implica em gosto e preferência. E estes causam a alegria, o prazer e a calma quando se sacia, ou vai saciar-se logo, com o escolhido.

A determinação envolve o poder e a segurança. E estes motivam o entusiasmo, a coragem e a tolerância, principalmente, quando há convicção de que se satisfará com o determinado.

A decisão implica na conveniência e no resultado positivo. E estes produzem e reproduzem a boa disposição, a perseverança e a paciência quando se tem a solução certa do que decidiu.

Logo, a posição deliberada dita boa deve atender à preferência, ao gosto, ao poder de execução com margem de segurança e à conveniência pelos recursos disponíveis e pela probabilidade de sucesso com predição das condições do controle de imprevistos.

Quando há bastantes pessoas que defendem diferentes posições ou soluções possíveis para deliberar, pode-se pôr em votação a seleção das classes e séries de possibilidades para definir o implemento da eleita por maioria de votos.

Neste passo, haverá expositores de motivos e suas conseqüências, de razões e seus resultados e de causas e seus efeitos. Cada qual efetuará comparações e dirá porque o que defende é a melhor opção.

Em situações semelhantes é preciso trabalhar na imediata obtenção do acordo na controvérsia das causas. Buscar a conciliação quando há divergência de motivos. Conseguir o consenso quando há confusões de opiniões, razões, argumentos e idéias ou desentendimentos. Tudo isso, para amparar o benefício das partes e do todo em função da deliberação, sem detrimentos, com consciência geral.

Já se pode intuir que a deliberação funciona integralizando os três momentos básicos históricos nas relações interpessoais. E, os biográficos, nas intrapsíquicas.

Bom lembrar que é histórico quando o interesse é coletivo, e é biográfico, quando pessoal.

Nas deliberações intrapsíquicas, refere-se ao ajustamento entre os três estados psíquicos fundamentais.

Primeiro, gostar do que vai escolher. Ter vontade e querer.

Segundo, permitir-se usufruir o que vai determinar. Desejar e querer.

Terceiro, convir o que vai decidir. Ter intenção e querer.

Deliberar porque quer, realmente, o que ao mesmo tempo escolheu, determinou e decidiu.

A deliberação é uma posição de quarto momento.

Observe-se que a posição de quarto momento pode ser adotada desde os primeiros momentos passando pelos demais.

 

[34] BOA ALIMENTAÇÃO. Veja apêndice na página 161. Como a saúde é o que mais importa e é conseguida por meio da alimentação adequada, dedicamos um capítulo no final da presente obra com uma série de alimentos saudáveis caracterizando-os com elementos nutritivos com seu teor em vitaminas, sais minerais, calorias, proteínas, carboidratos e gorduras.

 

