1.a EDIÇÃO ¾ ano 2001
2.a EDIÇÃO ¾ ano 2002
3.ª EDIÇÃO ¾ ano 2003
Editora: Compart - Comunicação & Projetos Arte Final Ltda.
Capa: Saburo Okada.
Copyright: Saburo Okada.
todos os direitos
reservados
Obras do autor:
·
“A sua redação com estilo”
·
“CHRISTOPHER GODSON STEIMBER — Carta
aos enamorados de Telus”
· “Sucesso pela
redação ― triunfe pensando e escrevendo certo”
·
“Teoria da Aprendizagem: as consciências dos seus
quatro momentos”
·
“MEGACONSCIÊNCIA”
·
“SUPERCONSCIÊNCIA”
·
“NAMORADOS, UNI-VOS! Tendes o poder de mudar o mundo!”
·
“Escritório de Investigação”
Dedico esta obra à HUMANIDADE.
Almejo que algum dia ― não muito demorado
―, possam todos os seus descendentes vivos, juntos, desfrutar uma vida
natural, espontânea, livre e feliz com a consciência plena de saberem o que
realmente fazem.
Saburo
Okada.
ÍNDICE
GERAL.
Dedicatória...........................................................................................
3
Prefácio...............................................................................................
9
Consciência preliminar...........................................................................
25
Consciência terapêutica..........................................................................
43
Consciência subjetiva e objetiva..............................................................
75
Superconsciência..................................................................................
20, 87
Consciência interativa............................................................................
109
Consciência crítica, ética e histórica......................................................... 115
Glossário.............................................................................................
129
Apêndice..............................................................................................
161
Alimentos saudáveis –
composição........................................................
161
Glossário dos alimentos.........................................................................
167
Glossário das perturbações físicas...........................................................
195
Índice geral...........................................................................................
5
Bibliografia............................................................................................
203
Notas de fim (NF) 1 a 45........................................................................
207
ÍNDICE
POR ASSUNTO.
Abdução..............................................................................................
253
Ação,
reação, atuação e interação...........................................................
109
Acomodação........................................................................................
129
Acordo,
conciliação, consenso e pacto (V. págs 129, 134, 135,151)............. 113
Adequação
e adaptação.........................................................................
55
Alarme.................................................................................................
210
Alerta,
prontidão, atenção e observação....................................................
210
ALIMENTOS
– essência
dos primeiros momentos.....................................
161
Amor,
amizade, paixão e sexualidade......................................................
225
Amor...................................................................................................
225 – NF n.º 26
Análise
objetiva.....................................................................................
253
Analogia...............................................................................................
251, 257
Analogia
das emoções, sentimentos, sensos e juízos com as cores............. 65
Angústia...............................................................................................
130
Ansiedade............................................................................................
130
Antítese................................................................................................
235
Aprendizagem.......................................................................................
220 – NF n.º 18
ARGUMENTAÇÃO
DIALÉTICA.............................................................
246
Demonstração específica, procedimento dogmático................................. 247
Tópica, redução ao absurdo, a contrario sensu......................................
248
Ab autoritatem, ad
hominem, ad rem....................................................
249
Paradoxo, a fortiori, a maiori ad minus, a
minori ad maius, a simile..........
250
Exemplar, analogia............................................................................
251
Contra-argumento..............................................................................
252
Atitudes
Científicas.................................................................................
240 – NF n.º 39
Auto-estima..........................................................................................
236 – NF n.º 35
Autonomia
autêntica...............................................................................
230 – NF n.º 31
Autoridade
(princípio da).........................................................................
242
Autoridade
e autoritarismo.......................................................................
123
Banco
da memória................................................................................
41
Boa
alimentação....................................................................................
161, 235 – NF n.º 34
Caráter
do estado psicológico..................................................................
105
Carências
passíveis..............................................................................
209 – NF n.º 3
Classificação........................................................................................
255
Comparação.........................................................................................
252
Complexo-percepto-memório-intelectivo....................................................
210 – NF n.º 5
Comportamento,
conduta, procedimento e vivenciamento............................
265 – NF n.º 44 ª.
Compreensão.......................................................................................
221 – NF n.º 19
Confiabilidade
e credibilidade...................................................................
79
Confronto,
confrontação..........................................................................
238 – NF n.º 36
Confusão
entre subjetividade e objetividade...............................................
263 – NF n.º 44
Consciência
do consciente.....................................................................
93, 94
Consciência
do inconsciente...................................................................
93
Consciência
do subconsciente................................................................
93
Consciência
integrativa..........................................................................
93, 103
Consciente...........................................................................................
100
Consciente-social..................................................................................
102
Contra-argumentação.............................................................................
252
Contradição..........................................................................................
256
Controle...............................................................................................
36, 258
Controle
objetivo...................................................................................
258
Credibilidade.........................................................................................
79
Culpa..................................................................................................
46, 136
Decisão...............................................................................................
213, 234 – NF n.º 9, 11
Dedução..............................................................................................
253
Deliberação..........................................................................................
215, 235 – NF n.º 9, 12
Descobrir,
inovar, inventar e criar............................................................
14
Descrição
científica................................................................................
244
Demonstração
à evidência......................................................................
252
Determinação........................................................................................
212 – NF n.º 9 ,10
Determinismo........................................................................................
241
Dialética...............................................................................................
235
Dinheiro...............................................................................................
121
Direito
natural........................................................................................
117
Disciplina.............................................................................................
106, 138, 266
Disposição
(físico-psíquica).....................................................................
235
Dúvida
e crítica.....................................................................................
240
Emoção,
senso, reflexos (Veja no rodapé)................................................
27
Emoção
negativa, intensiva, emoções.....................................................
63, 140, 141
Emoção
positiva...................................................................................
224, 140
Empirismo............................................................................................
242
Entendimento........................................................................................
210 – NF n.º 4
Escolha...............................................................................................
212 – NF n.º 9
Estímulo
adiante....................................................................................
26, 208
Estímulo
constante.................................................................................
209
Estímulo
presente..................................................................................
207
Estímulos.............................................................................................
207
Estrutura
social estática, dinâmica, cinemática e harmônica......................... 113
Estruturação.........................................................................................
256
Experiência..........................................................................................
256
Generalização.......................................................................................
243
Habituação
e sensibilização....................................................................
229 – NF n.º 28, 29
Hipótese...............................................................................................
245
Holismo.
Sistema holístico. Hólon.............................................................
86
Identidade.............................................................................................
256
Identificação..........................................................................................
208 – NF n.º 2
Iminências............................................................................................
207
Impasse...............................................................................................
222 – NF n.º 20
Inconsciência........................................................................................
