CONSCIÊNCIA
PRELIMINAR.
A percepção é uma experiência dotada de significação.
Ela tem o sentido biográfico e histórico. Entretanto, a
percepção é apenas um começo para o se dar conta em alto nível, ou para uma
consciência ampla definida ¾ com
lucidez, visão ou noção através dos diferentes e relevantes paradigmas ¾, digamos, para uma superconsciência.
O processo da consciência de um fenômeno, fato, idéia ou das
suas realidades subjetivas e objetivas, necessariamente, envolve, de início, as
sensações.
A
sensação e a percepção formam toda a consciência
preliminar
de uma experiência no seu contexto individual imediato e predominantemente
subjetivo para atingir a consciência do conhecimento objetivo respectivo.
A fenomenologia de Husserl e a teoria da Gestalt (Psicologia
da Forma) não distinguem a sensação da percepção
considerando-as uma mesma coisa.
Contudo, por questão didática, chamaremos sensação à parte
sensível do organismo com predominância e pertinência ao sistema nervoso, como
por exemplo, o bem-estar, a dor ou o mal-estar. Assim, da mesma forma, temos a sensação de ver,
ouvir, degustar, cheirar, tocar, acariciar, estar sendo tocado, etc. Veja
tópico abaixo٭٭.
Chamaremos percepção à parte
psíquica que traduz essas sensações, por exemplo, a consciência dessa situação
desagradável ou agradável. Assim, podemos ter a sensação de dor no braço, na perna ou em
alguma outra parte do corpo e só ter a sua percepção autêntica quando
obtivermos a noção exata de toda a sua extensão e a sua compreensão plena, ou a
consciência do que se trata essa dor em sua totalidade (possibilidade imediata
de cuidar e tratar a causa, motivo, razão, efeito, conseqüência, resultado,
história, etc.).
Quando o anestésico elimina a
dor, a sensação de dor
não é mais percebida. Mas,
resta a consciência
perceptiva desse cenário que prevê a volta da sensação de dor findo o
efeito anestésico.
De outro modo, pode-se ver, degustar, ouvir, cheirar, sentir
algo ¾ ou ter uma sensação
agradável de alguma coisa, quer pelo sentido da visão, paladar, audição,
olfato, tato, quer pela intuição, sonho, fantasia, lembrança, recordação ou
devaneio ¾, porém, tão-só termos a percepção
da conexão dessa coisa com a sensação boa que ela proporcionou ou
proporciona quando a situarmos em seu contexto integral pela sua noção global
ou consciência disso (Megaconsciência ¾ Saburo Okada).
Daí percebermos tratar-se de um círculo a superfície
de uma mesa redonda quando, na verdade, numa posição superior e longitudinal
temos a
sensação de estarmos vendo uma
elipse.
Percebemos círculo na sensação de elipse porque temos uma
noção anterior e a consciência presente da totalidade do fenômeno mesa no
ambiente no qual se encontra.
Num primeiro momento temos a
sensação de tratar-se de elipse porque a enxergamos assim. Contudo, pela
experiência e noção anterior, a percepção (constatação) de qual figura se trata
é imediata, automática e evidente, fazendo coincidir sensação e percepção ao
mesmo tempo dando possibilidade de ampliar a consciência desse fenômeno à
medida que se necessite de respostas a quaisquer indagações relativas. A
consciência de círculo se tem pela percepção[1],
identificação[2],
interpretação[3] e
entendimento[4], bastando
enxergá-la de cima para baixo, ou pela análise ou por confronto experimental
através de um compasso quando houver necessidade de precisão.
A
partir da conexão estímulos
« sensações « banco da memória seguem a percepção, a
identificação, a interpretação e entendimento da autêntica e essencial natureza
dessa conexão com a respectiva finalidade da situação real relativa, pela sua totalidade.
A conexão estímulo«sensação
incorporada pode dar, de modo habitual, a resposta automática correspondente.
Somente quando esta não resolver o impasse, é que a percepção, a identificação,
a interpretação e o entendimento veraz se fazem necessários para a solução do
problema decorrente.
Síntese da noção global
dessa conexão com relação aos seus quatro momentos:
|
PRIMEIRO MOMENTO |
SEGUNDO MOMENTO |
TERCEIRO
MOMENTO
|
QUARTO MOMENTO |
|
encontro
com a novidade |
mudança
na descoberta |
idealização
inovatória |
originalidade
inventiva |
|
descoberta |
inovação |
invenção |
criatividade |
|
iminências
→ premências |
privações
→ toleráveis |
carências
→ passíveis |
Necessidades
- priorizações: |
|
(imediatas) |
(tempestivas) |
(regulares) |
(integradas) |
|
FENÔMENO |
FATO |
IDÉIA |
REALIDADE ٭ |
|
Estímulo
presente |
Estímulo
adiante ¹ |
Estímulo
constante |
Alarmes → SENSAÇÕES٭٭ |
|
REFORÇADORES |
MOTIVADORES |
INTERESSANTES |
INTEGRADORES ² |
|
alerta |
prontidão |
atenção |
observação |
|
PERCEPÇÃO |
IDENTIFICAÇÃO
|
INTERPRETAÇÃO
|
ENTENDIMENTO
|
|
reflexos |
conhecimento
|
pensamento
|
compreensão
|
|
Escolha (opção) |
determinação
|
decisão
|
deliberação
|
EMOÇÕES
|
SENTIMENTOS
|
SENSOS
|
JUÍZOS
|
|
REAÇÕES |
AÇÕES |
ATUAÇÕES |
INTERAÇÕES
→ TRIUNFO |
(1) O
estímulo adiante tanto pode estar no
futuro quanto no pretérito, subjetiva ou objetivamente, ausente, longe,
ou perto e presente mas não premente e urgente, nem intempestivo, perigoso ou
fatal. (2) Os integradores são
estímulos que geram uma situação de prioridade de resposta (com disposição
física e psíquica) cuja importância e implemento é resolvido por deliberação
unânime entre a escolha, determinação e decisão. Os estímulos reforçadores, os
estímulos motivadores e os estímulos interessantes podem ser integrados para um
único objetivo ou missão. Os reforçadores, os motivadores e os interessantes
podem ser positivos quando sua presença ou apresentação aumenta a freqüência de
resposta e são negativos quando a sua ausência ou retirada mantém ou aumenta a
freqüência de resposta, quer automaticamente ou não, quer voluntária e
intencionalmente ou não.
٭ Cumpre
lembrar que há duas realidades. O subjeto que é o mundo da realidade subjetiva
vista de fora para dentro**; e, o objeto que é
próprio do mundo da realidade objetiva. Podendo
cada sujeito ser objeto de si mesmo e de outros.
Embora
as formas e conteúdos da realidade objetiva, num dado momento, se
mantenham ou permaneçam invariáveis para todos os sujeitos presentes, cada qual
assimilará essas formas e conteúdos da maneira própria e particular, qualquer
que seja o fenômeno, fato, idéia e estímulo, dando origem aos distintos pontos
de vista sobre um mesmo assunto. Visto que o
mundo da realidade subjetiva está dentro do indivíduo que propende a se
estruturar e se organizar assimilando, acomodando, consolidando, desfrutando e
reproduzindo o que lhe oferecem as suas sensações, emoções, sentimentos, sensos* e juízos
que são diferentes uns dos outros. Essas diferenças resultam à
medida do acúmulo das incontáveis e diversificadas vivências, experiências e
interações com o meio ambiente que cada um obtém ao longo da vida, a seu modo
específico, quer enquanto criança, adulto, maduro, velho quer como portador de
outras variáveis seja na situação econômica, sexo, estado civil, etnia,
descendência, cultura, talento, profissão, oportunidade, na saúde, ou na dor,
etc.
Esse mundo
interno processa, opera e interage com os recursos ou subsídios da percepção,
da identificação ou reconhecimento, da interpretação e do entendimento através
dos signos, símbolos, indícios, vestígios, significações, linguagens,
informações, imagens, sinais, expressões corporais, dados e representações da
realidade objetiva.
Desenvolve-se
incrementando o conjunto das memórias, dos reflexos*, das experiências, saberes e conhecimentos;
e, se constrói, reconstrói ou se atualiza consolidando os pensamentos,
raciocínios, as idéias, os ideais, as reflexões, imaginações, compreensões e
das consciências diante do espantoso, formidável e complexo mundo da realidade
objetiva que o acolhe e o sustenta.
Não obstante as incomensuráveis
divergências que apresentam todos os sujeitos do conhecimento entre si, ainda
que as suas comuns semelhanças os façam distinguir dos outros seres vivos, há
um acervo enorme de conhecimentos úteis consolidados pela sociedade que não se
pode prescindi-los nas suas reais oportunidades e circunstâncias necessárias.
Daí, o aproveitamento ideal da sabedoria humana e dos seus
conhecimentos novos exige uma ampla abertura para o seu uso imediato e
disponibilidade incondicional para quaisquer pessoas ou grupos sociais segundo
suas necessidades ou desejos. Urge-se, então, dispô-los para a eficácia da
aprendizagem, compreensão geral, uso e desfrute. Eis porquanto, em se reduzindo
a quase nada ou diminuindo as extensões das divergências aumentarão as
compreensões para os imprescindíveis acordos, conciliações, consensos e pactos.
A conseqüência será a
universalização da facilidade do bem-fazer, gostando e querendo, tendo a
humanidade como um todo a sua razão de existir com um sentido de vida em nível
ótimo.
A realidade objetiva está fora do indivíduo envolvendo-o e
são as coisas, os alimentos, o ar, a luz, o solo, os objetos de sua extensão
próxima, a paisagem e seu conteúdo, as pessoas, animais, plantas, compostos
orgânicos e inorgânicos, o universo, etc. que interagem com ele compondo os
fenômenos, os fatos, as idéias alheias, os saberes do mundo, o meio ambiente e
a sua história.
|
CONSCIÊNCIA |
MEMÓRIAS |
FINALIDADES |
|
DO INCONSCIENTE ® |
LEMBRANÇA |
SENSAÇÃO ® PERCEPÇÃO ® REAÇÃO |
|
DO SUBCONSCIENTE ® |
RECORDAÇÃO |
COGNIÇÃO ® IDENTIFICAÇÃO ® AÇÃO |
|
DO CONSCIENTE ® |
INTROSPECÇÃO |
REPRESENTAÇÃO ® INTERPRETAÇÃO ® ATUAÇÃO |
|
INTEGRATIVA ® |
REFLEXÃO |
NOÇÃO ® ENTENDIMENTO ® INTERAÇÃO - TRIUNFO |
Nessas situações, conforme o entendimento de cada um aliado
ao universo de seus recursos próprios ou disponíveis, através das emoções,
sentimentos, sensos e juízos, os indivíduos reagem, agem, atuam e se interagem
para triunfarem.
|
¯ Situação ® |
¯ Estímulo atuante ® |
¯ Sensação
manifestada ® |
¯ SUBJETO ® |
¯ OBJETO |
|
inconsciente |
lembrança |
percepção |
reflexo |
reação |
|
subconsciente |
recordação |
identificação |
conhecimento |
ação |
|
consciente |
introspecção |
interpretação |
pensamento |
atuação |
|
consciências |
Memórias/reflexão |
entendimento |
compreensão |
triunfo |
Consciência do inconsciente (sensação, lembrança, percepção)
®
Consciência do subconsciente (cognição, recordação, identificação) ® Consciência do
consciente (intelecção,
introspecção, interpretação) ® Consciência .integrativa (noção, reflexão, entendimento) ↔ compreensão ® resposta.
٭٭ SENSAÇÕES.
As sensações comuns como, por exemplo,
as de perigo, inquietude, bem-estar, mal-estar, susto, frio, calor, sabor,
fome, dor, sede e gastura nos levam a uma situação de escolha: ¾ ficar ou ir embora,
enfrentar ou fugir, esquivar-se, conformar-se, não se submeter, procurar ajuda,
deliciar-se, perseguir, etc.
Tem-se por sensação a impressão
causada ou provocada por um estímulo interior ou exterior numa formação
receptora do organismo e levada ao complexo-percepto-memório-intelectivo[5],
que é todo o sistema límbico[6]
(Paul D. Mac Lean) associado às outras formações cerebrais. Está interligado ao
sistema nervoso ― central, periférico e visceral (vegetativo ou autônomo)
― que tem a função de perceber os estímulos, transmiti-los às várias
partes do organismo e efetuar respostas. E, com as glândulas endócrinas
coordenam e integram as funções do todo para que este funcione e opere
harmoniosamente.
Desta maneira, este complexo organiza e
comanda todas as reações, ações, atuações e interações para poder subsistir e
triunfar, buscando escolher, optar, determinar, decidir e deliberar o melhor
com as condições disponíveis e sabidas na situação. E de tal sorte que consiga
depurar ou desenvolver as conexões estímulos « sensações «
consciências
que constituem todo o potencial
da aprendizagem para saber bem o porquê, para quê, para quem, como, quanto,
onde e quando se deve reagir, agir, atuar, representar, esperar, fazer,
conhecer, pensar, raciocinar, compreender e conscientizar-se para o bem
acontecer ou para ocupar-se de viver bem no seu meio ambiente.
