CONSCIÊNCIA PRELIMINAR.

 

A percepção é uma experiência dotada de significação.

 

Ela tem o sentido biográfico e histórico. Entretanto, a percepção é apenas um começo para o se dar conta em alto nível, ou para uma consciência ampla definida ¾ com lucidez, visão ou noção através dos diferentes e relevantes paradigmas ¾, digamos, para uma superconsciência.

O processo da consciência de um fenômeno, fato, idéia ou das suas realidades subjetivas e objetivas, necessariamente, envolve, de início, as sensações.

A sensação e a percepção formam toda a consciência preliminar de uma experiência no seu contexto individual imediato e predominantemente subjetivo para atingir a consciência do conhecimento objetivo respectivo.

A fenomenologia de Husserl e a teoria da Gestalt (Psicologia da Forma) não distinguem a sensação da percepção considerando-as uma mesma coisa.

Contudo, por questão didática, chamaremos sensação à parte sensível do organismo com predominância e pertinência ao sistema nervoso, como por exemplo, o bem-estar, a dor ou o mal-estar. Assim, da mesma forma, temos a sensação de ver, ouvir, degustar, cheirar, tocar, acariciar, estar sendo tocado, etc. Veja tópico abaixo٭٭.

Chamaremos percepção à parte psíquica que traduz essas sensações, por exemplo, a consciência dessa situação desagradável ou agradável. Assim, podemos ter a sensação de dor no braço, na perna ou em alguma outra parte do corpo e só ter a sua percepção autêntica quando obtivermos a noção exata de toda a sua extensão e a sua compreensão plena, ou a consciência do que se trata essa dor em sua totalidade (possibilidade imediata de cuidar e tratar a causa, motivo, razão, efeito, conseqüência, resultado, história, etc.).

Quando o anestésico elimina a dor, a sensação de dor não é mais percebida. Mas, resta a consciência perceptiva desse cenário que prevê a volta da sensação de dor findo o efeito anestésico.

De outro modo, pode-se ver, degustar, ouvir, cheirar, sentir algo ¾ ou ter uma sensação agradável de alguma coisa, quer pelo sentido da visão, paladar, audição, olfato, tato, quer pela intuição, sonho, fantasia, lembrança, recordação ou devaneio ¾, porém, tão-só termos a percepção da conexão dessa coisa com a sensação boa que ela proporcionou ou proporciona quando a situarmos em seu contexto integral pela sua noção global ou consciência disso (Megaconsciência ¾ Saburo Okada).

Daí percebermos tratar-se de um círculo a superfície de uma mesa redonda quando, na verdade, numa posição superior e longitudinal temos a sensação de estarmos  vendo uma elipse.

Percebemos círculo na sensação de elipse porque temos uma noção anterior e a consciência presente da totalidade do fenômeno mesa no ambiente no qual se encontra.

 

Num primeiro momento temos a sensação de tratar-se de elipse porque a enxergamos assim. Contudo, pela experiência e noção anterior, a percepção (constatação) de qual figura se trata é imediata, automática e evidente, fazendo coincidir sensação e percepção ao mesmo tempo dando possibilidade de ampliar a consciência desse fenômeno à medida que se necessite de respostas a quaisquer indagações relativas. A consciência de círculo se tem pela percepção[1], identificação[2], interpretação[3] e entendimento[4], bastando enxergá-la de cima para baixo, ou pela análise ou por confronto experimental através de um compasso quando houver necessidade de precisão.

 

A partir da conexão estímulos « sensações « banco da memória seguem a percepção, a identificação, a interpretação e entendimento da autêntica e essencial natureza dessa conexão com a respectiva finalidade da situação real relativa, pela sua totalidade.

 

A conexão estímulo«sensação incorporada pode dar, de modo habitual, a resposta automática correspondente. Somente quando esta não resolver o impasse, é que a percepção, a identificação, a interpretação e o entendimento veraz se fazem necessários para a solução do problema decorrente.

 

Síntese da noção global dessa conexão com relação aos seus quatro momentos:

 

 

PRIMEIRO MOMENTO

SEGUNDO MOMENTO

TERCEIRO MOMENTO

QUARTO MOMENTO

encontro com a novidade

mudança na descoberta

idealização inovatória

originalidade inventiva

descoberta

inovação

invenção

criatividade

iminências → premências

privações → toleráveis

carências → passíveis

Necessidades - priorizações:

(imediatas)

(tempestivas)

(regulares)

(integradas)

FENÔMENO

FATO

IDÉIA

REALIDADE ٭

Estímulo presente

Estímulo adiante ¹

Estímulo constante

Alarmes SENSAÇÕES٭٭

 REFORÇADORES

MOTIVADORES

INTERESSANTES

INTEGRADORES ²

alerta

prontidão

atenção

observação

PERCEPÇÃO

IDENTIFICAÇÃO
INTERPRETAÇÃO
ENTENDIMENTO

reflexos

conhecimento
pensamento
compreensão

Escolha (opção)

determinação
decisão
deliberação
EMOÇÕES
SENTIMENTOS
SENSOS
JUÍZOS

REAÇÕES

AÇÕES

ATUAÇÕES

INTERAÇÕES → TRIUNFO

 

(1) O estímulo adiante tanto pode estar no  futuro quanto no pretérito, subjetiva ou objetivamente, ausente, longe, ou perto e presente mas não premente e urgente, nem intempestivo, perigoso ou fatal. (2) Os integradores são estímulos que geram uma situação de prioridade de resposta (com disposição física e psíquica) cuja importância e implemento é resolvido por deliberação unânime entre a escolha, determinação e decisão. Os estímulos reforçadores, os estímulos motivadores e os estímulos interessantes podem ser integrados para um único objetivo ou missão. Os reforçadores, os motivadores e os interessantes podem ser positivos quando sua presença ou apresentação aumenta a freqüência de resposta e são negativos quando a sua ausência ou retirada mantém ou aumenta a freqüência de resposta, quer automaticamente ou não, quer voluntária e intencionalmente ou não.

 

٭ Cumpre lembrar que há duas realidades. O subjeto que é o mundo da realidade subjetiva vista de fora para dentro**; e, o objeto que é próprio do mundo da realidade objetiva. Podendo cada sujeito ser objeto de si mesmo e de outros.

Embora as formas e conteúdos da realidade objetiva, num dado momento, se mantenham ou permaneçam invariáveis para todos os sujeitos presentes, cada qual assimilará essas formas e conteúdos da maneira própria e particular, qualquer que seja o fenômeno, fato, idéia e estímulo, dando origem aos distintos pontos de vista sobre um mesmo assunto. Visto que o mundo da realidade subjetiva está dentro do indivíduo que propende a se estruturar e se organizar assimilando, acomodando, consolidando, desfrutando e reproduzindo o que lhe oferecem as suas sensações, emoções, sentimentos, sensos* e juízos que são diferentes uns dos outros. Essas diferenças resultam à medida do acúmulo das incontáveis e diversificadas vivências, experiências e interações com o meio ambiente que cada um obtém ao longo da vida, a seu modo específico, quer enquanto criança, adulto, maduro, velho quer como portador de outras variáveis seja na situação econômica, sexo, estado civil, etnia, descendência, cultura, talento, profissão, oportunidade, na saúde, ou na dor, etc.

Esse mundo interno processa, opera e interage com os recursos ou subsídios da percepção, da identificação ou reconhecimento, da interpretação e do entendimento através dos signos, símbolos, indícios, vestígios, significações, linguagens, informações, imagens, sinais, expressões corporais, dados e representações da realidade objetiva.

Desenvolve-se incrementando o conjunto das memórias, dos reflexos*, das experiências, saberes e conhecimentos; e, se constrói, reconstrói ou se atualiza consolidando os pensamentos, raciocínios, as idéias, os ideais, as reflexões, imaginações, compreensões e das consciências diante do espantoso, formidável e complexo mundo da realidade objetiva que o acolhe e o sustenta.

Não obstante as incomensuráveis divergências que apresentam todos os sujeitos do conhecimento entre si, ainda que as suas comuns semelhanças os façam distinguir dos outros seres vivos, há um acervo enorme de conhecimentos úteis consolidados pela sociedade que não se pode prescindi-los nas suas reais oportunidades e circunstâncias necessárias.

Daí, o aproveitamento ideal da sabedoria humana e dos seus conhecimentos novos exige uma ampla abertura para o seu uso imediato e disponibilidade incondicional para quaisquer pessoas ou grupos sociais segundo suas necessidades ou desejos. Urge-se, então, dispô-los para a eficácia da aprendizagem, compreensão geral, uso e desfrute. Eis porquanto, em se reduzindo a quase nada ou diminuindo as extensões das divergências aumentarão as compreensões para os imprescindíveis acordos, conciliações, consensos e pactos.

A conseqüência será a universalização da facilidade do bem-fazer, gostando e querendo, tendo a humanidade como um todo a sua razão de existir com um sentido de vida em nível ótimo.

A realidade objetiva está fora do indivíduo envolvendo-o e são as coisas, os alimentos, o ar, a luz, o solo, os objetos de sua extensão próxima, a paisagem e seu conteúdo, as pessoas, animais, plantas, compostos orgânicos e inorgânicos, o universo, etc. que interagem com ele compondo os fenômenos, os fatos, as idéias alheias, os saberes do mundo, o meio ambiente e a sua história.

 

 

CONSCIÊNCIA

MEMÓRIAS

FINALIDADES

DO INCONSCIENTE   ®

LEMBRANÇA

SENSAÇÃO ® PERCEPÇÃO ® REAÇÃO

DO SUBCONSCIENTE  ®

RECORDAÇÃO

COGNIÇÃO ® IDENTIFICAÇÃO ® AÇÃO

DO CONSCIENTE   ®

INTROSPECÇÃO

REPRESENTAÇÃO ® INTERPRETAÇÃO ® ATUAÇÃO

INTEGRATIVA   ®

REFLEXÃO

NOÇÃO ® ENTENDIMENTO ® INTERAÇÃO - TRIUNFO

 

Nessas situações, conforme o entendimento de cada um aliado ao universo de seus recursos próprios ou disponíveis, através das emoções, sentimentos, sensos e juízos, os indivíduos reagem, agem, atuam e se interagem para triunfarem.

 

 

¯ Situação ®

¯ Estímulo atuante ®

¯  Sensação manifestada ®

¯  SUBJETO  ®

¯  OBJETO

inconsciente

lembrança

percepção

reflexo

reação

subconsciente

recordação

identificação

conhecimento

ação

consciente

introspecção

interpretação

pensamento

atuação

consciências

Memórias/reflexão

entendimento

compreensão

triunfo

 

Consciência do inconsciente (sensação, lembrança, percepção) ® Consciência do subconsciente  (cognição, recordação, identificação) ® Consciência do consciente  (intelecção, introspecção, interpretação) ® Consciência .integrativa  (noção, reflexão, entendimento) ↔ compreensão  ® resposta.

 

٭٭ SENSAÇÕES.

 

As sensações comuns como, por exemplo, as de perigo, inquietude, bem-estar, mal-estar, susto, frio, calor, sabor, fome, dor, sede e gastura nos levam a uma situação de escolha: ¾ ficar ou ir embora, enfrentar ou fugir, esquivar-se, conformar-se, não se submeter, procurar ajuda, deliciar-se, perseguir, etc.

Tem-se por sensação a impressão causada ou provocada por um estímulo interior ou exterior numa formação receptora do organismo e levada ao complexo-percepto-memório-intelectivo[5], que é todo o sistema límbico[6] (Paul D. Mac Lean) associado às outras formações cerebrais. Está interligado ao sistema nervoso ― central, periférico e visceral (vegetativo ou autônomo) ― que tem a função de perceber os estímulos, transmiti-los às várias partes do organismo e efetuar respostas. E, com as glândulas endócrinas coordenam e integram as funções do todo para que este funcione e opere harmoniosamente.

Desta maneira, este complexo organiza e comanda todas as reações, ações, atuações e interações para poder subsistir e triunfar, buscando escolher, optar, determinar, decidir e deliberar o melhor com as condições disponíveis e sabidas na situação. E de tal sorte que consiga depurar ou desenvolver as conexões estímulos « sensações « consciências que constituem todo o potencial da aprendizagem para saber bem o porquê, para quê, para quem, como, quanto, onde e quando se deve reagir, agir, atuar, representar, esperar, fazer, conhecer, pensar, raciocinar, compreender e conscientizar-se para o bem acontecer ou para ocupar-se de viver bem no seu meio ambiente.

Há três classes de sensações: as viscerais, as somáticas e as psíquicas.

As sensações viscerais advêm das vísceras e conectam as emoções pelas vias aferente e eferente.