94
Inconsciente.........................................................................................
96
Inconsciente-social................................................................................
97
Indução................................................................................................
253
Inferência.............................................................................................
40
Ingenuidade,
responsabilidade, espontaneidade e disciplina.........................
266 – NF n.º 44 ª.
Insight..................................................................................................
40, 146
Inteligência.........................................................................................
226 – NF n.º 27
Intenção...............................................................................................
233 – NF n.º 33
Interatividade........................................................................................
109
Interesse..............................................................................................
234
Interpretação.........................................................................................
209 – NF n.º 3
Interpretação
objetiva.............................................................................
254
Intimidade.............................................................................................
146
Intuições..............................................................................................
37
Intuição
heurística..................................................................................
39
Intuição
imaginativa...............................................................................
38
Intuição
lógica.......................................................................................
38
Juízo...................................................................................................
218 – NF n.º 14
Liderança.............................................................................................
123
Linha
do bem........................................................................................
224 – NF n.º 25
Lugar-comum.......................................................................................
220 – NF n.º 17
Manipulação
das variáveis (ou científica)..................................................
242
MEDO, RAIVA.....................................................................................
23, 57 a 59
Medo
histórico e artificialidade.................................................................
10, 21
Megaconsciência
social.........................................................................
258 – NF n.º 40
Memória.............................................................................................
41
Método
científico................................................................................
244
Momento
biográfico................................................................................
17, 75
Momento
histórico.................................................................................
211 – NF n.º 8
Motivação,
estímulo motivador................................................................
26
Necessidades.......................................................................................
210
Negatividade........................................................................................
231
Negativismos.......................................................................................
231 – NF n.º 32
Negligência,
imprudência, imperícia e omissão..........................................
45, 224 – NF n.º 23
Objeto
ideal..........................................................................................
210 – NF n.º 7
Observação.........................................................................................
210
Observação
objetiva..............................................................................
258
Ocupar-se
de viver...............................................................................
238 – NF n.º 36-a
Opção.................................................................................................
212 – NF n.º 9
Organização.........................................................................................
151
Organização
social................................................................................
259 – NF n.º 43
Organização
social integrativa.................................................................
262
Parcimônia
científica..............................................................................
241
Pensamento
precípuo e de segunda ordem...............................................
213 – NF n.º 13
Pensamento
objetivo..............................................................................
215
Pensamento
mítico................................................................................
216
Pensamento
subjetivo............................................................................
217
Percepção............................................................................................
25, 207 – NF n.º 1
Poder
e jogo de poder............................................................................
259 – NF n.º 42
Posição
existencial................................................................................
258 – NF n.º 41
Postulados
principais da proposição.........................................................
239 – NF n.º 38
Predição.
Premonição. Presságio. Profecia. Pressentimento. Previsão. Controle..... 33 a 36
Premências..........................................................................................
207
Privações
toleráveis..............................................................................
208
Produção
de ferramentas úteis.................................................................
237 – NF n.º 35-1
Proposição.........................................................................................
79, 238 – NF n.º 37
Propriedade
reflexiva da igualdade...........................................................
258
Propriedade
transitiva da igualdade..........................................................
258
Prudência.............................................................................................
46
Quadro
das cores (sensações, emoções, sentimentos, sensos e juízos)....... 68, 69, 70
Quadro
das peculiaridades dos momentos biográficos.................................
26, 32
Quadro
das sensações psíquicas............................................................
30
Quadro
da verdade e da mentira..............................................................
80
Querer
integrado....................................................................................
213
Raciocínio............................................................................................
252
Razão
suficiente. Causalidade.................................................................
256
Realidade.............................................................................................
27, 78
Reforçadores,
motivadores, interessantes e integradores. Estímulos............. 26
Relatividade
da verdade.........................................................................
83
Saber
e conhecimento............................................................................
230 – NF n.º 30
Seleção...............................................................................................
255
Sensações
viscerais, somáticas e psíquicas.............................................
28
Ser.
Nada. Ausência..............................................................................
77
Ser e
não-ser........................................................................................
77
Ser-real
e o ser-ideal. O.........................................................................
78
Seriação..............................................................................................
255
Sexo,
sexualidade, paixão, amizade, amor..............................................
225
Síntese
científica....................................................................................
253
Síntese
dialética....................................................................................
257
Sistema
límbico.....................................................................................
158, 210 – NF n.º 6
Sofisma,
paralogismo.............................................................................
258
Subconsciência.....................................................................................
94
Subconsciente......................................................................................
98 a 100
Subdesenvolvimento.............................................................................
222 – NF n.º 21
Terceiro
excluído..................................................................................
257
Tese...................................................................................................
245
Tópica.................................................................................................
219 – NF n.º 16
Verdade
de fato. Verdade de razão...........................................................
82
Verificação...........................................................................................
252
Vício....................................................................................................
232
Vontade,
desejo, intenção e sonho...........................................................
233, 234
Zelo,
prudência, perícia e prestimosidade..................................................
46, 224 – NF n.º 24
PREFÁCIO.
Neste momento em que lhe quero escrever este prefácio, humanidade
amiga, vejo-me incorporado neste planeta, como a menor unidade-parte de sua
integridade; e, sinto-me um ser vivo nesta idade de cinqüenta e nove anos, com
a necessidade de bem observar, novamente, as coisas que me pareceram e me
parecem importantes, para o assunto em pauta, das que eu já consegui captar com
as minhas sensações e as registrei no meu banco de memória.
Na verdade, muitas delas desfilam na minha tela imaginária,
no alto de meu cérebro, mas eu não as consigo observar bem, porquanto, entre o
imaginar, o fluir de idéias digitando e a leitura crítica do digitado na tela
deste computador, aquele desfile já se desfez; e, custa retornar-se para as
novas expressões. Daí, eu digito mais do que deleto e deleto bem mais do que
expresso para valer. Contudo, a leitura crítica é muito maior do que digito e
isso me leva à pesquisa remanescente.
Ouso pesquisar para, obviamente, nos devidos confrontos poder
retificar, ratificar ou expurgar algum significado dúbio, isto é, ambíguo, que
eu mesmo pensava em impugná-lo.
Deste modo, de expressão em expressão, que eu aprovo e
depois retorno reformulá-las, vai se selecionando os seus mais adequados
elementos cujos significados venham corresponder, realmente, ao mais próximo
daquilo que lhe quero dizer. Essas expressões, sejam referentes a fenômenos,
fatos e idéias; ou, a realidades, devem acoplar-se à estrutura do que já é e
está dentro da teoria de aprendizagem: as consciências dos
seus quatro momentos.
