CONSCIÊNCIA TERAPÊUTICA.
Quem é
que não sabe se está bem ou se está mal?
Quando a coisa não
vai bem, o bebê chora, a criança sai do seu comportamento alegre e calmo, o
adolescente se irrita, o adulto fica mal-humorado, o maduro se impacienta e o
velho resmunga. Certo é que cada qual manifesta do seu jeito peculiar o seu
mal-estar.
Diante de qualquer
impasse, a tópica de Aristóteles[16]
entra em reação, ação e atuação, do modo natural, automático e intencional ou
da forma habitual, costumeira, usual e vivencial em busca da
solução partindo dos sintomas, vestígios, dos lugares-comuns[17],
sinais, pistas, indícios, fragmentos, etc., enfim, para as interações, no passo
de se ter a exata noção, entendimento, conhecimento, aprendizagem[18]
e compreensão[19] do
problema, a fim de cuidá-lo e tratá-lo.
O impasse[20]
pode corresponder a um estímulo interno ou externo que conecta a sensação relativa.
O impasse pode
surgir também como uma rede de estímulos associados que conecta uma série
correspondente de sensações ou a sucessão respectiva destas de efeitos
imediatos, retardados ou temporários de modo intermitente ou não.
Sendo prazerosa a sensação resultante não há problema a ser detectado,
pesquisado, ou estudado. Ou seja, se não for por interesse de conhecimento ou
por curiosidade, não há a necessidade de indagações, investigações e busca de
dados e informações para as soluções.
Estando conhecida
a conexão sensação ↔ estímulo, não se exigirá
maiores preocupações, porquanto, o conhecimento da solução evitará perda de
tempo estabelecendo-se o caminho da superação.
O desconhecimento da solução provocará sentimentos e emoções
inadequadas que aliadas ao mal-estar dificultará, na aplicação do processo da
tópica, o encontro das boas respostas às indagações decorrentes do tipo: Por
que dói? Onde foi que começou? Quando? O que foi que eu comi* que me fez mal?
Como fazer para parar essa dor? Como é essa dor? Onde é que dói? Dói muito ou
pouco? Quem conhece esses sintomas? Por onde começar para se curar em tempo
hábil antes que a coisa piore cada vez mais? Quem saberá ou poderá resolver
este problema e os demais decorrentes?
Dói a cabeça. É sintoma de graves conseqüências?
Não tem dinheiro para pagar o que vence amanhã. O que fazer? Onde foi
que eu errei? Como é se faz para se sair dessa?
Não tenho coragem de abordar aquela beldade. É grande a minha vontade
de conhecê-la, convidá-la para sair. Que fazer, como fazer, o que falar? Por
que não tenho coragem? Por que eu estou tremendo e sinto-me a perna ficar
bamba? Por que estou desviando o meu olhar quando ela está me olhando? Por que
estou com a face corada? Por que estou tão tímido? Como fazer para acabar de
uma só vez com esta timidez? Por que eu me sinto tão ridículo e confuso?
Na questão de premência ou quando não há mais tempo para nada, é
preciso decidir a parada de uma só vez. Ou bem foge ou bem enfrenta. O que pode
ocorrer é ganhar ou perder, sentir prazer ou a dor, receber um sim, um não, ou um talvez, caso enfrente. Na situação do talvez ou de qualquer
dúvida é preciso perseverar, persistir até que ceda ou encontre o que fazer. Há também a situação de deixar para depois
e voltar com tudo para enfrentar a situação, se puder.
De qualquer
maneira, é preciso prognosticar, diagnosticar, intuir, pressentir, especular,
captar vestígios, sinais, signos, pistas, fragmentos, interpretar as
expressões, gestos, posturas, pegadas, rastros, símbolos, lugares-comuns,
colacionar dados e informações, buscar o óbvio excluindo os absurdos, os erros
e exageros, selecionar as sábias lições, as opiniões e sugestões; enfim,
pesquisar, buscar conhecimento, entendimento, o saber e a ampla compreensão da situação do momento.
Por aí se vê que o
impasse surge do desconhecimento de uma situação pela sua totalidade e do
método aplicável para a sua superação. De acordo com a reação de primeiro
momento (imediata, precipitada, automática, impulsiva) pode tornar um simples
incidente positivo em situações problemáticas.
Se fôssemos montar
uma tópica aristotélica buscando os seletivos lugares-comuns do impasse no
passo de se encontrar solução aceitável haveria de procurar respostas adequadas
para indagações como: Qual
é a causa, o motivo e a razão? Qual é o melhor procedimento para superá-lo? É
saudável e certo reagir com medo, raiva, ódio, agressão ou fuga? Pode-se pedir
ajuda? Quem pode resolver um problema desses? É alto o preço que se tem de
pagar para superar o impasse? Quanto? O governo pode ajudar? É um direito
social? Quando a coisa é de graça pode-se ser exigente?
Quaisquer que
sejam as respostas dessas indagações e de muitas outras quer relativas a
impasses específicos, particulares ou parciais, quer a gerais, totais ou
coletivas, todas levam à consciência de como é desastrosa a vida com a ausência
de luz dada por uma adequada aprendizagem e desenvolvimento da sabedoria e do
conhecimento já consagrado pela sociedade. E como é fácil e bela a vida quando
se têm as respostas certas prontas na hora que delas se precisam.
Logo, é
preciso que se busquem e se incentivem novas descobertas, inovações e invenções
revolucionárias no sentido de resolver e facilitar a vida humana não somente
para alguns privilegiados mas para a totalidade do ser humano vivo.
A aprendizagem e o
desenvolvimento, portanto, quer para o indivíduo quer para a coletividade,
torna-se importante missão e principal objetivo humano que será implementado por metas
prioritárias e imprescindíveis, se se quer amenizar, evitar e diminuir as
doenças, os impasses, obstáculos e os males que a ignorância, a estupidez, a má
intenção e a falta de recursos os fazem abundar para infernizar a vida no
planeta que vem sendo mantidos e reproduzidos pelo absurdo subdesenvolvimento[21].
Nesse mister, é
preciso desenvolver a superconsciência a começar pela teoria de aprendizagem:
as consciências de seus quatro momentos[22].
Contudo, não é bastante apenas aprender e desenvolver. É preciso
conscientizar-se de que são necessárias determinadas mudanças e logo
implementá-las.
Neste
passo, as sensações são os instrumentos
fundamentais para quaisquer aprendizados, mudanças e implementos, pois que
começam edificar a base das percepções, identificações, interpretações e
entendimentos para uma resposta rápida. Dá subsídios rápidos às emoções,
sentimentos, sensos e juízos para a devida orientação e administração do
comportamento, conduta e procedimento adequado para a situação de impasse.
Cumpre dizer, aqui e agora, sobre negligência, imprudência, imperícia
e omissão[23].
Estes quatro fatores fundamentam fenômenos,
fatos e idéias para diagnosticar ocorrência de crime, acertadamente, para se
apurar ato delituoso. Ato esse culposo* se houver
delito sem a intenção deliberada de provocá-lo.
E diz-se doloso em caso contrário,
especialmente, quando o crime é praticado por premeditação, planejamento e com
os requintes tecnológicos e técnicos aliados ao zelo, perícia, prudência e prestimosidade[24] para
fins perversos, antiéticos e prejudiciais.
Mas, o que importa, aqui, é falar que a existência
desses fatores é evidência insofismável da ausência da aprendizagem certa no
momento adequado e da ineficácia do desenvolvimento para a prática do zelo, prudência, perícia e
prestimosidade para o benefício do próprio agente, das partes envolvidas, ao mesmo tempo em
que, para o todo social, no contexto da boa ética.
O zelo faz observar com alerta, prontidão e atenção, nos
primeiros momentos, ao arranjar e classificar elementos certos, necessários e
prioritários, afastando a negligência, ou preguiça, para evitar acidentes imediatos.
A prudência, embora fruto do medo, não se trata de
medo mas subsiste por si mesma para evitar a situação de medo. Observa os
conhecimentos e os saberes para trocar ou permutar o duvidoso e o provisório
pelo adequado e pelo definitivo seriando os valores, os instrumentos, os
recursos, as técnicas, as atitudes, as variantes e todas as condições
possíveis, nos segundos momentos, para evitar ou afastar a imprevidência e
respectivas conseqüências indesejáveis, tempestivamente.
Perícia é habilitação, capacidade, especialização. É
o fazer bem operando com habilidade, eficiência, eficácia, desenvoltura,
aptidão, competência, técnica, confiança, pureza e simplicidade. Tem a função
de amenizar o exagero no zelo e na prudência evitando perda de tempo,
desnecessariamente.
A prestimosidade evita a omissão e cuida da solidariedade
visando a boa união. A união, realmente, faz a força; mas só se a consegue
quando se dá a devida importância para si mesmo, importância essa reconhecida
pelos demais, reciprocamente. E a reciprocidade torna leve o lado mais pesado.
Por conseguinte, a aprendizagem e a sua prática para fins do
benefício geral e próprio são tudo.
O aprender com o adequado desenvolvimento praticando é a melhor
abordagem terapêutica.
E, é a base principal de todas as linhas psicoterapêuticas.
Daí é para se corrigir comportamento, conduta ou procedimento tendente às más
conseqüências.
Aprender o que é preciso e desenvolvê-lo com veemência e
persistência pelo treinamento, técnica, prática, habilitação sem negligência,
imprudência, imperícia e omissão é que se poderá afastar os vícios,
debilidades, ignorâncias, acidentes e doenças; também, a estupidez, o fracasso,
a decepção e a frustração. Em síntese, curar todos os males que afligem o ser
humano.
O homem nasce inteiro e pronto para aprender e crescer.
Alimentando* e aprendendo o
que é bom para si, para o outro e para a totalidade do ser humano, ao mesmo
tempo, é o procedimento da linha do bem[25] e da boa saúde.
Estes dois procedimentos têm por base a prática do amor[26]
ao próximo como a si mesmo observando de maneira contínua o viver bem com
inteligência[27].
Para uma aprendizagem eficiente e eficaz é importante também
perceber, identificar,
interpretar e entender os momentos em interação e situá-los nas suas devidas
oportunidades.
Num momento de sofrimento psíquico, raiva, medo ou dor
física a potencialidade de aprendizagem é relativa a essas sensações e emoções.
Daí, no estado de tristeza, de raiva ou medo não dá para assimilar, por
exemplo, as questões matemáticas mais simples e nem mesmo fazer a mais simples
análise da própria vida.
Se a emoção ou a sensação é intensa, não há tempo nem de
lembrar de nada.
Se o corpo está doente, dói a
cabeça, a bexiga está cheia, o estômago anuncia fome, esgotou-se a comida, o dinheiro
acabou, ou a casa está pegando fogo, então, o momento é premente. É preciso
resolver essas premências, rapidamente, deixar a poeira assentar-se e só daí,
pode-se cuidar do que se sabe ou pensar em outras coisas. Cuidar dos problemas
dos primeiros momentos é uma prioridade, porquanto, os problemas dos demais
momentos tão-somente serão prioritários quando se tornarem prementes ou
improrrogáveis.
Contra qualquer necessidade,
fenômeno, fato e idéia ou os seus conteúdos, formas e representações, há quatro
possibilidades de posições distintas que podem ser tomadas, em um determinado
instante, para avaliá-los, enfrentá-los ou superá-los. Da forma imediata,
tempestiva, sucessiva e integrada. Todas, simultaneamente, em ordem
decrescente, crescente, seqüencial, alternada e isolada, ou do modo
desordenado.
Na situação de primeiro
momento, percebemos
presente o estímulo ameaçador que vai conectar uma reação automática, via
reflexos ou impulsos, em nível inconsciente. O dar-se conta dessa
situação de modo completo (perceber no ato o porquê, para que, quando,
como, onde, a quem mais, etc.) chamamos consciência-do-inconsciente.
Na situação de segundo momento, identifica-se presente o estímulo ameaçador,
em confronto com registros das relativas experiências anteriores, que vai
conectar a ação tempestiva, em nível subconsciente.
O dar-se conta,
inteiramente, dessa situação (identificar o porquê, para quê, para
quando, como, onde, para quem mais, etc.), tempestivamente, chamamos consciência-do-subconsciente.
Na situação de terceiro momento, o estímulo presente,
se regular ou não, é interpretado
por meio de raciocínios e de confrontos que produzem planos ou projetos para
uma atuação correlata, em nível consciente.
O dar-se conta,
inteiramente, dessa situação (interpretá-la de modo correto para saber o
porquê, para quê, para quando, quanto, como, onde, a quem mais, etc.), com a
rapidez exigida e útil, chamamos consciência-do-consciente.
Na situação de quarto momento ocorre a integração das três situações
básicas anteriores, pela observação plena obtida em alerta, prontidão e
atenção para certificar-se da autenticidade e consistência do estímulo relativo
à necessidade presente. A presença do estímulo, então, é entendida
quanto a sua constituição e finalidade através da percepção, identificação e
interpretação.
E, daí, poder enfrentá-lo
com maior facilidade no passo de bem resolver ou saciar a necessidade
decorrente também nas vezes do seu ressurgimento. O dar-se conta dessa situação
de modo completo (saber a verdade do porquê, para que, em que, o quanto,
para quando, qual medida, o como, onde mais, para quem mais, etc.) são as consciências
ou consciência integrativa para a tomada de uma superconsciência.
A probabilidade de sucesso na saciação com a desejável
qualidade aumenta com a consciência integrativa. Pode-se, daí, dizer que esta é
uma nova situação em nível de integralização das três consciências.
A unidade formada
pelas consciências dos três momentos fundamentais é o eu cônscio e
íntegro,
propriamente dito. Para distinguir esta nova situação das três básicas,
chamamo-la de quarto momento.
As
ferramentas, os recursos ou meios de aprendizagem e desenvolvimento nos primeiros
momentos são os que levam o indivíduo ou o grupo à saciação das
suas necessidades mais prementes mediante reações aos estímulos presentes
relativos.
Destacam-se
os recursos naturais, o fenômeno, a causa, o efeito, o alerta, o impulso, os
reflexos, a vontade, a escolha ou a opção, a emoção, o reforço, o
comportamento, a habituação[28],
a sensibilização[29], o hábito,
a condição disponível, a força física, a infra-estrutura situacional, o
material presente no ato da reação ou do enfrentamento, a ingenuidade, as
relações com a sua extensão mais próxima, a confiança, a força estática, o
arranjo, o acordo, a descoberta, a classificação, a assimilação e a consciência
perceptiva (consciência-do-inconsciente).
Os dos segundos
momentos referem-se à satisfação das suas necessidades tempestivas
mediante investimentos e ações aos estímulos relativos que estão adiante, objetivamente,
e aos lembrados no aqui e agora.
Os
fatores e os instrumentos dos segundos momentos que se destacam são os recursos
socioculturais consolidados, o fato, a identificação, a conduta, a coragem e
ousadia, o saber[30] e
conhecimento, a prontidão, o sentimento, a privação, o desejo, a motivação, a
livre iniciativa, a determinação e atitude, o motivo e conseqüência, o lastro e
credibilidade, a força dinâmica ou o dinamismo social, a força do fazer
sabendo, a provocação, o acúmulo de bens, a permutação, a conciliação, a
proteção, o costume, a inovação, a promessa, a experiência, os recursos
alheios, créditos e auxílios, a responsabilidade real, o respeito, a
compensação, a seriação, a acomodação, a crença, o bem e o bom e a consciência
cognitiva (consciência-do-subconsciente).
Os dos terceiros
momentos
referem-se à solução das necessidades freqüentes ou sucessivas mediante
atuações aos estímulos persistentes ou constantes relativos.
Destacam-se os recursos
civis e tecnológicos, a força do pensamento e as suas faculdades, a carência, o
ato provisório, o procedimento, a improvisação, a intenção, o interesse, a
idéia, a invenção, o planejamento, o projeto, o senso, as pesquisas, a medida,
a teoria, técnica e ciência, a espontaneidade, a razão e resultado, a combinação,
a estruturação cinemática social, a facilitação, o estudo, o consenso, a
intuição, a boa decisão, a consolidação e desenvolvimento, a seleção, a
simplificação e a consciência intelectiva (consciência-do-consciente).
Os fatores relativos dos quartos momentos reportam-se à integração e
consumação das necessidades dos três momentos enumerados para desfrutar o
triunfo sensato.
Destacam-se os recursos da
comunicação e da civilização, as sensações, a reflexão, o juízo, a memória, a
criatividade, o talento, a auto-estima, a disposição, o desígnio ou o sonho, a
disciplina, a sinceridade, a deliberação, o querer integrado, o deleite, a
estruturação, a organização, a harmonia, o pacto, a união de forças e recursos
dos três momentos fundamentais, os princípios e fins, e a consciência
integrativa (consciências).
As consciências do ser ou do não ser capaz, do poder ou do
não poder fazer, do estar ou do não estar na hora e no lugar certo e do ter ou
não ter a permissão para o atuar espontâneo e livre caracterizam o potencial do
início certo, eficiente, eficaz e promissor da integração entre a aprendizagem
gratificante e o desenvolvimento próspero do sujeito aprendiz.
Essa superconsciência é o fundamento
do início para uma autonomia[31]
autêntica.
O alerta,
a prontidão, a atenção e a observação
são recursos que concentram a curiosidade especial para aprender o que tem de
ser ou deve ser aprendido.
A ausência dessa
consciência fará o indivíduo permanecer na ingenuidade dos primeiros momentos;
no bloqueio, proibição e impedimento quer específicos quer genéricos dos
segundos momentos; e, no cumprimento de papéis sociais.
Praticamente, a partir da
ausência dessa consciência no enfrentamento dos problemas nos seus segundos
momentos da aprendizagem e desenvolvimento é que surgem, ressurgem ou se
reproduzem todas as psicopatologias.
Eis porquanto, as situações de
necessidades não saciadas nos primeiros momentos passam para serem satisfeitas
nos segundos momentos. Quando não satisfeitas tempestivamente e de maneira
adequada surgem as privações e as carências relativas cujas soluções são
remetidas para os recursos dos terceiros momentos.
Nesse processo de situações mal
resolvidas ou de não encontrar soluções viáveis, o indivíduo se expõe a confusões,
ilusões e enganos decorrentes de uma série de negativismos[32]
e de alarmes falsos que pode experimentar. Dentre os quais, a frustração,
o desapontamento, a decepção, o pavor do fracasso, o medo
da perda, o ódio ou a raiva acumulada, o inconformismo
rebelde, a mágoa e a reação da fúria em cadeia transformam-se nos
grandes predadores das suas energias vitais.
A crença na ameaça como fato
real concreto e no alarme falso, sem correlacionar, observar e verificar ou
manipular as suas variáveis para comprovações pode conduzir o indivíduo desprevenido
às mais constrangedoras situações e até catastróficas.
Neste ponto, é de se indagar por que e como pode ocorrer o
desperdício das energias vitais?
Ora, o organismo está apto e pronto
para reagir contra as ameaças à sua integridade na situação premente do aqui e
agora. Mais, precisa e preferencialmente, na situação de todos os primeiros
momentos.
O estímulo interno ou externo, presente, adiante, sucessivo ou integrador é que provoca a sensação respectiva.
As sensações têm o poder de
detonar ou de fazer disparar as respostas automáticas e a produção dos devidos
hormônios estimulantes no sentido da defesa do organismo. Assim, as energias
vitais concentram-se redobrando as forças emocionais ou os impulsos para poder
fugir ou para enfrentar com maior possibilidade de bom êxito.
Vencendo a situação de impasse
enfrentando-a com a natural raiva, ou com coragem e bravura; ou, ainda,
livrando-se dela pela fuga e esquiva ou pelo medo e camuflagem, vai chegar a
fase da reposição das energias vitais despendidas.
Contudo, se a situação não for logo
resolvida ou no momento aguardado, as energias vitais continuam a fluir, em
prontidão, para a presumida ocorrência catastrófica.
Assim, as preocupações, as
ansiedades e as angústias ou as depressões decorrentes podem somatizar ou gerar
neuroses e psicoses, os quais em permanecendo por longo tempo, aumentará o
desperdício de energias à toa.
A cultura ou os padrões
socioculturais geram as diferentes emoções e sentimentos negativos que são
reproduzidos pela fé, convicção e, principalmente, pela crença. Logo, é preciso
avaliar as crenças, ponderar os seus valores e interpretar com análise e
síntese os padrões e os costumes vigorantes de tal sorte que as suas
influências não detonem o seu bem-estar numa situação de aparente impasse
invencível.
Neste passo, agravam-se as
enfermidades não só aquelas em processo mas as decorrentes da debilidade geral
a que se expõe o organismo pelo excesso de energias despendidas não recuperadas
a tempo, ou não repostas satisfatoriamente.