 

Em decorrência, as sensações viscerais são chamadas de aferentes e eferentes.

 

As sensações viscerais aferentes são determinadas pelas condições fisiológicas e patológicas das vísceras (os reflexos viscerais, sensação de contrações uterinas, dores viscerais por distensão, inflamação, cólica, sensação de plenitude gástrica, vesical, retal).

 

As viscerais eferentes provêm das atividades colinérgicas (acetilcolina ¾ transmissor químico sináptico) e das adrenérgicas (catecolaminas ¾ geram as sensações ortossimpáticas como a palidez, taquicardia, ejaculação, etc. e as sensações como o rubor, bradicardia, ereção, etc. chamadas de parassimpáticas).

 

As reações adrenérgicas por estímulo das glândulas supra-renais são bem mais intensas do que a ação do ortossimpático em nível dos efetores. A adrenalina é mais intensa no coração do que nos vasos, a noradrenalina está muito mais nos vasos do que no coração e além dessas duas catecolaminas secretadas pelas supra-renais há uma outra catecolamina, em pequeníssima quantidade, a isopropil-noradrenalina que dilata os vasos musculares, função contrária a da noradrenalina.

Essas catecolaminas dentre outros hormônios entram na circulação sangüínea, cada qual com a sua respectiva função, diante de um estímulo interno ou externo, originando as diversas sensações com o objetivo de acionar o mecanismo de defesa, de conservação e proteção, ou o reequilíbrio do organismo.

Desse modo, a adrenalina com a função de acelerar as batidas do coração, o fluxo sangüíneo aumenta em velocidade exigindo um empenho maior e mais veloz de todos os demais órgãos.

Consumado esse processo e atingindo o objetivo, de modo satisfatório ou não, haverá a reposição da energia gasta.

As sensações somáticas advêm dos demais lugares do organismo e referem-se aos órgãos dos sentidos e aos outros, conectando a situação de bem-estar ou mal-estar físicos.

 

As sensações somáticas podem ser gerais e especiais.

 

 

As sensações gerais são as mecanoceptivas, as termoceptivas e as nociceptivas.

As sensações mecanoceptivas são aquelas relativas à detecção de estímulos mecânicos.

As sensações termoceptivas são as relativas a estímulos térmicos.

As sensações nociceptivas são as dolorosas.

São chamadas proprioceptivas aquelas sensações que nos informam sobre a posição de segmentos do próprio corpo (sensações de estiramento muscular, tendões e ligamentos, pressão nas plantas dos pés ou palmas das mãos).

As especiais são olfação, gustação, equilíbrio, audição e visão.

Todas estas sensações, sejam viscerais sejam somáticas, ao longo das experiências e vivenciamento, podem trazer ou desenvolver aquilo que chamamos de sensações psíquicas.

 

 As sensações psíquicas ocorrem nas devidas situações de momentos em conexão com as demais situações, de acordo com o seguinte quadro:

 

QUADRO DAS CONEXÕES DOS MOMENTOS NAS SENSAÇÕES PSÍQUICAS ATUANTES.

M O M E N T O S

PRIMEIRO ¾ (RO)

SEGUNDO ¾ (RO)

TERCEIRO ¾ (RO)

QUARTO ¾ (RO) **

(CONEXÕES)

(INCONSCIENTE)

(SUBCONSCIENTE)

(CONSCIENTE)

(CONSCIÊNCIAS)

PRIMEIRO ¾ (RS)

PRESSÁGIO

PREMONIÇÃO

ESPECULAÇÃO

PROFECIA

(REFLEXOS)

PERCEPÇÃO

IDENTIFICAÇÃO

INTERPRETAÇÃO

ENTENDIMENTO

SEGUNDO ¾ (RS)

PRESSENTIMENTO

PREVISÃO

PREDIÇÃO

CONTROLE

(CONHECIMENTO)

DÚVIDA

CRÍTICA

CONSIDERAÇÃO

ACEITAÇÃO

TERCEIRO ¾ (RS)

INTUIÇÃO LÓGICA

INTUIÇÃO IMAGINATIVA

INTUIÇÃO  HEURÍSTICA

INFERÊNCIA

(PENSAMENTO E

CONFRONTO

ANÁLISE

SÍNTESE

IMAGINAÇÃO

SUAS FACULDADES)

ABDUÇÃO

INDUÇÃO

DEDUÇÃO

CONCLUSÃO

QUARTO ¾ (RS) *

LEMBRANÇA

RECORDAÇÃO

INTROSPECÇÃO

REFLEXÃO/MEMÓRIAS

(COMPREENSÃO)

ACOLHIMENTO

CONVICÇÃO

EXATIDÃO

APLICAÇÃO

* (RS) = Realidade Subjetiva sentida ou sensação presente ¾ * * (RO) = Realidade Objetiva possível ou estímulo relativo presente.

 

 

 

 

No quadro acima é preciso que se observe cada conexão com o recurso respectivo para se compreender a integração que ocorre nos quartos momentos quando a partir das consciências e da compreensão conectam-se na aplicação.

Nas verticais estão dispostos os momentos da realidade objetiva e nas horizontais os momentos da realidade subjetiva.

As sensações psíquicas estão em negrito, em posição de conexão com as suas realidades subjetivas e objetivas.

Observe também o grupo das memórias como sensações psíquicas dos quartos momentos. Temos a lembrança num primeiro momento que é a memória-inconsciente que fornece subsídios e registros à consciência-do-inconsciente. Depois, a recordação, vem no segundo momento, e serve-se da memória-subconsciente que dá subsídios e registros à consciência-do-subconsciente. A seguir, a introspecção (meditação introspectiva), no terceiro momento, evoca a memória-consciente para subsidiar e informar à consciência-do-consciente. E, na conexão do quarto momento a reflexão integra as conexões relativas.

 

 

Note-se, também, que para lembrar é preciso que haja o acontecimento relativo vivido e registrado no banco de memória.

Para recordar é preciso lembrar de algo significativo do acontecido reunindo todas as suas partes ou associando as lembranças dos fragmentos e fenômenos até formar o seu todo.

Para meditar introspectivamente é preciso recordar fatos vividos de modo inteiro interligando as posições mais relevantes ou essenciais para apurar os lapsos através de uma boa análise e síntese introspectiva.

Nas reflexões integram-se a lembrança, recordação e meditação introspectiva (introspecção) na busca de parâmetros orientados para o benefício que os impulsos, as atitudes e as influências se propõem implementá-los e administrá-los.

Daí, sem a sensação psíquica das memórias não haverá a plena consciência, o entendimento, aceitação, compreensão e o acolhimento e nem convicção e exatidão para aplicação alguma.

 

 

Observe-se que as sensações psíquicas são construídas ou desenvolvidas e fortalecidas à medida do crescimento e do acúmulo de experiências de vida.

 

 

Neste passo, além dos conhecidos ou regulares estímulos que provocam determinadas sensações somáticas e viscerais cujas reações, impulsos e respostas podem ser automáticas, outros — simples ou complexos — são fatores de alarme para posições de alerta, prontidão, atenção e observação na tomada de decisões. Circunstâncias estas podem provocar, com maior ou menor intensidade e freqüência, determinadas posições de crenças, prognósticos, adivinhações, especulações, intuições, inferências ou de certezas relativas, expectativas, ansiedades, palpites, dúvidas, hesitações, etc. dentro do contexto das

principais peculiaridades dos momentos biográficos do quadro abaixo,

cujos termos estão definidos ou explicados nas obras do mesmo autor: “TEORIA DE APRENDIZAGEM: AS CONSCIÊNCIAS DOS SEUS QUATRO MOMENTOS” e “MEGACONSCIÊNCIA”.

 

 

 

 

 

 

PRIMEIRO MOMENTO

SEGUNDO MOMENTO

TERCEIRO MOMENTO

QUARTO MOMENTO

PREMÊNCIA

TEMPESTIVIDADE

CONSTÂNCIA

PRIORIZAÇÃO

Reação

Ação

Atuação

(1) Interação* ® Triunfo

resposta

execução

atividade ® processo

(2) Interação* ® produção

e m o ç ã o

sentimento

s e n s o

j u í z o

impulso

Atitude

influência

(3) Interação* ® benefício

Reflexo ® recurso imediato

Conhecimento ® saber

Pensamento ® raciocínio

Compreensão ® equilíbrio

confronto

análise

síntese

imaginação[1]

arranjo

permutação

combinação

organização

CLASSIFICAÇÃO

SERIAÇÃO

SELEÇÃO

ESTRUTURAÇÃO[2]

Assimilação

Acomodação

Consolidação

Deleite

estática

dinâmica

cinemática

harmônica

vontade

d e s e j o

intenção

sonho

r e f o r ç o

m o t i v a ç ã o

i n t e r e s s e

d i s p o s i ç ã o

Escolha ® opção

d e t e r m i n a ç ã o

d e c i s ã o

d e l i b e r a ç ã o

confiança

credibilidade

boa-fé

sinceridade

cumplicidade

fidelidade

lealdade

intimidade[3]

hábito

costume

uso

convivência

comportamento

conduta

procedimento

vivenciamento

ingenuidade

responsabilidade

espontaneidade

disciplina

descoberta

inovação

invenção

criatividade

fenômeno

fato

idéia

realidade

saciação

satisfação

solução

consumação

natural

cultural

tecnológico

civilizacional

acordo

conciliação

consenso

pacto

bem-estar

bem-ser

bem-ter

bem-fazer

* Interação: (1) recurso genérico. (2) recurso individual. (3) recurso sociocultural.

As sensações psíquicas referem-se às impressões complexas causadas por estímulos também complexos recebidas nos três estados psicológicos atuantes.

Essas impressões, de forma habitual, geram questionamentos, inquietações, indagações, preocupações, hesitações, interrogatórios, confiança, insegurança, ceticismos, dúvidas, incertezas, indecisões, formulações, desconfianças, suspeitas, perplexidades, irresoluções, críticas e também afirmações, que em sua maior parte resultam em adivinhações, palpites, opiniões, cismas, superstições, crenças e fé.

Mediante um estímulo qualquer seja este uma ocorrência, um sinal, indício, vestígio, rastro, sonho, alarme, circunstância, aparição, advertência, acidente, imprevisto, coincidência, comunicado, grito, som, incidente, fenômeno, fato, idéia, etc. as sensações psíquicas surgem de conformidade com a conexão harmônica dos diversos momentos das realidades subjetiva e objetiva.

Elas se desenvolvem à medida do crescimento, da vivência, do acúmulo de experiências, conhecimentos e da necessidade constante do raciocínio. Assim, temos:

 

REALIDADE OBJETIVA (emissora de estímulos para):

Presságio, pressentimento, intuição lógica, lembrança Primeiro momento.

Premonição, previsão, intuição imaginativa, recordação Segundo momento.

Especulação, predição, intuição heurística, introspecção —Terceiro momento.

Profecia, controle, inferência, reflexão — Quarto momento.

 

REALIDADE SUBJETIVA (receptora de sensações de):

Presságio, premonição, especulação e profecia — Primeiro momento.

Pressentimento, previsão, predição e controle — Segundo momento.

Intuições: lógica, imaginativa, heurística e inferência — Terceiro momento.

Lembrança, recordação, introspecção e reflexão —  Quarto momento.

 

Na consciência-do-inconsciente temos os presságios, as premonições, as especulações e as profecias, cujas afirmações são ricas de argumentos ou explicações não parcimoniosas cujas justificativas não são nada empíricas e sem a expressão do determinismo probabilístico, sob os parâmetros científicos.

O presságio é uma sensação psíquica dada por meio da percepção de um fato ou sinal real e concreto presente que sugere o prenúncio de bom acontecimento, boa sorte ou revés para um futuro próximo ou logo adiante. Acontecendo ou não, o prenunciado é logo esquecido, eis porquanto não passa de uma situação de primeiro momento (conexão RS ↔ RO).

Em persistindo uma preocupação conseqüente é indício de sua conexão com fatores dos demais momentos.

 

Por exemplo, quando se ouve alguém dizer: — estou com uma sensação estranha, não sei o que é, mas sei que algo de muito extraordinário irá acontecer comigo logo, logo.

 

A premonição é uma sensação psíquica no aqui e agora dada por meio da identificação subjetiva dos sonhos ou visões imaginárias como advertência que induz o indivíduo à crença da ocorrência tempestiva de um determinado acontecimento.

Assim como o presságio, a premonição ocorre no primeiro momento (RS), mas em conexão com o segundo momento (RO) e por ser tempestivo logo se esquece, só vindo à consciência respectiva caso venha a ocorrer por mera coincidência, acaso ou não.

 

Por exemplo, quando alguém diz: — hoje eu sonhei que caiu um dente da minha boca. Mas, que sensação esquisita! Sinto até que alguém da minha família vai morrer.