Assim, vou observando o mundo;
ou seja, você mesma — humanidade querida —, numa viagem, no tempo, de ida
e volta, que relatarei adiante, de relance, juntando os seus fragmentos
significativos para o assunto desta obra, diante da minha tela da imaginação.
E eis que vejo o referido mundo
como um conglomerado de quatro redes relacionais concêntricas* latitudinais como
acontecimentos, fatos coletivos, eventos grupais dinâmicos ou os seus momentos
históricos, estando cada rede formada
por uma série sucessiva de outras redes menores de diferentes volumes,
interligadas estas por quatro outras grandes redes longitudinais que se atam ao
nó central*, deslocando-se em harmonia
com os demais nós, à medida do movimento do todo, como atos de pessoas,
fenômenos, situações, acontecimentos e eventos individuais ou momentos
biográficos.
Tem a semelhança de um grande
conjunto de teias de aranha entrelaçadas. Com quatro múltiplas séries
concêntricas e dispostas harmonicamente, essas teias quadridimensionais*, parecem se mover de um lado para
outro sob uma lei de velocidade retardada, acelerada e, às vezes, parada*, mas logo se pondo em movimento
como se houvesse a influência de algum vento bem fraco ou bem forte, cuja
tridimensionalidade espacial sobreposta à dimensão de tempo e em sua medida, se
fazem surgir outras e novas teias entrelaçadas. E deixemos de lado aqui as
demais dimensões espaciais, virtuais e outras.
Falo do saber* e do conhecimento atualizado e
consagrado pela sociedade, gerados pela necessidade histórica*, dentro do espaço tridimensional* real presente, que reproduzem novos
afazeres e criam idéias, conhecimentos
e saberes, em todas as direções e áreas. Parecem estar em rede global
permanente entrelaçada pela atuante e revolucionária tecnologia atual para a
difusão e troca de informações entre as pessoas de qualquer país.
Tecnologia essa acionada pela
vontade, desejo, intenção e pelo sonho que produzem o reforçamento, a motivação
e o interesse em extrair as vantagens que possam livrar os seus usuários do seu
medo histórico* relativo, numa velocidade nunca observada antes, à medida que se avança
no tempo para o futuro, dia após dia. Incluem-se, aí, o fenômeno, o fato e a
idéia; e, as suas realidades subjetivas e objetivas em suas múltiplas relações
de reação, ação, atuação e interação em busca do triunfo relativo, considerando
as razões de ser nas conexões de seus princípios e das suas finalidades
respectivas.
MOMENTO HISTÓRICO.
Ao
visualizarmos a história do mundo e navegarmo-nos no tempo, para trás, numa
viagem de ida e
volta*, considerando as
três dimensões espaciais sob os seus mais significativos pontos de visão; de
repente, num primeiro momento, enxergamos um emaranhado de situações
interativas desde as nações de hoje para o seu passado, uma por uma,
relacionando-se com os seus variados pares de cada época significativa; e,
notamos os seus diferentes comportamentos no sentido de poder identificar
condutas sociais vigorantes e interpretar os seus procedimentos*.
No
segundo momento, se pararmos para melhor conhecer uma certa situação histórica,
necessariamente, deparamo-nos com as diferentes cidades, o seu uso, costume,
conduta social, padrão ético, étnico e cultural, além do seu modo de se prover.
Prosseguindo a nossa viagem, notamos grupos inteiros em conflito uns
com os outros para disputarem matéria-prima; e, um pouco mais em direção aos
primórdios, tribos nômades tentando saquear tribos estabelecidas, à caça de
comida para sobreviver.
E,
para satisfazer a nossa curiosidade de saber, queremos respostas dos porquês, do como, de onde e
do para quê dessas atividades estúpidas e irracionais de primeiro momento
histórico negativo, e até quando elas persistirão.
E hoje mesmo, 11.9.01, assistimos estupefatos pela televisão a mais um
ato de terror mostrando a tragédia no pentágono, em Washington D.C. e no World
Center Trade, em Nova York, U.S.A. com muitas pessoas consternadas, outras
assustadas e algumas comemorando, com euforia, como se o seu time acabasse de
fazer o gol da vitória, sem se importarem que, certamente, houve muito mais
vítimas inocentes de uma só vez do que muitas guerras juntas de longa duração.
Qual é a necessidade
essencial por trás de tudo isso?
Quais são os sujeitos dessa
necessidade e provocadores principais do conflito de interesses resultante?
Quem poderá explicar a
verdadeira causa, motivo e razão de um fato desses? Qual é a sua causa remota?
Esse
conflito gerador de atos, ações, reações e atuações em cadeia dos sujeitos
(grupos antagônicos), entre si, não é um processo intencional no passo de
prover interesses egocêntricos respectivos?
O pior, é que há respostas corretas para todas essas indagações. Muita
gente as sabe e nada pode fazer de pronto. Porquanto, uma andorinha só, não faz
verão; e, quem quer que aponte, apresente e explique o seu verdadeiro processo
de surgimento acompanhado da solução respectiva e definitiva no passo de
arregimentar multidões de andorinhas para melhor cuidar da sua espécie, será
taxado de visionário, louco, além de perseguido e calado pelos afetados.
Por que a verdade pode
machucar muito mais?
Será isso um suicídio crônico
da humanidade?
Não é inteligente resolver o
problema dos povos com amor ou competir com lealdade, probidade, fineza e
condescendência para evitar uma irracionalidade estúpida dessa ordem?
Note-se
que além do terror manipulativo de efeito imediato, há o terror de conseqüência
tempestiva e o terror de resultado que produz a ansiedade social crônica para
fim único do lucro.
A
tendência das vítimas do terror de resultado, no limiar de tolerância, é a de
reagir com o terrorismo de efeito imediato.
Estas situações aterrorizantes não cabem no sistema de vida
fundamentado no amor; portanto, são próprias do sistema social de sobrevivência
baseado nas competições dinâmicas do modo não inteligente; ou seja, na ocupação
social de morrer, cujos fins são particulares, egocêntricos tendentes à
satisfação imediata ou de curto prazo, através dos meios tendenciosos,
inconscientes, exacerbados, inescrupulosos, espúrios, estúpidos e excludentes.
O
terrorismo que integra esses três modos é o pior de todos.
Os
mentores desse terrorismo diabólico criam processos e procedimentos
manipuladores para influir, controlar e dominar grupos ou nações visadas
situando uns contra outros para tirar vantagens astronômicas quer imediatas, a
médio e longo prazo.
Continuemos
com a nossa viagem.
Nesta parada de terceiro momento, vemo-nos diante dos distintos
indivíduos e pessoas em famílias e povos respectivos, sua linguagem, valor,
padrão, hábito, uso, costume, a forma de se reproduzir, construir, reconstruir
e o procedimento de prover a sua constante necessidade.