Há três classes de
sensações: as viscerais, as somáticas e as psíquicas.
As
sensações viscerais advêm das vísceras e conectam as emoções pelas vias
aferente e eferente.
Em
decorrência, as sensações viscerais são chamadas de aferentes e eferentes.
As sensações
viscerais aferentes são determinadas pelas condições fisiológicas e patológicas
das vísceras (os reflexos viscerais, sensação de contrações uterinas,
dores viscerais por distensão, inflamação, cólica, sensação de plenitude
gástrica, vesical, retal).
As
viscerais eferentes provêm das atividades colinérgicas (acetilcolina ¾
transmissor químico sináptico) e das adrenérgicas (catecolaminas ¾
geram as sensações ortossimpáticas como a palidez, taquicardia, ejaculação,
etc. e as sensações como o rubor, bradicardia, ereção, etc. chamadas de
parassimpáticas).
As reações adrenérgicas por
estímulo das glândulas supra-renais são bem mais intensas do que a ação do
ortossimpático em nível dos efetores. A adrenalina é mais intensa no coração do
que nos vasos, a noradrenalina está muito mais nos vasos do que no coração e
além dessas duas catecolaminas secretadas pelas supra-renais há uma outra
catecolamina, em pequeníssima quantidade, a isopropil-noradrenalina que dilata
os vasos musculares, função contrária a da noradrenalina.
Essas catecolaminas dentre
outros hormônios entram na circulação sangüínea, cada qual com a sua respectiva
função, diante de um estímulo interno ou externo, originando as diversas
sensações com o objetivo de acionar o mecanismo de defesa, de conservação e
proteção, ou o reequilíbrio do organismo.
Desse modo, a adrenalina
com a função de acelerar as batidas do coração, o fluxo sangüíneo aumenta em
velocidade exigindo um empenho maior e mais veloz de todos os demais órgãos.
Consumado esse processo e
atingindo o objetivo, de modo satisfatório ou não, haverá a reposição da
energia gasta.
As sensações somáticas
advêm dos demais lugares do organismo e referem-se aos órgãos dos sentidos e
aos outros, conectando a situação de bem-estar ou mal-estar físicos.
As sensações somáticas
podem ser gerais e especiais.
As sensações gerais são as
mecanoceptivas, as termoceptivas e as nociceptivas.
As sensações mecanoceptivas
são aquelas relativas à detecção de estímulos mecânicos.
As sensações termoceptivas
são as relativas a estímulos térmicos.
As sensações nociceptivas
são as dolorosas.
São chamadas
proprioceptivas aquelas sensações que nos informam sobre a posição de segmentos
do próprio corpo (sensações de estiramento muscular, tendões e ligamentos, pressão
nas plantas dos pés ou palmas das mãos).
As especiais são olfação,
gustação, equilíbrio, audição e visão.
Todas estas sensações,
sejam viscerais sejam somáticas, ao longo das experiências e vivenciamento,
podem trazer ou desenvolver aquilo que chamamos de sensações psíquicas.
As sensações
psíquicas ocorrem nas devidas situações de momentos em conexão com as demais
situações, de acordo com o seguinte quadro:
QUADRO DAS CONEXÕES DOS MOMENTOS NAS SENSAÇÕES
PSÍQUICAS ATUANTES.
M O M E N T O S
|
PRIMEIRO ¾
(RO) |
SEGUNDO ¾
(RO) |
TERCEIRO ¾
(RO) |
QUARTO
¾ (RO) ** |
|
(CONEXÕES) |
(INCONSCIENTE) |
(SUBCONSCIENTE) |
(CONSCIENTE) |
(CONSCIÊNCIAS) |
|
PRIMEIRO ¾
(RS) |
PRESSÁGIO |
PREMONIÇÃO |
ESPECULAÇÃO |
PROFECIA |
|
(REFLEXOS) |
PERCEPÇÃO |
IDENTIFICAÇÃO |
INTERPRETAÇÃO |
ENTENDIMENTO |
|
SEGUNDO ¾
(RS) |
PRESSENTIMENTO |
PREVISÃO |
PREDIÇÃO |
CONTROLE |
|
(CONHECIMENTO) |
DÚVIDA |
CRÍTICA |
CONSIDERAÇÃO |
ACEITAÇÃO |
|
TERCEIRO ¾
(RS) |
INTUIÇÃO LÓGICA
|
INTUIÇÃO
IMAGINATIVA |
INTUIÇÃO HEURÍSTICA |
INFERÊNCIA |
|
(PENSAMENTO E |
CONFRONTO |
ANÁLISE |
SÍNTESE |
IMAGINAÇÃO |
|
SUAS FACULDADES) |
ABDUÇÃO |
INDUÇÃO |
DEDUÇÃO |
CONCLUSÃO |
|
QUARTO ¾
(RS) * |
LEMBRANÇA |
RECORDAÇÃO |
INTROSPECÇÃO |
REFLEXÃO/MEMÓRIAS |
|
(COMPREENSÃO) |
ACOLHIMENTO |
CONVICÇÃO |
EXATIDÃO |
APLICAÇÃO |
* (RS) = Realidade Subjetiva sentida ou sensação
presente ¾ * * (RO) = Realidade Objetiva possível ou estímulo
relativo presente.
No
quadro acima é preciso que se observe cada conexão com o recurso respectivo
para se compreender a integração que ocorre nos quartos momentos quando a
partir das consciências e da compreensão conectam-se na aplicação.
Nas
verticais estão dispostos os momentos da realidade objetiva e nas horizontais
os momentos da realidade subjetiva.
As
sensações psíquicas estão em negrito, em posição de conexão com as suas
realidades subjetivas e objetivas.
Observe
também o grupo das memórias como sensações psíquicas dos quartos
momentos. Temos a lembrança num primeiro momento que é a
memória-inconsciente que fornece subsídios e registros à
consciência-do-inconsciente. Depois, a recordação, vem no segundo
momento, e serve-se da memória-subconsciente que dá subsídios e registros à
consciência-do-subconsciente. A seguir, a introspecção (meditação
introspectiva), no terceiro momento, evoca a memória-consciente para
subsidiar e informar à consciência-do-consciente. E, na conexão do quarto
momento a
reflexão integra as conexões relativas.
Note-se,
também, que para lembrar é preciso que haja o acontecimento relativo vivido e
registrado no banco de memória.
Para
recordar é preciso lembrar de algo significativo do acontecido reunindo todas
as suas partes ou associando as lembranças dos fragmentos e fenômenos até
formar o seu todo.
Para
meditar introspectivamente é preciso recordar fatos vividos de modo inteiro
interligando as posições mais relevantes ou essenciais para apurar os lapsos através
de uma boa análise e síntese introspectiva.
Nas
reflexões integram-se a lembrança, recordação e meditação introspectiva
(introspecção) na busca de parâmetros orientados para o benefício que os
impulsos, as atitudes e as influências se propõem implementá-los e
administrá-los.
Daí, sem a
sensação psíquica das memórias não haverá a plena consciência, o entendimento,
aceitação, compreensão e o acolhimento e nem convicção e exatidão para
aplicação alguma.
Observe-se que as sensações psíquicas são construídas ou desenvolvidas e fortalecidas à medida do crescimento e do acúmulo de experiências de vida.
Neste passo, além dos
conhecidos ou regulares estímulos que provocam determinadas sensações somáticas
e viscerais cujas reações, impulsos e respostas podem ser automáticas, outros —
simples ou complexos — são fatores de alarme para posições de
alerta, prontidão, atenção e observação na tomada de decisões. Circunstâncias
estas podem provocar, com maior ou menor intensidade e freqüência, determinadas
posições de crenças, prognósticos, adivinhações, especulações, intuições,
inferências ou de certezas relativas, expectativas, ansiedades, palpites,
dúvidas, hesitações, etc. dentro do contexto das
principais peculiaridades dos momentos biográficos do quadro
abaixo,
cujos termos estão
definidos ou explicados nas obras do mesmo autor: “TEORIA
DE APRENDIZAGEM: AS CONSCIÊNCIAS DOS SEUS QUATRO MOMENTOS” e “MEGACONSCIÊNCIA”.
|
PRIMEIRO MOMENTO |
SEGUNDO MOMENTO |
TERCEIRO MOMENTO |
QUARTO MOMENTO
|
|
PREMÊNCIA |
TEMPESTIVIDADE |
CONSTÂNCIA |
PRIORIZAÇÃO |
|
Reação |
Ação |
Atuação |
(1) Interação* ® Triunfo |
|
resposta |
execução |
atividade ®
processo |
(2) Interação*
® produção |
|
e m o ç ã o
|
sentimento |
s e n s o |
j u í z o |
|
impulso |
Atitude |
influência |
(3) Interação*
® benefício |
|
Reflexo ®
recurso imediato |
Conhecimento ®
saber |
Pensamento ®
raciocínio |
Compreensão ®
equilíbrio |
|
confronto |
análise |
síntese |
imaginação[1] |
|
arranjo |
permutação |
combinação |
organização |
|
CLASSIFICAÇÃO |
SERIAÇÃO |
SELEÇÃO |
ESTRUTURAÇÃO[2] |
|
Assimilação |
Acomodação |
Consolidação |
Deleite |
|
estática |
dinâmica |
cinemática |
harmônica |
|
vontade |
d
e s e j o |
intenção |
sonho |
|
r
e f o r ç o |
m
o t i v a ç ã o |
i
n t e r e s s e |
d
i s p o s i ç ã o |
|
Escolha ®
opção |
d e t e r m i
n a ç ã o |
d e c i s ã o |
d e l i b e r
a ç ã o |
|
confiança |
credibilidade |
boa-fé |
sinceridade |
|
cumplicidade |
fidelidade |
lealdade |
intimidade[3] |
|
hábito |
costume |
uso |
convivência |
|
comportamento |
conduta |
procedimento |
vivenciamento |
|
ingenuidade |
responsabilidade |
espontaneidade |
disciplina |
|
descoberta |
inovação |
invenção |
criatividade |
|
fenômeno |
fato |
idéia |
realidade |
|
saciação |
satisfação |
solução |
consumação |
|
natural |
cultural |
tecnológico |
civilizacional |
|
acordo |
conciliação |
consenso |
pacto |
|
bem-estar |
bem-ser |
bem-ter |
bem-fazer |
* Interação:
(1) recurso genérico. (2) recurso individual. (3) recurso sociocultural.
As sensações psíquicas
referem-se às impressões complexas causadas por estímulos também complexos
recebidas nos três estados psicológicos atuantes.
Essas impressões, de forma
habitual, geram questionamentos, inquietações, indagações, preocupações, hesitações,
interrogatórios, confiança, insegurança, ceticismos, dúvidas, incertezas,
indecisões, formulações, desconfianças, suspeitas, perplexidades, irresoluções,
críticas e também afirmações, que em sua maior parte resultam em adivinhações,
palpites, opiniões, cismas, superstições, crenças e fé.
Mediante um estímulo qualquer seja
este uma ocorrência, um sinal, indício, vestígio, rastro, sonho, alarme,
circunstância, aparição, advertência, acidente, imprevisto, coincidência,
comunicado, grito, som, incidente, fenômeno, fato, idéia, etc. as sensações
psíquicas surgem de conformidade com a conexão harmônica dos diversos momentos
das realidades subjetiva e objetiva.
Elas se desenvolvem à medida do
crescimento, da vivência, do acúmulo de experiências, conhecimentos e da
necessidade constante do raciocínio. Assim, temos:
REALIDADE
OBJETIVA (emissora de estímulos para):
Presságio,
pressentimento, intuição lógica, lembrança — Primeiro momento.
Premonição,
previsão, intuição imaginativa, recordação — Segundo momento.
Especulação,
predição, intuição heurística, introspecção —Terceiro momento.
Profecia, controle,
inferência, reflexão — Quarto momento.
REALIDADE
SUBJETIVA (receptora de sensações de):
Presságio,
premonição, especulação e profecia — Primeiro momento.
Pressentimento,
previsão, predição e controle — Segundo momento.
Intuições: lógica,
imaginativa, heurística e inferência — Terceiro momento.
Lembrança,
recordação, introspecção e reflexão —
Quarto momento.
Na
consciência-do-inconsciente temos os presságios, as premonições, as
especulações e as profecias, cujas afirmações são ricas de argumentos ou
explicações não parcimoniosas cujas justificativas não são nada empíricas e sem
a expressão do determinismo probabilístico, sob os parâmetros científicos.
O presságio é uma
sensação psíquica dada por meio da percepção de um fato ou sinal real e
concreto presente que sugere o prenúncio de bom acontecimento, boa sorte ou
revés para um futuro próximo ou logo adiante. Acontecendo ou não, o prenunciado
é logo esquecido, eis porquanto não passa de uma situação de primeiro momento
(conexão RS ↔ RO).
Em persistindo uma
preocupação conseqüente é indício de sua conexão com fatores dos demais
momentos.
Por exemplo, quando se ouve
alguém dizer: — estou com uma sensação estranha, não sei o que é, mas sei
que algo de muito extraordinário irá acontecer comigo logo, logo.