 

A especulação é a sensação psíquica, no aqui e agora, que surge pela interpretação subjetiva de fatos e indícios presentes fornecidos pelas oscilações dos fatores de uma certa movimentação, fortalecendo determinado palpite ou dando início a uma seqüência de buscas de vestígios e sinais para saciar uma curiosidade nascente respectiva. É do primeiro momento (RS) conectada ao terceiro (RO) uma vez que se desenvolve por uma atuação consciente e perseverante.

 

Como exemplo, quem está acostumado a especular na bolsa de valores sempre tem um bom palpite, ou seja, quando a sensação de altos lucros está presente ele logo investe em determinado papel.

 

A profecia é uma sensação psíquica de primeiro momento (RS) em conexão com o quarto (RO) e que resulta da integração das três situações anteriores.

 

Há uma variedade de exemplos proféticos, principalmente, dos experientes especialistas em seus ramos de negócios, pois, têm necessidade de prognosticar bons resultados para o futuro de suas empresas.

 

Nessa ocasião experimentam uma sensação mista de breve inquietude, leve arrepio, calor e ânsia, seguidos de confiança, expectativa, certeza, controle, ou de bem-estar.

Dado que as situações de primeiro momento se enfrentam de maneira imediata, essas sensações psíquicas não passam do alerta, no aqui e agora, não provocando preocupações ou inquietações tal como as motivadas pelas sensações psíquicas dos segundos momentos.

Em ocorrendo os fatos preconcebidos, sejam por mera coincidência ou não, não há para eles uma justificativa aceitável ou uma explicação parcimoniosa sob o ângulo do pensamento objetivo.

As sensações psíquicas dos segundos momentos surgem na consciência-do-subconsciente. Elas são identificadas ou logo reconhecidas. E são chamadas de pressentimentos, previsões, predições e controles. Os seus pressupostos são particulares, relativos e circunstanciais exigindo dados e fatores básicos que aumentem a probabilidade de acerto.

 

As afirmações decorrentes das sensações psíquicas, nesta circunstância, relacionam-se com experiências e conhecimentos anteriores.

 

Em conseqüência, com facilidade podem levar as pessoas à crença infundada motivando-as às ocupações precipitadas ou podendo levá-las às frustrações, decepções, erros e sofrimento psíquico causado pelas preocupações persecutórias. A crença infundada que gera o inconformismo vingativo é causa ou motivo de grandes distúrbios emocionais.

Daí, há forte tendência das patologias psicossomáticas se instalar em organismo que se torna débil em razão dos desvios de energias biológicas com o aumento das tensões emocionais decorrentes.

As falhas nesse sentido provêm das generalizações ou de abduções ilógicas e das analogias sem fundamentos autênticos, ou de associações e comparações entre fragmentos tomados como inteiros estabelecendo-se as confusões.

Neste caso, os estímulos presentes ou atuantes nos dão conta de que algo muito semelhante está preste a acontecer.

No plano físico, fora das relações sociais, por exemplo, as trovoadas ou as nuvens carregadas são sinais ou indícios de uma precipitação atmosférica para breve. As possibilidades e as probabilidades de acerto têm correspondido, mais ou menos, com o esperado.

O pressentimento é uma sensação psíquica que ocorre apropriadamente no segundo momento (RS) pela presença dos estímulos associados ao que se teme ou ao que se deseja que aconteça. Logo, está em conexão com o primeiro momento (RO).

Eis porquanto, ainda que não ocorra o esperado, tão-somente pelos seus estímulos associados começa-se a sentir e experimentar, previamente, as reações ou ações como se já o estivesse acontecendo. É um dos motivadores principais das preocupações e inquietações.

A dúvida emocional ou, principalmente, a racional pode questionar a crença na situação gerada pelo pressentimento.

A previsão é a sensação psíquica reconhecida ou obtida na conexão dos segundos momentos das realidades subjetiva e objetiva pela visualização antecipada de uma conseqüência geralmente boa ou prudente, embora se faça previsão das más conseqüências.

Decorrem as previsões dos indícios ou sinais já sabidos e identificados, ou do conhecimento das variáveis e dos motivos que levam à sua ocorrência, num determinado prazo, com ótima margem de acerto. Geralmente a crítica acompanha a previsão para conciliar os excessos de cuidados e de preocupação a serem tomados.

A previsão se associa à sensação de certeza. Contudo, o futuro é incerto por melhor que seja uma previsão. Por isso, foi necessário desenvolver métodos científicos de previsão para que se pudesse prever eventos futuros com menor margem de erro. Assim, as previsões de tempo ou de aproximação de certos cometas, eclipses, ou a de ocorrências de terremotos, maremotos, tempestades, tufões, ciclones, erupções vulcânicas, surtos epidêmicos e assemelhados tem dado tempo suficiente para a prevenção contra danos maiores decorrentes desses eventos que acabam por chegar mais ou menos no tempo previsto.

A predição é a sensação psíquica do segundo momento (RS) que ocorre em conexão com certas situações regulares do terceiro momento (RO) que se experimenta pela consideração com as dúvidas do pressentimento e com as críticas da previsão. Pelos estudos, análises e cálculos de probabilidade ou estatísticos pode-se predizer uma situação futura com boa margem de acerto. Em outros termos, pelos sinais e indícios presentes, teme-se ou deseja-se uma possível ou determinada situação futura pressentida, ao mesmo tempo em que, pela experiência e conhecimento de uma situação análoga anterior pode-se prever possibilidades de sua ocorrência.

E daí, através da observação de seus fatores regulares relativos ou cumulativos pode-se prognosticar as suas reações, ações futuras cujas ocorrências confirmam a predição do seu desfecho. Daí, através do controle do que observa pode manter a rota certa dos eventos análogos.

O controle é a sensação psíquica do segundo momento (RS) conectada ao quarto momento (RO) e que se experimenta integrando as três sensações psíquicas subseqüentes quando subsiste a aceitação da situação pressentida, prevista e predita.

O controle é, portanto, a observação do que se observa, ou a fiscalização e o domínio das interferências observadas a partir da aceitação do pressentido, do previsto e do predito.

A sensação psíquica de controle é um bem-estar psíquico que proporciona de imediato a sensação de calma, relaxamento muscular, quietude e proteção, os sentimentos de segurança, expectativa e esperança, bem como os sensos de paciência, humor, equanimidade, equilíbrio e discernimento.

Que sensação mais gostosa há em dizer: ― tudo está sob controle? O orgasmo completo só advém quando há a sensação de controle. Portanto, operar dentro do pressentido, previsto, predito e com tudo sob controle é o que se recomenda.

A sensação de descontrole é o desnorteamento, a tontura, a inquietude, a gastura, a confusão ou o caos. No melhor da situação, o descontrole pode estragar tudo.

Daí, o pressentimento, a previsão, a predição e o controle podem atuar como subsídios aceitáveis às situações de tomada de decisão com apoio das intuições.

 

Na consciência do consciente surgem as intuições.

Logo, ocorrem no terceiro momento (RS) em conexão com os demais. Para melhor entendimento, denominamo-las, nessas três conexões de momentos, respectivamente, de intuição lógica, intuição imaginativa e intuição heurística. Estas se integram pela intuição de inferência, no quarto momento.

Poder-se-ia utilizar termos usuais como intuição sensível, empírica, intelectual, emotiva, valorativa ou psicológica, porém, estes já denominam classes de elementos intuitivos de maneira diversa dos seus respectivos momentos.

Por exemplo, a captação sensorial imediata* de um objeto exterior, dando-se conta do que se trata, diz-se intuição sensível e de sua qualidade entende-se por intuição empírica.

 

Ambas são psicológicas porque se referem a sensações, lembranças, imagens, sentimentos, desejos e percepções que são pessoais.

 

A intuição intelectual é conhecimento racional imediato sem necessidades de provas. É fenomenológica, universal, pois, refere-se aos princípios axiomáticos da razão e das relações necessárias gerais.

A intuição emotiva ou valorativa inclui a beleza, raridade, possibilidade, ética, autenticidade, justiça, enfim, juízos de valor e paixão.

A intuição é a sensação psíquica que se experimenta ao dar-se conta, no ato do pensamento, da essência do que está vendo com intenção e interesse, ou do que se quer saber, num determinado momento e circunstância, de maneira atual, direta e imediata.

A intuição é, pois, a apreensão racional imediata e atual pela comunicação direta entre o sujeito e o objeto real ou entre o sujeito e o objeto ideal[7]. É a sensação psíquica que traduz o significado da captação racional imediata e atual na relação direta entre a realidade subjetiva (subjeto) e a realidade objetiva (objeto).

Ela implica nas sensações somáticas e viscerais saudáveis bem como nas emoções, sentimentos, sensos positivos e juízo.

Implica também naquelas não saudáveis e nos negativos que podem ocorrer, principalmente, ante a intuição de iminente perigo.

Entretanto, é preciso distinguir a intuição das sensações psíquicas dos primeiros e dos segundos momentos. A intuição é óbvia e fundamental ou coerente e precisa.

O que é óbvio para quem intui pode não sê-lo para o outro. Esse momento histórico[8] decorrente da situação de compartilhar o intuído com outrem, pode exigir, implicar ou iniciar novos conhecimentos a partir de uma série de inferências relativas. Estas induzem a comparações, diferenciações, raciocínios, deduções, confrontos e conclusões lógicas precedidas de argumentos, explicações empíricas, deterministas e parcimoniosas, através das relações intersubjetivas com trocas de informações e de experiências.

Portanto, recomenda-se não cruzar o momento biográfico com o histórico. O que é intuído faz parte do momento biográfico de quem intui.

Nesse passo, o momento histórico respectivo começa no instante quando o intuído é compartilhado com demais pessoas, limitadas estas aos partícipes cientes.

Esse conhecimento imediato racional quando é dado por conexão com o primeiro momento no confronto direto entre a percepção do objeto presente e a idéia que dele se faz, chamamos de intuição lógica. Portanto, muitos dos elementos de uma intuição sensível, empírica ou psicológica e intelectual podem pertencer à classe das intuições lógicas. Intuição lógica, portanto, é aquela na qual o que se intui pode ser útil para uma situação presente no passo da saciação de uma necessidade do primeiro momento, seja fisiológica ou psíquica.

Quando em conexão com o segundo momento, por meio da imaginação há uma identificação direta, imediata e atual do objeto (real ou ideal exterior), não necessariamente presente diante do sujeito, podemos dizer intuição imaginativa.

 

Por conseguinte, a intuição imaginativa é uma visualização repentina de um objeto, fenômeno ou fato, por meio de imagem na tela intelectiva (consciência-do-consciente) que surge para subsidiar ou dar a solução de um problema, tempestivamente, completando uma idéia perseguida, ou chegando a esclarecer uma situação obscura para uma determinada finalidade, em tempo hábil. Logo, a intuição imaginativa é valiosa tendendo a ser útil quando o intuído resolve uma situação de necessidade cuja satisfação está prorrogada.

A intuição imaginativa fornece um conhecimento repentino e imediato no curso da imaginação motivada por uma situação de necessidade do segundo momento. Observe-se que para se imaginar é preciso enxergar imagens. E imagem corresponde, geralmente, a algo já visto, sabido e conhecido, anteriormente, ou é formada por associação de partes, fragmentos de unidades imaginadas ou vistas antes.

Logo, implica visão e conhecimento anterior. E por que não dizer, além de alguma experiência passada, provavelmente, também, de memórias ou manifestações genéticas?

Daí, os elementos referentes às intuições sensíveis ou empíricas como imagens, lembranças, desejos, sentimentos ou paixões além de muitos outros subjetivos pertencem à classe da intuição imaginativa. Também todos os elementos da intuição valorativa, com exceção das emotivas conectadas aos primeiros momentos, pertencem a esta classe.

A intuição heurística é uma sensação psíquica do terceiro momento proporcionada pela compreensão repentina e circunstancial, no curso de uma atividade ou durante uma concentração, dedução, síntese, reflexão e imaginação, ou na busca de uma novidade, de um novo caminho resolutório e simplificador, de proposição ou de princípio lógico perseguido com veemência.

A intuição heurística ocorre de maneira predominante com os recursos dos terceiros momentos, com subsídio essencial do pensamento e suas faculdades para situação de necessidade do terceiro momento, principalmente, no decurso das análises, sínteses, experiências, raciocínios, confrontos e da imaginação criadora no contexto do fluxo da comunicação entre a realidade subjetiva e a objetiva.

Uma necessidade do terceiro momento quando resolvida torna mais fácil e simples o atendimento às necessidades dos demais momentos. Daí, a importância da intuição heurística nesse sentido.