E, assim, ao avistarmos os primórdios da civilização, a nossa atenção é
despertada, de repente, para a incomensurável profundidade no processo do
conhecimento específico:
—
Descobrir, inovar, inventar e criar*.
Fim
da viagem de ida. Mas no momento de virarmo-nos para a nossa viagem de volta;
eis, repentinamente, sentimos a vontade da integração do homem, não só pelo
lado individual rumo à totalidade do ser humano, mas pelo lado da totalidade
rumo ao indivíduo.
Assim,
nesta situação de quarto momento, a partir das nossas reflexões, concluímos a
importância do indivíduo na formação da sociedade humana em mesmo nível de
importância da totalidade do ser humano para com o indivíduo, numa real e
positiva integração dos seus múltiplos e distintos paradigmas de estar, ser,
ter e fazer para ver, acontecer e viver no mundo atual, não só do modo feliz
como também do modo atualizado.
MOMENTO
BIOGRÁFICO.
Estamos
voltando.
Na
viagem de ida aprendemos muita coisa e recordamos de modo global e histórico a
vida do homem em seus diferentes momentos históricos; ainda que,
implicitamente.
Agora, num primeiro momento, vemos cada indivíduo integrado na sua
tribo mas desintegrado dos indivíduos de outras tribos. Mais adiante para o
futuro notamos um indivíduo mais experiente comandando um barco de pesca. O tal
barco que começou interligar povos sem recursos naturais com aqueles que
esbanjavam excedentes em abundância que nos vislumbrou outras embarcações
fortíssimas e bem mais arrojadas, no tempo adiante. Estes barcos de longa
viagem estão abarrotados de especiarias e outras mercadorias raras para uns,
mas úteis e preciosos para todos. As atividades de suas tripulações dariam
origem aos futuros grandes capitalistas. Subitamente, percebemos o Sócrates, o
Platão e o Aristóteles e lembramos de Péricles. Associamos, no tempo, a César,
Átila e Alexandre que nos lembraram Abraão, Moisés, Jacó, José do Egito, Buda,
Confúcio, Cristo, Maomé, Lutero e Gandhi; e; resolvemos dar uma parada para uma
reflexão. Eis porquanto, repentinamente, percebemos que tínhamos esquecido do
fator velocidade no
paradigma da sabedoria, do conhecimento e do pensamento que atua como
catalisadora do desenvolvimento biográfico e histórico.
Por
isso, temos pressa para voltar.
Deixemos de lado a influência desses homens para com os homens do
futuro. Se bem que tínhamos, ainda, lembrado dos dois Bacon, o Rogério, da pólvora e o
Francis, da indução
(levantou o mapa do terreno desconhecido da investigação).
Porém,
eis que divisamos Isaac Newton, Copérnico, Kant, Spinoza, Descartes, Voltaire,
Marx, Hegel, Montesquieu, Darwin e Rousseau. Contudo, não há tempo mais para
falar de outras grandes personalidades que ajudaram a acelerar ou a retardar a
construção do homem ideal.
Entretanto,
não podemos esquecer das lições do que não devemos fazer dadas por Nero,
Maquiavel, Napoleão, Hitler e por muitos outros.
Mas, já que estamos falando de indivíduo que implementa e acumula
conhecimento e o desenvolve para construir o mundo de sua realidade subjetiva e
a coleção dos seus momentos biográficos, contribuindo do produto de sua
individualidade para a reconstrução, reabilitação e reinvenção do mundo, ou
seja, da realidade objetiva humana; vamos, então, desfilá-los, o mais possível,
ainda que repetindo alguns dos citados, os que de algum modo permanecem
relevantes tanto para a reconstrução do mundo subjetivo e objetivo do indivíduo
quanto do coletivo, quer para os seus momentos biográfico-históricos quer para
os histórico-biográficos. São estes,
dentre muitos outros, Hipócrates, Heráclito,
Parmênides, Arquimedes, Pitágoras, Euclides, Tales, Sócrates, Platão,
Aristóteles, Copérnico, Kepler, Galileu, Espinosa, Isaac Newton, Descartes,
Leibniz, Fermat, Leonhard Euler, Lagrange, Laplace, Karl Friedrich Gauss,
Galois, Bacon, George Bernhard Riemann, Srinivasa Ramanujan, Hertz, H. A.
Lorentz, Werner Heisenberg, James Clerk Maxwell, Planck, Einstein, Niels Bohr,
Frege, Wittgenstein, Edward Witten, Morgan, Karl Marx, Freud, Peirce, Mendel,
Pavlov, Watson, Mendelejev, Pascal, Skinner, Michel Foucault, Sabin, Piaget,
Husserl, Perls, Bertrand Russel, Lévi-Strauss, Heidegger, Merleau-Ponty e
sucessores.
Num segundo momento, já neste final da nossa imaginária
navegação, olhamos para o nosso interior e o que vemos na nossa biblioteca
subjetiva?
Algum fragmento* de cada um dos eméritos pensadores citados, somado ao conhecimento
fornecido pela vivência das interações cotidianas com o nosso meio ambiente.
No terceiro momento, analisamos, sintetizamos e podemos
colher da rede de significação, no emaranhado universo das informações e
experiências que o nosso mundo exterior nos oferece, uma seleção de
lugares-comuns* que nos conduza à compreensão do
melhor comportamento, conduta, procedimento e vivenciamento para uma vida feliz
para todos daqui para frente e em qualquer tempo ou lugar.
No quarto momento, meditamos e refletimos nessas três
dimensões espaciais, em seqüência temporal, acrescidas da velocidade, no passo
do seu desenvolvimento cuja aceleração, retardamento e parada sejam feitos
quando necessários.
E neste fim de viagem, inesperadamente, acordamos do
acordado imaginário. E o que observamos?
Que a realidade é muito complexa?
Até pode sê-la.
Mas o que observamos e percebemos é que a realidade que
se nos apresenta aqui e agora é um mundo de contínua intercomunicabilidade,
intersubjetividade, interconectividade e interatividade entre pessoas dos
diferentes lugares, quer próximas quer longínquas, em constantes trocas de
alguma coisa, cada vez mais em larga escala, graças aos constantes avanços
tecnológicos em elevado nível, aos seus inventores e ao fluir excessivo das necessidades
humanas artificiais.
E o que isso vem a significar?