[35] Auto-estima. É o dar-se conta de que você é a pessoa mais importante do Universo. Não há, para você, pessoa mais importante neste mundo. Muitas pessoas podem ser boas ou melhores em muitas coisas, mas não há ninguém mais importante do que você em todo o mundo. Cada um deve considerar-se como o mais importante. E, é. ¾ Por quê? ¾ Porque cada um, para si mesmo, em si e por si só, é o único que pode considerar e qualificar a existência de Deus, das coisas e das pessoas, querendo, enquanto se dar conta de que a existência da própria consciência, mesmo que tomada por lapso de alguns segundos, é que se faz conceber ou persistir a si e tudo que lhe é exterior. Imagine-se, por um instante, que você não existe, ou o que é o mundo e a vida, sem você, isto é, você sem memória, sem lembrança, sem consciência e dormindo para sempre sem sonhos, nada. As coisas e as pessoas só existem porque você as pode conceber, percebê-las, senti-las e intuí-las. Você não é causa da existência do que lhe é exterior mas sem você as coisas simplesmente deixam de existir embora permaneçam para os demais seres. E para que os seres viventes possam se dar conta de você e da sua existência como pessoa e viva, é preciso que haja a sua aproximação, o seu contato ou o encontro amigável. É preciso, então, dar-se conta da necessidade da unidade da relação interpessoal ou intersubjetiva que começa e se alimenta sempre com um: “Oi, como está você?”. Parodiando René Descartes, isto significa: ¾Eu penso em você, logo você existe para mim”. Não se pode e nem deverá confundir perseverança com insistência que incomoda ou impertinência. Portanto, seja gentil, polido e protetor. “Você existe para mim” é o mesmo que “gosto de você”. As pessoas que cultivam a auto-estima, em nível superior, têm o apuro do discernimento e optam pelo bem maior, aquele que é bom para si, para as partes e para o todo, da maneira simultânea, sem quaisquer detrimentos em qualquer momento ou época. Com isso, encher-se-ão, paulatinamente, os cofres de seus cérebros com os tesouros constituídos pelos conhecimentos apurados, informações e dados corretos. E também, de pouco em pouco, usar o saber do mundo, não deixando espaços para as banalidades e para as incompreensões, geradoras da ignorância, da inépcia e das manifestações de índoles perversas. Se a pessoa portadora do mal, sair-se dele por si própria, Deus se verá feliz por seu espírito se evoluir um pouco mais. Não é a importância que você dá a si, enquanto ser ou viver, que o afasta dos perigos, das ameaças, da dor e do modo de viver perigosamente? ¾ Não é a importância por você dedicada a si mesmo que conserva e prorroga a sua vida saudável, com consciência, e cada vez mais feliz, o mais possível?  Não há porquanto se preocupar, então, apegando-se à idéia da vida após a morte por apenas poder perceber a morte após a vida e não se conformar com isso. O que vale mesmo é a importância da vida que há em você, aqui e agora, reconhecida por você mesmo para desfrutá-la com sensatez, haja ou não uma forma de continuação com a morte do corpo que virá por certo, se ainda você tem dúvidas quanto à imortalidade espiritual. O que se pensa perder ou ter perdido pode recompensar-se, em dobro, exceto a perda da consciência de ocupar-se de viver agora. Essa consciência só é consistente pela vida saudável com a auto-estima em alto nível. Contudo, as lições do passado se aproveitam para o viver melhor agora, sem repetir aqueles erros cometidos, implementando as ações, reações, atuações e interações voltadas à visão do seu grande objetivo exeqüível dentro da sua missão maior. A elevada auto-estima observa os seus dez princípios que são:

q          Importar-se consigo mesmo.

q          Amar ao outro como a si próprio.

q          Considerar-se a pessoa mais importante do universo.

q          Cuidar do que é importante.

q          Dar chance para si estando presente no acontecimento útil.

q          Sentir-se radiante e feliz ao interpelar ou ser interpelado com um “oi”.

q          Aprimorar-se para ser útil, raro e necessário.

q          Estar disposto e pronto para a ocasião certa, no lugar certo.

q          Perseverar para ser o melhor, com juízo, no que gosta e quer fazer.

q          Confiar em Deus.

 

1.           Importar-se consigo mesmo. A cada dia basta o seu cuidado. Estar disposto, alimentar-se com sabedoria, assear-se, estar bem consigo mesmo. Mostrar a serenidade e a firmeza sem mentir e atuar com equanimidade.

2.           Amar ao outro como a si próprio. Este é o princípio da boa relação social. Adotar a linha do bem. Não subestimar e nem superestimar o outro querendo desqualificá-lo ou agradá-lo. Saber respeitar com autodisciplina, perdoar e transigir. É preciso converter os poucos inimigos que ainda restam para que se permitam aliar-se às nossas causas, tornando-os amigáveis. Porquanto, ainda, ninguém faz nada a favor de seu inimigo, só pensando em destruí-lo. Bom é não ter inimigos, invejosos e ciumentos. Pense nisso. Amar o inimigo é, no mínimo, pensar em torná-lo amigo, espontânea e incondicionalmente.