Em síntese, a intuição heurística é o dar-se conta de modo imediato, da idéia luminosa repentina ou do postulado captado ou processado no estado psíquico consciente para facilitar ou encontrar a resposta ou a solução de um impasse. Desse modo, os elementos da intuição intelectual pertencem à classe da intuição heurística.

 

O Insight” é uma intuição heurística. O Insight é uma visão profunda e a noção esclarecedora repentina no curso de um processo, atividade ou na formação de uma totalidade. Outros fatores, novos paradigmas e elementos, ou outra noção e relações importantes, de repente, são percebidos e intuídos vindo a completar uma idéia ou esclarecer o novo caminho eficaz e decisivo.

Pode também ocorrer o chamado insight coletivo quando de repente vários elementos de um grupo têm uma mesma intuição, simultaneamente, sem contudo estarem próximos ou imbuídos numa mesma busca. Com maior facilidade ocorre em aulas com perguntas em seqüência lógica dirigidas à classe inteira. Isto se vê com certa freqüência em aulas de matemática ou outra disciplina, no uso da metodologia socrática.

 

A inferência é uma sensação psíquica proporcionada pela integração das três intuições enumeradas que vem esclarecer, repentina e conclusivamente, uma dúvida ou questão em uma situação casual ou intencionalmente enfrentada.

Da inferência pode decorrer o confronto, a análise, a síntese, a imaginação, com operação e uso dos raciocínios abdutivo, indutivo, dedutivo e a conclusão definida e final. Daí, a melhor compreensão da palavra inferência é aceitá-la como sendo conclusão prévia, aquela sensação de certeza ou aquela intuição de estarmos no caminho certo.

 

Assim, a inferência não deve ser considerada como certa e precisa e nem como conclusão definitiva. A corroboração se faz necessária para uma tomada de decisão.

 

A veracidade, ou o entendimento da verdade dos fatos, dos fenômenos, das idéias e das relações ou interações, é preciso ser obtida antes do juízo ou julgamento final para a execução de uma sentença, no sentido de não se cometer uma injustiça para si e para outrem.

A sentença, no primeiro momento, trata-se de uma opção[9]. No segundo momento é uma determinação[10]. No terceiro momento caracteriza-se pela decisão[11]. No quarto momento, a deliberação[12] integraliza a opção, a determinação e a decisão.

As sensações acusam a presença de estímulos e põem o organismo numa situação de reação correspondente. Para que não haja perturbações, confusões, desvios ou erros nas prioridades das conexões de respostas, as sensações precisam ser descontaminadas, filtradas ou compreendidas no complexo-percepto-memório-intelectivo.

Este complexo é a sede do conhecimento, do pensamento objetivo, mítico e subjetivo[13], do banco da memória*, juízo, idéia e saber, da auto-estima e dos demais instrumentos psíquicos.

O bom juízo[14] quando bem assessorado funciona como purificador ou filtro das contaminações excluindo fragmentos que provocam as associações indevidas, a conclusão errônea, falsa crença, o auto-engano, rebate falso e demais impurezas.

Assim, o bom juízo pode responder da maneira necessária, precisa, autêntica e rápida desviando as sensações, as emoções e os sentimentos indevidos afastando as reações em vão.

Por conseguinte, é de se recomendar a correção e a precisão da percepção, da identificação e da interpretação para um entendimento veraz, principalmente, para a conservação da boa saúde e da vitalidade do organismo todo, independentemente de vontades, desejos, intenções e outros objetivos.

Nesse mister, necessita-se dos registros precisos no banco da memória e da exatidão da correspondência do registrado com o seu homólogo real exterior atuante, observando as correções e atualizações diante das suas variações, mudanças e referenciais móveis. Disciplinar-se, daí, para o  bom hábito, costume, uso e vivência desfrutando alimentos de boa procedência, saudáveis, sabendo o que se come e deve-se comer[15], observando a qualidade e o teor de substâncias nutrientes que necessita o organismo para uma vida com saúde boa e estável.

Note-se que boa parte dos remédios provém das plantas medicinais. Contudo, as frutas, as verduras e demais alimentos quando selecionados e bem preparados são suficientes para a boa saúde quando consumidos comedidamente. Assim, para a presente obra estar completa acoplou-se um capítulo nesse sentido. Ver na página 161.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



** Ver de fora para dentro. Distanciar-se de si para se enxergar com os olhos de outros paradigmas.

* Sensos e emoções. A emoção é o estado do organismo no processo de excitação, tensão e impulso decorrente da conexão estímulo « sensação e das suas alterações fisiológicas e psíquicas vivenciadas ou sentidas. Veja na página 139. O senso é o sentido racional. É o sentir da razão e a razão das emoções e dos sentimentos (pág.157). O sentimento é emoção prorrogada (pág. 158). O juízo é o conciliador e integrador das emoções, sentimentos e sensos. V. Nota de fim n.º 14 (pág.147 e 218).

* Reflexos. Termo emprestado do behaviorismo; contudo, com amplo significado envolvendo não só os reflexos condicionados e incondicionados, operantes, etc.; mas, principalmente, quaisquer respostas automáticas do organismo diante do estímulo que provoca sensação. Incluem-se todas as reações de primeiro momento, quer voluntárias ou não, quer de origem emocional (impulsos) ou não.

[1] O confronto, a análise, a síntese e a imaginação formam o conjunto de segunda ordem do pensamento em conexão com a realidade objetiva, um recurso do terceiro momento. Também é de segunda ordem do pensamento, a abdução, a indução, a dedução e a conclusão que são as suas principais faculdades.

[2] Interligação, formação ¾ Nos momentos históricos, a estruturação refere-se aos segundos momentos, predominantemente. Classe « órgão ¾ organização. Série de classes « estrutura ¾ estruturação. Seleção de classes e séries « sistema ¾ sistematização. Estruturação das classes, séries e seleções « complexo-global ¾ interligação, formação, unidade de integralização.

[3] A cumplicidade, a fidelidade, a lealdade e a intimidade embora ocorram em nível intrapsíquico, elas se referem muito mais a duas ou mais pessoas. A intimidade entre duas ou mais pessoas, antes de tudo, é uma simpatia recíproca que leva a fundir as liberdades de cada qual, num entendimento harmônico, incondicional e espontâneo. É uma permissão tácita ou explícita das partes no uso de um espaço subjetivo ou objetivo particularíssimo de cada um. A esse espaço chamamos espaço íntimo. Não obstante o consentimento em invadir o espaço íntimo de uma pessoa, animal ou coisa, necessário se faz o carinho e o respeito irrestrito observando-se a sua integridade, a arrumação e disposição do seu conteúdo e forma, além do trato protetor, cuidadoso, prudente, habilidoso, carinhoso e prestimoso. Não há intimidade sem estas considerações. Antes de sair do espaço íntimo de uma pessoa, deve deixá-la em estado de bem-estar melhor do que estava antes. A incondicionalidade é nutrida pela autoconfiança, simpatia, sinceridade, confiança mútua, boa-fé, atração, paixão, amizade, amor, juízo, auto-estima, credibilidade, cumplicidade, fidelidade, lealdade e afins. Assim, a intimidade se torna o melhor de uma relação social.

 

* Captação sensorial imediata. O estímulo provoca sensação. Quando se vê uma árvore, essa árvore é o estímulo. A visão direta dessa árvore e o seu registro no banco de memória como distinto da visão de qualquer outra árvore quer da mesma espécie quer de outras e de qualquer outro objeto próximo ou associado a essa árvore é a sensação que corresponde ao estímulo árvore, essa em questão. A percepção de árvore, ou seja, a consciência da árvore percebida implica a sua extensão mais próxima, a sua espécie, caracteres, cores, fundo, habitat, etc. Fatores descritivos ou fenomenológicos esses, dados pela identificação, interpretação e entendimento dessa árvore.

* BANCO DA MEMÓRIA. O complexo-percepto-memório-intelectivo (veja glossário) é a sede do banco da memória. O banco funciona como espécie de fiel depositário de valores, dados e informações herdados e adquiridos. Processa dados, idéias e eventos pretéritos nele depositados. Administra o arquivo geral de registros das vivências através dos três departamentos específicos, em conexão, para atendimento às consciências: Departamento-reflexo — o registro descritivo de fenômenos, reflexos, impulsos, reforços, premências, vontades (inconsciente). Departamento-conhecimento — o registro narrativo de vivências ou experiências passadas, conhecimentos, fatos, motivações, desejos (subconsciente). Departamento-pensamento — registro dissertativo de pensamentos, raciocínios, intenções, argumentos, opiniões, conexões de idéias, interesses (consciente). A integração desses três departamentos — a memória propriamente dita — é feita conectada à reflexão, introspecção e imaginação que reaproximam, associam a memória-inconsciente, a memória-subconsciente e a memória-consciente.

O banco da memória remete para as respectivas consciências os dados e informações pertinentes, quando requisitados, pela concentração na essência do que quer se lembrar, no primeiro momento. Do que se quer recordar no segundo momento. De lembrar e recordar pela introspecção no terceiro momento. E de lembrar, recordar, meditar pela reflexão no quarto momento. A lembrança implica fragmentos ou fenômenos específicos. A recordação envolve o fato pelo inteiro teor. A introspecção seleciona a lembrança e a recordação pelo interesse específico, implicando as idéias. E a reflexão integra a lembrança, a recordação e a introspecção, implicando a unidade interativa.



 

 

NOTAS DE FIM.

 

[1] Percepção. Iminência - premências. Estímulo presente. O ato de perceber é o dar-se conta do que ocorre no processo da sensação relativa ao captar ou receber o estímulo correspondente ou série de estímulos relativos, podendo ser também estímulos associados respectivos no seu contexto geral e natural de aparecer e existir cuja conexão estímulo ↔ sensação ↔ reação (impulso, resposta, reforço) é discriminada, no aqui e agora. Percepção essa, possível de ser entendida, querendo.

A iminência indica a possibilidade de um acontecimento bom ou mau de modo imediato ou breve. Pode ser uma ameaça ou indício de perigo. Pode também ser a proximidade de uma boa ou péssima situação.

Em síntese, a iminência é qualidade de algo que anuncia uma provável necessidade premente. Logo, é um estímulo cuja premência poderá ser resolvida com bom êxito ou não.

São os estímulos presentes que formam, provocam ou fazem acusar a premência ou a iminência.

Denominam-se estímulos a agentes internos ou externos causadores de excitação ou impressão fisiológica (sensações).

Diz-se estímulo presente quando é real, concreto e atuante no aqui-e-agora. Quando o estímulo está atuante e presente, requerendo uma reação premente, diz-se que há uma necessidade que deve ser suprida de imediato ou urgente, enquanto não prorrogável.

Esta situação de premência é dada pela percepção que indica ou determina o tipo de reação segundo a qualidade, intensidade ou teor da sensação provocada.

A percepção é consciência perceptiva. Seus fatores operam no estado psíquico inconsciente. Por isso a chamamos de consciência do inconsciente.

A consciência do inconsciente permite inteirarmo-nos da situação indicada pela nossa percepção automática. Com isto, é raro enganarmo-nos com a situação que se nos apresenta. Ou seja, não somos levados pelas aparências das coisas ou pessoas para os auto-enganos, ou para um rebate falso.

Por exemplo, quando enxergamos uma mesa quadrada a uma certa distância, ela não chega assim à nossa vista.

Não a vemos quadrada, senão, olhando-a de cima para baixo. O que enxergamos, a uma certa distância, um pouco acima do plano dela e de lado, é um losango e, de frente, um trapézio isóscele, como em perspectiva. Da mesma forma veremos paralelogramo ou trapezoidal a mesa retangular.

O Sol nos parece do tamanho de uma bola de futebol. No entanto, ele é maior do que o nosso planeta. A percepção errônea foi vivenciada pelo ser humano por muitos milênios. Com o acúmulo de múltiplos conhecimentos, saberes, descobertas, inovações, invenções e criatividades possibilitaram-se ao homem novas identificações, reconhecimentos e interpretações. E assim, com as consciências coletivas ampliadas, cada vez mais, privilegia-se a consciência individual perceptiva no passo de evitar mais dissabores.

Quando a verdade do fato ou do fenômeno é evidente, ou o objeto sensível dispensa comprovação, pela prática e conhecimento, dizendo-se redonda o que se vê elíptica, ou quadrada o que se vê losango, ou ainda, retângulo o que se nos mostra paralelogramo ou trapezoidal, houve uma integração dos três estados psíquicos.

A percepção, a identificação e a interpretação integradas, num único instante e num só posicionamento, traduzem-nos a realidade do fenômeno, do fato e da idéia, possibilitando um entendimento com maior precisão. No caso, deram-nos a verdade ou o entendimento correto da forma do objeto observado, à distância, em determinado ângulo visual.