Nada mais do que uma sociedade em rede* sem rumo certo ou
definido, eis pois que se observa uma rede de interações interpessoais, em
qualquer volume de informações, a qualquer distância, e na velocidade nunca
dantes vista, e a um só tempo, querendo, mas em benefício de quem? É mais um
advento de nova dinâmica social e econômica que se caracteriza pelo fluxo quase
instantâneo de informação, capital e comunicação que vem substituir modelos já obsoletos
de atender vontade, desejo e interesse minoritário. Porquanto, não atendem à
maioria; e, que, por seus caracteres inegáveis de alta tecnologia poderiam
muito bem atendê-la, se quisessem.
É preciso pensar em uma tecnologia em rede para fins do benefício
universal e necessário e não apenas para atender aos elementos das categorias
sociais mais poderosas.
Urge acordar para a superconsciência. Despertar-se para sair
do ideário* enganoso.
Porém, antes de falar sobre o título da presente obra, bom é
explicitar sobre a teoria dos momentos.
O
momento refere-se ao lugar e ao conteúdo de qualquer acontecimento
significativo natural ou provocado.
Observe-se
que um acontecimento ou um evento implica: realidade, necessidade,
concretitude, objetividade, existência de conteúdo e forma no espaço, tempo e
velocidade; localização; sujeitos da ação, reação, atuação (ativo e passivo);
causa e efeito, motivo e conseqüência, razão e resultado; a situação e seu
nascimento; o seu registro; a sua importância, bem como de outros componentes.
Cada acontecimento
significativo, seja ele um fenômeno, um fato ou uma idéia, tem no seu processo
formativo, numa situação definida, um máximo de quatro momentos relevantes,
distintos, autônomos, simultâneos, interdependentes, regulares ou sucessivos e
reproduzíveis*.
Consideram-se,
então, todas as suas extensões, as suas influências formais, a sua importância
e a velocidade dos seus efeitos, conseqüências ou resultados, num relevante
intervalo de tempo definido. Esse intervalo de tempo pode durar alguns segundos
ou minutos, semanas, meses e anos. Até mesmo, séculos e milênios em se tratando
de momentos históricos.
Quando se trata dos momentos implica, necessariamente, o momento
biográfico (individual) ou o momento histórico (social) de significado
expressivo.
Portanto,
envolve novidade, aprendizagem, desenvolvimento, mudança, coleção de
conhecimentos adequados e implantação de processos saudáveis para o atendimento
às necessidades humanas imediatas, tempestivas, sucessivas e integradas.
Tudo,
no sentido do bem-acontecer, em alto nível, não só para o indivíduo em
particular, para um grupo isoladamente, mas também, para qualquer sociedade
como um todo ou para a humanidade, em qualquer época, malgrado seus contrários.
A necessidade geral — premente,
tempestiva, sucessiva e integrada — é o que movimenta o ser humano para a
reação, ação, atuação e interação para supri-la ou desfrutar o triunfo sensato
correspondente.
No primeiro momento, a necessidade é
premente porque está presente. Ocorre a sua saciação aqui e agora. E não é
prorrogável.
Esta situação de primeiro momento,
se resolvida, constitui o início do processo de aprendizagem para enfrentar e
superar uma nova situação semelhante. Os recursos básicos são os reflexos, os
impulsos e o comportamento individual (biográfico) ou social (histórico). É o
imediatismo biográfico-histórico*.
Emoções possíveis antes
da saciação: a raiva e o medo. Durante: alegria e prazer (alívio). Depois:
calma.
O segundo momento se caracteriza pela possibilidade de
prorrogar a saciação da necessidade presente para satisfazê-la,
tempestivamente.
Prorroga-se a sua saciação com prazo
estabelecido, quer por conhecimento, quer por motivo de força maior ou
compulsoriamente.
Esta nova situação, que já
é de segundo momento, se resolvida, vem ratificar um aprendizado anterior
podendo desenvolver inovações, variações ou destreza para as novas situações
semelhantes.
Os recursos básicos são o
conhecimento consolidado, o saber, a experiência, a vivência, a atitude
científica e a conduta sociocultural. São fatores do fazer acontecer
em tempo hábil.
É a tempestividade*, ou seja, a necessidade tempestiva.
Sentimentos presentes antes
da satisfação: a ansiedade e a expectativa. Durante: a comemoração e o
desfrute. Depois: a tolerância.
O terceiro momento se caracteriza
pela busca da solução definitiva da necessidade constante. A premência saciada
volta novamente após um intervalo de tempo. Se satisfeita, depois de prorrogada
tempestivamente, ela volta para ser saciada outra vez. E, assim,
sucessivamente.
É a sucessividade da mesma
necessidade.
Se uma necessidade
constante é resolvida de forma duradoura, facilita-se a solução de impasses ou
de problemas dos primeiros e segundos momentos biográfico-históricos
correspondentes. Assim, constituir-se-á acréscimo de um novo conhecimento e
saber para a consolidação do aprendizado obtido na solução dos impasses
semelhantes nos momentos relativos.
Os recursos básicos são o pensamento
e o seu arsenal como a idéia, a imaginação, a inventividade, o raciocínio
abdutivo, intuitivo, indutivo, dedutivo, a analogia, a análise, a síntese, a
pesquisa, o teste experimental e os recursos dos demais momentos, além do
método científico, teoria, ciência, tecnologia, prática e especialização.
Os sensos antes da solução
são: de observação, indagação, apreensão, curiosidade e o bom senso. Durante:
de certeza e dedicação. Depois: a paciência*.
O quarto momento se caracteriza pela
integração das respostas eficazes para todas as necessidades humanas quer individual
e grupal, quer social e do ser humano como todo. São as necessidades integradas
que exigem provimentos para uma vida universal feliz. Se uma necessidade
integrada for provida, não se questionará que houve algum aperfeiçoamento ou um
desenvolvimento eficaz nas três formas relativas de aprender precedentes*.
São recursos básicos do
quarto momento: a reflexão, o banco de memória subjetivo (interior) e objetivo
(exterior), o projeto de ida e volta e seu implemento, a prática orientada e a
consciência integrativa.
Acrescente-se, o querer
integrado, a intersubjetividade, interdisciplinaridade, interatividade,
interação harmônica — intrapsíquica e interpessoal —, a civilização e a
superconsciência.
O quarto momento se traduz pela integração
harmônica dos momentos biográficos e históricos.
Estado de espírito antes do bom êxito:
juízo. Durante: triunfante e feliz. Depois: paz e equilíbrio psíquico-físico e
emocional.
A consciência destes quatro
momentos, respectivamente, e a interação decorrente é que possibilitam a
inter-relação social harmônica, o equilíbrio sistêmico, o desenvolvimento
biográfico e histórico quer intrapessoal e interpessoal, quer intragrupal e
intergrupal.
Posto isso, podemos
explicitar o que é a superconsciência.