A premonição é uma
sensação psíquica no aqui e agora dada por meio da identificação subjetiva dos
sonhos ou visões imaginárias como advertência que induz o indivíduo à crença da
ocorrência tempestiva de um determinado acontecimento.
Assim como o presságio, a
premonição ocorre no primeiro momento (RS), mas em conexão com o segundo
momento (RO) e por ser tempestivo logo se esquece, só vindo à consciência
respectiva caso venha a ocorrer por mera coincidência, acaso ou não.
Por exemplo, quando alguém
diz: — hoje eu sonhei que caiu um dente da minha boca. Mas, que
sensação esquisita! Sinto até que alguém da minha família vai morrer.
A especulação é a
sensação psíquica, no aqui e agora, que surge pela interpretação subjetiva
de fatos e indícios presentes fornecidos pelas oscilações dos fatores de uma
certa movimentação, fortalecendo determinado palpite ou dando início a
uma seqüência de buscas de vestígios e sinais para saciar uma curiosidade
nascente respectiva. É do primeiro momento (RS) conectada ao terceiro (RO) uma
vez que se desenvolve por uma atuação consciente e perseverante.
Como exemplo, quem está
acostumado a especular na bolsa de valores sempre tem um bom palpite, ou seja,
quando a sensação de altos lucros está presente ele logo investe em determinado
papel.
A profecia é uma
sensação psíquica de primeiro momento (RS) em conexão com o quarto (RO) e que
resulta da integração das três situações anteriores.
Há uma variedade de exemplos
proféticos, principalmente, dos experientes especialistas em seus ramos de
negócios, pois, têm necessidade de prognosticar bons resultados para o futuro
de suas empresas.
Nessa ocasião experimentam
uma sensação mista de breve inquietude, leve arrepio, calor e ânsia, seguidos
de confiança, expectativa, certeza, controle, ou de bem-estar.
Dado que as situações de
primeiro momento se enfrentam de maneira imediata, essas sensações psíquicas
não passam do alerta, no aqui e agora, não provocando preocupações ou
inquietações tal como as motivadas pelas sensações psíquicas dos segundos
momentos.
Em ocorrendo os fatos
preconcebidos, sejam por mera coincidência ou não, não há para eles uma
justificativa aceitável ou uma explicação parcimoniosa sob o ângulo do
pensamento objetivo.
As sensações psíquicas dos
segundos momentos surgem na consciência-do-subconsciente. Elas são identificadas ou logo reconhecidas. E são chamadas de
pressentimentos, previsões, predições e controles. Os seus pressupostos são
particulares, relativos e circunstanciais exigindo dados e fatores básicos que
aumentem a probabilidade de acerto.
As afirmações decorrentes
das sensações psíquicas, nesta circunstância, relacionam-se com experiências e
conhecimentos anteriores.
Em
conseqüência, com facilidade podem levar as pessoas à crença infundada
motivando-as às ocupações precipitadas ou podendo levá-las às frustrações,
decepções, erros e sofrimento psíquico causado pelas preocupações
persecutórias. A crença infundada que gera o inconformismo vingativo é causa ou
motivo de grandes distúrbios emocionais.
Daí, há forte tendência das
patologias psicossomáticas se instalar em organismo que se torna débil em razão
dos desvios de energias biológicas com o aumento das tensões emocionais
decorrentes.
As falhas nesse sentido provêm das
generalizações ou de abduções ilógicas e das analogias sem fundamentos
autênticos, ou de associações e comparações entre fragmentos tomados como
inteiros estabelecendo-se as confusões.
Neste caso, os estímulos presentes
ou atuantes nos dão conta de que algo muito semelhante está preste a acontecer.
No plano físico, fora das
relações sociais, por exemplo, as trovoadas ou as nuvens carregadas são sinais
ou indícios de uma precipitação atmosférica para breve. As possibilidades e as
probabilidades de acerto têm correspondido, mais ou menos, com o esperado.
O pressentimento é uma
sensação psíquica que ocorre apropriadamente no segundo momento (RS) pela
presença dos estímulos associados ao que se teme ou ao que se deseja que
aconteça. Logo, está em conexão com o primeiro momento (RO).
Eis porquanto, ainda que
não ocorra o esperado, tão-somente pelos seus estímulos associados começa-se a
sentir e experimentar, previamente, as reações ou ações como se já o estivesse
acontecendo. É um dos motivadores principais das preocupações e inquietações.
A dúvida emocional ou,
principalmente, a racional pode questionar a crença na situação gerada pelo
pressentimento.
A previsão é a sensação
psíquica reconhecida ou obtida na conexão dos segundos momentos das realidades
subjetiva e objetiva pela visualização antecipada de uma conseqüência
geralmente boa ou prudente, embora se faça previsão das más conseqüências.
Decorrem as previsões dos indícios
ou sinais já sabidos e identificados, ou do conhecimento das variáveis e dos
motivos que levam à sua ocorrência, num determinado prazo, com ótima margem de
acerto. Geralmente a crítica acompanha a previsão para conciliar os excessos de
cuidados e de preocupação a serem tomados.
A previsão se associa à sensação de
certeza. Contudo, o futuro é incerto por melhor que seja uma previsão. Por
isso, foi necessário desenvolver métodos científicos de previsão para que se
pudesse prever eventos futuros com menor margem de erro. Assim, as previsões de
tempo ou de aproximação de certos cometas, eclipses, ou a de ocorrências de
terremotos, maremotos, tempestades, tufões, ciclones, erupções vulcânicas,
surtos epidêmicos e assemelhados tem dado tempo suficiente para a prevenção
contra danos maiores decorrentes desses eventos que acabam por chegar mais ou
menos no tempo previsto.
A predição
é a sensação psíquica do segundo momento (RS) que ocorre em conexão com certas
situações regulares do terceiro momento (RO) que se experimenta pela
consideração com as dúvidas do pressentimento e com as críticas da previsão.
Pelos estudos, análises e cálculos de probabilidade ou estatísticos pode-se
predizer uma situação futura com boa margem de acerto. Em outros termos, pelos
sinais e indícios presentes, teme-se ou deseja-se uma possível ou determinada
situação futura pressentida, ao mesmo tempo em que, pela experiência e
conhecimento de uma situação análoga anterior pode-se prever possibilidades de
sua ocorrência.
E daí,
através da observação de seus fatores regulares relativos ou cumulativos
pode-se prognosticar as suas reações, ações futuras cujas ocorrências confirmam
a predição do seu desfecho. Daí, através do controle do que observa pode manter
a rota certa dos eventos análogos.
O controle é a sensação
psíquica do segundo momento (RS) conectada ao quarto momento (RO) e que se
experimenta integrando as três sensações psíquicas subseqüentes quando subsiste
a aceitação da situação pressentida, prevista e predita.
O controle é, portanto, a observação
do que se observa, ou a fiscalização e o domínio das interferências observadas
a partir da aceitação do pressentido, do previsto e do predito.
A sensação psíquica de controle é um
bem-estar psíquico que proporciona de imediato a sensação de calma, relaxamento
muscular, quietude e proteção, os sentimentos de segurança, expectativa e
esperança, bem como os sensos de paciência, humor, equanimidade, equilíbrio e
discernimento.
Que sensação mais gostosa há em dizer:
― tudo está sob controle? O orgasmo completo só advém quando há a
sensação de controle. Portanto, operar dentro do pressentido, previsto, predito
e com tudo sob controle é o que se recomenda.
A sensação de descontrole é
o desnorteamento, a tontura, a inquietude, a gastura, a confusão ou o caos. No
melhor da situação, o descontrole pode estragar tudo.
Daí, o pressentimento, a
previsão, a predição e o controle podem atuar como subsídios aceitáveis às
situações de tomada de decisão com apoio das intuições.
Na consciência do consciente surgem
as intuições.
Logo, ocorrem no terceiro momento
(RS) em conexão com os demais. Para melhor entendimento, denominamo-las, nessas
três conexões de momentos, respectivamente, de intuição lógica, intuição
imaginativa e intuição heurística. Estas se integram pela intuição
de inferência, no quarto momento.
Poder-se-ia
utilizar termos usuais como intuição sensível, empírica, intelectual, emotiva,
valorativa ou psicológica, porém, estes já denominam classes de elementos
intuitivos de maneira diversa dos seus respectivos momentos.
Por
exemplo, a captação sensorial imediata* de um objeto exterior, dando-se conta do que se trata, diz-se intuição
sensível e de sua qualidade entende-se por intuição empírica.
Ambas
são psicológicas porque se referem a sensações, lembranças, imagens,
sentimentos, desejos e percepções que são pessoais.
A intuição
intelectual é conhecimento racional imediato sem necessidades de provas. É
fenomenológica, universal, pois, refere-se aos princípios axiomáticos da razão
e das relações necessárias gerais.
A intuição
emotiva ou valorativa inclui a beleza, raridade, possibilidade, ética,
autenticidade, justiça, enfim, juízos de valor e paixão.
A intuição é a sensação psíquica que
se experimenta ao dar-se conta, no ato do pensamento, da essência
do que está vendo com intenção e interesse, ou do que se quer saber, num
determinado momento e circunstância, de maneira atual, direta e imediata.
A intuição é, pois, a apreensão racional
imediata e atual pela comunicação direta entre o sujeito e o objeto
real ou entre o sujeito e o objeto ideal[7].
É a sensação psíquica que traduz o significado da captação racional imediata e
atual na relação direta entre a realidade subjetiva (subjeto) e a realidade
objetiva (objeto).
Ela implica nas sensações somáticas e
viscerais saudáveis bem como nas emoções, sentimentos, sensos positivos e
juízo.
Implica também naquelas não saudáveis e nos
negativos que podem ocorrer, principalmente, ante a intuição de iminente
perigo.
Entretanto, é preciso distinguir a intuição
das sensações psíquicas dos primeiros e dos segundos momentos. A intuição é
óbvia e fundamental ou coerente e precisa.
O que é óbvio para quem
intui pode não sê-lo para o outro. Esse momento histórico[8]
decorrente da situação de compartilhar o intuído com outrem, pode exigir,
implicar ou iniciar novos conhecimentos a partir de uma série de inferências
relativas. Estas induzem a comparações, diferenciações, raciocínios, deduções,
confrontos e conclusões lógicas precedidas de argumentos, explicações
empíricas, deterministas e parcimoniosas, através das relações intersubjetivas
com trocas de informações e de experiências.
Portanto,
recomenda-se não cruzar o momento biográfico com o histórico. O que é intuído
faz parte do momento biográfico de quem intui.
Nesse
passo, o momento histórico respectivo começa no instante quando o intuído é
compartilhado com demais pessoas, limitadas estas aos partícipes cientes.
Esse conhecimento imediato racional quando é
dado por conexão com o primeiro momento no confronto direto entre
a percepção do objeto presente e a idéia que dele se faz,
chamamos de intuição lógica. Portanto, muitos dos elementos de uma
intuição sensível, empírica ou psicológica e intelectual podem pertencer à
classe das intuições lógicas. Intuição lógica, portanto, é aquela na qual o que
se intui pode ser útil para uma situação presente no passo da saciação de uma
necessidade do primeiro momento, seja fisiológica ou psíquica.
Quando em conexão com o segundo momento, por
meio da imaginação há uma identificação direta, imediata e atual
do objeto (real ou ideal exterior), não necessariamente presente diante do
sujeito, podemos dizer intuição imaginativa.
Por
conseguinte, a intuição imaginativa é uma visualização repentina de um objeto,
fenômeno ou fato, por meio de imagem na tela intelectiva (consciência-do-consciente)
que surge para subsidiar ou dar a solução de um problema, tempestivamente,
completando uma idéia perseguida, ou chegando a esclarecer uma situação obscura
para uma determinada finalidade, em tempo hábil. Logo, a intuição imaginativa é
valiosa tendendo a ser útil quando o intuído resolve uma situação de
necessidade cuja satisfação está prorrogada.
A intuição
imaginativa fornece um conhecimento repentino e imediato no curso da imaginação
motivada por uma situação de necessidade do segundo momento. Observe-se que
para se imaginar é preciso enxergar imagens. E imagem corresponde, geralmente,
a algo já visto, sabido e conhecido, anteriormente, ou é formada por associação
de partes, fragmentos de unidades imaginadas ou vistas antes.
Logo, implica visão e conhecimento
anterior. E por que não dizer, além de alguma experiência passada,
provavelmente, também, de memórias ou manifestações genéticas?
Daí, os elementos referentes às
intuições sensíveis ou empíricas como imagens, lembranças, desejos, sentimentos
ou paixões além de muitos outros subjetivos pertencem à classe da intuição
imaginativa. Também todos os elementos da intuição valorativa, com exceção das
emotivas conectadas aos primeiros momentos, pertencem a esta classe.
A intuição
heurística é uma sensação psíquica do terceiro momento proporcionada
pela compreensão repentina e circunstancial, no curso de uma atividade ou
durante uma concentração, dedução, síntese, reflexão e imaginação, ou na busca
de uma novidade, de um novo caminho resolutório e simplificador, de proposição
ou de princípio lógico perseguido com veemência.