3.           Considerar-se a pessoa mais importante do universo. Tornar-se importante é ser digno de si. Merecer-se. Dar para si próprio o que acha merecido. O que você pode dar para sua amada se nem a si nada pode oferecer?

4.           Cuidar do que é importante. Importa-se saber priorizar. Colocar os afazeres do dia na ordem de importância. Fazer hoje o que é de hoje. Não se preocupar com o que deixou para amanhã. O estresse é um grande inimigo da nossa saúde. Cuide-se, portanto.

5.           Dar chance para si estando presente no acontecimento útil. O que pode impedir você de comparecer em um evento importante? É preciso que se esgotem todas as possibilidades para não se dar uma chance para presenciar um acontecimento útil. É preciso aumentar a probabilidade dentro das possibilidades.

6.           Sentir-se radiante e feliz ao interpelar ou ser interpelado com um “oi”. A boa relação social precisa ser alimentada para não cair no esquecimento e desligar-se da nossa rede. Cada boa relação social nossa está ligada diretamente ao nosso nó. Todas as pessoas têm a sua rede própria. Uma desatada dessa pode dar reação em cadeia e vermos diminuída a extensão da nossa rede social. Fortaleça o seu nó com um “oi” de cada dia.

7.           Aprimorar-se para ser útil, raro e necessário. Todas as pessoas bem sucedidas na vida têm algo em comum. Entram fundo no que gostam e treinam todo o tempo. As suas relações sociais têm afinidades com o que fazem. Alcançam a raridade e por isso são demasiadamente requisitadas.

8.           Estar disposto e pronto para a ocasião certa, no lugar certo. O zelo, a prudência, a perícia e a prestimosidade são os recursos que não podem ser deixados de lado para haver o benefício e o prestígio decorrente do aproveitamento de uma oportunidade. Porquanto, são tais fatores que conduzem a pessoa para estar presente na ocasião certa e no lugar certo com disposição e preparado para receber e aproveitar uma grande oportunidade daquelas que se dizem que só ocorrem uma vez na vida.

9.           Perseverar para ser o melhor, com juízo, no que gosta e quer fazer. A perseverança é uma grande qualidade apropriada para se alcançar o triunfo. O juízo faz evitar os excessos que vêm prejudicar a saúde. Fazer o que gosta é um divertimento. Ter isso tudo como o ganha pão é unir o útil ao agradável. Ser o melhor naquilo que gosta e quer fazer é muito mais fácil do que fazer o que não gosta e não quer. O melhor em qualquer coisa é sempre muito mais apreciado, valorizado e requisitado. O que é raro é bem pago.

10.        Confiar em Deus. Se você não confiar em Deus, não poderá ter confiança em si. Para alcançar a auto-estima em alto nível é preciso muita autoconfiança. Pela autoconfiança você poderá confiar nas pessoas de sua rede de relações sociais. Para que todos possam ter confiança em você para um “oi” de cada dia é preciso ter fé em Deus.

Cumpre, então, gostar de si, achar qualidades, valorizar-se, ter calma, sorrir e descobrir logo do que realmente gosta e quer fazer. Sentir-se bem em fazê-lo. Também, sentir-se mal quando não se está podendo fazê-lo. Implementar o seu projeto adequado com eficaz método. Entrar nele e deixar a coisa rolar ocupando-se de viver, com consciência. Lembre-se do adágio: ¾ “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” ¾ ou ainda, “A galinha, de grão em grão, enche o papo”.

 

35-1 Produção das ferramentas úteis e necessárias, em níveis de momentos biográficos e históricos apropriados.