Superconsciência é o entendimento
certo e compreensão ampla com exatidão do que ocorre aqui e agora para nós
dentro do contexto histórico. Precisa-se de libertar-se das malhas do
condicionamento, do transe hipnótico provocado pela crença, sensibilização,
habituação e adaptação aos valores, normas, papéis, regras e padrões sociais e
culturais atingindo uma superconsciência que tem a função de tornar explícita a
consciência implícita e automática decorrente desse hábito, comportamento,
conduta e procedimento rotineiro.
A superconsciência é o estado integral das consciências
autênticas, onde não se permite ter ilusões e nem auto-enganos no passo da
nossa emancipação e da nossa autonomia. Deve-se saber administrar os estímulos
reforçadores, motivadores, interessantes e integradores; aqueles relativos às
crenças induzidas e reproduzidas pelo costume e os da própria natureza de
adaptação para superar impasses. É preciso ter noção, no momento certo e hábil,
das consciências artificiais, típicas das interações sociais e das inter-relações
políticas, ideológicas*
e religiosas; e, das consciências induzidas por transes hipnóticos, auto-ajuda,
auto-sugestão, auto-hipnose e as trazidas pelos valores, normas ou regras e
padrões socioculturais.
Mesmo estando acordado e com toda a certeza do pleno
funcionamento das faculdades mentais, ainda assim, precisa-se do breve
despertar da superconsciência. É preciso ter a certeza absoluta de estar no
mundo do modo autêntico no aqui e agora e não da maneira artificial,
representativa, condicionada ou hipnótica e fazendo as coisas na base do
automático e da artificialidade do medo*
cumprindo papéis sociais, enquanto a imaginação ou o devaneio leva o indivíduo
a viajar no mundo das elucubrações e das fantasias. Não obstante as observações
e as críticas, são louváveis determinadas atitudes consagradas pela sociedade.
Contudo, é muito bom fazer sabendo o quê, o qual, o como, o
porquê, onde, quando, quanto, para que e para quem se faz, mas com aquela
consciência autêntica ampla ¾ a superconsciência.
Assim, como exemplo, torna-se fácil procurar respostas às indagações do
tipo:
¾ Por que grande parte dos psicólogos e também
alguns renomados cientistas de outras áreas examinam os trabalhos de seus
colegas achando que não são bons?
¾ Ou, quando são bons, aprecia-os sob severa
crítica ou pela crítica desvelada, procurando não se expor?
¾ O
medo histórico e a artificialidade do medo associada à necessidade artificial
biográfico-social* têm algo a ver com isso?
¾ Por que, em sua maioria, eles sentem aquele
ar de ciúme e inveja* do colega que arduamente produziu algo?
Os ingênuos vão logo divulgando uma crítica negativa sem ter olhado com
os olhos do paradigma adequado.
Em ciência, é preciso adotar uma postura crítica positiva para
construir e reconstruir e não levar para o campo do ciúme, da inveja, do
preconceito e da arrogância, principalmente, para com os novos, subestimando-os
e desqualificando-os. Nem superestimar aqueles considerados ótimos.
Desvincular-se das influências ideológicas predominantes e dos
preconceitos competitivos se torna uma necessidade para não se cometer
injustiças com os trabalhos dignos, acolhendo-os para análise e proveito,
independentemente, da origem do autor e da sua autoridade, de sua fama ou de
seu credo, de qual linha é seguidor, ou a quem está a serviço, em qual
universidade se formou e quais os seus títulos, sem o subestimar, superestimar,
nem o desqualificar, ou combatê-lo.
Acordar para a superconsciência ao examinar uma teoria e, se possível,
ver com os olhos do seu autor distanciando-se dos valores próprios e da
convicção arrogante. Isto torna mais fácil, simples e natural a vida do que
busca a verdade para se atualizar. Para este não haverá a situação de ilusão ou
de se expor ao ridículo, porquanto sua postura não é a de subestimar ou a de
superestimar o autor, mas a de procurar a verdade na essência de sua obra e o
respectivo significado.
Enquanto os clubes fechados cujos sócios são escolhidos a dedo não se
abrirem ao mundo, o mundo continuará fechado em repouso absoluto. O mundo assim
dormente de nada servirá nem para o que está com os olhos bem abertos dentro
desses clubes, mas nada enxerga além do seu egoísmo exacerbado.
É preciso acordar o mundo para que os donos desses clubes possam abrir
os seus olhos para a superconsciência e, daí, poderem enxergar que é o seu
egoísmo o retardamento da humanidade para o seu verdadeiro objetivo. Ou seja,
viver na sua totalidade melhor do que os pássaros e os lírios do campo.
A superconsciência ratifica a apologia sobre a necessidade como mola propulsora
de todas as transformações boas ou más na face do planeta e vem surgir para o
homem em seus quatro momentos biográficos e históricos fundamentais.
Assim, a necessidade quer premente e tempestiva, quer constante e geral
ou integrante de diferentes significados como a fome, privação, carência,
vontade, desejo, intenção, interesse, sonho, esperança, etc. é que determina o movimento do ser
vivo na direção e sentido daquilo que lhe traz o reequilíbrio.
Há o movimento, por sua vez, segundo o espaço, tempo e velocidade na existência real. O
ponto no espaço se caracteriza pela latitude, longitude e altitude dentro
da infinidade e de um
referencial considerado. A ocorrência no tempo, tem o seu caráter presente, passado e futuro dentro
da eternidade.
Para uma situação de velocidade, podemos falar em parado ou em
movimento relativo, movimento retardado, acelerado e contínuo. E a
existência*, por fim, pode ser concreta, imaginária, abstrata e universal.
Como se pode notar, diante dessa grandeza natural, desse incomensurável
universo, não podemos ficar mais pequenos do que a nossa pequenez ante essa
grandeza. Não há, portanto, que falar do medo da morte e das suas conseqüências
tristes e patológicas, porquanto continuaríamos ainda mais pequenos do que
somos.
Para ocupar-se de viver* bem basta apenas medo e raiva natural* que só
poderá haver no momento do perigo como um mecanismo de defesa, seguidos da
alegria, prazer e calma. Prorrogar o medo e a raiva para covardia, ódio,
vingança e traição é submeter-se à artificialidade sociocultural e às suas
manipulações.
A auto-estima, a disciplina interior, a vivência, o conhecimento, a
experiência, o saber, o pensamento e o bom juízo farão o resto.
Para ocupar-se de viver mal, basta ocupar-se de morrer, ou seja, viver
com a artificialidade do medo e da raiva nutrida pelo medo histórico e
submissão eterna ao autoritarismo velado.
Saburo
Okada.