Essas doenças se manifestam na proporção das fixações dos
freqüentes aborrecimentos por rebates falsos e segundo o teor da crença e da
convicção na gravidade do problema a ser resolvido.
A vontade, desejo e intenção[33]
do encontro com a sua solução definitiva são desviados, bloqueados ou inibidos
pela insegurança advinda da
ignorância relativa e das imposições freqüentes da disciplina e da
responsabilidade mal ministradas aliadas aos excessos de emoções negativas do
paciente.
Para bloquear ou evitar o encadeamento dessas reações negativas
necessário se faz o seu congelamento total, visto que supérfluas, de princípios
incoerentes e irracionais.
É preciso retomar a superconsciência, dando-se conta de que
somente o conhecimento e o aprendizado relativo podem fazer com que o processo
negativo não se inicie provocando o seu desencadeamento. Para tanto é preciso
sair das malhas do condicionamento, da crença infundada, auto-engano ou transe
hipnótico provocado pela habituação e adaptação aos valores, costumes, regras e
padrões sociais e culturais. Daí, atingir logo a superconsciência cuja função é
tornar explícita a consciência implícita decorrente desse comportamento e
conduta rotineira.
O caminho natural e adequado para evitar os males e para
curar doença decorrente é uma retirada estratégica, rumo à recuperação de energias através do repouso, da meditação,
da boa
alimentação[34], ginástica,
massagens e paz de espírito. A seguir, por meio da reflexão, introspecção e
pesquisa procurar mais informações, indícios, dados e fatos probantes,
conhecimentos, práticas, técnicas e assessoria de eminentes especialistas.
Sendo o impasse relativo à saúde, efetuar exames receitados em dois ou mais
laboratórios renomados; e, daí, concluir através de uma boa análise e síntese,
para o fim especial de esclarecer e resolver o impasse.
O objetivo não é só desenraizar a convicção nos
pseudo-estímulos geradores de preocupações inúteis, mas treinar-se e
habituar-se na prática imediata do método que leva à solução de qualquer
obstáculo.
São as preocupações por crenças infundadas que causam
incômodos físicos e psíquicos com indesejáveis conseqüências.
O distanciamento total urgente do ambiente do problema é
condição necessária para uma recuperação integral da boa disposição física e
psíquica.
O dito distanciamento, congelamento e a referida retirada
estratégica são o que, analogamente, se faz quando se interna um grave enfermo
numa unidade de terapia intensiva para se evitar o pior.
O cuidado intensivo é necessário. Só depois de controlada a
ameaça fatal é que se inicia o trato da recuperação gradual.
É preciso estar apto e em boas condições físicas e técnicas
para o enfrentamento na busca das soluções de qualquer problema que se nos
depara. Este procedimento aliado à linha do bem é o método da auto-estima[35].
A auto-estima desperta a consciência para a concentração,
seleção e integração dos recursos disponíveis e para criar os instrumentos
úteis. E o juízo exige a avaliação e a análise da situação. É preciso que se
evite o rebate falso. E de outro lado, pegar a doença no começo para o devido
tratamento.
O meio certo
para evitar qualquer patologia e detrimento é a tomada das quatro consciências
nas variadas circunstâncias dos momentos biográficos e históricos respectivos,
devendo reagir, agir, atuar e interagir segundo os recursos da situação para a
produção35-1 das ferramentas úteis e necessárias,
em níveis de momentos biográficos e históricos apropriados.
Com as consciências, importa, então, observar a situação da que
resulta da sua ação como boa para as partes e boa para o todo, simultaneamente,
com os fatores e recursos de todos os momentos biográficos e históricos, seja
no passo de interferir ou de influir, ou seja no de dar e de receber, estar,
ter, ser e fazer, no curso das interações com o meio ambiente físico e social.
Basta
lembrar que você é a pessoa mais importante do universo, visto que graças a sua
consciência de estar no mundo pode ver, sentir, pensar, fazer, tocar-se, ser
tocado e se dar conta de que está com vida e de que as coisas e as pessoas
ainda existem para você, que as coisas mudam e acontecem.
Sorrir,
chorar, gargalhar, assustar-se, zangar, irritar-se, ralhar, rir, brigar, gozar,
tremer, alterar a voz, agredir, enrubescer, admirar, deslumbrar, maravilhar-se,
excitar-se, acariciar, tocar, beijar, abraçar, etc., são manifestações de humor
ou estado de espírito diante das situações que implicam os estímulos,
sensações, as consciências, emoções, sentimentos, sensos e juízos. Essas
situações manifestam-se ou podem acontecer nas interações do agente com o seu
meio ambiente, no curso de suas atividades e operações, para o fim de suprir
necessidades.
É saudável deixar o humor fluir-se naturalmente. Seja ele bom ou
mau. Mas, deve-se resolver, rapidamente, a situação desagradável, substituir o
mau humor pelo bom e equilibrar-se emocionalmente.
O
humor é contagiante.
Por
causa disso deve-se procurar viver o mais possível na situação de calma,
alegria, prazer e equanimidade, de tal sorte que a ótima disposição física e
psíquica disponha o entusiasmo das demais pessoas para uma boa causa. Evitar o
humor que contagia o seu lado oposto.
O ser humano na sua luta pela sobrevivência interage com o seu
meio ambiente e não há como não se deparar, com os diferentes estímulos maus,
perigosos, aversivos e estranhos, os quais, sem dúvida, se não forem
resolvidos, do modo natural, a contento, suspensos ou limitados, eles serão
superados pela aprendizagem, treinamento, aplicação, experiência e vivência.
Dessa
maneira, ora ele sofre, amedronta-se, encoraja-se, ou enraivece-se, e ora se
acalma, envaidece, alegra-se, ou goza ante os variados acontecimentos de sua
vida.
Contudo,
guiado e regido pelo seu complicado mecanismo de defesa e ataque formado pela
sua herança genética e do saber oriundo do seu aprendizado, dos seus reflexos,
seus condicionamentos, vícios, virtudes, conhecimentos, hábitos, costumes,
usos, vivências, forças, pensamentos, técnicas e experiências ele sobrevive
desenvolvendo poderes para dominar a natureza.
E,
de conformidade com os seus sacrifícios, dificuldades, facilidades, perdas,
ganhos, fracassos e triunfos ele chora, sorri, sente dores terríveis, prazeres
enormes, horrores, alegrias e ódios intensos, revoltas, ansiedades e tem
preocupações, o dó, as angústias, náuseas, depressões, estresses, inconsoláveis
tristezas; e, também calmaria, paz de espírito, etc.
São
inumeráveis as situações de impasse e de doenças que ele se propõe superá-las
para poder experimentar os bons sabores da vida. Assim, o estar-para-a-vida
e o estar-para-a-morte, bem como, o ocupar-se de viver(36-a) e o ocupar-se de morrer
são questões de sentido existencial de liberdade e de não-liberdade voltadas
para o momento biográfico.
Mas, o
momento biográfico implica o momento histórico relativo.
Por isso é preciso estar, ser, ter e fazer no mundo para um
acontecimento bom para as partes, ao mesmo tempo em que seja bom também para a
totalidade. Oportunidade essa, quando ambos os momentos (o histórico e o
biográfico) se podem integrar em benefício de todos.
Em outros
termos, ele enfrenta os estímulos, os fenômenos, os fatos e as idéias que lhe
podem produzir ou reproduzir as sensações, as emoções, os sentimentos, os
sensos e os juízos para o colorido de suas experiências e momentos
significativos, sobretudo, enquanto os desfruta de maneira adequada aos seus
momentos biográficos e históricos.
Mas, o que
é o adequado? O que é adequação*?
Aí está um dos princípios da boa saúde. Observe-se que
a boa saúde implica vida. Do contrário, tende-se encurtá-la para a morte.
Adequar-se é muito diferente de adaptar-se, em
níveis de momentos.
Adequar-se é discernir e optar buscando uma
situação melhor seguinte, para si. Adaptar-se é assimilar e acomodar uma
situação, para si, aceitando-a como definida.
Adaptar-se
aos sofrimentos crônicos submetendo-se ao que não gosta e não quer ou
adequar métodos, emoções e sentimentos positivos com bom senso e juízo para
vivenciar, desde logo, o bem-estar autêntico?
Pode-se
intuir, por conseguinte, que para desfrutar aquela ótima saúde, continuamente,
é questão de optar, determinar, decidir e deliberar com correção o que é adequado para
cada situação, na medida certa e no momento oportuno.
Mas
isso vem da orientação sociocultural que estabelece ou impõe valores, as normas
e os padrões de comportamento, conduta e procedimentos tidos como corretos ou
válidos, de cujos efeitos, conseqüências, resultados e benefícios poderão ser
desfrutados, querendo, se desenvolvidos pela aprendizagem e treinamento ou pela
prática dirigida.
No entanto,
há muitas situações a serem enfrentadas que não se pode contar com essa
educação formal e tecnológica, embora muitos outros adiante possam, visto que
não a recebeu, não a incorporou para a sua prática eficaz, ou fora excluído por
extrema falta de recursos e de oportunidades.
Nesse caso, há
que as enfrentar e tentar superá-las com os mecanismos naturais próprios, pelos
recursos disponíveis na situação do momento e por aqueles desenvolvidos,
aprendidos e conseguidos por conta própria, afora auxílio e solidariedade de
ocasião se houver.
De outro lado, nem todas as orientações sociais e culturais
aceitas e consolidadas como certas podem valer como remédio eficaz para todos.
Pode
haver exceções e até a possibilidade de rupturas, primordialmente, em se
tratando de reações emocionais.
Porquanto as
pessoas reagem de modo diverso ante um mesmo estímulo permitindo abrir amplo
leque de variantes para possíveis inovações, descobertas ou invenções
revolucionárias.
A cultura mesma dá origem a uma imensidão de males e malefícios,
ameaças, temores, terrores, doenças e mortes que poderiam ser evitados. Muito
embora se reconheçam os seus outros valores que são positivos e vitais à
espécie humana, para uma etnia, ou para determinada sociedade coesa, que sem os
quais não haveria sentido de vida.
Dessa
maneira, quase todas as emoções e os sentimentos negativos observáveis nas
relações interpessoais cotidianas são produções e reproduções somente ou
predominantemente socioculturais.
Porquanto, o
medo, a irritação, a raiva, a ânsia, a ansiedade, ou a angústia, a náusea, a
inquietude e mesmo a calma, ou a indiferença que se pode sentir numa situação
de não poder pagar uma dívida que vencerá amanhã, não são nem um pouco
naturais, embora os seus mecanismos fisiológicos sejam os mesmos de uma reação
emocional natural. São emoções, sentimentos e sensações bastante diferentes
daqueles da situação de ter de enfrentar um leão a muque, de repente, bem
próximo, faminto e pronto para atacar, ou daquela de evitar um acidente
iminente.
A cultura resulta da capacidade simbólica humana que se manifesta a
partir de determinadas condições sociais.
Isso
vem alimentar e subsidiar a produção e reprodução de cenas imaginárias,
simulacros, ilusões, fingimentos, disfarces, as habituações e as
sensibilizações não saudáveis, as racionalizações e as representações, imagens
distorcidas, hipóteses, sensações psíquicas, auto-enganos; principalmente, as
convicções, a fé, as crenças, as miragens, as fantasias, os condicionamentos e
as quimeras. Numa dessas situações pode-se disparar a produção dos adrenérgicos
e pronto. A pessoa pode ter daí as sensações respectivas aos estímulos
imaginários podendo ficar com medo, alegria, expectativa, raiva, tristeza,
ansiedade, ódio, angústia, mágoa, depressão e outros sentimentos de cunhos
inautênticos ou não genuínos.
Por
que e quando ocorre isso?
Por
falta de informações, experiências e conhecimentos relativos?
Por
ausência de dados ou subsídios para um pensamento objetivo?
Por
crer na existência de um perigo iminente?
Por
se sentir a sua pequenez diante de um monstro ameaçador invencível?
Por
encontrar-se em lugar e momento errados?
Pela
ideologia dominante que administra o controle social de acordo com os seus
princípios e interesses?
Ou,
de fato, o perigo ou a ameaça de vida ou morte está presente?
Pode-se também fazer a representação da imagem duma ótima
possibilidade e criar coragem, entusiasmo, bom humor e muita disposição. Se isso
der certo, muito ótimo. Do
contrário, a decepção desencadeará uma série de reações não saudáveis.
Diante
de tantas situações diferentes e das constantes mudanças que distorcem os
referenciais tidos ou considerados fixos é preciso cuidar-se de não fazer
confusões separando bem o que é real, concreto e presente daquilo que é
exclusivamente não real, hipotético, associado, imaginário, aparente,
circunstancial, abstrato e ausente, ou cultural. É
preciso estar de olho nos referenciais fixos. Parar para avaliá-los,
atualizá-los e reformulá-los.
Assim, poderá evitar, em tempo, o desnorteamento; e, livrar-se-á,
certamente, das iminentes e decepcionantes surpresas.
Dessa forma,
é preciso confiar e dar-se conta de que o medo produzido pela cultura é
proveniente da representação da imagem que se tem ou crê por não compreender a
coisa que dá medo. Produz também o disfarce de medo (fingir que está com medo).
Estes medos são bem diferentes do medo natural que ocorre diante do perigo
presente, real, concreto e ameaçador.
Esse
medo natural ressurge tanto para enfrentá-lo quanto para dele fugir ou se
esquivar, no ato. Cuida de não só proteger a integridade do organismo mas de
manter uma sobrevivência saudável. Qualquer outro tipo de medo é artificial,
desgastante, inútil e prejudicial à saúde. Pois, a sua maioria nada resolve,
além de complicar, piorar ou prejudicar a solução do impasse.
A raiva
produzida pela cultura provém igualmente da não compreensão real da ameaça.
Principalmente,
quando se faz a analogia do estímulo presente com aquele que causou perdas.
Essa raiva
funciona como mecanismo de defesa e ataque a uma representação da imagem daquilo
que pensa, supõe, pressente, ou acredita como uma ameaça real presente.
Em se
tratando de relação interpessoal, a reação contra essa raiva pode vir como uma
ofensa autêntica, desta vez, desencadeando o processo do acúmulo de energias
com raivas cada vez mais intensas para acabar nas vias de fato. Ocasião quando
se pode cometer loucura ou estupidez, bastando para tanto o menor estímulo
associado para detonar o acúmulo sucessivo da raiva. E o seu alvo pode ser,
também, qualquer próximo indeterminado.
Essas
situações de medo e raiva produzidas pela cultura são rotineiras no
enfrentamento diário, principalmente, nas relações interpessoais manipulativas,
nos valores divergentes, nos paradigmas cruzados, nas discussões e nas
competições, concorrências ou disputas e nas relações de jogos afetivos*,
desqualificativos e do poder*.
Dá para se
perceber, já, que o alarme falso detona o processo da produção dos
adrenérgicos, desnecessariamente, tornando reais e concretos os efeitos das
reações com desgaste e desperdício de energias biológicas.
Como sair dessa situação?
Disse-se
que o alerta, a prontidão, a atenção e a observação objetiva nos proporcionam
uma melhor percepção, identificação e interpretação do estímulo ameaçador ou do
impasse para um entendimento correto.
É preciso intuir e compreender a coisa que nos produz o medo e
raiva ou qualquer outra emoção e sentimento negativo, antes de tomar uma
atitude, ou ainda, precipuamente, antes que se fechem os esfíncteres para uma
reação automáticaª.
É bom saber
também que a coisa em si não dá medo ou raiva. É a idéia, a fantasia ou a
crença que se tem dela é que nos causa medo ou a raiva.
Por exemplo,
a barata não pode causar medo e nem raiva. Ela é inofensiva, porquanto sempre
foge de medo e se esconde quando percebe a presença de pessoas.
Mas a idéia que se tem ou crê de que ela pode subir pelo pé e
invadir nosso corpo ou andar pelas panelas, louças e roupas é aversiva,
anti-higiênica e nojenta. Se a crença é exagerada podemos admitir que as
bactérias que as baratas carregam nos seus pés são terríveis sujeitando-nos a
uma doença incurável. É o medo terrível que temos da morte que está associado
imperceptível e automaticamente à presença de barata, rato, vermes,
lixo, podridão, etc.
Essa idéia é que produz o nojo, o medo ou a raiva. Isso não
ocorrerá nunca, querendo.
Por
conseguinte, esse tipo de medo, ou raiva é preconceituoso e sem fundamento
racional. Pode ser um disfarce inconsciente para chamar atenção, carinho e
proteção, também. Se nesse momento houver pessoa significativa (sempre há) que
atende ao chamado aniquilando a barata e atendendo ao pedido tácito de carinho
e proteção, nada mais estará fazendo senão reforçar a patologia do medo
infundado.
Também não é
para ficar indiferente diante de uma barata no quarto, na cozinha, na sala.
Algo a atraiu para lá. E é preciso se dar conta, também, de que onde há
baratas, pode haver negligência, descuido, imprudência, desordem, falta de
higiene, caos, podridão, alimentos desprotegidos e seus restos na pia e
lixeira.
Urge-se, daí,
verificar a crença, a suposição ou a convicção, a fantasia e o alarme falso.
Trabalhando encima das idéias errôneas, definindo-as e
redefinindo-as, há grande possibilidade de diminuir o medo e a raiva infundada
e outras emoções e sentimentos negativos.
Entretanto,
numa situação de fato, diante de um perigo real e concreto, as emoções
primárias são de grande valia.
Ajudam-nos
a ter coragem, atenção, cuidado, concentração, entusiasmo ou ânimo, além da
força, habilidade, perspicácia, reflexos e impulsos necessários para superar o
impasse. Por outro lado, os excessos de medo e raiva são válidos apenas nos
primeiros momentos biográficos ou históricos fatais.
Exemplo.
Crença: “Todos
me olham e me criticam”.
Suposição: Já
estou me sentindo um palhaço. Ridículo é isso tudo. Estou ficando envergonhado
e apavorado. Vou-me sentir um idiota, um palerma.
Fantasia: A vida é difícil, vou
me isolar, quero distância.
Alarme falso: representação da imagem
que se tem de todos estarem olhando e criticando.
Comportamento
observável: hesitante, inadequado, voz embargada ou trêmula, nervoso,
confuso, gagueja, ou fica sem fala, embaraçado, dá branco, sangue sobe à
cabeça, rubidez das faces, coração bate mais forte, perna bamba, tremedeira no
corpo, etc.
É preciso trabalhar a crença questionando a si mesmo: Será mesmo que todos me olham para
me criticar? Não será para me aprovar e aplaudir? Por que todos? Não serão
alguns? O que é crítica? A crítica não é coisa boa? Posso perguntar por que me
criticam? E se me criticam, posso melhorar para a próxima vez. Noto até alguma
torcida simpática e protetora para que eu me saia bem. Portanto, não são todos
que me criticam. Preciso confessar que não estou bem. Estou muito emocionado e
confuso. Vou me sentir bem compartilhando e trocando idéias com as pessoas sem
precisar me distanciar à toa, porque vou treinar para isso. Posso até
treinar-me para uma apresentação pública com extraordinária aptidão, calma e
beleza e ser muito aplaudido, etc.
Agora que já tomei consciência do meu auto-engano,
estou pronto e apto para procurar, receber e aceitar as boas informações, nesse
sentido, para as análises e redefinições necessárias. Não sou um palhaço e não
me sentirei ridículo, nem medo ou a raiva. Pois, isso, talvez, fora preciso
quando eu era uma criança. Ou não me ensinaram a reagir às gozações, risadas e
caçoadas dos trejeitos nervosos, na minha infância, da maneira adequada. A
realidade, hoje, é outra. Por que medo de errar, se errar é humano? Permito que
riam porque rir é bom.
Observe que a crença é pertinente ao segundo momento
da necessidade. E no caso da crença acima há a conexão incoerente entre o
segundo momento biográfico com o histórico. A expressão “todos me olham e me criticam” é o que o
paciente tem por certo, ou se acha assim, e reage conforme essa crença
(biográfica) incoerente com a realidade objetiva (histórica).
Enquanto essa crença perseverar nada pode ser feito
para extinguir o mal-estar decorrente ante o alarme falso produzido pelo
estímulo simbólico respectivo.
Se o paciente começa admitir que nem todos que o olham
estão criticando, há possibilidade de conectar o seu terceiro momento
biográfico (terceira personalidade — eu-ideal) para assimilar as informações
objetivas, atualizando e reconstruindo o censor internalizado (eu-social que
critica, ri e faz sentir palhaço a sua primeira personalidade — o seu eu-individual). E, daí,
concluir que ninguém olha para criticar a menos que haja evidência de erro,
incoerência ou algo ridículo à mostra. Ainda, assim, não há que levar em conta
a ponto de sentir-se ridículo ou ter a impressão de que todos estão criticando.