Portanto, o que se vê pela primeira vez é preciso avaliá-lo bem para que não sejamos traídos pela nossa percepção habitual.

Também a percepção condicionada, associada ou generalizada pode-nos induzir a sérios erros. A identificação costumeira ou preconceitual, além da interpretação usual ou especulativa, levam-nos, às vezes, a cometer enganos terríveis. Também em situações habituais, costumeiras e usuais é preciso reparar bem para se distinguir o certo do errado. Principalmente, nas coisas, objetos e pessoas conhecidas, porquanto, justamente, por serem conhecidas, certos desvios incidentais ou provocados nem os percebemos.

E o curioso da percepção é cada pessoa percebe a mesma coisa a seu modo próprio, apresentando, às vezes, grandes diferenças com o modo de perceber de outras pessoas.

Logo, necessário se faz o confronto, a interpretação e a observação objetiva dos fatores, aparências, sinais, alarmes ou indícios estranhos que se nos colocam em dada circunstância ou num certo primeiro momento.

Em resumo, a ilusão de ótica, a relatividade dos pontos de vista, o sistema referencial, os referenciais fixos, a mudança constante dos fatores e elementos exteriores, os diferentes paradigmas, o disfarce, a simulação, a representação, a virtualidade, a aparência enganadora, a potencialidade, a magia e os relatos mediatos existem e não devem ser confundidos com a realidade atual, atuante, concreta e autêntica. Pois, esta é que revela a verdade própria dos fenômenos, dos fatos, das idéias, dos objetos e das pessoas, das coisas e dos seres em geral no universo de suas relações.

Logo, é preciso verificar essa autenticidade para se ter como certo. É melhor conferir diretamente na fonte, não aceitando a declaração mediada ou de intermediário sem esse confronto direto ou sem a corroboração devida.

 

[2] Identificação. Privações. Estímulo adiante. A identificação é um ato de reconhecimento de determinado estímulo adiante, uma série de estímulos ou estímulos associados, não necessariamente presentes, em confronto com aqueles conhecidos. Identificar é dar-se conta do que ocorre no processo da sensação relativa ao verificar e reconhecer a conexão estímulo adiante ↔ sensação (inquietude, pressentimento, previsão, predição, controle, expectativa, ansiedade, etc.) ↔ ação (atração, incentivo, motivação). A essa consciência de identificação e reconhecimento, que é uma consciência cognitiva, damos o nome de consciência do subconsciente.

Dentre os estímulos que são identificáveis que se nos apresentam no momento presente cujas reações podem ser postergadas, ou enfrentados com tempestividade, compreendem as necessidades de soluções já bem conhecidas ou de costume e as privações.

A ausência de suprimento da necessidade premente pode conduzi-la a uma situação de privação tolerável.

A demasiada demora de saciar pode extrapolar o limite de tolerância.

A privação, então, fica intolerável. Essa nova situação passa para aquela de primeiro momento fatídico. Ou sacia-se ou sucumbe-se.

Todavia, há privações toleráveis por longo tempo.

Tolerâncias essas que são motivadas pelos estímulos adiante. Esses estímulos são identificados e reconhecidos pelos confrontos com situações conhecidas ou idênticas àquelas ocorridas no passado. Ou, de conformidade com os padrões, valores socioculturais e conhecimentos já consolidados ou vigorantes.

Por exemplo, o indivíduo motivado para a conquista de uma situação ótima adiante ele pode privar-se de saciar ou de satisfazer algumas das necessidades menores em favor desse empreendimento.

Preferível é motivar-se sem contudo privar-se de nada no passo da prevenção contra conseqüências más, desagradáveis e para se evitar efeitos colaterais adversos.

A privação é uma necessidade de segundo momento eis porque é uma ação de deixar de suprir uma necessidade, permitindo-se. Ela pode ocorrer por conhecimento, compulsoriamente e sem querer, ou querendo.

Assim, ocorre a privação por recomendação aceita, por ilusão, auto-engano, ignorância relativa, ou por determinação própria e sujeição. Pode-se deduzir, daí, a privação por castigo ou punição, por motivo de força maior, por crença e convicção da boa conseqüência, ou espontaneamente por consciência da obtenção de situação melhor, ou incentivada pela atração exercida pelo desejo, beleza, valor e sonho.

Diz-se estímulo adiante (o que está adiante, para frente — futuro; ou adiante, mais para trás — passado), quando é real ou imaginário, distante ou próximo e objetivo ou subjetivo, no pretérito ou no futuro, que pode fazer-se ou tornar-se presente ou parecer presente.

O estímulo adiante exige muito mais da ação deixando a reação para quando se fizer presente ou pertinho de concretizar-se.

Cumpre ressaltar que qualquer estímulo adiante motivador que pode produzir uma situação ótima, já foi identificado e reconhecido como tal, ou é de conhecimento prévio.

Identificação é a averiguação para reconhecimento. É o confronto do ser-real com o seu correspondente ser-ideal no banco da memória para a relembrança e imaginação ou dar-se conta do seu reconhecimento.

Na identificação objetiva são importantes a classificação, a seriação e a seleção para os confrontos, comparações, associações e a verificação no passo de sua certeza.

Identificar é verificar o princípio da identidade em determinado estímulo conhecido anteriormente que se tornou presente.

Em outros termos, é ter certeza de que o que está presente é idêntico ao visto antes.

 

[3] Interpretação. Carências. Estímulo constante. A interpretação é o dar-se conta do que ocorre no processo da sensação relativa no ato da abdução, indução, dedução e conclusão na análise, síntese ou estudo dos estímulos complexos ou que se tornam regulares na conexão estímulo constante ↔ sensação (indagação, curiosidade, indecisão, perplexidade, impasse, intuição, especulação) ↔ atuação (propósito, influência, interesse).

A interpretação cuida dos estímulos regulares, complexos, incógnitos, desconhecidos e, portanto, também dos causadores dos impasses, das carências, da escassez e das necessidades constantes, no passo de serem superados, controlados ou dominados.

As insaciações toleradas continuamente como as privações crônicas ou bastante demoradas ou com muita freqüência causam carências não sustentáveis ou passíveis de situações dolorosas e catastróficas.

Carência é insuficiência no suprimento duma necessidade constante.

A carência pelo seu aspecto crônico, é da classe da necessidade de terceiro momento. A carência excessiva pode tornar-se privação intolerável e premência fatal.

Por exemplo, a carência afetiva excessiva é privação grave de afeto. Na sua premência, o indivíduo carente de afeto se não se tornar violento e agressivo, tende progressivamente a uma alimentação insuficiente, e pode até sofrer de inanição e sucumbir-se.

Já se pode intuir que há vários exemplos de carências.

Os mais comuns são carência de nutrientes, carência de atenção, carência de cuidados, carência de provas, carência financeira, carência de produtividade, carência de empregos, carência de interesse, carência de recursos diversos, carência de remédios e de outros produtos, etc.

A escassez causa a carência, a privação e a não saciação.

Melhor, portanto, partir-se para administrar a abundância em vez de chegar a ponto de ter de administrar a escassez.

É estímulo constante enquanto atuante, sucessivo e indeterminado.

Ou ainda, quando ¾ presente ou adiante ¾, aparece e desaparece alternada, regular, indefinida, repetida e sucessivamente.

Pode-se dizer que são os estímulos constantes não satisfatoriamente resolvidos é que causam as carências.

As carências, portanto, são necessidades. Normalmente, as carências são resolvidas com o auxílio dos recursos do pensamento e suas faculdades.

A interpretação é a busca e tomada da consciência intelectiva e, por isso, chamamos de consciência do consciente.

Neste sentido, não se prescinde da observação, análise e estudo para o entendimento certo de um estímulo que se faz presente. Interpretar é fazer corresponder ou representar, de modo bem compreensível e claro, a verdade de certas ocorrências regulares ou não e das situações obscuras para um ajuizamento com correção.

A expressão interpretação objetiva está ligada ao cuidado especial que se dedica em retirar as camadas de impurezas de uma determinada verdade encoberta ou obscura para que ela possa se apresentar em seu inteiro teor e tornar-se compreensível, coerente, sem contradições ou de representá-la no seu sentido exato para um entendimento claro e sem sombra de dúvida.

Nos diversos campos como linguagem, comunicação, hermenêutica, investigação, relações, exegese, predição, previsão, fatos, eventos, controle e no domínio de uma situação qualquer onde a percepção e a identificação e demais recursos são insuficientes para o entendimento preciso ou para uma compreensão apta, segura e necessária, urge a intervenção da interpretação objetiva.

Por conseguinte, se intui que a interpretação objetiva exata exige, além dos recursos relativos dos primeiros e dos segundos momentos, os recursos do pensamento e das suas faculdades e demais instrumentos, inerentes à verdade do fenômeno, do fato ou da idéia em questão, ou de sua expressão, para o seu correto entendimento.

Em síntese, os estímulos presentes são percebidos, os adiante são identificados e os constantes são interpretados. Cumpre lembrar que os mesmos estímulos presentes, prementes ou não, podem tornar-se adiante, pretérito ou futuro; e, ainda, constantes.

A interpretação desses estímulos como constantes é resultante da análise das sensações regulares relativas. As variações são tidas como estímulos complexos.

Neste passo, a interpretação objetiva representa a busca ou pesquisa, análise, consulta e estudo amparados pelo controle e pensamento objetivo, pela verificação experimental e pela observação científica para poder explicar e esclarecer o verdadeiro sentido de um estímulo complexo.

 

[4] Entendimento. Necessidades. Alarme. O “entendimento” é o que resulta quando se completa o faltante para o necessário esclarecimento pelo inteiro teor e forma do estímulo presente, adiante, constante e atuante. É o que permite integrar a percepção, a identificação e a interpretação.

Logo, o entendimento possibilita alcançar a significação, o sentido, ou a idéia do que se propõe conhecer.

Embora o entendimento e a compreensão atuem como sinônimos, em um certo sentido comum, há que distinguir estes termos. Ambos podem atuar no sentido da discriminação na aprendizagem. Mas, a compreensão além de discriminar para o entendimento específico reduzindo ou excluindo fatores desprezíveis atua no universo que considera abrangente todos os elementos com caracteres, qualidades e propriedades pertinentes a um conceito.

Desse modo, todos os estímulos compreendem todo um universo dos elementos reforçadores, motivadores, interessantes e integradores além dos que podem provocar ou causar sensações e respectivas reações, ações, atuações e interações conforme necessidades decorrentes cujas conexões relativas podem ser percebidas, reconhecidas ou identificadas, interpretadas e entendidas.

As premências, as privações, carências e as priorizações integram as necessidades gerais que movimentam as pessoas no sentido da sua reação, ação, atuação e interação para o triunfo sensato com o seu equilíbrio estático, dinâmico, cinético e harmônico, respectivamente, para que consigam desfrutar uma vida feliz. As necessidades gerais devem ser passadas pelo crivo da seleção, seriação e classificação para as devidas priorizações.

O estímulo presente, adiante, ou constante ¾ insistentes ou não ¾ os quais determinam a premência, a privação, ou a carência, respectivamente, são detectados pelas sensações somáticas, viscerais e psíquicas. Estas são integradas pelo alarme.

 

ESTÍMULOS (presente, adiante, constante) ALARMES ↔ SENSAÇÕES (viscerais, somáticas, psíquicas)

 

O alarme provoca o alerta para se perceber bem o estímulo presente. Motiva o estado de prontidão ao identificar um estímulo que alarmou uma atitude a ser tomada.

O alarme chama a atenção para interpretar a natureza do estímulo ainda não identificado. A má qualidade da percepção, a identificação com base tão-somente na semelhança e, a interpretação com ausência de alguns elementos básicos ou importantes podem levar a um entendimento incorreto.

Eis pois, a apuração da veracidade ou a correção, com observação, se faz necessária para o entendimento certo rumo às posições de reação, ação e atuação para a interação no passo do triunfo sensato respectivo.

 

[5] O “Complexo-percepto-memório-intelectivo” é um neologismo introduzido para significar a totalidade das funções cerebrais muito além do estabelecido para o sistema límbico definido por Paul D. Mac Lean. Este complexo não é tão somente um emaranhado de tecidos, células nervosas e afins ou uma rede energética com neurônios, axônios e demais células organizada para manter o indivíduo em condições de interagir com o seu meio ambiente. É também a sede do espírito do indivíduo com incríveis poderes a serem desenvolvidos, com certa autonomia, mas em conexão com forças energéticas exteriores além das dimensões compreensíveis do espaço-tempo.

 

[6] Sistema Límbico. Paul D. Mac Lean. Veja definição na página 158 (Glossário).