* Concêntricas. Imagine uma rede esférica toda entrelaçada como novelo de lã com pólos norte e sul. Ressaltam nele quatro paralelos de latitude evidentes pela condensação de suas redes múltiplas. Dois, no hemisfério norte; e, dois, no sul, atravessados por quatro outras redes condensadas longitudinais como quatro meridianos. Essa esfera de rede é oca, mas com um nó central que liga vários pontos da superfície, direta ou indiretamente, que observada de dentro para fora parece um emaranhado de infinitas ligações.
* Nó central. O nó central é o sujeito, o indivíduo, ou o observador de dentro para fora em situação fácil e cômoda em relação a qualquer outro observador, quer o da superfície quer o que está além dela.
* Quadridimensionais. Ou quadrimensionais são a tridimensionalidade espacial mais a dimensão de tempo formando uma disposição em quatro dimensões. São os quatro momentos espaciais: a primeira dimensão em linearidade (frontal); a segunda, em situação de plano (profundidade); a terceira é vertical ou volumétrica (visão em 3D ou de expansão tridimensional); e, a quarta, no decorrer do tempo ou em conexão integrativa temporal.
* Parada. A parada é relativa, porquanto não há no universo algo que não esteja em movimento.
* Saber. Veja Nota de fim número 30.
* Necessidade histórica. É a necessidade de sobrevivência não só da espécie humana, em si, mas dos variados grupos resultantes ao longo da história de sua sobrevivência formando e reformando os seus diferentes paradigmas de interesse histórico, social, político, econômico, cultural e religioso.
* Espaço tridimensional. Refere-se às dimensões espaciais relativas de latitude, longitude e altitude.
* Medo histórico. É o medo artificial de uma certa coletividade em determinado momento histórico. É o medo que pode aparecer e desaparecer segundo as rupturas dos paradigmas sociais vigentes para os diferentes grupos sociais de uma mesma época. O medo artificial é o medo não natural criado pelos valores e padrões socioculturais prevalecentes nas suas relações sociais interativas e dinâmicas. Por exemplo, na atual sociedade brasileira, segundo Marilena Chauí, pode-se falar numa divisão social do medo. Diferentes classes sociais têm medos diferentes. A classe dirigente teme perder o poder e seus privilégios. A dominante teme perder riquezas, bens e propriedades. A média teme a pobreza, a proletarização e a desordem. A trabalhadora teme a morte cotidiana, a violência patronal e policial, a queda vertiginosa na marginalidade, na miséria absoluta e a arbitrariedade dos poderes constituídos. Medos esses se atuantes caracterizam uma sociedade profundamente autoritária. O atual modo de produção no mundo é na base da velocidade temporal. A rapidez das mudanças e a perda contínua de referenciais fixos, o tempo e a história também provocam medo. E esse terrorismo de hoje pode acabar com o medo da humanidade? Que tipo de consciência ou superconsciência pode nascer daí?
* Ida e volta. Na aprendizagem corresponde ao aprender fazendo, vivenciando, descobrindo, inovando, inventando e criando; aprender ensinando; aprender construindo, desmanchando, reconstruindo ou refazendo; aprender o caminho na ida a um destino, reconhecendo-o na volta, ao mesmo tempo em que se permite inovar ou experimentar outras variantes nas seguidas idas e voltas ao mesmo destino, ou mandar tampar certos buracos vistos, de tal sorte que nas futuras viagens pelo mesmo caminho possa se dar ao luxo de usar o seu piloto automático, em alerta; ou inventar outro caminho mais eficaz de se chegar lá, querendo. A ida pode até representar a indução e a análise experimental; e, a volta, a dedução e a síntese científica. A ida e a volta no mundo subjetivo é projeto e seu implemento simulado, representado ou protótipo imaginado e até mesmo, a sua primeira viagem objetiva. A ida e a volta no mundo objetivo, atrela-se à ida e a volta no mundo subjetivo que se põe na prática com cautela, para o enfrentamento real e concreto de riscos, imprevistos, dúvidas, incertezas e aventuras com opções, determinações, decisões e deliberações para a consumação das necessidades nascentes relativas.
* Comportamentos sociais
diferem das condutas e procedimentos sociais. O comportamento social refere-se ao hábito,
costume e uso sociais imediatos, de interesse geral. A conduta
social é o comportamento social ético aceito como válido pela maioria e serve
como padrão social e modelo de valor a ser seguido por todos. O procedimento
social é o conjunto dos atos de comportamento e conduta sociais selecionados,
administrados e dirigidos dentro do processo de vida de uma coletividade,
nação, etnia ou de qualquer grupo coeso para um provimento final de interesse
geral. Assim, cada ato do procedimento social tem o seu momento oportuno e os
posteriores dependem dos anteriores para obter validade, reconstruir valores ou
produzir novos. O procedimento social é uma situação social de terceiro momento
histórico cuja característica é a atuação social constituída de reação e ação
sociais sistematicamente administradas; e, dirigida para um fim social.
Observe-se que o comportamento, conduta e procedimento quando são individuais
referem-se aos momentos biográficos. Quando sociais, eles se referem aos
momentos históricos. Assim, o comportamento individual é a reação individual no
aqui e agora. A sua conduta diz
respeito à sua ação dentro dos valores, regras e padrões socioculturais
vigentes. O seu procedimento refere-se à sua atuação em suas atividades
regulares. O vivenciamento é o seu quarto momento e diz respeito às suas
interações intrapessoais e interpessoais no seu cotidiano. Veja Nota de fim n.º
44 ª na página 265.
* Descobrir é ato do primeiro momento. Inovar é do segundo. Inventar é do terceiro. Criar é integrar a descoberta, a inovação e a invenção. Primeiro, descobre-se o incógnito. Conhecido o novo, explora-o e tenta-se melhorá-lo, ou seja, inova o que descobriu, se necessário, para melhor aproveitamento. Depois, reinventa-o ou inventa processos mais econômicos, simples, rápidos, eficientes, eficazes e duradouros. São três atividades criativas. Observem, por exemplo, quantas descobertas, inovações e invenções fizeram parte da criatividade do homem a partir do barco e das caravelas até a navegação pela internet e todos os seus instrumentos, processos, técnicas e máquinas cibernéticas só na área da necessidade de comunicação interpessoal para o objetivo implícito de se prover. Note-se que pela via barcos, navios e caravelas os homens de diferentes países e lugares, que por muito tempo se comunicavam melhor, se inteiravam de fragmentos dos conhecimentos do que traziam e levavam os seus navegadores.
* Fragmento. Ao ligarmos uma lâmpada, a televisão pelo controle remoto, a geladeira, telefone, ou o carro, temos algum fragmento de T. A. Edison, Einstein, Maxwell, Bell, Faraday, Newton e muitos outros.