O eu-individual já obsoleto, nesse sentido, atua
ainda generalizando uma situação de crítica para todas as situações. Normal é a
generalização associativa na criança pequena que ensinado a falar au-au para o
cachorro, gritar au-au quando
avistar um gato.
Com a aprendizagem e o treinamento
desenvolvendo a integração e adequando os fatores certos em mesmo nível de
consciências, relativamente aos seus momentos biográficos e históricos,
dar-se-á conta da absurda representação da imagem que fazia diante de pessoas.
Entenderá, por conseguinte, que a situação de
sentir-se criticado, preterido, desqualificado, desconsiderado, ou ainda,
ofendido, seja numa conversa, na interação, ou seja em certa discussão provém,
na maioria dos casos circunstanciais, da má interpretação das questões,
argüições, ou da infeliz colocação de determinada reação, ação, atuação, ou
opinião que provoca a idéia errônea de insulto ou de crítica negativa.
Como compreender esses
desencontros?
A aceitação, consideração, o confronto cordial
sem ironias, aplauso ou elogio sincero no momento adequado e o respeito às
opiniões e idéias alheias fazem da conversa ou do diálogo uma relação
interpessoal altamente saudável e proveitosa superando quaisquer tipos de
discussões.
Portanto, as parolas, os passatempos e os
diálogos objetivos são preferíveis às discussões banais, não instrutivas, às
vezes, até arrogantes e irônicas, sem nenhuma finalidade saudável.
Entenderá também que é necessário adotar um paradigma
adequado que não esteja incluído o prejulgamento, a opinião ou o juízo
inoportuno, a precipitação nas reações emocionais, a inferência com base em
sinais fragmentados, a confusão entre a subjetividade e a objetividade* e os
mal-entendidos.
Sobretudo, que se evite o fingir-se, o estar
ou parecer frio, pacífico, autoritário, submisso, rebelde, ou fazendo teatro,
em lugar de responder, corresponder, reagir, agir, atuar e interagir com
autenticidade, sinceridade, prudência e ponderação.
Só para ilustrar, conta-se que um jovem morava no alto da
montanha e quando este descia a estrada com o seu carro, de repente, avistou,
lá abaixo, um automóvel saindo da curva em ziguezague. Devagar, em alerta, o
jovem prosseguia pronto para se desviar quando preciso. Com muita atenção,
percebeu uma moça no volante quando esta saía da pista contramão. Que
irresponsável, intuiu. Ao passar por ele, ela gritou: ¾ Porco. Poooorco. Ele logo lhe
respondeu: ¾ Sua vaca. Vaaaaca. E ficou feliz por não ter engolido um desaforo, pois
estava certo de que ela tinha ouvido a sua resposta. E acelerou o seu carro.
Mal chegou na curva acabou atropelando alguns porcos dos que estavam subindo
por aquele trecho da estrada.
A análise desse mal-entendido fica por sua
conta.
Importante é observar que cada qual
responde, reage, age, atua, ou interage segundo o seu próprio padrão, seu uso,
hábito, costume, crença, valor e seu estado de humor.
Ainda que esses fatores fossem muito
semelhantes para todos, mesmo assim, poderia haver o mal-entendido.
Para evitar esse possível desencontro urge
distanciar-se do paradigma próprio para compreender o paradigma do outro, se
estão em mesmo nível de momentos ou não e ajustá-los, antes do disparo da
reação emocional automática.
É natural e normal que a situação
emocional aflitiva deva ser evitada antes que ela entre em processo. Isto só é
possível por meio do entendimento, da compreensão, da noção e da consciência do
seu estímulo causador.
Não se cura uma dor de cabeça com
paliativos. Logo, a capacidade de manter o controle, ou o autocontrole e o ser
forte para suportar a explosão de qualquer acúmulo sucessivo de emoção negativa*,
e até mesmo a sua catarse, vazão ou manifestação retaliativa não são formas
inteligentes de se obter uma situação continuamente saudável.
Muito embora se possa bloquear a sua progressão para um possível final infeliz,
ou como bronca corretiva, respectivamente, são apenas paliativos, com
conseqüências negativas e de efeitos psicossomáticos de difícil diagnóstico;
principalmente, em casos de sucessivos controles, ou de sucessivas broncas e
bravezas.
O autocontrole emocional numa
situação de interação sociocultural evita o prosseguimento de situações
indesejáveis após o estímulo causador do impasse.
Nunca antes.
Eis porque, antes da crença de um
estímulo como ofensivo é preciso avaliá-lo para não precipitar o processo
emocional. Tal avaliação, se correta, traz a vantagem de poupar as energias
evitando a situação desagradável de bloquear as emoções ou dar a sua vazão com
detrimentos conseqüentes.
Observe-se que qualquer estímulo causador das emoções
negativas, a partir da sensação de estar em perigo, seja pela ameaça física
direta ou pela ameaça simbólica ofensiva aos princípios morais, faz desenvolver
no organismo, de imediato, o processo emocional.
Nesse processo, iniciada a
circulação dos hormônios adrenérgicos na corrente sangüínea, faz disparar as
batidas do coração. O fluxo sangüíneo, daí, com maior velocidade, vai exigindo
dos diversos órgãos maior empenho. Mais oxigênio e mais nutrientes são
consumidos.
Logo, os pulmões trabalham a todo
vapor com a respiração mais forte. O tubo digestivo é pressionado. O estômago
recebe maior dose de suco gástrico.
O organismo todo, assim, opera em
prontidão e está em suas condições máximas de força muscular para lutar ou
correr.
Se este processo emocional é
freqüente, vai causar desgaste nos órgãos mais usados e menos protegidos, além
de desequilibrar o mecanismo de defesa contra os microrganismos nocivos, em virtude
dos constantes desvios de energias vitais.
Novamente, é de se recomendar a não entrar
do que ser obrigado a sair.
Melhor é procurar conhecer e saber
lidar com o aparente estímulo provocador presente do que logo o aceitar como
ofensivo e responder pelo automático.
É para isso que existem as
situações de alarme, alerta, prontidão, atenção e observação, tal que
associadas possam produzir a percepção eficaz, a identificação correta, a
interpretação objetiva e o entendimento veraz.
Antes de sentir-se ofendido,
recomenda-se confrontar com indagações tipo ¾ entendi isto como uma ofensa, estou certo?
Se afirmativa a resposta, prosseguir indagando o motivo desse comportamento
hostil para resolver um possível mal-entendido no passo da reconciliação
saudável.
Para ilustrar, vamos à
outra história.
Conta-se que um jovem besouro*, cansado de empurrar esterco com a
sua cabeça, resolveu conhecer o mundo e saiu voando, gabando-se de que era o
bom e que era capaz de fazer tudo que quisesse. Voou e voou entrando pela
janela aberta da casa de um escritor. E foi diretamente para a sala dele voando
e voando. E eis que, de repente, trombou-se com uma pilha de livros bem em
frente dele. Caiu-se de costas e começou a espernear e a espernear. Mas, não
saía do lugar. O escritor, vendo-o e notando o seu perseverante esforço para
sobreviver, resolveu ajudá-lo. Colocou, então, um cinzeiro pertinho dele. E o
besouro, esbarrando-se nele, desvirou-se. Descansou um pouco. Sentiu-se forte e
salvo. Como um vitorioso alçou o vôo. Feliz da vida foi direto para casa. Ao lá
chegar começou a contar as suas proezas para parentes e amigos ¾ que
eu fiz isso, fiz aquilo, que eu sou bom, valoroso e precioso. E, então, quando
me trombei com uma pilha de livros diante do homem e senti a lisura do vidro às
minhas costas... ¾ Neste momento, deu um branco na
memória do besouro. Todos estavam admirados, invejosos e espantados com as
proezas do besouro, principalmente, por ele ter-se deparado com o homem e
voltado ileso. Por isso, pediam-lhe que continuasse a narrativa. Mas, o besouro
começou a chorar, ficou envergonhado e logo se sentiu desprezível, angustiado e
nauseado. Um velho besouro, que ouvia a história do seu amigo, chamando-o de
lado, disse-lhe: ¾ Conheço o dono desses livros. Se
você não se espantasse com ele, você teria desviado dos livros e não seria
derrubado. Ainda, para o seu azar, caiu-se de costas. Aconteceu também comigo
quando passei por lá pela primeira vez. Mas eu vi a mão do homem que parecia
querer matar-me com o cinzeiro. Falei comigo mesmo que isto seria ótimo, porque
o vidro, às minhas costas, era tão liso que eu iria morrer de qualquer jeito.
Mas, qual foi o meu espanto ao conseguir desvirar-me esbarrando-me no cinzeiro.
Senti-me um panaca. Mas era um panaca feliz. Estava vivo. E voei, voei, voei, e
fui para casa. Um hábil besouro voador não se tromba com nada. Ele aterriza com
as patas voltadas para o solo e, de há muito, não passa por uma situação de ter
de se desvirar. Se não fosse a compreensão do escritor, estaríamos mortos há
muito tempo. Mas, pare de sentir-se tão pequenino e desprezível. Porque você é
útil e precioso mereceu ajuda do homem que precisa de nós. ¾ Como
precisa de nós? ¾ Ora, ele já conseguiu ter noção de
que fazemos parte do ecossistema! A sua vida vale muito. Você reproduz, vive e
faz diferença na natureza. A lição que esse episódio ensinou para nós, os
besouros, foi que é melhor treinar para não se trombar com os
livros do que ter de se desvirar. Melhor alegrar-se de não ter entrado numa
fria do que se alegrar por ter saído de uma gelada.
Em síntese, para
uma boa saúde contínua o que deve ser seguido é a ordem natural do que é
adequado aos momentos biográficos e históricos respectivos. As emoções
primárias são adequadas aos primeiros momentos, os bons sentimentos aos
segundos, os sensos positivos aos terceiros e o juízo certo para os quartos
momentos para que haja o colorido do viver bem. Em contraposição, teríamos o
escurecimento, ou o apagado dos acontecimentos de uma vida sem sentido.
Assim, poder-se-ia fazer
uma analogia das emoções, sentimentos, sensos e juízos com as cores
primárias e suas múltiplas misturas clareando-as e escurecendo-as, tornando-as
mais apagadas e mais vivas, ou mais fracas e intensas.
Para a raiva a melhor cor é a vermelha. No calor do
fogo e fervura da raiva pode-se provocar uma luta sanguinolenta.
Para a alegria, o amarelo. As suas tonalidades
simbolizam o ouro, a riqueza e a abundância que só geram alegrias.
Para o prazer, o azul. É preciso estar tudo azul para
que o prazer possa se apresentar em toda sua exuberância e garbo nas plumas de
vário matiz.
A calma é a luz que ilumina tudo
para percebermos melhor todas as cores, ou o colorido das coisas. Só poderia
ser o branco da paz para clarear as demais cores dando-lhes o realce de luz e
sombra na arte de expressar a realidade de um objeto que se está pintando. Para
tolerar é preciso ter calma. Para se ter paciência é necessário ter tolerância
e calma, antes de tudo. E a paz de espírito é o integrador da calma, da
tolerância e da paciência.
O medo é a escuridão que apaga
a luz da sabedoria e da visão plena, tornando-nos, de repente, obscuro tudo que
estava claro; desconhecido o conhecido, aproximando-nos da ameaça, do perigo,
da desgraça e morte; e, que nos faz enfrentá-los ou esquivar, fugir, fechar os
nossos olhos, ou desmaiar. E diante da grande ameaça e do perigo invencível,
escurecendo tudo, nada melhor do que o medo ser representado pela cor preta
para escurecer as demais. Preta é a cor da sombra da assombração, ou da
escuridão da noite que nos amedronta.
Agora, se fizermos uma
mistura de duas ou mais dessas emoções, tornando-as mais intensas,
enfraquecendo-as, ou clareando umas mais e escurecendo outras, teríamos a
classe dos sentimentos. Na vivência, ora enfrentando
impasses, ora dissabores e perdas ou seus contrários, uns alternando com os
outros, as emoções naturais assumem novas características. Daí, surgem o ódio
pela intensidade da raiva, o pavor que é um medo maior, a ansiedade e a
angústia que são misturas da raiva e do medo que se alternam e se intensificam
para depressão. São, pois, sentimentos que se originam das
múltiplas variações das emoções naturais que tomam características distintas.
E, com a participação do
conhecimento e do pensamento, teríamos os sensos e, acrescentando-se, ainda, a
imaginação, a reflexão e a compreensão surgiriam os juízos mais sensatos.
A cor amarela representando
a alegria misturada com a cor azul do prazer, daria a cor verde da expectativa, da fantasia, do sonho,
da esperança, da crença e fé
nos bons e grandes acontecimentos futuros. Assim, esperamos,
fantasiamos, sonhamos e acreditamos que nos aconteçam coisas que previamente
sabemos ser boas ou bastante boas pela alegria e prazer que já sentimos nas
raras oportunidades que as experimentamos, da maneira implícita ou explícita.
O marrom é a mistura do vermelho com o preto,
podendo-se obter várias tonalidades misturando-se com outras cores como o
amarelo, o azul, o branco e demais variações.
Temos que o preto é o medo.
Poderíamos, então, imaginar
os pretos crepusculares do temor,
do susto e do pavor avançando para a noite nublada
do pânico, ou para a
noite pálida do terror.
Quanto mais intenso é o medo mais aumenta o horror.
A luz na noite de luar, ou
de céu estrelado, põe boa dose de branco no preto para transformar o arrepio, a
inquietude dos sentimentos ruins e os tremores do temor em calma e paz, ou em cinzas para o
passado sombrio, triste
e nauseabundo.
Ao final da
madrugada escura, e quando já meio cinzenta pela presença tênue dos primeiros raios
solares anunciando o amanhecer, começamos a nos livrar do medo das trevas da
ignorância para uma visão melhor dos acontecimentos de mais um novo dia de
grande oportunidade, expectativa, esperança e fé com o brilho dos orvalhos
sobre o verde dos campos e das folhas dos arbustos.
Temos que o vermelho é a raiva. Portanto, poderíamos, imaginar o
vermelho-sangue da ira, ou cólera, intensificando-se para o ódio, violência
e agressão.
Do preto com o vermelho, ou
a mistura do medo e raiva, ficaríamos com o marrom escurecendo-se, cada vez
mais, que dá a ansiedade indo
para angústia e desta para a
depressão.
Ou clareando-o gradualmente
com o branco da paz, a ansiedade tende para a calma, que adicionando amarelo e
vermelho, cujo teor mais de um que do outro se pode conseguir um tom alaranjado
da coragem ou um tom rosa da equanimidade, paciência, ânimo
e entusiasmo. E, daí, pode-se
trocar a ansiedade pela expectativa de bons acontecimentos futuros
adicionando-lhe um pouco de verde. Ou, evitar ou afastar esse verde apagado
invadindo-o pelo marrom-bege e castanho-claro desbotado, que é uma tristeza,
ou uma melancolia
das mais profundas.
Ainda, pode-se produzir um
cinza bem claro quase branco para apagar as más lembranças e, com o branco
reluzente da paz de espírito,
sair-se para uma vida de novas deslumbrantes cores.
O alaranjado vem das cores
vermelha e amarela, cujas várias tonalidades são obtidas misturando-as
juntamente com algum teor de branco, ou com uma pitadinha de preto. Logo, a
raiva e a alegria misturadas com algum teor de calma e uma pitadinha de medo dá
o alaranjado da coragem.
Que, acentuando-o,
gradualmente, com um pouco mais de vermelho puro da raiva, mais a vontade, o desejo e a intenção de vencer, obtém-se a impetuosidade, o
arrojo, a ousadia
e a audácia, respectivamente.
Na reação e ação de
enfrentamento em ameaças de perigo surgem as emoções do grupo do medo
combinadas com as do grupo da raiva. Para chegar à alegria, passa-se pela
coragem, que ao superar o obstáculo ou o impasse, sobrevém a calma seguida pelo
entusiasmo de viver.
Logo, da pitadinha do preto até chegar à última pitada do amarelo,
pulando a mistura do vermelho com o amarelo, pode-se juntar o vermelho da raiva com as
tonalidades brancas da calma, da tolerância, da paciência
e do equilíbrio resultando a cor-de-rosa do entusiasmo, ânimo e exaltação.
Temos
que a alegria é o amarelo. Da qualidade de suas tonalidades surgem as cores
ouro do bom humor, dourado brilhante do contentamento
e dourado cintilante da euforia.
Do
azul do prazer surgem lindas tonalidades como azul-espuma da volúpia,
o azul-céu de nuvens brancas num bom dia promissor e calmo do orgasmo
demorado e o azul-cintilante das delícias inesquecíveis.
E o que falar dos
sentimentos representados pelo lilás, pela cor maravilha e pela cor púrpura?
Todas elas têm o azul carregado de vermelho para mais, ou para menos, e com o
branco para amenizar. O lilás é um violeta-claro. A maravilha é um rosa
arroxeado e berrante. A púrpura é corante vermelho-escura tirante a violeta.
Se juntarmos a raiva e o
prazer pode dar um roxo de paixão
com o azul pouco mais carregado do que o vermelho, ou roxo de arrependimento com o vermelho mais
carregado do que o azul. Com um pouco de branco dá o lilás da simpatia
e empatia.
Com
uma pitadinha de amarelo-claro podem surgir os bons sentimentos de
amizade e solidariedade.
O entusiasmo da paixão correspondida é uma maravilha.
O ódio vencido pela calma, pelo prazer e pela paixão com uma
pitadinha de medo resulta na cor púrpura da dignidade, da honra e dos sentimentos
nobres.
Nos quadros a seguir,
estruturou-se uma classificação, seriação e seleção das sensações, emoções,
sentimentos, sensos e juízos distribuídos conforme uma analogia com as cores, a
partir das três primárias mais o branco e o preto não só no sentido de
clareá-las ou escurecê-las como também para influenciar nas suas derivadas.
Na estrutura, os elementos
podem ser retirados, acrescidos e mudados de posição, segundo entendimento e
experiência de cada indivíduo no que se refere à presença ou ausência de um ou
alguns de seus componentes formadores, ou segundo teor de intensidade para mais
ou para menos para evitar os sinônimos e as confusões em níveis de momentos.
Observe-se nas três colunas
centrais do quadro 1, que as cores são primárias e nas colunas das
extremidades estão as cores para escurecer e clarear. Os elementos de cada
coluna começam tênues como as sensações e acentuam-se com as emoções mais
intensas positivamente passando para os sentimentos negativos ou patológicos.
Quadro 1.
|
PRETO |
VERMELHO
|
AMARELO |
AZUL |
BRANCO |
|
medo |
raiva |
alegria |
prazer |
calma |
|
tremor alerta susto espanto assombro esquiva rejeição fuga temor receio acanhamento pudor vergonha timidez culpa confusão nervosismo inadequação constrangimento remorso pasmo pavor pânico covardia terror estarrecer neurose inanição fobia paranóia tanatofobia |
dor aversão gastura irritação zanga bronca braveza indignação rancor ira cólera rebeldia pirraça animosidade revide ofensa desdém desprezo vingança arrebatamento fúria ódio exasperação agressão perversidade violência tortura revolta revolução psicose matança |
calor sorriso risada humor bom humor hilaridade júbilo disposição regozijo gargalhada brincadeira diversão contentamento encantamento maravilhamento jactância vaidade garbosidade exuberância felicidade euforia patuscada farra festa pândega zombaria mau humor indisposição insatisfação ressaca delírio |
alívio frescor gostosura saciação reequilíbrio sossego lazer descanso relaxamento intimidade sensualidade carinho carícia sexualidade delícia volúpia orgasmo deleite êxtase libidinagem licenciosidade gula luxúria orgia preguiça ócio sadismo masoquismo ninfomania mania alucinação |
saciado quietude humildade tolerância serenidade paciência transigência confiança firmeza pureza transparência autenticidade segurança harmonia plenitude paz bom-senso certeza aceitação confiança
vida hesitação dúvida perplexidade intolerância impaciência inquietação estresse insegurança indecisão intransigência |
No quadro 2
seguinte, as cores são derivadas.
Novamente as cores: preto (medo)
e branco (calma) se fazem presentes. Ambas misturadas,
desta vez: o preto (medo) com o vermelho
(raiva) na primeira coluna (dá
marrom) e na última coluna o branco com vermelho (dá rosa).
E, nas colunas centrais aparece a
combinação das três cores primárias.
O vermelho (raiva) com
amarelo (alegria) que resulta a
cor alaranjada, o azul (prazer) com o amarelo (alegria) que dá o verde,
e o azul (prazer) com o vermelho (raiva) que dá o roxo.
De igual modo começam tênues
intensificando cada vez mais a partir da positividade atingindo os
negativismos.