Trata-se de investigar os determinados elementos, acertadamente; fatores, lugares-comuns e recursos essenciais e necessários para a solução do impasse que começa importunar o agente ou paciente. Isto se faz através de análises e estudos introspectivos bem como pela captação de dados, informações, técnicas, conhecimentos e auxílios junto a vários especialistas e técnicos, intersubjetivamente (reconstruindo momentos biográficos), ao mesmo tempo em que se pesquisam as respectivas informações históricas do problema identificado, quer pelo lado familiar e genealógico, quer pelo lado dos casos análogos ocorridos e resolvidos socialmente (reconstruindo os momentos históricos). Por exemplo, o sujeito se vê, repentinamente, com o problema de impotência justo na hora que ele mais precisa se desempenhar. Se ele tem conhecimento e for especialista nesse assunto, saberá superar muito bem esse impasse e voltará à sua  forma normal e saudável muito rapidamente. Caso contrário, não é de se desesperar, ou se preocupar e nem ficar mais angustiado, porquanto isso tem solução. Em primeiro lugar, com muita calma, tolerância e paciência retornam-se às preliminares e termina-se a transação com combinação prévia, arte e artifício pelo menos para a satisfação da parceira. É preciso se dar conta de que músculos involuntários precisam ser excitados e a boa concentração objetiva suspende a presença de bloqueio, autocensura, autocrítica, ansiedade, medo, angústia, depressão, estresse, raiva e preocupações. A introspecção e a reflexão são realizadas selecionando dados como dívidas, problemas profissionais e preocupações outras que estão influindo para a ausência de ereção. Em seguida, consulte um ou mais urologistas que sabem como resolver esse impasse. A análise introspectiva referida pode ser além da reflexão, a investigação adequada da palavra-chave que pode estar representando o fundamento inconsciente do impasse. Essa investigação se faz com cinco ou seis palavras ligadas ou sugeridas pelo impasse no estilo da associação de idéias demonstradas por Freud cuja finalidade é a tomada de consciência e compreensão plena do problema pela totalidade que será tratado através do procedimento terapêutico adequado. Essa compreensão é conseguida pela análise das mesmas palavras que se verificam repetidas vezes nas diferentes séries de associações a partir daquelas primeiras selecionadas. Novas séries são propostas e sugeridas através das palavras ou expressões mais repetidas, caso sejam insuficientes para a compreensão buscada. Em geral, a palavra-chave, a que aparecer mais vezes, mostra o caminho apropriado a ser seguido na investigação. Esta experiência deve ser acompanhada pelo psicoterapeuta escolhido para essa finalidade que fará toda a análise para o objetivo do tratamento. Urge, diante de impasses, achar e usar as ferramentas adequadas para a sua solução.

 

(36-a) Ocupar-se de viver. No mundo subjetivo pode-se voltar e ir ao tempo navegando na nossa vida biográfica e histórica com o auxílio do nosso banco de memória, reflexão, imaginação e criatividade dispondo-nos de tudo aquilo que já sabemos e vivenciamos. O nosso mundo objetivo — realidade externa — é de determinado modo, compreensível. Nele está o incomensurável universo e só precisamos nos sentir seguros com os pés no chão. Em quaisquer das suas direções e sentidos — para cima, para baixo, para os lados — sentimos clara e insofismavelmente a noção de finito, infinito, infinitésimo e da eternidade. Dessa noção, restringimos um pequeno e determinado espaço, tempo, velocidade e o movimento no aqui e agora. Onde estar? Como ser? Quanto ter? O que fazer? Há inúmeras respostas para estas indagações. Se optarmos por uma delas, surgirão mais questões. Por quê? Para quê? Quando? Para quem? As respostas destas últimas nos guiarão para dois dos sentidos da posição existencial em quaisquer de determinados momentos de necessidade. O sentido da vida e o sentido da morte. Se o sujeito optar para o sentido da vida, terá de ocupar-se de viver. Caso contrário, estará ocupando-se de morrer. O que é ocupar-se de viver? — Fazer aqui e agora o que é importante. O que é importante? — Aquilo que é importante está ligado com a liberdade de realizar um sonho que seja útil para si e para o seu próximo. A liberdade está em conexão com o bem-estar, o bem-ser, o bem-ter e o bem-fazer para o benefício das partes e do todo, ao mesmo tempo. O seu próximo é todo aquele que você crê que lhe quer bem e o faz quando está necessitado.