 

[7] Objeto ideal é o fenômeno ou elemento visado da realidade subjetiva (ser-ideal) tomado por objeto pelo próprio sujeito ou pelo outro. O sujeito pode ser o objeto do outro e objeto de si mesmo. O objeto ideal é qualquer elemento do subjeto.

O subjeto é um neologismo introduzido para significar a realidade subjetiva tomada por objeto em confronto com a realidade objetiva respectiva (mundo objeto). Observe-se que cada pessoa tem a sua realidade subjetiva própria que é diferente da dos demais. Ainda assim, quando dizemos realidade subjetiva estamos referindo à realidade subjetiva de um modo geral em contraposição com a realidade objetiva que também é genérica. Quando se fala em mundo subjeto este se torna elemento ou uma unidade objetiva autônoma de toda a realidade objetiva, num contexto holístico. O subjeto é pertinente à realidade subjetiva tomada por objeto; e, o objeto, inerente à realidade objetiva. Daí, o mundo exterior ao sujeito é a realidade objetiva, podendo a sua própria realidade subjetiva tornar-se realidade objetiva se for vista pelo sujeito como objeto de si mesmo, justamente, quando ele olha para o seu mundo interior como se fosse objeto de sua análise numa situação introspectiva ou de reflexão.

Nessa condição circunstancial, repita-se, a própria realidade subjetiva passa a integrar toda a realidade objetiva como no sistema holístico.

Veja “Consciência subjetiva e objetiva” na página 75.

 

[8] O MOMENTO HISTÓRICO. Refere-se, sobretudo, à situação atual de construção da história de qualquer grupo ou conjunto coeso de pessoas desde o par de enamorados, família, associação, empresa, tribo, cidade, país até a humanidade.

A História social ou a história da vida humana é todo o conjunto dos seus momentos históricos formado desde o seu aparecimento no planeta.

Todo o intervalo temporal até a sua extinção (se houver), as origens das suas raças, povos e nações e as suas descendências também são considerados.

As suas extensões mais próximas interagindo-se no meio ambiente, as suas relações intergrupais e as suas razões de ser são igualmente levadas em conta.

Logo, a humanidade como um todo ou qualquer grupo coeso tem os seus quatro momentos históricos. Intui-se, daí, que os quatros momentos quando referidos às pessoas, individualmente, dizemos biográficos; e, quando direcionados a grupos de pessoas, socialmente, dizemos históricos.

Embora o todo difira de suas partes no conteúdo, na forma e no objetivo; o homem por ser uma espécie necessariamente social, tende a reunir-se em grupo, grupos dentro de grupo, categorias, classes, séries e seleções, casal, família, etnia, clube, associação, empresa, sociedade, sindicato, credo, religião, partido político, bairro, cidade, estado, nação, comunidade de nações até chegar à unidade de conjunto maior — a humanidade.

Dizemos, então, que todas as pessoas vivas do mundo tendem para a formação de uma unidade coesa — a totalização humana — o ser humano.

Assim como no indivíduo, cada grupo ou entidade coletiva, mesmo a sociedade humana como um todo, tem em qualquer dos seus momentos históricos autonomia e características próprias.

Também no domínio das inter-relações do grupo com indivíduo ou com outros grupos e vice-versa, os quatro momentos de cada qual trocam de posições de comando, entre si, com freqüência, isoladamente ou em conjunto. As inter-relações não só são intergrupais (entre grupos) como também intragrupais (entre elementos do próprio grupo).

As intragrupais são relações interpessoais voltadas para os interesses exclusivos do próprio grupo.

A maioria dos desentendimentos, desacordos ou desencontros surgem do cruzamento das respostas desses diferentes momentos nas relações de interesses entre os diversos grupos.

As peculiaridades notáveis entre os quatro momentos históricos de qualquer grupo em sua aprendizagem e no desenvolvimento das suas interações com o seu meio ambiente quase não diferem das do quadro relativo aos momentos biográficos, conservando praticamente todos os seus elementos.

Esclareça-se que os primeiros momentos históricos referem-se às necessidades básicas imediatas não de alguns indivíduos isolados de modo particular mas, sobretudo, do grupo ao qual pertencem de forma universal (totalidade) ou genérica (maioria). Que os segundos momentos históricos, igualmente, tratam da coletividade como todo, nas suas necessidades tempestivas. Que os terceiros momentos históricos também se referem à totalidade ou quase-totalidade no tocante às suas necessidades constantes. E que os quartos momentos históricos referem-se ao suprimento total das suas necessidades gerais integrando o bem-estar, o bem-ser e o bem-ter para o bem-fazer da unidade social, no passo de um viver ou acontecer em níveis superiores.

Fácil intuir daí, que o sujeito da aprendizagem e desenvolvimento é o todo social. Em conseqüência, as conexões: reflexo « reação; conhecimento « ação;  pensamento « atuação; e, compreensão « interação para o triunfo sensato; são referidas às relações intergrupais no passo da sua integração na formação de uma sociedade coesa e adulta, positivamente responsável pelos grupos que a compõem. E, em sentido maior, pelas nações que compreendem o mundo atual.

Convém lembrar também que há os momentos históricos negativos do grupo considerado que se distinguem dos positivos com relação à qualidade dos resultados de suas interações com o meio ambiente serem maus e bons, respectivamente.

 

[9] Há diferenças notáveis entre escolher ou optar, determinar, decidir e deliberar, embora com finalidade comum. A essência de cada um desses elementos de definição é exclusiva e ocorre em momentos distintos entre si.

A escolha e a opção se fazem no primeiro momento, dada a urgência.

A determinação é tempestiva com prazo para o implemento.

A decisão certa requer tempo para análises, avaliações, ponderações, estudos, medidas e outros recursos, mas o procedimento exige resolução.

A deliberação implica em processo de acordo, conciliação, consenso e pacto com prazos previstos para as suas fases conforme necessidade.

A OPÇÃO é a livre escolha de uma só entre duas ou mais coisas. Na opção, a coisa ou a pessoa escolhida teve preferência e prioridade além da exclusividade com relação às demais concorrentes.

Pode-se escolher algumas entre várias, mas na opção só se escolhe apenas uma delas.

Escolha e opção implicam os reflexos, impulsos e respostas que são reações comportamentais de primeiros momentos.

Estas reações manifestam-se diante do estímulo presente, no instante exato do evento relativo ou na sua ocorrência tida como certa.

Da escolha pode decorrer a opção ¾ ter de ficar só com uma, entre as escolhidas ¾, condição em que pode provocar uma situação preliminar de impasse do tipo hesitação, conflito, ou dúvida culminando em indecisão. A firmeza, a discriminação, a rapidez e maior chance de acerto, na situação de escolha ou de opção, estão apoiadas na boa aparência, na beleza da forma, na simpatia e na atração provocadas pelo objeto da escolha. A emoção positiva, a apetência, a excitação e a sensação agradável também influem na boa opção. Ainda, facilitam a boa escolha outros fatores como o bom humor, a ótima disposição física e psíquica do sujeito que vai escolher, bem como o seu bom condicionamento muscular e técnico, sem pressões ou urgência.

Na hesitação, na pressão de premência e na exigüidade, admite-se a imitação ou a situação de acompanhar a maioria ou alguém especial, sem responsabilidades alheias. Às vezes, damo-nos permissão para olhar com os olhos alheios, exceto nas questões decisivas, mas com certa segurança e responsabilidade própria.

Tudo é válido para diminuir a chance de perda possível, para evitar acidentes ou para não sofrer as conseqüências da má escolha. Inclusos os arrependimentos, frustrações e decepções ou o mal-estar por deixar passar a boa oportunidade.

Entretanto, é bom que se lembre, nesses momentos, de que a melhor opção é a que conduz à satisfação própria com boas conseqüências, ou quando é parte da deliberação unânime.

 

[10] A DETERMINAÇÃO é uma exigência que se cumpre sem discussões. Ela é boa somente quando se permite, se admite e se sustenta pela certeza ou prévio conhecimento de sua exatidão e se cumprida espontaneamente. Ela é má se coercitiva causando constrangimento e passividade forçada.

Quando se conhece o certo não se escolhe, nem opta e nem decide ou delibera. Apenas determina.

A determinação tem raízes socioculturais com fins condutuais, eis pois, cumprir exigência sem discussões implica direito de fazer ou não fazer, dever ou obrigação e conhecimento certo do que deve e não deve ser feito.

Determinar é ordenar a execução tempestiva do que tem que ser feito por saber. Significa também, nesse sentido, fazê-lo porque quer, é, está, tem, deve ou crê por certo, mas em tempo hábil com a devida eficácia.

A obrigatoriedade, firmeza e força da determinação estão fundadas na doutrina, norma, padrão cultural, valores e finalidades sociais, experiência acertada, princípios éticos, regra, vivência familial, autoridade, tradição, apelação e disciplina condutual. A determinação, além de provir do saber específico e do conhecimento generalizado reconhecidos e consolidados pela sociedade, como já se insinuou, manifesta-se com suporte também no dogma em caso de impasse sem solução tempestiva ou em situações improrrogáveis. O dogma, por sua vez, sustenta-se pela opinião convicta, autoridade, crença ou fé prevalecendo como uma atitude sistemática indiscutível a favor ou contra no sentido de uma ação de subsistir enquanto não há nada mais forte que a derrube, substitua ou a aperfeiçoe, ou que se prove o contrário.

Ainda, a determinação tem o sentido da ordem, lei, mando, autoridade e exigência.

 

[11] A DECISÃO implica o pensamento e situações procedimentais.

Ela é própria dos terceiros momentos. A sua firmeza, precisão, ou o potencial de bom êxito, fundamentam-se em dados e informações corretas, nas observações objetivas, pesquisas, princípios axiomáticos, postulados, na classificação, seriação, seleção e coerência. É facilitada pela verdade, pelas provas autênticas, pelo cálculo e medidas certas. Fortalecida, ainda, pela intuição, pelo propósito ideal, pela evidência e raciocínio lógico conclusivo.

A intenção, a conveniência e o interesse, que são propulsores próprios dos terceiros momentos, fazem persistir a análise e síntese, o planejamento, comparação e estudo, o projeto de ida e volta, ou o treinamento, simulação e a reconstituição de fatos para a definição de uma boa decisão. A decisão é individualizada, por conta e pelo próprio risco, além da responsabilidade exclusiva. É inadequada a situação de decidir por outro e aquela de “Maria vai com as outras”.

Embora se possa obter ou aceitar subsídios alheios, cada um deve tomar a sua própria e autêntica decisão. No entanto, com o devido acerto e com consciência, preferivelmente. Eis porquanto, responsabilidades e riscos de uma decisão unilateral não devem passar de quem a implementou por conta própria.

Logo, em decisões cujo ato resultante é de máxima importância, além de observar a correção das analogias aplicadas, das probabilidades mínimas adversas e dos fatores tidos como irrelevantes, deve-se buscar subsídios deliberativos intrapsíquicos e aqueles relativos às opiniões das pessoas envolvidas, inserindo mais os fatores amor e inteligência.

Por aí, já se pode intuir que a decisão se intervém quando não há como escolher ou optar por hesitação, conflito, por medo de errar ou por ignorar; ou quando a determinação é duvidosa e quando a adversidade a ser enfrentada é complexa, incerta e desconhecida. Veja também na página 234.

 

[12] A DELIBERAÇÃO implica na reflexão, no juízo e na votação.

Na deliberação intrapessoal se dá a primazia à unanimidade de votos, ao passo que na interpessoal é suficiente a maioria de votos.

A integralização harmônica dos fatores definitivos dos três momentos básicos determina a deliberação correta. A deliberação apenas acontece nos quartos momentos biográficos e históricos, respectivamente.

Há os que indagam como é essa coisa de unanimidade de votos e votação intrapsíquica ou intrapessoal.

Embora cada qual seja uma só pessoa, reage-se, age-se, atua-se e interage-se, em determinados momentos, diante de um considerado estímulo ou evento, como se fosse, ao mesmo tempo, três personalidades distintas, com funções especiais formando o que chamamos de “eu íntegro”.

Quando manifestam o mesmo voto, dizemos que houve unanimidade na deliberação, o mesmo que o querer integrado.

Só para lembrar, o querer integrado é: quero porque gosto; quero porque posso; quero porque me convém; e, quero porque preciso.

Nas situações como: — gosto, posso, convém, preciso mas não quero —; e — gosto mas não posso —; ou ainda, — convém, posso, mas não gostei nem preciso —; etc., não há unanimidade na votação.