Quadro 2.
|
MARROM |
LARANJA |
VERDE |
ROXO |
ROSA |
|
dodói ânsia nojo náusea repugnância ansiedade fissura decepção frustração inconformismo tédio aborrecimento ressentimento desapontamento fossa mágoa angústia depressão tensão fracasso precipitação suicídio |
rubor coragem impetuosidade arrojo ousadia audácia despeito ironia teimosia tenacidade perseverança atrevimento desaforo petulância desafio insolência impertinência irreverência temeridade hostilidade coação repressão |
expectativa perspectiva fantasia devaneio vontade desejo intenção desígnio sonho esperança crença fé ilusão auto-engano desespero aflição desamparo abatimento desalento resignação indiferença inércia |
mortificação tormento paixão arrependimento cumplicidade fidelidade lealdade contrição dó pena autopiedade ciúme pirraça inveja desqualificação humilhação intriga vexame ultraje preterição traição infidelidade |
entusiasmo ânimo empolgação animação movimentação dinamismo incentivo reforço motivação interesse disposição vivacidade equanimidade exaltação ambição avareza ganância furor orgulho desânimo desmotivação desinteresse |
No quadro 3 há a combinação de duas ou mais
cores. São novas cores que se distinguem pela sua raridade e beleza
significando diferentes situações onde as emoções se transformam em
sentimentos, estes em sensos, ou juízos.
Sentimentos, sensos e juízos tais,
que sofrem as mais variadas influências da experiência, vivência, conhecimento,
da sabedoria, pensamento, suas faculdades, ou do vivenciamento, que envolvem o
comportamento, a conduta e o procedimento.
Também podem ser recíprocos.
Em vez das emoções
artificiais, dos sentimentos, sensos e juízos sofrerem influências, eles é que
podem influir sobre a experiência, conhecimento, sabedoria, pensamento e demais
eventos da vida humana.
Há, então, certas manifestações e
estados de espírito que modificam e variam quanto à exuberância, garbo, beleza,
magnitude, brilho e cintilação.
Nada melhor do que representá-los
pela furta-cor, a cor cambiante segundo a influência da luz projetada.
Observe-se que na pintura, o branco representa a presença da luz e o preto, a
dominância da sombra, do escuro das cores ou da ausência de luz. E a luz dá o
cintilante, o brilho e o claro das cores.
Quadro 3.
|
BEGE |
LILÁS |
MARAVILHA |
PÚRPURA |
FURTA-COR |
|
marrom-claro + amarelo |
violeta-claro |
rosa arroxeado berrante |
vermelho escuro + roxo |
nuanças |
|
surpresa choque tristeza melancolia isolamento solidão nostalgia consternação saudade marasmo torpor |
atração simpatia empatia afinidade fraternidade amizade solidariedade companheirismo união antipatia inimizade |
consideração auto-estima amar ser amado complacência admiração contemplação dedicação amor desprendimento adoração |
respeito disciplina nobreza dignidade honra mérito caridade humanitarismo inteligência justiça perdão |
escolha determinação decisão sinceridade juízo questionamento crítica
entendimento compreensão prepotência arrogância |
Por exemplo, à luz da verdade, ou a
sua pouca luminosidade, pode fazer variar o juízo sobre um mesmo fenômeno,
fato, ou idéia.
Basta uma leve suspeição para se
fazer um juízo do suspeito já o enxergando como portador do jeito de desonesto,
do olhar de mentiroso, do andar sorrateiro, ou da expressão de mau caráter, e
outros vestígios e indícios apropriados.
Entretanto, ao saber que o suspeito
é inocente, o juízo que se tinha dele cambia para o lado oposto, parecendo já
bem diferente, cara de probo, até simpático, tendo certeza de que jamais passou
pela cabeça como sendo ele o verdadeiro autor do delito.
Já a arrogância, a prepotência e a
soberba podem brilhar no topo por um momento, mas a sua cintilação tende a
apagar-se e levar tudo à escuridão.
Em outras manifestações como a
sinceridade, o entendimento e a compreensão plena são de tamanha magnitude,
exuberância, garbo e beleza que tendem a aumentar o seu brilho quanto mais
irradiam as suas luzes singulares no passo de transformar as trevas das paixões
negativas, da estupidez, da ignorância e da irracionalidade no colorido do
arrependimento, da resignação, da boa ética e dos saberes do mundo para a
fruição da beleza da vida feliz.
O homem é por natureza saudável,
potencialmente bom, com tendência ao triunfo e completo como indivíduo ou como
totalidade para a construção de sua plena felicidade.
Nasce-se bom.
E mais: voltado para o triunfo e
pronto para a uma ótima vida e para uma sobrevivência de modo saudável e
solidário.
Só um ambiente adverso cuja opção de
vida se torne a que submete a pessoa a sacrifícios injustos, a qualquer custo,
ou a que ameace os seus valores naturais mais sagrados poderá torná-la mau,
submissa, rebelde, revoltada ou revolucionária.
Daí, num bom ambiente desfrutado
pela maioria da totalidade não há como florescer a maldade, perversidade, egoísmo,
malefício, e a fome; também, o negativismo, a penúria e as doenças.
A perversidade é um estado do homem
produzido e reproduzido por essas más circunstâncias e situações, ou pelos maus
momentos biográficos e históricos. Seja ela vivenciada ou efetivada da maneira
deliberada, intencional, premeditada, irresistível, estúpida, sistemática ou
por inépcia não deixa de ser um estado, uma circunstância, uma situação, um
transe ou um estado hipnótico.
Todo estado, circunstância, situação
ou sistema é passível de ser mudado, abandonado ou substituído.
Logo, a perversidade, tal como o seu
vício ou uma doença qualquer, por ser um estado circunstancial e situacional,
não tornará o seu portador irreversivelmente estúpido, perverso, mau, ou
doente. Podendo, assim, ser curado, recuperado e reintegrado no ambiente
adequado e protetor, ou acordá-lo para a superconsciência.
Contudo, qualquer que seja
a mudança, esta será satisfatória, plausível e definida quando conseguida no
mesmo parâmetro em que foi construído e constituído o que se quer mudar. Não se
muda parte dos alicerces de uma construção sem ter protegido cuidadosamente
paredes e tetos que permanecerão inalteráveis. E a reposição de novos materiais
deve obedecer a ordem natural e lógica do desenvolvimento da unidade. E
frise-se que repor, aí, não é emendar e nem remendar. É substituir os valores e
padrões obsoletos pelos atualizados e válidos para a eficácia de uma renovação
estável e duradoura.
As verdadeiras causas, os
motivos e as razões maiores da perversidade, criminalidade e dos distúrbios
sociais não estão na individualidade mas no contexto histórico-biográfico amplo
e sistemático.
É preciso amenizar os seus
efeitos, as conseqüências e os resultados negativos.
Contudo, é preciso muito
mais combater os seus princípios e suas origens que são maus. Porquanto estão
fundados no egocentrismo administrativo sob influência, domínio e controle
inescrupuloso do sistema manipulativo, poderoso e hipnotizador. A ideologia
hipnótica resultante desse sistema vigorante é que produz e reproduz,
continuamente, os aspectos negativos da vida social, através de meios, recursos
e instrumentos reforçadores sem que ninguém se dê conta em superá-los.
Eis porquanto a hipnose
ideológica mantém todos como conscientes, mas acordados e interativos na
realidade ilusória tão realística que até os soldados ao metralharem seus
inimigos ou o meliante que mata a sua vítima para roubar e a pessoa física ou
jurídica, privada ou pública que induz a matança para a defesa de seus
patrimônios e outros interesses crêem que o faz em causa própria justa e certa,
não se dando conta de que seja maléfico ou benéfico.
Faz o que faz, por conta
dos comandos, a bel-prazer, da ideologia vigorante e hipnotizadora.
É preciso acordar desse transe
hipnótico consciente que produz e reproduz uma realidade artificial automática
que favorece uns em detrimento de outros.
Urge,
por conseguinte, desprender-se dos reforçadores de crenças irracionais e evitar
o jogo do poder*
para libertar-se dos condicionadores que retiram a autonomia e a autenticidade
do indivíduo.
As conseqüências
boas ou más também são partes do sistema porquanto não visam e nem escolhem os
seus sujeitos mas apenas as suas duas faces respectivas no intuito exclusivo de
usá-las para satisfazer os seus interesses particulares.
É preciso sair do
hábito adaptador dessa realidade ilusória e trazer a precisa realidade objetiva
verdadeira retomando-se as consciências autênticas e reais (superconsciência)
nos devidos momentos biográficos e históricos para que se possa evitar, de vez,
todos os malefícios e enfermidades na reconstrução da verdadeira vida
objetivamente feliz.
Não há mudanças abruptas saudáveis.
Elas devem ser processadas, por isso são gradativas e cinemáticas em busca da
harmonia. É como filtrar a água poluída.
É preciso que determinadas gerações
contaminadas pelas sujeiras egocêntricas da maldade humana passem pelos poros
estreitos do filtro depurador para que desçam sem as impurezas que infernizam
todo o planeta e mereçam a transformação e o convívio, com todos desfrutando a
autêntica felicidade da vida.
O mundo tem a doença e
toda a sorte de malefícios como também tem a saúde, solução,
remédios eficazes e inumeráveis benefícios.
O mundo não é e não
está doente.
Cabe ao homem classificar, seriar,
selecionar e estruturar o que está bom e o que está mau. Cabe a
ele também arranjá-los, permutá-los, combiná-los e organizá-los para que possa
bem administrar a fartura. A fartura geral afastará os malefícios.
A fartura resulta da filtragem da
realidade objetiva poluída assim como exsurge o bom senso para filtrar a impura
realidade subjetiva, no passo de receber o amor autêntico.
Cabe ao juízo coletivo operá-los
para que todos possam usufruir a paz, a saúde e a harmonia social que se
ressuscitam dessa filtragem.
Assim, desde logo, que
o ser humano, realmente, conviva, universalmente, merecendo e desfrutando,
continuamente, todos os benefícios produzidos pela fartura enquanto dure a sua
vida. Contudo, em níveis cada vez melhores e mais altos, não apenas para alguns
privilegiados, mas para a totalidade dos vivos.
Este é o desafio e a
sua missão maior.
* Comer bem. Veja Apêndice na página 161 e Nota de fim n.º 34 na página 236.
*A essência da culpa está na
previsibilidade. Se o agente devia, mas não podia prever as conseqüências de
sua ação, não há culpa. A previsibilidade pode ser subjetiva e objetiva. A
previsibilidade subjetiva é referente às condições pessoais do agente dentro de
sua capacidade ou possibilidade particular de previsão. A previsibilidade objetiva
é a que se refere à capacidade de prever que se presume todos possam ter.
* Alimentos saudáveis. Veja apêndice e Nota de Fim n.º 34 nas páginas 161 e 236.
* Adequação. É o ato de adequar que
significa tornar próprio, acomodar-se, ajustar-se, apropriar, adaptar-se para
uma situação cada vez melhorada. A adequação é a conformidade ou
correspondência exata entre os termos de uma relação. Adequar um caminho a
seguir é escolher e determinar um ou mais métodos apropriados. Por conseguinte,
não há um método geral para todo tipo de pesquisa, discussão científica, ou
para resolver um impasse qualquer. Porém, as atitudes e os cuidados aqui
tratados são recomendados para qualquer método ou conjunto de métodos a serem
utilizados. O pensamento, a teoria, a ciência, a técnica, a tecnologia e seus
instrumentos são os recursos utilizados para a seleção e determinação do método
ou conjunto de métodos que melhor se ajustam no implemento de determinado
projeto. Por isso, a adequação é pertinente ao terceiro momento em conexão,
predominantemente, com as necessidades dos segundos momentos.
* Jogos afetivos. Ou jogos psicológicos. São transações complementares no relacionamento entre duas ou mais pessoas cada qual em busca de uma satisfação particular oculta e inconfessável que se desenrolam até um desfecho definido e previsível. Segundo Eric Berne, os jogos são constituídos por uma série de lances com uma cilada ou truque no meio ou no fim. Todo jogo psicológico é basicamente desonesto, não sincero e, às vezes, de modo automático cujo desfecho tem certo caráter dramático. V. “Os jogos da vida” – Eric Berne – Artenova.
* Jogo do poder. Veja Nota de Fim n.º 42 na página 259.
ª Esfíncter para a reação automática. Musculatura que se contrai para vedar intervenções racionais.
* Confusão entre subjetividade e a objetividade. Veja Nota de fim n.º 44 na página 263.
* Emoção negativa. Diz-se negativa toda emoção natural (raiva, medo, calma, alegria e prazer) em excesso, prorrogada e não resolvida no primeiro momento de saciedade provocando reações negativas (inanição, indiferença, violência, agressão, vias de fato, hostilidade, retaliação, a submissão e insubmissão patológicas, ódios, mágoas, preocupações infundadas, tristezas profundas, ansiedades, angústias, depressões, estresses, euforia psicótica, fobias, manias, transtornos psíquicos, mudanças de humor, delírios, etc.)
* Besouro. História inspirada em uma experiência narrada por Eric Berne, adaptada para a teoria dos momentos.
* Jogo do poder. Veja Nota de Fim n.º 42 na página 259.
[16] TÓPICA. A tópica foi
analisada com profundidade por Aristóteles.
Pontos de vista diferentes surgiram sobre a tópica
aristotélica.
As
proposições, demonstrações e os princípios científicos se achavam separados das
conceituações dialéticas.
Os
princípios dialéticos se referiam às argumentações que concluem a partir de
premissas aceitas ou validadas pelo senso comum. Opera-se com opiniões opostas
enquanto em confronto estabelecendo posturas críticas a partir dos lugares-comuns
de reconhecida força persuasiva.
A
finalidade da tópica, nesse sentido, tende mais para encontrar premissas
verossímeis do que obter um resultado conciliatório de benefício universal.
Pois, a decisão e a conclusão dialética estão voltadas para o particular. As
premissas verossímeis dizem respeito à validade genérica até prova em
contrário. Assim, cada caso deve merecer tratamento específico também, como se
fosse único, ainda que se assemelhe com outros. É na diferença que se encontra
a sua identidade particular, não se admitindo generalização na recuperação de
sua integridade própria com o devido respeito à sua individualidade.
Lugar-comum,
a base da tópica, é a fonte de onde se podem tirar provas, argumentos e
recursos afins para quaisquer assuntos. Os lugares-comuns são os diferentes
pontos de vista e versões de um assunto, ou fórmulas, termos-chave,
argumentos ou idéias já muito conhecidas e repisadas.
A
tópica é uma técnica de pensamento que se orienta para problemas. O problema é
assumido como um dado, informação, pista, situação, ou como algo que dirige e
administra a argumentação que pode resolver o impasse ou determinar uma solução
possível entre outras. Parte de conhecimentos fragmentários, dos diferentes
pontos de vista, das variadas versões do mesmo fato, ou de problemas acolhidos
como alternativas para as quais se buscam soluções ou resultados aceitáveis ou
pelo menos que possibilitem a compreensão do caminho certo a
seguir na sua extensão. A coleção seletiva desses dados e noções pode fornecer
as premissas que permitem a condução da argumentação para prever, predizer e
orientar o propósito dando o senso de oportunidade e a possibilidade de avaliar
a força de persuasão.
Em
síntese, a tópica conta com os conhecimentos fragmentários para resolver um
problema. Para esse objetivo procuram-se as premissas úteis, valorativas,
adequadas e promissoras, ou opiniões verossímeis para tê-las como premissas
ótimas.
As
variadas versões do assunto são tomadas isoladamente na busca dessas premissas
aceitáveis. Extraem-se delas pistas, abduções, indícios ou conclusões para uma
boa decisão, ou a solução mesma do problema.
Os
diferentes pontos de vista indeterminados sobre um mesmo assunto são os
lugares-comuns que permitem abordar problemas e deles partir para buscar e
construir argumentos seletivos onde a razoabilidade das opiniões é fortalecida.
Ou, ainda, que se exigem colocações a partir desses lugares-comuns que não
chegam a fechar o assunto, mas permitem compreender a sua amplitude. Daí
a importância das indagações. Uma indagação pode ser conduzida para o geral com
possibilidade de obter respostas comuns ou diversas. A resposta comum com
tendência genérica pode funcionar como premissa forte. As diferentes respostas
podem mostrar a amplitude do problema. As diversificadas indagações sucessivas,
associadas e coerentes, podem ser conduzidas a um mesmo público ou ao mesmo
indivíduo. O conjunto das suas próprias respostas relativas a cada indagação em
harmonia com as esperadas, por serem respostas comuns, pode-se encaminhar a
conclusões previsíveis.
Assim, a tópica não leva a argumentação ao rigor da
lógica e nem permite a redução das decisões a silogismos, mas ela produz ênfase
ao uso de distinções, redefinições, analogias, ambigüidades, interpretações,
ironias, etc.
Daí, no impasse relativo à presença de mal-estar,
dor, etc., procura-se uma premissa verossímil genérica dessa característica
para constatar a validade de seu procedimento para a possibilidade de aplicação
no caso específico em questão. Para se obter um diagnóstico acertado é preciso
respostas (lugares-comuns) adequadas e selecionadas para uma série de
indagações relativas. De posse do diagnóstico certo, ter-se-á a conclusão de
como prevenir, tratar e superar o impasse com grandes probabilidades de
sucesso. (Megaconsciência ― S. Okada).
Por exemplo, o psicólogo clínico ver-se-á o seu
trabalho mais facilitado quando ele conseguir o psicodiagnóstico de seu
paciente. Neste mister ele procurará obter conhecimento sobre os vários
aspectos que o envolvem a fim de descrever a sua condição psicológica. Através
das entrevistas, testes, técnicas e informações das fontes de suas relações
― social, profissional, familiar, escolar e outros ― encontrará
dados suficientes sobre a sua história de vida (momentos biográficos e
históricos), potencialidades intelectuais, aptidões gerais, valores,
incidentes, episódios, vontades, desejos, intenções e sonhos, motivações,
interesses e objetivos, hábitos, influências, relações, fé, sentimentos e
crenças além das características de sua personalidade. O psicodiagnóstico assim
levantado e apurado é justamente a totalização da tópica
facilitadora no sentido de buscar a solução ou a melhor compreensão do
tratamento psicológico do seu paciente.
A tópica fornece amplo leque de problemas,
lugares-comuns e diferentes pontos de vista. Numa visão estática e linear a
compreensão é pouca, embora o seu caminho seja perceptível de modo vasto e
genérico.
Mas, à medida da familiaridade e da intimidade com
alguns desses diversos pontos de vista ou de seus fragmentos mais próximos
desponta a consciência cognitiva para as conexões viáveis e possíveis com os
demais fragmentos. A classificação e seriação
já fornecem dados suficientes para a consciência intelectiva para a
seleção desses fragmentos e pontos de vista no passo de sua autêntica
interpretação objetiva. A espiral vai se formando até chegar no topo quando a
compreensão é máxima e a extensão já é mínima, podendo olhar do alto e sob
várias dimensões a amplitude do problema. A sua solução relativa, na extensão
de cada uma de suas espiras, tornada evidente, já ocupa a sua posição em seu
nível de restrição no contexto maior que podemos chamar de espiral do
desenvolvimento.
[17] LUGAR-COMUM. Fonte
de onde se extraem argumentos, indícios, idéias, provas, pistas, etc. para
quaisquer assuntos. Veja Nota 16 acima.
[18] APRENDIZAGEM. ... ¾ A aprendizagem é o projeto, o seu implemento e o desfrute real
relativo. A aprendizagem é semelhante a um prédio em construção. O prédio é o
indivíduo. Ou seja, toda a sua realidade subjetiva em correspondência harmônica
com a sua realidade objetiva. Assim como não se faz um prédio útil e sólido sem
o seu projeto, nada o indivíduo pode ser, estar, ter, fazer e acontecer sem que
aprenda primeiro. E aprender é tudo, pois, aprende-se o que pode fazer para
saciar-se, a conhecer a si próprio* e a acrescentar mais conhecimento ao que já
aprendeu. Aprende-se a fazer o que deve e o que não deve, a pensar e raciocinar
bem, como se manter com saúde, ser feliz, como viver bem com os demais, enfim,
a ampliar a consciência! Portanto, cada indivíduo deve desenvolver o projeto de
construção do seu mundo subjeto e ocupar-se de criar e obter novos
conhecimentos desenvolvendo aptidões úteis, boas idéias e saberes eficazes e éticos.