A intuição heurística ocorre de
maneira predominante com os recursos dos terceiros momentos, com subsídio
essencial do pensamento e suas faculdades para situação de necessidade do
terceiro momento, principalmente, no decurso das análises, sínteses,
experiências, raciocínios, confrontos e da imaginação criadora no contexto do
fluxo da comunicação entre a realidade subjetiva e a objetiva.
Uma necessidade do terceiro momento quando resolvida
torna mais fácil e simples o atendimento às necessidades dos demais momentos.
Daí, a importância da intuição heurística nesse sentido.
Em síntese, a intuição heurística é
o dar-se conta de modo imediato, da idéia luminosa repentina ou do postulado
captado ou processado no estado psíquico consciente para
facilitar ou encontrar a resposta ou a solução de um impasse. Desse modo, os
elementos da intuição intelectual pertencem à classe da intuição heurística.
O
“Insight” é uma intuição heurística. O Insight é uma visão
profunda e a noção esclarecedora repentina no curso de um processo, atividade
ou na formação de uma totalidade. Outros fatores, novos paradigmas e elementos,
ou outra noção e relações importantes, de repente, são percebidos e intuídos
vindo a completar uma idéia ou esclarecer o novo caminho eficaz e decisivo.
Pode
também ocorrer o chamado insight coletivo quando de repente vários
elementos de um grupo têm uma mesma intuição, simultaneamente, sem contudo
estarem próximos ou imbuídos numa mesma busca. Com maior facilidade ocorre em
aulas com perguntas em seqüência lógica dirigidas à classe inteira. Isto se vê
com certa freqüência em aulas de matemática ou outra disciplina, no uso da
metodologia socrática.
A inferência é uma
sensação psíquica proporcionada pela integração das três intuições enumeradas
que vem esclarecer, repentina e conclusivamente, uma dúvida ou questão em uma
situação casual ou intencionalmente enfrentada.
Da inferência pode decorrer
o confronto, a análise, a síntese, a imaginação, com operação e uso dos
raciocínios abdutivo, indutivo, dedutivo e a conclusão definida e final. Daí, a
melhor compreensão da palavra inferência é aceitá-la como sendo conclusão
prévia, aquela sensação de certeza ou aquela intuição
de estarmos no caminho certo.
Assim, a inferência não deve ser
considerada como certa e precisa e nem como conclusão definitiva. A
corroboração se faz necessária para uma tomada de decisão.
A veracidade, ou o
entendimento da verdade dos fatos, dos fenômenos, das idéias e das relações ou
interações, é preciso ser obtida antes do juízo ou julgamento final para a
execução de uma sentença, no sentido de não se cometer uma injustiça para si e
para outrem.
A
sentença, no primeiro momento, trata-se de uma opção[9].
No segundo momento é uma determinação[10].
No terceiro momento caracteriza-se pela decisão[11].
No quarto momento, a deliberação[12]
integraliza a opção, a determinação e a decisão.
As
sensações acusam a presença de estímulos e põem o organismo numa situação de
reação correspondente. Para que não haja perturbações, confusões, desvios ou
erros nas prioridades das conexões de respostas, as sensações precisam ser
descontaminadas, filtradas ou compreendidas no complexo-percepto-memório-intelectivo.
Este
complexo é a sede do conhecimento, do pensamento objetivo, mítico e subjetivo[13],
do banco da memória*, juízo, idéia e saber, da
auto-estima e dos demais instrumentos psíquicos.
O
bom juízo[14] quando bem
assessorado funciona como purificador ou filtro das contaminações excluindo
fragmentos que provocam as associações indevidas, a conclusão errônea, falsa
crença, o auto-engano, rebate falso e demais impurezas.
Assim,
o bom juízo pode responder da maneira necessária, precisa, autêntica e rápida
desviando as sensações, as emoções e os sentimentos indevidos afastando as
reações em vão.
Por
conseguinte, é de se recomendar a correção e a precisão da percepção, da
identificação e da interpretação para um entendimento veraz, principalmente,
para a conservação da boa saúde e da vitalidade do organismo todo, independentemente
de vontades, desejos, intenções e outros objetivos.
Nesse
mister, necessita-se dos registros precisos no banco da memória e da exatidão
da correspondência do registrado com o seu homólogo real exterior atuante,
observando as correções e atualizações diante das suas variações, mudanças e
referenciais móveis. Disciplinar-se, daí, para o bom hábito, costume, uso e vivência desfrutando alimentos de boa
procedência, saudáveis, sabendo o que se come e deve-se comer[15],
observando a qualidade e o teor de substâncias nutrientes que necessita o
organismo para uma vida com saúde boa e estável.
Note-se
que boa parte dos remédios provém das plantas medicinais. Contudo, as frutas,
as verduras e demais alimentos quando selecionados e bem preparados são suficientes
para a boa saúde quando consumidos comedidamente. Assim, para a presente obra
estar completa acoplou-se um capítulo nesse sentido. Ver na página 161.
** Ver de fora para dentro. Distanciar-se de si para se enxergar com os olhos de outros paradigmas.
* Sensos e emoções. A emoção é o estado do organismo no processo de excitação, tensão e impulso decorrente da conexão estímulo « sensação e das suas alterações fisiológicas e psíquicas vivenciadas ou sentidas. Veja na página 139. O senso é o sentido racional. É o sentir da razão e a razão das emoções e dos sentimentos (pág.157). O sentimento é emoção prorrogada (pág. 158). O juízo é o conciliador e integrador das emoções, sentimentos e sensos. V. Nota de fim n.º 14 (pág.147 e 218).
* Reflexos. Termo emprestado do behaviorismo; contudo, com amplo significado envolvendo não só os reflexos condicionados e incondicionados, operantes, etc.; mas, principalmente, quaisquer respostas automáticas do organismo diante do estímulo que provoca sensação. Incluem-se todas as reações de primeiro momento, quer voluntárias ou não, quer de origem emocional (impulsos) ou não.
[1] O confronto, a análise, a síntese e a imaginação formam o conjunto de segunda ordem do pensamento em conexão com a realidade objetiva, um recurso do terceiro momento. Também é de segunda ordem do pensamento, a abdução, a indução, a dedução e a conclusão que são as suas principais faculdades.
[2] Interligação, formação ¾ Nos momentos históricos, a estruturação refere-se
aos segundos momentos, predominantemente. Classe «
órgão ¾ organização. Série
de classes « estrutura ¾
estruturação. Seleção de classes e séries «
sistema ¾ sistematização. Estruturação das classes, séries e
seleções « complexo-global ¾
interligação, formação, unidade de integralização.
[3] A cumplicidade, a
fidelidade, a lealdade e a intimidade embora ocorram em nível intrapsíquico,
elas se referem muito mais a duas ou mais pessoas. A intimidade entre duas ou
mais pessoas, antes de tudo, é uma simpatia recíproca que leva a fundir as
liberdades de cada qual, num entendimento harmônico, incondicional e
espontâneo. É uma permissão tácita ou explícita das partes no uso de um
espaço subjetivo ou objetivo particularíssimo de cada um. A esse espaço
chamamos espaço íntimo. Não obstante o consentimento em invadir o espaço íntimo
de uma pessoa, animal ou coisa, necessário se faz o carinho e o respeito
irrestrito observando-se a sua integridade, a arrumação e disposição do seu
conteúdo e forma, além do trato protetor, cuidadoso, prudente, habilidoso,
carinhoso e prestimoso. Não há intimidade sem estas considerações. Antes de
sair do espaço íntimo de uma pessoa, deve deixá-la em estado de bem-estar
melhor do que estava antes. A incondicionalidade é
nutrida pela autoconfiança, simpatia, sinceridade, confiança mútua, boa-fé,
atração, paixão, amizade, amor, juízo, auto-estima, credibilidade,
cumplicidade, fidelidade, lealdade e afins. Assim, a intimidade se torna o
melhor de uma relação social.
* Captação sensorial imediata. O estímulo provoca sensação. Quando se vê uma árvore, essa árvore é o estímulo. A visão direta dessa árvore e o seu registro no banco de memória como distinto da visão de qualquer outra árvore quer da mesma espécie quer de outras e de qualquer outro objeto próximo ou associado a essa árvore é a sensação que corresponde ao estímulo árvore, essa em questão. A percepção de árvore, ou seja, a consciência da árvore percebida implica a sua extensão mais próxima, a sua espécie, caracteres, cores, fundo, habitat, etc. Fatores descritivos ou fenomenológicos esses, dados pela identificação, interpretação e entendimento dessa árvore.
* BANCO DA MEMÓRIA. O complexo-percepto-memório-intelectivo (veja
glossário) é a sede do banco da memória. O banco funciona como espécie de
fiel depositário de valores, dados e informações herdados e adquiridos.
Processa dados, idéias e eventos pretéritos nele depositados. Administra o
arquivo geral de registros das vivências através dos três departamentos
específicos, em conexão, para atendimento às consciências: Departamento-reflexo
— o registro descritivo de fenômenos, reflexos, impulsos, reforços, premências,
vontades (inconsciente). Departamento-conhecimento — o registro
narrativo de vivências ou experiências passadas, conhecimentos, fatos,
motivações, desejos (subconsciente). Departamento-pensamento —
registro dissertativo de pensamentos, raciocínios, intenções, argumentos,
opiniões, conexões de idéias, interesses (consciente). A integração desses três
departamentos — a memória propriamente dita — é feita conectada à
reflexão, introspecção e imaginação que reaproximam, associam a memória-inconsciente,
a memória-subconsciente e a memória-consciente.
O banco da memória remete para as respectivas consciências os dados e informações pertinentes, quando requisitados, pela concentração na essência do que quer se lembrar, no primeiro momento. Do que se quer recordar no segundo momento. De lembrar e recordar pela introspecção no terceiro momento. E de lembrar, recordar, meditar pela reflexão no quarto momento. A lembrança implica fragmentos ou fenômenos específicos. A recordação envolve o fato pelo inteiro teor. A introspecção seleciona a lembrança e a recordação pelo interesse específico, implicando as idéias. E a reflexão integra a lembrança, a recordação e a introspecção, implicando a unidade interativa.
NOTAS DE
FIM.
[1] Percepção. Iminência -
premências. Estímulo presente. O ato de perceber é o dar-se conta do que ocorre no
processo da sensação relativa ao captar ou receber o estímulo correspondente ou
série de estímulos relativos, podendo ser também estímulos associados
respectivos no seu contexto geral e natural de aparecer e existir cuja conexão
estímulo ↔ sensação ↔ reação (impulso, resposta, reforço) é
discriminada, no aqui e agora. Percepção essa, possível de ser entendida,
querendo.
A iminência
indica a possibilidade de um acontecimento bom ou mau de modo imediato ou
breve. Pode ser uma ameaça ou indício de perigo. Pode também ser a proximidade
de uma boa ou péssima situação.
Em
síntese, a iminência é qualidade de algo que anuncia uma provável necessidade
premente. Logo, é um estímulo cuja premência poderá ser resolvida com bom êxito
ou não.
São
os estímulos presentes que formam, provocam ou fazem acusar a premência ou a
iminência.
Denominam-se
estímulos a agentes internos ou externos causadores de excitação ou
impressão fisiológica (sensações).
Diz-se
estímulo presente quando é real, concreto e atuante no
aqui-e-agora. Quando o estímulo está atuante e presente, requerendo uma reação
premente, diz-se que há uma necessidade que deve ser suprida de imediato ou
urgente, enquanto não prorrogável.
Esta situação de premência é dada pela percepção que indica ou
determina o tipo de reação segundo a qualidade, intensidade ou teor da sensação
provocada.
A percepção é consciência perceptiva. Seus fatores operam no estado
psíquico inconsciente. Por isso a chamamos de consciência do inconsciente.
A consciência do inconsciente permite inteirarmo-nos da situação indicada
pela nossa percepção automática. Com isto, é raro enganarmo-nos com a situação
que se nos apresenta. Ou seja, não somos levados pelas aparências das coisas ou
pessoas para os auto-enganos, ou para um rebate falso.
Por exemplo, quando enxergamos uma mesa quadrada a uma certa distância,
ela não chega assim à nossa vista.
Não a vemos quadrada, senão, olhando-a de cima para baixo. O que
enxergamos, a uma certa distância, um pouco acima do plano dela e de lado, é um
losango e, de frente, um trapézio isóscele, como em perspectiva. Da mesma forma
veremos paralelogramo ou trapezoidal a mesa retangular.
O Sol nos parece do tamanho de uma bola de futebol. No entanto, ele é
maior do que o nosso planeta. A percepção errônea foi vivenciada pelo ser
humano por muitos milênios. Com o acúmulo de múltiplos conhecimentos, saberes,
descobertas, inovações, invenções e criatividades possibilitaram-se ao homem
novas identificações, reconhecimentos e interpretações. E assim, com as
consciências coletivas ampliadas, cada vez mais, privilegia-se a consciência
individual perceptiva no passo de evitar mais dissabores.
Quando a verdade do fato ou do fenômeno é evidente, ou o objeto
sensível dispensa comprovação, pela prática e conhecimento, dizendo-se redonda
o que se vê elíptica, ou quadrada o que se vê losango, ou ainda, retângulo o
que se nos mostra paralelogramo ou trapezoidal, houve uma integração dos três
estados psíquicos.