Na ordem de momentos:

 

 

1.ª personalidade — gosto (prefiro, agrada-me, é atraente e reforçador)opto eu-individual

2.ª personalidade — posso (permito-me, vale, é bom e motivador)determino eu-social

3.ª personalidade — convém (importo-me, é útil, vantajoso e interessante)decido → eu-ideal

Eu íntegro — quero (preciso para domínio e desfrute, é precioso e integrador)delibero eu-divinal

 

[13] PENSAMENTO mítico, objetivo e subjetivo. Por mais ilógico que pareça, pensamos em todo o momento.

Basta um movimento, um passo, uma atenção, um gesto, um simples olhar, um sorriso, etc., já se operou o pensamento. Nesse processo, as faculdades do pensamento, principalmente, o raciocínio abdutivo, indutivo, o dedutivo e a conclusão que dá a intenção de fazer ou manifestar, já entraram em ação.

O pensamento começa operar a partir da sensação. Daí a percepção, a identificação, a interpretação e o entendimento para as devidas reações, ações, atuações e interações direcionam os diferentes raciocínios para o ato de pensar. É óbvio que o hábito, o costume, o uso e a vivência dão uma prática e habilidade de pensamento automático. Por exemplo, na sensação de fome a pessoa procura um pão e o come. Nesse evento habitual a pessoa parece que não precisou pensar, entretanto, raciocinou de forma automática. Por exemplo: sinto uma dor no meu estômago. Intuo que é uma sensação de fome. Logo, preciso comer alguma coisa, já. Estou com pressa. Portanto, preciso achar uma comida pronta. Este pão já resolve o meu problema. Depois de se saciar, ratifica a sua conclusão: É. Era fome mesmo a dor de estômago que estava sentindo. E assim por diante. Por aí se nota que há muitas formas de pensar.

Contudo, diante de um impasse, seja por um instante, por momentos intermitentes, ou por tempo indeterminado, pensar significa suspender o juízo, ou o que se ia fazer, congelar tudo, paralisar determinado ato, reação, ação e atuação, ou afastar-se de uma atividade em curso, para ativar a concentração psíquica na formação de um novo juízo com interesse na superação desse impasse.

O objeto do pensamento é a busca e o encontro de uma idéia que resulte na eficácia da decisão a ser tomada, na noção que explique e informe algo verdadeiro e útil ou na fala que convence.

Assim, na formação de uma opinião convincente, na improvisação de uma solução ante uma premência, na elaboração de um projeto, ou na simplificação e facilitação de uma atividade de interesse, o pensamento e as suas faculdades estão em plena atividade.

Nessa operação utiliza-se dos diferentes fatores e instrumentos ou dos recursos disponíveis, além dos apropriados à situação, seja achando-os, ou seja inventando-os e adequando-os, na procura e busca das significações, dos conceitos, idéias, conclusões e soluções de impasses, do entendimento e da compreensão, tão necessários ao reequilíbrio psíquico e orgânico, em nível desejado.

E diga-se que se isso tudo ainda não bastasse, quando nada do que se pensou vai resolver o impasse, tudo parecendo ser impossível e já ameaçando o colapso emocional, o pensamento cria fantasias, crenças, sonhos, mitos, magias, milagres e misteriosos poderes que poderão salvá-lo no momento da situação catastrófica.

O pensamento, então, processa e movimenta tudo o que aparece da observação, signos, símbolos, linguagem, representação, condicionamentos, indícios, reflexos, objetos, coisas, vestígios, fragmentos, sons, sabores, odores, cores, valores, padrões, regras, atos, técnicas, qualidades, quantidades, fenômenos, fatos, idéias, conhecimentos, experiências, sensações, emoções, sentimentos, sensos, juízos, lembranças, recordações, introspecções, reflexões, memórias, percepção, identificação, interpretação, intelecção, imaginação, vontade, desejo, intenção, impulso, reforço, motivação, interesse, paixão, amor, inteligência e relações.

Já se pode intuir que há o pensamento complexo.

Assim, o próprio pensamento, para facilitar a sua compreensão, se encarrega da sua própria classificação, seriação, seleção e estruturação.

 Organiza-se por arranjos, permutações e combinações. Possibilita-se, ou permite-se, portanto, reunir todos os modos de pensar em três grandes conjuntos, conforme conexões com momentos respectivos.

O conjunto do pensamento objetivo, do mítico e do subjetivo.

Estes três conjuntos do pensamento podem interagir entre si formando o pensamento integrativo, ou o pensamento propriamente dito.

O pensamento é da classe dos terceiros momentos, contudo, atua em conexão com os demais momentos, formando subclasse de segunda ordem.

Assim como cada pessoa percebe uma mesma coisa a sua própria maneira, cada um pensa do seu modo particular diverso dos demais.

No quadro a seguir, repita-se (página 101), selecionamos as diferentes situações de momentos em que o pensamento em segunda ordem se torna presente.

 

1.º MOMENTO

2.º MOMENTO

3.º MOMENTO

4.º MOMENTO

subjetivo

mítico

objetivo

integrativo

abdutivo

indutivo

dedutivo

conclusivo

visionário

lingüístico

simbólico

Intuitivo

(intuição lógica)

(Intuição imaginativa)

(intuição heurística)

(intuição de inferência)

projetivo

analítico

sintético

Aplicativo   (RS) *

confronto

análise

síntese

imaginação    (RO) *

espacial

verbal

abstrato

representativo

prático (imediato)

experimental

teórico

realístico

perceptivo

identificativo

interpretativo

entendível

tópico

dogmático

argumentativo

convincente

implícito

crítico

explícito

depurativo

misto

heterogêneo

homogêneo

complementar

particular

metafórico

lógico

universal

automático

tempestivo

regular

exeqüível

fragmentado

racionalizado

hipotético

genérico

evidente

epistemológico

demonstrativo

complexo

ingênuo

responsável

espontâneo

disciplinado

emocional

sentimental

racional

pactual - pacificador

·          RS = realidade subjetiva. * RO = em conexão com a realidade objetiva.

 

O pensamento objetivo é o mesmo que pensamento conceitual, racional ou lógico. O pensamento objetivo difere dos demais pelo método nos variados procedimentos cujas interações intrapsíquicas se fundamentam nas operações com elementos homogêneos.

Suas faculdades fundamentais predominantes são o senso, a idéia, a intuição, o raciocínio lógico, crítico e ético, a reflexão, o juízo, a imaginação e a imparcialidade, sem elementos conotativos ou de caráter pessoal, nem tendenciosidade e isento de intenções em detrimento alheio.

As atitudes e os métodos científicos orientam o pensamento objetivo dando-lhe a necessária cautela na observação e no controle do que observa. De sorte que, no uso dos seus diversos raciocínios leva-se em conta as leis, as normas e os princípios, as variações e os modelos aplicáveis à realidade atual. Observa os valores, os padrões, os diferentes paradigmas e os fins inerentes à determinada estrutura suscetíveis de correções e transformações que podem até rompê-la, interrompê-la ou excluí-la de forma definitiva.

Logo, não se deve desqualificar, nem menos desprezar a autêntica e a exata correspondência biunívoca entre os elementos do ser-real com seus homólogos do ser-ideal, uma vez que, transformando-se ou variando os elementos do ser-real, necessário se faz a devida atualização ou a correção dos seus correspondentes subjetivos, de sorte que persistam a coerência e a não contradição no exercício do pensamento objetivo.

Muito pelo contrário, o pensamento objetivo pode construir toda uma lógica com outra estrutura sem interferir na clássica, e até reestruturá-la ou reinventá-la sem invalidar os seus alicerces nem desmontar nada do que mostra a beleza de suas verdades e razões. Por exemplo, o quadrado será sempre representado por todos pela figura de quatro lados iguais formando quatro ângulos retos em qualquer tempo e lugar não podendo ser de outro modo. Daí, a realidade objetiva de qualquer coisa que se apresenta com a forma quadrada terá o seu correspondente imaginário representado na realidade subjetiva com a mesma figura quadrada. Se num belo dia essa coisa quebra, o quadrado não deixará de ser quadrado, mas essa coisa já deixou de ter a forma quadrada. Logo, a atualização dessa coisa deve ser registrada na memória. Porém, o quadrado é um ente geométrico que não terá modificações e nem sofrerá atualizações na memória.

Portanto, na autêntica correspondência biunívoca das classes, séries e seleções de elementos subjetivos atualizados e representados, de maneira precisa, correspondendo às variações, às aproximações e às transformações dos seus homólogos objetivos reais, não há o que justificar.

Nem poderá haver quaisquer contradições internas, ou incoerências, nas interações bem como nas intercomunicações, no uso do pensamento objetivo, exceto em lapsos de memória, de percepção, de registro, erros de recordação, nas distrações e nas negligências ou por disfunções orgânicas, loucuras, imprudências, imperícias, omissões e improvidência. E, ainda, por ausência de relevantes informações de fatos ocorridos, num importante lapso de tempo, ou pertinentes mas sem registros. Contudo, passiveis de correção em tempo hábil e saneamento posterior.

E se ainda persistir a incoerência ou a contradição é porque só pode pertencer à estrutura não clássica, suscetível de entendimento por meio do próprio pensamento objetivo.

O pensamento objetivo usa e aproveita as exigências, os princípios e as concepções construtivistas que consistem na construção e reconstrução de modelos explicativos para a realidade concreta.

Combina o raciocínio hipotético-dedutivo com o hipotético-indutivo sem dispensar as demais inúmeras maneiras de raciocinar. Depois, acresce-lhe os frutos da idéia de conhecimento aproximativo, consideradas as idéias de inovação, mudança, correção ou de adequação para novas realidades. Eis porque, os fenômenos, os fatos e as idéias novas podem exigir a elaboração de novas teorias e métodos, novas estruturas e tecnologias.

O pensamento mítico e o subjetivo têm outros parâmetros.

O pensamento mítico está bem mais ligado ao pensamento coletivo sociocultural antiparcimonioso quando os demais pensamentos são inúteis ou estão ausentes para explicar e resolver os impasses mais prementes ou para afastar uma catástrofe iminente.

São as sensações e as emoções, os valores, princípios dogmáticos, os subsídios do senso comum, ética, padrão, costume social, tradição, mistério, as convicções pela fé, sentimentos, crenças e presunções que prevalecem sobre as intuições, os sensos e juízos lógicos ou as razões, no pensamento mítico.

Para fazer abundar aqueles suprimentos imediatos mais simples das necessidades básicas comunitárias, num dado momento histórico, quando a escassez já ameaça a sobrevivência da maioria, a tendência geral é apelar ao sobrenatural, uma das características do pensamento mítico.

Neste tipo de pensamento, só cabe a Deus resolver todas as coisas impossíveis para o ser humano. Só um poder superior poderá dissolver uma situação catastrófica por um milagre, ou num passe de mágica, quando a sabedoria, conhecimento, idéia, prática, aptidão, instrumentos e recursos existentes e disponíveis são insuficientes para combatê-la. Quando todos os esforços são em vão, nada resta senão elevar o pensamento a Deus e orar, porquanto a fé e a crença, nessas circunstâncias, trazem à coletividade a calma e a confiança pela lembrança daquelas muitas vezes que já se deu certo, seja por acaso, seja por coincidência, por destino e mesmo pela mão de Deus. O importante é saber que o temor de Deus é o princípio de toda a sabedoria.

O pensamento mítico é comum na infância, na relação de adultos com crianças, para um melhor entendimento e compreensão do que pode pensar cada um numa dada situação, ou para um desempenho satisfatório ante a fraqueza ou pequenez contra uma dificuldade presente.

Daí, o que é normal, simples e natural no pensamento mítico pode parecer ridículo, absurdo e contraditório para o pensamento objetivo. Por exemplo, o Papai Noel é simbólico e porque já resolveu muitas situações difíceis para as crianças em certas épocas do ano é sujeito real e concreto no pensamento delas quando se aproxima o Natal. Nesse aspecto, não é ilógico nem absurdo, incoerente e ridículo, nem bem menos anormalidade e loucura, por exemplo, conversar com passarinhos, animais domésticos, paredes, com Deus, imagens, plantas, riachos, pedras, bebês, mortos, etc. sabendo-se, certamente, que não vai se obter respostas de modo algum, no paradigma do pensamento objetivo. Porquanto, é natural e lógico projetar pensamentos às coisas, dar-lhes movimentação fantasiosa, emprestar-lhes vozes, palavras e respostas com retorno para adivinhações e interpretações por crença, fé, vontade, desejo, intenção e sonho, com veemência, ou ainda, para aquela comunicação colorida através da linguagem metafórica. Contudo, é preciso ter suficiente entendimento e compreensão, ainda que bem posteriormente, ou com as duras penas, que certas coisas não são como pensamos; e, não devemos acreditar ou ter por certo como existente, real e concreto o que absolutamente não é. E, ainda que, os paradigmas dos demais tipos de pensamentos, não lhe dêem a justa validade pelo claro aproveitamento de sua pureza na obtenção de vantagens comerciais com a promoção do Natal, Ano Novo, Semana da Criança, Dia dos Namorados, das Mães, dos Pais, etc.