Mas é preciso saber que um projeto e a trajetória do seu implemento é apenas a
ida. A sua volta é que dá o conhecimento complementar ratificado ou retificado
à medida do desfrute e uso dessa sua realidade respectiva pronta. O seu mundo
exterior precisa de você apto, com saúde e importante. Faça o seu projeto, querendo,
e saberá o que aprender, como aprender e à medida de sua interação com a
sua realidade objetiva ¾ aplicação
teórica, treinamento, prática, implemento, desfrute e produtividade compartilhada
¾ poderá inová-lo, modificá-lo,
ajustá-lo, adequá-lo, reinventá-lo, aprimorá-lo ou rompê-lo para viver novos
paradigmas em níveis superiores. Aprenderá a estruturar o seu tempo em quatro
momentos biográficos e históricos para ocupar-se de viver e administrar a sua
liberdade autêntica aprendendo o necessariamente bom para ambas as suas
realidades. Certamente, o amor e a inteligência estarão na sua caminhada. Só
assim você estará fazendo, realmente, uma diferença para construir um mundo
melhor para todos.
Este processo subsistirá, enquanto
necessário para a consolidação e deleite, tal como a reação circular terciária
(Piaget), ou como em movimentos rotativos e interativos de ida e volta quer
lineares quer planas e espaciais; retilínea, angular, circular e espiral; ou,
em cadeias, redes, ciclos e sistemas, no contexto das conexões projeção ↔
introjeção; análise ↔ síntese; indução ↔ dedução; extensão ↔
compreensão; particular↔ universal; individual (específico) ↔
genérico (geral); princípio ↔ fim; orgânico ↔ inorgânico; sujeito
↔ objeto; etc. (Megaconsciência
– S. Okada).
(*) A propósito de “conhecer a si
mesmo”, em alusão a Sócrates, em princípio; faço questão, venia permissa, de inserir aqui uma das mais
lindas significações, nesse sentido, que veio cair em minhas mãos. São as
expressões de Maria Cândida Moraes em sua obra “O paradigma Educacional
Emergente” - pág., 167 -, 4.ª ed. Papirus, 1997, Campinas – SP: “... É o
autoconhecimento que permite conhecer o próprio corpo, as próprias
necessidades, os próprios questionamentos, ter acesso a sua própria vida
sentimental, a sua gama de afetos e de emoções, a sua capacidade de efetuar
discriminações para que possa entender e orientar seu comportamento e as
relações consigo mesmo, com a sociedade e com a própria natureza. Se existe
fragmentação interior em sua ecologia pessoal, esse indivíduo possivelmente
engendrará uma explicação fragmentada de sua realidade, produzirá emoções
destrutivas no plano da vida, no plano do corpo físico, gerando um possível
sentimento de apego e possessividade em relação a coisas, pessoas e idéias.
Produzirá, também, emoções destrutivas relacionadas ao stress, que destrói o equilíbrio de seu
próprio corpo e suas relações sociais.”.
[19] ... a compreensão é a mais bela e
profunda situação de visão psíquica que transcende a vida, a morte, o tempo, o
espaço e a velocidade dando-nos um posicionamento no infinitamente pequeno ou
grandioso, no real e no imaginário, integrando os nossos reflexos,
conhecimento, saber e o pensamento.
Certa
vez, meu primeiro professor de Filosofia perguntou para a minha classe, qual é
o animal com quatro patas. Demonstrou ele que o seu universo de respostas era
muito grande. Assim, a compreensão era mínima, dada a sua
extensão máxima.
Acrescentou,
em seguida, gradualmente, ao animal de quatro patas, caracteres como doméstico,
que sobe em árvores e que faz miau, concluindo que à medida que a
extensão de respostas diminui ao ponto mínimo, a compreensão aumenta ao máximo.
E finalizando, expôs que segundo o sábio
Aristóteles os termos da proposição indicam o que uma coisa é ou faz. E
se distinguem em gênero, espécie e indivíduo. O gênero correspondente ao animal
de quatro patas tem extensão maior e compreensão menor. A espécie no
exemplo representa o animal doméstico cuja extensão é média como a compreensão que também é média. O indivíduo
é o animal que faz miau que possui a extensão mínima e a compreensão
máxima. Dentre os inúmeros animais de quatro patas, a qualidade de doméstico
subindo em árvore e que faz miau, o
gato é o único. (Megaconsciência ― S. Okada).
Edgar
Morin fala de duas compreensões. Na forma de compreensão intelectual ou
objetiva e na forma de compreensão humana intersubjetiva (Os sete saberes
necessários à educação do futuro, Cortez, Brasília, DF: UNESCO, 2000, pág.
94.).
Contudo,
a compreensão é uma só, independentemente dessas duas formas e outras. A
compreensão é plena quando expressa um único termo dentre inúmeros que
formam ou podem compor a sua extensão. Daí, compreender uma coisa, ou
determinadas coisas entre várias, é cercar e especificar um só dos seus
elementos considerados ou um só conjunto seletivo de coisas tomadas da sua
extensão máxima, separando-o dos demais ou excluindo estes quer por redução ao
absurdo, quer pela verdade evidente encontrada. Compreender a humana compreensão
ou um de seus múltiplos e distintos comportamentos, condutas e procedimentos
nos seus vivenciamentos quer como indivíduo, pessoa (nome, identidade,
filiação, sexo, faixa etária, experiência, domicílio, naturalidade, estado
civil, profissão, formação, status social, etc.), família, etnia, grupo,
sociedade, empresa, espécie, nação quer como humanidade, ou a totalidade dos
seus contemporâneos vivos é incluir e considerar no conjunto cercado todos os
caracteres, propriedades, qualidades, valores e juízos que definem o ser humano
como tal, sem que se confunda uma só de suas partes com as demais, muito menos
com o todo. A compreensão além de discriminar para a autenticidade do entendimento
específico, reduzindo ou excluindo fatores desprezíveis, impertinentes, não
conexos e improcedentes no contexto adotado, atua no universo que considera
realmente abrangente todos os elementos de definição, além dos atributos
coerentes e pertinentes ao conceito, idéia, evento, fato e fenômeno, em
questão.
Logo,
é pela compreensão que se constrói e reconstrói uma boa ética, uma boa
vivência, um bom comportamento, uma boa conduta, um bom procedimento, um bom
julgamento, uma boa deliberação, um bom juízo, a boa relação humana, um teorema
matemático inédito, ou um sólido e belo edifício. Daí, a incompreensão, que é o
seu contrário, não se permite construir nada de bom, seja dentro das relações
com o meio ambiente social, ou físico. Mas, compreendendo a
incompreensão pode-se reconstruir de modo melhorado o que ela destruiu. Não há
de se confundir, inclusive, uma situação ou um estado
com o ser, propriamente dito. O homem não é
estúpido ou irracional por natureza, mas pode estar sendo
estúpido e irracional em dado momento. Daí, a compreensão leva em conta
essa diferença não havendo de excluir da espécie humana um de
seus indivíduos pelo seu estado de estupidez ou irracionalidade e
ignorância. A incompreensão, pelo contrário, como já
se disse; repita-se, é falha na percepção, identificação e interpretação além
de falta de conhecimento, sabedoria e entendimento, incapacitando o sujeito de
compreender os fundamentos das emoções, dos sentimentos, dos sensos, dos
sonhos, desígnios e juízos alheios, com a necessária indulgência e
condescendência, levando-o para julgamento tendencioso, espúrio, inescrupuloso,
precipitado e preconceituoso.
[20] Impasse.
A situação de impasse é a que se apresenta problemática. É de
difícil solução quando há total desconhecimento de como superá-la. Para se sair
bem do embaraço ante uma situação
difícil cuja solução parece impossível é preciso uma fuga temporária para pedir
ajuda, procurar socorro ou recorrer para quem conhece e sabe resolver.
A
verdadeira situação mundial, atualmente, não fica longe desse parâmetro.
Só
que agora, as rendas reais de quase todas as populações de alguns países
permanecem naquele nível ou semelhante, havendo poucos países em níveis bem
mais altos e os demais países, constituindo a grande maioria, em níveis não
desejáveis. Assim, de um lado ficam os países muito ricos e alguns caminhando
nesse sentido e do outro lado os países extremamente pobres que são a maioria.
Por
que essa disparidade de padrões e estilos de vida de diferentes sociedades e
países cresceu tanto num mundo em que todos estão cada vez mais relacionados?
Se
fôssemos observar todas as respostas dessa indagação dadas por estudiosos de
diferentes áreas e especialidades não haveria causas, motivos e razões comuns
que encaminhassem à plena compreensão com uma única conclusiva resposta,
verdadeiramente real e aceita por
todos.
Contudo,
cientistas, filósofos, antropólogos, psicólogos, economistas, historiadores,
políticos, juristas e, sobretudo, os sociólogos, ao menos, dentre todos,
principalmente, teriam o que apoiar nas idéias gerais de um e de outro na
questão da qualidade dos países desenvolvidos, a minoria, e da qualidade dos
demais não desenvolvidos, partícipes do que é chamado e conhecido por subdesenvolvimento
constituindo a maioria.
Questões
relevantes decorrentes dessa indagação passam a merecer maior atenção: Etapa ou
permanência? Os países subdesenvolvidos podem se tornar desenvolvidos? O
subdesenvolvimento da maioria dos países é a contrapartida do desenvolvimento
de alguns? A teoria evolutiva cabe no processo de desenvolvimento dos países
subdesenvolvidos? Os indicadores de subdesenvolvimento como aqueles ditos
vitais, econômicos, sociais e políticos que distinguem o padrão e qualidade dos
diferentes povos e países são pertinentes ao paradigma que induz o ser humano à
sua dignidade? Existe a sociedade humana como um todo que possa algum dia
resolver tais questões que levem a um resultado bom para todos ao mesmo tempo,
quer para o indivíduo e grupos privados, quer para os países e para a
totalidade de seus habitantes?
Certo
é que as características do subdesenvolvimento precisam e devem merecer muita
atenção dos que estão mais adiante na escala do desenvolvimento, porquanto, não
haveria coerência de coexistência entre os seres da mesma espécie vivendo em
situações de extrema necessidade, ainda mais, quando a sua causa reside na
riqueza da minoria advinda do sacrifício da maioria.
Por
conseguinte, a insuficiência econômica, a escassez provocada, a grande
incidência de doenças sem assistência eficaz, a mortalidade precoce, a
subnutrição, a desqualificação intencional da abundância, a altíssima taxa de
crescimento demográfico, o subemprego, a elevada predominância de determinada
composição etária, a baixa renda per capita, a criminalidade em
aceleração desenfreada, os acentuados desníveis entre a agropecuária e a
indústria, a absurda especulação imobiliária e concentração de propriedade,
escassez de máquinas e de instrumentos adequados, indisponibilidade da alta
tecnologia, ignorância e miséria por absoluta ausência de oportunidades,
impunidade nas grandes corrupções, demasiada concentração de renda, além de
outros não menos importantes indicadores do subdesenvolvimento são as principais
causas da pobreza e miséria de qualquer população ou país.
A
origem do subdesenvolvimento é histórica. Desde as sociedades ditas
igualitárias nos tempos dos primevos e do início das sociedades de classes no
tempo da pólis (cidade-estado) havia os seus indicadores de subdesenvolvimento
próprios cujos motivos, causas e razões não diferiam muito dos atuais,
porquanto, em verdade, o ser humano em qualquer época sempre se move conforme a
sua necessidade presente e premente de sobreviver e isso é universal e necessário.
Num primeiro momento negativo, mata para não ser morto. Num
segundo momento vive conforme hábitos, costumes e usos aprendidos, valores e
padrões vigorantes. A seguir, descobrem, inovam e inventam recursos e
instrumentos para facilitar a vida conforme saber e criatividade de alguns
privilegiados. Foi assim o advento da pólvora, do canhão, do navio, do avião,
da máquina a vapor, da energia elétrica, dos foguetes, da bomba atômica, dos
microprocessadores, dos instrumentos cibernéticos, etc., tudo isso nos
paradigmas de proteção do patrimônio, mercado, nação e da conquista de mais
domínios, posses e da conservação particular do caráter cultural, social,
econômico e político de cada grupo ou nação no sentido de preservar a sua
soberania e hegemonia.
O que
não há na sociedade humana, ainda, é a integração dessas três necessidades para
alcançar o que é bom para as partes e bom para o todo, ao mesmo tempo, quer do
lado individual quer do lado social para atender as suas premências que são
aquelas básicas; as tempestivas que são o aprendizado, o conhecimento e a
educação; e, aquelas de suprimentos sucessivos que são as necessárias mudanças
de estrutura e organização social com disciplina, boa ética e eficácia.
Felizmente,
há modelos de desenvolvimento. A conscientização do que é possível fazer e não
fazer está em expansão no mundo todo. Assim, é preciso não só aprender para
desenvolver mas, sobretudo, implementar o desenvolvimento verificando
alterações profundas na distribuição de renda, nas condições de higiene e saúde
da população, nas condições de emprego, na propriedade da terra, no acesso à
educação e trabalho condigno, além da necessária participação de todos na
riqueza produzida, decorrente do seu crescimento em todos os sentidos. E a sua
conquista não é utópica. Mas é um processo gradativo de mudança que se enxerga
nunca pela ótica da ilusão do desenvolvimento econômico, nem da economia global
e exclusão social, mas pelo hábito, costume, uso e vivência que se acrescem de
novos elementos cuja eficiência e eficácia vai deixando de lado os obsoletos,
de uma maneira automática, quase imperceptível, e vai se expandindo pela
saudável relação social interativa, intersubjetiva e interdisciplinar, pela
mídia, internet e de grupos sociais realmente interessados na fruição do bem
viver, em níveis cada vez melhores. DADOS BIBLIOGRÁFICOS: Introdução à
Sociologia – Pérsio Santos de Oliveira – Editora Ática. Sociologia do Terceiro
Mundo – disparidade e envolvimento – J.E.Goldthorpe da Universidade de Leeds –
Zahar Editores. Megaconsciência – Saburo Okada – Compart.
[22] Teoria de Aprendizagem:
as consciências dos seus quatro momentos. Obra do mesmo autor. Compart –
2001.
[23] Negligência, imprudência,
imperícia e omissão. Falar
sobre isso é dizer sobre restrição, cerceamento e ausência de liberdade.
E a liberdade é a ampla manifestação psíquica com o respectivo movimento, sem
nenhuma restrição ou bloqueio. Administrá-la bem é o mesmo que dar bom sentido
à vida prolongando-a e desfrutando-a. Administrá-la mal é caminhar para o sentido
da morte. Para que a liberdade flua e ocorra não bastam apenas a vontade, o
desejo, a intenção, a idéia e o querer acontecer. É necessário que haja a
manifestação em conexão com o movimento respectivo nas reações, ações, atuações
e interações, sem cerceamentos. Isto requer energia, força, sabedoria,
recursos, combustível, tempo, disposição e outros fatores de sustentação e
prosseguimento. É preciso repô-los, poupá-los, produzi-los e não
desperdiçá-los. Daí, a péssima administração do manifesto psíquico e do
movimento respectivo é um dos fatores que restringem a liberdade para o sentido
da vida plena; que, na iminência do impasse, pode reverter essa posição
positiva para o sentido da morte mais próxima. Nesse ponto está a base
dos maus momentos, a qual se vencida ou superada, retoma-se a liberdade no
sentido da vida plena e feliz. E esses maus momentos são percebidos no ato do
prejuízo, da perda, do desastre, do acidente infeliz, doença e múltiplos outros
dissabores cujos fatores causais provêm da negligência, imprudência, imperícia
e omissão em seus parâmetros mais amplos.
[24] ZELO, PRUDÊNCIA, PERÍCIA
e PRESTIMOSIDADE. Quando estes fatores são usados para o benefício geral
produzem a liberdade autêntica e ampla para o sentido da vida longa e feliz.
O exercício
dessa liberdade é subsidiado pela disciplina na boa ética que controla o zelo,
a prudência e a aptidão integrados pela prestimosidade.
A
disciplina integra a ingenuidade, espontaneidade e responsabilidade no sentido
positivo. Na liberdade não saudável está ausente a boa disciplina dando margem
à negligência, imprudência e imperícia. Estas, integradas pela omissão ampla se
reproduzem aliadas à estupidez, irresponsabilidade, vício, inescrupulosidade,
ignorância, perversidade, inconseqüência, má vontade, etc. Ser prestimoso é não
omitir.
A omissão é desvio,
intencional ou não, do sentido ou direção do movimento implicando a ausência de
solidariedade em detrimento da boa relação social reforçando as injustiças
sociais e distanciando a paz social plena. A pior omissão é o descuido da
humanidade com mais de um bilhão de pessoas sem assistência, que comem mal ou
passam fome. A omissão, portanto, é o desrespeito à liberdade alheia e grave
ofensa à integridade do indivíduo.
[25] LINHA DO BEM. Uma emoção é
dita positiva quando se manifesta no ato, de modo direto e
autêntico. Mostra-se o medo quando está com medo, a raiva quando sente a raiva,
alegria quando se sente alegre. Não as prorroga sem fundamento adequado. Não se
disfarça, nem encobre, não camufla, não se retém e nem bloqueia ou impede que
se manifeste uma emoção ou qualquer de suas derivadas ou intensivas. Está
triste? Deixe fluir as suas lágrimas, naturalmente. Não se perturbe, se
envergonhe e nem bloqueie os choros de tristeza, de mágoa, de ódio, de raiva,
de medo, de alegria ou de prazer. Logo, é bom adquirir a capacidade de fazer
fluir as emoções e sentimentos, normalmente, para não chegar à situação de não
poder evitar a violência. Ou ter de controlar seus excessos. Embora isso evite
conseqüências piores se acaba sofrendo efeitos colaterais prejudiciais à saúde,
principalmente, as psicossomatizações.
Observe-se
que a positividade das emoções encontra-se apenas nos primeiros
momentos, ou seja, fazê-las fluir com a descarga no ato de sua ocorrência.
Porquanto a sua demora ou prorrogação pode refletir para os demais momentos de
modo negativo. Os bons sentimentos ocorrem nos segundos momentos. Contudo, os
gerados por situações não resolvidas podem voltar para os primeiros, com maior
intensidade. É preciso pensar resolvê-las com efeitos, resultados ou
conseqüências boas para as partes e para o todo, ao mesmo tempo. Os sensos
positivos formam-se nos terceiros momentos com reflexos para os segundos e
primeiros momentos dando o necessário equilíbrio às manifestações das emoções e
sentimentos.
Eis
pois, as emoções, os sentimentos, os sensos, os juízos e a auto-estima existem
para ampliar as forças físicas e psíquicas ante os desígnios e as necessidades
respectivas, principalmente, para dar o colorido e o prazer na atividade do bem
viver. Portanto, as suas correspondentes energias acumuladas devem ser
descarregadas ou usadas no ato ou em tempo hábil, no lugar certo e nos seus
respectivos momentos, sem protelações.
Assim,
o ódio, o ciúme doentio e a inveja, ou outras paixões negativas, por exemplo,
só perseveram nos indivíduos mal orientados para a vida feliz. Guardar rancor,
mágoa e bronca denotam situações de impasse proteladas e não resolvidas a
contento que só fazem acumular energias emocionais que perturbam as defesas
orgânicas.
O
caminho certo para resolver controvérsias ou querelas é a linha do bem.
A linha do bem visa a harmonia objetivando ficar de bem. Por isso,
propõem-se entendimentos, definições, redefinições, acordos, conciliações,
reconciliações, consensos, normas, reconhecimentos, arrependimentos,
reconsiderações, pactos, perdão, desculpa, ressarcimento compreensível e justo,
transigência, amizade e cumplicidade saudável. A linha do bem exclui todos os
seus contrários, principalmente, a violência, a agressão, retaliações,
ressentimentos, inconformações, ódios, ofensas, as raivas contidas, fúrias,
mágoas, as vias de fato e as matanças.
Observe-se
que todo organismo fica em estado de alerta e prontidão contra o perigo
enquanto perseverar sua ameaça.
Essa
ameaça real ou imaginária segura a vazão ou a descarga das energias emocionais
até a sua concretização quando dispara o alarme para a sua explosão.
Mas
enquanto não ocorre o real enfrentamento sobrecarrega-se as funções endócrinas
em prejuízo da atuação sadia do sistema imunológico perturbando e enfraquecendo
seu mecanismo de defesa contra os invasores microrgânicos nocivos, além de
outras situações como degeneração celular e multiplicação desenfreada de
células anormais.
Portanto,
algo anda errado enquanto há a manifestação deles em situações predominantes ou
próprias de outros momentos, salvo para descontrações necessárias e saudáveis e
para nivelar ou descruzar os momentos. Por exemplo, é inadequada uma explosão
de alegria em meio a um velório. Numa situação dessas cruza-se um momento
biográfico (primeiro) com um momento histórico (segundo). Neste caso, a
manifestação saudável exige um segundo momento biográfico para prorrogar a
explosão de alegria em outro local, por noção, consideração, disciplina,
consciência e respeito ao momento histórico em curso (velório). Eis porquanto,
a situação de alegria (pessoal) não harmoniza com a situação de pesar (social)
desqualificando o ritual.