A percepção, a identificação e a interpretação integradas, num único
instante e num só posicionamento, traduzem-nos a realidade do fenômeno, do fato
e da idéia, possibilitando um entendimento com maior precisão. No caso,
deram-nos a verdade ou o entendimento correto da forma do objeto observado, à
distância, em determinado ângulo visual.
Portanto, o que se vê pela primeira vez é preciso avaliá-lo bem para
que não sejamos traídos pela nossa percepção habitual.
Também a percepção condicionada, associada ou generalizada pode-nos
induzir a sérios erros. A identificação costumeira ou preconceitual,
além da interpretação usual ou especulativa, levam-nos, às vezes, a
cometer enganos terríveis. Também em situações habituais, costumeiras e usuais
é preciso reparar bem para se distinguir o certo do errado. Principalmente, nas
coisas, objetos e pessoas conhecidas, porquanto, justamente, por serem
conhecidas, certos desvios incidentais ou provocados nem os percebemos.
E o curioso da percepção é cada pessoa percebe a mesma coisa a seu modo
próprio, apresentando, às vezes, grandes diferenças com o modo de perceber de
outras pessoas.
Logo, necessário se faz o confronto, a interpretação e a observação
objetiva dos fatores, aparências, sinais, alarmes ou indícios estranhos que se
nos colocam em dada circunstância ou num certo primeiro momento.
Em resumo, a ilusão de ótica, a relatividade dos pontos de vista, o
sistema referencial, os referenciais fixos, a mudança constante dos fatores e
elementos exteriores, os diferentes paradigmas, o disfarce, a simulação, a
representação, a virtualidade, a aparência enganadora, a potencialidade, a
magia e os relatos mediatos existem e não devem ser confundidos com a realidade
atual, atuante, concreta e autêntica. Pois, esta é que revela a verdade própria
dos fenômenos, dos fatos, das idéias, dos objetos e das pessoas, das coisas e
dos seres em geral no universo de suas relações.
Logo, é preciso verificar essa autenticidade para se ter como certo. É
melhor conferir diretamente na fonte, não aceitando a declaração mediada ou de
intermediário sem esse confronto direto ou sem a corroboração devida.
[2] Identificação. Privações.
Estímulo adiante. A
identificação é um ato de reconhecimento de determinado estímulo adiante, uma
série de estímulos ou estímulos associados, não necessariamente presentes, em
confronto com aqueles conhecidos. Identificar é dar-se conta do que ocorre no
processo da sensação relativa ao verificar e reconhecer a conexão estímulo
adiante ↔ sensação (inquietude, pressentimento, previsão, predição,
controle, expectativa, ansiedade, etc.) ↔ ação (atração, incentivo,
motivação). A essa consciência de identificação e reconhecimento, que é uma
consciência cognitiva, damos o nome de consciência do subconsciente.
Dentre
os estímulos que são identificáveis que se nos apresentam no momento
presente cujas reações podem ser postergadas, ou enfrentados com
tempestividade, compreendem as necessidades de soluções já bem conhecidas ou de
costume e as privações.
A
ausência de suprimento da necessidade premente pode conduzi-la a uma situação
de privação tolerável.
A
demasiada demora de saciar pode extrapolar o limite de tolerância.
A
privação, então, fica intolerável. Essa nova situação passa para aquela de
primeiro momento fatídico. Ou sacia-se ou sucumbe-se.
Todavia,
há privações toleráveis por longo tempo.
Tolerâncias
essas que são motivadas pelos estímulos adiante. Esses estímulos são
identificados e reconhecidos pelos confrontos com situações conhecidas ou
idênticas àquelas ocorridas no passado. Ou, de conformidade com os padrões,
valores socioculturais e conhecimentos já consolidados ou vigorantes.
Por
exemplo, o indivíduo motivado para a conquista de uma situação ótima adiante
ele pode privar-se de saciar ou de satisfazer algumas das necessidades menores
em favor desse empreendimento.
Preferível
é motivar-se sem contudo privar-se de nada no passo da prevenção contra
conseqüências más, desagradáveis e para se evitar efeitos colaterais adversos.
A
privação é uma necessidade de segundo momento eis porque é uma ação de deixar
de suprir uma necessidade, permitindo-se. Ela pode ocorrer por conhecimento,
compulsoriamente e sem querer, ou querendo.
Assim,
ocorre a privação por recomendação aceita, por ilusão, auto-engano, ignorância
relativa, ou por determinação própria e sujeição. Pode-se deduzir, daí, a
privação por castigo ou punição, por motivo de força maior, por crença e
convicção da boa conseqüência, ou espontaneamente por consciência da obtenção
de situação melhor, ou incentivada pela atração exercida pelo desejo, beleza,
valor e sonho.
Diz-se
estímulo adiante (o que está adiante, para frente — futuro; ou
adiante, mais para trás — passado), quando é real ou imaginário,
distante ou próximo e objetivo ou subjetivo, no pretérito ou no futuro, que
pode fazer-se ou tornar-se presente ou parecer presente.
O
estímulo adiante exige muito mais da ação deixando a reação para quando se
fizer presente ou pertinho de concretizar-se.
Cumpre
ressaltar que qualquer estímulo adiante motivador que pode produzir uma
situação ótima, já foi identificado e reconhecido como tal, ou é de
conhecimento prévio.
Identificação é a averiguação
para reconhecimento. É o confronto do ser-real com o seu correspondente
ser-ideal no banco da memória para a relembrança e imaginação ou dar-se conta
do seu reconhecimento.
Na
identificação objetiva são importantes a classificação, a seriação e a seleção
para os confrontos, comparações, associações e a verificação no passo de sua
certeza.
Identificar
é verificar o princípio da identidade em determinado estímulo conhecido
anteriormente que se tornou presente.
Em
outros termos, é ter certeza de que o que está presente é idêntico ao visto
antes.
[3] Interpretação. Carências.
Estímulo constante. A interpretação é o dar-se conta do que ocorre no processo da
sensação relativa no ato da abdução, indução, dedução e conclusão na análise,
síntese ou estudo dos estímulos complexos ou que se tornam regulares na conexão
estímulo constante ↔ sensação (indagação, curiosidade, indecisão,
perplexidade, impasse, intuição, especulação) ↔ atuação (propósito,
influência, interesse).
A
interpretação cuida dos estímulos regulares, complexos, incógnitos,
desconhecidos e, portanto, também dos causadores dos impasses, das carências,
da escassez e das necessidades constantes, no passo de serem superados,
controlados ou dominados.
As
insaciações toleradas continuamente como as privações crônicas ou bastante
demoradas ou com muita freqüência causam carências não sustentáveis ou
passíveis de situações dolorosas e catastróficas.
Carência
é insuficiência no suprimento duma necessidade constante.
A
carência pelo seu aspecto crônico, é da classe da necessidade de terceiro
momento. A carência excessiva pode tornar-se privação intolerável e premência
fatal.
Por
exemplo, a carência afetiva excessiva é privação grave de afeto. Na sua
premência, o indivíduo carente de afeto se não se tornar violento e agressivo,
tende progressivamente a uma alimentação insuficiente, e pode até sofrer de
inanição e sucumbir-se.
Já se
pode intuir que há vários exemplos de carências.
Os
mais comuns são carência de nutrientes, carência de atenção, carência de
cuidados, carência de provas, carência financeira, carência de produtividade,
carência de empregos, carência de interesse, carência de recursos diversos,
carência de remédios e de outros produtos, etc.
A escassez
causa a carência, a privação e a não saciação.
Melhor, portanto, partir-se
para administrar a abundância em vez de chegar a ponto de ter de administrar a
escassez.
É estímulo
constante enquanto atuante, sucessivo e indeterminado.
Ou
ainda, quando ¾ presente ou adiante ¾, aparece e desaparece
alternada, regular, indefinida, repetida e sucessivamente.
Pode-se
dizer que são os estímulos constantes não satisfatoriamente resolvidos é que
causam as carências.
As
carências, portanto, são necessidades. Normalmente, as carências são resolvidas
com o auxílio dos recursos do pensamento e suas faculdades.
A
interpretação é a busca e tomada da consciência intelectiva e, por isso,
chamamos de consciência do consciente.
Neste
sentido, não se prescinde da observação, análise e estudo para o entendimento
certo de um estímulo que se faz presente. Interpretar é fazer corresponder ou
representar, de modo bem compreensível e claro, a verdade de certas ocorrências
regulares ou não e das situações obscuras para um ajuizamento com correção.
A expressão interpretação
objetiva está ligada ao cuidado especial que se dedica em retirar as
camadas de impurezas de uma determinada verdade encoberta ou obscura para que
ela possa se apresentar em seu inteiro teor e tornar-se compreensível,
coerente, sem contradições ou de representá-la no seu sentido exato para um
entendimento claro e sem sombra de dúvida.
Nos diversos campos como
linguagem, comunicação, hermenêutica, investigação, relações, exegese,
predição, previsão, fatos, eventos, controle e no domínio de uma situação
qualquer onde a percepção e a identificação e demais recursos são insuficientes
para o entendimento preciso ou para uma compreensão apta, segura e necessária,
urge a intervenção da interpretação objetiva.
Por conseguinte, se intui
que a interpretação objetiva exata exige, além dos recursos relativos dos
primeiros e dos segundos momentos, os recursos do pensamento e das suas
faculdades e demais instrumentos, inerentes à verdade do fenômeno, do fato ou
da idéia em questão, ou de sua expressão, para o seu correto entendimento.
Em
síntese, os estímulos presentes são percebidos, os adiante são identificados
e os constantes são interpretados. Cumpre lembrar que os mesmos
estímulos presentes, prementes ou não, podem tornar-se adiante, pretérito ou
futuro; e, ainda, constantes.
A interpretação
desses estímulos como constantes é resultante da análise das sensações
regulares relativas. As variações são tidas como estímulos complexos.
Neste
passo, a interpretação objetiva representa a busca ou pesquisa, análise,
consulta e estudo amparados pelo controle e pensamento objetivo, pela
verificação experimental e pela observação científica para poder explicar e
esclarecer o verdadeiro sentido de um estímulo complexo.
[4] Entendimento.
Necessidades. Alarme. O “entendimento” é o que resulta quando se completa o
faltante para o necessário esclarecimento pelo inteiro teor e forma do estímulo
presente, adiante, constante e atuante. É o que permite integrar a percepção, a
identificação e a interpretação.
Logo,
o entendimento possibilita alcançar a significação, o sentido, ou a idéia do
que se propõe conhecer.
Embora
o entendimento e a compreensão atuem como sinônimos, em um certo
sentido comum, há que distinguir estes termos. Ambos podem atuar no sentido da
discriminação na aprendizagem. Mas, a compreensão além de discriminar
para o entendimento específico reduzindo ou excluindo fatores
desprezíveis atua no universo que considera abrangente todos os elementos com
caracteres, qualidades e propriedades pertinentes a um conceito.
Desse
modo, todos os estímulos compreendem todo um universo dos elementos
reforçadores, motivadores, interessantes e integradores além dos que podem
provocar ou causar sensações e respectivas reações, ações, atuações e
interações conforme necessidades decorrentes cujas conexões relativas
podem ser percebidas, reconhecidas ou identificadas, interpretadas e entendidas.
As
premências, as privações, carências e as priorizações integram as necessidades
gerais que movimentam as pessoas no sentido da sua reação, ação, atuação e
interação para o triunfo sensato com o seu equilíbrio estático, dinâmico,
cinético e harmônico, respectivamente, para que consigam desfrutar uma vida
feliz. As necessidades gerais devem ser passadas pelo crivo da seleção,
seriação e classificação para as devidas priorizações.
O
estímulo presente, adiante, ou constante ¾ insistentes ou não ¾ os quais determinam a
premência, a privação, ou a carência, respectivamente, são detectados pelas
sensações somáticas, viscerais e psíquicas. Estas são integradas pelo alarme.
|
ESTÍMULOS (presente,
adiante, constante) → ALARMES ↔ SENSAÇÕES (viscerais,
somáticas, psíquicas) |
O alarme
provoca o alerta para se perceber bem o estímulo presente. Motiva
o estado de prontidão ao identificar um estímulo que alarmou uma
atitude a ser tomada.
O
alarme chama a atenção para interpretar a natureza do estímulo
ainda não identificado. A má qualidade da percepção, a identificação com base
tão-somente na semelhança e, a interpretação com ausência de alguns elementos
básicos ou importantes podem levar a um entendimento incorreto.
Eis
pois, a apuração da veracidade ou a correção, com observação, se faz
necessária para o entendimento certo rumo às posições de reação,
ação e atuação para a interação no passo do triunfo sensato respectivo.