* Lugares-comuns. LUGAR-COMUM. Fonte de onde se extraem argumentos, indícios, idéias, provas, pistas, vestígios, etc. para quaisquer assuntos. Veja Notas de fim números 16 e 17 (págs. 219 e 220)
* Sociedade em rede. Em alusão a Manuel Castells em “A sociedade em rede” – A Era da informação: economia, sociedade e cultura, Vol. I, 2000, 3.ª edição, Paz e Terra – São Paulo – SP.
* O ideário é o conjunto ou sistema de idéias políticas, econômicas, históricas, filosóficas, religiosas, culturais, sociais e existenciais. Diferente do imaginário que só existe na imaginação.
* Reproduzíveis. Em aprendizagem, um fenômeno, fato, evento, idéia, bem como qualquer objeto que seja ou corresponda uma realidade significativa, ainda que não sendo a mesma, pode ser representada, explicada, ensinada, simulada, reconstituída, reconstruída, reportada, imitada, modificada, melhorada, refeita, modelada, produzida em série, divulgada, descrita, narrada, dissertada ou repetida, querendo, isto é, reproduzida.
* Biográfico-histórico. É termo usado no sentido da relação do indivíduo para com o social, para com a coletividade, ou para com a totalidade do ser humano. E o termo histórico-biográfico é usado no sentido da relação do social para com o indivíduo, ou dos grupos para com os seus elementos e da totalidade do ser humano para com as pessoas.
* Tempestividade. Oportunidade de satisfazer uma necessidade. Atividade pertinente à satisfação de uma necessidade, exeqüível tempestivamente. É a situação de fazer o que deve ser feito dentro do prazo estipulado. Tempestivo é o que vem ou sucede no tempo devido. Efetivar tempestivamente ou com tempestividade é implementar, fazer algo ou agir, em tempo hábil. Não precisa ser aqui e agora, já.
* Paciência. A paciência, a tolerância e a calma se parecem muito. Todavia, se distinguem em distintos momentos. A calma é emoção natural. Uma situação de equilíbrio emocional. A tolerância é sentimento. Uma situação de calma tolerada por conhecimento ético, moral ou de boa conduta, para evitar efeitos, conseqüências e resultados não desejados. A paciência é um estado psíquico, racional ou intelectual. Requerem-se a calma, a tolerância e a paz para se operar o pensamento que exige a perseverança e paciência. A paz de espírito (equilíbrio emocional) é o integrador da paciência, da tolerância e da calma.
* Três formas relativas de aprender precedentes. No segundo momento pode acrescentar algo a mais no que se aprendeu no primeiro momento. No terceiro momento pode-se tornar mais simples e fácil o que foi descoberto e inovado nos dois momentos precedentes. Ao chegar em nível de quarto momento, no provimento dessa mesma necessidade — integração dos três momentos dessa necessidade —, intui-se que houve prática ou treinamento nas três formas de aprender a suprir uma mesma necessidade.
* Ideológicas. Reproduções de idéias deformadas pelo grupo dominante, perseverantes no meio social.
* Artificialidade do medo. O medo é a emoção natural que tem a função de preservar o organismo e se manifesta no ato do perigo que imediatamente resolvido na fuga, esquiva ou resistência e enfrentamento logo se esvai; quando então, se inicia o processo de recuperação do movimento muscular normal. O dito medo artificial é o provocado pela cultura e pela sociedade na sua manipulação através de artifícios enganosos no passo da submissão, dominação, exploração de pessoas e controle social, geradores do autoritarismo e decorrentes estados de terror e reações de terrorismo ou de alternadas retaliações. Esse medo artificial pode produzir a raiva artificial, o ciúme, a inveja, o ódio, pavor, horror, vingança, além de outros sentimentos negativos correlatos, culminando em psicose, revolta, terrorismo, matança e guerra. Neste sentido, o medo e a raiva deixam de ser emoções naturais passando o sujeito social a ter medo ou raiva do outro sujeito social criando limitações, regras, normas, disputas, competições automáticas e inconscientes, monopólios, sanções, vinganças, retaliações, etc. e reproduzindo a divisão social.
* Necessidade artificial biográfico-social. São as necessidades criadas e reproduzidas pelo valor e padrão sociocultural do tipo “status”, consideração, promoção, homenagem, classificação, premiação, graduação, título, honra ao mérito e semelhantes, além do medo de perder a boa posição social.
* Ciúme e inveja. O ciúme e a inveja são dois dos maiores representantes entre os inúmeros elementos da Paixão. Raramente o ciúme e a inveja têm significado elogioso e saudável. Claudius Popelini, poeta francês escreveu com simplicidade: “Matemático! Tenho por ti admiração e inveja!” A parte não saudável do ciúme e da inveja é terrível, eis porque tanto maltrata o ciumento e o invejoso quanto a sua vítima. E quando a vítima é um Galileu, um Spinoza, um Abel ou Ramanujan da Matemática, ou um Carl Marx, quem perde mais é a humanidade. E note-se que a inveja e o ciúme levaram Cristo para a cruz. E Ele que pregou o amor e o perdão aos homens que lhe pregaram e ainda pregam farpas. Precisa-se de acordar para a superconsciência e aprender a lidar com o ciúme e a inveja, quer sejam estes inconscientes, subconscientes, quer sejam conscientes e reconciliar-se para o benefício universal e necessário. Quem amar de verdade não poderá ter inveja nem ciúme. Contudo, tem validade quando o ciúme e inveja corresponde a uma elogiosa metáfora como fez Claudius Popelini. Logo, aprendamos a amar de verdade para excluí-los do nosso caminho. E, observe-se que amor não é paixão. Veja página 225 e Glossário na página 130 e 151.
* Existência. Veja Nota de Fim n.º 36 na página 238.
* Ocupar-se de viver. Veja Nota de Fim n.º 36.ª na página 238.
* Medo e raiva natural. Segundo a teoria dos momentos há cinco emoções naturais que são o medo, a raiva, a calma, a alegria e o prazer que são manifestadas no ato da conexão estímulo ↔ sensação, de modo autêntico e automático. Tais emoções são inatas como mecanismo de defesa, de equilíbrio e de sobrevivência saudável do organismo. Contudo, há emoções aprendidas decorrentes das interações e atividades socioculturais e civilizacionais cujo mecanismo de funcionamento é o mesmo das naturais. Assim, o medo e a raiva naturais convivem com as suas correspondentes artificiais, os seus disfarces e os sentimentos decorrentes. Adiante diremos sobre as emoções e suas derivadas. Veja glossário nas páginas 149 e 155.