“Nesta linha, adota-se o uso contínuo da condescendência através
da compreensão dos diferentes paradigmas. É preciso entender e compreender os
diferentes momentos biográficos cruzados e os múltiplos desencontros,
aprendendo e praticando o amor, a intimidade, a verdade, a inteligência e a
solidariedade incondicional”.
Excluem-se, portanto, todos os negativismos, as negatividades e as
manipulações de pessoas, porquanto, estes podem conduzir o seu agente portador
e sua possível vítima a resultados catastróficos e negativos.
[26] AMOR. O que é? Onde está? Quem tem?
Que faz o amor? Quando acontece o amor?
O
amor não é sensação, sexo, atração, emoção, sentimento, paixão, senso, amizade,
ciúme, auto-estima, posse ou domínio, os quais são meras ferramentas para se
poder compreendê-lo.
A
sexualidade e o sexo, por exemplo, são necessidades
fisiológicas, afetivas, sensíveis, físicas. Nessas relações são da mais alta
importância as vontades, atrações, contatos físicos, as reações de afetividade,
sensações, as emoções, excitações, expectativas, alegrias, prazeres orgásticos,
a libido, primando-se pela reprodução, equilíbrio, saúde, energia e pelo estar
bem no aqui e agora com alguém.
A
paixão é uma coleção de sentimentos vivenciados na busca, posse e
domínio do seu objetivo. O seu sentido é realizar um ardente desejo, fantasia
ou sonho e poder desfrutá-lo. Daí, a paixão ser negativa ou positiva. E os seus
sentimentos provêm das emoções prorrogadas e do desejo relativo a ser resolvido
ou satisfeito, a contento ou não. A paixão implica a ação, a investida, a
busca, a vontade não saciada, a procura de satisfação, o desejo, a persecução,
a motivação e o dinamismo passional. Por isso, sofre-se ou contenta-se,
decepciona-se ou satisfaz-se, apavora-se ou encoraja-se, tem-se ansiedade,
angústia, estresse, depressão, entusiasmo, tristeza, ódio, ciúme, vingança, inveja,
inconformismo, fossa, fissura, euforia, pique, culpa, remorso, tédio,
melancolia, obsessão, domínio, posse, fúria, fracasso, auto-estima, desprezo,
pesar, intransigência, orgulho, arrogância, fé, inquietação, revolta, teimosia,
ilusão, decepção, frustração, auto-engano, atrevimento, audácia, arrojo, etc.
Assim, a paixão é necessidade afetiva que pode ser negativa ou positiva,
repita-se. O excesso ou a falta de paixão pode prejudicar.
A
paixão é positiva quando equilibrada, correspondida e procura não causar perdas
nem a si e nem ao seu objeto.
A
amizade é senso de paz com simpatia, atração psíquica, empatia,
estima e consideração dirigida pelo indivíduo ou por uma coletividade a uma ou
mais pessoas, grupos ou entidades. As reciprocidades desses fatores aproximam
as pessoas entre si, solidificando as relações de amizade. A simpatia mútua
entre duas ou mais pessoas, independentemente de sexo, faz gerar as relações
sociais íntimas e racionais, entre si. Nesse passo, se sentem muito bem quando
próximos um do outro ou quando compartilham, juntos, uma ocasião ou um tempo em
divertimentos, passeios, passatempos, conversas, lazer, ou em afazeres e
auxílios mútuos.
Na
amizade predominantemente racional compartilham-se os mesmos ideais e
atividades indefinidamente. Nas amizades que se estreitam para as relações mais
íntimas, compartilham-se os espaços cada vez mais comuns, com a tácita
permissão, além dos momentos juntos que se alongam, sejam maus ou bons. Mas, é
nos maus momentos que se reconhecem quais são os autênticos amigos.
Contudo,
há limite no sacrifício, na prestação de serviço e nos favores incondicionais.
O caráter da amizade recíproca saudável está na lealdade, sinceridade e
fraternidade dentro das possibilidades e capacidades de cada qual, sem abusos,
maldades e manipulações.
O
amor é muito mais do que tudo isso aí. É estado de afeição que
conduz o indivíduo a efetivar, incondicionalmente, um benefício qualquer,
todavia, sempre em função de querer bem a uma pessoa em particular ou mais
pessoas, à coletividade, à humanidade, também às coisas e à natureza. No ato a
realizar com amor observa-se a boa qualidade, a disciplina, a tempestividade, a
energia direcionada, o acontecimento justo, o respeito e o cuidado. É o fazer,
o acontecer e o construir com maturidade, certeza, eficiência, eficácia,
elegância e consciência, significando certamente o querer bem incondicional,
de maneira contínua. Por isso, o amor está tão-só presente no interior da
pessoa enquanto ama. Quem ama ocupa-se de viver e cuida do bem e muito bem, não
só para si, à coisa ou pessoa amada, em especial, mas também contribuindo para
o geral, realizando-o em todos os momentos, integralmente. Quem ama sabe muito
bem o que se faz, como faz, para que e para quem faz e faz acontecer o
benefício sem auto-ilusão, com fé, conhecimento, juízo, auto-estima e
consciência, com determinação, equanimidade, vontade, decisão, ânimo,
disposição, entusiasmo, pureza de espírito e incondicionalidade.
O
amor é espontâneo e incondicional de qualquer das partes. Não faz da pessoa
amada um objeto de posse e domínio não obrigando e nem exigindo reciprocidade e
submissão como ocorre com a paixão. Por isso, o amor não pode ser
paixão, embora tenham coisas em comum. O amor é histórico porque faz a história
do par de enamorados, da comunidade coesa e da humanidade que o pleiteia. E, é,
ainda, autônomo pelo seu caráter unilateral que absorve e compreende a sua
individualidade e a sua universalidade. Contudo, amá-la e por ela ser amado é
um bem inestimável.
Além
disso, quem está com o amor está com a inteligência no seu objeto sabendo, por
isso, administrar bem o perdão, a caridade e o dar de si, fazendo-o na ocasião
certa.
O
amor está presente justamente naquele enquanto assim reage, age, atua e
acontece, isto é, no seu subjeto orientando-o nas suas interações com o meio
ambiente no sentido da realização do benefício incondicional.
Só
podem ter o amor, sempre, aqueles que contemplam, importam, cuidam e gostam das
pessoas, coisas, animais, da natureza, da verdade, da inteligência, da beleza e
ocupam-se de fazer-lhes o bem, querendo, por inteiro e de modo contínuo.
[27] INTELIGÊNCIA. O que é? Onde ela
está? Quem a tem? O que
faz? Quando acontece?
Faz parte do mundo subjetivo como idéia,
conhecimento, pensamento, emoção, consciência, aptidão, perspicácia, astúcia,
razão, juízo, sensação, percepção, criatividade, amor, paixão, memória?
Ou, é um elemento do mundo objetivo, isto é, da realidade
externa, como os fenômenos, os fatos, a natureza, a civilização, a tecnologia,
a coletividade, a história, a justiça, o universo, etc.?
Ela admite os malefícios ou os resultados
perversos? Beneficia uns em prejuízo de outros? Ela obriga a adaptação de
determinadas espécies a sobreviverem de modo pior do que antes? Submete a
maioria da sua própria espécie a se adaptar na penúria, ou na escassez
provocada, explorando-a, se há outros recursos que favorecem a todos com
soluções mais simples e mais fáceis? Ou, se caracteriza pela sua universalidade
no tocante ao benefício quando está operante? Inclui também a sua forma
necessária de obter o resultado que beneficia as partes e ao todo,
simultaneamente, excluindo, para isso, os meios não éticos?
Edmund Husserl trouxe a fenomenologia, conhecimento do que
surge à consciência de acordo com a sua própria estrutura. A consciência produz
significações, conteúdos e sentidos.
As significações são essências que
possuem o sentido impessoal, intemporal, universal e necessário da realidade. A
realidade só existe para a consciência, onde o conhecimento se dá ou se
manifesta. O mundo subjetivo é que dá sentido para a realidade objetiva.
Onde situar a inteligência de acordo com
a fenomenologia?
Os filósofos como Foucault, Delleuze e Derrida entenderam
que a razão realmente muda com o tempo, mas é descontínua. Em cada situação ou
momento de sua história, a razão provoca rupturas ao construir modelos e
paradigmas que podem explicar os fenômenos, ou objetos do conhecimento. Tudo
possui ou terá sentido para a consciência e esse sentido pode ser conhecido.
Mas, a razão exige coerência, compatibilidade entre a explicação, princípios,
procedimentos e conceitos.
Nesse passo, o aproveitamento, a
utilidade e o resultado do que produz o pensamento para quem deve beneficiar?
Desse modo, onde cabe a inteligência nas diferentes estruturas que surgem em
cada nova concepção que rompe com a anterior? Onde anda a inteligência nessas
rupturas cujos resultados verificados até hoje tão-somente favoreceram uma
minoria sendo indiferentes à maioria dos viventes, porquanto lhes são
inacessíveis?
Pode-se considerar um ato inteligente uma
ação ou invenção que só causou malefícios, ou em que milhares de vidas foram
sacrificados em favor de supostos benefícios, na qual se utilizou o concurso de
cientistas de alta capacidade técnica, tecnologia das mais avançadas e de
raciocínio dos mais complexos?
Heidegger e Merleau-Ponty diziam que se
eliminarmos a consciência, nada vai restar. Porquanto as coisas existem para a
consciência que as percebe, imagina, lembra, pensa e as transforma. Se
eliminarmos as coisas, igualmente nada vai ficar, pois não se vive sem o mundo
nem fora dele. Em suma, sem consciência não há a realidade objetiva e sem esta
não há como conhecer e agir.
Ora, o homem é capaz de destruir a si
próprio e até mesmo eliminar todos os seres viventes. E se o fizer o que é que
vai ficar? Um incidente astronômico pode fazer explodir o mundo. E se isso
ocorrer, o que é vai restar?
Onde colocar ou definir o ato inteligente
se houver a real possibilidade de responder a qualquer uma das duas perguntas
depois do fato respectivo consumado?
Há os que dizem que não há
como definir a inteligência. Mas ela
existe e embora imaterial, produz efeitos reais, conseqüências e resultados
objetivos e positivos. Resta saber se em benefício de todos, em qualquer tempo
e lugar, além dos seus recursos utilizados, se por meios éticos ou não.
Assim, ela poderá ser
percebida, identificada, interpretada, entendida, intuída e compreendida.
A dificuldade de defini-la
ocorre em virtude da confusão que se faz em atribuir à inteligência, indevidamente,
faculdades ou qualidades subjetivas e os potenciais positivos do ser humano,
sem levar em conta a natureza dos seus negativismos. Por exemplo, são
considerados como seus atributos principais a aptidão verbal, espacial e
abstrata, o equilíbrio emocional, seu controle e disciplina ou a capacidade de
solucionar problemas. Há também outros atributos como a criatividade, a
perspicácia, a esperteza, a astúcia, a imaginação, a inventividade, o reflexo,
o raciocínio, o talento, a agilidade, o dom, a competência, o poder de
adaptação, associação, diferenciação, de compreensão, comparação, improvisação,
de idealização, de materialização ou realização; a facilidade no uso das
técnicas mais surpreendentes, etc.
A psicologia vê a
inteligência, por sua função, como atividade prática, adaptação ao ambiente,
estabelecimento de relações entre meios e fins no sentido da solução de
impasses.
Não serão esses fatores,
funções ou recursos tão-somente atributos, qualidades subjetivas, capacidade ou
competência exclusivamente usados como ferramentas, instrumentos e meios ou
faculdades e valores individuais para, além do fim a que, especificamente, se
destinam, poder, realmente, sentir, perceber, identificar, reconhecer,
interpretar, intuir, conhecer, saber, compreender e entender a autêntica inteligência?
Eis porque, com evidência,
pode-se entender a inteligência como ato, fato ou acontecimento real útil,
necessário e universal; ou seja, o estado ou a situação, sem uso do malefício,
cuja eficiência e eficácia se dirigem aos fins exclusivamente saudáveis, úteis
e benéficos para todos, em qualquer tempo e lugar, não podendo ser de outro
modo. Logo, sem sacrifícios ou prejuízos de qualquer natureza.
Assim, fácil é intuir a
inteligência como existente
e definida fora do indivíduo pensante podendo estar com ele
no seu lado objetivo, de maneira semelhante ao amor que pode estar com ele
subjetivamente.
Portanto, a existência do sujeito de ato inteligente é
circunstancial, situacional, relativo e restrito ao acontecimento real, objetivo
e útil, seja ele quem for ou o que for.
Em síntese, a inteligência
se liga à produção simples e fácil de algo concreto autêntico que beneficia a
todos, em qualquer tempo e lugar, do modo abundante ou suficiente e necessário,
sem sacrifícios e detrimentos ou perdas de quaisquer naturezas,
independentemente, do sujeito, do objeto e das significações, consciências,
essências, idéias, sensações, das estruturas diferentes, organizações,
revoluções, rupturas, fiscalizações, concepções novas, medidas, razões,
tecnologias, ciências, teorias, práticas, paixões, vontades, intenções e
emoções, dos desejos, sentimentos, pensamentos, controles, juízos e sentidos.
Estes apenas podem se tornar um ou alguns de seus instrumentos utilizáveis para
determinada tarefa inteligente.
Ninguém é
inteligente ou pode ser
inteligente todo o tempo, mesmo detendo todas as suas indispensáveis
ferramentas, instrumentos, recursos e as faculdades do pensamento. Porém, faz ou poderá
fazer atos inteligentes, ou poderá construir fatos, estados e situações
inteligentes. Da mesma forma que faz ou poderá fazer atos inconseqüentes ou atos de
pura burrice mesmo, ou
ainda construir fatos e artefatos em detrimento da vida e do bem estar, embora
tido ou considerado como ser “com inteligência” ou qualificado como muito
inteligente.
Alguém está com a
inteligência, objetivamente, enquanto projeta e faz atos que geram a eficiência e a
eficácia dos produtos, resultados, interações, artifícios, técnicas, atividades
sociais, trabalhos, processos, organizações ou estruturas que beneficiam a
todos, sem haver detrimento de outrem, das coisas e de outros seres.
A natureza tem a
inteligência. E, as coisas, as pessoas e outros seres viventes, por sua vez,
fazem uso dela, se ao seu alcance. De igual modo que a natureza tem a doença e
nenhum indivíduo é doente. Mas pode portar o mal que faz o seu estado de saúde
deteriorar. Observe-se que estar
doente é diferente de ser doente. Assim como o fato de estar sendo inteligente é
diferente de ser inteligente.
É fácil intuir o absurdo e
o contraditório quando se sabe que alguém tido ou considerado como ser muito inteligente
faz, fez ou vai fazer burrices ou coisas não inteligentes.
Que contradição e absurdo
maior há no mundo quando se observa a coleção de todos os malefícios conhecidos
causados pela natureza, pelos animais irracionais e pelo homem tido como
racional e inteligente? A guerra, a matança, a estupidez, a falsidade, a
omissão e a perversidade são atos racionais e inteligentes?
Como o homem pode ser
chamado de ser racional e inteligente, sem se levar em conta as mais estúpidas
e sórdidas perversidades, omissões, matanças, guerras e as burrices ainda
presentes?
Ser inteligente e não
inteligente ao mesmo tempo viola e contraria o princípio do terceiro excluído.
O homem é um ser racional
ou animal com potencialidades no uso da razão, querendo, mas não é um ser
inteligente, ainda, nem como indivíduo, como grupo e nem como totalidade.
Porquanto, pode-se raciocinar, pensar, emocionar, sentir, refletir, calcular,
decidir, deliberar e fazer uso da razão, da astúcia, da esperteza e da aptidão
cometendo também atos não inteligentes.
Mas, ainda não satisfeito
com a contradição, há os que persistem em medir a “inteligência” para
diferenciar os mais aptos gradativos dos ineptos, ampliando-se, mais ainda, a
confusão. Inteligência não é aptidão. Não é coisa para ser medida.
Ora, a aptidão, a
habilidade, a capacidade, a eficiência, a eficácia, a competência, a
perspicácia, o talento, a criatividade, o controle saudável das emoções, desejos
e sentimentos ou outros caracteres assemelhados são apenas potencialidades para
realização tanto para o mal como para o bem, ou para produzir malefício ou
benefício. Esse desempenho é obtido pela aprendizagem, desenvolvimento e
prática. Pelo outro lado, a inteligência não é potencialidade em si mas é
integralizada pelo ato artificial, natural, casual, incidental, circunstancial,
intencional ou provocado que leva a um estado, a um resultado ou a uma situação
real consumada para um certo benefício universal, não se admitindo o mal ou
perda decorrente. Nem antes e nem depois da obtenção da situação final ou do
produto real concreto acabado ou produzido que, necessariamente, deve ter
finalidade beneficente para as partes e para a natureza como um todo, simultaneamente,
qualquer que sejam o tempo, velocidade, espaço e o sujeito da ação.
Sem estar em condições
físicas e psíquicas saudáveis não se pode exigir aptidão nem dos mais aptos. É
evidente que ninguém nasce apto, mas potencialmente pronto nesse sentido.
Logo, para adquirir a
aptidão é necessário ocupar-se de aprender, treinar e desenvolver com boa
saúde. E isto envolve uma série de fatores específicos adquiridos e herdados.
Implicam-se, também,
fatores ambientais, situacionais, subsidiários e das consciências dos quatro
momentos biográficos e históricos.
O ato inteligente não
recomenda a aquisição da aptidão em estado não saudável ¾ sendo isto possível ¾, em
virtude dos detrimentos decorrentes.
Quando um produto com forma
prática e agradável, com conteúdo simples ou complexo, mas surpreendentemente
econômico, é de grande utilidade e durabilidade, leve, eficaz, de fácil
manuseio e beneficente, diz-se que a sua invenção é, sem dúvida, um ato de
elevada inteligência. Mas, diz-se o contrário quando um produto com as mesmas
características e de igual empenho ideal, ou mesmo depois de longos e
persistentes estudos, é feito para causar grandes perdas, perversidades e
malefícios ou destruição total. Portanto, a inteligência está em um ato que se
liga à produção de algo concreto autêntico que beneficia a todos, em qualquer
tempo e lugar, não sendo possível de outro modo.
Em síntese, a inteligência está na consumação
da finalidade de um ato, necessariamente beneficente, com caráter universal,
sem conseqüências prejudiciais de qualquer natureza, independentemente da
consciência ética.
No homem, a inteligência é
objetiva, eis porquanto, exige-se do seu potencial ético, em todos os seus
momentos biográficos e históricos, que das suas atividades, reações, ações,
atuações e interações resultem produtos concretos autênticos, eficientes e
eficazes, que sejam bons para as partes e simultaneamente bons para o todo. No
todo, inclua-se, necessariamente, a saúde geral, o meio ambiente natural e a
totalidade dos seres vivos, em qualquer época e situação decorrente.
Daí, é possível intuir
facilmente que a inteligência tem consistência objetiva abstrata benéfica
contínua. Classifica-se a inteligência, então, como ser real abstrato
autêntico, com caráter do benefício universal e necessário.
Consistência objetiva
abstrata significa que embora não seja matéria, manifesta-se na objetividade ou
na finalidade do ato, do fenômeno, do fato, da idéia ou do objeto em
consideração.
Com estas colocações
pode-se assegurar que enquanto o amor induz a pessoa e a coletividade a reagirem,
agirem, atuarem e triunfarem no sentido do querer bem a todos, a inteligência os
acompanha e os conduz para o benefício geral, objetivamente, não os deixando
cometer asneiras, injustiças, detrimentos e perversidades.
Portanto, é preciso
eliminar os negativismos das paixões individuais cedendo os seus lugares para a
positividade dos sentimentos e para o amor. Cumpre recordar que as emoções
naturais autênticas para as reações de sobrevivência não fazem parte dos
negativismos das paixões. Daí, o medo, a raiva, a calma, a alegria e o prazer,
as ditas emoções naturais, devidamente manifestadas, são indispensáveis e
imprescindíveis para uma vida saudável e inteligente, assim como são: o conhecimento
geral consolidado, o saber fazer específico e a eficácia do raciocínio para
superar o impasse do modo bom, útil, simples, fácil e duradouro, sem
conseqüências negativas.
[28] HABITUAÇÃO e
sensibilização. Veja nota seguinte.
[29] SENSIBILIZAÇÃO e habituação. Ensina Rachlin que em vista
da adaptabilidade dos seres humanos e outros seres animais, tem sido provado
que é notavelmente difícil modificar seus comportamentos de uma forma
significante. Não se pode modificar com sucesso um comportamento até que se
compreenda o que deve ser mudado.