[5] O “Complexo-percepto-memório-intelectivo” é um neologismo introduzido
para significar a totalidade das funções cerebrais muito além do estabelecido
para o sistema límbico definido por Paul D. Mac Lean. Este complexo não é tão
somente um emaranhado de tecidos, células nervosas e afins ou uma rede energética
com neurônios, axônios e demais células organizada para manter o indivíduo em
condições de interagir com o seu meio ambiente. É também a sede do espírito do
indivíduo com incríveis poderes a serem desenvolvidos, com certa autonomia, mas
em conexão com forças energéticas exteriores além das dimensões compreensíveis
do espaço-tempo.
[6] Sistema Límbico. Paul D. Mac Lean. Veja
definição na página 158 (Glossário).
[7] Objeto ideal é o fenômeno ou elemento visado da realidade
subjetiva (ser-ideal) tomado por objeto pelo próprio sujeito ou pelo outro. O
sujeito pode ser o objeto do outro e objeto de si mesmo. O objeto ideal
é qualquer elemento do subjeto.
O subjeto
é um neologismo introduzido para significar a realidade subjetiva tomada por
objeto em confronto com a realidade objetiva respectiva (mundo objeto).
Observe-se que cada pessoa tem a sua realidade subjetiva própria que é
diferente da dos demais. Ainda assim, quando dizemos realidade subjetiva
estamos referindo à realidade subjetiva de um modo geral em contraposição com a
realidade objetiva que também é genérica. Quando se fala em mundo
subjeto este se torna elemento ou uma unidade objetiva autônoma de toda a
realidade objetiva, num contexto holístico. O subjeto é pertinente à realidade
subjetiva tomada por objeto; e, o objeto, inerente à realidade objetiva. Daí, o
mundo exterior ao sujeito é a realidade objetiva, podendo a sua própria
realidade subjetiva tornar-se realidade objetiva se for vista pelo sujeito como
objeto de si mesmo, justamente, quando ele olha para o seu mundo interior como
se fosse objeto de sua análise numa situação introspectiva ou de reflexão.
Nessa
condição circunstancial, repita-se, a própria realidade subjetiva passa a
integrar toda a realidade objetiva como no sistema holístico.
Veja
“Consciência subjetiva e objetiva” na página 75.
[8] O
MOMENTO HISTÓRICO. Refere-se, sobretudo, à situação atual de
construção da história de qualquer grupo ou conjunto coeso de pessoas desde o
par de enamorados, família, associação, empresa, tribo, cidade, país até a
humanidade.
A História social ou a história da vida humana é todo o conjunto
dos seus momentos históricos formado desde o seu aparecimento no planeta.
Todo o intervalo temporal até a sua extinção (se houver), as
origens das suas raças, povos e nações e as suas descendências também são
considerados.
As suas extensões mais próximas interagindo-se no meio ambiente,
as suas relações intergrupais e as suas razões de ser são igualmente levadas em
conta.
Logo, a humanidade como um todo ou qualquer grupo coeso tem os
seus quatro momentos históricos. Intui-se, daí, que os quatros
momentos quando referidos às pessoas, individualmente, dizemos biográficos;
e, quando direcionados a grupos de pessoas, socialmente, dizemos históricos.
Embora o todo difira de suas partes no conteúdo, na forma e no
objetivo; o homem por ser uma espécie necessariamente social, tende a reunir-se
em grupo, grupos dentro de grupo, categorias, classes, séries e seleções,
casal, família, etnia, clube, associação, empresa, sociedade, sindicato, credo,
religião, partido político, bairro, cidade, estado, nação, comunidade de nações
até chegar à unidade de conjunto maior — a humanidade.
Dizemos, então, que todas as pessoas vivas do mundo tendem para a
formação de uma unidade coesa — a totalização humana — o ser humano.
Assim como no indivíduo, cada grupo ou entidade coletiva, mesmo a
sociedade humana como um todo, tem em qualquer dos seus momentos históricos
autonomia e características próprias.
Também no domínio das inter-relações do grupo com indivíduo ou com
outros grupos e vice-versa, os quatro momentos de cada qual trocam de posições
de comando, entre si, com freqüência, isoladamente ou em conjunto. As
inter-relações não só são intergrupais (entre grupos) como também intragrupais
(entre elementos do próprio grupo).
As intragrupais são relações interpessoais voltadas para os
interesses exclusivos do próprio grupo.
A maioria dos desentendimentos, desacordos ou desencontros surgem
do cruzamento das respostas desses diferentes momentos nas relações de
interesses entre os diversos grupos.
As peculiaridades notáveis entre os quatro momentos históricos de
qualquer grupo em sua aprendizagem e no desenvolvimento das suas interações com
o seu meio ambiente quase não diferem das do quadro relativo aos momentos
biográficos, conservando praticamente todos os seus elementos.
Esclareça-se que os primeiros momentos históricos referem-se às
necessidades básicas imediatas não de alguns indivíduos isolados de modo
particular mas, sobretudo, do grupo ao qual pertencem de forma universal
(totalidade) ou genérica (maioria). Que os segundos momentos históricos,
igualmente, tratam da coletividade como todo, nas suas necessidades
tempestivas. Que os terceiros momentos históricos também se referem à
totalidade ou quase-totalidade no tocante às suas necessidades constantes. E
que os quartos momentos históricos referem-se ao suprimento total das suas
necessidades gerais integrando o bem-estar, o bem-ser e o bem-ter para o
bem-fazer da unidade social, no passo de um viver ou acontecer em níveis
superiores.
Fácil intuir daí, que o sujeito da aprendizagem e desenvolvimento
é o todo social. Em conseqüência, as conexões: reflexo « reação; conhecimento « ação; pensamento « atuação; e,
compreensão « interação para o triunfo sensato; são
referidas às relações intergrupais no passo da sua integração na formação de
uma sociedade coesa e adulta, positivamente responsável pelos grupos que a
compõem. E, em sentido maior, pelas nações que compreendem o mundo atual.
Convém lembrar também que há os momentos históricos negativos do
grupo considerado que se distinguem dos positivos com relação à qualidade dos
resultados de suas interações com o meio ambiente serem maus e bons,
respectivamente.
[9] Há diferenças notáveis entre escolher ou
optar, determinar, decidir e deliberar,
embora com finalidade comum. A essência de cada um desses elementos de
definição é exclusiva e ocorre em momentos distintos entre si.
A
escolha e a opção se fazem no primeiro momento,
dada a urgência.
A
determinação é tempestiva com prazo para o implemento.
A
decisão certa requer tempo para análises, avaliações,
ponderações, estudos, medidas e outros recursos, mas o procedimento exige
resolução.
A
deliberação implica em processo de acordo, conciliação, consenso
e pacto com prazos previstos para as suas fases conforme necessidade.
A
OPÇÃO é a livre escolha de uma só entre duas ou mais
coisas. Na opção, a coisa ou a pessoa escolhida teve preferência e prioridade
além da exclusividade com relação às demais concorrentes.
Pode-se
escolher algumas entre várias, mas na opção só se escolhe apenas
uma delas.
Escolha
e opção implicam os reflexos, impulsos e respostas que são reações
comportamentais de primeiros momentos.
Estas
reações manifestam-se diante do estímulo presente, no instante exato do evento
relativo ou na sua ocorrência tida como certa.
Da
escolha pode decorrer a opção ¾ ter de ficar só com uma, entre as escolhidas
¾,
condição em que pode provocar uma situação preliminar de impasse do tipo hesitação,
conflito, ou dúvida culminando em indecisão. A firmeza, a discriminação,
a rapidez e maior chance de acerto, na situação de escolha ou de opção, estão
apoiadas na boa aparência, na beleza da forma, na simpatia e na atração
provocadas pelo objeto da escolha. A emoção positiva, a apetência, a excitação
e a sensação agradável também influem na boa opção. Ainda, facilitam a boa
escolha outros fatores como o bom humor, a ótima disposição física e psíquica
do sujeito que vai escolher, bem como o seu bom condicionamento muscular e
técnico, sem pressões ou urgência.
Na
hesitação, na pressão de premência e na exigüidade, admite-se a imitação ou a
situação de acompanhar a maioria ou alguém especial, sem responsabilidades
alheias. Às vezes, damo-nos permissão para olhar com os olhos alheios, exceto
nas questões decisivas, mas com certa segurança e responsabilidade própria.
Tudo
é válido para diminuir a chance de perda possível, para evitar acidentes ou
para não sofrer as conseqüências da má escolha. Inclusos os arrependimentos,
frustrações e decepções ou o mal-estar por deixar passar a boa oportunidade.
Entretanto,
é bom que se lembre, nesses momentos, de que a melhor opção é a que conduz à
satisfação própria com boas conseqüências, ou quando é parte da deliberação
unânime.
[10] A DETERMINAÇÃO é uma
exigência que se cumpre sem discussões. Ela é boa somente quando se permite, se
admite e se sustenta pela certeza ou prévio conhecimento de sua exatidão e se
cumprida espontaneamente. Ela é má se coercitiva causando constrangimento e
passividade forçada.
Quando
se conhece o certo não se escolhe, nem opta e nem decide ou delibera. Apenas
determina.
A
determinação tem raízes socioculturais com fins condutuais, eis pois, cumprir
exigência sem discussões implica direito de fazer ou não fazer, dever ou
obrigação e conhecimento certo do que deve e não deve ser feito.
Determinar
é ordenar a execução tempestiva do que tem que ser feito por saber. Significa
também, nesse sentido, fazê-lo porque quer, é, está, tem, deve ou crê por
certo, mas em tempo hábil com a devida eficácia.
A
obrigatoriedade, firmeza e força da determinação estão fundadas na doutrina,
norma, padrão cultural, valores e finalidades sociais, experiência acertada,
princípios éticos, regra, vivência familial, autoridade, tradição, apelação e
disciplina condutual. A determinação, além de provir do saber específico e do
conhecimento generalizado reconhecidos e consolidados pela sociedade, como já
se insinuou, manifesta-se com suporte também no dogma em caso de impasse
sem solução tempestiva ou em situações improrrogáveis. O dogma, por sua vez,
sustenta-se pela opinião convicta, autoridade, crença ou fé prevalecendo como
uma atitude sistemática indiscutível a favor ou contra no sentido de uma ação
de subsistir enquanto não há nada mais forte que a derrube, substitua ou a
aperfeiçoe, ou que se prove o contrário.
Ainda,
a determinação tem o sentido da ordem, lei, mando, autoridade e exigência.
[11] A DECISÃO implica o
pensamento e situações procedimentais.
Ela
é própria dos terceiros momentos. A sua firmeza, precisão, ou o
potencial de bom êxito, fundamentam-se em dados e informações corretas, nas
observações objetivas, pesquisas, princípios axiomáticos, postulados, na
classificação, seriação, seleção e coerência. É facilitada pela verdade, pelas provas
autênticas, pelo cálculo e medidas certas. Fortalecida, ainda, pela intuição,
pelo propósito ideal, pela evidência e raciocínio lógico conclusivo.
A
intenção, a conveniência e o interesse,
que são propulsores próprios dos terceiros momentos, fazem persistir a análise
e síntese, o planejamento, comparação e estudo, o projeto de ida e volta, ou o
treinamento, simulação e a reconstituição de fatos para a definição de uma boa
decisão. A decisão é individualizada, por conta e pelo próprio risco,
além da responsabilidade exclusiva. É inadequada a situação de decidir por
outro e aquela de “Maria vai com as outras”.
Embora
se possa obter ou aceitar subsídios alheios, cada um deve tomar a sua própria e
autêntica decisão. No entanto, com o devido acerto e com consciência,
preferivelmente. Eis porquanto, responsabilidades e riscos de uma decisão
unilateral não devem passar de quem a implementou por conta própria.
Logo,
em decisões cujo ato resultante é de máxima importância, além de observar a
correção das analogias aplicadas, das probabilidades mínimas adversas e dos
fatores tidos como irrelevantes, deve-se buscar subsídios deliberativos
intrapsíquicos e aqueles relativos às opiniões das pessoas envolvidas,
inserindo mais os fatores amor e inteligência.
Por
aí, já se pode intuir que a decisão se intervém quando não há como escolher ou
optar por hesitação, conflito, por medo de errar ou por ignorar; ou quando a determinação
é duvidosa e quando a adversidade a ser enfrentada é complexa, incerta e
desconhecida. Veja também na página 234.
[12] A DELIBERAÇÃO implica
na reflexão, no juízo e na votação.
Na
deliberação intrapessoal se dá a primazia à unanimidade de votos, ao passo que
na interpessoal é suficiente a maioria de votos.
A
integralização harmônica dos fatores definitivos dos três momentos básicos
determina a deliberação correta. A deliberação apenas acontece nos quartos
momentos biográficos e históricos, respectivamente.
Há
os que indagam como é essa coisa de unanimidade de votos e votação
intrapsíquica ou intrapessoal.
Embora
cada qual seja uma só pessoa, reage-se, age-se, atua-se e interage-se, em
determinados momentos, diante de um considerado estímulo ou evento, como se
fosse, ao mesmo tempo, três personalidades distintas, com funções especiais
formando o que chamamos de “eu íntegro”.
Quando
manifestam o mesmo voto, dizemos que houve unanimidade na deliberação, o mesmo
que o querer integrado.
Só
para lembrar, o querer integrado é: quero porque gosto; quero porque posso;
quero porque me convém; e, quero porque preciso.