O símbolo mítico não representa mas encarna o significado. O símbolo se transforma na própria coisa simbolizada. No pensamento mítico, o símbolo é materializado, direto e imediato.

Daí, o mítico quando em confronto com o lógico, precisa-se de que se acrescente a este mais a função de desassociar ou desencarnar a coisa de seu símbolo ou vice-versa traduzindo as suas metáforas ou colocando os sujeitos nos seus devidos lugares e compreender o significado nos seus próprios paradigmas. Para uma compreensão adequada é preciso que se efetue um distanciamento de si para observar-se com os olhos do outro ou ter a visão do outro sobre as coisas sem misturar, entre si, os paradigmas de cada qual.

Cada indivíduo, aí, está bem mais vinculado à cultura a que pertence ou às situações circunstanciais limitadas aos desígnios de determinada comunidade dos quais professa ou cultua.

O pensamento mítico coleta e associa coisas diferentes fazendo interagirem-se. Daí, lágrimas são chuvas, os olhos são duas estrelas ou duas janelas, as sementes que as crianças põem na boca podem nascer ali, etc. Opera-se com associações de fragmentos heterogêneos, e também com associações de elementos diversos trazidos pela cultura, pela prática e pelo senso comum. Atua no campo da linguagem e pensamento simbólicos coexistindo ou misturando-se com o campo da linguagem e pensamento conceituais. Também, de certo modo inseridos pelo ritual próprio e aceitos, incondicionalmente, ou são produções e reproduções do rito, do dogma, do mito, do senso comum, da fantasia, da ficção, da magia, da crença e da fé comunitária introjetada no indivíduo pelo hábito, costume e uso, nos quais se estruturou.

Fortalecidas pela vivência ou pela experiência sensível, as faculdades básicas predominantes do pensamento mítico compreendem as sensações físicas e psíquicas, a aproximação e a associação de formas, aparências e conteúdos heterogêneos ou fragmentados. Também é parte do pensamento mítico a exclusão, a abdução, a síntese e a análise simples imediata e o raciocínio hipotético-indutivo com base no conhecimento ingênuo, doméstico ou sucessão familiar, assim como o senso comum, as deduções práticas e as automáticas e os subsídios das sensações somáticas e viscerais. Deve-se incluir como recursos relevantes do pensamento mítico, ainda, os reflexos, os impulsos e condicionamentos, a percepção, as emoções e os sentimentos.

Já o pensamento subjetivo somente é válido individualmente, tanto onde predomina o pensamento mítico quanto em ambiente de pensamento objetivo.

O campo da opinião, da persuasão, da argumentação e do processo dialético de conhecimento faz parte deste tipo de pensamento.

Pode ser identificado nas expressões:

¾ “Eu penso assim e pronto. Ninguém vai me convencer do contrário.”

¾ “A minha opinião é essa. Cada um pensa como quiser.”

¾ “Por esta linha de ação posso convencer o Juiz e vencer a causa”.

No pensamento subjetivo, os seus recursos e faculdades subsidiam-se, com predominância, pela prática individual, pelas interações no meio ambiente próprio, pela experiência sensível e pelo autodidatismo.

Os principais são a idéia, a criatividade, as sensações psíquicas, o raciocínio hipotético-indutivo, sugestão, o raciocínio hipotético-dedutivo, o confronto, a fantasia, raciocínio por analogia, por redução ao absurdo ou exclusão, o devaneio, a reflexão, a meditação, a imaginação, a introspecção, a racionalização e a argumentação, contudo, sem uma orientação metódica definida. Os seus subsídios vêm mais dos conhecimentos implícitos cujas inferências e conclusões estão altamente associadas às intuições, emoções, sentimentos, sensos e evidências. As suas convicções têm mais apoio da verossimilhança advinda das associações de elementos heterogêneos e das sensações somáticas e psíquicas ressaltando-se a seleção e fé, as crenças e visões, os sons, as cores, sabores e odores, os vestígios, presságios, pressentimentos e sinais, as profecias, especulações e premonições, as semelhanças, pistas, aparências, indagações, coincidências, ambigüidades, as incertezas, distinções e pegadas, a tópica, a comparação, dissociação, associação, analogia, rastro, signo, indício e coleção de fragmentos afins de interesses reservados.

Em grande parte das suas interações intrapsíquicas e procedimentos, o pensamento subjetivo opera tanto com elementos homogêneos quanto com heterogêneos segundo interesses imediatos.

O pensamento subjetivo tanto produz, reproduz, inova e inventa atos, atitudes e atividades tendenciosas e egocêntricas quanto os procedimentos éticos, altruísticos e beneficentes, mas sempre com intenção e interesses voltados para o incremento de suas realizações particulares. Assim, tanto se expressa pela linguagem conotativa quanto denotativa.

O pensamento subjetivo, muito embora cheio de vivas experiências, rico em opiniões, sugestões, idéias, argumentos, máximas populares, e de muitas convicções aceitáveis, provém da mistura dos pensamentos mítico e objetivo, mas restritos aos interesses particulares no âmbito do suprimento das necessidades imediatas, ou em curto prazo.

Portanto, não há a pureza simbólica, folclórica, metafórica, artística, ingênua, exótica, natural e poética do pensamento mítico e a profundeza científica, precisão, clareza e a universalidade do pensamento objetivo. Mas, por outro lado, como compensação, há a grandeza e beleza da originalidade, criatividade, iniciativa, especulação, improvisação, arte, estética, curiosidade, espontaneidade, coragem, desafio, intuição, inovação, invenção, autonomia e individualidade autêntica que dão o colorido à vida e, em especial, subsídios aos demais pensamentos.

Eis porquanto é preciso a integração desses três pensamentos cada qual vendo também pela visão dos demais diferentes paradigmas.

Daí, compreender-se-á que o ridículo e o absurdo só existem numa visão única e própria quando demais paradigmas são desconsiderados, desqualificados, subestimados ou excluídos.

O exercício do pensamento eficiente e eficaz requer um clima propício, ambiente saudável, arejado, pacífico e equipado com os meios, ferramentas, instrumentos adequados e com os recursos indispensáveis ao que se propõe pensar, sem interferências, interrupções, distrações, omissões, perturbações nem obstáculos de quaisquer naturezas.

Requer também ótimo condicionamento físico e a situação de saciado, de bem alimentado, sem sono, acordado, vivaz, bem disposto e desfrutando o bem-estar.

Entretanto, a boa disposição querendo pensar mesmo, o equilíbrio, a calma, a tolerância e a paciência, com bons reflexos para o alerta, prontidão, atenção, concentração e observação são requisitos indispensáveis.

 

[14] Juízo. O juízo tem uma significação mais para o lado da sensatez quando se interage com o meio ambiente no passo de se conduzir bem. Essa conduta se refere à boa ética e qualidade do ato de dar parecer, julgamento, opinião, opção, determinação, decisão, deliberação e sentença para uma aplicação de fazer, não fazer, ou criticar, mas de modo justo e imparcial, observando as boas emoções, sentimentos e sensos. Implica, então, aptidão, sabedoria, vivência,  bom conhecimento anterior, amor e inteligência.

A paciência, o senso e o juízo indicam o equilíbrio psíquico, racional e intelectual para a equanimidade na busca do objetivo e da missão maior com serenidade de espírito, retidão e eqüidade em julgar. Todos estes recursos psíquicos suportam a equanimidade que é a igualdade de ânimo tanto na desgraça quanto na prosperidade, que só a auto-estima os pode subsidiar.

Sem juízo não há auto-estima. Sem auto-estima não há juízo. V. nota 35.

Logo, não se deve esmorecer diante de qualquer obstáculo. É preciso manter o interesse e os estímulos interessantes, passo a passo, através dos reforçadores e dos motivadores positivos.

A intenção deve-se aliar ao desejo e à vontade de transformar o sonho em realidade concreta. Sem, contudo, esquecer-se de firmar um pé de apoio para cada passo seguinte. Isto significa que todo avanço precisa de auto-sustentação, assim como disse Arquimedes que levantaria o mundo se lhe dessem um ponto de apoio e uma alavanca.

Observe-se que as reconciliações mais rápidas — consigo mesmo ou com os outros —, são obtidas quando presentes os recursos do saber amar, com a auto-estima em nível superior, ter o que e o como ceder e compensar-se, não estar no pólo repelente e encontrar-se no curso da missão maior.

A situação de auto-estima em alto nível traz de imediato à consciência, o estado emocional ou sentimental negativo ativado. Porque, quando a auto-estima está em baixa não há como se interessar em detectar, conhecer e remover a causa do distúrbio emocional que o incomoda. Pode-se saber, daí, a causa, o motivo, ou a razão do mal-estar presente por meio da busca às respostas das indagações inerentes. O juízo está apto para operar.

Essa consciência pode acionar os instrumentos psíquicos adequados trazendo a expectativa, a esperança, o entusiasmo, a calma, a tolerância, a paciência e a paz de espírito que podem aliviar e afastar impulsos violentos ou tensões prolongadas, não saudáveis, mantendo o equilíbrio, a alegria, o prazer e o bem-estar contínuo.

Evita-se, nesse processo, as possíveis reações negativas inacessíveis à manutenção das boas relações interpessoais, sem seqüelas para a saúde, porquanto a consciência integrativa aciona o bom juízo para descontaminar, filtrar, depurar e qualificar os estímulos certos e válidos, de conformidade com os momentos biográfico-históricos utilizados.

É no quarto momento que o juízo integra as emoções, os sentimentos e os sensos. O juízo é o suporte da auto-estima autêntica disciplinando e harmonizando as emoções, os sentimentos e os sensos.

Por conseguinte, os excessos das reações, das ações e das atuações dissipam-se evitando perdas desnecessárias.

O juízo é o filtro que bloqueia a entrada das impurezas que vêm denegrir o espírito, entorpecer a mente e adoecer o corpo.

O bom juízo e a auto-estima se municiam e se nutrem porquanto faz prevalecer o melhor das emoções, sentimentos e sensos integralizados com o melhor das razões dando cores certas às reações, às ações e às atuações, por julgamento eficiente e eficaz, no passo do triunfo sensato.

Contudo, o juízo em alto nível necessita do entendimento preciso e da plena compreensão além do bom reflexo, da eficácia do conhecimento certo e do pensamento objetivo relativos às circunstâncias do acontecimento ou do momento considerado. Quem tem a alta auto-estima vai buscar os recursos necessários aprimorando-os para abastecer o juízo.

Já dissemos como as grandes personalidades alcançam o apogeu de sua mestria ou da sua habilitação.

Através da auto-estima aprendem a se conduzir investindo todo o seu precioso tempo num trabalho que lhes agradem e gostem, de fato.

Reproduzem-se-lhes a alegria e o prazer. Pela concentração total nos seus respectivos ramos de atividades conseguem desenvolver-se pelo treino, pesquisa, observação e estudo. Informam-se, relacionam-se, orientam-se, convivem com pessoas do meio apropriado ou afim; e vivem a atividade que escolheram de maneira profunda. Têm consciências do que querem para si e reagem, agem e atuam, passo por passo, sem atropelos, até chegarem ao seu ponto ideal definido para consolidá-lo e desfrutá-lo.

Com a vantagem do juízo e da auto-estima, qual é o mérito da espécie humana em continuar fazendo a mesma coisa que os demais seres viventes para poderem sobreviver? A beleza do amor e da inteligência só pode ser apreciada no ser humano quando houver, realmente, o triunfo sensato da sua espécie. O juízo é o fundamento do ser humano racional que atrai o ato inteligente. Porquanto, para que alguém tenha bom juízo é preciso refletir, conhecer, saber, raciocinar e pensar bem para usar, praticar o procedimento adequado, o comportamento certo, a boa conduta, a prudência, os bons reflexos e, principalmente, discernir e julgar o que é bom para si, para os outros e para a totalidade da sua espécie e sua extensão mais próxima.

O bom juízo é o porteiro da alma que despolui o pensamento para que a auto-estima receba o amor. Ambos purificam o corpo e a mente formando a unidade do ser humano íntegro, em alto nível. Desnecessário, portanto, ressaltar a sua importância para o bem-estar, bem-ser e bem-ter para o bem-fazer no passo de um bom acontecer contínuo. Eis porquanto, são fatores ideais do ser pessoa para a consolidação e desfrute, em elevada qualidade, do seu triunfo sensato.

 

[15] COMER alimentos saudáveis. Veja apêndice na página 161 e Nota 34 na página 236.