E,
se tiver de mudá-lo deve fazê-lo de acordo com os padrões naturais de
ocorrência. Dois processos conhecidos pelos quais a ação de um simples reflexo
pode ser alterado são a habituação e a sensibilização.
A
habituação é o processo de acostumar-se, acomodar-se ou adaptar-se a alguma
coisa. Por exemplo, acostumar-se ao barulho do carro, do trem ou do avião
passando. Quem se habituar a tais barulhos nem vai notar que um carro, um trem
ou um avião acabou de passar.
A
sensibilização é o oposto da habituação. As respostas tornam-se mais e mais
intensas. Quem é sensível ao barulho de avião, por exemplo, a cada vez que ele
passar ficará mais irritado.
Estes
dois processos quando funcionam como mecanismo de defesa e conservação do
organismo é útil aos seres vivos. Contudo, é mais preferível habituar-se às
coisas que resultem em situações agradáveis ou realmente necessárias e
sensibilizar-se com as coisas não saudáveis e desnecessárias.
Quando
se é alvo de freqüentes manipulações, aquela irritação ou o pequeno mal-estar
sentido deixará de ser notado não se incomodando mais. Nesse caso, diz-se que
se habituou aos dissabores das manipulações.
Entretanto,
se a cada alvo desses, o mal-estar aumentar, não demora muito, de repente,
pode-se explodir em cima do próximo manipulador.
Na
sensibilização, o manipulador se torna cada vez mais desprezível para quem não
se habituou a ser vítima de manipulações.
Na
habituação e sensibilização, se um determinado barulho incomoda no início de
suas repetidas vezes, o incômodo generaliza-se para qualquer outro barulho.
Na
habituação, qualquer barulho menor que o habituado não é notado. Na
sensibilização, um barulhinho já incomoda muito.
Acreditamos
que tanto a habituação quanto a sensibilização existem mais em função da
possibilidade de adaptação ao meio ambiente adverso enquanto fator de
sobrevivência, necessidade, força maior; sem outro meio, recurso ou opção. Na
habituação tolera-se o ambiente adverso; e o contrário, na sensibilização,
põe-se em fuga, se puder.
Na
sensibilização, rejeita-se determinado meio adverso por avaliação automática
comparativa que reforça uma opção anterior melhor. Ou, por ter percebido outra
compensação vivencial melhor. E ainda, se o meio adverso apresentar uma
vantagem verificada no ato, pode-se entrar em conflito e afastar-se ou tolerar
a nova situação até certo limite.
Na
habituação, o meio adverso ao qual o indivíduo foi levado a se instalar, sem
outra opção, força-o a assimilá-lo, ajeitando e desviando dos maiores
incômodos.
Entretanto,
a sua acomodação só ocorrerá, gradualmente, pelos frutos que compensam a sua
sobrevivência ali, ou de algo por ele percebido, nesse sentido.
Mas,
tendo encontrado situação muitas vezes melhor do que a que se encontra, mesmo
acomodado ou enraizado, o processo da habituação pára para iniciar a reversão,
que é o de sensibilização.
Este
processo de sensibilização prosseguirá até o limite de tolerância. Quando,
então, pode ocorrer a mudança total. Na maioria dos casos, o início da mudança
total é definitivo se não se sucumbir nesse limite. Em casos complexos, próximo
ao limiar da tolerância começa o processo de mudança.
Naquele
exemplo, o barulho que nem mais se notava, passa a ser sentido. E cada vez que
surge, incomoda mais. Daí, a habituação e a sensibilização como fatores de
sobrevivência, sem outra opção, são válidas enquanto não se perde nelas. O
perder-se nelas é como que prorrogar a vivência dentro da adversidade. O ruim é
quando se acostuma a essa situação sem se dar conta. E o fim disso assemelha-se
ao ocupar-se de morrer. Em não havendo consciências e acúmulo de energias para
uma reação oportuna, o viver de modo automático é altamente prejudicial em
todos os sentidos, em razão do hábito, costume e acomodação ao meio adverso.
Nessas circunstâncias, é preciso que se acorde do acordado.
No
processo manipulativo, então, antes de entrar na situação de habituação e
sensibilização é preciso conhecer, reconhecer, identificar e saber lidar com os
manipuladores potencialmente confiáveis e críveis.
Basta
reforçar comportamentos não manipulativos observados.
Habituá-los
ou acostumá-los a se conduzirem, de modo transparente, na base da verdade,
sinceridade, objetividade e concretitude. Fazer-lhes entender que somente assim
poderão obter melhor atenção, consideração e credibilidade, ou alguma vantagem
cujo efeito seja saudável para todos os envolvidos. Evitar a desqualificação do
chamado. Não custa dar um pouco de atenção. Se houver a irritação diante de um
chamado, a sensibilização está presente. As partes entram no mau humor.
Se
o objetivo da contra-manipulação é fazer entender que o melhor é o pedido
direto, a menor desqualificação do chamado retarda esse processo. Quando o
pedido justo é atendido, o bem-estar é recíproco. Contudo, o justo pedido, é
bom lembrar, acompanha a sua causa de pedir do modo autêntico e sincero, mas
com procedência.
E
se ocorrer algum sucesso na mudança esta será paulatina conforme os padrões
naturais de ocorrência.
[30] SABER e CONHECIMENTO.
O conhecimento transforma o impulso em atitude e o saber muda a resposta imediata
para a execução no momento exato. O conhecimento e saber embora signifiquem a
mesma coisa, o saber está mais para a forma, fim, aptidão, aplicação, ativação,
particularização e prática; enquanto o conhecimento está mais para a
consistência, princípio, conteúdo, reserva e para a universalização da eficácia
teórica e técnica.
Assim,
pode-se dizer que quem tem conhecimento do produto pode não saber fazê-lo. Quem
conhece, explica ou diz. E, quem sabe, mostra ou faz. Daí, o conhecimento pode
estar mais para o genérico assim como o saber está mais para o específico.
Pode-se dizer também que conhecimento leva à compreensão
geral e saber leva ao entendimento específico.
[31] AUTONOMIA autêntica.
Faculdade de autogovernar-se na relação de
interdependência. Procura tornar saudável a submissão, a participação e a
dependência, assim como o faz a interdependência com a rebeldia, a competição e
a independência. Na autonomia autêntica não há cumprimento de papéis sociais.
Visa o acordo nos impasses de submissão e rebeldia. Promove conciliação e
reconciliação quando há divergência nas relações de participação e competição.
Observa o consenso quando há desequilíbrio ou diferença nas relações de
dependência e independência. Entra em harmonia com a relação de interdependência
pelo pacto.
O homem é um ser social em desenvolvimento. Para crescer e manter
viva a sua espécie, indefinidamente, necessita de construir uma saudável e
sólida relação social a partir do instituto do acasalamento e procriação. Pelo
seu lado natural começa pela submissão com participação
na vida familiar tendo uma relação de dependência com seus pais,
seus substitutos e pares para atingir uma certa autonomia no
passo de prosseguir na proteção e garantia da geração sucessiva. Pelo lado do
desenvolvimento sociocultural e civilidade, mas voltado mais para uma certa
liberdade individual melhorada, ampla e abrangente, o homem começa a questionar
determinadas posturas adotadas que não cabem mais numa certa realidade atual e
se rebela. Logo, ele procura substituir a submissão pela rebeldia.
A partir daí, surgem as relações de competência e competitividade que se
resumem na competição.
A luta pela independência se torna um objetivo.
Contudo, essa perseguição se resume a uma mera situação de se
livrar de uma dependência atuante que incomoda. Como qualquer processo de
mudança complexa e abrangente não se consegue ou faz de um dia para outro, a
pressa em desfrutar acaba numa situação de transição que se traduz em interdependência.
A integração entre a autonomia e a interdependência é feita a
partir do acordo nos primeiros momentos, conciliando e reconciliando nos
segundos momentos; e, pelo consenso chega-se ao pacto social. (V. esquema
abaixo.)
|
MOMENTOS ® SITUAÇÕES ¯ |
PRIMEIRO |
SEGUNDO |
TERCEIRO |
QUARTO |
|
RELAÇÕES
SOCIAIS |
SUBMISSÃO REBELDIA ACORDO |
PARTICIPAÇÃO
COMPETIÇÃO CONCILIAÇÃO |
DEPENDÊNCIA
INDEPENDÊNCIA CONSENSO |
AUTONOMIA*
INTERDEPENDÊNCIA PACTO |
|
* A autonomia autêntica é
desenvolvida pela autodisciplina e respeito a si e a outrem. |
||||
[32] Negativismo. Espírito
de negação sistemática contra o bem, o bom e o positivo. É negar o bem, o bom e
o positivo por não saber, por querer ou por auto-engano, trocando o certo pelo
errado por crença, ou conservando-se no mal e no mau por força das
circunstâncias e da irresistibilidade, ou do vício.
O negativismo se refere ao hábito, costume, uso e vivência
no sentido não saudável caracterizando o mau momento biográfico e histórico
relativo gerando uma situação de negatividade.
Negatividade. Caráter próprio da antítese em
relação ao benefício e à positividade. A negatividade se refere à qualidade e
ao valor do que resulta de modo contrário ao esperado pelo sujeito que pratica
a ação, e do que prejudica a si, ao sujeito passivo e à sociedade, em
decorrência desse ato, no paradigma das respectivas posições de sobrevivência
que regem os negativismos e os
positivismos das relações sociais.
Ainda que, além da qualidade e do valor dos efeitos,
conseqüências e resultados dos maus momentos, se considerem também a sua
quantidade e freqüência no convívio social.
Exemplos.
A furta um
objeto de B.
Ganha A,
perde B, perde a sociedade.
A pensa que
ganhou, momentaneamente, porque o furto deu certo. Obteve o esperado. Foi
reforçado e por isso furtará de novo. B perdeu, pois, além de ficar
desprovido do objeto, teve um colapso emocional, de maneira injusta. O fato
ocorreu ao contrário do esperado. Esse negativismo impróprio, provocará mais
detrimentos a B. A sociedade perdeu, eis porquanto foi ferida em seus
princípios, normas e valores sociais, e terá desgastes em razão da conduta
delituosa de A.
B recupera
o objeto de A com ajuda da polícia.
Ganha B,
perde A, ganha a sociedade.
B ganhou o
que dava como perdido. Experimenta uma alegria amarga e pode sair do
negativismo impróprio. Contudo, num outro paradigma, nem ganhou, nem perdeu ou
a sua diferença por menor que seja tende para alguma perda. A perdeu o
que pensava ter ganhado, além de ficar privado da liberdade e piorar o seu
negativismo. A sociedade ganhou de algum modo no saldo entre perdas e ganhos porque
se cumprira aparentemente o dever e os seus desígnios em vigor.
A e B
repartem o dinheiro roubado de C.
Ganha A,
ganha B, perde a sociedade e perdeu C.
A e B
pensam que ganharam repartindo, entre si, o dinheiro roubado. Os negativismos
emocionais do viver perigosamente, fingindo, escondendo, fugindo, gastando
desenfreadamente e de se assustarem à toa, vão fazê-los repetir o delito. A
situação de perda injusta de C é terrível. O seu impasse decorrente ou
trauma emocional e psicológico vai ser causa de detrimentos imprevisíveis. A
sociedade sofre perdas com uma situação dessas. Quando este evento prolifera é
sinal de que se agrava a sua pior doença social. Quando ela atinge o povo só
lhe resta a vida para ser tirada.
A e B são
abatidos e não se recupera o roubado de C.
Perde A,
perde B e perdem C e a sociedade.
É uma situação de perda
para todos. De nada valeram as atividades de A e B. Nem nada
poderia valer para ninguém e menos ainda para eles. Por que A furta de B?
Ou por que ambos furtam de C? Por que existe a criminalidade? Por que a
maioria fracassa enquanto uma minoria é bem sucedida, se todos nascem física,
psíquica e potencialmente aptos para qualquer aprendizado?
São questões cujas
respostas certas devem ser encontradas pelo próprio ser humano.
Se A
trabalha, tem bom salário e compra um objeto de B.
Ganha A,
ganha B e ganha a sociedade.
Esta é uma situação ótima
para todos. Mas por que a maioria não tem bom salário se todos têm
potencialidades para o trabalho e querem comprar o que necessitam para
sobreviver, condignamente? Se o ser humano encontrar a melhor resposta certa
para esta questão, então terá respondido corretamente as demais anteriores.
Quando se trata de
qualidade ou de valores positivos e negativos, ou de positividade e negatividade,
o resultado negativo para um lado pode ser positivo para o outro lado, e
vice-versa. A relação é saudável quando ocorre a positividade para todos os
lados, para as partes e para o todo, simultaneamente. Isto pode ocorrer nas
relações de adesão ao costume, quando as normas ou as regras estabelecidas são
cumpridas, ou quando não há controvérsias entre as partes e o todo.
As controvérsias resolvidas
por perdão, acordo, reconciliação, conciliação, consenso e por pacto ou
contrato são propícias para o prosseguimento saudável da relação, bem ao
contrário das resolvidas judicialmente ou pelas vias de fato.
Daí, as posições
individuais de
|
·você estar bem por força do outro estar mal ·você estar mal por força do outro estar bem ·você estar mal por força do outro estar mal ·você estar bem por força do outro estar bem |
devem ser substituídas por
uma única posição considerada adequada:
|
O
resultado de sua ação faça bem a você, ao outro
e ao todo, num só tempo. |
Estar
bem por força das reações, ações e atuações apropriadas e interagindo de sorte que cada parte seja
beneficiada em função do todo e este em função das partes é a posição adequada
e recomendada para se obter conseqüência saudável.
Quando
se fala em negativismos como a estupidez, a desconfiança, traição, suspeita,
interrogatório, inconseqüência, infidelidade, intransigência, ceticismo,
perseguição, insegurança, perversidade, preterição, complicação, má-fé,
dispersão, conflito, desqualificação e separação, estamos falando das relações
humanas que fogem de um modo ou de outro dos padrões e paradigmas tidos como
corretos ou recomendáveis e que se dirigem rumo a resultados indesejáveis como
o mal-estar, mal-ser, mal-ter, mal-fazer e mal-acontecer retardando o normal
prosseguimento do processo de uma contínua vida feliz. O mais poderoso
reprodutor dessas relações, em sua maioria patológicas, denomina-se manipulação
de pessoas. Dentre essas patologias a manipulação inescrupulosa, perversa
ou psicótica merece maior atenção.
Consulte
o capítulo Manipulação de pessoas em “Megaconsciência” do
mesmo autor.
Os vícios
são os negativismos correspondentes ao hábito, ao costume e ao uso
indiscriminado na saciação, satisfação, solução e consumação da vontade,
desejo, intenção e desígnios descontrolados. O vício se manifesta, geralmente,
de maneira automática, e implementada sempre nos primeiros momentos por
irresistibilidade ou dependência patológica. Os vícios negam as virtudes, a boa
ética, o comportamento saudável e a boa conduta social.
Os
maus hábitos, os costumes obsoletos e não éticos, além do mau uso constante,
por gerarem oposições contínuas, acabam por distanciar as pessoas entre si.
Os
vícios, assim como as desqualificações inconscientes, as mentiras, as
adulterações, as omissões, as situações deliberadamente manipuladas e os
deslizes amorosos sempre tendem a provocar ferimentos afetivos graves. As
feridas decorrentes não se cicatrizam logo e nem facilmente em virtude dos
toques freqüentes nas suas cascas. Ainda, porque, as cicatrizes trazem
lembranças desagradáveis. Daí, o estar juntos perde, aos poucos, a razão de
ser. Excetuando-se a relação conveniente de mútuo interesse escuso, e a
simbiótica ou patológica.
Qualquer
destes modos induz a relação mais promissora a se abortar podendo trazer
conseqüências catastróficas imprevisíveis.
[33] Intenção ¾ faculdade exclusiva do
estado consciente despertada pela idéia, pelo pensamento, racionalidade e
senso.
Influi
atuando na vontade para saciá-la. A vontade é uma faculdade
especial inconsciente advinda de experiência anterior prazerosa, boa ou
gostosa, manifestada nas premências pelos reflexos, sensações irresistíveis ou
agradáveis, pelos condicionamentos e pelas boas emoções. A vontade é alimentada
pelo reforçador em vista ou pelo seu estímulo relativo presente. A vontade não será
despertada pelas coisas ruins. Não se tem a vontade para fazer o que não gosta.
Por
conseguinte, a intenção atua também no desejo controlando-o para a sua
satisfação tempestiva. E o desejo é uma faculdade especial
subconsciente adquirida através do conhecimento, experiência, sentimento,
vivência e saber capaz de prorrogar a saciação de uma vontade. O sonho,
por sua vez, faz a integração da vontade, desejo e intenção.
A
intenção, a vontade, o desejo e o sonho distinguem-se, entre si, conforme
condições e recursos da situação do momento, cuja consumação ou realização, se
possível, relaciona-se com o lugar e tempo. A vontade se manifesta
diante do estímulo presente e deve ser saciada aqui e agora,
indicando premência. O desejo pode ser satisfeito, tempestivamente, não
sendo, necessariamente, no aqui e agora. Pode ser em lugar certo
mas em tempo hábil. A intenção é o propósito de buscar
solução para saciar a vontade ou satisfazer o desejo da melhor maneira
possível. Para isso é preciso ponderar, analisar, medir e planejar não só para decidir
o lugar e o prazo, mas para evitar más conseqüências. O sonho é
vontade, desejo e intenção, ao mesmo tempo, numa compreensão bem ampla e
abrangente, sem fixação de lugar e prazo para a sua realização. E
se manifesta através da conexão ao correspondente psíquico fundamental que
dirige e controla o movimento de reação, ação e atuação do indivíduo no passo
do reequilíbrio orgânico e do triunfo. A vontade liga os reflexos
psíquicos e físicos. O desejo aciona o conhecimento. A intenção
concentra o pensamento. E o sonho liga, aciona e concentra a reflexão
para uma compreensão plena.
Em
suma, o pensamento, a idéia, o senso e a razão produzem a intenção nos
terceiros momentos e se reproduzem por meio dela. O conhecimento, o saber, a
vivência e o sentimento aprimoram o desejo nos segundos momentos e se
incrementam em função dele. A boa sensação, a emoção, motilidade, reflexo e o
impulso despertam a vontade nos primeiros momentos e se aprimoram por meio
dela. E a compreensão, o bom juízo e a auto-estima fazem o sonho do desfrute, o
sentido e a razão de ocupar-se de viver com vontade, desejo e intenção.
É
bom lembrar que por trás de qualquer idéia estão atuantes as necessidades
individuais ou coletivas, ainda não resolvidas de maneira satisfatória.
Logo,
intui-se que a intenção é o sinal verde para a uma atividade que vai cuidar de
satisfazer desejos e saciar vontades.
O
reforço alimenta a vontade. A motivação desperta o desejo. O interesse acende a
intenção. A disposição mantém firmes os desígnios ou o sonho os quais dão
sentido à vontade, ao desejo e à intenção associando-os, respectivamente, à
opção, determinação, decisão e deliberação.
Observe
o esquema de distinção da vontade, desejo, intenção e sonho:
|
VONTADE |
reforço |
reforçadores |
reação |
REFLEXOS |
|
DESEJO |
motivação |
motivadores |
ação |
CONHECIMENTO |
|
INTENÇÃO |
interesse |
interessantes |
atuação |
PENSAMENTO |
|
SONHO |
disposição |
Interativos
* |
triunfo sensato |
COMPREENSÃO |
(*) Também
chamados estímulos integradores.
A
intenção, por conseguinte, é faculdade do pensamento que expressa aquela
tendência de resolver a vontade e o desejo e a situação de necessidade quer
premente ou tempestiva, quer regular ou contínua, cuidando de buscar uma
decisão acertada para a remoção do obstáculo e solução do impasse.
Interesse
¾
tendência centrada no indivíduo ou no coletivo que procura concentrar
recursos ou empenhar-se no meio de uma atividade em curso para obter e
desfrutar determinadas vantagens, ou para defender-se da conseqüência do que
lhe é prejudicial, independentemente do reforço ou da motivação. Mas estes dois
fatores podem despertar o interesse diante de qualquer necessidade constante.
No interesse, a vantagem perseguida é na forma intencional, premeditada,
proposital e consciente, pelo lado do menor custo, investimento e esforço
físico. E o tempo ou a duração do interesse e a sua tenacidade persecutória são
medidos pelo tamanho do benefício ou compensação, até o limite da tolerância de
expectativa para o seu desfrute.
Podemos, então, dizer que a vantagem, a compensação, o
lucro, a recompensa, a conveniência, benefício e o resultado positivo são estímulos
interessantes, porquanto a sua posse, domínio e poder ajudam a superar as
necessidades constantes, podendo consumar o sonho, resolver a intenção,
satisfazer o desejo e saciar a vontade.