Nas
situações como: — gosto, posso, convém, preciso mas não quero —; e — gosto
mas não posso —; ou ainda, — convém, posso, mas não gostei nem preciso
—; etc., não há unanimidade na votação.
Na
ordem de momentos:
|
1.ª personalidade — gosto
(prefiro, agrada-me, é atraente e reforçador) — opto
→ eu-individual 2.ª personalidade — posso
(permito-me, vale, é bom e motivador) — determino →
eu-social 3.ª personalidade — convém
(importo-me, é útil, vantajoso e interessante) — decido
→ eu-ideal Eu íntegro — quero (preciso
para domínio e desfrute, é precioso e integrador) — delibero →
eu-divinal |
[13] PENSAMENTO mítico,
objetivo e subjetivo. Por mais ilógico que pareça, pensamos em todo o momento.
Basta um movimento, um passo, uma atenção, um gesto, um
simples olhar, um sorriso, etc., já se operou o pensamento. Nesse processo, as
faculdades do pensamento, principalmente, o raciocínio abdutivo, indutivo, o
dedutivo e a conclusão que dá a intenção de fazer ou manifestar, já entraram em
ação.
O pensamento começa operar a partir da sensação. Daí a
percepção, a identificação, a interpretação e o entendimento para as devidas
reações, ações, atuações e interações direcionam os diferentes raciocínios para
o ato de pensar. É óbvio que o hábito, o costume, o uso e a vivência dão uma
prática e habilidade de pensamento automático. Por exemplo, na sensação
de fome a pessoa procura um pão e o come. Nesse evento habitual a pessoa
parece que não precisou pensar, entretanto, raciocinou de forma automática. Por
exemplo: sinto uma dor no meu estômago. Intuo que é uma sensação de fome. Logo,
preciso comer alguma coisa, já. Estou com pressa. Portanto, preciso achar uma
comida pronta. Este pão já resolve o meu problema. Depois de se saciar,
ratifica a sua conclusão: É. Era fome mesmo a dor de estômago que estava
sentindo. E assim por diante. Por aí se nota que há muitas formas de pensar.
Contudo, diante de um impasse, seja por um instante, por
momentos intermitentes, ou por tempo indeterminado, pensar significa
suspender o juízo, ou o que se ia fazer, congelar tudo, paralisar determinado
ato, reação, ação e atuação, ou afastar-se de uma atividade em curso, para
ativar a concentração psíquica na formação de um novo juízo com interesse na
superação desse impasse.
O objeto do pensamento é a busca e o encontro de uma
idéia que resulte na eficácia da decisão a ser tomada, na noção que explique e
informe algo verdadeiro e útil ou na fala que convence.
Assim, na formação de uma opinião convincente, na
improvisação de uma solução ante uma premência, na elaboração de um projeto, ou
na simplificação e facilitação de uma atividade de interesse, o pensamento e as
suas faculdades estão em plena atividade.
Nessa operação utiliza-se dos diferentes fatores e
instrumentos ou dos recursos disponíveis, além dos apropriados à situação, seja
achando-os, ou seja inventando-os e adequando-os, na procura e busca das
significações, dos conceitos, idéias, conclusões e soluções de impasses, do
entendimento e da compreensão, tão necessários ao reequilíbrio psíquico e
orgânico, em nível desejado.
E diga-se que se isso tudo ainda não bastasse, quando
nada do que se pensou vai resolver o impasse, tudo parecendo ser impossível e
já ameaçando o colapso emocional, o pensamento cria fantasias, crenças, sonhos,
mitos, magias, milagres e misteriosos poderes que poderão salvá-lo no momento
da situação catastrófica.
O pensamento, então, processa e movimenta tudo o que
aparece da observação, signos, símbolos, linguagem, representação,
condicionamentos, indícios, reflexos, objetos, coisas, vestígios, fragmentos,
sons, sabores, odores, cores, valores, padrões, regras, atos, técnicas,
qualidades, quantidades, fenômenos, fatos, idéias, conhecimentos, experiências,
sensações, emoções, sentimentos, sensos, juízos, lembranças, recordações,
introspecções, reflexões, memórias, percepção, identificação, interpretação,
intelecção, imaginação, vontade, desejo, intenção, impulso, reforço, motivação,
interesse, paixão, amor, inteligência e relações.
Já se pode intuir que há o pensamento complexo.
Assim, o próprio pensamento, para facilitar a sua
compreensão, se encarrega da sua própria classificação, seriação, seleção e
estruturação.
Organiza-se por
arranjos, permutações e combinações. Possibilita-se, ou permite-se, portanto,
reunir todos os modos de pensar em três grandes conjuntos, conforme conexões
com momentos respectivos.
O conjunto do pensamento objetivo, do mítico e do
subjetivo.
Estes três conjuntos do pensamento podem interagir entre
si formando o pensamento integrativo, ou o pensamento
propriamente dito.
O pensamento é da classe dos terceiros momentos,
contudo, atua em conexão com os demais momentos, formando subclasse de segunda
ordem.
Assim como cada pessoa percebe uma mesma coisa a sua
própria maneira, cada um pensa do seu modo particular diverso dos demais.
No quadro a seguir, repita-se (página 101), selecionamos
as diferentes situações de momentos em que o pensamento em segunda ordem se
torna presente.
|
1.º MOMENTO |
2.º MOMENTO |
3.º MOMENTO |
4.º MOMENTO |
|
subjetivo |
mítico |
objetivo |
integrativo |
|
abdutivo |
indutivo |
dedutivo |
conclusivo |
|
visionário |
lingüístico |
simbólico |
Intuitivo |
|
(intuição lógica) |
(Intuição imaginativa) |
(intuição heurística) |
(intuição de inferência) |
|
projetivo |
analítico |
sintético |
Aplicativo
(RS) * |
|
confronto |
análise |
síntese |
imaginação (RO)
* |
|
espacial |
verbal |
abstrato |
representativo |
|
prático (imediato) |
experimental |
teórico |
realístico |
|
perceptivo |
identificativo |
interpretativo |
entendível |
|
tópico |
dogmático |
argumentativo |
convincente |
|
implícito |
crítico |
explícito |
depurativo |
|
misto |
heterogêneo |
homogêneo |
complementar |
|
particular |
metafórico |
lógico |
universal |
|
automático |
tempestivo |
regular |
exeqüível |
|
fragmentado |
racionalizado |
hipotético |
genérico |
|
evidente |
epistemológico |
demonstrativo |
complexo |
|
ingênuo |
responsável |
espontâneo |
disciplinado |
|
emocional |
sentimental |
racional |
pactual - pacificador |
·
RS = realidade subjetiva. * RO = em conexão com a
realidade objetiva.
O pensamento objetivo
é o mesmo que pensamento conceitual, racional ou lógico. O
pensamento objetivo difere dos demais pelo método nos variados procedimentos
cujas interações intrapsíquicas se fundamentam nas operações com elementos
homogêneos.
Suas faculdades fundamentais
predominantes são o senso, a idéia, a intuição, o raciocínio lógico, crítico e
ético, a reflexão, o juízo, a imaginação e a imparcialidade, sem elementos conotativos
ou de caráter pessoal, nem tendenciosidade e isento de intenções em detrimento
alheio.
As atitudes e os métodos
científicos orientam o pensamento objetivo dando-lhe a necessária
cautela na observação e no controle do que observa. De sorte que, no uso dos
seus diversos raciocínios leva-se em conta as leis, as normas e os princípios,
as variações e os modelos aplicáveis à realidade atual. Observa os valores, os
padrões, os diferentes paradigmas e os fins inerentes à determinada estrutura
suscetíveis de correções e transformações que podem até rompê-la, interrompê-la
ou excluí-la de forma definitiva.
Logo, não se deve
desqualificar, nem menos desprezar a autêntica e a exata correspondência
biunívoca entre os elementos do ser-real com seus homólogos do ser-ideal, uma
vez que, transformando-se ou variando os elementos do ser-real, necessário se
faz a devida atualização ou a correção dos seus correspondentes subjetivos, de
sorte que persistam a coerência e a não contradição no exercício do pensamento
objetivo.
Muito pelo contrário, o
pensamento objetivo pode construir toda uma lógica com outra estrutura sem
interferir na clássica, e até reestruturá-la ou reinventá-la sem invalidar os
seus alicerces nem desmontar nada do que mostra a beleza de suas verdades e
razões. Por exemplo, o quadrado será sempre representado por
todos pela figura de quatro lados iguais formando quatro ângulos retos em
qualquer tempo e lugar não podendo ser de outro modo. Daí, a realidade objetiva
de qualquer coisa que se apresenta com a forma quadrada terá o seu
correspondente imaginário representado na realidade subjetiva com a mesma
figura quadrada. Se num belo dia essa coisa quebra, o quadrado não deixará de
ser quadrado, mas essa coisa já deixou de ter a forma quadrada. Logo, a atualização
dessa coisa deve ser registrada na memória. Porém, o quadrado é um ente
geométrico que não terá modificações e nem sofrerá atualizações na memória.
Portanto, na autêntica
correspondência biunívoca das classes, séries e seleções de elementos subjetivos
atualizados e representados, de maneira precisa, correspondendo às variações,
às aproximações e às transformações dos seus homólogos objetivos reais, não há
o que justificar.
Nem poderá haver quaisquer
contradições internas, ou incoerências, nas interações bem como nas
intercomunicações, no uso do pensamento objetivo, exceto em lapsos de memória,
de percepção, de registro, erros de recordação, nas distrações e nas
negligências ou por disfunções orgânicas, loucuras, imprudências, imperícias,
omissões e improvidência. E, ainda, por ausência de relevantes informações de
fatos ocorridos, num importante lapso de tempo, ou pertinentes mas sem
registros. Contudo, passiveis de correção em tempo hábil e saneamento
posterior.
E se ainda persistir a
incoerência ou a contradição é porque só pode pertencer à estrutura não
clássica, suscetível de entendimento por meio do próprio pensamento objetivo.
O pensamento objetivo usa e
aproveita as exigências, os princípios e as concepções construtivistas que
consistem na construção e reconstrução de modelos explicativos para a realidade
concreta.
Combina o raciocínio
hipotético-dedutivo com o hipotético-indutivo sem dispensar as demais inúmeras
maneiras de raciocinar. Depois, acresce-lhe os frutos da idéia de conhecimento
aproximativo, consideradas as idéias de inovação, mudança, correção ou de
adequação para novas realidades. Eis porque, os fenômenos, os fatos e as idéias
novas podem exigir a elaboração de novas teorias e métodos, novas estruturas e
tecnologias.
O pensamento mítico e o
subjetivo têm outros parâmetros.
O pensamento mítico está bem mais ligado ao
pensamento coletivo sociocultural antiparcimonioso quando os demais pensamentos
são inúteis ou estão ausentes para explicar e resolver os impasses mais
prementes ou para afastar uma catástrofe iminente.
São as sensações e as emoções, os valores, princípios
dogmáticos, os subsídios do senso comum, ética, padrão, costume social,
tradição, mistério, as convicções pela fé, sentimentos, crenças e presunções
que prevalecem sobre as intuições, os sensos e juízos lógicos ou as razões, no
pensamento mítico.
Para fazer abundar aqueles suprimentos imediatos mais
simples das necessidades básicas comunitárias, num dado momento histórico,
quando a escassez já ameaça a sobrevivência da maioria, a tendência geral é
apelar ao sobrenatural, uma das características do pensamento mítico.
Neste tipo de pensamento, só cabe a Deus resolver todas
as coisas impossíveis para o ser humano. Só um poder superior poderá dissolver
uma situação catastrófica por um milagre, ou num passe de mágica, quando a
sabedoria, conhecimento, idéia, prática, aptidão, instrumentos e recursos
existentes e disponíveis são insuficientes para combatê-la. Quando todos os
esforços são em vão, nada resta senão elevar o pensamento a Deus e orar,
porquanto a fé e a crença, nessas circunstâncias, trazem à coletividade a calma
e a confiança pela lembrança daquelas muitas vezes que já se deu certo, seja
por acaso, seja por coincidência, por destino e mesmo pela mão de Deus. O importante
é saber que o temor de Deus é o princípio de toda a sabedoria.
O pensamento mítico é comum na infância, na relação de
adultos com crianças, para um melhor entendimento e compreensão do que pode
pensar cada um numa dada situação, ou para um desempenho satisfatório ante a
fraqueza ou pequenez contra uma dificuldade presente.