Os estímulos interessantes se associam aos estímulos
reforçadores e motivadores
harmonizando-se pelos estímulos interativos ou integradores e se distinguem
segundo os seus momentos relativos.
Quando o interesse visa certas vantagens em detrimento
alheio pode suscitar o interesse coletivo. O interesse da coletividade é o que
sustenta e prima pelo benefício comum. Na universalidade da vontade, do desejo
e da intenção prevalece o interesse coletivo sobre o privado ou particular.
Quando o gozo da vantagem particular está em função do
detrimento de uma coletividade vai atingir e ferir o interesse legítimo maior.
Os recursos predominantes do interesse são a intuição, o
bom senso, a idéia, o pensamento com as suas faculdades, a concentração
imaginativa, a intenção e a razão, mais o concurso de fatores como impulsos,
reflexos e perspicácia, a experiência, o saber e o conhecimento acumulado,
associados à sagacidade, à esperteza e à astúcia e a outros pertinentes aos
primeiros e segundos momentos tanto biográficos como históricos.
Interesse,
por conseguinte, é a intenção sagaz, contínua ou regular de prosseguir dentro
de uma atividade ou processo sempre com o propósito de atuar em função da
vantagem perseguida cujo bom êxito pode resolver de vez as vontades e os
desejos.
O
interesse é despertado e conservado ou mantido pelo estímulo que provoca uma
necessidade constante.
Há
também a manifestação do interesse quando o atendimento ou a saciação de uma
necessidade é insuficiente ou demorada.
Em
síntese, o interesse é ativado, mantido e perpetuado em situações que
proporcionam vantagens sucessivas.
Dado
o caráter sucessivo e perseverante que se observa tanto no interesse individual
como no coletivo, o fator interesse classifica-se como próprio dos
terceiros momentos biográficos e históricos, respectivamente.
Decisão ¾ ato intencional, por interesse, que define
um objetivo e o método, ou o seu meio eficaz de obtê-lo. A decisão é atributo e
faculdade do pensamento que dá firmeza à escolha difícil e à determinação
incerta, duvidosa ou temerária. A decisão pode ser resultado da boa ou da má
intenção de conformidade com o teor de interesse ético. A decisão é pertinente
aos terceiros momentos biográficos. É apropriada para a solução de impasses ou
problemas, quando não há respostas nem por opção e nem por determinação.
Usa
os recursos apropriados além do conhecimento tido por certo, da idéia, do
pensamento objetivo, subjetivo, mítico e das suas faculdades.
Não
se deve confundir decisão com determinação por paixão. Não existe decisão por paixão.
A
decisão, assim como a intenção, é exclusivamente racional.
O
ato implementado de cunho emocional ou sentimental (paixão) não provém de
decisão, mas de determinação tendenciosa, dogma, norma ou de escolha emotiva,
vontade, desejo ou opção por preferência. Contudo, há a decisão por interesse
particular que é calculista, inescrupulosa e fria, doa a quem doer. Como fere a
boa ética, não se recomenda.
As
decisões não implicam as emoções e nem os sentimentos. Estes compõem o grupo
das paixões que subsidiam a escolha e a determinação tendenciosa. Mas é o senso
positivo e o bom juízo que podem definir uma decisão saudável e acertada.
Desígnio. Sonho. ¾ O que há de comum entre o
desígnio e o sonho? Ambos provocam os nossos interesses e os mantêm acesos.
E
o que faz o interesse?
O
interesse provoca a ação, a reação e a atuação para o movimento interativo com
perseverança em busca de vantagem rumo ao triunfo sensato.
Eis
porquanto, esse denominador comum que é o plano, o projeto e o ideal que
sonhamos, o qual criamos e perseguimos veementemente para que se torne
realidade, é que integralizam a vontade, o desejo e a intenção.
Sem
o sonho da realidade buscada com veemência pelo objetivo, missão, projeto,
planejamento e consciência do seu significado, a ocupação de viver ficaria sem
sentido, assim como também nada teria sentido sem a vontade, sem o desejo e sem
a intenção. E repita-se, o deleite do triunfo sensato é o que dá o sabor do
sentido da vida.
Disposição ¾ é um estado de equilíbrio
físico e psíquico pronto para servir ou para interagir, com energia, vontade,
desejo e intenção.
Diz-se
boa ou saudável quando mantém integrados o reforço, a motivação e o interesse.
A
boa disposição física e psíquica é dada pela saúde do corpo e da mente que
aprimora os estados de alerta, prontidão e atenção para a observação
dando condições ideais para a interação imediata.
Deliberação ¾ é o ato de deliberar que significa examinar, analisar e discutir
intersubjetivamente no objetivo de resolver um assunto, problema ou impasse. A
deliberação também ocorre intrasubjetivamente.
Requerendo uma solução necessária, a deliberação vai
implicar na escolha, na determinação e na decisão do melhor caminho a seguir
dentre os selecionados e implementá-lo.
A
escolha implica em gosto e preferência. E estes causam a alegria, o prazer e a
calma quando se sacia, ou vai saciar-se logo, com o escolhido.
A
determinação envolve o poder e a segurança. E estes motivam o entusiasmo, a
coragem e a tolerância, principalmente, quando há convicção de que se satisfará
com o determinado.
A
decisão implica na conveniência e no resultado positivo. E estes produzem e
reproduzem a boa disposição, a perseverança e a paciência quando se tem a
solução certa do que decidiu.
Logo,
a posição deliberada dita boa deve atender à preferência, ao gosto, ao poder de
execução com margem de segurança e à conveniência pelos recursos disponíveis e
pela probabilidade de sucesso com predição das condições do controle de
imprevistos.
Quando
há bastantes pessoas que defendem diferentes posições ou soluções possíveis
para deliberar, pode-se pôr em votação a seleção das classes e séries de
possibilidades para definir o implemento da eleita por maioria de votos.
Neste
passo, haverá expositores de motivos e suas conseqüências, de razões e seus
resultados e de causas e seus efeitos. Cada qual efetuará comparações e dirá
porque o que defende é a melhor opção.
Em
situações semelhantes é preciso trabalhar na imediata obtenção do acordo na
controvérsia das causas. Buscar a conciliação quando há divergência de motivos.
Conseguir o consenso quando há confusões de opiniões, razões, argumentos e
idéias ou desentendimentos. Tudo isso, para amparar o benefício das partes e do
todo em função da deliberação, sem detrimentos, com consciência geral.
Já
se pode intuir que a deliberação funciona integralizando os três momentos
básicos históricos nas relações interpessoais. E, os biográficos, nas
intrapsíquicas.
Bom
lembrar que é histórico quando o interesse é coletivo, e é biográfico, quando
pessoal.
Nas
deliberações intrapsíquicas, refere-se ao ajustamento entre os três estados
psíquicos fundamentais.
Primeiro,
gostar do que vai escolher. Ter vontade e querer.
Segundo,
permitir-se usufruir o que vai determinar. Desejar e querer.
Terceiro,
convir o que vai decidir. Ter intenção e querer.
Deliberar
porque quer, realmente, o que ao mesmo tempo escolheu, determinou e decidiu.
A
deliberação é uma posição de quarto momento.
Observe-se
que a posição de quarto momento pode ser adotada desde os primeiros momentos
passando pelos demais.
[34] BOA ALIMENTAÇÃO.
Veja apêndice na página 161. Como a saúde é o que mais importa e é conseguida
por meio da alimentação adequada, dedicamos um capítulo no final da presente
obra com uma série de alimentos saudáveis caracterizando-os com elementos
nutritivos com seu teor em vitaminas, sais minerais, calorias, proteínas,
carboidratos e gorduras.
[35] Auto-estima. É o dar-se conta de que você é a pessoa mais
importante do Universo. Não há, para você, pessoa mais importante neste
mundo. Muitas pessoas podem ser boas ou melhores em muitas coisas, mas não há
ninguém mais importante do que você em todo o mundo. Cada um deve considerar-se
como o mais importante. E, é. ¾ Por quê? ¾ Porque cada um, para si
mesmo, em si e por si só, é o único que pode considerar e qualificar a
existência de Deus, das coisas e das pessoas, querendo, enquanto se dar conta
de que a existência da própria consciência, mesmo que tomada por lapso de
alguns segundos, é que se faz conceber ou persistir a si e tudo que lhe é
exterior. Imagine-se, por um instante, que você não existe, ou o que é o mundo
e a vida, sem você, isto é, você sem memória, sem lembrança, sem consciência e
dormindo para sempre sem sonhos, nada. As coisas e as pessoas só existem porque
você as pode conceber, percebê-las, senti-las e intuí-las. Você não é causa da
existência do que lhe é exterior mas sem você as coisas simplesmente deixam de
existir embora permaneçam para os demais seres. E para que os seres viventes
possam se dar conta de você e da sua existência como pessoa e viva, é preciso
que haja a sua aproximação, o seu contato ou o encontro amigável. É preciso,
então, dar-se conta da necessidade da unidade da relação interpessoal ou
intersubjetiva que começa e se alimenta sempre com um: “Oi, como está você?”.
Parodiando René Descartes, isto significa: ¾ “Eu penso em você, logo
você existe para mim”. Não se pode e nem deverá confundir perseverança com
insistência que incomoda ou impertinência. Portanto, seja gentil, polido e
protetor. “Você existe para mim” é o mesmo que “gosto de você”.
As pessoas que cultivam a auto-estima, em nível superior, têm o apuro do
discernimento e optam pelo bem maior, aquele que é bom para si, para as partes
e para o todo, da maneira simultânea, sem quaisquer detrimentos em qualquer
momento ou época. Com isso, encher-se-ão, paulatinamente, os cofres de seus
cérebros com os tesouros constituídos pelos conhecimentos apurados, informações
e dados corretos. E também, de pouco em pouco, usar o saber do mundo, não
deixando espaços para as banalidades e para as incompreensões, geradoras da
ignorância, da inépcia e das manifestações de índoles perversas. Se a pessoa
portadora do mal, sair-se dele por si própria, Deus se verá feliz por seu
espírito se evoluir um pouco mais. Não é a importância que você dá a si,
enquanto ser ou viver, que o afasta dos perigos, das ameaças, da dor e do modo
de viver perigosamente? ¾ Não é a importância por
você dedicada a si mesmo que conserva e prorroga a sua vida saudável, com
consciência, e cada vez mais feliz, o mais possível? Não
há porquanto se preocupar, então, apegando-se à idéia da vida após a morte por
apenas poder perceber a morte após a vida e não se conformar com isso. O que
vale mesmo é a importância da vida que há em você, aqui e agora, reconhecida
por você mesmo para desfrutá-la com sensatez, haja ou não uma forma de
continuação com a morte do corpo que virá por certo, se ainda você tem dúvidas
quanto à imortalidade espiritual. O que se pensa perder ou ter perdido pode
recompensar-se, em dobro, exceto a perda da consciência de ocupar-se de viver
agora. Essa consciência só é consistente pela vida saudável com a auto-estima
em alto nível. Contudo, as lições do passado se aproveitam para o viver melhor
agora, sem repetir aqueles erros cometidos, implementando as ações, reações,
atuações e interações voltadas à visão do seu grande objetivo exeqüível dentro
da sua missão maior. A elevada auto-estima observa os seus dez princípios que
são:
q
Importar-se
consigo mesmo.
q
Amar
ao outro como a si próprio.
q
Considerar-se
a pessoa mais importante do universo.
q
Cuidar
do que é importante.
q
Dar
chance para si estando presente no acontecimento útil.
q
Sentir-se
radiante e feliz ao interpelar ou ser interpelado com um “oi”.
q
Aprimorar-se
para ser útil, raro e necessário.
q
Estar
disposto e pronto para a ocasião certa, no lugar certo.
q
Perseverar
para ser o melhor, com juízo, no que gosta e quer fazer.
q
Confiar
em Deus.
1.
Importar-se consigo mesmo. A cada dia basta o seu
cuidado. Estar disposto, alimentar-se com sabedoria, assear-se, estar bem
consigo mesmo. Mostrar a serenidade e a firmeza sem mentir e atuar com
equanimidade.
2.
Amar ao outro como a si próprio. Este é o princípio da boa
relação social. Adotar a linha do bem. Não subestimar e nem superestimar o
outro querendo desqualificá-lo ou agradá-lo. Saber respeitar com
autodisciplina, perdoar e transigir. É preciso converter os poucos inimigos que
ainda restam para que se permitam aliar-se às nossas causas, tornando-os
amigáveis. Porquanto, ainda, ninguém faz nada a favor de seu inimigo, só
pensando em destruí-lo. Bom é não ter inimigos, invejosos e ciumentos. Pense
nisso. Amar o inimigo é, no mínimo, pensar em torná-lo amigo, espontânea e
incondicionalmente.
3.
Considerar-se a pessoa mais importante do universo. Tornar-se importante é ser
digno de si. Merecer-se. Dar para si próprio o que acha merecido. O que você
pode dar para sua amada se nem a si nada pode oferecer?
4.
Cuidar do que é importante. Importa-se saber priorizar.
Colocar os afazeres do dia na ordem de importância. Fazer hoje o que é de hoje.
Não se preocupar com o que deixou para amanhã. O estresse é um grande inimigo
da nossa saúde. Cuide-se, portanto.
5.
Dar chance para si estando presente no acontecimento útil. O que pode impedir você de
comparecer em um evento importante? É preciso que se esgotem todas as
possibilidades para não se dar uma chance para presenciar um acontecimento
útil. É preciso aumentar a probabilidade dentro das possibilidades.
6.
Sentir-se radiante e feliz ao interpelar ou ser interpelado com
um “oi”.
A boa relação social precisa ser alimentada para não cair no esquecimento e
desligar-se da nossa rede. Cada boa relação social nossa está ligada
diretamente ao nosso nó. Todas as pessoas têm a sua rede própria. Uma desatada
dessa pode dar reação em cadeia e vermos diminuída a extensão da nossa rede
social. Fortaleça o seu nó com um “oi” de cada dia.
7.
Aprimorar-se para ser útil, raro e necessário. Todas as pessoas bem
sucedidas na vida têm algo em comum. Entram fundo no que gostam e treinam todo
o tempo. As suas relações sociais têm afinidades com o que fazem. Alcançam a
raridade e por isso são demasiadamente requisitadas.
8.
Estar disposto e pronto para a ocasião certa, no lugar certo. O zelo, a prudência, a
perícia e a prestimosidade são os recursos que não podem ser deixados de lado
para haver o benefício e o prestígio decorrente do aproveitamento de uma
oportunidade. Porquanto, são tais fatores que conduzem a pessoa para estar
presente na ocasião certa e no lugar certo com disposição e preparado para
receber e aproveitar uma grande oportunidade daquelas que se dizem que só
ocorrem uma vez na vida.
9.
Perseverar para ser o melhor, com juízo, no que gosta e quer
fazer.
A perseverança é uma grande qualidade apropriada para se alcançar o triunfo. O
juízo faz evitar os excessos que vêm prejudicar a saúde. Fazer o que gosta é um
divertimento. Ter isso tudo como o ganha pão é unir o útil ao agradável. Ser o
melhor naquilo que gosta e quer fazer é muito mais fácil do que fazer o que não
gosta e não quer. O melhor em qualquer coisa é sempre muito mais apreciado,
valorizado e requisitado. O que é raro é bem pago.
10.
Confiar em Deus. Se você não confiar em Deus, não poderá ter
confiança em si. Para alcançar a auto-estima em alto nível é preciso muita
autoconfiança. Pela autoconfiança você poderá confiar nas pessoas de sua rede
de relações sociais. Para que todos possam ter confiança em você para um “oi”
de cada dia é preciso ter fé em Deus.
Cumpre,
então, gostar de si, achar qualidades, valorizar-se, ter calma, sorrir e
descobrir logo do que realmente gosta e quer fazer. Sentir-se bem em fazê-lo.
Também, sentir-se mal quando não se está podendo fazê-lo. Implementar o seu
projeto adequado com eficaz método. Entrar nele e deixar a coisa rolar ocupando-se
de viver, com consciência. Lembre-se do adágio: ¾ “Água mole em pedra
dura, tanto bate até que fura” ¾ ou ainda, “A galinha, de
grão em grão, enche o papo”.
35-1 Produção das ferramentas úteis e necessárias, em
níveis de momentos biográficos e históricos apropriados.
Trata-se
de investigar os determinados elementos, acertadamente; fatores, lugares-comuns
e recursos essenciais e necessários para a solução do impasse que começa
importunar o agente ou paciente. Isto se faz através de análises e estudos
introspectivos bem como pela captação de dados, informações, técnicas,
conhecimentos e auxílios junto a vários especialistas e técnicos,
intersubjetivamente (reconstruindo momentos biográficos), ao mesmo tempo em que
se pesquisam as respectivas informações históricas do problema identificado,
quer pelo lado familiar e genealógico, quer pelo lado dos casos análogos
ocorridos e resolvidos socialmente (reconstruindo os momentos históricos). Por
exemplo, o sujeito se vê, repentinamente, com o problema de impotência justo na
hora que ele mais precisa se desempenhar. Se ele tem conhecimento e for
especialista nesse assunto, saberá superar muito bem esse impasse e voltará à
sua forma normal e saudável muito
rapidamente. Caso contrário, não é de se desesperar, ou se preocupar e nem
ficar mais angustiado, porquanto isso tem solução. Em primeiro lugar, com muita
calma, tolerância e paciência retornam-se às preliminares e termina-se a
transação com combinação prévia, arte e artifício pelo menos para a satisfação
da parceira. É preciso se dar conta de que músculos involuntários precisam ser
excitados e a boa concentração objetiva suspende a presença de bloqueio,
autocensura, autocrítica, ansiedade, medo, angústia, depressão, estresse, raiva
e preocupações. A introspecção e a reflexão são realizadas selecionando dados
como dívidas, problemas profissionais e preocupações outras que estão influindo
para a ausência de ereção. Em seguida, consulte um ou mais urologistas que
sabem como resolver esse impasse. A análise introspectiva referida pode ser
além da reflexão, a investigação adequada da palavra-chave que pode estar
representando o fundamento inconsciente do impasse. Essa investigação se faz
com cinco ou seis palavras ligadas ou sugeridas pelo impasse no estilo da associação
de idéias demonstradas por Freud cuja finalidade é a tomada de consciência e
compreensão plena do problema pela totalidade que será tratado através do
procedimento terapêutico adequado. Essa compreensão é conseguida pela análise
das mesmas palavras que se verificam repetidas vezes nas diferentes séries de
associações a partir daquelas primeiras selecionadas. Novas séries são
propostas e sugeridas através das palavras ou expressões mais repetidas, caso
sejam insuficientes para a compreensão buscada. Em geral, a palavra-chave, a
que aparecer mais vezes, mostra o caminho apropriado a ser seguido na
investigação. Esta experiência deve ser acompanhada pelo psicoterapeuta
escolhido para essa finalidade que fará toda a análise para o objetivo do
tratamento. Urge, diante de impasses, achar e usar as ferramentas adequadas
para a sua solução.
(36-a) Ocupar-se de viver. No mundo subjetivo pode-se
voltar e ir ao tempo navegando na nossa vida biográfica e histórica com o
auxílio do nosso banco de memória, reflexão, imaginação e criatividade
dispondo-nos de tudo aquilo que já sabemos e vivenciamos. O nosso mundo
objetivo — realidade externa — é de determinado modo, compreensível. Nele está
o incomensurável universo e só precisamos nos sentir seguros com os pés no chão.
Em quaisquer das suas direções e sentidos — para cima, para baixo, para os
lados — sentimos clara e insofismavelmente a noção de finito, infinito,
infinitésimo e da eternidade. Dessa noção, restringimos um pequeno e
determinado espaço, tempo, velocidade e o movimento no aqui e agora. Onde
estar? Como ser? Quanto ter? O que fazer? Há inúmeras respostas para estas
indagações. Se optarmos por uma delas, surgirão mais questões. Por quê? Para
quê? Quando? Para quem? As respostas destas últimas nos guiarão para dois dos
sentidos da posição existencial em quaisquer de determinados momentos de
necessidade. O sentido da vida e o sentido da morte. Se o sujeito optar para o
sentido da vida, terá de ocupar-se de viver. Caso contrário, estará ocupando-se
de morrer. O que é ocupar-se de viver? — Fazer aqui e agora o que é importante.
O que é importante? — Aquilo que é importante está ligado com a liberdade de
realizar um sonho que seja útil para si e para o seu próximo. A liberdade está
em conexão com o bem-estar, o bem-ser, o bem-ter e o bem-fazer para o benefício
das partes e do todo, ao mesmo tempo. O seu próximo é todo aquele que você crê
que lhe quer bem e o faz quando está necessitado.