Daí, o que é normal, simples e natural no pensamento
mítico pode parecer ridículo, absurdo e contraditório para o pensamento
objetivo. Por exemplo, o Papai Noel é simbólico e porque já resolveu muitas
situações difíceis para as crianças em certas épocas do ano é sujeito real e
concreto no pensamento delas quando se aproxima o Natal. Nesse aspecto, não é
ilógico nem absurdo, incoerente e ridículo, nem bem menos anormalidade e
loucura, por exemplo, conversar com passarinhos, animais domésticos, paredes,
com Deus, imagens, plantas, riachos, pedras, bebês, mortos, etc. sabendo-se,
certamente, que não vai se obter respostas de modo algum, no paradigma do
pensamento objetivo. Porquanto, é natural e lógico projetar
pensamentos às coisas, dar-lhes movimentação fantasiosa, emprestar-lhes vozes,
palavras e respostas com retorno para adivinhações e interpretações por crença,
fé, vontade, desejo, intenção e sonho, com veemência, ou ainda, para aquela
comunicação colorida através da linguagem metafórica. Contudo, é preciso ter
suficiente entendimento e compreensão, ainda que bem posteriormente, ou com as
duras penas, que certas coisas não são como pensamos; e, não devemos acreditar
ou ter por certo como existente, real e concreto o que absolutamente não é. E,
ainda que, os paradigmas dos demais tipos de pensamentos, não lhe dêem a justa
validade pelo claro aproveitamento de sua pureza na obtenção de vantagens
comerciais com a promoção do Natal, Ano Novo, Semana da Criança, Dia dos
Namorados, das Mães, dos Pais, etc.
O símbolo mítico não representa mas encarna o
significado. O símbolo se transforma na própria coisa simbolizada. No
pensamento mítico, o símbolo é materializado, direto e imediato.
Daí, o mítico quando em confronto com o lógico,
precisa-se de que se acrescente a este mais a função de desassociar ou
desencarnar a coisa de seu símbolo ou vice-versa traduzindo as suas metáforas
ou colocando os sujeitos nos seus devidos lugares e compreender o significado
nos seus próprios paradigmas. Para uma compreensão adequada é preciso que se
efetue um distanciamento de si para observar-se com os olhos do outro ou ter a
visão do outro sobre as coisas sem misturar, entre si, os paradigmas de cada
qual.
Cada indivíduo, aí, está bem mais vinculado à cultura a
que pertence ou às situações circunstanciais limitadas aos desígnios de
determinada comunidade dos quais professa ou cultua.
O pensamento mítico coleta e associa coisas diferentes
fazendo interagirem-se. Daí, lágrimas são chuvas, os olhos são duas estrelas ou
duas janelas, as sementes que as crianças põem na boca podem nascer ali, etc.
Opera-se com associações de fragmentos heterogêneos, e também com associações
de elementos diversos trazidos pela cultura, pela prática e pelo senso comum.
Atua no campo da linguagem e pensamento simbólicos coexistindo ou misturando-se
com o campo da linguagem e pensamento conceituais. Também, de certo modo
inseridos pelo ritual próprio e aceitos, incondicionalmente, ou são produções e
reproduções do rito, do dogma, do mito, do senso comum, da fantasia, da ficção,
da magia, da crença e da fé comunitária introjetada no indivíduo pelo hábito,
costume e uso, nos quais se estruturou.
Fortalecidas pela vivência ou pela experiência sensível,
as faculdades básicas predominantes do pensamento mítico compreendem as
sensações físicas e psíquicas, a aproximação e a associação de formas,
aparências e conteúdos heterogêneos ou fragmentados. Também é parte do
pensamento mítico a exclusão, a abdução, a síntese e a análise simples imediata
e o raciocínio hipotético-indutivo com base no conhecimento ingênuo, doméstico
ou sucessão familiar, assim como o senso comum, as deduções práticas e as
automáticas e os subsídios das sensações somáticas e viscerais. Deve-se incluir
como recursos relevantes do pensamento mítico, ainda, os reflexos, os impulsos
e condicionamentos, a percepção, as emoções e os sentimentos.
Já o pensamento subjetivo somente é válido
individualmente, tanto onde predomina o pensamento mítico quanto em ambiente de
pensamento objetivo.
O campo da opinião, da persuasão, da argumentação e do
processo dialético de conhecimento faz parte deste tipo de pensamento.
Pode ser identificado nas expressões:
¾ “Eu
penso assim e pronto. Ninguém vai me convencer do contrário.”
¾ “A
minha opinião é essa. Cada um pensa como quiser.”
¾ “Por
esta linha de ação posso convencer o Juiz e vencer a causa”.
No pensamento subjetivo, os seus recursos e faculdades
subsidiam-se, com predominância, pela prática individual, pelas interações no
meio ambiente próprio, pela experiência sensível e pelo autodidatismo.
Os principais são a idéia, a
criatividade, as sensações psíquicas, o raciocínio hipotético-indutivo,
sugestão, o raciocínio hipotético-dedutivo, o confronto, a fantasia, raciocínio
por analogia, por redução ao absurdo ou exclusão, o devaneio, a reflexão, a
meditação, a imaginação, a introspecção, a racionalização e a argumentação,
contudo, sem uma orientação metódica definida. Os seus subsídios vêm mais dos conhecimentos
implícitos cujas inferências e conclusões estão altamente associadas às
intuições, emoções, sentimentos, sensos e evidências. As suas convicções têm
mais apoio da verossimilhança advinda das associações de elementos heterogêneos
e das sensações somáticas e psíquicas ressaltando-se a seleção e fé, as crenças
e visões, os sons, as cores, sabores e odores, os vestígios, presságios,
pressentimentos e sinais, as profecias, especulações e premonições, as
semelhanças, pistas, aparências, indagações, coincidências, ambigüidades, as
incertezas, distinções e pegadas, a tópica, a comparação, dissociação,
associação, analogia, rastro, signo, indício e coleção de fragmentos afins de
interesses reservados.
Em grande parte das suas
interações intrapsíquicas e procedimentos, o pensamento subjetivo opera tanto
com elementos homogêneos quanto com heterogêneos segundo interesses imediatos.
O pensamento subjetivo tanto
produz, reproduz, inova e inventa atos, atitudes e atividades tendenciosas e
egocêntricas quanto os procedimentos éticos, altruísticos e beneficentes, mas
sempre com intenção e interesses voltados para o incremento de suas realizações
particulares. Assim, tanto se expressa pela linguagem conotativa quanto
denotativa.
O pensamento subjetivo, muito embora cheio de vivas
experiências, rico em opiniões, sugestões, idéias, argumentos, máximas
populares, e de muitas convicções aceitáveis, provém da mistura dos pensamentos
mítico e objetivo, mas restritos aos interesses particulares no âmbito do
suprimento das necessidades imediatas, ou em curto prazo.
Portanto, não há a pureza simbólica, folclórica,
metafórica, artística, ingênua, exótica, natural e poética do pensamento mítico
e a profundeza científica, precisão, clareza e a universalidade do pensamento
objetivo. Mas, por outro lado, como compensação, há a grandeza e beleza da
originalidade, criatividade, iniciativa, especulação, improvisação, arte,
estética, curiosidade, espontaneidade, coragem, desafio, intuição, inovação,
invenção, autonomia e individualidade autêntica que dão o colorido à vida e, em
especial, subsídios aos demais pensamentos.
Eis porquanto é preciso a integração desses três
pensamentos cada qual vendo também pela visão dos demais diferentes paradigmas.
Daí, compreender-se-á que o ridículo e o absurdo só
existem numa visão única e própria quando demais paradigmas são
desconsiderados, desqualificados, subestimados ou excluídos.
O exercício do pensamento
eficiente e eficaz requer um clima propício, ambiente saudável, arejado,
pacífico e equipado com os meios, ferramentas, instrumentos adequados e com os
recursos indispensáveis ao que se propõe pensar, sem interferências,
interrupções, distrações, omissões, perturbações nem obstáculos de quaisquer
naturezas.
Requer também ótimo
condicionamento físico e a situação de saciado, de bem alimentado, sem sono,
acordado, vivaz, bem disposto e desfrutando o bem-estar.
Entretanto, a boa disposição
querendo pensar mesmo, o equilíbrio, a calma, a tolerância e a paciência, com
bons reflexos para o alerta, prontidão, atenção, concentração e observação são
requisitos indispensáveis.
[14] Juízo. O juízo tem uma
significação mais para o lado da sensatez quando se interage com o meio
ambiente no passo de se conduzir bem. Essa conduta se refere à boa ética e
qualidade do ato de dar parecer, julgamento, opinião, opção, determinação,
decisão, deliberação e sentença para uma aplicação de fazer, não fazer, ou
criticar, mas de modo justo e imparcial, observando as boas emoções,
sentimentos e sensos. Implica, então, aptidão, sabedoria, vivência, bom conhecimento anterior, amor e
inteligência.
A
paciência, o senso e o juízo indicam o equilíbrio psíquico, racional e
intelectual para a equanimidade na busca do objetivo e da missão maior com
serenidade de espírito, retidão e eqüidade em julgar. Todos estes recursos
psíquicos suportam a equanimidade que é a igualdade de ânimo tanto na
desgraça quanto na prosperidade, que só a auto-estima os pode subsidiar.
Sem
juízo não há auto-estima. Sem auto-estima não há juízo. V. nota 35.
Logo, não se deve esmorecer
diante de qualquer obstáculo. É preciso manter o interesse e os estímulos
interessantes, passo a passo, através dos reforçadores e dos motivadores
positivos.
A intenção deve-se aliar ao
desejo e à vontade de transformar o sonho em realidade concreta. Sem, contudo,
esquecer-se de firmar um pé de apoio para cada passo seguinte. Isto significa
que todo avanço precisa de auto-sustentação, assim como disse Arquimedes que
levantaria o mundo se lhe dessem um ponto de apoio e uma alavanca.
Observe-se que as
reconciliações mais rápidas — consigo mesmo ou com os outros —, são obtidas
quando presentes os recursos do saber amar, com a auto-estima em
nível superior, ter o que e o como ceder e compensar-se, não estar no pólo
repelente e encontrar-se no curso da missão maior.
A situação de auto-estima em
alto nível traz de imediato à consciência, o estado emocional ou sentimental
negativo ativado. Porque, quando a auto-estima está em baixa não há como se
interessar em detectar, conhecer e remover a causa do distúrbio emocional que o
incomoda. Pode-se saber, daí, a causa, o motivo, ou a razão do mal-estar
presente por meio da busca às respostas das indagações inerentes. O juízo está
apto para operar.
Essa consciência pode
acionar os instrumentos psíquicos adequados trazendo a expectativa, a
esperança, o entusiasmo, a calma, a tolerância, a paciência e a paz de espírito
que podem aliviar e afastar impulsos violentos ou tensões prolongadas, não
saudáveis, mantendo o equilíbrio, a alegria, o prazer e o bem-estar contínuo.
Evita-se, nesse processo, as
possíveis reações negativas inacessíveis à manutenção das boas relações
interpessoais, sem seqüelas para a saúde, porquanto a consciência integrativa
aciona o bom juízo para descontaminar, filtrar, depurar e qualificar os
estímulos certos e válidos, de conformidade com os momentos
biográfico-históricos utilizados.
É no quarto momento que o juízo
integra as emoções, os sentimentos e os sensos. O juízo é o suporte da
auto-estima autêntica disciplinando e harmonizando as emoções, os sentimentos e
os sensos.
Por conseguinte, os excessos
das reações, das ações e das atuações dissipam-se evitando perdas
desnecessárias.
O juízo é o filtro que
bloqueia a entrada das impurezas que vêm denegrir o espírito, entorpecer a mente
e adoecer o corpo.
O bom juízo e a auto-estima
se municiam e se nutrem porquanto faz prevalecer o melhor das emoções,
sentimentos e sensos integralizados com o melhor das razões dando cores certas
às reações, às ações e às atuações, por julgamento eficiente e eficaz, no passo
do triunfo sensato.
Contudo, o juízo em alto
nível necessita do entendimento preciso e da plena compreensão além do bom
reflexo, da eficácia do conhecimento certo e do pensamento objetivo relativos
às circunstâncias do acontecimento ou do momento considerado. Quem tem a alta
auto-estima vai buscar os recursos necessários aprimorando-os para abastecer o
juízo.
Já dissemos como as grandes
personalidades alcançam o apogeu de sua mestria ou da sua habilitação.
Através da auto-estima aprendem
a se conduzir investindo todo o seu precioso tempo num trabalho
que lhes agradem e gostem, de fato.
Reproduzem-se-lhes a alegria
e o prazer. Pela concentração total nos seus respectivos ramos de atividades
conseguem desenvolver-se pelo treino, pesquisa, observação e estudo.
Informam-se, relacionam-se, orientam-se, convivem com pessoas do meio
apropriado ou afim; e vivem a atividade que escolheram de maneira profunda. Têm
consciências do que querem para si e reagem, agem e atuam, passo por passo, sem
atropelos, até chegarem ao seu ponto ideal definido para consolidá-lo e
desfrutá-lo.
Com a vantagem do juízo e da
auto-estima, qual é o mérito da espécie humana em continuar fazendo a mesma
coisa que os demais seres viventes para poderem sobreviver? A beleza do amor e
da inteligência só pode ser apreciada no ser humano quando houver, realmente, o
triunfo sensato da sua espécie. O juízo é o fundamento do ser humano racional
que atrai o ato inteligente. Porquanto, para que alguém tenha bom juízo é
preciso refletir, conhecer, saber, raciocinar e pensar bem para usar, praticar
o procedimento adequado, o comportamento certo, a boa conduta, a prudência, os
bons reflexos e, principalmente, discernir e julgar o que é bom para si, para
os outros e para a totalidade da sua espécie e sua extensão mais próxima.